Manifesto em Defesa do Barulho das Crianças

Crianças não causam poluição sonora

Enviado por um de nossos sete leitores, que assina apenas Evandro. Aliás, como disse nos comentários ao post sobre a atitude intempestiva de Cíntia Moscovich, os carros são MESMO a maior fonte de ruído.

A propósito, clique antes aqui.

O Grupo de Pesquisa Identidade e Território (GPIT), ligado à Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vem por meio deste manifestar a preocupação de seus pesquisadores no campo do Planejamento Urbano e Regional com a recente decisão do desembargador Carlos Marchionatti, motivada por ação de uma escritora, que alegou prejuízo profissional de atividades realizadas em sua residência em função do ruído produzido por crianças de 18 meses a seis anos de idade, no pátio de uma escola vizinha, localizada no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A decisão, vencida em primeiro grau e confirmada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), coloca algumas questões importantes e urgentes sobre as quais a sociedade brasileira precisa refletir.

Nos estudos urbanos ainda carecemos de maior volume de investigações a respeito das relações entre sons e cidade, no entanto o tema tem estado presente em trabalhos acadêmicos em todo o mundo, inclusive os realizados e debatidos no interior do GPIT. Não temos dúvidas sobre a importância dos sons como delimitadores de territorializações na experiência espacial, especialmente no espaço urbano. Sirenes, badalar de sinos, vozerio das multidões ou saudosos sons dos vendedores de jornais e afiadores de faca não apenas situam um tempo-espaço como também acabam por expressar ou mesmo regular a convivência. Locus da modernidade, o urbano é o lugar de encontro das diferenças e de convívio com imagens sonoras, as mais diversas. Viver em cidade é acolher a diversidade e experimentar a diferença. Escolas são importantes equipamentos urbanos que articulam a vida dos bairros, orientando inclusive a escolha da moradia por famílias que desejam viver em proximidade com esses espaços. Do ponto de vista da legislação urbana, inclusive não há impedimento de atividades escolares no Moinhos de Vento e, por princípio, escolas devem estar situadas em áreas de alta densidade.

Entendemos que a decisão da Justiça do Rio Grande do Sul pode estimular a intolerância, ao invés de promover soluções apaziguadoras, como a adoção de tecnologias de conforto acústico e uma série de outros recursos e medidas que minimizem a propagação sonora tanto na escola quanto na residência. A mediação de conflitos neste campo não pode mais se dar apenas baseando-se na medição física do fenômeno acústico, dada a importância social de muitas das atividades que se configuram como fontes emissoras. Estudos apontam que o tráfego automotor, por exemplo, é responsável pela maior parte do que é considerado poluição sonora em nossas cidades hoje, levando inclusive a transtornos psíquicos, mas não se tem apontado para a proibição da circulação de automóveis como solução desse problema. No caso dos espaços reservados à vivência das crianças em nossas cidades, o que propomos aqui não é que se deixe de observar os direitos que assistem o cidadão, mas que possamos pensar e colocar em prática alternativas que não se traduzam no distanciamento – ou silenciamento – de grupos ou sujeitos, pois é exatamente o relacionamento entre eles que fortalece a civilidade.


Grupo de Pesquisa Identidade e Território – GPIT/CNPq
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
www.ufrgs.br/gpit

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Ao que tudo indica, Dunga não vem porque Luigi quer continuar interferindo no vestiário, sua paixão

Pelo visto, Dunga quer o vestiário de Luigi…

O natural e lógico de um time de futebol bem sucedido é ter um técnico que treine, dê dinâmica, escale e, enfim, seja o responsável pelo vestiário. Porém, o mais comum nos times brasileiros é que os dirigentes fiquem dando pitacos, constrangendo o técnico a escalar os jogadores da preferência da diretoria. É o caminho para o caos. E, com efeito, as reações da diretoria do Inter às exigências de Dunga indicam não um problema de ordem financeira, mas uma discordância sobre o futuro modus operandi. Ou seja, Luigi não quer dar o vestiário para Dunga, quer seguir enchendo o saco.

Participo de dois grupos de discussões do Inter e em ambos as pessoas, algumas delas conselheiros de oposição — às quais estão muito atentas a todo o noticiário esportivo — estão juntando declarações daqui e dali a fim de montar a esfinge da hesitação sobre Dunga. Grosso modo, aqui está o resumo: Dunga declarou-se um japonês e quer saber de todas as funções prévia e minuciosamente. Em outra entrevista, ele disse que a Comissão Técnica é a dona do vestiário… Já Roberto Siegmann, ex-diretor de futebol e homem que não tem limites em sua franqueza — e que também nunca foi pego numa mentira — diz que o banana do Luigi (expressão minha) acha que entende de futebol e que gosta de mexer no time. Enquanto isso, logo após o Gre-Nal de domingo, o presidente Giovanni Luigi Calvário surpreendeu o mundo ao acusar Dunga de pedir um salário muito alto para os padrões de um clube que renova com Bolívar e outras mediocridades. Tal acusação foi peremptoriamente negada por Dunga.

Este é o presidente que o Conselho Deliberativo reelegeu para dois anos. O papel de manter tal sumidade foi assumido por um Conselho formado por pessoas que estão mais para o high society porto-alegrense do que para o interesse futebolístico. Por essas e outras, muitas outras, e por não aguentar mais é que vou de Chapa 3 no próximo dia 15, data da eleição para o CD. Chega de amadorismo. Estou cheio.

Ah, e Dunga só virá se não houver outro que a torcida aceite.

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Vertigem VI

Segurança no Trabalho: o operário Carl Russell abana para a câmera enquanto trabalha no 88º andar do Empire State Building em construção.

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Você ainda sabe escrever com caneta?

Minha letra sempre foi péssima e eu achava impossível que ela pudesse piorar. Sempre me envergonhei dela — achava que era uma representação equivocada de mim mesmo, algo que em verdade deveria sair da mão de um semi-letrado. Sua simples existência era um duro golpe em minha vaidade, a qual posso garantir que não é de grandes proporções. Pois bem, afirmo que minha letra, que nasceu e viveu permanentemente no fundo do poço, nos últimos anos passou a cavar.

Hoje, os recados que deixo em casa saem da impressora. Rabisco apenas meus livros e listas de tarefas ou recadinhos “de mim para eu mesmo”. Cheguei ao ponto de achar que mesmo minha cônjuge não merece entrar em contato com meus registros rupestres. Ainda tomo notas em reuniões, mas, como Bartleby, preferia não fazê-lo. Hoje, o simples fato de pensar em encher páginas e páginas de papel almaço com anotações ou respondendo a provas — como fazia da faculdade — me apavora. Certamente ficaria cansado. Hoje, minhas canetas duram muito e costumo perdê-las antes de seu fim.

Então, mesmo a parca habilidade que tinha foi para o saco, não me considero mais inteligível por esta forma de comunicação, a não ser faça letras enormes e bem desenhadas. Acho que tal piora está acontecendo com quase todos nós. Será que a boa caligrafia vai acabar na próxima geração, vitimada por seres cada vez mais acostumados aos computadores? Será que tudo será digitado e que todas as assinaturas se tornarão senhas?

Li uma crítica para o ensaio The Missing Ink — The Lost Art of Handwritingdo nostálgico ficcionista inglês Philip Hensher. Nela, o resenhista onde compara a involução de sua própria letra em muitos anos. Era um sujeito que gostava de canetas-tinteiro e que se orgulhava de sua caligrafia, atualmente uma merda, como ele demonstra após digitalizá-la.

E eu pergunto: quando foi que você recebeu sua última uma carta por escrito, registrada num papel que foi efetivamente trabalhado pelas mãos do seu correspondente? Eu sei que recebi uma carta de minha prima Vera Luiza há alguns anos. Uma carta isolada. Lembro de tê-la achado muito estranha. Penso que atualmente cultivar uma bela letra é como saber tricotar com virtuosismo e que logo nenhuma criança será cobrada por uma bela letra. E quando as redações no vestibular passarão a ser digitadas?

Hensher conclui seu livro com um apelo para manter a escrita viva. Ele acha que a desnecessidade de escrever diminuiu nossa humanidade. Porém, eu fico feliz e prefiro escolher temas sobre os quais escrever do que de me ufanar de minha notável inabilidade com as Bics ou as tinteiros da vida.

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No último jogo do Olímpico, Grêmio não obtém a vaga direta

Foto: SC Internacional

O Grêmio é um time certinho, bem treinado, mas é formado por um grupo comum de jogadores. Quando é muito marcado e a condição técnica é chamada a comparecer, passa a faltar tudo. Já o Inter finalizou a mais medíocre das últimas temporadas. Sua missão era a de apenas atrapalhar o Grêmio, impedindo-o de chegar direto a fase de grupos da Libertadores 2013. Conseguiu com alguma facilidade, depois de ter feito muita coisa para perder seu quinto jogo consecutivo. (A expulsão de Damião foi uma das coisas mais ridículas que já vi e o que dizer da inexplicável substituição de Cassiano?).

Com o resultado, o prejuízo do Grêmio é grande. A fase de mata-mata da Libertadores começa no final de janeiro e o Grêmio ainda tem um jogo contra o Hamburgo no próximo sábado. Então, os jogadores entram em férias dia 9 deste mês, voltam em 9 de janeiro e poucos dias depois já têm um jogo eliminatório. Foi para isso que o Inter lutou para manter o empate. Só para complicar a vida do Grêmio. Fomos bem sucedidos, mas fala sério, é muito pouco.

P.S. — O Olímpico merecia um melhor time do Grêmio em seu último jogo. Afinal, foi lá onde assisti meu primeiro jogo de futebol. Foi em 1967 ou 68: Inter 1 x 0 São Paulo, pelo Roberto Gomes Pedrosa, o torneio que foi o ensaio para o atual Campeonato Brasileiro.

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Biblioteca pronta! As quatro paredes:

Tô podre. Segunda volto a trabalhar. Preciso descansar dessas férias.

CDs com alguns livros
Livros
Interno
Externo

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