Sentindo-me uma Clara Corleone no Bom Fim

Eu tinha corrido 4,8 Km na Redenção (em 30 min) e empurrava meu corpo Santo Antônio acima. Me arrastava suado, sem camisa, com minha barriga à mostra.

Na minha calçada, em sentido contrário, vinham duas mulheres de uns 40 anos. Ao chegarem perto de mim, uma se virou pra outra num tom muito cúmplice e disse em voz alta, de forma pouco natural:

— Tem uns caras mais velhos que são bem gostóóósos.

A outra riu enquanto me media. Quando passamos uns pelos outros, emiti uma de minhas especialidades sonoras, fazendo (com a boca) um autodepreciativo

— Pfff…

Será que é efeito da máscara? Logo pensei nas aventuras da Clara [Corleone] pelo Bom Fim e em contar para Elena só para me fazer.

Entrando no edifício, fiz a frase definitiva:

— Vertendo suor e borogodó, Milton Ribeiro volta para casa quase enfartando.

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Obs.: Borogodó (substantivo masculino):
1. atrativo pessoal irresistível.
2. afeto, carinho.

Pelé x Maradona

Como jogadores de futebol, Pelé e Maradona são difíceis de comparar. Vi ambos ao vivo em campo. Não apenas eram muito diferentes, como preferiam jogar em posições distintas no ataque. Um é de uma geração, outro de outra e o futebol mudou muito entre os anos fim dos anos 50 e o início dos 70 — período de Pelé — e os anos 80 e 90 — período de Maradona. Como se não bastasse, Pelé gostava de ser medido pela quantidade de seus gols, Maradona nunca fez isso.

Uma coisa dá para dizer: há pouco ou nenhum sangue europeu em ambos.

Mais fácil de comparar são Messi e Cristiano Ronaldo. Hoje, um tem 33 e o outro 35 anos, jogaram na Espanha em times quase análogos e começaram a disputar quem fazia mais gols, quem dava mais assistências e quem ganhava mais títulos para seus times. Fica mais fácil de comparar.

São mais como os tenistas Djokovic e Nadal, que têm diferença de um ano e estão sempre disputando um contra o outro. Está 29 a 27 para o sérvio.

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Ontem, vi um cara ficar visivelmente contrariado pelo nível de informação futebolística de uma mulher que falava sobre Maradona. Eu só ri.

Imagina só, inteligente e ainda falando de futebol como um homem!

Dia Nacional da Consciência Negra: os cartões-postais dos linchamentos da Ku Klux Klan

Dia Nacional da Consciência Negra: os cartões-postais dos linchamentos da Ku Klux Klan

Retirado daqui.
Tradução livre deste blogueiro

A humanidade pode ser pior do que você imagina, muito pior.

Terrorismo é definido como “o uso de violência e intimidação na busca de objetivos políticos”. A mídia ocidental gosta de pintar terroristas com rostos morenos, mas uma das mais horríveis campanhas de terror aconteceu no século passado em solo norte-americano — os estimados 3.436 linchamentos de homens e mulheres negros americanos entre 1882 e 1950, com o objetivo de controlar e intimidar a população negra pouco antes libertada. Não muitas coisas são mais perturbadoras do que ser confrontado com a evidência visual do lado sombrio da humanidade, especialmente quando são evidências de um ódio generalizado e da violência de um ser humano para com o outro. Este ódio veio do medo e foi impulsionado pela religião e pela crença de que os assassinatos são atos de moralidade. Esta violência visava intimidar e suprimir quaisquer aspirações que uma comunidade possa ter por igualdade e um futuro melhor.

Quando me deparei com a coleção de cartões-postais norte-americanos de James Allen e John Littlefield, publicada em um livro intitulado Without Sanctuary: Lynching Photography in America, notei quão importante é conhecer essas imagens, hoje mais do que nunca. Esses cartões-postais foram feitos para comemorar eventos que fizeram muitos brancos norte-americanos se sentirem orgulhosos — de sua raça, de sua superioridade, de sua civilização e de sua inteligência. Eles tiraram fotos de suas realizações nojentas e covardes para serem conhecidas e lembradas. Nas costas, eles escreveram para amigos e familiares numa empolgação de sociopatas. Esses cartões-postais capturam turbas testemunhando com alegria o assassinato de rapazes e moças, cujo crime mais grave foi a cor da pele. Os cadáveres pendurados e carbonizados nesses cartões-postais viviam em um mundo que contava os dias até seu assassinato, a partir do momento em que colocavam ar em seus pulmões infantis. Essa história é poderosa, de revirar o estômago e de importância essencial. E o mais impressionante sobre essas fotos é que elas não apagam os perpetradores como muitas histórias e memoriais fazem hoje, preferindo focar em quem foi vitimado em vez de naqueles que orgulhosamente — e com o apoio do governo — torturaram, estupraram e assassinaram pessoas. Os assassinos nessas fotos estão orgulhosos, são homens adultos olhando para a câmera com a convicção sorridente de que o adolescente que eles acabaram de matar, um contra cem, merecia seu ódio, medo e frustração. Nenhum grande júri era necessário; a lei estava nas mãos dos assassinos. 

A história não é linear. A história está acontecendo ao nosso redor, o tempo todo. Essas fotos são contexto, são realidade, são fotos do terrorismo norte-americano. Esteja ciente de que essas fotos são repugnantes e muito reais.

O linchamento de Elias Clayton (19 anos), de Elmer Jackson (19) e de Isaac McGhie (20), em 15 de junho de 1920, Duluth, Minnesota.

Por James Allen

Eu tenho um brique, sou um catador, um colecionador. É minha vida e minha vocação. Eu procuro itens que algumas pessoas não querem ou não precisam mais e os vendo para outros que precisam. As crianças são catadoras naturais. Eu fui uma delas. Eu brincava com isso desde quando colecionava abelhas em potes.

Meu pai trazia para casa sacos de lona estufados com nomes de bancos, sacos de moedas de cobre ou meio dólar e nós, crianças, sentávamos em volta dos montes de moedas como se estivéssemos em volta de uma fogueira e gritávamos sons de bingo quando encontramos alguma moeda especial.

As mães não aconselham seus filhos a serem catadores. Nenhum adulto deseja ser chamado disso. No Sul dos EUA, é um termo pejorativo. É coisa de gente muito humilde e ignorante, talvez ladra. Tenho tentado trazer dignidade a meu trabalho, viajando incontáveis ​​estradas em meu estado natal, adquirindo coisas que creio serem úteis e reveladoras — móveis feitos à mão, potes feitos por escravos, colchas remendadas e bengalas esculpidas. Muitas pessoas que me vendem estão sobrecarregadas de bens, ou prontas para irem para o lar dos idosos ansiando pela morte. Alguns são vendedores são relutantes, outros ansiosos. Alguns são amáveis, gentis e acolhedores, outros são mesquinhos, amargos e meio enlouquecidos pela vida e pelo isolamento. Nos EUA tudo está à venda, até uma vergonha nacional. Um dia, deparei-me com um cartão-postal de um linchamento. Os cartões-postais pareciam triviais para mim, eram produtos de segunda mão. Ironicamente, a busca por essas imagens me trouxe um grande senso de propósito e satisfação pessoal.

O linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith. Este foi um grande encontro de linchadores acontecido no dia 7 de agosto de 1930, em Marion, Indiana. Inscrito a lápis na moldura: “Bo aponta para seu niga.” Fora da moldura está escrito: “Klan 4º Joplin, Mo. 33.” Achatadas entre o vidro e o papel há cabelos da vítima. ”
Este é o cadáver carbonizado de Jesse Washington suspenso em um poste. O verso diz “Este é o churrasco que fizemos ontem à noite, minha foto está à esquerda com uma cruz sobre seu filho Joe.” 16 de maio de 1916, Robinson, Texas.

O estudo dessas fotos gerou em mim um enorme medo dos brancos, medo da maioria, dos jovens, da religião, dos aceitos. Talvez certo cuidado a respeito dessas coisas já estivesse em mim, mas certamente não tão ativamente como após a primeira visão de um frágil cartão-postal de Leo Frank morto em um carvalho. Não foi o cadáver que me impressionou, foram os rostos delgados como cães de uma matilha, circulando atrás da morte. Centenas de mercados de pulgas depois, um comerciante me puxou de lado e em tom conspiratório me ofereceu um segundo cartão, este de Laura Nelson, presa como uma pipa de papel em um fio elétrico. A visão de Laura criou uma camada de pesar sobre todos os meus medos.

Acredito que os fotógrafos destes cartões foram mais do que espectadores dos linchamentos. A arte fotográfica desempenhou um papel tão significativo no ritual quanto a tortura. A luxúria impulsionou sua reprodução e distribuição comercial, facilitando a repetição infinita da angústia. Mesmo mortas, as vítimas não tinham abrigo.

O linchamento de JL Compton e Joseph Wilson, vigilantes. Ocorreu no dia 30 de abril de 1870, em Helena, Montana. A inscrição impressa no canto superior direito diz: “Hangman’s Tree, Helena Montana”. O verso deste cartão afirma: “Mais de vinte homens foram enforcados nesta árvore durante os primeiros dias.”
O corpo espancado de um homem afro-americano, apoiado em uma cadeira de balanço, roupas respingadas de sangue, tinta branca e escura aplicada no rosto e na cabeça. Na parede, há a sombra de um homem usando uma vara para apoiar a cabeça da vítima. Postal de 1900.

Essas fotos provocam em mim um forte sentimento de negação e um desejo de congelar minhas emoções. Com o tempo, percebo que meu medo do outro é medo de mim mesmo. Então, esses retratos, arrancados de outros álbuns de família, tornam-se os retratos da minha própria família e de mim mesmo. E os rostos dos vivos e os rostos dos mortos se repetem em mim e na minha vida diária. Já vi John Richards em uma estrada remota do condado, balançando-se em passadas de cavalinho de pau, cabeça baixa, olhos no chão. Já encontrei Laura Nelson em uma mulher pequena e robusta que atendeu minha batida na porta de uma varanda dos fundos. Em seus olhos profundos, observei uma multidão silenciosa desfilar em uma ponte de aço brilhante, olhando para baixo. E na Christmas Lane, a apenas alguns quarteirões de nossa casa, Leo, um menino pequeno, com a fralda da camisa para fora e o boné descentrado, vai para as orações do sábado.

A silhueta do cadáver do afro-americano Allen Brooks pendurado no arco em Elk, cercado por espectadores. O linchamento aconteceu em 3 de março de 1910 na cidade de Dallas, Texas. Inscrição impressa na borda, “LYNCHING SCENE, DALLAS, MARCH 3, 1910”. Inscrição a lápis na borda: “Tudo bem e gostaria de receber um postal seu, Bill’. O verso do cartão diz “Bem, John – este é um registro de um grande dia que tivemos em Dallas … Um negro foi enforcado por agressão a uma menina de três anos. Eu vi a agressão.”
Os cadáveres de cinco homens afro-americanos, Nease Gillepsie, John Gillepsie, “Jack” Dillingham, Henry Lee e George Irwin com espectadores.6 de agosto de 1906. Salisbury, Carolina do Norte.
Cartão postal do linchamento de Will James, Cairo, Illinois 1909
Bennie Simmons, ainda vivo, embebido em óleo de carvão antes de ser incendiado. 13 de junho de 1913. Anadarko, Oklahoma.
O linchamento de Leo Frank. 17 de agosto de 1915, Marietta, Geórgia. Sobreposta à imagem: “o fim de Leo Frank, enforcado por uma turba em Marietta. Agosto 17. 1915. ”

Imagens do linchamento de Frank Embree, Fayette, Missouri 1899

Ferdinand Waldo Demara – o grande impostor existiu

Ferdinand Waldo Demara – o grande impostor existiu

Do Toluna

Nascido em dezembro de 1921, em Massachusets, Ferdinand Waldo Demara iniciou sua carreira de impostor após desertar do exército americano. Tendo que se esconder, apresentou-se em um mosteiro, como um homem que queria uma vida simples e desejosa de Deus. Enganou os monges por meses – sendo responsável pelas vinhas do mosteiro e a fabricação dos vinhos para a missa. Desistiu de se esconder no mosteiro por seu espirito glutão – não conseguiu se adaptar aos períodos de jejum.

Em suas duas décadas de carreira, ele se passou por monge católico, engenheiro, xerife, enfermeiro, advogado, cientista, professor e médico. Ferdinand Demara não só se passava pelos personagens, ele se transformava neles, levando suas farsas às últimas consequências. Em seu período como “monge”, fundou uma universidade religiosa – que existe até hoje.

O ato máximo de Demara veio durante a Guerra da Coreia. Ele embarcou num destróier da Marinha canadense dizendo ser o Dr. Joseph C. Cyr. A guerra era real, e ele teve que lidar com pacientes reais. Usando uma quantidade copiosa de penicilina, acabou com uma infecção que se alastrava pelo navio, e operou 16 feridos de guerra trazidos ao convés, em estado grave. Demara se enfurnou em sua sala com volumes de medicina. Quando apareceu de volta, operou todos os pacientes – fazendo inclusive cirurgia cardíaca com cavidade torácica aberta. Acredite se quiser, ninguém morreu.

A vaidade, porém, acabou com sua carreira prolifica. Demara publicou suas peripécias na revista Life. Ficou famoso, conhecido e portanto, impossibilitado de ter sucesso em suas farsas. Então virou um pastor batista – de verdade. Cursou teologia e passou a trabalhar em hospitais e obras de caridade, como capelão.

De como o telemarketing fez com que não atendêssemos mais o telefone

De como o telemarketing fez com que não atendêssemos mais o telefone

Lá por 2017, a Elena propôs desligar o telefone fixo aqui de casa — ele só servia para o telemarketing e para o ex e os amigos dos filhos ligarem. Eu respondi que, em janeiro de 2016, quando um tornado veio dar um passeio em Porto Alegre, foi o fixo que permitiu que eu conversasse com ela, que estava em viagem.

Mas, logo depois, cedi aos argumentos dela e acabamos com o fixo.

Agora, também não atendemos ligações em nossos celulares vindas de desconhecidos e de outros estados. Motivo: ainda o telemarketing. A Elena passa o dia em modo avião, só atendendo o Whats.

Aliás, acho que o WhatsApp deveria agradecer às empresas que nos causam tanto mau humor com ligações silenciosas ou estapafúrdias como esta que recebi numa manhã de um sábado em que podia dormir. É claro que ainda tínhamos o fixo. A ligação ocorreu às 8h da madrugada, pasmem.

— Alô — disse eu só de cuecas e camiseta, reprimindo um bocejo e pensando que poderia ter acontecido algum problema com nossas 4 “crianças”, 2 meus e 2 dela..
— Falo com o Sr. X?
— Não, o Sr. X não mora mais aqui.
— E eu falo com quem?
— Com o Milton, que está com sono.
— Ah, sim. Eu estou telefonando para lhe propor um esplêndido negócio que lhe dará muita tranquilidade, a si e aos seus.
— Que seria?
— Um local belo e sossegado, com vista para a cidade.
— Ih, não tenho dinheiro para investir em imóveis, não tenho nem onde cair morto.
— Justamente!
— O quê? Tu tá me ligando para propor a compra de minha morada eterna?
— Sim. Num lindo gramado, no alto de um morro.
— Com vista pra cidade?
— Sim.
— Então, vai tomar no teu c@.

E, assim, eu soube que a Elena, a quem chamo tantas vezes de “minha boa conselheira”, tinha razão novamente. Hoje, não temos mais um fixo. Mas também raramente atendemos celular. O telemarketing acabou com esse negócio de telefone. Fiquei surpreso dia desses quando vi um filme e um telefone tocou. Imagine que o Humphrey Bogart, logo ele, que não era trouxa, atendeu!

.oOo.

Tenho um amigo que, quando o telemarketing liga, responde assim: “Ah, que bom que tu ligaste, estava tão solitário… Não falo com ninguém há mais de uma semana. Me conta quem tu és”.

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Outro responde, quando o telefone toca e seu nome é perguntado: “Meu nome é Batman”. E o atendente é obrigado a chamá-lo de Batman durante toda a ligação.

 

Bergman, Victor Sjöström e um motorista do Uber

Bergman, Victor Sjöström e um motorista do Uber

Dias desses, eu peguei um motorista de Uber hiper qualificado. O cara sabia tudo sobre cinema. E começou a falar sobre os filmes que influenciaram Bergman. Eu conhecia alguns de nome, de ter lido entrevistas e livros do mestre, mas ele os tinha visto. E sugeriu que eu assistisse este filme mudo de Victor Sjöström, realizado em 1920. Sim, Victor é o ator velhinho de Morangos Silvestres. Ele garantiu que eu entenderia muitas coisas de meu diretor predileto olhando os escandinavos mudos e dos anos 30. E aqui está o filme que ele chamou de 100% obrigatório. (Sim, o Brasil é triste. O cara deveria estar dando aulas de cinema, mas estava me levando a uma distribuidora de livros).

O vírus está nas minhas roupas? Nos meus sapatos? No meu cabelo? Nas minhas mãos?

O vírus está nas minhas roupas? Nos meus sapatos? No meu cabelo? Nas minhas mãos?

Sim, você precisa ficar em casa o máximo de tempo possível. Sim, você precisa ficar bem longe de aglomerações. Sim, você precisa lavar as mãos ou usar álcool gel várias vezes ao dia.

Mas, como eu venho dizendo para pessoas próximas: enfrentar o novo coronavírus é questão de estar no controle. Da nossa saúde, dos nossos hábitos e da nossa cabeça. E esse artigo do New York Times pode ser uma boa leitura nesse sentido – tranquilizadora, inclusive. É em inglês, então uns breves tópicos (todos sustentados por cientistas e especialistas em saúde consultados pelo jornal norte-americano, um dos mais respeitados do mundo)

—> Introdução e tradução do (excelente) escritor e  jornalista Igor Natusch

Pedimos aos especialistas que respondessem perguntas sobre todos os lugares onde o coronavírus se esconde (ou não). Você se sentirá melhor depois de ler isso.

1 – É pouco provável que você tenha coronavírus em suas roupas após sair para a rua, a menos que alguém tenha tossido ou espirrado em sua direção. Embora o vírus possa ficar suspenso no ar por algum período, ele é tão pequeno que dificilmente vai aderir em sua roupa (o mais provável é que qualquer movimento seu desloque ar o suficiente para espantá-lo para longe);

2 – Da mesma forma, dificilmente cabelo ou barba serão fontes de infecção. É preciso que alguém tenha espirrado no seu cabelo (ou que você encoste em algum lugar onde alguém acabou de espirrar), que você passe a mão exatamente onde as gotículas foram parar e depois passe em alguma de suas próprias mucosas, em um tempo hábil para que o vírus continue viável. Impossível não é, mas o risco é bastante baixo, em especial se você lava as mãos / toma banho com frequência;

3 – Sair para a rua, em si, não é perigoso. Não é como se nuvens gigantescas de coronavírus estivessem flutuando no ar. Se você mantiver o distanciamento adequado, é seguro ir até a rua levar o lixo ou dar uma volta rápida com o seu cachorro (mas, e esse é o único acréscimo meu ao que tem na matéria, lave as patas do bicho depois, e logo ficará claro por quê);

4 – A não ser que você esteja cuidando de um doente, não há necessidade de cuidados especiais para lavar roupas que estiveram na rua – basta colocar na máquina ou no tanque e está ótimo;

5- O risco de ficar doente manipulando pacotes está, atualmente, no terreno da teoria. Ou seja, inexistem casos concretos que apontem para esse risco. Se você recebeu uma encomenda, lave as mãos após abri-la e tudo estará bem. Se ainda achar arriscado, deixe-a num canto por 24h antes de abrir;

6 – Calçados usados na rua devem ser removidos já na porta de casa e, se possível, ainda do lado de fora. Mas essa é uma dica de higiene para a VIDA, que pouco depende do coronavírus. Afinal, sapatos pisam no chão (como as patas do seu cachorrinho, né), e o chão é sujo para caramba.

Ninguém sabe com 100% de certeza como o coronavírus se comporta, e ainda existe muita discordância sobre aspectos importantes envolvendo o vírus. Ou seja, é possível que algumas dessas colocações sejam parcialmente revistas no futuro, ou que outros especialistas tenham visões diferentes a respeito de um ou outro ponto. E VOCÊ PRECISA SEGUIR TOMANDO CUIDADO, PRECISA FICAR EM CASA TANTO QUANTO PUDER, EVITAR AGLOMERAÇÕES E LAVAR AS MÃOS. Mas eu acho que a gente precisa confiar na ciência, acima de tudo – e esses cientistas, ouvidos por um jornal extremamente respeitado, estão nos dizendo isso que citei acima. Se for o caso, fique revoltado com eles e elas, não comigo. Sou um jornalista, e estou apenas trazendo informação, de uma das melhores fontes que pode existir. E tentemos, todos e todas, estar no controle – dos nosso hábitos de higiene, dos nossos comportamentos, da nossa cabeça.

Cuidem-se e fiquem bem!

Como os amantes de livros italianos estão lidando com o bloqueio de coronavírus

Como os amantes de livros italianos estão lidando com o bloqueio de coronavírus

Leitores de todo o país estão recomendando livros, enquanto editores, escritores, livrarias e bibliotecas tentam manter a alegria na vida das pessoas

Massimo Carlotto — no The Guardian (tradução minha)

A neve cai nos telhados. O silêncio é sinistro. Apenas alguns dias atrás, este campo montanhoso na fronteira com a Áustria estava cheio de turistas. Agora está quase deserto. Suas estações de esqui, hotéis e restaurantes estão fechados. Geralmente atravessamos a fronteira para fazer compras e encher nossos tanques com gasolina que custa menos e é de melhor qualidade, mas agora a alfândega austríaca recebeu ordem de fechar. Não é mais possível passar. Não moro neste vale, mas tenho uma casa aqui para onde fujo quando preciso de paz para me concentrar na escrita — geralmente quando estou atrasada para o prazo de um romance e meu editor está começando a se preocupar. Mas agora eu prefiro ficar aqui. Não apenas porque o contato com outras pessoas é mínimo, mas porque eu quero assistir o que está acontecendo da distância certa. O coronavírus está mudando a imaginação coletiva dos italianos e nós, escritores, devemos estar em condições de registrá-lo. Eu assisto Pádua, minha cidade, via webcam. As belas praças estão desertas. Finalmente, as pessoas estão aceitando a gravidade da situação.

O bloqueio é absolutamente necessário: o sistema nacional de saúde não consegue acomodar o grande número de pacientes em terapia intensiva. A Itália está pagando o preço por cortes. Felizmente, porém, o governo teve a coragem de tomar medidas drásticas em um país que está culturalmente acostumado a interpretar regras com certa elasticidade. Parte da população, confinada em suas casas, está exalando sua ansiedade e frustração nas mídias sociais e houve incidentes como assaltos no supermercado. Mas celebridades e estrelas do esporte se uniram em uma campanha de divulgação chamada #IStayAtHome. A mensagem deles é insistente: não saia de casa.

O establishment cultural se mobilizou contra o medo: escritores, músicos, artistas, mas também editoras, livrarias e bibliotecas públicas. Todos se empenham em tornar este lar forçado menos triste e difícil.

O fechamento das livrarias foi um golpe para o mercado editorial, que está sendo mantido pelas vendas on-line, mas os leitores tomaram a iniciativa, desenvolvendo maravilhosas listas de leitura boca a boca, destacando clássicos esquecidos e autores de pequenas editoras. Houve uma ênfase em romances que se passam em momentos difíceis da história, de A Peste, de Albert Camus, e Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago.

O bloqueio deve se tornar uma ocasião para reflexão coletiva, não apenas sobre nossos próprios medos, mas também sobre grandes temas sociais, como a solidão — um dos grandes problemas, que o vírus tornou ainda mais doloroso. Solidão não faz diferença de idade ou classe social; aqueles que sofrem com isso precisam de apoio concreto e consistente, mantido ao longo do tempo. O tempo do vírus é uma página na história da Itália; está sendo escrito por muitos, com tragédias e uma miríade de exemplos práticos de solidariedade.

Foto: Prefeitura de Veneza / Divulgação

“Vivemos numa sociedade prostrada perante os valores da juventude”

“Vivemos numa sociedade prostrada perante os valores da juventude”

“Envelhecer bem é trabalho para toda a vida” foi o tema do painel apresentado por Júlio Machado Vaz no Fórum Socialismo 2019. O médico psiquiatra abordou questões como a necessária transformação dos cuidados de saúde.

Do esquerda.net (Portugal)

“A palavra velhice reenvia-nos, queiramos ou não, para um estar. Para um ser. É algo, aliás, que está completamente burocratizado. Um dia acordamos, temos 65 anos e somos velhos oficialmente”, afirmou Júlio Machado Vaz no início da sua intervenção.

O médico psiquiatra fez referência ao relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) que “baseia as suas recomendações na análise das mais recentes evidências a respeito do processo de envelhecimento, e observa que muitas percepções e suposições comuns sobre as pessoas mais velhas são baseadas em estereótipos ultrapassados”.

“Como mostra a evidência, a perda das habilidades comumente associada ao envelhecimento na verdade está apenas vagamente relacionada com a idade cronológica das pessoas. Não existe um idoso ‘típico’. A diversidade das capacidades e necessidades de saúde dos adultos maiores não é aleatória, e sim advinda de eventos que ocorrem ao longo de todo o curso da vida e frequentemente são modificáveis, ressaltando a importância do enfoque de ciclo de vida para se entender o processo de envelhecimento”, lê-se no documento.

Sublinhando que existe “uma mania muito humana” de “cortarmos a vida às fatias”, o que nos dá uma falsa sensação de “segurança”, Júlio Machado Vaz lembrou que “os colegas da neurologia dizem-nos que a nível de desenvolvimento, a nível neuronal, por exemplo, estar a falar de um fim de adolescência antes dos 24 anos não faz sentido”.

A ideia de que a vida é um processo e de que a nossa capacidade física e psicológica está apenas vagamente relacionada com o passar dos anos esteve presente na sua intervenção.

Assumindo que a adoção de estilos de vida saudável aumenta a probabilidade de envelhecermos com mais qualidade de vida, o médico psiquiatra avançou que, a par da necessidade de os profissionais de saúde respeitarem a liberdade individual de cada pessoa, é necessário “evitar a armadilha” de considerar que estamos perante uma “questão meramente individual” e assumir uma “postura inquisitorial”, que se traduz numa “má prática clínica”.

“É ingênuo e insultuoso não levarmos em linha de conta as condições de vida, em sentido lato, das pessoas”, nomeadamente no que respeita às dificuldades econômicas de cada um, defendeu.

De acordo com Júlio Machado Vaz, é preciso transformar os sistemas de saúde: “Ao praticarmos uma medicina baseada no profissional de saúde e não no doente não valorizamos o que vem do outro lado”, sinalizou, avançando que, “se não existe essa articulação, perdemos a ‘eficácia’ da nossa atividade”, já para não falar na pedra basilar, que é o respeito pelo outro.

O profissional de saúde alertou que “não fazer bem sai mais caro” e que, muitas vezes, estamos a “valorizar a quantidade dos atos médicos e não a sua qualidade”, o que representa um “erro crasso em termos éticos, mas também em termos de rentabilidade”, já que a pessoa acaba por voltar aos serviços ou por sobrecarregar outras unidades de saúde.

No que respeita à Saúde Pública, Júlio Machado Vaz considera ainda que é fundamental ter sempre em conta a diversidade física e mental dos mais velhos e priorizar “uma abordagem integrada”, com a intervenção de várias profissões. Bem como é prioritário apostar na formação em gerontologia e geriatria e nos cuidados continuados e domiciliários. Outra questão levantada pelo psiquiatra diz respeito ao facto de, muitas vezes, os profissionais de saúde lidarem com a morte de uma forma impessoal e asséptica, não priorizando o bem-estar da pessoa e diminuindo a qualidade de vida de alguém ao tentar adiar a sua morte.

Durante a sua intervenção, Júlio Machado Vaz abordou ainda a questão da discriminação a que os mais idosos estão sujeitos: “Vivemos numa sociedade que vive totalmente prostrada perante os valores da juventude. Uma das consequências é que a mensagem que a mídia nos passa não é como envelhecer bem, é como fingir que não envelhecemos, o que tem toda a lógica numa sociedade capitalista de consumo”, frisou.

“A partir de certa altura, interiorizamos essa discriminação e já não precisamos de ser discriminados pelos outros. Temos polícias dentro de nós. E não há pior censura do que aquela que foi interiorizada, porque arrastamo-la por todo o lado”, acrescentou.

Júlio Machado Vaz apontou também a discriminação explícita no que respeita à sexualidade dos mais idosos: “Vivemos numa sociedade que decreta que é de mau gosto os mais velhos apaixonarem-se, namorarem, quererem sentir-se bem. De tal maneira que até o léxico é afetado”.

Também a forma como a sociedade lida com a tristeza gera preconceitos e más práticas clínicas: “Vivemos numa sociedade que tem uma tolerância baixíssima para os afetos desagradáveis. A tristeza é um afeto completamente normal. Confundir tristeza com depressões e encher as pessoas de drogas, bem como partir do princípio que uma pessoa mais velha está deprimida apenas porque é mais velha é péssimo na medicina”, destacou.

O médico psiquiatra ressaltou a importância da participação social, assinalando que, com a reforma, inúmeras vezes “descobrimos que temos poucos laços sociais, que não temos hobbies, não temos interesses e isso pode ser catastrófico, nomeadamente em termos psicológicos, o que está associado a determinadas patologias”.

Júlio Machado Vaz alertou que “os modelos antigos de cuidados informais são completamente impossíveis hoje em dia” e que é urgente garantir os direitos dos cuidadores.

A necessidade de assegurar uma supervisão governamental das medidas, mas com parcerias com as famílias e comunidades; de remover barreiras arquitetônicas e adaptar o planeamento urbano; de apostar na melhoria de salários e condições de trabalho; de implementar verdadeiras políticas de gênero; de apoiar iniciativas comunitárias; de garantir o direito à habitação e a proteção contra a pobreza também constam das prioridades enumeradas pelo psiquiatra.

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Pequim quer proibir a presença de strippers em funerais

Pequim quer proibir a presença de strippers em funerais

Do Hoje Macau

O Governo da China quer proibir a presença de strippers em funerais, uma tradição que existe em algumas províncias no interior do país e que é uma resolução de Pequim para o ano novo. Algumas comunidades no interior do país utilizam a presença de strippers para levar mais pessoas às cerimônias.

Segundo o jornal britânico The Daily Telegraph, os mandatários chineses querem acabar com essa tradição que ainda é muito respeitada em províncias do interior como Henan, Anhui, Jiangsu e Hebei.

Segundo o jornal, essa é a terceira vez desde 2006 que o Governo chinês tenta acabar com o costume. Entre as comunidades mencionadas acredita-se que um funeral cheio de gente traz fortuna e boa sorte para o espírito do morto.

O Governo chinês criou uma linha de telefone especial para a população denunciar shows eróticos nos funerais e a família do morto pode ser multada ou até mesmo presa. Além disso, o Governo está levando a cabo uma campanha nos órgãos de comunicação social para convencer a população que levar strippers para cerimônias fúnebres é uma manifestação de decadência moral e cultural resultante da influência do ocidente no país.

Costume: strippers animam funerais na China e em Taiwan

Polanski, a polêmica que nunca acabará

Polanski diz que Harvey Weinstein atacou o filme “O Pianista” com queixa de estupro

O diretor polonês de Paris diz ao Paris Match:

“Em 2003, Weinstein entrou em pânico quando O Pianista venceu dois BAFTAs, incluindo Melhor Filme. Weinstein, que tinha dois filmes indicados ao Oscar, lançou uma campanha para impedir que o mesmo acontecesse em Hollywood. Foi ele quem desenterrou a história de [então] 26 anos com Samantha. Sua assessoria de imprensa foi a primeira a me chamar de estuprador de crianças. O paradoxo é que O Pianista não ganhou o Oscar de Melhor Filme, um prêmio que é do produtor, mas eu ganhei o de Melhor Diretor.”

Sobre a acusação de estupro: “Só Samantha e eu sabemos o que aconteceu naquele dia. O que quer que eu tenha feito, seja como for, é profundamente lamentável. Eu já disse isso várias vezes. Tenho contato com Samantha e ela sabe. Ela e sua família sofreram por minha causa. Ela escreveu várias vezes ao promotor para explicar que o trauma causado pelo circo da mídia é bem pior do que o que eu a fiz sofrer.”

Pesquisa global mostra que pessoas que leem são mais felizes

Pesquisa global mostra que pessoas que leem são mais felizes

Da Revista Bula

O hábito da leitura é transformador: melhora nosso entendimento sobre o mundo, exercita a mente e aumenta nossa capacidade criativa. Mas, uma nova pesquisa encomendada pela Amazon e conduzida pela Kelton Global Research mostrou que a leitura vai além: ela também aumenta a felicidade e ajuda a melhorar nossos relacionamentos.

O estudo foi realizado com 27.305 participantes maiores de 18 anos nos Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Alemanha, Reino Unido, Espanha, França, Austrália, Itália, Índia, China e Japão. A pesquisa foi online, com questionários aplicados em outubro de 2018 e janeiro de 2019. A margem de erro é de 0.6%.

Leitores frequentes são mais felizes

Nos 13 países onde a pesquisa foi realizada, 71% dos leitores que leem toda semana relataram que se sentem felizes. Entre os participantes que não leem com a mesma frequência, apenas 55% fizeram a mesma afirmação. A leitura também é vista como uma atividade de cuidado pessoal e mais de 70% dos leitores disseram que já adiaram ou cancelaram algum compromisso para ler.

Diante da crescente conectividade do mundo atual, pode ser difícil ler sem interrupções ou distrações. Mas, de acordo com a pesquisa, 45% dos participantes têm como meta deixar os smartphones e as redes sociais de lado para conseguirem ler um pouco mais. Em alguns países, as pessoas disseram que preferem ler em vez de dormir ou fazer exercícios.

Leitores usam livros para fazer novos amigos

O hábito da leitura também melhora nossos relacionamentos, pois estimula conversas significativas e conexões mais profundas entre as pessoas. Em todos os países pesquisados, 80% dos participantes concordam que a leitura ajuda a fazer amizades e 81% disseram que gostam de discutir pelo menos um aspecto do livro com outras pessoas.

Até as celebridades aproveitaram esse potencial social da leitura. As atrizes Emma Watson e Reese Witherspoon, fundaram, respectivamente, os clubes do livro “Our Shared Shelf” e “Hello Sunshine,” como uma forma de construir novas comunidades e estimular discussões importantes por meio da leitura. Essa cultura se disseminou e 60% dos participantes disseram que preferem conversar em um clube do livro a beber vinho. E cerca de 45% das pessoas sentem que a leitura lhes deu algo importante para discutir com os outros.

A leitura melhora relacionamentos amorosos

Por fim, a pesquisa concluiu que a leitura pode ser um ótimo estímulo para a paixão. Mais de 65% dos leitores concordaram que os livros são importantes num relacionamento e 41% dos casais afirmaram que discutir sobre livros foi um fator importante para que eles ficassem juntos.

Alguns participantes mostraram que realmente levam o hábito da leitura a sério: 30% questionariam a relação com base nas obras preferidas do(a) parceiro(a) e 29% pensariam em abandonar o relacionamento se o cônjuge não gostasse de ler. Entre os que já namoram ou são casados, 33% recorreram aos livros para resolver seus problemas de convivência e 40% disseram que os romances ajudaram a melhorar seus relacionamentos.

Will Barnet (1911-2012)

Plácido Domingo: concertos cancelados nos EUA e ovação na Europa

Plácido Domingo: concertos cancelados nos EUA e ovação na Europa

O universo erudito norte-americano respondeu às acusações de assédio sexual que teriam sido cometidos pelo tenor e maestro Plácido Domingo. Quatro instituições foram radicais. A Orquestra da Filadélfia cancelou um concerto que teria participação dele. A Orquestra divulgou uma nota para justificar sua decisão. “Nosso comprometimento é o de manter um ambiente seguro, respeitável e apropriado”. A Ópera de São Francisco “desconvidou” o tenor espanhol de um concerto que seria realizado em outubro. Imaginem: o evento seria realizado para comemorar os 50 anos da estreia do cantor junto à instituição. Por meio de sua assessoria, os responsáveis pela Ópera alegaram que, embora nenhuma acusação contra Domingo tenha sido provada, ela tem o compromisso de repudiar qualquer situação de assédio.

As acusações dão conta de que Domingo causava prejuízos a artistas que não cediam a seus desejos.

A Ópera de Los Angeles e a Ópera Nacional, de Washington, foram mais reservadas. Los Angeles, onde ele atua como diretor artístico, informou que os casos de assédio serão investigados, ainda que reconheça que o maestro seja “uma força criativa” dentro da instituição por mais de três décadas. A Ópera de Washington, que teve Domingo sob contrato por 15 anos, afirmou por meio de seus representantes que não dispõe de políticas definidas para qualquer tipo de assédio e abuso. Os diretores da casa não quiseram dar mais detalhes se irão investigar o comportamento de Domingo — que teria assediado mulheres enquanto foi diretor artístico do local.

Enquanto isso, em Salzburgo, os bravos e os aplausos começaram quando Plácido Domingo foi visto caminhando rapidamente no palco antes de uma apresentação no Festival de Música na cidade. Foi uma ovação de pé que durou bem mais de um minuto. Aquela seria a primeira apresentação de Domingo desde que surgiram acusações de assédio sexual contra ele. A plateia aplaudiu todos os grandes momentos da ópera. Ele teve que pedir para parar a ovação de pé na última parte para que outros artistas também fossem homenageados.

O imponente Grosses Festspielhaus, a Grande Sala de Concertos do Festival, estava lotado naquela arde de trovoada. Havia gente junto às portas com placas pedindo para comprar ingressos para a apresentação esgotada. Era uma das óperas menos conhecidas de Verdi, Luisa Miller, que seria regida por Domingo. No saguão, havia o que parecia ser um pequeno santuário para Domingo — uma banca de venda de CDs e vídeos, junto com fotos de imprensa e de produções recentes. Em outros lugares do balcão, havia todos os Esa-Pekka Salonens ou Anna Netrebkos que você poderia desejar, mas todos pareciam querer Domingo.

Ao final de Luisa Miller, a ovação durou 15 minutos!!! Quaisquer que sejam os resultados da investigações em Los Angeles, Domingo poderá seguir cantando e regendo na Europa. E… Cada vez mais os europeus acham que os norte-americanos são um bando de idiotas, isso estava claro na atitude e na indignação das pessoas.

Esta foi a primeira aparição pública de Domingo desde que a AP informou que oito cantores e um dançarino acusaram Domingo de avanços sexuais indesejados. As acusações foram todas anônimas e ainda não comprovadas. A Ópera de Los Angeles, onde Domingo é diretor geral, iniciou uma investigação.

Isso ainda vai longe.

Com o Los Angeles Times, Norman Lebrecht e outros.

Mulheres são mais felizes sem filhos ou cônjuge, diz especialista em felicidade

Mulheres são mais felizes sem filhos ou cônjuge, diz especialista em felicidade

O cientista comportamental Paul Dolan diz que os indicadores tradicionais de sucesso não se aplicam mais

No The Guardian
Tradução fuleira deste blogueiro

Mulheres solteiras e sem filhos nunca estiveram tão bem, de acordo com a pesquisa de Paul Dolan | Foto: Sky / The Guardian

Era uma suspeita, mas agora a ciência garante: mulheres solteiras e sem filhos são o subgrupo mais feliz da população. E elas são propensas a viverem mais do que as mulheres casadas ​​e com filhos, de acordo com um dos principais especialistas ingleses em felicidade.

O professor de ciência comportamental da London School of Economics, Paul Dolan, disse que as evidências mais recentes mostram que os indicadores tradicionais usados ​​para medir o sucesso não se relacionam mais com a felicidade — particularmente nos itens casamento e a criação de filhos.

“Temos alguns bons dados longitudinais seguindo as mesmas pessoas ao longo do tempo, e podemos dizer: se você é homem, você provavelmente deveria se casar; se você é uma mulher, não se apresse”.

Os homens se beneficiam no casamento porque “se acalmam”, disse ele. “Correm menos riscos, ganham mais dinheiro no trabalho e vivem um pouco mais. Elas, por outro lado, têm que lidar com isso e morrem mais cedo do que se permanecessem solteiras. Em média, o subgrupo mais saudável e feliz da população são o das mulheres que nunca se casaram ou tiveram filhos”, disse ele.

O livro mais recente de Dolan, Happy Ever After, cita evidências do American Time Use Survey (ATUS), que comparou os níveis de prazer e insatisfação em indivíduos solteiros, casados, divorciados, separados e viúvos.

Outros estudos mediram alguns benefícios financeiros e de saúde em homens e mulheres casados. Para estes, podem ser atribuído a maiores rendas e apoio emocional, permitindo que pessoas casadas corram menos riscos e procurem maior ajuda médica.

No quesito saúde, Dolan disse que os homens têm mais benefícios para a saúde ao casarem, já que assumem menos riscos. Já a saúde das mulheres não foi afetada pelo casamento.

Apesar dos benefícios de um estilo de vida solteiro e sem filhos para as mulheres, Dolan disse que a narrativa existente de que casamento e filhos eram sinais de sucesso era um equívoco e que este estigma errado poderia levar algumas mulheres solteiras ao casamento e a se sentirem infelizes.

E completa: “Você vê uma mulher solteira de 40 anos, que nunca teve filhos…” Isso é uma vergonha, não é? Talvez um dia ela conheça o cara certo e mudará para melhor. Ou não, talvez ela conheça o cara errado que a fará menos feliz e saudável e morra mais cedo”.

Reflexão simples sobre uma frase de Siddhartha Mukherjee: Preencher a vida

Reflexão simples sobre uma frase de Siddhartha Mukherjee: Preencher a vida

Na bela palestra de Siddhartha Mukherjee houve uma frase em que ele disse que, mesmo consciente da doença, a pessoa deve seguir preenchendo sua vida com coisas interessantes. Aliás, isso seria viver. E mudou de assunto. Concordo. E mais: digo que efetivamente não confio em pessoas que não leem, não se informam, não pesquisam, não ouvem música inteligente, não têm atividades culturais ou científicas. Viver é sobreviver e pré-viver, expressão que ele também usou, mas também é tentar o impossível de preencher o tempo de uma forma bonita. Essa é a razão pela qual valorizei tanto o post que compartilhei abaixo — do Gustavo Melo Czekster. Dos candidatos, a única que sei que lê é Fernanda Melchionna. Do resto, nada sei, pois eles não divulgam, sinal claro de seus vazios, de sua falta de preenchimento. É gente desinteressante, DESGRAÇADAMENTE ATIVA, que representa apenas o próprio desejo de participar ou empresas. Antes de votar, considerem isto.

(*) Música de qualidade seria aquela que nasce não de um produtor ou da modinha, mas de um autor que promova quaisquer diálogos ou confrontos com a cultura.

Siddhartha Mukherjee

 

Nova-iorquinos pedem a remoção de pintura de Balthus que “sexualizaria” menina

Nova-iorquinos pedem a remoção de pintura de Balthus que “sexualizaria” menina

No final da semana passada, alguns nova-iorquinos lançaram uma petição exigindo que o Metropolitan Museum of Art removesse uma pintura de 1938 do famoso pintor francês Balthus (pseudônimo de Balthasar Klossowski) onde é mostrada uma jovem púbere com a roupa interior exposta. O motivo seria o “clima hoje instalado em torno do tema do assédio sexual”. Porém, o Met se recusou a retirar a obra.

Thérèse Dreaming, de Balthus (1908-2001), “sexualizaria” a menina, mostrando sua calcinha sob uma saia. A petição diz que a posição do pé e do joelho esquerdo da menina seriam “provocantes”.

Thérèse Dreaming, de Balthus
Thérèse Dreaming, de Balthus

“O artista desta pintura, Balthus, sempre teve uma grande atração por meninas adolescentes e esta pintura está inegavelmente romantizando a sexualização de uma criança”, escreve Mia Merrill, 30, a empresária de Nova York que criou a petição. “Dado o clima atual em torno do assédio sexual, o Met não deveria romantizar o voyeurismo e a objetivação das crianças. O Met é uma instituição de renome, deveria se preservar. Eu estou apenas solicitando ao Museu que examine mais cuidadosamente a arte em suas paredes e entender determinados quadro insinuam”.

A petição, que foi lançada na sexta-feira, havia coletado quase 7.000 assinaturas no domingo à noite. Pouco.

Porém, como toda razão, um representante do museu disse que não removerá a pintura porque a arte deve refletir muitos períodos de tempo – não apenas o atual. “Nossa missão é colecionar, estudar, conservar e apresentar obras de arte importantes em todos os tempos e culturas, a fim de conectar pessoas com criatividade, conhecimento e ideias”, disse o porta-voz Kenneth Weine.

“Momentos como este fornecem uma oportunidade para o diálogo, e a arte visual é um dos meios mais significativos que temos para refletir sobre o passado e o presente”.

Em 2013, o Met realizou uma exposição de pinturas de Balthus intitulada Balthus: Cats and Girls – Paintings and Provocations.

Noções bestinhas (mas verdadeiras) da língua russa

Noções bestinhas (mas verdadeiras) da língua russa

Nabokov se diz Nabôkav. Mas dizer o nome do autor de Anna Kariênina — sim, Karênina é apenas o nome de um dos cachorros de meus filhos — é mais complicado. É Talstói, porque o “o” que é não tônico vira “a” na pronúncia (vide Nabôkav). E sim, é Dastaiévski, tão pensando o quê? E o livro de Gontcharov (Gantcharóv), Oblómov, se diz Ablômav. Já o nome de Tchékhov (Tchéhav) envolve fonemas decididamente alienígenas. Então, se você encontrar um russo, pergunte “Como é mesmo o nome do autor de A Dama do Cachorrinho, As Três Irmãs, que era contista, dramaturgo e médico?” Quando o cara responder, preste bem atenção porque eu não consigo dizer aquilo. E o primeiro nome é Antôn…

Shastakovich, Prakófiev, Gógal, samavar… Vai por aí.

Me chamem de Dastá, nada de Dostô.
Me chamem de Dastá, nada de Dostô.

6 bons hábitos russos

6 bons hábitos russos

Da Gazeta Russa

1. Leve sempre um presente

Os russos nunca vão visitar alguém de ‘mãos vazias’ (Foto: Vladímir Viatkin/RIA Nôvosti)
Os russos nunca vão visitar alguém de ‘mãos vazias’ (Foto: Vladímir Viatkin/RIA Nôvosti)

Ao visitar um amigo, vizinho ou apenas conhecido, os russos geralmente levam consigo um pequeno mimo – seja chocolate, bolo, flores ou brinquedos para uma criança. Não é o presente em si que conta, mas a lembrança. É comum ouvir russos dizerem: “Não podemos visitar alguém de mãos vazias!”.

2. Não tire a colher da xícara de chá

Sabor e temperatura são influenciados por colher (Foto: Gazeta Russa)
Sabor e temperatura são influenciados por colher (Foto: Gazeta Russa)

Na época soviética, as pessoas brincavam que os russos bebiam chá com o olho direito fechado, para não se machucarem com a colher usada para mexer.

Apesar de ser um mistério por que os russos fazem isso, fato é que, quando há uma colher dentro da xícara de chá, a bebida tende a esfriar mais rápido – além de ficar mais saborosa.

3. Comemore o Ano Novo em dose dupla

Mesa festiva para celebrações de Ano Novo (Foto: Evguêni Iepantchintsev/RIA Nôvosti)
Mesa festiva para celebrações de Ano Novo (Foto: Evguêni Iepantchintsev/RIA Nôvosti)

Antes de 1918, os russos usavam o calendário juliano, que hoje acumula uma diferença de 13 dias em relação ao calendário gregoriano. Embora a Rússia tenha adotado o último há muito tempo, o Ano Novo à moda antiga (ainda chamado de Ano Novo) continua sendo celebrado. No fim das contas, são duas festas e dois banquetes – e, é claro, duas chances de fazer desejos e promessas.

4. Tome sorvete mesmo no inverno

Moscovitas tomando sorvete durante inverno, a 8ºC, em 1992 (Foto: AP)
Moscovitas tomando sorvete durante inverno, a 8ºC, em 1992 (Foto: AP)

O frio, que persiste por meses, não é desculpa para desistir de tomar sorvete. Em algumas cidades, as banquinhas de sorvete permanecem abertas mesmo quando a temperatura cai abaixo de zero. Para evitar aquela sensação de gelo na garganta, muitos russos misturam o sorvete com geleia (varenie).

5. Faça, mas na última hora

Lentidão tem, por vezes, impacto na produtividade (Foto: Serguêi Kuznecov/RIA Nôvosti)
Lentidão tem, por vezes, impacto na produtividade (Foto: Serguêi Kuznecov/RIA Nôvosti)

Os russos costumam terminar suas obrigações no último minuto disponível. Embora comecem devagar, sabem dar um gás no final para cumprir o prazo.

Se, por um lado, isso indica a incapacidade de planejar-se com antecedência, por outro, é também sinal de uma tremenda habilidade de conclui algo às pressas.

A mentalidade pode ser resumida na seguinte piada:

Um professor pergunta ao aluno:

“Quanto tempo você precisará para aprender chinês?”

E o aluno responde: “Qual é o prazo?”

6. Mantenha o otimismo

Russa prepara banho após desligamento de água quente (Foto: Aleksandr Rimin/TASS)
Russa prepara banho após desligamento de água quente (Foto: Aleksandr Rimin/TASS)

O desligamento anual de água quente por alguns dias, os verões gelados (2017, especialmente), crise financeira – os russos tendem a lidar a encarar os problemas com otimismo. Enchem baldes de água, tiram o casaco do armário e economizam onde for possível. “O que não mata, engorda”.