Guerrero fica

Guerrero fica

Depois de espernear e dizer em Nota que estava sendo desrespeitado, Guerrero decidiu ficar no Inter. Tudo porque a diretoria do clube resolver cobrar a clausula de rescisão de contrato, cujo valor estaria entre 12 e 24 milhões — não foi informado o valor exato.

Ele tem contrato por 8 meses, até o final do ano, e jamais receberia este dinheiro em outro clube no mesmo período. Porém, o mais importante é o recado aos empresários do meio futebolístico: acabou a história de jogador e empresário fazendo o que querem. Jogador sai por acordo das duas partes.

Se o treinador quer Guerrero, ele precisa pagar para sair, coisa que não sei se ocorreria nos tempos de Carvalho-Luigi-Píffero-MIG. Eram tempos bem mais fáceis para tirar dinheiro do clube. Seja para empresários, seja para influencers.

Gosto do fato do presidente Alessandro Barcellos estar efetivamente preocupado com as finanças e que endureça nestes casos de acusações infundadas. O contrato foi assinado, o clube quer que o cara fique, então ele fica. Ponto.

Se Guerrero fizer corpo mole, vai prejudicar sua carreira. Se começar a jogar mal aos 37 anos, quem o contratará em 2022?

Ele que dispute espaço com Yuri e Galhardo e siga bem na vida.

Bom dia, Miguel Ángel (com os lances de Inter 4 x 0 Táchira)

Bom dia, Miguel Ángel (com os lances de Inter 4 x 0 Táchira)
Cuesta mostra o caminho | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

O Inter goleou o Deportivo Táchira por 4 x 0 com gols de Victor Cuesta, Patrick, Thiago Galhardo e Yuri, em noite de bom futebol e palhaçadas.

Comecemos pelas palhaçadas. Galhardo comemorou o terceiro gol tirando a camisa para mostrar uma santa qualquer e recebeu merecido cartão amarelo. O mesmo ocorreu com Patrick no segundo gol. O moço colocou a máscara de um super-herói e recebeu outro cartão. Olho neles, seu Migué, pois o capitão Dourado não fede  nem cheira — como capitão. Um dia, esses caras recebem um segundo cartão e acabam expulsos por este tipo de bobagens com personagens imaginários.

Quanto ao bom futebol, dá para dizer que o trabalho de Ramírez começa a aparecer. O time acelerou os passes, Patrick começou a entender como deve jogar, Maurício apareceu bem e parece ser uma convicção do treinador.

O primeiro tempo foi muito bom. Dominamos e criamos situações que foram aproveitadas. Fizemos 3 x 0 e o pudemos jogar um segundo tempo mais relaxado. Se seguirmos assim contra o Juventude e o Olímpia ficará claro que o esquema está sendo absorvido. As triangulações pelas pontas funcionaram. Os lançamentos também, além de terem diminuído os passes inúteis para os lados.

A saída de bola com o goleiro é meio enervante, mas ontem vi vantagem em sair de trás com o campo mais aberto devido à marcação alta do adversário.

Como é mais gostoso falar mal do que bem em futebol, Marcos Guilherme voltou a jogar mal e torcemos por uma negociação em definitivo que o mande para a Coreia ou para a China. Já Carlos Palacios precisa de ajuda.

Houve vários impedimentos mal marcados, mas é maravilhoso um jogo sem VAR!

Voltamos a jogar pela Libertadores na quarta-feira da próxima semana (05/05). O adversário, no Beira-Rio, será o Olímpia, em partida marcada para as 21h. Antes disso, vamos a Caxias para nos enjoarmos com o Juventude às 16h de domingo (02/05), na abertura das semifinais do Picanhão.

Uma curta observação sobre burrices: a de Miguel Ángel Ramírez e a nossa

Uma curta observação sobre burrices: a de Miguel Ángel Ramírez e a nossa

Miguel Álgel Ramírez iniciou muito mal no Inter. Não é caso para demitir, claro, mas as estranhezas de ontem dão o que pensar. Ele vem com um time e, de repente, muda. Nos jogos dos titulares, Praxedes e Patrick estavam sempre presentes. Não eram nada espetaculares, mas jogavam sempre. No dia da estreia da Libertadores, eles somem. Como obter entrosamento? Não entendo. E o entregador Zé Gabriel em vez de Lucas Ribeiro? Thiago Galhardo no lugar de Yuri? Rodinei na lateral esquerda? Não são muitas bizarrices e aberrações para um só jogo, Miguel Ángel?

A não ser que ele pense que a Libertadores seja uma competição onde caibam testes.

E não me venham com Abel. Este perdeu o Brasileiro em casa para Sport e Corinthians. E foi desclassificado por Boca e America-MG também em casa.

Como se vê, a rejeição a Miguel Ángel é quase geral. Eu acho que nós somos uns burros. Nós e Miguel Ángel Ramírez. Nós — torcedores, comentaristas e jogadores — porque não entendemos o futebol moderno, flagrantemente superior. Ele porque não considera nosso atraso e não faz um gesto para adaptar -se. Tem que ir mais devagar. Se MAR tentar enfiar o jogo de posição de um dia pro outro, vai dançar.

Pois o principal erro é de orientação: implantar o tal “modelo posicional” fazendo tábula rasa do que havia. O time do Inter que foi vice tinha virtudes que deveriam ser observadas. Por exemplo, sabia fazer contra-ataque uma vez recuperada a bola, seja no campo de defesa ou por pressão. Agora, ficam ali na frente da área, trocando bola até perder ou dar um balão. E essa de botar jogadores piores no campo e melhores no banco deixa qualquer grupo de boleiros sem rumo. Tomara que melhore.

Bom dia, Miguel Ángel

Bom dia, Miguel Ángel

É muito ruim esse negócio de a gente só saber a escalação minutos antes da partida. Desse jeito, só podemos escrever a respeito após o resultado. Quando li no twitter que íamos com Maurício e Patrick nas pontas, logo pensei em lentidão e pouca criatividade. Nada contra os dois, são bons jogadores, mas tudo contra eles entrarem fora de suas posições. Miguel, eu vejo estes problemas no Inter:

1. Patrick na ponta. Quem viu grandes pontas jogarem, sabe que eles são ou rápidos ou habilidosos. Patrick não é nenhuma das duas coisas. Patrick é um excelente armador — fez um esplêndido 2020 — que deveria estar disputando posição com Edenílson e Praxedes. Ademais, fica ao lado da linha lateral e ali pela esquerda não tem nem bandeirinha para uma conversa. Ele fica sozinho, deprimido. Se eu tivesse acesso a ti, Miguel Ángel, te explicaria o significado de peladeiro. Patrick é um deles. E dos bons.

Patrick: em um relacionamento difícil com a linha lateral | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

2. Maurício na ponta. O mesmo acima, sem o esplêndido 2020 e sendo menos peladeiro.

3. Saída de bola. Dou risada quando vejo Lomba sair no toque e, quando a bola chega no Cuesta, este dá um bago pra frente, entregando a bola pro adversário. Qual é o sentido disso? Se Cuesta sabe lançar, que acerte. Ah, tenho que te explicar também o que é bago pra frente!

4. Quem são os nossos pontas. Eles são Palacios, Caio Vidal e, com o perdão da palavra, Marcos Guilherme. Peglow?

5. O centroavante abandonado. Com os pontas jogando lá nas linhas laterais, com os meias não chegando e os laterais muito menos — Yuri ou Guerrero ficam sós. Coitados. O peruano tem 37 anos e não vai aguentar o tranco.

6. Lomba. Por favor, acho que chega de Lomba. Ele é mesmo o preferido do Pavan?

7. Rodinei. Não sou um crítico do cara, mas se ele ele vai embora, deixem o Heitor jogar para sabermos até onde ele pode ir. Já sabemos tudo sobre Rodinei. Ademais, o lugar é do Saravia.

8. Dourado. Suas declarações após o jogo não são as de um capitão. Ou ele faz uma autocrítica ou mudamos de capitão. Detalhe: acho que é excelente jogador. Penso que ele estava muito puto com a derrota. Sendo assim, não deveria ter falado.

9. Detalhes. O guri Praxedes não ter passado aquela bola para o Yuri… O gol que perdeu o Lucas Ribeiro… Perder gols assim em clássicos…

A homenagem que o Inter não conseguiu prestar a seu ex-ponta João Goulart

A homenagem que o Inter não conseguiu prestar a seu ex-ponta João Goulart

Na final do Campeonato Brasileiro de 1976, o Inter foi proibido de prestar homenagem a João Goulart, seu ex-jogador. Jango morreu em 6 de dezembro de 1976 e a final foi em 12 de dezembro.

João Goulart foi ponta esquerda do time juvenil, mas foi obrigado a parar em 1935 devido a uma lesão na perna esquerda.

Bom dia, Miguel Ángel (com os lances de Inter 2 x 0 Caxias)

Bom dia, Miguel Ángel (com os lances de Inter 2 x 0 Caxias)
Edenílson: ontem teve gol de craque | Foto Ricardo Duarte / SC Internacional

Miguel Ángel Ramírez está fazendo testes bem interessantes. Ontem, ficou claro que ele não está muito preocupado com o placar, que quer mais a assimilação dos novos conceitos. Por exemplo, ontem tirou Guerrero e colocou Galhardo e Maurício, nada de Yuri. (Maurício entrou muito bem). Miguel Ángel está seguindo um planejamento que não é claro para nós, mas que já pode ser auscultado.

O time mudou muito em pouco tempo. Agora jogamos com dois pontas bem abertos, os laterais avançam preferencialmente pelo meio, o time chega tocando bola com os jogadores muito próximos um do outro e com um ou dois afastados, todos pedem a bola e a recuperação da mesma é tentada onde ela foi perdida. Mais: a saída de bola é feita pelos dois zagueiros e mais o volante, mas quem sai para o ataque não é necessariamente o volante. Muitas vezes quem saiu foi Lucas ou Zé Gabriel. As viradas de jogo — fundamentais do esquema — também foram raras.

É o tal jogo de posição em que a posse de bola é fundamental.

Eu estou gostando, apesar de que criamos e chutamos muito pouco e nada, por exemplo, de fora da área. A falta dos chutes de longe pode ser justificada pela incrível retranca do Caxias. Nossos zagueiros iam até a intermediária adversária, demonstrando o absoluto encolhimento do pessoal da Serra. Não havia espaços, mas sou torcedor e sempre quero mais. E, insisto, criamos pouco.

É um início promissor que apresenta ainda muitos erros. Acho que se houver calma da torcida e pouca RBS vai dar certo.

Times de esquerda / Times de direita

Times de esquerda / Times de direita

Fazendo um resumo de algumas colunas do jornalista Rafael Reis, do Uol.

Times de esquerda:
— ST. PAULI (ALE)
— LIVORNO (ITA)
— LIVERPOOL (ING)
— BARCELONA (ESP)
— BORUSSIA DORTMUND (ALE)
— OLYMPIQUE DE MARSELHA (FRA)
— AEK ATENAS (GRE)
— RAYO VALLECANO (ESP)
— CELTIC (ESC)

Torcida do St. Pauli, da Alemanha, em dia de protesto em favor do movimento LGBTQ+

Times de direita:
— LAZIO (ITA)
— LEGIA VARSÓVIA (POL)
— REAL MADRID (ESP)
— ZENIT SÃO PETERSBURGO (RUS)
— BEITAR JERUSALÉM (ISR)
— PARTIZAN BELGRADO (SER)
— RANGERS (ESC)
— PARIS SAINT-GERMAIN (FRA)
— CHELSEA (ING)
— HANSA ROSTOCK (ALE)
— SCHALKE 04 (ALE)

Torcedores da Lazio fazem ato em homenagem a Mussolini, ex-ditador italiano

Da ignorância do próprio o ofício

É inadmissível que um jornalista que trabalhe com futebol diga não saber o que significa “jogo de posição”. Há pouca bibliografia futebolística no Brasil e é fácil conhecer as principais obras. Incrível que Pedro Ernesto desconheça coisas tão bem explicadas nos livros de Guardiola.

Em minha ingenuidade, achei que todos os jornalistas esportivos liam as matérias de seu ofício. Mas eles preferem a xenofobia.

VAR, cafezinho e profissionalização dos árbitros (por Alessandro Barcellos, presidente do Inter)

VAR, cafezinho e profissionalização dos árbitros (por Alessandro Barcellos, presidente do Inter)

A cena se tornou corriqueira nos corredores da Confederação Brasileira de Futebol: toda semana, rodada a rodada, presidentes de clubes largam seus afazeres para reclamar, em vão, da performance de árbitros no torneio mais importante do calendário nacional.

Para além do clubismo, o Sport Club Internacional entende que é hora de discutir profunda e seriamente como mudar este quadro que afasta torcedores e patrocinadores do futebol. Que coloca em xeque permanente a credibilidade de nossa maior paixão. Que dá asas a teorias conspiratórias. Que serve como cortina de fumaça para justificar erros técnicos e táticos de atletas e treinadores. E que pune, aleatoriamente, clubes que fazem um trabalho sério – e premia o jogo sujo dos bastidores.

Não, não se trata de choradeira após o dolorido desfecho que deixou a torcida colorada e, nós, dirigentes, com a sensação de que nos tiraram algo que nos pertencia. Trata-se de discutir até quando um esporte que, segundo a EY, movimenta R$ 52,9 bilhões por ano será decidido por árbitros que não têm dedicação exclusiva ao futebol.

Trata-se de levar a sério a paixão dos nossos consumidores. Ou fazemos isso ou o futebol irá por um caminho sem volta de esvaziamento, o que já se nota entre os mais jovens.

É incompreensível que a CBF, as federações e as agremiações não se movimentem fortemente no sentido de cuidar com zelo das equipes de arbitragem e tenhamos um quadro de profissionais que estude, treine e respire futebol 24 horas por dia.

Hoje, temos fuzileiros navais, dentistas, médicos legistas, vendedores, personal trainers e assistentes administrativos trabalhando em suas profissões em horário comercial e decidindo o destino e a alegria de milhões de torcedores como juízes.

Os dados estão à mesa. Não enxerga quem não quer. Nada menos que 16 dos 20 participantes da Série A de 2020 reclamaram formalmente do departamento comandado por Leonardo Gaciba. São incontáveis lances com falta de padronização de critérios, com falhas de interpretação, com intervenção clara e comprovadamente erradas nas decisões de campo.

O VAR, que foi vendido como panaceia para a arbitragem, virou instrumento para colocar ainda mais sombra sobre a credibilidade do nosso futebol.

Aqui não está em discussão apenas o pênalti claro contra o Corinthians, que tirou nosso tetracampeonato nacional, a falha grotesca na marcação de um pênalti fantasma para o Vasco – que nos rendeu a absurda suspensão de Cuesta – ou da intervenção externa que praticamente obrigou o juiz de campo a expulsar Rodinei contra o Flamengo.

Sem a camisa vermelha, meu propósito trabalhar incessantemente ao lado de outros presidentes de clubes e agir para garantir um espetáculo mais limpo.

A era do amadorismo acabou entre os jogadores há quase cem anos. Se a CBF não se mexer espontaneamente para mudar este cenário, os times precisam atuar em bloco no sentido de proteger a integridade do esporte. A mudança, está cada vez mais claro, terá de ser feita de fora para dentro, sem casuísmo.

Chega de cafezinho, coletivas irascíveis, desculpas esfarrapadas e notas oficiais. Chega de só reclamar quando há um erro contra seu time e de falar que faz parte do jogo quando se é beneficiado. É hora de os clubes arregaçarem as mangas, estudarem o que se faz lá fora, padronizarem critérios e trabalharem, juntos, para que o VAR nunca mais seja o craque do Brasileirão.

Alessandro Barcellos

Efeito Casablanca — Prejudiquem os trouxas de sempre, por Juremir Machado da Silva

Efeito Casablanca — Prejudiquem os trouxas de sempre, por Juremir Machado da Silva

No Correio do Povo

Cada vez mais vejo o futebol com uma boa metáfora da vida. Há relações de causa e efeito. Há situações que se repetem. Há dominantes e dominados. Há desconfianças. De repente, no meio da pandemia, fico até constrangido de falar de futebol. Se o faço é por ver no futebol atualmente uma fresta de respiro ao meio ao caos para que pessoas se distraiam do horror que nos cerca.

No clássico filme “Casablanca” há uma frase que ficou famosa pelo seu delicioso cinismo: “Prendam os suspeitos de sempre”. No Brasil, em confrontos com cariocas e paulistas, vale o efeito Casablanca: prejudiquem os trouxas de sempre. O Internacional foi “operado” em 2005 em favor do Corinthians. Em 2021, 0 VAR, tecnologia criada para eliminar todas as polêmicas e já consagrada por só produzir confusão, entrou em campo e ajudou o Flamengo. Dá vontade de disputar o campeonato uruguaio. O bairrismo de cariocas e paulistas não tem limites. É preciso que ganhem sempre. São o centro do mundo (do nosso).

Nos últimos quatro jogos, o Inter, que vinha de nove vitórias seguidas, foi atropelado pelo VAR. Em Curitiba, contra o Athlético-PR, não foi dado um pênalti ao final do jogo. Contra o Sport, em Porto Alegre, o VAR não opinou sobre uma bola que saiu e resultou no segundo gol dos visitantes. Contra o Vasco, no Rio, o árbitro deu um pênalti claramente inexistente para os cariocas. Em consequência, tirou, com um amarelo, Cuesta do jogo contra o Flamengo. O cobrador, talvez envergonhado, errou o chute. Contra o Flamengo, numa decisão, em lance sem intenção, Rodinei pisou o pé de Filipe Luis. O árbitro nada deu. O próprio jogador do Flamengo reconheceu em campo que foi acidente. O VAR chamou o árbitro e o lateral do Inter foi expulso. Caminho aberto para a vitória do Flamengo e para a mitologia global: hegemonia. O mesmo árbitro, em lances iguais, em outras partidas não havia dado um só cartão vermelho.

O encadeamento de fatos, se a palavra não soar pomposa ou trágica, revolta. Internacional e Vasco era jogo decisivo. Não veio em televisão aberta para o Rio Grande do Sul. Falaram que era negócio. Vender jogo fechado. Passaram Corinthians e Flamengo. Curiosamente, neste domingo, paulistas não viram a “final” entre Flamengo e Inter, mas Corinthians e Vasco. Critério: paulista quer ver paulistas. Gaúcho tem de ver paulista e carioca dentro da ideia vira-lata de espanholizar o Brasil fazendo de Flamengo e Corinthians especiais. Talvez por isso os títulos tenham de ser reservados a eles. Isso revela uma visão de mundo. E assim vai: 2005, 2009, 2021. Neotáticos – deslumbrados por esquemas táticos e tecnologia –, Globo, CBE, cariocas e paulistas estão felizes. Uma vitória de Abel, considerado velho e ultrapassado, estraga o roteiro.

O efeito Casablanca acontece em muitas outras áreas. Quase todas. No futebol, o VAR se omite quando convém, interfere quando necessário e dá o óbvio para se mostrar neutro e técnico. Não falta nunca aos seus senhores. Claro que tudo isso pode ser enquadrado na categoria paranoia ou em teorias da conspiração. As coincidências são tantas que o inverossímil se torna factível. O campeonato ainda tem uma rodada. O Inter enfrenta o Corinthians em casa. O Flamengo pega o São Paulo fora. Pode acontecer um milagre. Parar Corinthians e Flamengo num mesmo dia, em que o primeiro pode ajudar o segundo e ambos fortaleceram o bairrismo Ri de Janeiro – São Paulo, seria uma façanha. Derrubaria o efeito Casablanca. O VAR permitiria algo assim?

Metáfora da vida, o futebol nos faz pensar: que lugar ocupamos em nosso lugar?

O Inter e seu fiapo de esperança

O Inter e seu fiapo de esperança

Foi um jogo de dois times esbodegados e que para mim foi perdendo a graça não apenas porque o Flamengo virou, mas em razão de sua ruindade como jogo de futebol.

Como (quase) todo mundo sabia, provavelmente perdemos o Covidão 2020 naquele jogo contra o Sport.

Ironicamente, o cara de um milhão de reais foi expulso no começo do segundo tempo e foi um dos causadores da derrota. Terá um bom ambiente ao retornar ao Flamengo… Será que não dá para pedir um desconto por motivo de utilização parcial?

Claro que a expulsão foi um exagero e jamais ocorreria sem o VAR. A gente vê em câmara lenta e parece grave. Vê em ritmo normal e dá a falta simples. E o Filipe Luís permaneceu em campo normalmente.

Ficamos com o quê? Um fiapinho de esperança ainda, um monte de bons jogadores jovens e ninguém diria que chegaríamos onde chegamos lá no início do campeonato.

Espero que o Miguel Ángel Ramírez esteja de olho no time.

Caio é apenas uma aposta e acho que podemos colocar Praxedes na mesma categoria, Rodinei e Lomba são muito fracos, Cuesta merece um companheiro melhor até o retorno de Moledo. Moisés é esquisito, mas estamos num país onde não se encontram laterais esquerdos bons. Guerrero e Boschilia têm que voltar anteontem, porque Peglow entra sempre apavorado.

A verdade é que falta futebol ao time do Inter. Jogávamos pouco com Odair, jogamos pouco nas decisões com Coudet, jogamos pouco com Abel. Eu estou cansado desse futebol operário, eu quero que a gente entre para jogar. Que Miguel Ángel chegue logo e melhore nossa postura. Vejam bem, quando o Patrick — que é bom jogador, gosto dele — vira craque, há algo errado.

E vamos lá. Nem estou tão triste porque comecei a cortar a madeira para meu caixão naquela noite contra o Sport. Foi aquilo ali o que decidiu. A noite de horror de Marcelo Lomba.

.oOo.

Eu não sei se há uma conspiração para o pró-Flamengo. Porém, é claro, o passado de Flamengo e Corinthians os condenam. Curiosamente, o corintiano Neto já tinha escrito em seu twitter lá por quarta-feira:

O camaleão contra o favorito, de Fabrício Carpinejar

O Inter foi o time mais camaleão do campeonato brasileiro. Além de liderar por dezesseis rodadas, merece ganhar porque se adaptou a uma competição sem torcida, no meio de uma pandemia, com limitações no elenco.

Não ficou reclamando da arbitragem ou das lesões. A cada queda, refez o seu elenco. Encarnou a salamandra mexicana, o axolotle, capaz de reconstituir por completo partes do corpo, como espinha e olhos.

Perdeu o goleador peruano Guerrero no início do campeonato, improvisou com Thiago Galhardo, que se consagrou o artilheiro da competição. Galhardo se machucou durante um mês, abriu vaga para o Yuri, que tomou conta do recado com dez gols.

Um dos destaques da lateral, o argentino Saravia, rompeu o ligamento. Surpreendentemente, Rodinei assumiu a posição com competência.

Quando experimentava alta performance, Boschilia enfrentou a mesma lesão, Praxedes subiu da base com brilho.

O xerife da zaga, Moledo, no seu momento de maior invencibilidade, sofreu comprometimento no joelho e perdeu o resto da temporada. O desacreditado Lucas Ribeiro cumpriu a função.

Nossas grandes contratações ficaram no departamento médico. Esperanças vieram imediatamente preenchendo o vácuo.

Das ausências, surgiu espaço também para os atacantes Caio Vidal e Peglow.

Dourado voltou aos gramados depois de dois anos de inatividade.

Moisés superou a desconfiança e assumiu a titularidade da lateral esquerda.

Patrick e Edenilson voaram sobre as mudanças, com o diferencial do drible e da assistência.

E ainda choramos com a despedida do ídolo D’Alessandro, depois de 11 anos no clube,

Inter tinha motivos de sobra para dar errado neste ano, mas se reconstruiu como nunca. Não é uma zebra, mas uma salamandra avançando em sua milagrosa regeneração, com a fome de um título que busca há 41 anos.

Acabou com a abstinência do Gre-Nal em partida heroica, aplicou a maior goleada da história do São Paulo no Morumbi, Abel Braga tornou-se o técnico com o maior número de partidas dirigindo o colorado (337), enganou as estatísticas e venceu nove partidas consecutivas, o novo recorde dos pontos corridos.

Tudo aconteceu neste Brasileirão, o mais sobrenatural do manto vermelho, o mais supersticioso, o mais inacreditável.

Pelas adversidades somadas, o grupo está fechado, compacto, motivado. Já havia sido descartado por todos os comentaristas como eventual vencedor.

Não há, então, nenhum medo para enfrentar o elenco multimilionário do Flamengo no Maracanã. Não temos nada a perder. O pior já nos aconteceu várias vezes na temporada. Já tombamos, já levantamos. Enfrentamos o desmonte como nenhum de nossos adversários. Qualquer substituto joga pela sua vida.

Não existe como cair, porque jamais saímos do chão, jamais tiramos os pés do chão, da humildade da nossa humanidade. O chão é o céu da salamandra.

Sobre os empates e de como eles matam em competições de pontos corridos

Sobre os empates e de como eles matam em competições de pontos corridos

Sergio Theodosio faz uma observação muito interessante sobre os 17 empates do Grêmio.

Imaginem se, em lugar de empatar 17, o humaitano (expressão minha) tivesse perdido 8 e ganho 9. Estaria com 10 pontos a mais. Ficaria com 63, a 3 pontos do líder.

Esse negócio ganhar 3 pontos por vitória obriga a tentar vencer, mas tem gente que não se deu conta. Por exemplo, no lugar de dois empates, é melhor perder uma e ganhar outra.

Mais: como escreveu o Marcelo Corsetti abaixo, no lugar de 3 empates é melhor perder duas e ganhar uma, pois vitória é critério de desempate.

.oOo.

José Fernando Cardoso: É sintomático que entre os quatro principais centros futebolísticos do País, só o Rio Grande do Sul ainda não teve Campeão no BRASILEIRO de pontos corridos. Até o Fluminense (!) ganhou e duas vezes (!!), como bem lembrou um amigo COLORADO com quem conversava hoje. Se dependêssemos da mentalidade da turma do Fernando Carvalho (herdeiro da ideia de futebol retranqueiro do Ibsen) ou de treinadores como o Odair, seguiríamos sem ganhar por toda a eternidade. Felizmente parece que no BEIRA-RIO o pessoal ultimamente tem percebido esse velho equívoco que é o amor pelo futebol cagão. Ok, o cara passa uns sustos com o TIME do ABEL, mas quando tem a bola o INTER procura agredir e ter objetividade e eficiência.

Boa tarde, Abel (com os lances de Athlético-PR 0 x 0 Inter)

Boa tarde, Abel (com os lances de Athlético-PR 0 x 0 Inter)

Abel, apesar de todos os teus enormes méritos neste campeonato e do recorde de nove vitórias consecutivas, conseguiste tornar nosso time pior ontem à noite. Se sem Dourado — fora pelo 3º cartão amarelo — o time já perde muito, a colocação de Marcos Guilherme botou uma pá de cal em nosso ataque.

Dourado facilita a vida da defesa e de todos. Praxedes, Edenílson e Patrick jogam mais com ele em campo. Ainda pior, deixaste Yuri sozinho lá na frente, como se fôssemos uma equipe que tivesse ido ao Paraná apenas para segurar um empate. O Athlético-PR veio pra cima e poderia ter nos ganhado o jogo. Depois OK, equilibramos a partida, que foi péssima de ver.

Espero que Caio Vidal, que ao menos é esforçado e tem cacoetes de atacante, possa voltar contra o Sport na próxima quarta-feira. Ou Galhardo, quem sabe. Porque Marcos Guilherme não tem condições e Peglow ainda não desabrochou. Entra sempre apavorado.

Nossos atacantes confiáveis são Yuri, Caio, Galhardo e Abel. E Guerrero, mas este não conta ainda.

Infelizmente, falta qualidade ao nosso time. Mas estamos vivos no campeonato. Precisamos contar com tropeços do Flamengo para poder levar o Brasileiro. A briga é contra uma verdadeira seleção que, teoricamente, é favorita em todos os 38 jogos do campeonato.

É óbvio que aconteceu um pênalti não marcado a nosso favor nos descontos. Mas é da vida. Os juízes acertam e erram.

Eu gostaria que esta fosse a última vez de Marcos Guilherme | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

.oOo.

A situação é esta:

Inter — 66 pts (19v e 26 gols de saldo)
Fla — 64 pts (19v e 19 gols de saldo)

Diferença de saldo de gols: 7

Faltam 4 jogos — 12 pontos em disputa

Jogos do Inter: Sport (c); Vasco (f); Flamengo (f) e Corinthians (c)
Jogos do Flamengo: Bragantino (f); Corinthians (c); Inter (c); São Paulo (f)

O Inter é campeão:

a) ganhando as 4, inclusive do Fla no RJ;
b) ganhando 3 e perdendo pro Fla no RJ, com a condição que Fla empate 1 dos outros 3 jogos (1e e 3v);
c) ganhando 2 e empatando 2 (entre elas o Fla no RJ); considerando que o Fla empate ainda mais 1 nas outras 3 (2e e 2v);
d) conquistando 1 ponto a menos que o Fla nos restantes 12 pontos em disputa;
e) conquistando 2 pontos a menos que o Fla nos restantes 12 pontos, condicionados de que o Fla não ultrapasse o Inter em quantidade de vitórias ou que Fla consiga tirar a vantagem atual do saldo de gols que é de 7.

Fuimos campeones

Fuimos campeones

Lembrei hoje de um extraordinário livro do jornalista argentino Ricardo Gotta. O livro é Fuimos Campeones. Gotta foi o cara que descobriu como o Peru entregou o jogo para a Argentina em 1978. São 300 páginas de história do futebol e de investigação, tendo por pano de fundo a ditadura militar argentina.

O livro é uma joia. Pouco a pouco, vamos montando o cenário até que o zagueiro peruano Rodolfo Manzo confessa, mais de 20 anos depois dos fatos.

Manzo era o principal suspeito. Afinal, logo após a Copa, ele assinou um lindo contrato com o Velez Sarsfield e depois com futebol italiano. Logo ele, um zagueiro modesto. Inexplicável. Ele mora até hoje na Itália, pois, em qualquer lugar que vá no Peru, as pessoas lhe dizem:

– Eres tu que te vendiste.

Ele e mais cinco. Só. Ninguém mais. Não lembro mais o motivo, só que Manzo ficou mais marcado. Seu companheiro de zaga, Velásquez, acusava o sexteto desde 1978.

Revendo os gols da partida, nota-se como Manzo abandona a marcação dos atacantes argentinos. Como escorrega no momento de enfrentar Kempes num dos gols, cai, pula em branco, uma doidice só.

Na época do lançamento do livro, fiquei amigo de Gotta, pois fiz uma pequena correção sobre um detalhe do futebol brasileiro em seu texto. Passamos a conversar por e-mail e ficamos de “charlar” um dia, coisa que nunca aconteceu. Em Fuimos, Ricardo também conta casos espetaculares de subornos, entregas e vendas em Copas do Mundo. O caso mais sensacional é o que segue.

1974. Final da primeira fase da Copa da Alemanha. A Argentina precisava imperiosamente vencer de goleada o Haiti, mas a Polônia, já classificada em primeiro lugar, tinha que ganhar da Itália. Para que, se já era a campeã do grupo? Um empresário argentino com negócios na Polônia foi escalado para abordar alguém da delegação polonesa. O escolhido foi Gadocha, outro bom negociante. O argentino perguntou a Gadocha se “Polonia iba salir a ganar”.

Ouviu o a seguinte resposta: “Isso dependerá dos argentinos”. Como a AFA não tinha cash, cada jogador argentino deu US$ 1.000,00, uma fortuna para jogadores que atuavam atrás do Muro. Sim, fizeram uma vaquinha. Os polacos foram com tudo e ganharam da Itália, enquanto a Argentina fazia 4 x 1 no Haiti. Tudo certo. No dia seguinte, Gadocha avisou a seus companheiros que a grana viria quando a Copa finalizasse para eles, antes da viagem de volta, para não dar na vista. Após vencerem o Brasil por 1 x 0 e de conquistarem o terceiro lugar, Gadocha simplesmente desapareceu. Com o dinheiro.

Saudades do amigo Gotta.

Renato, o mitinho

Renato, o mitinho

Renato Gaúcho, o bolsonarista, deu uma coletiva do seu tamanho. Li agora o monte de bobagens que ele disse ontem. São dignas do mito.

Lançando uma cortina de fumaça sobre a incapacidade de seu time, ameaçou jornalistas e incitou a torcida contra a imprensa. Como faz o Genocida.

Eu não tenho medo de vocês da imprensa, não tenho. Se vocês continuarem falando besteira durante a semana, vou começar a falar o nome de vocês. Aí vocês se resolvem com a torcida do Grêmio.

Ontem, ele falou mais do Inter do que do Grêmio.

E confessou a entrega.

Se aquele jogo (o Gre-Nal) tivesse sido diferente, o jogo de hoje poderia ter sido diferente também.

Como disse meu filho Bernardo, ter ídolos como Renato e Peninha deve ser um tipo de penitência.

Que permaneçam onde estão. Só falta o Romildo não renovar com o mitinho.

P. S. — Não gostaria que o Inter vingasse a atitude de ontem. Isso é colocar o interesse alheio acima do seu. Se fosse dirigente, mandaria vencer sempre. Acho que quem manda perder não tem moral para mandar vencer.