Beatles no Theatro São Pedro com a OCTSP

Beatles no Theatro São Pedro com a OCTSP

Ontem, fui ver um concerto que tinha tudo para ser chato. Sim, sou desses que quer uma orquestra tocando sempre música destinada a orquestras, ora.

Mas ontem era Beatles e foi muito bom. Os cantores foram magníficos e a Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro tem um dos melhores fermentos da cidade. Não sei se é empatia, confiança ou mero entrosamento, mas o fato é que a cada concerto ela cresce mais, está mais redonda, junta, com som bonito.

Todo mundo saiu feliz do velho Theatro. Tudo funcionou e quando funciona parece fácil. Mas não é. Já participei de pequenos grupos de trabalho que degringolaram. Tenho até medo deles. Mas o Evandro Matté leva o barco devagar e bem, como o marinheiro da música do Paulinho da Viola (Argumento).

Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

E que nevoeiro!

Enormes parabéns aos músicos todos, em especial ao pianista Daniel Benitz e aos crooners de hoje, a brilhante Elisa Conceição Machado e o sensacional Daniel Germano.

Pergolesi, meus queridos, Giovanni Battista Pergolesi!

Pergolesi, meus queridos, Giovanni Battista Pergolesi!

Pergolesi morreu em 1736, aos 26 anos, de tuberculose. Tinha imenso talento e, é claro, jamais se saberá o que poderia ter feito se tivesse vivido mais.

Deste modo, a imagem de Pergolesi cristalizou-se com base em poucas obras — e algumas são obras-primas absolutas.

Suas melodias demonstram uma personalidade criativa extremamente sofisticada. As obras sacras são caracterizadas pela devoção e intimismo comovedor, onde o sagrado é entendido como fonte de experiência emocional.

Seus últimos meses de vida foram passados no mosteiro franciscano de Pozzuoli, para onde se retirou, aparentemente convencido de que a tuberculose não lhe permitiria regressar a Nápoles.

Foi no mosteiro e no ano de sua morte que escreveu o Stabat Mater. É uma peça sublime que a OSPA apresentará neste sábado, às 17h. (Aliás, a nova sede da orquestra está ficando linda, Evandro. E o novo logo ficou perfeito).

Para ficar ainda melhor, veremos Raquel Helen Fortes cantando, com a Elena no concertino e regência de César Bustamante.

Sábado, tá?

Dá para ir e dá para ver no YouTube, o que não dá é para não apoiar a Ospa.

P.S. — E ainda tem o Exsultate, Jubilate, de Mozart, no programa.

Raquel Fortes | Foto: Leandro Rodrigues
Elena Romanov

Os grandes violinistas estão buscando novos horizontes

Aprovo totalmente esse movimento de grandes violinistas no sentido de formarem grupos de câmara regulares. A Mutter iniciou com certa hesitação, já Ehnes, Ibragimova e Jansen se atiraram.

James Ehnes já gravou 3 CDs com o Ehnes Quartet, Alina Ibragimova tem o seu Chiaroscuro Quartet e Jansen tem seu Janine Jansen and Friends.

O repertório para os principais solistas tocarem com orquestras é limitado. A plateia gosta daqueles poucos e conhecidos concertos. Se eu já enchi deles, imagina os solistas!

São eles o Concerto de Beethoven, o de Brahms, o de Tchaikovski, o de Sibelius, os de Mendelssohn, Shostakovich, Prokofiev, Bruch, talvez Bartók. Há uns concertos duplos, há os barrocos nos quais nem todos se aventuram — ainda bem! — e dá para solar Paganini e Bach. E o resto raramente é explorado pelas gravadoras e plateias.

Mas o mundo se abre para eles na música de câmara.

O misterioso Quinteto para Piano de Bartók

O misterioso Quinteto para Piano de Bartók

Béla Bartók começou a escrever seu Quinteto para Piano em Berlim, aos 22 anos (outubro de 1903), não muito depois de se formar na Academia Liszt de Budapeste. Esta foi uma época em que sua música estava sob a influência de Richard Strauss e Debussy. Em 1902, Bartók tinha ouvido Also sprach Zarathustra e a impressão recebida por ele era aparente no poema sinfônico recém-concluído, Kossuth. Simultaneamente, Bartók também estava começando a explorar uma linguagem musical nacional como forma de expressar a identidade húngara, e essa tensão entre a tradição clássica europeia e o desejo de forjar algo novo caracteriza grande parte do quinteto. A obra foi concluída no verão de 1904 na Hungria, e apresentada pela primeira vez em Viena, no Ehrbar Saal, em 21 de novembro pelo Prill Quartet, com o próprio compositor assumindo o piano. Como ele comentou em uma carta alguns dias depois a seu professor de piano da Academia, István Thomán: ‘A dificuldade de meu quinteto prejudicou gravemente a primeira apresentação — mas, afinal de contas, de alguma forma ele foi aprovado. O público gostou ao ponto de voltarmos e vezes ao palco.’ As críticas foram amplamente positivas. O crítico do Welt Blatt , no entanto, foi menos gentil, observando que “um talento inconfundível luta com um vício questionável de efeitos distintos, que não raramente são totalmente repulsivos”… O quinteto foi posteriormente revisado e a nova versão foi interpretada pela primeira vez em 7 de janeiro de 1921. Com o passar dos anos, Bartók passou a detestar a peça. Zoltán Kodály pensou que Bartók tinha destruído totalmente a obra. Ela sumiu. Só que foi redescoberta pelo estudioso de Bartók Denijs Dille. Isso em janeiro de 1963. Ela nunca se tornou popular, mas Janine Jansen a ama e é a atual “dona” da peça. Digo que é “dona” porque ela a divulga onde e quando pode com seu enorme talento e 1,85m. É realmente uma obra que não parece ser de Bartók. Talvez o último movimento possua algo de sua voz, mas é só. Eu gosto muito do Quinteto pelo extravasamento de sinceridade juvenil, o que paradoxalmente a torna mais claro para os aficionados e mais obscuro para o público. Estou com Janine nessa.

50 anos de Blue, de Joni Mitchell

50 anos de Blue, de Joni Mitchell

Ontem, muita gente estava comemorando os 50 anos do disco Blue, de Joni Mitchell. O Robson Pereira até me mandou um link do Guardian onde uma série de artistas que foram inspirados pelo trabalho de Joni escolhiam sua canção preferida do álbum. Mais de 6 delas foram citadas. Blue tem 10.

Eu fiz questão de reouvir o disco para escolher a minha. Fiquei entre a comovente River e as harmonias de A Case of You. Eu não posso escolher só uma delas.

Conheci Blue lá por 1975 e acho que o ouço a cada dois ou três anos — o que é muito pra mim — e ele só melhora. Sou meio desligado da música popular, mas há coisas que vêm e ficam. Joni é uma grande compositora, letrista e contadora de histórias.

Aliás, que ano foi 1971! Construção (Chico), London London (Caetano), Who`s Next (The Who), Led Zeppelin IV, Fa-Tal (Gal), Ela (Elis Regina), Tapestry (Carole King), Ram (Paul McCartney), Imagine (John Lennon), Aqualung (Jethro Tull), All things must pass (George Harrison), o que mais?

(Aqui, o álbum completo).

Blue, uma das obras-primas de Joni

Artistas que você deveria cancelar (V): Heitor Villa-Lobos

Artistas que você deveria cancelar (V): Heitor Villa-Lobos

[Ironic & Provocation Mode ON]

OK, músicos são artistas que precisam do poder. O poder detêm teatros e orquestras, mas digamos que alguns se apaixonam e fazem demais.

Foi o caso de Villa-Lobos. Ele se colocou a serviço do governo Getúlio Vargas, aquela coisinha fascista entre os anos de 1930 e 45, foi seu parceiro mais precisamente durante o Estado Novo, entre 37 e 45. Durante este período, o artista usou o seu talento para construir um programa de educação musical ligado aos interesses do regime. Mas a relação não era daquelas do tipo cerveja Caracu (tu entra com a cara e eu com o cu), era uma relação em que ambos ganhavam. Afinal, Villa-Lobos também tirou proveito da ligação para divulgar a sua música e deixar seu nome como o de maior compositor nacional.

Em 1934, Gustavo Capanema assumiu o Ministério da Saúde Educação e Cultura. Homem afeito às artes e à cultura, Capanema convidou artistas e intelectuais para compor seu ministério. Villa estava no grupo. Então, o canto orfeônico foi tornado obrigatório nas escolas. Tudo ajudava. Villa era um nacionalista e Vargas também. Em defesa de Villa, pode-se dizer que a vinculação da ideologia nacionalista do governo não se restringia ao âmbito artístico e musical. Toda política educacional do governo Vargas voltava-se para o aspecto nacionalizante da educação, valorizando a brasilidade e procurando afirmar a identidade nacional. Contra Villa, há apenas a ditadura de Vargas, o que não é pouca coisa.

O Canto Orfeônico tornou-se o modelo nacional de educação musical e, por meio de seu repertório cívico, sacralizou um conceito de brasilidade proposto pela reforma de ensino do governo Getúlio Vargas. A Superintendência Educacional e Artística (SEMA) oportunizou a implantação desse projeto de educação musical, baseado na prática de canto orfeônico, que associava música, disciplina e civismo.

Um exemplo da exaltação a Getúlio e seu governo está na peça “O Canto do Pajé”. A canção foi executada algumas vezes por coros orfeônicos comandados pelo próprio Villa para homenagear o presidente, enquanto este se dirigia ao palanque para proferir discursos em datas nacionais.

Sorrisos de Vargas e Villa.

Royal Academy of Music nega política de cancelamento

Royal Academy of Music nega política de cancelamento

A instituição londrina contestou a matéria do Telegraph de ontem, de que planejava descolonizar instrumentos de marfim e cancelar compositores do tráfico de escravos. Aqui está o texto:

Não há planos de descartar instrumentos do acervo da Academia. As análises que faremos estão preocupadas apenas com o armazenamento das coleções no local e como interpretamos os itens em nossas coleções.

Não iremos descartar instrumentos musicais com base em sua proveniência ou associações. Além disso, o artigo do Telegraph afirma que temos uma ‘vasta coleção de manuscritos do compositor Handel’ — não possuímos, de fato, nenhum manuscrito original de Handel.

A Academia sempre treinou seus alunos para os ambientes profissionais musicais. É vital que eles entendam as forças culturais, políticas e socioeconômicas que moldaram as tradições musicais, bem como as questões que as estão moldando no presente, como a pandemia e as questões em torno da igualdade, diversidade e inclusão. Esta formação inclui dar voz a figuras anteriormente silenciadas ou marginalizadas, bem como compreender os contextos em que trabalharam figuras icônicas como Handel e Mozart. Não removemos Handel, ou qualquer outro compositor, do plano de estudos.

Para nós, inclusão significa alargar a rede, não anular figuras e artefatos históricos.

Para descolonizar Handel

Para descolonizar Handel

Norman Lebrecht
Traduzido mal e porcamente por mim

O Sunday Telegraph relata hoje que a Royal Academy of Music de Londres está revisando sua coleção com a intenção de remover itens que possam estar ligados ao passado colonial da Grã-Bretanha.

Pianos feitos com marfim colonial e artefatos ligados ao compositor do Messias Georg Friederich Händel, que investiu no comércio de escravos, podem ser potencialmente problemáticos.

Para quem, exatamente, nos perguntamos.

Pense bem antes de enviar objetos históricos a essas instituições intelectualmente comprometidas.

Francamente. Handel, ainda criando problemas? Isso é muito perigoso!

Thick as a Brick e o velho filho da puta

Thick as a Brick e o velho filho da puta

No dia 7 de agosto de 1975, fui até a King’s Discos e comprei um LP. Quando estava chegando no caixa, um velho FDP que nunca tinha visto antes, arrancou o disco da minha mão e gritou para a loja lotada:

— Sabem o qual é a tradução do título deste disco? Grosso como um tijolo! É este tipo de idiotice que os jovens de hoje ouvem!

Todo mundo riu e eu, idiota adolescente, fiquei quieto, humilhado. Mas comprei o disco. Hoje, de graça, depois de mais de 40 anos do fato e após décadas sem ouvir o LP — que é bom –, voltei a ter vontade de estrangular aquele velho FDP.

Espero que ele tenha sido trucidado por hordas de fãs do Jethro Tull ainda nos anos 70.

(Eu sei o dia exato da compra porque anotava meu nome e a data da aquisição nas capas dos discos).

Alberto Lizzio (1926-1999) jamais existiu

Alberto Lizzio (1926-1999) jamais existiu

Alberto Lizzio nasceu em Merano, Tirol do Sul, em 30 de maio de 1926, estudou violino, composição e regência em Milão, Lombardia. Sua segunda esposa, com quem teve um filho, morreu em 1980 em um acidente de carro em que Lizzio ficou gravemente ferido. Ele morreu em 22 de outubro de 1999, em Dresden. Suas gravações apareciam na MoviePlay, selo divulgadíssimo no Brasil no final do século passado. Muitas vezes ouvi seu nome na Rádio da Ufrgs e outras.

Só que…

Alberto Lizzio era um pseudônimo inventado pelo produtor musical e maestro Alfred Scholz e vinculado a performances antigas, geralmente conduzidas por Hans Swarowsky, Milan Horvat, Carl Melles ou o próprio Scholz. Essas apresentações eram usadas para lançar gravações clássicas baratas para o mercado de massa. A orquestra Musici di San Marco e Philharmonia Slavonica também jamais existiram…

Alberto Lizzio tinha até uma cara, imaginem. Quem seria o cara acima?

Hoje, os 130 anos de nascimento de Prokofiev

Hoje, faz 130 anos que Prokofiev nasceu. Ele morreu em 1953 e a coisa que mais me impressiona é que ele morreu no mesmo dia e ano de Stalin. Faleceram com diferença de horas ou ao mesmo tempo. E não sobraram flores nem atenções para o compositor. Sua morte quase não foi noticiada na URSS. Um troço bobo em relação à obra que o cara nos legou, mas que me deixa triste.

Como um amigo disse: “Me lembrou o episódio da morte de Tchékhov, cujo corpo foi transportado num vagão de ostras, e na estação muitos seguiram o cortejo errado, pois que também lá estava o defunto de um oficial, esperado por muita gente, oficiais e uma banda. Tchékhov teria adorado isso.

Roendo as unhas, do Paulinho da Viola

A letra de Paulinho da Viola é de uma tristeza e raiva atrozes, mas como eu gosto desta canção “Roendo as Unhas”!

Meu samba não se importa que eu esteja numa
De andar roendo as unhas pela madrugada
De sentar no meio fio não querendo nada
De cheirar pelas esquinas minha flor nenhuma

Meu samba não se importa se eu não faço rima
Se pego na viola e ela desafina
Meu samba não se importa se eu não tenho amor
Se dou meu coração assim sem disciplina

Meu samba não se importa se desapareço
Se digo uma mentira sem me arrepender
Quando entro numa boa ele vem comigo
E fica desse jeito se eu entristecer

Um grande mistério bachiano: o corno da tirarsi

Um grande mistério bachiano: o corno da tirarsi

Traduzido por mim da Scherzo

Achamos que sabemos tudo sobre Bach e sua música, mas o compositor mais universal da história da música ainda guarda muitos mistérios. Por exemplo, o que era o corno da tirarsi? É um instrumento que aparece em quatro cantatas: Schauet doch und sehet, ob irgend ein Schmerz sei BWV 46, Halt im Gedächtnis Jesum Christ BWV 67, Herr, gehe nicht ins Gericht mit deinem Knecht BWV 105 e Ach! ich sehe, itzt, da ich zur Hochzeit gehe BWV 162. O instrumento ainda é assunto de debate hoje, uma vez que não está claro se ele seria mais parecido com uma trompa ou com um trompete. Ou vice-versa (obviamente, nenhum corno da tirarsi chegou aos nossos dias, nem há qualquer iconografia dele). Seu sobrenome (da tirarsi) pode levar à conclusão de que o instrumento possuía uma haste ou hastes (como um trombone) e que para fazê-lo soar era necessário puxá-las (daí, o tirarsi). Mas nem todo mundo pensa o mesmo.

Com apenas três dias de intervalo, o Bach-Stiftung de St. Gallen e o Nederlandse Bachvereniging publicaram gravações da Cantata BWV 67 em seus respectivos canais do YouTube. Os suíços, como sabemos, estão gravando (e lançando em sua própria gravadora) em áudio e vídeo toda a música vocal do Kantor. Os holandeses estão indo um pouco mais longe, pois estão fazendo o registro completo dos trabalhos de Bach em seu site. As diferenças entre o corno da tirarsi usado por um e outro não podem ser maiores.

O Bach-Stiftung de Rudolf Lutz privilegia um instrumento que é apresentado neste vídeo pela conceituada trompista inglesa Anneke Scott, especialista em todos os tipos de trompas históricas e figura onipresente nas principais formações historicamente informadas da Europa:

Por sua vez, o Nederlandse Bachvereniging, dirigido nesta ocasião pelo seu diretor artístico titular, Jos van Veldhoven, privilegia outro modelo, construído em sua oficina pelo trompetista (inglês, como Scott) Robert Vanryne, que é justamente quem o toca nesta gravação do conjunto holandês. Aqui estão as explicações que Vanryne sobre o instrumento e o que poderia ser o corno da tirarsi de Bach:

Tendo visto e ouvido as explicações de Scott e Vanryne, vamos agora verificar os resultados. Primeiro, a gravação da Cantata BWV 67 pelo Bach-Stiftung de St. Gallen, com Olivier Picon (provavelmente o melhor especialista em trompas históricas do momento) tocando o corno da tirarsi (atenção em 2min30, é necessário clicar em play e depois em Assistir no Youtube):

E, em segundo lugar, vamos dar uma olhada na gravação feita pelo Nederlandse Bachvereniging dessa mesma cantata, com o referido Vanryne tocando o que parece ser uma variante de um trompete natural e que tem que tem pouco de uma trompa (atenção em 2min50):

Duas grandes versões de uma autêntica joia de Bach! Mas ainda não desvendamos o que era o corno de tirarsi. Talvez o retrato de Gottfried Reiche (1667-1734) nos ajude. Reiche não foi apenas um grande trompetista a serviço de Bach em seu período de Leipzig, mas também um amigo próximo do compositor de Eisenach. Sem ser exatamente igual a nenhum dos dois instrumentos em disputa, o que Reiche tem em mãos é muito mais próximo do de Picon do que do de Vanryne.

Caso alguém queira saber mais sobre o corno de tirarsi, pode consultar aqui. Esta é a tese de doutorado elaborada em 2010 por Picon após terminar seus estudos na Schola Cantorum Basiliensis.