Pois não é que ainda não estamos mortos? O site Infobola, do Prof. Tristão Garcia, mostra que o Inter tem 28% de chances de chegar ao G-4, o que nos daria a última vaga da Libertadores 2016. Os restantes 72%, é claro, ficam com o São Paulo. Só os dois lutam pela última vaga no Nirvana.
Na última rodada, o Inter joga contra o Cruzeiro no Beira-Rio, enquanto que o São Paulo vai até Goiânia pegar o desesperado Goiás, quase na segunda divisão. Pelo mesmo matemático, as chances do Goiás ser rebaixado são de 88%.
Então a coisa é simples. Basta ganhar do Cruzeiro e esperar por uma vitória do Goiás. Simples e quase impossível. A outra possibilidade é apenas matemática: um empate do São Paulo e uma vitória do Inter por 7 x 0, já que o saldo de gols vem antes do número de gols marcados nos critérios de desempate.
A foto de Ricardo Duarte mostra o melhor do Inter: Dourado e Vitinho. Já o resto…
É uma pena que a longa agonia do Inter mascare sua absoluta ruindade neste péssimo ano. Se, nesta altura, estivéssemos sem chances de Libertadores no Brasileirão 2015, talvez a diretoria já trabalhasse planejando algo de mais consistente para o ano que vem. O jogo de ontem demonstrou como o se joga fora uma classificação. O Fluminense — com um time misto — pediu para ser derrotado. Viramos o primeiro tempo com vantagem de 1 x 0, jogamos todo o segundo contra 10 e… cedemos o empate. Demos um tal banho de bola no primeiro tempo, o jogo estava tão fácil que escolhemos relaxar no segundo.
2015 pode ser resumido assim: problemas com o preparo físico, com doping, contratação no meio do ano de um treinador inadequado, mais problemas físicos (agora com os velhos D`Alessandro, Alex, Juan, Réver e Anderson, que, aos 27, parece ter 40) e nada de títulos importantes. E assim vamos seguindo o Grêmio. Se eles completarão 15 anos sem eles e debutarão em 2016, nossa criança terá já 5 anos. Mas, incrivelmente, vamos para a última rodada ainda com chances, o que servirá para esconder o fracasso por mais uma semana..
A conclusão a que chego às vésperas da última rodada do campeonato não pode ser mais desalentadora para o futebol brasileiro. Dos 5 melhores classificados, 4 são péssimos, o que explica enorme a distância do Corinthians na primeira colocação. Os times atuais de Atlético-MG, Grêmio, São Paulo e Inter são piadas que deveriam estar na segunda metade da tabela se o Brasileiro tivesse um mínimo de qualidade. Mesmo sem grandes contratações, a base do Inter deveria garantir uma classificação, mas esta também não funciona direito e hoje toma goleadas do pessoal do uma e tá.
Reclamar de arbitragem? Dizer que o pênalti a favor do Flu foi mal marcado? Também acho, mas ora, colorados, deixem essas circunstanciazinhas de lado. Era um jogo fácil que se complicou por nossa incapacidade de manter uma mínima compostura em campo.
Nosso time resume-se aos chutes do emprestado e Vitinho e, olha, nem dá para ver corretamente o que mais serve com tanta desorganização em campo. Dourado e Alisson, certamente. O resto eu não sei.
O volume 4 de um minucioso massacre, segundo alguns
O excelente Vassily Genrikhovich traduziu para o blog PQP Bach o delicioso texto — obviamente ficcional — em que o alemão Michael Stegemann imagina um diálogo entre o compositor Wolfgang Amadeus Mozart e o pianista Glenn Gould, que tão deliberadamente sabotava as obras do primeiro. O texto foi incluído no encarte do relançamento dessas gravações, mais exatamente na Glenn Gould Edition de 1992. O colóquio baseia-se principalmente nas entrevistas concedidas por Gould ao documentarista Bruno Monsaingeon e nos ataques furibundos de alguns críticos (trechos citados entre aspas).
Vassily pede desculpas por eventuais derrapadas na tradução — ele escreveu que a vida é demasiado curta para se aprender alemão –, fazendo votos de que se divirtam com o texto. São igualmente os meus votos.
P.S. — Algumas ilustrações refletem o medo que Vassily tem das pedradas de vocês, meus sete leitores.
COLLOQUIUM OLYMPICUM (FICTUM)
Dois homens numa nuvem. Um deles usa um pulôver, jaqueta de tweed, capa de inverno, cachecol de lã, boina xadrez, óculos aro de tartaruga, luvas sem dedos, calças bufantes e sapatos marrons surrados. Ele toca piano – o Andante grazioso con variazioni da Sonata em Lá maior, K. 331, de Mozart. O outro usa uma peruca com tranças, lenço franzido, casaca de brocados ricamente bordados (com a Ordem do “Cavaleiro da Espora Dourada”), calças até os joelhos, meias de seda e sapatos com fivela. Ele escuta atentamente. O primeiro deles é GLENN GOULD, o outro, WOLFGANG AMADEUS MOZART.
Essa cadeira baixa surpreendeu Wolfgang…
GOULD: (concluindo o movimento) E…?
MOZART: (perplexo) Desculpe-me perguntar-lhe, meu amigo, mas você sempre senta tão abaixo do teclado quanto está a tocar piano?
G: Sempre.
M: E sempre nessa, er, cadeira?
G: Sempre, sim. Meu pai a fez para mim quando eu tinha vinte, vinte e um anos.
M: (cautelosamente) Mas está quebrada…
G: Eu sei. Um acidente. Um agente de aeroporto subiu nela e foi-se através do assento.
M: (sem compreender) Um agente de aeroporto…?
G: Esquece. (rapidamente e com desconforto evidente) E antes que você pergunte, eu sempre cantarolo junto com a música quando estou tocando piano. Para mim isso não é qualquer vantagem, é apenas algo inevitável que sempre me acompanhou, eu nunca consegui me livrar disso. Desculpe.
M: Não precisa se desculpar. Não me incomodou, em particular. Não isso, de qualquer maneira…
G: O quê, então?
M: (evasivamente) O instrumento que você usa soa estranho… Não é um dos fortepianos de Streicher, é?
G: É um Steinway, número de série CD 318.
M: (sem muita convicção) Aha.
G: Então, o quê, exatamente, incomodou você?
M: (hesitantemente) Bem, como deveria colocar-lhe… foi… Quero dizer, você…
G: … toquei muito devagar?
O que ninguém discute em Gould é seu talento e habilidade extremos ao piano, o bom humor, a inteligência e a irreverência
M: Bem, eu escrevi “Adagio” sobre a quinta variação, e você a tocou como “Allegro”.
G: Você quer dizer, rápido demais?
M: … enquanto o tema do Andante grazioso soou mais como um Largo, tocado por você. (quietamente) Eu quase não o reconheci.
G: (gargalhando) Você não foi o primeiro! Havia pessoas (e espero que elas ainda existam) que descreveram minha gravação como “a mais repugnante jamais feita”.
M: (sem entender) Gravação…?
G: (benevolamente) Escute, Sr. Mozart, desde que você morreu, um monte de coisas aconteceu, sobre as quais você sequer poderia imaginar. Mas, em termos de nossa conversa, eu não acho que elas sejam importantes e sugiro que as esqueçamos. Por ora, agradeceria se nos mantivéssemos no assunto; quando terminarmos, terei a maior felicidade em falar-lhe de aeroportos, gravações e por aí vai, OK?
M: “OK”, como diz você – seja lá o que signifique.
G: Beleza. Você me falava que achou a quinta variação muito rápida e o tema muito lento, correto?
M: Entre outras coisas. Mesmo com a maior boa vontade do mundo eu não sei por que você…
G: (mantendo-se em seu raciocínio) Veja bem, “de acordo com o esquema que empreguei, a penúltima variação só perde em velocidade para o finale do movimento”
M: (algo perturbado) O esquema que você empregou. Mas, sério, meu amigo, e o meu esquema?
G: (recusando-se a abandonar seu raciocínio) “A ideia por trás da interpretação era, já que o segundo movimento é mais um noturno-com-minueto do que um movimento lento” – você não negará isso – “e já que o pacote é finalizado com aquela curiosa porção de exotismo à moda serralho, estamos lidando com uma estrutura incomum, e virtualmente todas as convenções de sonata-allegro podem ser deixadas de lado”
M: Sério? (sarcasticamente) Bem, muito obrigado por explicar minha própria sonata para mim!
G: (algo constrangido) “Eu admito que minha realização do primeiro movimento [da Sonata K. 331] é algo idiossincrática”
M: (acidamente) Não me diga. (depois de uma curta pausa) O que meu tema fez para merecer esse tratamento?
G: (protestando cautelosamente) É um tema banal!
M: Certamente não do modo em que você o tocou!
G: Exatamente. Queria que as pessoas o escutassem e o experimentassem de um modo completamente diferente, entende? “Eu queria submetê-lo a um tipo de escrutínio em que seus elementos básicos fossem isolados uns dos outros, e a continuidade do tema, deliberadamente corroída”
M: E quando você transpõe as defesas – bum! – você explode tudo pelos ares, ahn?
G: Não, muito pelo contrário. “A ideia era que cada variação sucessiva contribuísse para a restauração daquela continuidade e, absorta nesta tarefa, fosse menos visível como um elemento ornamental, decorativo”
M: (estupefato) Como o quê? Como um “elemento decorativo”?
G: Como um “elemento ornamental, decorativo”. “Parece-me que você simplificou as coisas abusando das figurações; tem-se a impressão de que é tudo puramente arbitrário – um deleite puramente tátil que qualquer outra fórmula poderia igualmente prover”. Nada há de atraente nisso, você entende? Isso sem falar da completa ausência de qualquer interesse contrapontístico. Puro hedonismo teatral, se é que você me entende. (após uma breve pausa) Bem, diga algo.
M: Com toda honestidade, estou sem palavras. Ao ouvir você falar desse jeito, qualquer um pensaria que você não gosta de minha música…
G: (rapidamente e com veemência) Não, de modo algum! Que faz você dizer isso? Sua primeira sinfonia, por exemplo, é uma joia absoluta! Eu mesmo a regi certa vez, em 1959, no Festival de Vancouver. Ou que tal suas seis primeiras sonatas para piano? “Elas têm aquelas ‘virtudes barrocas’ – uma pureza de condução de vozes e cálculo de registro – que nunca foram igualadas em suas obras mais tardias e que as fazem as melhores da série. E ainda que ‘quando mais curta, melhor’ geralmente represente minha postura em relação a sua música, tenho que dizer que sua Sonata em Ré maior, K. 284, que é provavelmente a mais longa delas, é minha favorita”.
M: (desanimadamente) Não sei se devo me alegrar ou não…
G: (confidentemente) Sabe, Sr. Mozart, “você deveria ter congelado seu estilo quando deixou Salzburgo; se tivesse se contentado em não alterar sua linguagem musical nas trezentas e tantas obras que escreveria depois, eu estaria perfeitamente contente”.
M: (pensativamente) Você acha que Viena – como devo dizer? – corrompeu meu estilo?
G: Temo que sim, claro. “Quando gerações de ouvintes acham apropriado atribuir-lhe termos como ‘leveza’, ‘facilidade’, ‘frivolidade’, ‘galanteria’, ‘espontaneidade’, convém-nos ao menos refletir acerca dos motivos para tais atribuições – que não são necessariamente nascidas de desapreço ou de caridade”.
M: (incredulamente) Em outras palavras, nada de “Don Giovanni” e nada de “A Flauta Mágica”?
G: Não!
M: Nenhuma das minhas últimas sinfonias?
G: Enfaticamente não!
M: E presumo que nenhuma de minhas últimas sonatas, também?
G: Essas, muito menos! “Eu as acho insuportáveis” – perdoe-me dizer isso. Elas são “repletas de presunção quase teatral, e posso seguramente afirmar que, ao gravar uma peça como a Sonata em Si bemol maior, K. 570, eu o fiz sem qualquer convicção. (à parte) O mais honesto a se fazer teria sido pular essas obras, mas o ciclo tinha que ser concluído”.
M: (quietamente) E tudo que eu teria escrito se eu não tivesse…
G: (furiosamente, quase abrupto) Que disparate! Imaginemos que você… bem, digamos que você tivesse chegado aos setenta anos; você teria então morrido em 1826, um ano antes de Beethoven e dois anos antes de Schubert, pelo que, se eu pudesse extrapolar seu estilo posterior com base nas suas trezentas últimas obras, você acabaria um compositor entre Weber e Spohr. É uma especulação tão absurda quanto seria imaginar o que eu acabaria por gravar se eu não tivesse morrido aos cinquenta anos (amargamente) Deixe-me dizer uma coisa, Sr. Mozart: eu não teria gravado nada – nada mais! Aliás, eu já planejava abandonar o piano quando completasse cinquenta anos…
M: Se eu o compreendi bem, eu morri tarde demais, em vez de muito cedo…
G: Correndo o risco de exagerar: sim.
M: (friamente) Não preciso lhe dizer que, ao manter esse ponto de vista, você está numa minoria de… uma pessoa. Ainda que eu não me inclua entre eles (e tenho certeza de que você entenderá que, por motivos puramente pessoais, não compartilho seu ponto de vista), poderia, com toda modéstia, apontar-lhe milhares, mesmo centenas de milhares de amantes da música que…
G: Mesmo que fossem milhões, não fariam diferença. “Ainda criança, eu não conseguia entender como meus professores, e outros adultos presumivelmente sãos, contavam as suas obras entre os grandes tesouros musicais do homem ocidental. […] Acho que eu tinha em torno de treze anos quando finalmente percebi que o mundo inteiro não via as coisas como eu via. Já que jamais me teria ocorrido, por exemplo,que alguém poderia não compartilhar meu entusiasmo por um céu cinza e nublado, foi então um verdadeiro choque descobrir que havia de fato pessoas que preferiam o ensolarado. Poderia acrescentar que isso continua a ser um mistério para mim, mas essa é outra história.
M: (com pena) Acho que começo a entendê-lo, meu pobre amigo. Escute, há um médico aqui que certamente poderia curá-lo de seu entusiasmo por céus cinzas e nublados. Ele se chama Dr. Freud…
G: (às gargalhadas) Não, obrigado – recusei-me a permitir que qualquer de seus colegas se aproximasse de mim enquanto vivia. Em todo caso, minha preferência por certos fenômenos meteorológicos em particular não está de qualquer maneira conectado com minha crítica a certas inconsistências composicionais em sua música. Tome, por exemplo, o Finale Allegro grazioso de sua Sonata em Si bemol maior, K. 333, ou, para ser mais preciso, a cadenza logo antes do final do movimento. “Para mim, essa página vale o preço do ingresso”.
M: (lisonjeado) Sério?
G: (incensado) Mas como lhe deu na telha a ideia insana de escrever “Cadenza a tempo” sobre ela? “É uma cadenza, não importa o que você diga, e eu simplesmente não posso imaginar como você esperaria que alguém passasse da tônica menor (Si bemol menor) para a submediante (Sol bemol maior) sem reduzir a marcha.
M: Parece-me que, pelo que você diz, você aborda minha música pura e simplesmente dum ponto de vista harmônico.
G: Uma vez que – como já disse – ela é incapaz de despertar o menos interesse contrapontístico…
M: E que tal sua forma?
G: (desdenhosamente) Oh, você sabe, “a forma básica da sonata não me interessa lá muito – a questão de temas tônicos vigorosos e masculinos e temas dominantes femininos e delicados parece-me infestado de clichês, isso para não dizer racista. Além do que, você sabe, muitas vezes sucede o contrário – segundos temas agressivos e masculinos, e aí por diante. Quanto à sua Sonata em Si bemol maior, que mencionamos há um instante, reflita sobre a não-integração entre o primeiro e o segundo temas do seu primeiro movimento, os quais, até onde posso perceber, poderiam ser tocados em ordem reversa e ainda assim prover um contraste perfeitamente satisfatório”.
M: Bem, é certamente uma ideia interessante… e talvez nem um pouco excêntrica, ademais…
G: (exultante) Você vê! (subitamente sério) “Mas o que eu não entendo é por que você ignorou tantas oportunidades canônicas óbvias para a mão esquerda!”
G: Exatamente. Aqui está, por exemplo, o Allegro moderato de sua Sonata em Dó maior, K. 330 (ele começa o movimento com o mesmo andamento frenético de sua gravação de 1970, incluída na postagem)
M: (horrorizado) Pare – é insuportável! “Rápido demais. Tocar assim ou cagar, para mim, é a mesma coisa!”
M: Melhor, sim. Mas as indicações dinâmicas – o contraste entre forte e piano, ossforzandi…
G: “Culpado, meritíssimo!”. Eu nunca toco sforzandi, “já que eles representam um elemento de quase-teatralidade pelo qual minha alma puritana tem vigorosa objeção”.
M: (cautelosamente) Mas o que dizem os críticos? Quero dizer, acerca dos sforzandi que faltam e o resto…
G: (com uma gargalhada) Oh, os críticos! Deveria ler-lhe o que um desses cavalheiros escreveu sobre minha interpretação para sua Sonata em Lá maior? “É muito difícil captar o que Gould tenta provar, a não ser que o boato de que ele realmente odeia essa música seja verdadeiro. Andamentos são dolorosamente lentos, a articulação picotada e destacada viola a estrutura frasal (e muitas das indicações específicas de Mozart) […] isso tudo evoca a imagem de um moleque tremendamente precoce mas muito sacana tentando aprontar uma para seu professor de piano”.
M: (inseguro de si mesmo) E você, er, realmente odeia essa música… minha música?
G: (sinceramente) Não, Sr. Mozart. É verdade que eu a ouço, entendo e interpreto diferentemente da maior parte das pessoas, e sem dúvidas diferentemente de você, “e tenho certeza de que frequentemente você não aprovaria o que eu faço com sua música. No entanto, mesmo que seja cego, o intérprete tem que estar convicto de que está fazendo a coisa certa e que ele pode achar maneiras de interpretá-la das quais nem o próprio compositor estaria ciente”.
M: Poderia pedir-lhe para tocar-me uma de suas interpretações que você acha que eu aprovaria?
G: Que tal o Alla turca de sua Sonata em Lá maior?
M: (nervosamente) Er…
G: (com uma gargalhada) Não se preocupe, não o tornarei um Presto, quanto menos um Prestissimo. Muito pelo contrário: vou tocá-lo como um Allegretto, como você mesmo indicou (e como, acrescento, ele é raramente ouvido).
M: (com dúvidas) E também com os contrastes entre piano e forte?
G: Esses, também! (com uma gargalhada) Ainda mais porque não há sforzandi neste movimento!
M: Nota por nota, então, como eu o escrevi?
G: Nota por nota – exceto por alguns pequenos arpejos na coda, que dá ao movimento seu toque “turco”.
Por pura curiosidade (ou necessidade interna), eu, que gosto de ler só ficção ou ensaios sobre ficção, comecei a ler livros e publicações sobre dois outros assuntos: psicopatia e assédio moral. Procurei tanto livros quanto publicações esparsas na internet. Bem, psicopatia é uma coisa e assédio moral é outra. As duas coisas normalmente não estão misturadas e não sou vítima em nenhum dos casos, apenas observo coisas. É claro que eu li textos para não especialistas, mas escritos por gente que trabalha com isso. A coisa virou mania e eu pensava a cada manhã: hoje é assédio ou psicopatia?
Hoje vou de assédio.
A discussão sobre assédio moral está chegando com força no âmbito do serviço público e há de se espraiar. O assédio moral é uma coisa que se naturaliza e permanece. É uma forma de violência continuada que consiste na exposição da pessoa a situações constrangedoras e humilhantes, praticadas por uma ou mais pessoas. O comportamento do assediador tem o objetivo de deixar rente ao chão a auto-estima da vítima. Pouco ou nada do que ela faz presta. Ela é ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada, amedrontada, punida, ofendida ou desestabilizada emocionalmente. Sua saúde física e psicológica é colocada em risco, além de ver afetado, é claro, seu desempenho. Por iniciativa do chefe ou de um grupo, normalmente o ambiente se torna um “todos contra um” e o empregador ou seu representante costuma reforçar a pressão com uma bela lógica: Veja bem, se todos estão contra ti, quem está errado?
Obviamente, a vítima fica na dúvida se o problema não será ela. Será que eu atraio este tipo de coisa? Ou será que tudo não é paranoia minha e o que está acontecendo é normal?
O assédio por parte da chefia pode assumir a forma de gritos e humilhações públicas, enquanto que o do grupo aposta mais na propagação de boatos, isolamento, recusa de comunicações, fofocas e exclusão social. O processo é repetitivo e prolongado, minando resistências.
O objetivo é o de pressionar tanto que o assediado acaba por pedir demissão. Muitas vezes o coitado acaba por ser transferido. Porém, no serviço público, do qual não vai se demitir por ter estabilidade e uma melhor aposentadoria, a vítima costuma cair na passividade, ilhada em condições de humilhação e constrangimento. E sofre psicologicamente, muitas vezes deprimindo-se e adoecendo. Então, seus atestados médicos geram desconfiança e… maior assédio.
Às vezes, a própria organização incentiva ou tolera tais ocorrências por achar que vão aumentar a competitividade e produtividade, sendo sinal do tesão do grupo. Em organizações mais avançadas, são motivo de demissão por justa causa.
O assédio nem sempre é intencional. As práticas podem ocorrem com os agressores ignorando que os abusos são uma forma de violência psicológica. Isso não retira a gravidade do assédio moral e dos danos causados às pessoas, que devem procurar ajuda psicológica e/ou jurídica para fazer cessar o problema.
As vítimas de assédio moral não são necessariamente pessoas frágeis ou que apresentem qualquer transtorno. Muitas vezes elas têm características percebidas pelo agressor como ameaçadoras. Uma melhor formação causa inveja. A capacidade crítica também é ameaça — caso tipico: suas sugestões para melhorias no trabalho são primeiro rejeitadas como piadas e depois adotadas como ideias de outrem ou do grupo. As mulheres mais criativas estão dentre os alvos preferidos. Se forem negras ou estrangeiras, pior. Claro, as vítimas habitualmente são de grupos já discriminados na rua: mulheres, homossexuais, pessoas com deficiências, idosos, minorias étnicas.
Mas, como desgraça pouca é bobagem, criatividade e informação costumam estar presentes no perfil da pessoa que reage ao autoritarismo. E o grupo costuma tratar disso.
Abaixo, deixo pra vocês a definição de assédio moral retirada de uma cartilha preparada pela ANDES/UFRGS. “Segundo constatação dos estudiosos do tema, há um perfil das vítimas muito marcante: são pessoas que resistem às investidas dos chefes, trabalham mesmo doentes, são capazes e criativas, e em sua maioria mulheres”:
“Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, frequentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ‘pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vítima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ‘perdendo’ sua autoestima”.
O documentário abaixo, A dor (in)visível – Assédio Moral no Trabalho, é uma produção do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) – Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Caxias do Sul; do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) em Caxias do Sul; e do Governo Federal.
Anderson e Ramiro: o Grêmio correu atrás, sem alcançar | Foto: Ricardo Duarte
Houve um lance que resumiu perfeitamente o Gre-Nal de ontem. Estávamos no primeiro tempo e o bom Artur foi bater um lateral ao lado da área gremista. De forma incompreensível, ele mandou a bola próximo à linha de fundo, bem onde estavam Galhardo e Geromel. Encantados, vendo o presente viajar pelo alto, os dois se confundiram e cederam o escanteio.
A vitória colorada foi normal, tivemos maior volume de jogo, mais chances de gol — veja os melhores lances abaixo — e mais interesse na partida. Iniciamos o jogo com o time bem posicionado e até atuando bem. As ausências de Juan e Réver obrigaram Argel a realizar uma coisa que ele evitava fazer: colocar um lateral esquerdo na lateral esquerda. Com Ernando no meio, a zaga melhorou; com Artur na lateral tivemos boa marcação — Luan e Giuliano foram anulados — e algum apoio no ataque.
Ainda acho que Dourado — o melhor em campo — deve jogar mais atrás, apesar da boa atuação jogada que ele criou para o gol de Vitinho. Sobre outros jogadores, diria que D`Alessandro cansou muito cedo, que Lisandro foi incansável na marcação aos zagueiros do Grêmio e que, bem, prefiro ver nosso centroavante jogando com a bola nos pés, coisa que Lisandro parece evitar. De resto, Vitinho é um doido que faz jogadas que ninguém entende para depois marcar gol e William é um sequelado sem remédio.
Argel colocou o time certinho em campo, mas, logo após o gol de Vitinho, fez a bobagem de sempre. Anderson — outro que jogou muito bem — pediu para sair e, em vez de colocar Alisson Farias em campo, Argel colocou o volante Bertotto. Tal opção foi o convite para o Grêmio vir ao nosso campo. Este foi um erro tático que poderia ter-nos custado a vitória. Só que o Grêmio… Como é que estão em terceiro lugar no campeonato?
O site de estatísticas Infobola nos dá 33% de chances de ir à Libertadores. O percentaul só cresce, ms acho que ficaremos só com o Gaúcho, vendo o Grêmio ser eliminado rapidamente no torneio continental.
P.S. — Como é que Grohe, um goleiro de seleção, não sabe jogar com os pés? Todas as bolas recuadas para ele, mesmo as mais simples, acabaram como lateral para o Inter.
P.P.S. — Segundo Alexandre Perin: dos últimos quinze gre-nais, o Inter perdeu dois. Nenhum no Beira Rio. Sete vitórias do Inter, seis empates, duas vitórias do Grêmio.
P.P.P.S. — Com o Gre-Nal de ontem, ficamos assim:
408 clássicos
154 vitórias do Inter
127 vitórias do Grêmio
127 empates
O Inter joga um bolão, declarou Muhamad Said al-Sahaf
Por Marco Weissheimer (em RS Urgente intervenção no futebol)
As entrevistas do treinador do Internacional, Argel Fucks, vêm impactando a comunidade futebolística gaúcha, em especial a colorada, pela insólita leitura que o comandante faz dos jogos. O insólito consiste em relatar um jogo que só ele parece ter visto. Na verdade, a estratégia midiática de Argel tem precedentes históricos. Ela remete às antológicas entrevistas de Muhamad Said al-Sahaf, ministro de Informação iraquiano, durante o governo de Saddam Hussein, que espantava o mundo com seus briefings diários à imprensa, totalmente desconectados da realidade. Said al-Sahaf elevou esse estilo de entrevistas à categoria de arte. Entre outras coisas, ele chegou a desmentir que as tropas norte-americanas tivessem entrado em Bagdá, enquanto os tanques do Tio Sam passavam atrás do prédio onde ele dava sua coletiva.
D`Alessandro queria ser expulso, mas vai ter que jogar o Gre-Nal | Foto: Ricardo Duarte
Presidente, Argel é o treinador do Vamo lá, moçada! Os jogadores correm, se matam, mas sem a mínima organização. Se o adversário tiver 2g de cérebro verá que nossa correria não leva a nada. E o pior é que, quando o time é permanece 10 dias apenas treinando, volta jogando menos, prova de que os treinamentos de Argel são tão úteis quanto eu me preparar para as Olimpíadas agora, com 58 anos, disputando uma vaga no time de basquete, com meus 1,70m.
Um amigo ontem me ligou assustado dizendo para eu ligar o rádio porque o Argel estava surtando nos microfones. Naquela loucura mansa de quem está num nirvana particular, Argel disse que tivemos 55% de posse de bola, quatro chances de gol (?), 290 passes certos e o controle do jogo (?). Completou, para meu pasmo, lembrando que Abel tomara 5 da Chapecoense no ano passado, que dava gosto ver D`Alessandro e Anderson correrem e que nada estava perdido. Ou seja, ele vive numa realidade paralela.
Eu… comecei a rir.
É com esse espírito que devemos encarar o Gre-Nal. Não adianta entrar em brigas nem levar a sério o time de Argel. | Foto: Ricardo Duarte
No segundo tempo, D`Alessandro, impotente, estava louco para ser expulso como já acontecera com Juan. Olha, na posição dele, eu também estaria atrás de um cartão vermelho. Com sua biografia, para que jogar um Gre-Nal sem chances?
Os erros de Argel começaram no vestiário com a inclusão de Lisandro López na posição de Valdívia. Lisandro é a maior decepção de 2015. O lugar de Valdívia deveria ser ocupado por um jogador da função: Alisson Farias, é óbvio. Mas teu técnico escolheu inventar, Piffero. E não foi só isso: como disse meu amigo Marcelo Furlan, Argel queimou duas substituições para fazer uma. Muito mais simples seria colocar Arthur no lugar do Lisandro Lopes após a expulsão de Juan. E por que deslocar Rodrigo Dourado para colocar a ruindade do Nico Freitas que será dispensado? Aliás, para que colocar um jogador que SABE que será dispensado (Nico) e outro que DESEJA sair (Lisandro)? Qual é a motivação desses caras? E qual é a motivação de Alisson Farias e de Bertotto, os dois jovens ex-juniores que ficaram no banco vendo esses desmotivados jogarem?
Nosso time é motivo de chacota e com toda a razão. O twitter oficial da Chapecoense saiu-se com essa:
– A Chape sempre trata bem seus adversários. D’Alessandro ganhou cartão, chapéu e caneta.
E foi a pura verdade. Mas Dale não ganhou o desejado segundo cartão, aquele que o livraria do fiasco de domingo.
Espero que o Grêmio acabe com a longa agonia de 2015. Mas sem goleada, por favor.
Raul Lemesoff, um artista de Buenos Aires, criou um tanque de guerra cuja função é o de ser uma Arma de instrução maciça. Com ela, Lemesoff combater a ignorância.
Lemesoff converteu um Ford Falcon 1979 em um tanque com torre giratória e espaço para armazenar cerca de 900 livros — dentro e fora do veículo.
Um vídeo realizado sobre o projeto mostra o artista dirigindo pelas ruas de Buenos Aires, entregando livros. Sua única exigência é a de que eles prometam ler o que ganharam. E ele diz: “Minhas missões são muito perigosas. Eu ataco as pessoas”.
Começaram as audições para o cargo de kantor na Igreja de St Thomas, em Leipzig, onde, inclusive, estão os restos mortais de Bach. São quatro finalistas de um grupo inicial de 41 candidatos.
Os candidatos são Markus Teutschbein, 44 anos, que atualmente rege em Basileia, Suíça; Clemens Flämig, 39, que dirige o coro da cidade na cidade de Halle, perto de Leipzig; Markus Johannes Langer, 44 anos, regente na cidade alemã de Rostock e Matthias Jung, 51, que manda na Dresden Choir Boys.
Cada um tem uma semana para convencer a banca sobre suas qualidades.
“É uma imensa pressão”, admitiu Stefan Altner, membro do comitê decisório. “Se nós não encontrarmos o candidato certo entre os finalistas, começaremos tudo de novo.”
Não é como contratar um técnico de futebol qualquer.
Assinalou-se na semana passada, quinta-feira, 12, o centenário de Roland Barthes (1915-1980). Obras decisivas como O Grau Zero da Escrita (1953), Elementos de Semiologia (1965), O Prazer do Texto (1973), Fragmentos de um Discurso Amoroso (1977) e o inevitável Mitologias (1957), uma bíblia ilustrada, todos publicados pelas Edições 70, fizeram de Barthes um nome incontornável nos «estudos literários» dos anos setenta e oitenta, ao lado do dos papas do estruturalismo – onde ocupava um dos principais altares, encaminhando-se para transformar os «estudos literários» em «estudos culturais», um caldeirão preparado para facilitar a vida a pregadores com doutoramento e despensa. No mandarinato intelectual da época, o seu trabalho não era o mais ortodoxo. Tinha a seu favor a paixão pela literatura; foi em seu nome que declarou a «morte do autor», que seria um apêndice (menor) da obra; quase nada dele interessaria, justamente na medida em que os meios de comunicação privilegiam o autor (que é uma estrela) em detrimento da obra (que não leram). Fica dele a imagem de uma grande paixão pela literatura (escrevia magnificamente), independente das ortodoxias e inutilidades que a sua obra gerou.
1. Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
(Monty Python and the Holy Grail,
roteiro de Graham Chapman, John Cleese, T. Gilliam, Eric Idle, T. Jones e Michael Palin,
direção de Terry Jones e Terry Gilliam,
1975)
2. Quanto Mais Quente Melhor
(Some Like It Hot,
roteiro de Billy Wilder e I.A.L. Diamond,
direção de Billy Wilder,
1959)
3. Meu Tio
(Mon Oncle,
roteiro e direção de Jacques Tati,
1958)
4. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
(Annie Hall,
roteiro de Woody Allen e Marshall Brickman,
direção de Woody Allen,
1977)
5. O Jovem Frankenstein
(Young Frankenstein,
roteiro de Gene Wilder e Mel Brooks,
direção de Brooks,
1974)
6. A Vida de Brian
(Monty Python’s Life of Brian,
roteiro de Graham Chapman, J. Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, T. Jones e Michael Palin,
direção de Terry Jones,
1979)
7. Um Peixe Chamado Wanda
(A Fish Called Wanda,
roteiro de John Cleese,
direção de Charles Crichton,
1988)
8. M*A*S*H
(M*A*S*H,
roteiro de Richard Hooker e Ring Lardner Jr.,
direção de Robert Altman,
1970)
9. Cliente Morto Não Paga
(Dead Men Don’t Wear Plaid,
roteiro de Steve Martin, Carl Reiner e George W. Gipe,
direção de Carl Reiner,
1982)
10. Feitiço do Tempo
(Groundhog Day,
roteiro de Danny Rubin and Harold Ramis,
direção de Ramis,
1993)
11. Dr. Fantástico
(Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb,
roteiro de Stanley Kubrick, Terry Southern e Peter George,
direção de Kubick,
1964)
… a moça do caixa olhou para o boleto, levantou os olhos e disse:
— Carteirinha vermelha do Inter, um privilégio.
Confirmei as duas afirmativas e ela seguiu:
— Viu o que aconteceu com o valdívia? Seis meses fora, ruptura dos ligamentos do joelho.
— O quê? Não sabia.
— Sim, foi para uma dessas seleções da CBF corrupta e voltou desse estourado.
Feito o pagamento, ela me entregou os comprovantes e declarou:
— O ano realmente acabou. Só nos resta fazer boa figura no Gre-Nal e tentar voltar melhor em 2016.
— É verdade. Boa tarde.
Valdívia se machucou defendendo a Seleção Olímpica Brasileira. Um norte-americano caiu sobre ele numa jogada. Faz anos que estou me lixando para esta Seleção e para a titular também. Como a CBF amenizará o desfalque técnico e financeiro do clube? Simplesmente não fará nada, vai ficar apenas torcendo para que Valdívia esteja recuperado para as Olimpíadas de 2016, em agosto. O Inter e Valdívia trabalharão para ela, que não paga nada ao clube.
Argel perde simplesmente o artilheiro colorado da temporada, com 19 gols. Antes, já perdera, Sasha, que vai para a terceira cirurgia no tornozelo menos de um ano, e o péssimo Rafael Moura. Na metade do ano, vendemos Nilmar pela terceira vez. E Lisandro López vais para o Racing em 2016. Como Vitinho, depende da renovação do empréstimo junto ao CSKA de Moscou, podemos dizer que não temos ataque. Espero que Piffero saiba fazer a mágica de remontá-lo. Nós, sócios, fazemos nosso papel pagando em dia.
Quando Valdívia voltar, espero que Marco Polo Del Nero não seja mais o presidente da CBF. Estamos pelo FBI. Claro que isto não vai melhorar a entidade nem o joelho de nosso jovem jogador de 21 anos, mas é bom ver esses caras caírem.
A tolice das redes sociais neste fim de semana foi tamanha que desisti de ler as postagens. Era gente reclamando da bandeira da França nas fotos de perfil, era gente reclamando de que a lama de Mariana tinha virado nota de rodapé — bem, com nossa imprensa e políticos, o que esperavam? –, era gente que chegava ao ponto de comparar o incêndio na boate Kiss com o massacre do Bataclan.
Pessoalmente, minha solidariedade pessoal vai para Paris, Minas Gerais, África, Japão, Oriente Médio e para as periferias brasileiras. O que houve em Mariana e em Paris têm nome: são ambos crimes e espero que sejam punidos rigorosamente. Essa comparação de tragédias, misturadas com nacionalismo, é muito pouco humanista.
Nestes momentos, o melhor a fazer é ficar quieto e tentar não ler a montanha de gente que resolve dar sua contribuição após passar dias e dias ignorando o que acontece no mundo. Pois é muito irritante ler as “soluções” propostas.
Montagem do site Mural do Coach
A questão de Mariana é gravíssima. Trata-se de um crime ecológico de enormes proporções e de longa duração. A destruição de fauna, flora e solo ao longo da bacia do Rio Doce é algo gigantesco e de consequências incalculáveis. O desastre remete à velha exploração indiscriminada de nossos recursos naturais, com altos custos ambientais e com os principais ganhos indo para o exterior. Mas o governador de Minas deu coletiva em plena sede da empresa causadora da lama… Enquanto isso, a empresa inventava um “abalo sísmico”, mas ele garantiu que esta realizava todos os esforços para minorar o problema.
Se as responsabilidades forem abrandadas e se o descaso reinar, nosso país estará entregue a própria sorte. Uma das analogias para o caso de Mariana é a de dizer que trata-se de um tumor primário do qual começam a se desprenderem células cancerígenas para a corrente sanguínea. O que fazer? Não sei.
Já Paris é o câncer em âmbito mundial. Para o Brasil, Mariana é muito mais importante. Para o mundo, bem, o Estado Islâmico considera-se o agente do Apocalipse, tá bom?
Nestes momentos, todos esquecem que o Ocidente optou por investir no fundamentalismo islâmico, escolhendo-o como “solução” ao nacionalismo árabe. Depois, quando estes grupos passaram a criar problemas, passaram a invadir e bombardear as regiões dominadas por estes grupos. (Quem lucra sempre? Ora, os fabricantes de armas!) Só que esta reação gerou tal ódio que começaram os atentados no Ocidente. Então, pensa o Ocidente, vamos atacá-los ainda mais. E nós, decidem os fundamentalistas, cometeremos ainda mais atentados. Ou seja, é uma questão complexa, não é discussão para ignorantes como eu. É o momento de ler quem entenda do assunto e seja minimamente honesto.
O autoproclamado Estado Islâmico não é um simples grupo de psicopatas. É um grupo religioso com crenças que acho perfeitamente imbecis, mas que são cuidadosamente pensadas, entre elas a de que o grupo será o agente do apocalipse que se aproxima. Querem saber mais? Comecem por aqui. Sim, é complicado.
O ISIS é diferente dos grupos anteriores. Não estamos mais no campo do bando de xaropes que vende religião, nem no do grupo dos que quer matar os infiéis. Eles são um grupo que se visa acabar com tudo, inclusive e principalmente com a história. E… São 30 mil caras que controlam um território maior que o da Inglaterra e que têm dinheiro para recrutar pessoas. E… É dinheiro ocidental. Afinal, nações aliadas aos Estados Unidos estavam financiando os rebeldes sírios que lutavam contra a ditadura de Bashar Al Assad. O que fazer? Não sei.
Filme que comemora os 125 anos do Carnegie Hall. Foram convidadas 40 crianças para assistirem seu primeiro concerto: “Do you always play together as a band?”.
A risada histérica ao final, que parece se autoelogiar pela estupidez absoluta, é uma das coisas mais apavorantes que eu já vi na vida. Aqui, o contraste com a elegância de Stephen Fry destaca — como caricatura bizarra — a ideologia desprezível desse homem público que em plena era da informação e da tecnologia ainda tem seguidores fiéis e fanáticos, mas a gente vê isso toda hora por aí, em menor escala… pratica-se toda sorte de humilhação contra o outro, depois soca “kkkkkkk” na frente que tá tudo certo, né? NÃO TÁ NÃO.
Não existe homofobia no Brasil
Não existe racismo no Brasil
Não existe abismo social no Brasil
Não existe perseguição religiosa no Brasil…
Eu ainda digo que os que apoiam esse cara são assassinos em potencial…
O escritor cubano Leonardo Padura, 60 anos, conhecido autor de livros como O homem que amava os cachorros e da série de romances policiais com o detetive Mario Conde, esteve em Canoas neste final de semana a fim de participar da Feira do Livro da cidade. Grande estrela do evento, ele conversou tranquilamente conosco no hotel onde estava hospedado. Claro que há Cuba, mas o grande assunto ainda é O homem que amava os cachorros.
O relato do exílio e assassinato de Trótski, o percurso de seu algoz Ramón Mercader até o encontro entre ambos, é uma extraordinária história que mostra o que foi boa parte do século XX. É um narrativa de perversão e morte — de seres humanos e de utopias –, que vai desde a Revolução de 1917 até a Guerra Fria. Raras histórias são tão amplas temporal e fisicamente. Tendo nas mãos este tema grandioso e ainda quente, Padura respondeu com um romance extraordinário.
O homem que amava os cachorros é uma espécie de acertos de contas de uma geração. O livro toca em aspectos dolorosos de vários países comunistas, dentre eles Cuba.
Mas passemos à entrevista:
“Eu vivo em Havana, mas não somente em Havana. É mais do que isso. Eu vivo na mesma casa onde nasci” | Foto: Roberta Fofonka / Sul21
Sul21 – Antes de conversarmos sobre Cuba e o romance O homem que amava os cachorros, gostaria que tu falasses sobre o projeto literário que envolve o detetive Mario Conde e das tuas influências na área da literatura policial. Aliás, lá também há muitas referências ao ambiente social cubano e de Havana.
Padura – Eu escrevi o primeiro desses romances em 1989-90. A publicação ocorreu em 1991. O primeiro chama-se Passado Perfeito. Eu tinha 35 anos pouca ideia do que pretendia. Só sabia que desejava escrever romances policiais que seriam, sobretudo, romances sociais. O gênero é perfeito para comentar a sociedade cubana contemporânea, então eu escrevi uma série de quatro romances, que são anteriores a A Neblina do Passado. Todos esses quatro romances têm suas ações no ano de 1989. Mario Conde é um policial, um investigador da polícia, e os quatro romances ocorrem um em cada uma das quatro estações deste ano, tendo por tema diferentes aspectos da sociedade cubana e da cidade de Havana. A corrupção, o tráfico de influência, a repressão aos homossexuais e aos intelectuais nos anos 30 e o abuso de poder. Enfim, são romances que tinham uma missão social muito diferente do gênero policial praticado anteriormente em Cuba, que era muito oficial, no sentido de que eram propaganda do sistema. São livros parecidos com o que faz Rubem Fonseca aqui no Brasil.
Sul21 – Tu nasceste em Havana e tens um grande amor pela cidade. Ainda moras lá?
Padura – Sim, eu vivo em Havana, mas não somente em Havana. É mais do que isso. Eu vivo na mesma casa onde nasci, em um bairro da periferia da cidade. É um bairro comum, onde nasceu meu pai e meus avós. Sinto que pertenço àquele lugar. Essa é uma das razões que me fez decidir continuar morando em Cuba e em Havana. É uma relação de amor, claro, mas de um amor doloroso, porque eu e a cidade estamos nos deteriorando, ainda que ela siga sendo mágica.
Há uma esquerda romântica que vê Cuba como paraíso socialista e há uma direita muito agressiva, que nos vê como um inferno comunista. E Cuba não é uma coisa nem outra. Parece mais o purgatório”
Sul21 – No Brasil, a imprensa de direita criou a imagem de uma Cuba ditatorial, fechada, cheia de presos políticos e artistas censurados. Nos teus livros, tu falas livre e criticamente tanto do período Batista, do período revolucionário e do período pós-89. Onde está a censura?
Padura – Eu já disse outras vezes, há uma esquerda romântica que vê Cuba como paraíso socialista e há uma direita muito agressiva, que nos vê como um inferno comunista. E Cuba não é uma coisa nem outra. Parece mais o purgatório. Tu leste como sou crítico de muitas coisas e posso te dizer com toda certeza que, por sorte, em Cuba nunca houve os excessos que ocorreram na União Soviética, na Alemanha e nos países do oeste. É uma sociedade que teve e tem, sobretudo, grandes problemas econômicos. A economia não funciona bem e a política está presente na vida das pessoas, mas nunca tivemos grande repressão. Há controle, é uma sociedade muito controlada, de um partido único, em que o estado e o governo são os mesmos. Há controle, repito, mas sem excessos.
Sul21 – Nós podemos dividir a tua obra entre os livros policiais, O Homem e os livros jornalísticos?
Padura – A divisão existe, mas é apenas de gêneros. Eu escrevi relatos breves, romances policiais, contos, romances históricos, ensaios literários e roteiros para cinema. Trabalhei muito como jornalista e vários dos meus livros publicados são de jornalismo. Sempre tentei fazer um jornalismo de vida um pouco mais longa do que o momento que se vive e se publica. Tenho livros sobre jogadores de beisebol, artistas, músicos e todos estão escritos sob o mesmo conceito de explicar contextos e de fazer com que a notícia, a entrevista ou a crônica jornalística durem um pouco mais. Quando escrevo para o jornal, trato de fazê-lo da mesma maneira com que escrevo um livro durante cinco anos como foi o caso de O homem que amava cachorros. Trato de manter sempre a dignidade, o respeito por mim, pelo livro e pelo leitor. É meu trabalho. Sei que o jornal é diferente de um roteiro para o cinema, o qual é diferente de um romance. Mas, mesmo sendo às vezes leve, tenho a mesma postura de responsabilidade. Talvez não tenha sido tua pergunta, mas acabei dizendo que são diferentes trabalhos, mas onde coloco sempre o mesmo esforço.
“Num primeiro momento, preferi escrever a vida de Trótski em primeira pessoa, porque estava cheio de informações, mas me dei conta de que não poderia dominar seu pensamento” | Foto: Roberta Fofonka
Sul21 – Mario Conde é um policial bêbado, desencantado, “que arrasta consigo uma melancolia”. O Iván de O homem que amava os cachorros também é um “fracassado”. Em tua experiência de vida, tens algo em comum com eles?
Padura – Por sorte não! (risadas) Eu sempre tive uma recompensa muito satisfatória com meu trabalho e ganhei coisas que nunca imaginei que podia ter. Em Cuba, fui Prêmio Internacional de Literatura, agora acabo de receber na Espanha o Prêmio Princesa de Asturias de las Letras 2015, que é muito importante e me deixou entre surpreso e encantado. Mas é claro que tenho uma visão de mundo que é expressa na literatura. Faço parte de uma geração desencantada. Uma geração que participou e viveu a revolução e que depois começou a perder coisas, a perder possibilidades de realização e que, em boa parte, foi para o exílio. O tema do exílio é muito importante em meus livros. Como escritor, tento retratar esta experiência coletiva, apesar de que não é, realmente, uma experiência diretamente pessoal.
A edição da Boitempo
Sul21 – Em algum sentido semelhante, Trótski também é um derrotado?
Padura – Trótski é um derrotado distinto, porque até o final foi um homem persistente, um homem que acreditou em seus projetos e ideias. Inclusive, quando estava mais sozinho e derrotado, ele seguia acreditando em seu projeto político. Diferentemente de muitos de meus personagens, era um homem ativo, essencialmente político e que tinha participado não somente como líder de uma revolução como havia sido um de seus grandes dirigentes. Era um filósofo, um pensador e sua derrota é uma derrota humana, mas não filosófica, porque ao final, Trótski converte-se no primeiro crítico do comunismo praticado na União Soviética. O stalinismo perverteu o marxismo e Trótski faz a primeira grande crítica do fato.
Sul21 – Há duas narrativas principais que correm paralelamente em O Homem que amava os cachorros. A de Ramón Mercader e a de Trótski. Isso se alonga por mais de 400 páginas até o encontro dos dois. O lado de Trótski é quase jornalístico, porque a vida dele está documentadíssima, todo mundo pode conhecer cada um de seus passos, enquanto que o outro é exatamente o contrário. Mercader não era, obviamente, uma figura pública, sabe-se pouco sobre ele. Creio que este seja o grande desafio que tiveste ao escrever o romance.
Padura – Exatamente. Sabe-se de cada passo de Trótski. Eu começo a história de Trótski onde termina sua autobiografia. Ela termina em 1929, que é quando eu começo o romance. Mas a vida dele está documentada praticamente dia a dia. Nós, jornalistas e biógrafos, documentamos tudo. Já com Mercader ocorria justamente o contrário. Conheciam-se fatos de sua vida anterior a 1940, sabia-se que tinha entrado para a história do século 20 no dia em que tinha matado Trótski, que tinha ficado 20 anos na prisão e que depois praticamente desapareceu em Moscou. É um personagem sem história, mas que está dentro de minha história. O equilíbrio entre os dois personagens era muito difícil de alcançar. Num primeiro momento, preferi escrever a vida de Trótski em primeira pessoa, porque estava cheio de informações, mas me dei conta de que não poderia dominar seu pensamento – era um homem de outra cultura, de outra época e tinha outra forma de entender a vida. Então, optei por tomar uma certa distância. No entanto, com Mercader, tratei de entrar mais dentro dele, porque havia pouca informação e mais espaço para a literatura, para a ficção. Acaba de sair, na Espanha, a primeira biografia de Mercader, com 700 páginas. Porém, quando escrevi meu romance, só tinha um livro pequeno escrito pelo irmão de Ramón, um livro muito favorável a ele. Tudo o que encontrei de informações foi em lugares muito dispersos e com muita dificuldade. Algumas pessoas que poderiam me dar informações não quiseram falar. Ainda hoje, nem todos querem falar de Mercader.
” Não havia informação sobre Trótski em Cuba. Ele praticamente não existia”
Sul21 – Ramón Mercader tinha mesmo aqueles cachorros?
Padura – Sim! Esta parte é tão verdadeira que te convido que procure no youtube um filme cubano chamado Los sobrivivientes, do diretor Tomás Gutiérrez Alea, que você conhece, como conversamos antes. A primeira parte do filme é a história de uma família da grande burguesia cubana. Quando Fidel chegou ao poder, eles decidem se fechar em casa, esperando que a revolução passe. Neste primeiro momento, em todo o esplendor da família burguesa, os cachorros que lá aparecem são os de Ramón Mercader. Gutiérrez Alea utilizou-os porque eram os cachorros mais bonitos que havia em Havana. Então, os dois borsóis russos de Mercader não apenas existiram como podemos vê-los.
Aos 9:15, por exemplo, os cães de Mercader
Sul21 – Em seu exílio, Trótski viajou muito: Cazaquistão, Turquia, França, Escandinávia, México… Tu visitaste todos esses lugares?
Padura – Quase todos. Foi muito trabalhoso escrever o romance. Foram cinco anos de trabalho e alguns desencontros. Viajei a vários lugares onde ele viveu, compus vários cenários de acordo com o que vi, mas não consegui conhecer todos. A casa de Trótski no México era um cenário fundamental e eu não pude conhecê-la. A altitude mexicana me afeta sobremaneira, minha saúde não permite que eu vá até lá, mas consegui fotografias de cada detalhe. Remontei a casa através de fotos. Muito importante foi visitar Moscou, não a Moscou de Trótski, mas a de Ramón Mercader. A Moscou onde ele viveu nos anos 60 e 70, antes de ir para Cuba.
“Stalin era um homem doente que perverteu a ideia utópica do comunismo” |
Sul21 – Trótski era uma figura desconhecida em Cuba, certo?
Padura – Não havia informação sobre ele no país. Ele praticamente não existia. As únicas informações que poderiam ser encontradas na biblioteca da universidade, eram apenas dois livros moscovitas escritos em espanhol: um se chamava El traidor e outro Trotsky: El falso profeta. Tinham a visão soviética, claro. Portanto, este foi um dos elementos que despertou minha curiosidade: como é possível que este homem, que era um demônio e havia sido um dos lideres da revolução, como é possível que tantas pessoas brilhantes estivessem ao redor dele e nada dissessem a seu respeito?
Sul21 – Ele não era fácil…
Padura – Trotski tinha um caráter muito difícil e no final terminava brigando com todo mundo. Ele era muito fundamentalista, mas muito inteligente. Trótski era muito superior a Stálin, do ponto de vista intelectual.
Sul21 – E chegamos a Stálin. Mercader e Trotski, no livro, parecem marionetes controladas por um ser muito mau, descontrolado e perigoso.
Padura – Stálin não aparece como personagem, mas é quem decide praticamente tudo o que ocorre. É uma figura antagônica. Como sabes, Stalin foi, durante quarenta anos, um deus na União Soviética. E, depois, foram aparecendo estudos e se descobriu que ele era profundamente doente. Era um homem que podia ter um nível de crueldade inimaginável, mesmo para com uma pessoa próxima. Era de um sadismo tremendo e fez o pior: perverteu a grande ideia utópica do comunismo. Para qualquer pessoa boa, o ideal comunista pode parecer bom – todos vamos ter os mesmos direitos, as mesmas possibilidades, vai haver grande liberdade, grande democracia, etc. Mas o que Stalin praticou na União Soviética fugia totalmente a este ideal.
Sul21 – Tu vives da literatura atualmente?
Padura – Por sorte, sou um desses escritores que podem viver da literatura, ainda que escreva para cinema e para jornais.
“Minha relação econômica com o governo cubano é a de um escritor que recebe direitos e que paga impostos, como qualquer trabalhador independente” |
Sul21 – Como recebes teus direitos autorais vivendo em Cuba? Dás boa parte para o estado? Pretendes pedir asilo político no Brasil? (risadas)
Padura – (risadas) Até 1990, 91, cada vez que um escritor cubano publicava um livro fora do país, tinha que fazê-lo através de uma agência literária do Ministério da Cultura. Ela cobrava os direitos e dava a parte do escritor. Já a partir dos anos 90, foi possível a livre contratação. Eu, no ano de 1995, comecei a publicar através de uma editora espanhola. E, desde então, minha relação econômica com o governo cubano é a de um escritor que recebe direitos e que paga impostos, como qualquer trabalhador independente. Pago pontual e religiosamente meus impostos, mas os direitos são meus e de uma agência da Espanha.
Sul21 — Sei que tu te sentes asfixiado de “tanta Cuba”, mas creio que seja inevitável perguntar sobre a aproximação do país com os Estados Unidos.
Padura – Verdade. Estamos apenas no princípio de um processo — porque ainda não se restabeleceram inteiramente as relações, está ainda em curso uma complicada negociação. Mas a tensão foi quebrada, inclusive Cuba não está mais na lista de patrocinadores do terrorismo. O embargo segue existindo, mas acho que cada vez mais haverá comércio entre os países. Certamente, o governo cubano não vai ceder muitos espaços de maneira imediata. Vai ser uma negociação lenta, mas benéfica. Nos EUA há uma grande população cubana. Alguns são possuidores de grandes fortunas e querem voltar a investir em Cuba. Outros têm muito receio. E há os inimigos absolutos do sistema. Fala-se que a Bacardi , que era inimiga política de Cuba, está agora dizendo: “bem, se as coisas mudaram, gostaríamos de ver nossos negócios em Cuba”. Acho que a reaproximação vai mover a economia cubana, que tem muitos problemas. Em Cuba, temos um povo de bom nível cultural, mas faltam grandes investimentos em infraestrutura e, por exemplo, o Brasil ajudou muito na construção do Porto de Mariel. Este porto e todas as obras turísticas que estão sendo construídas na praia de Varadero são sinais de mudanças. Acabo de estar em Varadero. Lá existe agora um hotel que foi inaugurado há 4 meses com 1200 espaços para iates. Só que em Cuba há 20 iates! Para quem são os 1080 restantes? Eu creio que tudo isso vai mobilizar a economia e a sociedade cubanas. Muitos norte-americanos estão lá com licenças especiais, já que não existe ainda o visto de turista. Também há programas da televisão norte-americana sobre Cuba. Equipes chegam a cada momento e as coisas vão se movendo.
Notícias do Estado Laico do Brasil: a Câmara Municipal de Porto Alegre realizará, nesta sexta-feira (13/11), sessão solene em homenagem ao transcurso dos 20 anos da União dos Militares Evangélicos do Rio Grande do Sul (Umergs). A proposta é de autoria do vereador Waldir Canal (PRB) e foi aprovada em fevereiro passado. A atividade acontecerá no Plenário Otávio Rocha do Palácio Aloísio Filho, sede da Câmara, e terá início às 19 horas.
A Umergs é uma associação civil, de direito privado, sem fins lucrativos e econômicos, com origem no município de Novo Hamburgo. É composta por oficiais e praças da ativa, da reserva ou reformados das Forças Armadas, das polícias militar, civil e federal, e por servidores da Superintendência dos Serviços Penitenciários e da Guarda Municipal.
Criada em 15 de julho de 1995, a entidade teve como primeiro presidente o soldado policial militar Ezequiel Borges Vieira, que a dirigiu até 2004. Hoje a organização está sob o comando de Salomão Pereira Fortes. De acordo com o vereador proponente, a Umergs possui registro de entidade civil com habilitação ao recebimento de auxílio do Estado, sendo sua principal finalidade a assistência social.
A pesquisa mostrou que o catolicismo é a crença com mais adeptos (34,3%). Se forem somados os resultados de ateísmo (19,3%), agnosticismo (6,2%) e fé sem religião (6,7%), totalizam 32,14%, ou seja, quase 1/3 dos representantes. No Nordeste, há mais católicos; no Norte, mais evangélicos; e no Sul e Sudeste os ateus estão mais presentes do que em outras regiões do país.
O Núcleo de Tendências e Pesquisa do Espaço Experiência da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS realizou a 3ª edição do Projeto 18/34, que investigou as ideias e aspirações da Geração Y sobre conceito de família. Conforme o estudo, o jovem possui uma visão mais prática e pragmática sobre as funcionalidades da família, servindo como forma de facilitar a logística da vida. Ainda que tenha tendência mais tolerante com as diferenças, aspira estruturar uma família tradicional, mas menor que a dos seus ascendentes, podendo gerar, no futuro, uma geração de pais mais velhos com poucos filhos. Essas são algumas das conclusões do projeto, que ouviu 1.500 jovens de todo o país entre 18 e 34 anos, proporcionalmente divididos por regiões.
A matéria completa sobre o Projeto pode ser lida aqui, e o relatório sintético do material produzido pelo Núcleo está disponível no link.