Para guardar: os deputados gaúchos que votaram pela libertação do miliciano Daniel Silveira

Para guardar: os deputados gaúchos que votaram pela libertação do miliciano Daniel Silveira

Você, gaúcho, que vota em Bibo Nunes, Danrlei, Jerônimo Goergen, Marcel Van Hattem, Pedro Westphalen, Osmar Terra e outros notórios cretinos e imbecis, é um deles. Leiam bem os nomes dos deputados e dos partidos das duas colunas.

Sobre o lançamento de Haddad como candidato à presidência…

Sobre o lançamento de Haddad como candidato à presidência…

Sobre o lançamento de Haddad como candidato à presidência, digo que todo partido tem direito de apresentar seu candidato, mas não é uma atitude inteligente neste momento.

Creio que a oposição deveria antes pensar em construir uma chapa viável de destronar Bolsonaro. Fazendo como fazem habitualmente, cada partido contribuirá para a fragmentação, a qual pode deixar o segundo turno para duas candidaturas de direita ou, pior, permitir uma tranquila reeleição.

Mas o pessoal não aprende com os erros. Os egos, sabem?

Eu penso numa frente para derrotar Bolsonaro e esta não precisa ser só da esquerda. Hoje, nós não derrotamos ninguém. Hoje, vamos pra segunda divisão. E se achando…

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Gosto de falar daquilo que vivencio ou entendo e sou um mero chutador em política. Deveria falar só de literatura, jornalismo e de música (como ouvinte), só que o mundo está cheio de diletantes.

Não entendo a necessidade de discutir o passado e de projetar os egos para o futuro!

A Frente Ampla fez 50 anos no Uruguai e a Geringonça segue em Portugal. Mas aqui há EGOS ENORMES que são imiscíveis. E seguidores que são imiscíveis. E pessoas que defendem sistemática e sem crítica partidos e pessoas.

É como discutir algo com alguém que responde “Siga-me, eu tenho a solução e sei como devemos agir”.

Quando leio os argumentos para não fazer uma frente, me dá vontade de fugir. Aliás, é o que vou fazer agora.

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Celso Santos Carvalho escreveu e eu assino embaixo e por todos os lados:

Construir uma frente popular começa por: (1) querer; (2) juntar os partidos que se opõem ao fascismo e à direita golpista tucana; (3) elaborar um programa mínimo, que deixe de lado as divergências e concentre-se nos consensos; (4) querer mais ainda; (5) discutir esse programa com a sociedade, movimentos sociais, coletivos periféricos e não só com os lideres partidários; (6) melhorar o programa mínimo; (7) combinar publicamente como os partidos governarão juntos; e (8) só depois de tudo isso escolher a candidata ou candidato, preferencialmente por meio de prévias abertas a todos os eleitores. Começar pelo item 8 é o melhor jeito de dar tudo errado.

A esquerda levará décadas para voltar (e como eu gostaria de não ter razão)

A esquerda levará décadas para voltar (e como eu gostaria de não ter razão)

Quando começou a crise do governo Dilma, eu disse que levaria duas décadas para que algo semelhante à esquerda voltasse ao poder. Mas não disse só isso.

Disse também que os afagos aos Evangélicos — afagos que quase todos os políticos amavam e amam fazer — logo implantaria uma vulgaridade sem precedentes em nosso país. Que haveria ataques à cultura e à laicidade. Que essa gente era bagaceira demais.

Eu trabalhava num jornal de meio de esquerda e quis criticar a presença de Dilma e Lula na inauguração de um templo evangélico. Fui vetado. Meus colegas jornalistas riram. Eu era o ateu apocalíptico, um sujeito meio louco perto da tolerância religiosa bacana deles… Eu dizia que também era tolerante — e sou mesmo — só que não aceitava a religião aliada à política. Mas estava virando uma figura folclórica.

Só que eu falava sério. Hoje, estou detestando pensar que tinha razão. Acho melhor se refugiar nos amigos, nos livros e na música. Lira presidente do Congresso? Um cara apoiado pelo governo genocida e que até esganou a mulher? O impeachment está cada vez mais longe? Gente, qual é a surpresa?

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No Fronteiras do Pensamento 2019, o psicanalista italiano Contardo Calligaris contou que seu pai protegeu vítimas do fascismo italiano e combateu na luta armada, correndo risco de vida e fazendo o mesmo com sua família. Também escondeu pessoas em sua casa e auxiliou um monte de gente, na maioria comunistas.

Quando o adolescente Contardo, orgulhoso de seu pai, perguntou-lhe porque ele fizera isso, esperava uma resposta altamente politizada. Mas ficou decepcionado (e irritado) com a resposta:

— Sabe, é porque os fascistas são muito vulgares.

Um juízo estético?

Acho que, hoje, no Brasil, muita, mas muita gente concorda com o Sr. Calligaris pai.

Continuando, Calligaris filho mostrou, então, duas imagens que, para ele, representam a vulgaridade fascista. Numa delas, crianças com arminhas, admiradoraszinhos de Mussolini, num protótipo perfeito da vulgaridade. Não preciso dizer a relação imediata que ele, voluntariamente, provocou em nós na plateia.

E, na outra, um grupo de fascistas queimando livros. No meio do grupo, um deles ri diretamente para a câmera. “Este cara com um chapéu e que está rindo. Eu acho que está rindo porque acha isso engraçado. Não só o que tem de profundamente vulgar é que ele está achando engraçado o que acontece, mas ele está supondo que nós olhando para este quadro estejamos achando isso engraçado também. Ele está imaginando que a gente vai rir com ele. Eu acho muito interessante isso. Eu gostaria de salientar que os fascismos teriam menos chances de existir – fascismo ou totalitarismos que sejam – se nós todos tomássemos uma atitude rigorosa de não rir das piadas idiotas. Nunca. Não tem nada que atrapalhe tanto um cretino quanto o fato de que, quando ele diz uma piada, ninguém acha engraçado.”

Oito anos do incêndio da Kiss

Oito anos do incêndio da Kiss

Há exatos oito anos, era domingo e o plantão no Sul21 era do Samir Oliveira. Ele trabalhou feito um condenado. O Igor Natusch correu para ajudá-lo, se não me engano. Eu estava na praia, na casa de minha irmã, e me vieram lágrimas quando falaram nos celulares tocando nos bolsos dos mortos.

O prefeito irresponsável hoje está todo pimpão em Porto Alegre, trabalhando na ínclita gestão de Sebastião Melo.

Na semana seguinte, viajei para a Europa com minha filha Bárbara Jardim. No primeiro dia em Roma, fomos ao Pantheon. Deu fome. O garçom perguntou se éramos brasileiros. “E moram perto de Santa Maria?”.

(Todos estão impunes. Não aconteceu ainda o julgamento dos réus).

O pastorzinho de merda

O pastorzinho de merda

Ao menos uma vez por dia, alguém vem me ofender no Twitter. Sempre fico meio assustado porque costumo levar a sério o que dizem. Depois dou risadas, pois, na verdade, as ofensas são sempre dirigidas ao Ministro da Educação Milton Ribeiro.

Eu sempre respondo com um #ForaBolsonaroGenocida, o que deve deixar o ofensor desconcertado por alguns segundos. Agora já posso responder com um #BolsonaroGenocidaComedorDePãoComLeiteCondensado.

Só que hoje me chamaram de pastorzinho de merda. E eu adorei! Ri alto!

Fico preocupado. Será que estou me acostumando a apanhar, mesmo que por tabela?

Os piores presidentes

Os piores presidentes

O pior presidente da história dos EUA está se despedindo. E o pior brasileiro está pedindo para acompanhá-lo. Hoje, o imbecil Ernesto Araújo confirmou que a China está complicando o envio de insumos para vacinas em razão das declarações de filhos do presidente e do próprio. Do próprio presidente e de Ernesto, podem escolher. E há Manaus, há aquele Ministro da Saúde e todo o genocídio. E os dribles da Índia e a logística….

Acho que chega. É pressionar pelo impeachment. Não dá mais. Se isso não é crime de responsabilidade, sei lá o que é. As pedaladas da Dilma não são nada perto deste anunciador da morte.

Sartori x Leite

Sartori x Leite

Eduardo Leite está atacando de apresentador do Show da Vacinação no RS. Vacinou cinco. Não tem talento pra coisa, mas está do lado certo e quer seu ganho político, claro.

Fico imaginando se o governador fosse o peemedebista Sartonaro. Acho que estaríamos chafurdando na mesma cloroquina do prefeito peemedebista Melo.

Ou seja, por mais estranho que pareça, o PSDB é muito melhor do que qualquer bolsomínion.

Simplesmente porque o bolsomínion está abaixo da linha mínima de humanidade.

Aliás, Bolsonaro é tão burro que chama a Coronavac de “Vacina do Dória”, fazendo campanha para seu adversário.

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Este é mais um pitaco político do:

 

Marinho, Cruzeiro, Bolsonaro e o gerenciamento de crises

Marinho, Cruzeiro, Bolsonaro e o gerenciamento de crises

O Santos elimina o Boca Juniors da #Libertadores2020. Ao final da partida, seus jogadores cercam o diretor de futebol e, felizes, comemorando a vitória, pedem um pix. Eles se esforçaram muito no jogo, foram brilhantes. Os salários estão atrasados há dois meses.

Corta.

Após perderem para o último colocado Oeste, os jogadores do Cruzeiro saem irritados de campo. Jogaram mal, alguns foram displicentes. Vão ficar na Série B. E deram entrevistas falando mal do clube e dizendo que ninguém imagina o que é o ambiente onde têm que viver. Os salários estão atrasados há dois meses.

O prefeito Sebastião Melo compra 25 mil doses preventivas de cloroquina do governo federal. É o PMDB. Deve ser pagamento de um favor, algo assim.

Falta oxigênio em Manaus. Pacientes com Covid são mandados para outras cidades, que não querem recebê -los. Belém está agitada com a provável chegada de manauaras doentes.

E Bolsonaro, o palhaço idiota, o grosseiro e nojento pilantra cretino eleito democraticamente por milhões de ignaros? É tanta coisa que teria a dizer do genocida que nem sei por onde começar. Gerenciamento de crise…

Me faz um pix?

O PUM fala sobre o pragmatismo da política real

O PUM fala sobre o pragmatismo da política real

Estou lendo muita gente dizer que faltam só 2 anos e Bolsonaro sai. Não, senhoras e senhores. Se a coisa seguir assim, faltam 6 anos para ele sair.

Por isso o movimento que Tarso faz em direção a Doria é tão importante. É hora de abraçar o inimigo para não permanecer internado com o diabo.

Se não surgir um oposição ampla, com gente de várias colorações, adeus, ele vem de novo com sua vulgaridade, bravatas, filharada e um imenso etc.

Sei que há léguas a nos separar e egos a aplainar. Mas sei também quanto é preciso, pá, navegar.

Não é hora para veleidades ideológicas. O processo de retorno a um governo progressista vai demorar muitos anos.

 

Dia Nacional da Consciência Negra: os cartões-postais dos linchamentos da Ku Klux Klan

Dia Nacional da Consciência Negra: os cartões-postais dos linchamentos da Ku Klux Klan

Retirado daqui.
Tradução livre deste blogueiro

A humanidade pode ser pior do que você imagina, muito pior.

Terrorismo é definido como “o uso de violência e intimidação na busca de objetivos políticos”. A mídia ocidental gosta de pintar terroristas com rostos morenos, mas uma das mais horríveis campanhas de terror aconteceu no século passado em solo norte-americano — os estimados 3.436 linchamentos de homens e mulheres negros americanos entre 1882 e 1950, com o objetivo de controlar e intimidar a população negra pouco antes libertada. Não muitas coisas são mais perturbadoras do que ser confrontado com a evidência visual do lado sombrio da humanidade, especialmente quando são evidências de um ódio generalizado e da violência de um ser humano para com o outro. Este ódio veio do medo e foi impulsionado pela religião e pela crença de que os assassinatos são atos de moralidade. Esta violência visava intimidar e suprimir quaisquer aspirações que uma comunidade possa ter por igualdade e um futuro melhor.

Quando me deparei com a coleção de cartões-postais norte-americanos de James Allen e John Littlefield, publicada em um livro intitulado Without Sanctuary: Lynching Photography in America, notei quão importante é conhecer essas imagens, hoje mais do que nunca. Esses cartões-postais foram feitos para comemorar eventos que fizeram muitos brancos norte-americanos se sentirem orgulhosos — de sua raça, de sua superioridade, de sua civilização e de sua inteligência. Eles tiraram fotos de suas realizações nojentas e covardes para serem conhecidas e lembradas. Nas costas, eles escreveram para amigos e familiares numa empolgação de sociopatas. Esses cartões-postais capturam turbas testemunhando com alegria o assassinato de rapazes e moças, cujo crime mais grave foi a cor da pele. Os cadáveres pendurados e carbonizados nesses cartões-postais viviam em um mundo que contava os dias até seu assassinato, a partir do momento em que colocavam ar em seus pulmões infantis. Essa história é poderosa, de revirar o estômago e de importância essencial. E o mais impressionante sobre essas fotos é que elas não apagam os perpetradores como muitas histórias e memoriais fazem hoje, preferindo focar em quem foi vitimado em vez de naqueles que orgulhosamente — e com o apoio do governo — torturaram, estupraram e assassinaram pessoas. Os assassinos nessas fotos estão orgulhosos, são homens adultos olhando para a câmera com a convicção sorridente de que o adolescente que eles acabaram de matar, um contra cem, merecia seu ódio, medo e frustração. Nenhum grande júri era necessário; a lei estava nas mãos dos assassinos. 

A história não é linear. A história está acontecendo ao nosso redor, o tempo todo. Essas fotos são contexto, são realidade, são fotos do terrorismo norte-americano. Esteja ciente de que essas fotos são repugnantes e muito reais.

O linchamento de Elias Clayton (19 anos), de Elmer Jackson (19) e de Isaac McGhie (20), em 15 de junho de 1920, Duluth, Minnesota.

Por James Allen

Eu tenho um brique, sou um catador, um colecionador. É minha vida e minha vocação. Eu procuro itens que algumas pessoas não querem ou não precisam mais e os vendo para outros que precisam. As crianças são catadoras naturais. Eu fui uma delas. Eu brincava com isso desde quando colecionava abelhas em potes.

Meu pai trazia para casa sacos de lona estufados com nomes de bancos, sacos de moedas de cobre ou meio dólar e nós, crianças, sentávamos em volta dos montes de moedas como se estivéssemos em volta de uma fogueira e gritávamos sons de bingo quando encontramos alguma moeda especial.

As mães não aconselham seus filhos a serem catadores. Nenhum adulto deseja ser chamado disso. No Sul dos EUA, é um termo pejorativo. É coisa de gente muito humilde e ignorante, talvez ladra. Tenho tentado trazer dignidade a meu trabalho, viajando incontáveis ​​estradas em meu estado natal, adquirindo coisas que creio serem úteis e reveladoras — móveis feitos à mão, potes feitos por escravos, colchas remendadas e bengalas esculpidas. Muitas pessoas que me vendem estão sobrecarregadas de bens, ou prontas para irem para o lar dos idosos ansiando pela morte. Alguns são vendedores são relutantes, outros ansiosos. Alguns são amáveis, gentis e acolhedores, outros são mesquinhos, amargos e meio enlouquecidos pela vida e pelo isolamento. Nos EUA tudo está à venda, até uma vergonha nacional. Um dia, deparei-me com um cartão-postal de um linchamento. Os cartões-postais pareciam triviais para mim, eram produtos de segunda mão. Ironicamente, a busca por essas imagens me trouxe um grande senso de propósito e satisfação pessoal.

O linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith. Este foi um grande encontro de linchadores acontecido no dia 7 de agosto de 1930, em Marion, Indiana. Inscrito a lápis na moldura: “Bo aponta para seu niga.” Fora da moldura está escrito: “Klan 4º Joplin, Mo. 33.” Achatadas entre o vidro e o papel há cabelos da vítima. ”
Este é o cadáver carbonizado de Jesse Washington suspenso em um poste. O verso diz “Este é o churrasco que fizemos ontem à noite, minha foto está à esquerda com uma cruz sobre seu filho Joe.” 16 de maio de 1916, Robinson, Texas.

O estudo dessas fotos gerou em mim um enorme medo dos brancos, medo da maioria, dos jovens, da religião, dos aceitos. Talvez certo cuidado a respeito dessas coisas já estivesse em mim, mas certamente não tão ativamente como após a primeira visão de um frágil cartão-postal de Leo Frank morto em um carvalho. Não foi o cadáver que me impressionou, foram os rostos delgados como cães de uma matilha, circulando atrás da morte. Centenas de mercados de pulgas depois, um comerciante me puxou de lado e em tom conspiratório me ofereceu um segundo cartão, este de Laura Nelson, presa como uma pipa de papel em um fio elétrico. A visão de Laura criou uma camada de pesar sobre todos os meus medos.

Acredito que os fotógrafos destes cartões foram mais do que espectadores dos linchamentos. A arte fotográfica desempenhou um papel tão significativo no ritual quanto a tortura. A luxúria impulsionou sua reprodução e distribuição comercial, facilitando a repetição infinita da angústia. Mesmo mortas, as vítimas não tinham abrigo.

O linchamento de JL Compton e Joseph Wilson, vigilantes. Ocorreu no dia 30 de abril de 1870, em Helena, Montana. A inscrição impressa no canto superior direito diz: “Hangman’s Tree, Helena Montana”. O verso deste cartão afirma: “Mais de vinte homens foram enforcados nesta árvore durante os primeiros dias.”
O corpo espancado de um homem afro-americano, apoiado em uma cadeira de balanço, roupas respingadas de sangue, tinta branca e escura aplicada no rosto e na cabeça. Na parede, há a sombra de um homem usando uma vara para apoiar a cabeça da vítima. Postal de 1900.

Essas fotos provocam em mim um forte sentimento de negação e um desejo de congelar minhas emoções. Com o tempo, percebo que meu medo do outro é medo de mim mesmo. Então, esses retratos, arrancados de outros álbuns de família, tornam-se os retratos da minha própria família e de mim mesmo. E os rostos dos vivos e os rostos dos mortos se repetem em mim e na minha vida diária. Já vi John Richards em uma estrada remota do condado, balançando-se em passadas de cavalinho de pau, cabeça baixa, olhos no chão. Já encontrei Laura Nelson em uma mulher pequena e robusta que atendeu minha batida na porta de uma varanda dos fundos. Em seus olhos profundos, observei uma multidão silenciosa desfilar em uma ponte de aço brilhante, olhando para baixo. E na Christmas Lane, a apenas alguns quarteirões de nossa casa, Leo, um menino pequeno, com a fralda da camisa para fora e o boné descentrado, vai para as orações do sábado.

A silhueta do cadáver do afro-americano Allen Brooks pendurado no arco em Elk, cercado por espectadores. O linchamento aconteceu em 3 de março de 1910 na cidade de Dallas, Texas. Inscrição impressa na borda, “LYNCHING SCENE, DALLAS, MARCH 3, 1910”. Inscrição a lápis na borda: “Tudo bem e gostaria de receber um postal seu, Bill’. O verso do cartão diz “Bem, John – este é um registro de um grande dia que tivemos em Dallas … Um negro foi enforcado por agressão a uma menina de três anos. Eu vi a agressão.”
Os cadáveres de cinco homens afro-americanos, Nease Gillepsie, John Gillepsie, “Jack” Dillingham, Henry Lee e George Irwin com espectadores.6 de agosto de 1906. Salisbury, Carolina do Norte.
Cartão postal do linchamento de Will James, Cairo, Illinois 1909
Bennie Simmons, ainda vivo, embebido em óleo de carvão antes de ser incendiado. 13 de junho de 1913. Anadarko, Oklahoma.
O linchamento de Leo Frank. 17 de agosto de 1915, Marietta, Geórgia. Sobreposta à imagem: “o fim de Leo Frank, enforcado por uma turba em Marietta. Agosto 17. 1915. ”

Imagens do linchamento de Frank Embree, Fayette, Missouri 1899

Nagelstein, ontem

Ontem, Valter Nagelstein afirmou que os vereadores eleitos pelo PSOL para a Câmara Municipal na próxima legislatura são pessoas “sem nenhuma tradição política, sem nenhuma experiência, sem nenhum trabalho e com pouquíssima qualificação formal” e ainda disse que “muitos deles são jovens e negros, quer dizer, são eco àquele discurso que o PSOL foi incutindo na cabeça das pessoas”.

Estou aqui pensando sobre as qualificações que vejo em Nagelstein. Por enquanto, só encontrei qualificativos.

Resumo da eleição na visão de um porto-alegrense

Resumo da eleição na visão de um porto-alegrense

Positivo: Marchezan fora do segundo turno.
Negativo: Melo na frente de Manuela. Os votos de Fortunati migraram pra ele.
Positivo: Melhorou a representação da esquerda na Câmara. PSOL cresceu muito.
Negativo: Cézar Schirmer — que evitou concorrer em Santa Maria após a Kiss — e Mônica Leal foram eleitos.
Positivo: Boulos.
Negativo: Paes x Crivella
Positivo: Fernanda já está falando com Manuela. Vão juntas para o segundo turno.
Negativo: Todas as baterias da imprensa conservadora de São Paulo se virarão contra Boulos, especialmente a praga evangélica e as rádios.
Positivo: Bolsonaristas não tiveram vida fácil.
Negativo: Ataques coordenados tentaram desacreditar a eleição.
Positivo: Representação negra na câmara aumenta.
Positivo: Valter tem votação para ser o vereador eleito com maior número de votos, mas optou por concorrer à prefeito. Tchau, Valtinho.

Agora é Manuela 65!

A estranha abordagem de Knausgård a Hitler

A estranha abordagem de Knausgård a Hitler

A tradução deste artigo parte mais de minha curiosidade do que pela necessidade de enquadrar Knausgård num escaninho de incorreção política. Tinha curiosidade pela origem do título da série “Minha Luta” e fui procurar textos a respeito. Como a autora do artigo — bastante equilibrado, apesar de perplexo –, eu absolutamente não recuo em minha admiração pelo autor. 

Por Maja Hagerman, no NordEuropa em 22 de maio de 2017.

Esta semana, a parte final da autobiografia de Karl Ove Knausgård, Min Kamp VI, será publicada em alemão como Kämpfen. Neste romance, há um longo ensaio sobre Hitler e o nazismo. Foi criticado na Escandinávia, por mim e por outros, porque Knausgård deseja retratar Hitler como um homem comum, ao mesmo tempo omitindo fatos importantes.

Deixe-me começar dizendo o quanto gosto de ler Knausgård quando ele descreve sua própria vida. Há uma presença nervosa e enérgica mesmo nos dias mais cinzentos e comuns, quando ele escreve sobre suas atividades diárias em Malmö, na Suécia, nos anos de 2009 a 2011, como pai de três filhos pequenos e com companheira: é uma leitura tremenda. Mas eu realmente não gosto da maneira como ele escreve sobre Hitler e o nazismo no ensaio de mais de 400 páginas, inserido no meio do romance.

Obviamente, não se trata apenas de história. Muitas coisas acontecendo em nossos dias ressoam assustadoramente nos escritos de Knausgård.

Quando Panfletos de Violência se Tornam Realidade

No exato momento em que o romance se passa em Malmö, há — na própria cidade não ficcional — um assassino em série nas ruas. Mas isso nem é mencionado no livro, pelo que posso ver. Quando Karl Ove no romance vai para o parquinho com seus filhos, existe — na vida real de Malmö — um homem limpando suas armas não muito longe. Ele mira em completos desconhecidos em qualquer lugar e atira para matar. Mas ele apenas direciona sua visão a laser para aqueles que parecem estranhos a seus olhos. O assassino em Malmö é um nazista e, para ele, a guerra racial tem um significado mais profundo; é uma espécie de cruzada. Ninguém sabe quantas pessoas ele tentou matar entre 2003 (época do primeiro assassinato conhecido) e novembro de 2010, quando foi finalmente preso pela polícia. Ele foi condenado por dois assassinatos e pela tentativa de assassinato de outras oito pessoas. A Filosofia Teutônica estava em seu computador no momento de sua prisão. [i]

O título da autobiografia de Knausgård é Min kamp em norueguês e sueco; uma tradução literal em alemão seria Mein Kampf. Knausgård está brincando de forma sofisticada com espelhos e identidades na sexta e última parte de sua obra. Seu personagem principal no romance é Karl Ove Knausgård, que está escrevendo um livro com o mesmo título daquele que o leitor está segurando. Neste livro, há uma longa sequência de não ficção de várias centenas de páginas sobre Hitler e o nazismo. Mas é o verdadeiro autor ou o personagem autor do romance que é o seu escritor? Isso é ficção ou realidade? Não importa qual seja, o texto está lá. O texto existe na realidade — e afeta a realidade.

No romance, lemos sobre como os primeiros escritos de Knausgård — sobre ele mesmo e outras pessoas — começam a influenciar sua vida e a vida de outras pessoas, quando os textos são publicados como autobiografia. Isso também afeta a percepção do texto. O personagem do autor — Knausgård no romance — observa cuidadosamente todos esses reflexos no corredor de espelhos que ele mesmo criou com seu texto.

E ele faz uma comparação com o Mein Kampf de Hitler. Ele discute como a percepção daquele texto mudou após o Holocausto e a guerra, uma vez que sua mensagem monstruosa se tornou realidade. Knausgård pergunta: mas quem era Hitler quando escreveu o livro quinze anos antes? Ele encontra um jovem sério e idealista, pronto para ir a extremos na defesa de suas ideias, um jovem com forte apego à mãe, mas com medo das mulheres e do contato humano mais próximo, o que leva o autor a pensar que Hitler era na verdade, um pouco como o próprio Karl Ove quando jovem.

Knausgård tem um sentimento de fascínio, um sentimento que deseja examinar. O nazismo também está presente na história de sua família; ele encontra um distintivo de lapela nazista entre as coisas deixadas após a morte de seu pai e descobre que a avó tinha uma cópia antiga do Mein Kampf em um baú na sala de estar. Ela não se livrou dele depois da guerra.

Knausgård explica (no jornal norueguês Dagsavisen, 10 de maio de 2016) que deseja compreender o nazismo examinando-o com sua própria empatia e sentimentos. Assim, ele se deixa seduzir pelos ambientes e explosões emocionais fundamentais para o nazismo.

Uma história sobre um homem comum?

Há uma passagem importante no livro em que ele permite que seu próprio texto se confunda com o de Hitler. Aqui, os leitores finalmente obtêm uma explicação de sua surpreendente escolha de nome para o ciclo autobiográfico de romances. Knausgård escreve: “Adolf Hitler era um homem comum; quando o escreveu, não matou ninguém, não ordenou a ninguém que matasse, não roubou nem incendiou nada ”. [ii]

Isso é uma coisa estranha para Knausgård escrever. Hitler era um criminoso quando escreveu a primeira e mais conhecida parte de Mein Kampf. Enquanto redigia seu trabalho, ele estava cumprindo pena em uma prisão por um crime muito grave; ele havia sido condenado por alta traição e uma tentativa de golpe de estado. Em 8 de novembro de 1923, quando milhares de pessoas se reuniram em um bierkeller de Munique para ouvir o governo bávaro falar sobre a situação política, Hitler deixou 600 de seus homens da SA cercarem o bierkeller e bloquearem a entrada enquanto ele disparava sua arma, atirando no teto e gritando: “A revolução nacional estourou!”. Sob a mira de uma arma, os membros do governo bávaro foram forçados a deixar o palco e foram feitos reféns. Mas no dia seguinte o “Beer Hall Putsch” foi derrotado pela polícia em uma batalha que deixou 19 mortos. Não sei por que Knausgård escreveu que o líder desse partido violento e antidemocrático que liderou o golpe era um homem inocente. Mas o texto esta aí.

Knausgård está principalmente interessado no jovem Hitler. Ele lida longamente com eventos que ocorreram mais de dez anos antes de Hitler escrever Mein Kampf. Mas ele tem muito pouco a dizer sobre as ações de Hitler um ano antes. Ele discute o sucesso de Hitler como orador público e se pergunta qual pode ser o segredo de um orador que pode hipnotizar as massas. Mas ele não tem muito a dizer sobre o fato de que esse envolvimento político e agitação também incluíram violência. O tempo de Hitler com o “Kampfbund” quase não é mencionado, embora ele tenha sido nomeado líder de todos os corpos armados privados que marchavam nas ruas de Munique, demonstrando sua força e sua capacidade de introduzir violência na política, no outono de 1923. Milhares de combatentes organizados, não apenas as SA, mas uma coalizão de vários “Kampfbünde” nacionalistas diferentes, estavam treinando suas habilidades de combate e organizando manifestações armadas nas ruas e nos parques de Munique, para assustar e provocar o governo da Baviera. Isso não é explicado adequadamente na obra de Knausgård.

Knausgård quer que entendamos que o nazismo não se destacou como obviamente monstruoso ou maligno no início. Esta é uma abordagem perigosa, pois abre o caminho para uma espécie de cegueira para o que a ideologia racial realmente é e que efeito pode ter na mente das pessoas. A violência organizada fez parte do movimento nazista desde o início. A violência foi fundamental, e a ideologia, em seu cerne, uma explicação da legitimidade da guerra racial. Isso significava que você tinha que se livrar dos velhos padrões éticos e impor novos – com base na suposição explícita de que as vidas humanas têm valores diferentes .

Knausgård escreve que os alemães abraçaram o nazismo como se o amassem, e que Hitler acendeu o fogo em todos que o ouviram falar. Mas isso não é verdade: muitas pessoas achavam o nazismo repelente na década de 1920. Omitir-se de mencionar isso equivale, de certa forma, a “elevá-lo”, transformá-lo em algo sedutor. A verdade é que Hitler, após sete anos como líder do partido e orador público, não acendeu o fogo em mais do que uma mera fração dos que o ouviram. Na eleição geral de maio de 1928, o NSDAP obteve apenas 2,6% dos votos. E, até a quebra do mercado de ações em 1929, a passagem dos nazistas ao poder não era de forma alguma evidente. No entanto, acontecimentos dramáticos em todo o mundo assustaram as pessoas e isso levou ao sucesso do NSDAP nas eleições. Hitler obteve 30% dos votos na primeira eleição presidencial em 1932, e no segundo e último segundo turno, entre apenas dois candidatos, obteve 36%. Isso é menos da metade dos votos.

Fascinado, Knausgård descreve um entendimento profundo e misterioso entre as massas e Hitler. Mas minha impressão é que ele reproduz algo que viu em imagens de propaganda nazista de comícios partidários, etc., produzidas depois que os nazistas chegaram ao poder em 1933, quando a democracia foi abolida e os oponentes políticos foram colocados atrás das grades, assassinados ou assustados silêncio.

Ao descrever Hitler como um homem comum, Knausgård deseja desafiar o leitor. No entanto, ele também contribui para minar os limites e tabus que cercam essas ideias perigosas. A escrita afeta a realidade; texto e vida estão interligados. Um dos autores mais apreciados da Escandinávia opta por ter uma atitude estranha em relação à verdade sobre Hitler — ao mesmo tempo em que o nazismo, como ideologia por trás da guerra racial, encontra novos seguidores na Europa.

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Este texto de Maja Hagerman é uma versão editada de um artigo escrito para o jornal norueguês Klassekampen e reflete a visão do autor sobre o livro de Karl Ove Knausgård.

Maja Hagerman é uma autora, historiadora, jornalista e produtora de TV sueca que vive em Estocolmo (www.majahagerman.se).

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[i] Um livro sobre o serial killer Peter Mangs em Malmö, Suécia, é Raskrigaren (2015) de Mattias Gardell.

[ii] “[…] Adolf Hitler, quando o escreveu, era um homem comum, não havia assassinado ninguém, não havia ordenado o assassinato de ninguém, não havia roubado nada nem incendiado nada.” Página 481 na edição norueguesa do Min kamp 6, página 480 na edição sueca.

Vi a propaganda política para a Prefeitura de Porto Alegre…

Vi a propaganda política para a Prefeitura de Porto Alegre…

…e achei quase tudo muito ruim. Vamos começar pelos piores.

O tal Gustavo do PP ficou chorando por ter sido “traído pelo Marchezan”. Será que ele acha que ter recebido cornos políticos o credencia a algo?

Maroni apareceu com um olhar meio louco, segurando um cachorro e procurando seu texto com ar desesperado. O teleprompter estava embaixo, à direita. Mas ele disse no máximo duas frases. Não podia ter decorado? Pensando bem, o Maroni é quem está abaixo e à direita.

Juliana Brizola sentou-se numa escrivaninha e escreveu uma cartinha para seus eleitores. Tudo muito fófis e anos 50. Ela deve adorar a série This is Us.

Marchezan explicou que agora conhece a prefeitura e que, reeleito, fará muito mais. A mim, pareceu uma ameaça.

João Derly estava todo sorridente, bem perdido, com o ar de quem pede desculpas e que não sabe bem o que está fazendo ali.

Melo apostou na breguice, além de dizer que vai acordar cedo e dormir tarde todos os dias. Vai trabalhar como um louco. Eu lembro de que ele fez capotar uma caminhonete numa via secundária de Porto Alegre. Alegou estar a 40 Km/h. Mas capotou. Deve ser louco mesmo.

Minha candidata Fernanda pareceu estar bem indignada. Acho que poucos apreciam gente indignada surgindo na tela. A menos que seja o vilão. Ela não é o vilão.

As melhores propagandas foram a da Manuela e a do perigoso Fortunati. Aquele ar de tiozão religioso faz o maior sucesso. Uma desgraça.

Curioso é que muita gente apareceu passeando na orla. É o novo símbolo de Porto Alegre e é… Obra do Fortunati, não?

No Uber

No Uber

Chove muito em Porto Alegre, então, fui para o trabalho com um motorista de Uber. Puxo papo. Pergunto a ele sobre sua vida e seu trabalho. Ele responde que o Uber é ótimo. Agora, ele está muito melhor, ganhando em média R$ 15 por hora contra os R$ 5 que ganhava anteriormente.

E paga INSS?

— Não.

Paga alguma previdência privada?

— Não.

Plano de saúde?

— Não.

E seguro do carro?

— Não.

Ele nota que eu estou achando sua situação bem ruim e diz que sua mulher havia dito que ele era louco.

Só que acho ótimo o Uber, Me quebra os maiores galhos. Uso também o Uber Flash. É horrível, só que não tenho grana para não explorar os caras. Motoristas de táxis são muito diferentes?

Porco com arroz e 5G

Porco com arroz e 5G

Do Instituto Telecom
Observação minha:
O texto é meio louco, muda de assunto subitamente, mas contém muita informação

No penúltimo programa Greg News (25/09/2020), Gregório Duvivier fez uma boa comparação entre os caminhos escolhidos pela China e pelo Brasil em relação ao desenvolvimento.

a) Em 18 meses de governo Bolsonaro nossa dependência da China aumentou e muito. Em 2018, a China comprou 27% de tudo o que vendemos para o exterior. No primeiro semestre de 2020, os chineses compraram 40% da exportação brasileira.

b) A China compra muito soja brasileira para que seus porcos não passem fome.

c) A demanda por soja provoca mais demanda por terra. Daí a queima criminosa de terras públicas na Amazônia e no Pantanal, com a complacência do Governo Federal.

d) Os chineses não plantam soja porque ela consome muita água, provocando um estresse hídrico (uso não sustentável da água). A água é tão mais valiosa que a soja que o governo chinês investiu 80 bilhões de dólares para levar água do sul para o norte do país. Serão 45 trilhões de litros de água transportados, por ano, para as regiões mais secas da Chinas.

e) Com a exportação de soja, o Brasil manda junto para a China mais que o dobro de água que o projeto bilionário irá carregar. Na verdade, ao importar soja os chineses estão importando água. Por isso, enquanto o Brasil queima, a China cresce.

f) Para os exportadores brasileiros de soja é ótimo que o dólar suba, pois quando o real se valoriza eles perdem. O mesmo ocorre com o arroz, que é indexado ao dólar. Daí os preços absurdos do arroz no Brasil.

g) A China está há décadas investindo pesado em educação, pesquisa e infraestrutura. Nas últimas três décadas, a China tirou 850 milhões de pessoas da pobreza. Desenvolvimento inclusivo. A cada ano o salário mínimo chinês cresce de 10% a 20% acima da inflação.

h) A China tem uma Educação pública excelente e acessível para todos. O país está no topo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em Matemática, Ciência e Leitura.

O Brasil poderia ter sido a China. Mas, fez várias escolhas erradas, entre elas a privatização do setor de telecomunicações, em 1998. Naquela ocasião tínhamos o único centro de pesquisa fora do eixo Europa, Japão, EUA: o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás (CPqD). Com o CPqD obtivemos o controle da tecnologia da fibra ótica, de centrais eletrônicas. Exportávamos para a China o cartão indutivo para telefone público. Hoje poderíamos estar no estado da arte da pesquisa e desenvolvimento do 5G.

Apesar de toda a adversa conjuntura brasileira, precisamos exigir que haja investimento em conhecimento e fortalecimento das universidades públicas em relação às telecomunicações/tecnologia da informação. Exigir que as operadoras de telecomunicações no Brasil não se apropriem apenas dos lucros para seus acionistas, e, sim, garantam investimento em capacitação, em conhecimento, em pesquisa. Não podemos apenas continuar a alimentar os porcos chineses e a bater continência para o governo Trump.

Instituto Telecom, Terça-feira, 29 de setembro de 2020

Porto Alegre e seus pobres que votam em ricos

Porto Alegre e seus pobres que votam em ricos

Tive que ir a um cartório na Marquês do Pombal e voltei caminhando pelo bairro Moinhos de Vento.

Vi que lá — Parcão e redondezas — só tem propaganda da direita mais extrema. Gente apadrinhada pelo Bibo Nunes, gente do Novo…

Quando chego na Bamboletras, leio no Matinal Jornalismo a confirmação daquilo que penso há anos: uma pesquisa feita em mapas eleitorais garantindo que são os bairros ricos quem comanda as viradas no poder em Porto Alegre.

E o pessoal dos bairros pobres — sem formação e noção política — apenas segue os ricos.

Enquanto isso, a senadora comunista Carolina Cosse ganhou as eleições para a prefeitura de Montevidéu. Eles terão uma intendenta bem vermelha. Só que lá, a direita raramente vence entre os mais pobres.

É outro grau de escolaridade, outro nível de informação.

Vote no PUM.

Nossa tragédia (1): da mentalidade censora

Nossa tragédia (1): da mentalidade censora

Trabalhei por oito ótimos anos num veículo progressista. Aprendi muito. Adorava trabalhar lá, as pessoas foram sempre muito éticas e eu me orgulho de minha vasta produção naqueles anos, apesar de achar que o jornal pecava pela falta de ousadia. Bem, tenho histórias que, penso, devem se repetir na maioria das hoje combalidas trincheiras da esquerda.

Sou um cara mais para o intuitivo do que para o analítico, então recebo e reajo a flashes. Ou, melhor dizendo, um dia tiro uma foto, outro dia outra, e assim vou formando meu mosaico de impressões.

Vamos a três fotos que me ocorreram hoje.

(1) Um colega diz que não devemos publicar uma reportagem sobre um novo método de produção de carne porque deixaríamos irritados os veganos e eles, parte de nosso público, poderiam nos linchar. Então fiquei sabendo que não podíamos falar de carne.

(2) Uma reportagem que coloquei para provocar foi encarada como se eu fosse um ET. Ela dizia que o gaúcho fazia menos exames de toque retal do que os homens de outras unidades da federação porque não a coisa não seria lá algo muito masculino. Era uma pesquisa de boa fonte, séria e médica. Como temos uma editoria de Geral, não vi problema, mas houve gente dizendo que aquilo não era pra nós. OK, não devemos rir ou explicitar nossos lados mais ridículos, mesmo que sejam verdadeiros.

(3) Fui advertidíssimo e me senti ameaçado por expor NO MEU BLOG uma opinião independente. Ela teria o condão de chamar as feministas contra o jornal. Sim, muitas delas disseram que iam abandonar o jornal por minha causa. Alguém acredita nisso? Em resposta, devo dizer que Porto Alegre é um ovo e que fui algumas vezes cumprimentado na rua por feministas em razão do mesmo texto. Ou seja, a rejeição não era consensual.

Fiquei puto ao notar novamente um respeito sem sentido pela militância, sem interessar quão tola seja.

Critico uma versão específica da política identitária que é performática em suas demonstrações de consciência social. Não gosto particularmente porque é um grupo muito inclinado a censurar, a atacar em bloco indivíduos. Odeio isso. Ao calar seus inimigos políticos, eles calam também o dissenso dentro da própria esquerda e é este dissenso que sempre fez a esquerda ser vibrante intelectualmente. São os questionadores que evitam que a ideologia se fossilize porque nos obrigam a repensar. Mas suas vozes foram caladas.

Angela Nagle

É impressionante como essa mentalidade censora se espalhou. O pior é que as pessoas nem se dão conta dela e de como a censura e o constrangimento causado pelos “erros” de gente bem intencionada — e, fundamentalmente, de mesma ideologia — resultaram na colocação da esquerda em um gueto no qual esta passou apenas a falar para si mesma e não com a sociedade. Pior, com uma linguagem toda própria, muitas vezes incompreensível não somente para a população, mas para quem estivesse desinformado. Ah, as vanguardas… Nós contribuímos demais para a ascensão da direita, que deve permanecer por décadas com boa parte do poder.

Enquanto isso, estávamos preocupados com a apropriação cultural, com o lugar de fala, com as bolhas e não com as coisas que estavam realmente no imaginário popular. Nós adubávamos a segmentação para satisfazer certos grupos, gastávamos energia com as polêmicas do dia e com as malditas audiências públicas sobre porra nenhuma e não com avanço dos evangélicos nas periferias, com o recuo da mentalidade científica, com o próprio papel das redes e com aquilo tudo que acabou viabilizando o inferno bolsonarista.

Fico triste com minha falta de força. Sinto-me em parte responsável por nossa tragédia, apesar de ter passado anos dizendo que o maior perigo desse país estava no fundamentalismo religioso e na desgraça que é nossa educação. Mas fui vencido de todas as formas.