Um ato diz mais do que mil palavras (por Celso Frateschi)

O que a nomeação dessas duas figuras deploráveis para a transição na Cultura quer nos dizer? Um golpista e outro além de golpista, eleito como bolsonarista, uma das figuras mais pervertidas do cenário político, capaz de se prestar a uma “entrevista” onde relata como estuprou uma mãe de santo?

Estão querendo desdizer todas as propostas que o presidente Lula tem reiterado para a área cultural?

Elegemos Lula e um programa popular onde a cultura tem , como nunca se viu antes, um papel de destaque!

A cultura política carcomida, a qual o povo brasileiro rejeitou nessas eleições, deve prevalecer? Os fascistas ganharam no “!terceiro turno”um premio de Consolação?

O “vale tudo” voltou?

Qual o limite?

O que mais devemos esperar?

Onde estão os nomes ligados à cultura popular?

Onde estão os nomes que construíram a gigantesca contribuição que os governos progressista de esquerda em nosso país realizaram?

Como explicar em nossos comitês essas escolhas de pessoas tão indignas ?

Sabemos do papel limitado e técnico das comissões de transição, mas está claro que nessa transição elas ganharam um significado simbólico muito importante. Porque então sinalizar com esses nomes tão deploráveis?

No meu entender seria muito mais eficaz e eficiente politicamente que nessa transição estivessem apenas nomes que respeitassem minimamente o que temos defendido e não tivesse espaço para machistas, misóginos , racistas, golpistas, fascistas e representantes desse esgoto que levou o nosso país na triste situação em que nos encontramos.

Sou completamente favorável e milititante na frente ampla que se constitui para garantir a democracia .

Numa democracia não acredito que haja espaço para golpistas e fascistas de primeira hora.

Sim a um governo de frente ampla. Não à barbarie política e moral que esses nomes representam.

O discurso completo de Lula no COP27

Em primeiro lugar, quero agradecer a oportunidade de estar aqui no Egito, berço da civilização, que desempenhou um papel extraordinário na história da humanidade.

Quero também agradecer o convite para participar da vigésima sétima Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Sinto-me especialmente honrado, porque sei que este convite não foi dirigido a mim, mas ao meu país.

Este convite, feito a um presidente recém-eleito antes mesmo de sua posse, é o reconhecimento de que o mundo tem pressa de ver o Brasil participando novamente das discussões sobre o futuro do planeta e de todos os seres que nele habitam.

O planeta que a todo momento nos alerta de que precisamos uns dos outros para sobreviver. Que sozinhos estamos vulneráveis à tragédia climática.

No entanto, ignoramos esses alertas. Gastamos trilhões de dólares em guerras que só trazem destruição e mortes, enquanto 900 milhões de pessoas em todo o mundo não têm o que comer.

Vivemos um momento de crises múltiplas – crescentes tensões geopolíticas, a volta do risco da guerra nuclear, crise de abastecimento de alimentos e energia, erosão da biodiversidade, aumento intolerável das desigualdades.

São tempos difíceis. Mas foi nos tempos difíceis e de crise que a humanidade sempre encontrou forças para enfrentar e superar desafios.

Precisamos de mais confiança e determinação. Precisamos de mais liderança para reverter a escalada do aquecimento.

Os acordos já finalizados têm que sair do papel.

Para isso, é preciso tornar disponíveis recursos para que os países em desenvolvimento, em especial os mais pobres, possam enfrentar as consequências de um problema criado em grande medida pelos países mais ricos, mas que atinge de maneira desproporcional os mais vulneráveis.

Senhores e senhoras

Estou hoje aqui para dizer que o Brasil está pronto para se juntar novamente aos esforços para a construção de um planeta mais saudável. De um mundo mais justo, capaz de acolher com dignidade a totalidade de seus habitantes – e não apenas uma minoria privilegiada.

O Brasil acaba de passar por uma das eleições mais decisivas da sua história. Uma eleição observada com atenção inédita pelos demais países.

Primeiro, porque ela poderia ajudar a conter o avanço da extrema-direita autoritária e antidemocrática e do negacionismo climático no mundo.

E também porque do resultado da eleição no Brasil dependia não apenas a paz e o bem-estar do povo brasileiro, mas também a sobrevivência da Amazônia e, portanto, do nosso planeta.

Ao final de uma disputa acirrada, o povo brasileiro fez a sua escolha, e a democracia venceu. Com isso, voltam a vigorar os valores civilizatórios, o respeito aos direitos humanos e o compromisso de enfrentar com determinação a mudança climática.

O Brasil já mostrou ao mundo o caminho para derrotar o desmatamento e o aquecimento global. Entre 2004 e 2012, reduzimos a taxa de devastação da Amazônia em 83%, enquanto o PIB agropecuário cresceu 75%.

Infelizmente, desde 2019, o Brasil enfrenta um governo desastroso em todos os sentidos – no combate ao desemprego e às desigualdades, na luta contra a pobreza e a fome, no descaso com uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, no desrespeito aos direitos humanos, na sua política externa que isolou o país do resto do mundo, e também na devastação do meio ambiente.

Não por acaso, a frase que mais tenho ouvido dos líderes de diferentes países é a seguinte:

“O mundo sente saudade do Brasil.”

Quero dizer que o Brasil está de volta.

Está de volta para reatar os laços com o mundo e ajudar novamente a combater a fome no mundo.
Para cooperar outra vez com os países mais pobres, sobretudo da África, com investimentos e transferência de tecnologia.

Para estreitar novamente relações com nossos irmãos latino-americanos e caribenhos, e construir junto com eles um futuro melhor para nossos povos.

Para lutar por um comércio justo entre as nações, e pela paz entre os povos.

Voltamos para ajudar a construir uma ordem mundial pacífica, assentada no diálogo, no multilateralismo e na multipolaridade.

Voltamos para propor uma nova governança global. O mundo de hoje não é o mesmo de 1945. É preciso incluir mais países no Conselho de Segurança da ONU e acabar com o privilégio do veto, hoje restrito a alguns poucos, para a efetiva promoção do equilíbrio e da paz.

No pronunciamento que fiz ao fim da eleição no Brasil, em 30 de outubro, ressaltei a importância de unir o país, que foi dividido ao meio pela propagação em massa de fake news e discursos de ódio.

Naquela ocasião, eu disse que não existem dois Brasis. Quero dizer agora que não existem dois planetas Terra. Somos uma única espécie, chamada Humanidade, e não haverá futuro enquanto continuarmos cavando um poço sem fundo de desigualdades entre ricos e pobres.

Precisamos de mais empatia uns com os outros. Precisamos construir confiança entre nossos povos.

Precisamos nos superar e ir além dos nossos interesses nacionais imediatos, para que sejamos capazes de tecer coletivamente uma nova ordem internacional, que reflita as necessidades do presente e nossas aspirações de futuro.

Estou aqui hoje para reafirmar o inabalável compromisso do Brasil com a construção de um mundo mais justo e solidário.

Senhoras e senhores

A Organização Mundial da Saúde alerta que a crise climática compromete vidas e gera impactos negativos na economia dos países.

Segundo projeções da Organização, entre 2030 e 2050 o aquecimento global poderá causar aproximadamente 250 mil mortes adicionais ao ano – por desnutrição, malária, diarreia e estresse provocado pelo calor excessivo.

O impacto econômico de todo esse processo, apenas no que se refere aos custos de danos diretos à saúde, é estimado pela OMS entre 2 a 4 bilhões de dólares por ano até 2030.

Ninguém está a salvo.

Os Estados Unidos convivem com tornados e tempestades tropicais cada vez mais frequentes e com potencial destrutivo sem precedentes.

Países insulares estão simplesmente ameaçados de desaparecer.

No Brasil, que é uma potência florestal e hídrica, vivemos em 2021 a maior seca em 90 anos, e fomos assolados por enchentes de grandes proporções que impactaram milhões de pessoas.

A Europa enfrenta uma série de fenômenos meteorológicos e climáticos extremos em várias partes do continente – de incêndios devastadores a inundações que causam um número inédito de mortes.

Apesar de ser o continente com a menor taxa de emissão de gases do efeito estufa do planeta, a África também vem sofrendo eventos climáticos extremos.

Enchentes e secas no Chade, Nigéria, Madagascar e parte da Somália.

Elevação do nível dos mares, que num futuro próximo será catastrófica para as dezenas de milhões de egípcios que vivem no Delta do rio Nilo.

Repito: ninguém está a salvo. A emergência climática afeta a todos, embora seus efeitos recaiam com maior intensidade sobre os mais vulneráveis.

A desigualdade entre ricos e pobres manifesta-se até mesmo nos esforços para a redução das mudanças climáticas.

O 1% mais rico da população do planeta vai ultrapassar em 30 vezes o limite das emissões de gás carbônico necessário para evitar que o aumento da temperatura global ultrapasse a meta de 1,5 grau centígrado até 2030.

Este 1% mais rico está a caminho de emitir 70 toneladas de gás carbônico per capita por ano. Enquanto isso, os 50% mais pobres do mundo emitirão, em média, apenas uma tonelada per capita, segundo estudo produzido pela ONG Oxfam e apresentado na COP 26.

Por isso, a luta contra o aquecimento global é indissociável da luta contra a pobreza e por um mundo menos desigual e mais justo.

Senhores e senhoras

Não há segurança climática para o mundo sem uma Amazônia protegida. Não mediremos esforços para zerar o desmatamento e a degradação de nossos biomas até 2030, da mesma forma que mais de 130 países se comprometeram ao assinar a Declaração de Líderes de Glasgow sobre Florestas.

Por esse motivo, quero aproveitar esta Conferência para anunciar que o combate à mudança climática terá o mais alto perfil na estrutura do meu governo.

Vamos priorizar a luta contra o desmatamento em todos os nossos biomas. Nos três primeiros anos do atual governo, o desmatamento na Amazônia teve aumento de 73 por cento.

Somente em 2021, foram desmatados 13 mil quilômetros quadrados.

Essa devastação ficará no passado.

Os crimes ambientais, que cresceram de forma assustadora durante o governo que está chegando ao fim, serão agora combatidos sem trégua.

Vamos fortalecer os órgãos de fiscalização e os sistemas de monitoramento, que foram desmantelados nos últimos quatro anos.

Vamos punir com todo o rigor os responsáveis por qualquer atividade ilegal, seja garimpo, mineração, extração de madeira ou ocupação agropecuária indevida.

Esses crimes afetam sobretudo os povos indígenas.

Por isso, vamos criar o Ministério dos Povos Originários, para que os próprios indígenas apresentem ao governo propostas de políticas que garantam a eles sobrevivência digna, segurança, paz e sustentabilidade.

Os povos originários e aqueles que residem na região Amazônica devem ser os protagonistas da sua preservação. Os 28 milhões de brasileiros que moram na Amazônia têm que ser os primeiros parceiros, agentes e beneficiários de um modelo de desenvolvimento local sustentável, não de um modelo que ao destruir a floresta gera pouca e efêmera riqueza para poucos, e prejuízo ambiental para muitos.

Vamos provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem provocar mais mudança climática. Faremos isso explorando com responsabilidade a extraordinária biodiversidade da Amazônia, para a produção de medicamentos e cosméticos, entre outros.

Vamos provar que é possível promover crescimento econômico e inclusão social tendo a natureza como aliada estratégica, e não mais como inimiga a ser abatida a golpes de tratores e motosserras.

Tenho o prazer de informar que logo após nossa vitória na eleição de 30 de outubro, Alemanha e Noruega anunciaram a intenção de reativar o Fundo Amazônia, para financiar medidas de proteção ambiental na maior floresta tropical do mundo.

O Fundo dispõe hoje de mais de US$ 500 milhões, que estão congelados desde 2019, devido à falta de compromisso do governo atual com a proteção da Amazônia.

Estamos abertos à cooperação internacional para preservar nossos biomas, seja em forma de investimento ou pesquisa científica.

Mas sempre sob a liderança do Brasil, sem jamais renunciarmos à nossa soberania.

Conjugar desenvolvimento e meio ambiente também é investir nas oportunidades criadas pela transição energética, com investimentos em energia eólica, solar, hidrogênio verde e bicombustíveis. São áreas nas quais o Brasil tem um potencial imenso, em particular no Nordeste brasileiro, que apenas começou a ser explorado.

Cuidar das questões ambientais também é melhorar a qualidade de vida e as oportunidades nos centros urbanos. Fornecer alternativas de meios de transporte com menor impacto ambiental.

Gerar empregos em indústrias menos poluentes na cadeia industrial da reciclagem, que melhora o aproveitamento das matérias primas, e no saneamento básico, que protege a nossa saúde e nossos rios cuidando da água, elemento indispensável para a vida.

A produção agrícola sem equilíbrio ambiental deve ser considerada uma ação do passado. A meta que vamos perseguir é a da produção com equilíbrio, sequestrando carbono, protegendo a nossa imensa biodiversidade, buscando a regeneração do solo em todos os nossos biomas, e o aumento de renda para os agricultores e pecuaristas.

Estou certo de que o agronegócio brasileiro será um aliado estratégico do nosso governo na busca por uma agricultura regenerativa e sustentável, com investimento em ciência, tecnologia e educação no campo, valorizando os conhecimentos dos povos originários e comunidades locais. No Brasil há vários exemplos exitosos de agroflorestas.

Temos 30 milhões de hectares de terras degradadas. Temos conhecimento tecnológico para torná-las agricultáveis. Não precisamos desmatar sequer um metro de floresta para continuarmos a ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

Este é um desafio que se impõe a nós brasileiros e aos demais países produtores de alimentos. Por isso estamos propondo uma Aliança Mundial pela Segurança Alimentar, pelo fim da fome e pela redução das desigualdades, com total responsabilidade climática.

Quero aproveitar a ocasião para garantir que o acordo de cooperação entre Brasil, Indonésia e Congo será fortalecido pelo meu governo.

Juntos, nossos três países detêm 52% das florestas tropicais primárias remanescentes no planeta.

Juntos, trabalharemos contra a destruição de nossas florestas, buscando mecanismos de financiamento sustentável, para deter o avanço do aquecimento global.

Quero também propor duas importantes iniciativas, a serem apresentadas formalmente pelo meu governo, que se iniciará no dia primeiro de janeiro de 2023.

A primeira iniciativa é a realização da Cúpula dos Países Membros do Tratado de Cooperação Amazônica.

Para que Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela possam, pela primeira vez, discutir de forma soberana a promoção do desenvolvimento integrado da região, com inclusão social e responsabilidade climática.

A segunda iniciativa é oferecer o Brasil para sediar a COP 30, em 2025. Seremos cada vez mais afirmativos diante do desafio de enfrentar a mudança do clima, alinhados com os compromissos acordados em Paris e orientados pela busca da descarbonização da economia global.

Enfatizo ainda que em 2024 o Brasil vai presidir o G20. Estejam certos de que a agenda climática será uma das nossas prioridades.

Senhoras e senhores

Em 2009, os países presentes à COP 15 em Copenhague comprometeram-se em mobilizar US$ 100 bilhões por ano, a partir de 2020, para ajudar os países menos desenvolvidos a enfrentarem a mudança climática.

Este compromisso não foi e não está sendo cumprido.

Isso nos leva a reforçar, ainda mais, a necessidade de avançarmos em outro tema desta COP 27: precisamos com urgência de mecanismos financeiros para remediar perdas e danos causados em função da mudança do clima.

Não podemos mais adiar esse debate. Precisamos lidar com a realidade de países que têm a própria integridade física de seus territórios ameaçada, e as condições de sobrevivência de seus habitantes seriamente comprometidas.

É tempo de agir. Não temos tempo a perder. Não podemos mais conviver com essa corrida rumo ao abismo.

Se pudermos resumir em uma única palavra a contribuição do Brasil neste momento, que essa palavra seja aquela que sustentou o povo brasileiro nos tempos mais difíceis: Esperança.

A esperança combinada com uma ação imediata e decisiva, pelo futuro do planeta e da humanidade.

Muito obrigado a todos.

Foi uma grande vitória sobre o fascismo

Foi uma grande vitória sobre o fascismo

Compreensivelmente, foi uma vitória apertada. Pois impusemos uma derrota ao primeiro presidente não reeleito, um que comprou votos à luz do dia, que derramou fortunas do orçamento secreto sobre apoiadores, que recebeu outras fortunas de empresários FDPs, que usou máfias do transporte coletivo e de caminhoneiros, que chamou a PRF para evitar que eleitores pobres pudessem votar, que fez uso eleitoreiro do poder e das instituições, que nos submergiu em fake news e em situações absurdas — algumas violentas e perigosas — e nem assim venceu. Foi uma vitória em uma eleição onde houve, de modo concomitante, uma tentativa de golpe. Foi glorioso, gente.

Eleição de 2022: o PUM manifesta-se pela primeira vez

Eleição de 2022: o PUM manifesta-se pela primeira vez

Eu devo ser muito teimoso ou burro. Na minha opinião, o fundamental é tirar Bolsonaro do governo, substituindo-o por um outro que ao menos faça política e não nos envergonhe.

Não entendo esse nojinho em relação ao Alckmin. Bolsonaro é perigoso, tem muitos votos e estou disposto a votar no político que possa tirá-lo do posto.

Votaria no Doria, no Leite ou no Ciro ou em quem pudesse enfrentá-lo. Claro que tenho preferências, mas isto não importa no momento. E a Câmara tem de ser muito mudada também.

Acho que alguns perderam o foco ou estão considerando o Boçalnato como vencido. É um erro. O Bozo e seus corruptos estão bem vivos do ponto de vista eleitoral.

Não há nada pior do que Bolsonaro. E política se faz com alianças. É normal e, se você pensar um pouco, verá que é saudável.

Cancele Putin, não a Rússia

Cancele Putin, não a Rússia

O repúdio ao ataque à Ucrânia pelo governo russo não deve ser confundido com a penalização a seus artistas e atletas

CHRISTOPH DE BARRY (AFP)
No El País
Tradução do blogueiro

As ações que condenam a guerra contra a Ucrânia também chegaram ao mundo da cultura e do esporte. Os ministros da Cultura da UE concordaram na semana passada com “a suspensão de projetos e iniciativas culturais e esportivas em andamento” envolvendo a Rússia e com o cancelamento de eventos programados. No comunicado do ministério espanhol, tanto federações quanto clubes são instados a não tomar medidas contra quem rescindir seus contratos com clubes russos ou prejudicar aqueles que decidem suspender atividades programadas com equipes convidadas da Rússia ou da Bielorrússia.

A aplicação dessas medidas é clara em relação às instituições oficiais russas, mas essa clareza desaparece quando desce à infinita variedade de situações individuais que a atividade cultural e esportiva promove. Será necessário ser particularmente escrupuloso para não incorrer na estigmatização de qualquer atleta, artista, músico ou escritor russo como porta-voz ou representante do presidente Vladimir Putin. Qualquer erro nessa área desafiaria o valor da medida e transformaria os países europeus em repressores indiscriminados daqueles que, na realidade, podem ser aliados ativos contra Putin. Os exemplos já divulgados são relevantes e começaram com a renúncia de artistas de alto nível a representar oficialmente a Rússia na Bienal de Veneza em abril. Nem a sua curadora artística, a lituana Raimundas Malasauskas, aceitou a encomenda porque “esta guerra é política e emocionalmente insuportável”. A resposta interna também foi importante. Houve até um manifesto contra a guerra assinado pelos diretores do teatro Bolshoi em Moscou e do teatro Alexandrinsky em São Petersburgo, Vladimir Urin e Valery Fokin, juntamente com artistas como o violinista Vladímir Spivakov ou o ator Oleg Basilashvili.

Não são casos únicos, mas são os que mostram a existência de uma oposição proeminente dentro do país que também precisa de ajuda como a resistência antifranquista, ao mesmo tempo em que um novo exílio na Europa já começou: aquele que escapa de Putin. Esses e outros nomes devem servir como antídotos para a associação preguiçosa entre a cultura russa e a invasão da Ucrânia lançada por um presidente autocrático . O nobre espírito que anima a medida está destinado a prejudicar Putin sem que esse boicote prejudique também a atividade de artistas, criadores e atletas fora das delegações oficiais russas.

A cultura do cancelamento é em si um esporte arriscado, mas arruinar a vida profissional e artística daqueles sem vínculos com Putin seria um grave erro. Apoios como uma bolsa para estudos adicionais fora da Rússia ou ajuda financeira para um projeto artístico não devem ser evidências suficientes para cancelar seus beneficiários sem incorrer em traços xenófobos ou dolorosamente simplistas. O cuidado requintado na aplicação dessas medidas, tanto no campo cultural quanto esportivo, terá que ser o critério central para que a condenação da agressão de Putin contra a Ucrânia não condene a cultura russa fora da Rússia à miséria.

Vladimir Spivakov: culpado de nada

Sim, vamos, Eduardo Leite

Sim, vamos. Pois quem é que não sabia? Naquele domingo de eleição, houve gente literalmente chorando no balcão da Bamboletras. E tu estavas comemorando, Leite.

Tu fizeste campanha pro cara que matou desnecessariamente 450 mil brasileiros — o cálculo de mortos no país, se houvesse ação efetiva do governo, é de 150 mil. Inadvertidamente, mas por burrice, falta de visão e opção classista, foste parceiro em um genocídio, meu caro.

E agora tu pedes pra gente esquecer…

E Aline Passos completa:

Em todos os governo eleitos, existe uma relação óbvia: quem os elegeu carrega responsabilidade por isso.

Agora que estamos no pior governo da história, fascista, burro, corrupto, grosseiro, os eleitores não querem assumir a parte que lhes cabe no genocídio. E mais: querem atribuir justamente a quem não votou em Bolsonaro, o resultado dessa merda toda.

Ora, Sr. Eduardo Leite, se você cravou 17 na urna em 2018, esse voto é seu, somente seu. Talvez, como menino branco, rico, mimado, o Sr. não tenha sido ensinado a lavar a privada onde caga, mas isso não quer dizer que foi outra pessoa que cagou. Assumir a própria merda seria um bom sinal de que deixou de ser o filhinho de papai e se tornou, sei lá, adulto, que é requisito pra se candidatar, aliás.

Da necessidade da educação

Da necessidade da educação

Lembro de um encontro casual que tive com o Frei Betto no Sul21 durante o governo Lula. Ele me disse que o pessoal agora tinha geladeira, mas que não estavam aprendendo nada e que acabariam sem. 

Por Marino Boeira

Como faço sempre com os motoristas do Uber, puxei assunto com o Daniel que me levava para o cinema na noite de sexta. Primeiro ele me contou sua história. Como muitos outros, ele trabalha o dia inteiro numa indústria e nos fins-de-semana dirige o seu Fiat para aumentar a renda. Me contou que da corrida de 43 reais que vou pagar, vai ficar com apenas 20 reais. Que o aplicativo cobra cada vez mais dos motoristas e dá menos retorno. O aconselho a se unir a outros motoristas e fazer reivindicações em conjunto. Quem sabe organizar um sindicato? Ele me ouve e vai concordando. Obviamente, no final, pergunto em quem votou em 2018. Ele diz que foi no Bolsonaro, mas que acha que não vai repetir o voto. Por que não votou então no PT ? Porque eles roubam muito, responde. Como você sabe isso? É o que diz a mídia, me responde. Explico pra ele que a mídia teve interesse em desconstruir os governos do PT alegando questões morais para justificar tudo que fazem agora para retirar os ganhos dos trabalhadores. O Uber é só um aspecto dessa exploração, digo. Então, me dou conta mais uma vez que o grande culpado pelo governo do Bolsonaro é o PT. Durante seus 14 anos no poder, tentando conciliar com empresários, banqueiros e a mídia, foi incapaz de criar um programa de educação política das pessoas como o Daniel, motorista de Uber e tantos outros. Os eleitores do Bolsonaro foram aquelas pessoas que o PT não soube ensinar quais eram seus direitos de cidadão. Aquela famosa resposta do então todo poderoso Zé Dirceu, àqueles que lhe cobravam que o PT criasse um sistema público de divulgação da sua filosofia de governo – já temos uma rede de televisão, a Globo – é o melhor retrato de como o partido esqueceu de falar com a população mais pobre. O resultado é essa imensa alienação política que gera os bolsonaros, os dórias, os leites, os melos, os lasiers e os heinzes.

Por uma Lei da Bibliodiversidade

Por uma Lei da Bibliodiversidade

Fonte: IEA

Detalhes do evento

Quando:
de 13/10/2021 – 09:00

a 15/10/2021 – 17:00

Onde:
ON-LINE

Nome do Contato:
Cláudia R. Pereira

Telefone do Contato:
11 3091-1686

Todo mundo reclama da Amazon, menos os franceses e alguns outros países europeus. Na França, existe a Lei Lang, também chamada de “Lei do Preço Fixo”, que foi aprovada em 1981. Ela impõe limite a descontos dados por livrarias, com o objetivo de evitar a concorrência desleal. Entre 2013 e 2014, deputados e senadores aprovaram emenda que impede a Amazon de conceder descontos superiores a 5%, bem como o frete grátis.​.. Lá, o comércio deve respeitar o período de dois anos de lançamento do livro, oferecendo descontos máximos de 5% na venda ao consumidor final. Um sonho.

Há 40 anos a Lei Lang ou Lei do Preço Fixo-Único do Livro mobilizava a sociedade francesa pela regulação do preço do livro. Houve uma campanha de massa para a formação da opinião pública e os profissionais do livro se viram unidos em função de uma só pauta. A Lei foi aprovada por unanimidade pelas duas câmaras francesas, em 10 de agosto de 1981. Na época, venceu o projeto contra a concorrência desleal das livrarias, em resposta às grandes redes varejistas que apenas despontavam no mercado.

A vitória da Lei Lang despertou o debate sobre o Preço Fixo-Único do livro em todo o mundo, ou, pelo menos, nos países mais afeitos às francesias e onde a fragilidade das livrarias ia de par com a rarefação dos leitores e as incertezas do mercado. Hoje o debate atinge em cheio os profissionais do livro no Brasil e, em especial, o público leitor. O projeto de lei “Política Nacional do Livro e Regulação de Preços” (PL 49/2015), em tramitação no Senado, acende um alerta: é preciso lançar luz sobre as condições desiguais de produção, comércio e distribuição dos livros em um país desigual e com dimensões continentais.

Lei do Preço Fixo-Único ou Lei do Preço Comum? Somos “Por uma Lei da Bibliodiversidade”. A questão tem sido debatida sob a ótica do mercado, quando, na verdade, ela tem uma abrangência muito maior, dada a natureza do livro na economia de bens culturais, e de seu papel na formação dos leitores.

Ao celebrar os 40 anos da Lei Lang, pensamos em construir um diálogo de inestimável relevância para a sociedade, reforçando o vínculo histórico entre a França e o Brasil, com vistas na construção de políticas públicas para o livro, a começar pela regulação do mercado editorial.

Inscrições
Evento público e gratuito | sem inscrição prévia

Transmissão – Diffusion
www.iea.usp.br/aovivo

Organização
Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP)
Institut des Amériques (IdA), Pôle Brésil
Consulado Francês – Programa Cátedras Franco-Brasileiras no Estado de São Paulo
Embaixada da França no Brasil

Programação

13/10

9h Boas-Vindas – Bienvenue:

Guilherme Ary Plonski (EP, FEA e IEA/USP) e Marisa Midori Deaecto (ECA/USP); Livia Kalil (IdA-Sorbonne Nouvelle); Patrícia Sorel (Université Paris-Nanterre, Pôle Métiers du Livre); Nadège Mezié (Consulado da França, São Paulo) e Vincent Zonca (Embaixada da França)

10h Saudação do ex-Ministro da Cultura na França, responsável pela implementação da Lei do Preço Fixo, ou Lei Lang – Salutations de l’ancien ministre de la Culture en France, chargé de la mise en œuvre de la loi sur le prix fixe, ou Law Lang, Jack Lang
10h30 Saudação do Presidente do Bureau International de l’Édition Française – Bief – Salutation du Président du Bureau International de l’Édition Française – Bief, Antoine Gallimard
11h às 13h A Lei Lang: o Tempo da Política, da Economia e da Cultura – La Loi Lang: Le temps de la Politique, de l’Économie et de la Culture
A Lei Lang e as Mutações do Livro: balanços e perspectivas (1981-2021) – La loi Lang et les Mutations du Livre : bilans et perspectives (1981-2021) – Jean-Yves Mollier (Université de Versailles Saint Quentin-en-Yvelines, França)

A Lei Lang: Abordagem Política para uma Questão Econômica – La loi Lang : une Approche Politique d’une Question Économique – Nicolas Georges (Diretor do Livro e da Cultura; Ministério da Cultura, França)

A Lei Lang, Tempo Forte de Uma Política Cultural Fundada em um Caso de Exceção – La loi Lang, Temps Fort d’une Politique Culturelle Fondée sur un cas d’Exception – Françoise Benhamou (Université Sorbonne Paris Nord Sciences Po-Paris e Cercle des Économistes, França)

Mediação – La Médiation: Nadège Mezié (Consulado da França, São Paulo)

14h30 às 16h Mesas-Redondas – Tables Rondes: A Lei do Preço Fixo: Panorama e Perspectivas do Mercado Editorial – La loi sur le Prix Unique : Panorama et Perspectives du Marché de l’Édition
Panorama do Mercado Editorial e Livreiro do Brasil – Panorama du Marché de l’Édition et de la Librairie au Brésil – Vítor Tavares (CBL – Câmara Brasileira do Livro)

Retrato das Livrarias no Brasil – Les librairies au Brésil – Bernardo Gurbanov (ANL – Associação Nacional de Livrarias)

Pensar as Políticas Públicas Para Além das Grandes Compras e das Grandes Empresas – Penser les Politiques Publiques au-delà des Gros Achats et des Grandes Entreprises – Haroldo Ceravolo (Alameda Editorial e LIBRE)

Mediação – La Médiation: Paulo Werneck (Jornalista e Editor 451)

16h às 17h30 Livros a Mancheia para todo o Brasil: sobre o Preço do Livro e o Acesso à Leitura – Livres pour tout le Brésil: Sur le Prix Unique et l’Accès à Lecture
Correios: Logística e Estratégica no Território Nacional – La Poste: Logistique et Stratégie sur le Territoire National – Igor Venceslau (FFLCH-USP)

Políticas Públicas: Meios para Executá-las e Participação Social – Politiques Publiques: Moyens de Mise en Oeuvre et de Participation Sociale – Felipe Lindoso (Livro e Leitura)

O Mercado Editorial Brasileiro em Tempos de Covid: um Primeiro Balanço – Le Marché de l’Édition Brésilien en Temps de Covid-19 : un Premier Bilan – Marília de Araújo Barcellos (UFSM)

Mediação – La Médiation: Tadeu Breda (Editora Elefante)

14/10

9 às 10h Conferências de Abertura – Conférences d’Ouverture

O Que é a PL 49/2015? – Sur le PL 49/2015 – Jean Paul Prates (Senador da República)

Frente Parlamentar em Defesa do Livro, da Leitura e das Bibliotecas – Front Parlementaire Mixte de Défense du Livre, de la Lecture et des Bibliothèques – Ricardo Borges (Senado Federal)

Mediação – La Médiation: Fernanda Garcia (CBL)

10h30 às 13h Mesas-Redondas – Tables Rondes: Lei Lang: Experiências e Expectativas – Expériences et Attentes Autour de la Loi Lang
A Lei Lang Vista pelos Profissionais do Livro Franceses – La loi Lang Vue par les Professionnels du Livre Français – Patrícia Sorel(Université Paris-Nanterre, Pôle Métiers du Livre, França)

A Lei do Preço Fixo no Mundo – Le régime du Prix Unique du Livre dans le Monde – Jean-Guy Boin (ex-Bief, Economista)

Sobre a Lei do Preço Fixo: É Possível Sensibilizar a Sociedade Brasileira? – La loi sur le Prix Unique: Est-il Possible de Sensibiliser la Société Brésilienne? – Marcos da Veiga Pereira (Presidente do SNEL – Sindicato Nacional de Editores de Livros)

A Lei do Preço Fixo e o Impacto nas Livrarias – La loi sur le Prix Unique : Ses Conséquences sur les Librairies – Marcus Teles (Livraria Leitura, CBL e ANL)

Mediação – La Médiation: Vincent Zonca (Embaixada da França)

14h30 as 17h Mesa-Redonda – Table Ronde: Editoras e Livrarias Independentes: uma Mirada Latino-americana sobre a Questão do Preço Fixo – Maisons d’Édition et Librairies Indépendantes: Un Regard Latino-Américain sur les Enjeux du Prix Unique
O Lugar do Preço Fixo nos Ativismos Editoriais Brasileiros – La Place du Prix Unique dans les Activismes Éditoriaux au Brésil – José de Souza Muniz Júnior (DELTEC-CEFET-MG)

Preço Fixo do Livro na América Latina: um Debate Inacabado – Prix Unique du Livre en Amérique Latine : Un Débat Inachevé – José Diego Gonzalez Mendonza – (Cerlalc, Colômbia)

A (Des)ilusão do Preço Único no México – La (Dés)illusion du Prix Unique au Mexique – Tomás Granados Salinas (Grano de Sal, México)

A Lei do Preço Único na Argentina: um Balanço Após 20 Anos de Experiência – La Loi sur le Prix Unique en Argentine: Un Bilan après 20 ans d’Expérience – Alejandro Dujovne (CONICET e  Programa Sur de Traducciones, Argentina)

Mediação – La Médiation: Lilia Zambon (Companhia das Letras e CBL)

15/10

9h às 9h50 Conferência de Abertura – Conférence d’Ouverture

Fixar o Preço, Salvar o Livro. Convergências, Tensões e Percursos no Caso Português – Fixer le Prix, Sauver le Livre. Convergences, Tensions et Parcours dans le Cas Portugais – Nuno Medeiros (ESTeSL-IPL)

Mediação – La Médiation: Bel Santos Meyer (IBEAC e Literasampa)

10h às 12h30 A Economia do Livro: o Preço da Leitura no Brasil – L’économie du livre : Le prix de la lecture au Brésil
A Lei do Preço Fixo, Preço Justo, Preço Comum: uma das Lutas mais Importantes do Mercado Editorial e Livreiro no Brasil – Une loi sur le Prix Unique, un Prix Juste, le Même pour tous : une des Luttes les Plus Importantes du Marché du Livre au Brésil – Alexandre Martins Fontes (WMF Martins Fontes Editora/Livraria e CBL)

Tudo Começa na Livraria – Tout Commence à la Librairie – Rui Campos (Livraria da Travessa)

A Importância da ‘Lei’ para a Manutenção de Pequenas Livrarias em um País Rico e Desigual na Periferia do Mundo –  L’importance de la “Loi” pour le Maintien des Petites Librairies dans un Pays Riche et Inégalitaire à la Périphérie du Monde – Adalberto Ribeiro (Livraria Simples)

Sintomas do Mercado Editorial em Busca de Transformação, a Partir de uma Postura Independente – Symptômes du Marché de l’Édition en Quête de Transformation, à Partir d’une Position Indépendante – Larissa Mundim (Nega Lilu Editora)

Mediação – La Médiation: Nanni Rios (Livraria Baleia)

14h30 às 17h Mesa-Redonda – Table Ronde: Pensar 40+: Passado e Futuro da Difusão e do Acesso ao Livro no Brasil – Penser 40+ : Passé et Avenir de la Diffusion et de l’Accès au Livre au Brésil
Como Está o Livro? – Comment va le Livre? – Ana Elisa Ribeiro (DELTEC-CEFET-MG)

Ágora do agora: A relevância do livro num mundo disperso – Agora d’Aujourd’hui: L’importance du Livre dans un Monde Dispersé – João Varella (Editor da Lote 42 e Banca Tatuí)

Entre as Corporações e os Caminhos Independentes – O Mercado Editorial em Tempos Ambivalentes – Entre Corporations et Chemins Indépendants. Le Marché Éditorial dans des Temps Ambivalents – Paulo Verano (ECA/USP e Casa Educação)

40 Anos de Inquietações: A Recepção da Lei do Preço Fixo no Brasil – 40 Ans d’Inquiétudes: La Réception de la loi sur le Prix Unique au Brésil – Marisa Midori Deaecto (ECA-USP)

Mediação – La Médiation: Lívia Kalil (Institut des Amériques, Pôle Brésil)

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo

Drops políticos

Drops políticos

Este governo é o governo do baixo clero, dos achacadores, dos pequenos ladrões, das rachadinhas, das pequenas propinas para viabilizar um prédio aqui ou uma obra ali. Não é um governo de grandes ladrões, como já tivemos tantos, é um um governo ao qual falta conhecimento para tudo, até para roubar. Falta-lhes educação, ética, humanidade, inteligência, classe (no sentido de elegância), tudo. Não conseguem nem nos enganar…

Superfaturar a vacina que todos estão esperando e de olho é burrice. Apoiar madeireiras para devastar a Amazônia é outra burrice. Ah, que saudades do Temer..

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“Acabou Chorare” é um dos melhores discos já lançados no Brasil — alguns dizem que é o melhor –, mas agora só quero ouvir “Acabou Sonaro”.

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Bolsonaro se descontrola facilmente quando as perguntas vêm de mulheres. Eu acho que, se os questionamentos viessem de um repórter vestido de militar, ele se apaixonaria na hora. Sai do armário e vive uma vida autêntica, quirido!

Terra x Tasso na CPI

Terra x Tasso na CPI

O senador Tasso Jereissati resumiu tudo ao questionar Osmar Terra, o deputado que orientou o genocida:

Tasso: O senhor previu que a pandemia mataria menos que a H1N1?
Terra: Correto.
Tasso: Que haveria cerca de 900 mortes apenas?
Terra: Sim
Tasso: Falou que a pandemia acabaria em junho ou julho de 2020?
Terra: Sim.
Tasso: Falou pra esquecer vacina, porque não teria a tempo?
Terra: Nunca tinham desenvolvido vacina no surto pandêmico. Conseguiram nessa.
Tasso: E que não haveria segunda onda no Amazonas?
Terra: Eu disse que era pouco provável.
Tasso: Não está na hora de o senhor parar de dar opinião?

Osmar Terra previu um Inter arrasador em 2021

 

Presidente de Portugal defende leitura como impulso à economia: ‘É aposta no desenvolvimento a longo prazo’

Em entrevista exclusiva, Marcelo Rebelo de Souza relata suas doações de mais de 200 mil livros e títulos e comenta a polêmica sobre tributação no Brasil

De O Globo.

PORTO, Portugal — Presidente dos Afetos, como é carinhosamente conhecido em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa defende com ternura a educação e a leitura como principal caminho para o desenvolvimento econômico de longo prazo.

Em entrevista à coluna Portugal Giro, ele conta como suas doações de livros ajudaram a tornar Celorico de Basto, terra de sua avó e então município mais pobre de Portugal, em um celeiro de cultura.

Chamada: ‘Há qualidade de vida no interior de Portugal, faltam pessoas. É o momento de os brasileiros virem’, diz ministra do país

— Havia de encontrar onde apostar no desenvolvimento. E eu entendi que era a longo prazo, na cultura e na educação.

A cidade ganhou notoriedade e melhorou a infraestrutura. Depois da biblioteca, Marcelo apadrinhou uma feira do livro, que atraiu ao longo dos anos políticos, escritores, jornalistas, turistas e potenciais investidores.

Imigração: Inscrições de médicos brasileiros em Portugal aumentam 12% na pandemia

O presidente português comentou ainda a recente polêmica sobre o acesso a livros no Brasil, após estudo da Receita Federal defender a tributação no setor sob o argumento de que os pobres leem menos do que os ricos:

— É evidente que há uma clivagem econômica e social muito acentuada. Quem lê mais, escreve mais e melhor. Marca o começo da vida. As escolas públicas e particulares têm o dever de corrigir essa desigualdade — afirma Marcelo, que já fez mais de 200 mil doações.

O bolsonarismo e a taxação dos livros: hipocrisia, mentira e anti-intelectualismo

O bolsonarismo e a taxação dos livros: hipocrisia, mentira e anti-intelectualismo

Do Esquerda Online.

A isenção tributária sobre os livros é uma garantia constitucional, consagrada no artigo 150, daquela que ficou conhecida como a Constituição Cidadã. De certo modo foi um gesto de um Brasil que, recém-saído de 21 anos de Ditadura, buscou valorizar o papel da educação e da cultura – e dos livros como um de seus instrumentos – para construção de uma sociedade democrática.

Não nos deveria causar espanto um governo odioso como o de Bolsonaro voltar suas armas também contra essa garantia constitucional. Afinal, cultura e educação, já sabemos bem, são um dos principais alvos do bolsonarismo. Nesse caso específico, o argumento utilizado pelo Ministro Paulo Guedes, segundo o qual a leitura de livros seria um hábito de luxo, apenas para ricos, e que a sua taxação seria uma espécie de justiça social ao poder com isso destinar mais recursos aos pobres – ao bolsa família por exemplo – é também típico da hipocrisia e superficialidade do desgoverno federal.

Basta uma rápida ida ao texto da Constituição e veremos, por exemplo, que no mesmo artigo 150, que veda à União, Estados e Municípios a instituição de imposto sobre os livros; também há, algumas alíneas acima, a mesma garantia em relação aos templos religiosos de qualquer culto. Se você que lê essas linhas mora no Brasil, deve ter conhecimento dos verdadeiros impérios construídos com base na exploração econômica da fé.

É de conhecimento público a intensa e diversa atividade econômica que ultrapassa as paredes dos templos. E por óbvio, também sabemos que esses impérios há muito criaram raízes na política institucional brasileira, vide a própria bancada da bíblia no congresso federal com sua Frente Parlamentar Evangélica (FPE) composta de 182 parlamentares. Ao que parece, os únicos que não sabem disso são Paulo Guedes e sua equipe econômica, que ao se debruçar sobre o mesmo artigo da Constituição preferiram centrar fogo nos livros. Sabemos bem o porquê, não é mesmo?

E tem mais, quando alega que os recursos da taxação dos livros poderão ser utilizados para distribuição de renda, Guedes mente desavergonhadamente sobre a natureza da reforma tributária que está sendo planejada. No Brasil, toda a carga tributária está sustentada em cima do consumo, e não da renda ou patrimônio. Isso faz com que, ao contrário do que se pensa, sejam os mais pobres que pagam proporcionalmente mais impostos. É o que se chama de carga tributária regressiva. É justamente esse mecanismo perverso e, considerando as profundas desigualdades sociais e raciais brasileiras, racista, que o governo federal não tem a menor intenção de alterar. Nesse sentido, o discurso de Guedes não passa de um engodo.

Autoritarismo e anti-intelectualismo

Esse episódio da taxação dos livros deve ainda nos fazer pensar sobre outra lição que a História há muito nos ensinou. O Anti-intelectualismo é marcadamente um dos traços dos governos de viés autoritário. Os fascistas, particularmente, abominam a ciência com o mesmo fervor que cultuam os mitos. Num recente e necessário livro publicado em 2018, sob o título “Como funciona o fascismo”, o filosofo estadunidense Jason Stanley sustenta que:

“A política fascista procura minar o discurso púbico atacando e desvalorizando a educação, a especialização e a linguagem. É impossível haver um debate inteligente sem uma educação que dê acesso a diferentes perspectivas, sem respeito pela especialização quando se esgota o próprio conhecimento e sem uma linguagem rica o suficiente para descrever com precisão a realidade.”

Stanley ainda argumenta que, para os fascistas, o debate público deve ser ocupado não com a ciência, ou com formulações balizadas por pesquisas, pluralidade de perspectivas, experimentação e formulação de hipóteses; mas sim pela propaganda doutrinária. E para isso, recorre a ninguém menos que o próprio Adolf Hitler, que escreveu na sua biografia Mein Kampf que:

“A capacidade receptiva das massas é muito limitada, e sua compreensão é pequena; por outro lado, elas têm um grande poder de esquecer. Sendo assim, toda propaganda eficaz deve limitar-se a pouquíssimos pontos que devem ser destacados na forma de slogans.”

Num país que desgraçadamente tornou-se o epicentro mundial da pandemia, estamos experimentando da pior maneira possível a consequência do Anti-intelectualismo, da vulgarização da importância da leitura e negação da ciência. Esse governo genocida negou a gravidade da Covid-19, a apelidou de gripezinha, sabotou as medidas sanitárias e implementou uma verdadeira política anti-vacina. O preço de tudo isso está sendo cobrada em vidas e, com os sucessivos reveses do plano de vacinação que aponta para uma indefinida escassez de vacinas, ainda estamos longe de saber qual será a extensão dessa fatura sinistra.

Dois gráficos aterrorizantes que dão a real sobre a evolução do Covid-19 no Brasil

Dois gráficos aterrorizantes que dão a real sobre a evolução do Covid-19 no Brasil

Acima, a proporção de mortos brasileiros em relação aos mortos do mundo inteiro, em comparação com o tamanho da população brasileira em relação ao resto do mundo.

E a proporção da população já vacinada em Israel, Reino Unido, Chile, EUA, Canadá, União Européia e, lá embaixo no gráfico, o Brasil.

As 300 mil mortes não abalaram os 30% de aprovação a Bolsonaro

As 300 mil mortes não abalaram os 30% de aprovação a Bolsonaro

As mais de 300 mil mortes não abalaram os 30% de aprovação a Bolsonaro. Ou seja, não dá para subestimar o tamanho da extrema direita e do fundamentalismo religioso no Brasil. Por outro lado, a rejeição a Bolsonaro está batendo nos 60%.

A equação está bem complicada, pois os 30% de ignorantes, religiosos, fascistas, machistas, pró-armas, etc. parecem ser impermeáveis a argumentos (e às mortes).

O principal candidato da oposição é óbvio. A direita e o centro civilizados é que não emplacaram ninguém ainda. E eles poderiam, quem sabe, corroer um pouco dos 30% do Bolso. Doria conseguiria isto? De onde sairiam seus eleitores?

Bem, eu acho que hoje a campanha na área política teria que ser a de desvincular religião e política. Quem criou isso? Ora, os próprios políticos de TODAS AS COLORAÇÕES. Sempre foi óbvio que as pessoas simples entendem melhor as propostas da direita. Só mesmo um tolo poderia achar que os evangélicos abraçariam a esquerda. Afinal, os bispos são protofascistas.

A outra opção é garantir que Bolsonaro e família têm parte com o diabo…

Nossa, quando lembro das fotos da inauguração do “Templo de Salomão” me dá espasmos.

Pastor Everaldo, depois preso por desvios no RJ, batizou Bolsonaro nas águas do rio Jordão

As mentiras de ontem à noite

As mentiras de ontem à noite

A fala de ontem de Bolsonaro me deixou mais uma vez perplexo. Desta vez não foi pela vulgaridade nem pela dificuldade que ele tem de ler, mas pelas mentiras mesmo. Foi como se ele achasse que poderia apagar todas as suas falas no cercadinho, nas entrevistas, nos domingos, no Twitter, no YouTube, nos discursos oficiais (gripezinha), etc.

O pior é que acho que o gado que o apoia talvez acredite nele. Talvez agora pense que, “debaixo dos panos, ele sempre quis a vacina”.

Uma vez, recebi de um bolsonarista religioso um artigo que dizia que a vacina era feita a partir de fetos abortados. Quando rebati, o cara quis brigar comigo, me ofendeu e tal. Então, acho que a maioria do gado está disposta a engolir tudo. Só espero que alguns se desgarrem.