A Bamboletras recomenda o último livro de Chico Buarque, o de Juremir e o de Mairal

A Bamboletras recomenda o último livro de Chico Buarque, o de Juremir e o de Mairal

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Acabamos de receber Anos de Chumbo, último romance de Chico Buarque, assim como também Memória no Esquecimento, romance de Juremir Machado da Silva, e Salvatierra, de Pedro Mairal. Talvez seja desnecessário apresentar estes 3 grandes autores de nuestro continente, mas, abaixo, deixamos algumas palavras sobre os livros.

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Anos de Chumbo e Outros Contos, de Chico Buarque (Cia. das Letras, 168 páginas, R$ 59,90)

Após o excelente Essa Gente, Chico Buarque retorna com seu primeiro livro de contos. O Chico que emerge de deste livro imperdível é um autor amargurado, surrealista, irônico e perplexo diante deste país aflitivo. Uma jovem e seu tio. Um grande artista sabotado. Um desatino familiar, uma moradora de rua solitária, um passeio por Copacabana, um fã fervoroso de Clarice Lispector, um casal em sua primeira viagem, um lar em guerra. Imersos na atmosfera da ficção de Chico Buarque, caracterizada pela agudeza da observação e a oposição entre o lírico e o cômico, os oito contos que formam este volume conduzem o leitor pela sordidez e o patético da condição humana. Com alusões ocasionais à nossa presente barbárie, o autor ergue um labirinto de surpresas. Um livro arrebatador.

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Memória no Esquecimento, de Juremir Machado da Silva (Sulina, 310 páginas, R$ 54,90)

Nesse romance, Juremir Machado da Silva mergulha nas vacilantes memórias de seu protagonista. Em tempos nos quais o Alzheimer é tema cotidiano e atinge cada vez mais pessoas, tais situações, que criam dramas familiares e paixões que resistem ao desgaste, acabam por vencer o esquecimento. A narrativa é construída com detalhes ora poéticos, ora realistas, testemunhos de sutilezas do cotidiano de uma pessoa fragilizada. Fala também de vivências comuns, como o andar de bicicleta até perder o fôlego, o amor de um cachorro de estimação adotado quando filhote, os mistérios familiares e as ilusões que carregamos ao longo da vida. Impossível não querer descobrir as peças do quebra-cabeças desta história – assim como não se pegar pensando sobre o conjunto de suas próprias lembranças, identificando as paredes do próprio castelo.

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Salvatierra, de Pedro Mairal (Todavia, 112 páginas, R$ 54,90)

Um novo livro do autor de A Uruguaia e Uma Noite com Sabrina Love! Novo? Publicado originalmente em 2008, Salvatierra é um dos romances mais admirados do argentino Pedro Mairal. Juan Salvatierra, um pintor mudo, humilde e autodidata, deixa aos filhos uma misteriosa obra de arte como herança: um imenso mural que ocupa quase quatro quilômetros de rolos de tecido, produzido em segredo até o dia de sua morte. Miguel, o filho mais novo, é o principal encarregado de tomar algumas providências em relação à inusitada obra: resgatá-la do armazém onde estava guardada (ou abandonada) e providenciar sua transferência para um museu holandês. Começa então o trabalho de decifrar a obra. Com precisão, sobriedade e lirismo, o autor explora sutilmente as ligações entre o passado e o presente, entre pais e filhos e entre vida e arte. Uma narrativa evocativa, cheia de ressonâncias, sobre a verdadeira aventura que envolve o acesso ao mais íntimo daqueles que nos são próximos.

Acho que todos conhecem esse cara, não?

Que pessoa de bom gosto é a Morgana Machado… Leiam o que ela escreveu sobre meu livrinho.

Que pessoa de bom gosto é a Morgana Machado… Leiam o que ela escreveu sobre meu livrinho.

Milton, finalizei teu livro hoje.

Não sou analista criteriosa de escrita, narração e de todo o blá blá blá literário. Minha área é outra. Eu só leio. Minha opinião se sujeita ao gostar ou não gostar. Como já feito por alguns amigos teus, gostaria de poder tecer maiores análises para te passar, porém não é minha praia e acho prudente respeitar meus limites.

Posso te dizer que gostei! Gostei muito. Que alegria te conhecer e ter tido a oportunidade de ler teu primeiro livro. Tenho dificuldade com contos, são poucos os livros de contos que li, acabo sendo mais adepta aos romances, questão de gosto. Mas roubando uma frase de um amigo teu “o livro vai num crescendo” e isso nos prende querendo logo ler a próxima narrativa. Eu li parecendo que estava lendo um romance, mesmo sabendo que as histórias não se relacionavam.

Parabéns Milton. Peço gentilmente que providencie o próximo para que eu possa me exibir para os meus amigos dizendo: “Eu conheço esse escritor, ele é da Bamboletras, conheço desde o início da sua obra”.

Minha sessão de autógrafos na Feira do Livro será no dia 30, às 19h

Minha sessão de autógrafos na Feira do Livro será no dia 30, às 19h

Ai… É com imenso receio e dor no coração que lhes aviso que estarei autografando meu livro “Abra e Leia” na Feira do Livro 2021. Será no dia 30 de outubro, sábado, às 19h, na Praça de Autógrafos.

Acho que vou contratar 4 pessoas para ficarem formando uma fila falsa, circular. Eu prometo fazer uma anotação no início de cada conto. Como são 22, darei 88 autógrafos.

(Quem leu o livro, deve lembrar do começo de “Os Velhinhos”. Por que fui escrever aquilo?).

Bem, gente, é isso. NÃO ME DEIXEM SÓ! Por favor, leve sua solidariedade! É bonito e digno. Eu juro que não vou escrever gratiluz na dedicatória, tá?

Gustavo Melo Czekster sobre Abra e Leia

Gustavo Melo Czekster sobre Abra e Leia

Não faz muito tempo li um comentário que alguém escreveu sobre o livro Abra e leia, do Milton Ribeiro, dizendo que, por conhecer e apreciar o autor, tinha receio de se decepcionar com o livro. De certa forma, era o mesmo que eu sentia e, agora que li a obra, posso garantir a vocês, potenciais leitores, que não, não há nenhum risco disso acontecer. Pelo contrário, aliás: a admiração de vocês pelo Milton só tende a crescer. Quer dizer que o cara, além de entender de música, ter uma livraria, fazer ótimas resenhas e ser colorado, ainda é escritor? Mas quantas vezes ele entrou na fila de distribuição de benesses e qualidades? Precisa de uma CPI isso aí, hein.

Abra e leia foi uma leitura que comecei um pouco receoso, mas que logo foi se tornando prazerosa e, com o passar do tempo, até esqueci que era o Milton quem tinha escrito o livro. Só lembrava disso às vezes, quando o Milton aparecia dentro das histórias quase como um fantasma assombrando suas criações. É um livro que faz algo inédito nos tempos atuais: ele conta histórias. Sejam insólitas, trágicas ou cômicas, os contos de Abra e leia resgatam aquele prazer quase indescritível que é ler uma história bem escrita e bem contada, do tipo que parece estar se desenrolando diante dos nossos olhos e que estamos testemunhando acontecer. Em suma, uma maravilha de leitura. E, se alguns contos parecem acabar de uma maneira abrupta ou sem nenhum tipo de epifania, é por que a vida também acontece assim: cheia de cortes, de questões não respondidas, de finais que a gente não sabe se existem mesmo ou se só inventamos para não pensar mais naquilo.

Um detalhe de ritmo que o Milton tirou da música e trouxe para o livro: ele vai em um crescendo. Começa com boas histórias que, aos poucos, vão cativando a atenção, e a consistência narrativa vai se aprofundando cada vez mais até chegar em uma sequência final de contos realmente extraordinários. Melhor ir lendo aos poucos para ter essa impressão de arrebatamento, que eu nem consegui ver quando começa de verdade (sinal de que foi bem feita a escolha da ordem dos contos), mas, em geral, uma seleção de contos vai alternando maus, bons e ótimos momentos, algo que não acontece em Abra e leia, em que aquilo que era bom no início fica excepcional no final.

Entre os contos, gostei muito da praticidade filosófica e engraçada presente em Luciana e o hedonismo, do insólito em Os velhinhos, da situação quase kafkiana em Enquanto os psicanalistas se divertem, da maravilhosa construção de personagem em O Violista (muito leria um romance inteiro com esse personagem, um Sancho Pança sem Quixote), da estranheza que chamamos de vida em As afinidades ininteligíveis – quem nunca se perguntou “como foi que já gostei dessa pessoa no passado?” -, da insuspeitada força de Abra e leia, que tem um final extremamente vigoroso, e da tragédia que vira comédia em Anita e Belle, que me fez dar uma gargalhada tão alta que possivelmente acordei meus vizinhos nessa última madrugada.

Eu sei que muitas pessoas hoje consideram a literatura como um exercício sociológico, outros tentam mudar o mundo através dos seus livros, tem aqueles que desejam expressar sua visão pessoal ou filosofias particulares usando uma moldura ficcional, e está tudo bem querer isso, cada um com a sua literatura. Eu, contudo, como sou um leitor antiquado, do tipo que gosta de ler boas histórias, daquelas que me enganem muito bem e me façam acreditar piamente no que foi narrado, posso garantir que gostei muito de Abra e leia, tanto que agora farei ao Milton a pergunta temida por qualquer escritor: tá, e daí, quando vem o próximo?

Catorze Camelos para o Ceará, de Delmo Moreira

Catorze Camelos para o Ceará, de Delmo Moreira

Este é um livro surpreendente. Um daqueles que merecem a expressão “puro suco de Brasil”. Você sabia que, na metade do século XIX, mais exatamente por volta de 1859, os brasileiros estavam indignados com o que os europeus diziam ser nosso país? Pois na Europa havia livros que falavam de animais fabulosos – muitos deles semi-humanos –, de canibais insaciáveis e de povos indígenas de 3m de altura caminhando por nossas ruas. Pois D. Pedro II e seu governo promoveram a primeira expedição científica brasileira, que saiu do Rio de Janeiro para o Nordeste e Norte do país, capitaneada pelo engenheiro e mineralogista barão de Capanema, o botânico Freire Alemão e o poeta e etnólogo Gonçalves Dias, o autor de Canção do Exílio e do I-Juca-Pirama.

A exploração faria um levantamento do solo, flora e fauna da região e, como o problema da seca vem de longe, o monarca adquiriu 14 camelos argelinos, acompanhados de quatro tratadores africanos, para que a expedição se movimentasse pelo sertão. É sabido que, sem água, os camelos vão mais longe do que os jegues. Porém, como o Brasil já era aquilo que conhecemos, os camelos tornaram-se motivo de piadas. Os bichos trabalharam e se reproduziram do mesmo modo que fizeram nos EUA e principalmente na Austrália. E foram úteis, mas a oposição e sua imprensa sepultaram a ideia, pondo a iniciativa no ridículo.

E sabem que a má fama dos camelos argelinos chegou a nossos dias? A Imperatriz Leopoldinense venceu o Carnaval carioca de 1995 com o enredo Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube no Ceará. A Escola contava a história da expedição e boa parte da culpa do “malogro” coube aos pobres camelos. Não é verdade.

Num texto fluido, realmente bom de ler, o jornalista Delmo Moreira recriou a aventura da expedição, uma tragicomédia que misturou absoluto pioneirismo, vocação científica, muita burocracia, casos amorosos e alguma cachaça. Em meio a desvios de rota, corte de verbas, férias prolongadas e conflitos com os locais, a história da expedição é também a de um país que começava a se descobrir. Como os envolvidos eram cientistas, a aventura está muito bem documentada e Moreira levou 5 anos lendo e alinhavando tudo num esplêndido texto de mais ou menos 250 páginas.

“Não vos parece, senhores, que já era tempo de entrarmos, sem auxílio estranho, no exame e investigação desse solo virgem?”, propôs o visconde de Sapucaí. “De desmentirmos esses viajantes de má-fé ou levianos que nos têm ludibriado e caluniado?” Ex-preceptor de Pedro II, Sapucaí presidia o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Na sessão solene de maio de 1856, os sócios da instituição denunciavam, em discursos exaltados, exploradores estrangeiros que haviam publicado na Europa uma série de informações falsas e fantasiosas sobre o Brasil. Defendiam que o país tinha o dever de patrocinar uma missão exploratória e propunham a formação de um grupo de cientistas para estudar, sem controle estrangeiro, como nunca havia sido feito antes, o imenso e desconhecido território nacional. Até então, naturalistas locais serviam como meros colaboradores de expedições estrangeiras, sem autonomia sequer para escolher roteiros. Agora eles queriam “mostrar ao mundo que não nos faltam talentos e habilitações” para as pesquisas científicas. O Império só teria a ganhar: “Tudo seria do mais alto interesse: conhecimentos da topografia, dos cursos dos rios, dos minerais, das plantas e animais, dos costumes, da língua e das tradições dos autóctones, cuja catequese seria também mais facilmente compreendida”, previu o visconde.

Mas temos a dor e o prazer de estarmos no Brasil. Os conservadores fizeram pouco. Eles queriam que a expedição descobrisse riquezas… Ouro, por exemplo, não foi encontrado. Os liberais defendiam a iniciativa, mas como ela só trazia plantinhas, insetinhos e bichinhos grandes e pequenos, ficava difícil de defendê-la. A história dos camelos e da exploração é fascinante, às vezes hilariante, demonstrando que os conflitos com a ciência têm mais de um século em nosso país. Capanema e de Gonçalves Dias — esplêndidos personagens – que o digam.

Os camelos? Ora, morreram em fazendas e em circos.

Os resultados? Ora, por puro desinteresse, o fartíssimo material jamais foi catalogado. Agora, boa parte se perdeu porque ele estava naquele enorme museu de história natural e antropologia inaugurado em 1818 e que ficava no interior do Parque da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Sim, no Museu Nacional, aquele mesmo que queimou em setembro de 2018.

Delmo Moreira

 

A Bamboletras recomenda dois livros de crônicas e um clássico

A Bamboletras recomenda dois livros de crônicas e um clássico

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Recomendamos, nesta semana de sol, dois livros gaúchos de crônicas, um do já famoso contista e romancista José Falero e outro da estreante Naia Oliveira. De quebra, um livro praticamente inédito do grande Hermann Hesse.

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Mas em que mundo tu vive?, de José Falero (Todavia, 280 páginas, R$ 64,90)

Quem se empolgou com a narrativa eletrizante de Os Supridores, primeiro romance de José Falero, vai encontrar nestas crônicas uma ampliação do universo do autor. Publicados originalmente na revista digital Parêntese, do grupo Matinal, os textos de Mas que mundo tu vive? revisitam o gênero que é uma das tradições literárias brasileiras. As crônicas trazem as contribuições e o olhar únicos de seu autor, falando do cotidiano — seja com lirismo, seja com o olhar atento de um observador da vida brasileira –, mas também alargando os limites do gênero, misturando ensaio e ficção, memorialismo e crítica ácida, para oferecer ao leitor um retrato sem retoques de jovens em busca de um rumo na vida.

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Na Pandemia com Chico, de Naia Oliveira (Território das Artes, 63 páginas, R$ 35,00)

Na Pandemia com Chico são crônicas inspiradas pelas observações do que ocorria em frente à janela da autora, mas exatamente na Praça Nações Unidas, durante a pandemia. Com suas canções, Chico Buarque foi o parceiro involuntário e inspirador da aventura. Naia Oliveira registra a movimentação dos transeuntes na praça. Do quinto andar, ela vislumbra, entre a vegetação, pessoas e animais usufruindo do espaço público de diferentes maneiras. A cada olhar, a imaginação corre solta. O livro tem prefácio de Cátia Castilhos Simon e design gráfico da Liana Timm.

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O Lobo e outros Contos, de Hermann Hesse (Todavia, 448 páginas, R$ 109,00)

Um Hesse praticamente inédito! Dos 20 contos presentes neste livro, 18 jamais tinham sido traduzidos. Organizadas cronologicamente, as histórias abarcam um longo período produtivo — de 1903 a 1948 —, acompanhando o amadurecimento do autor,  um dos maiores do século XX. A ambivalência do ser humano, os duelos internos entre instinto e espírito, liberdade e piedade, estão em cada narrativa e em seus conflituosos personagens. Esta antologia em capa dura apresenta Hesse em toda sua genialidade, e chega ao Brasil pela primeira vez como um verdadeiro clássico.

José Falero | Foto: Diego Apoli / Divulgação

Eu falando de meu livro no Programa Folhetim, da Rádio da Ufrgs

Eu falando de meu livro no Programa Folhetim, da Rádio da Ufrgs

Eu não ouvi, mas espero não ter sido tão burro. Sou muito melhor escrevendo do que falando. Na verdade, falando sou quase um idiota. Mas alguma coisinha do que disse deve prestar, sei lá. Acho que as pessoas me convidam para dar palestras porque vou sempre informado até os dentes a fim de que eles não vejam quão inábil sou.

O que o pessoal da Rádio da Ufrgs não sabe é de minha devoção pela emissora que ouço desde os anos 70. Eu amo esta rádio do mesmo modo que meu pai a amava. Ela a chamava sempre de Rádio da Universidade. Para ele e toda a minha família, só a Ufrgs existe. Nós quatro nos formamos lá.

O apresentador Pedro Palaoro introduz assim minha entrevista:

“Nesta semana o Folhetim recebe o escritor e livreiro Milton Ribeiro. Ele está lançando seu primeiro livro de contos Abra e Leia, obra que sai pela Editora Zouk. No volume ele reúne uma série de histórias escritas ao longo dos anos e que refletem a trajetória de um amante da comédia humana.”

O prédio da Rádio da Ufrgs | Foto: Ufrgs

Mande a Amazon catar coquinho, por Rogério Galindo

Mande a Amazon catar coquinho, por Rogério Galindo

Uma vez vi a seguinte comparação (foi num vídeo do Michael Sandel, muito legal, aliás): o Bill Gates é tão rico que se ele encontrar uma nota de cem dólares no chão não vale a pena se abaixar para pegar. Nos três segundos que ele perderia fazendo isso ele ganha mais do que cem dólares.

Hoje Gates, coitado, não é o mais rico do mundo. Vi essa semana que Jeff Bezos, o dono da Amazon, faturou algo como 9 mil reais por segundo em 2020. Quer dizer, não foram reais, foi aquela moeda deles que valia dois reais e agora vale quase seis…

Isso significa o seguinte: se oferecerem uma livraria de rua para o dono da Amazon de graça não vale a pena ele parar por cinco minutos para assinar o contrato. Nesse tempo, ele já teria faturado uns R$ 2,5 milhões – e sabe-se lá quantas livrarias isso compra.

Fato é que Bezos nem precisa de contrato para ir engolindo as pequenas: ele já está fazendo isso de outro jeito; sem negociar, só passando por cima mesmo.

A Amazon ganhou uma escala tão grande que é impossível competir com ela. Faz ofertas para o público e para as editoras que inviabilizam a concorrência mesmo de outras gigantes (que hoje parecem miúdas). Imagina como está a vida praquele livreiro pequenino que aposta em qualidade, relacionamento, livros artesanais…

Ninguém precisa ser ludita ou anticapitalista para ver que algumas empresas americanas estão tomando proporções ameaçadoras: Google, Facebook e Amazon talvez sejam as principais. São monopólios em alguns casos, ou monstros com pés de chumbo que pisoteiam os menores.

Por isso vêm surgindo iniciativas para valorizar as pequenas livrarias. Aquele pessoal que te serve café, sabe fazer recomendações, deixa você cheirar o papel sem te chamar de esquisitão.

Em Curitiba, já perdemos nos últimos anos a Fnac, a Cultura e a Saraiva. Mostramos que A Página vem ganhando espaço. Mas é pouco. Então vem o recado.

Se puder, compre nas pequenas, nas independentes. Compre na Arte e Letra, na Vertov, na Joaquim, na Itiban. São livrarias muito legais e que passam por problemas sérios.

Nada contra comprar na Internet, claro. Mas pense como o mundo fica mais pobre a cada vez que deixamos os gigantes esmagarem nossos amigos, nossos caros e esforçados amigos que nos fazem tanto bem.

Viva os livros, vivam as livrarias!

Abraços.

A Bamboletras recomenda…

A Bamboletras recomenda…

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

A falta do objeto direto no título deste e-mail deve significar nossa falta de capacidade para encontrar algo em comum entre a obra-prima de Ernaux, a relação mãe e filha de Doshi e a filosofia com cachorrinha e Heidegger de Pessanha, Mas garantimos que só tem coisa boa aí!

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O Lugar, de Annie Ernaux (Fósforo, 72 páginas, R$ 49,90)

Annie Ernaux era a favorita para receber o Nobel de 2021. As apostas davam-na como favorita. Não deu, mas ela é extraordinária. O Lugar é o livro que lançou Ernaux à fama. A obra estabelece as bases para o projeto literário da autora que seria levado adiante por três décadas de consagração crítica e sucesso de público. Nesta autossociobiografia, uma das mais importantes escritoras vivas da França se debruça sobre a vida do próprio pai para esmiuçar relações familiares e de classe, numa mistura entre história pessoal e sociologia que décadas mais tarde serviria de inspiração declarada a expoentes da autoficção mundial como Édouard Louis e Didier Eribon. O resultado é um clássico moderno profundamente humano e original.

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Açúcar Queimado, de Avni Doshi (Dublinense, 272 páginas, R$ 69,90)

Antara nunca escondeu o ressentimento que nutre pela mãe, que abandonou o marido para morar em uma comunidade místico-hippie e chegou a viver na rua, deixando a filha sempre à própria sorte. Agora que a mãe começa a sofrer de demência e ter episódios de esquecimento, Antara se vê diante da indesejada responsabilidade de cuidar de quem jamais cuidou dela. É nesse momento que ela refaz a trajetória de suas lembranças para contar a história de duas mulheres unidas por uma relação dolorosa, mas impossível de abandonar. Só como informação: Doshi escreve em inglês, é uma norte-americana filha de indianos.

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O Filósofo no Porta-Luvas, Juliano Garcia Pessanha (Todavia, 96 páginas, R$ 49,90)

Através de uma série de encontros, Frederico, o protagonista deste irônico romance filosófico moderno, narra seu choque e seus ajustes com a realidade, do amor ao conhecimento, do álcool ao pensamento ocidental. E, fundamentalmente, do mundo e de sua própria personalidade. Escrito com mão levíssima, alternando humor, melancolia e uma aguda meditação sobre os grandes temas que nos movem ao longo das fases da vida, O Filósofo no Porta-Luvas é um romance híbrido, em que a fabulação vem lado a lado com o ensaio, e a observação das paixões humanas está a par com um repertório vasto a respeito das maiores discussões da filosofia. E, de quebra, uma cachorrinha serve de inusitada plateia para discussões sobre Heidegger.

Annie Ernaux (1940)

Abdulrazak Gurnah

Abdulrazak Gurnah

Abdulrazak Gurnah recebe o Nobel 2021. É um romancista tanzaniano de 73 anos que escreve em inglês e mora no Reino Unido.

Abdulrazak Gurnah (nascido em 1948 em Zanzibar, atual Tanzânia) é um romancista que escreve em inglês e vive no Reino Unido. Os mais famosos de seus romances são Paradise (1994), que foi selecionado para o Booker e o Whitbread Prize , Desertion (2005) e By the Sea (2001), que foi listado para o Booker e para o Los Angeles Times.

Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2021 “por sua penetração intransigente e compassiva nos efeitos do colonialismo e no destino dos refugiados dentro do abismo entre culturas e continentes”.

(Se é bom e fala de racismo / refugiados está justificado. Afinal, é um prêmio literário e geopolítico. É o Nobel cumprindo sua função. Mais um que conheceremos).

As apostas — literalmente — para o Nobel de Literatura de 2021

As apostas — literalmente — para o Nobel de Literatura de 2021

Atenção, apostadores! O Prêmio Nobel de Literatura de 2021 será anunciado nesta quinta-feira, 7 de outubro, e as casas de apostas estão abertas.

Para quem desejar fazer sua fezinha e quiser ter uma noção do que os outros estão fazendo, consultei a Ladbrokes londrina. No ano passado, a vencedora Louise Glück teve apenas 25/1 de probabilidade, e os vencedores de 2018/2019, que foram anunciados em conjunto em 2019, estavam apenas um pouco mais perto do topo: Olga Tokarczuk tinha 10/1 e Peter Handke 20/1. Neste momento, a coisa está assim:

Annie Ernaux – 8/1
Ngũgĩ wa Thiong’o – 8/1
Haruki Murakami – 10/1
Margaret Atwood – 10/1
Anne Carson – 12/1
Jamaica Kincaid – 12/1
Lyudmila Ulitskaya – 12/1
Maryse Condé – 12/1
Peter Nadas – 12/1
Jon Fosse – 14/1
Don DeLillo – 16/1
Dubravka Ugrešić – 16/1
Hélène Cixous – 16/1
Javier Marías – 16/1
Mircea Cărtărescu – 16/1
Nuruddin Farah – 16/1
Can Xue – 20/1
Mia Couto – 20/1
Michel Houellebecq – 20/1
Yan Lianke – 20/1
Charles Simic – 25/1
Edna O’Brien – 25/1
Gerald Murnane – 25/1
Homero Aridjis – 25/1
Ivan Vladislavić – 25/1
Karl Ove Knausgaard – 25/1
Scholastique Mukasonga – 25/1
Xi Xi – 25/1
Botho Strauss – 33/1
Cormac McCarthy – 33/1
Hilary Mantel – 33/1
Ko Un – 33/1
Linton Kwesi Johnson – 33/1
Marilynne Robinson – 33/1
Yu Hua – 33/1
Zoë Wicomb – 33/1
Martin Amis – 50/1
Milan Kundera – 50/1
Salman Rushdie – 50/1
Stephen King – 50/1
William T. Vollmann – 50/1

4 drops aleatórios de 5 de outubro

4 drops aleatórios de 5 de outubro

Se construírem aquelas torres ao lado do Beira-Rio, gostaria de ver a torcida invadir sem violência a torre que tivesse bandeiras do Grêmio. Isso me divertiria.

Por quê? Ora, pelas manchetes da RBS. O fato uniria duas coisas que eles detestam: ocupações e Inter.

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Dois dos autores mais citados por Karl Marx em todos os seus escritos são Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Menos difundido, mas igualmente conhecido, é que ele falava quase todas as línguas europeias, que relia os clássicos gregos com gosto (uma vez por ano ele lia Ésquilo no grego original) e que recitava longas passagens de memória para sua família e amigos de A Divina Comédia, bem como versos de Heine e Goethe. Fora do alemão, seus favoritos eram o poeta escocês Robert Burns, Walter Scott e Honoré de Balzac. Certa vez, ele escreveu que, terminada sua obra econômica, escreveria uma obra crítica sobre A Comédia Humana. Sua filha mais nova, Eleanor, diz: “Para mim e minhas irmãs, ele lia o Homero inteiro, todo o Nibelungen, Dom Quixote, As Mil e Uma Noites , etc. Mas Shakespeare era a Bíblia de nosso lar, sempre na boca de alguém e nas mãos de todos. Quando eu tinha seis anos, sabia de cor todas as cenas de Shakespeare”.

Por Mario Goloboff, no Página 12

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Se a questão é tentar acertar o Nobel de Literatura de 2021 a ser anunciado quinta-feira pela manhã, o cara que fede a prêmios é Mia Couto. A russa Liudmila Ulítskaia pode vencer e a francesa Ernaux tb. Mas acho que ganhará alguém obscuro, como tantas vezes.

Ou Joni Mitchell, já que premiaram Dylan…

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Eu lembro que jamais ia nas palestras matinais da FLIP de Paraty em razão das cachaças ingeridas na noite anterior. Só voltava a funcionar ao meio-dia. E meio mal.

 

A Bamboletras tem recomendações para o Dia da Criança

A Bamboletras tem recomendações para o Dia da Criança

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

A próxima terça-feira, 12, é o Dia da Criança e nós achamos que esta é uma bela oportunidade de introduzir ou dar livros bem bons e divertidos para os os pequenos. Para a Bamboletras, este é um período muito especial. Vocês sabem que nossa fundadora, Lu Vilella, criou nosso bambolê de letras com a ideia de ser uma livraria infantil? Vocês sabem que foi só depois que nos tornamos a “Livraria de Todos os Gêneros”? Porém, mesmo com a ampliação de interesses, nunca deixamos de ser o paraíso dos livros infantis.

Abaixo, temos três boas sugestões para a data, mas nosso infantil está cheio de outras opções  aguardando você.

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Porto Alegre na Palma da Mão, de Ana Paula Alcantara, com ilustrações de Bia Dorfman (Ed. da autora, 102 páginas, R$ 79,00)

Porto Alegre na palma da mão mostra a evolução urbana da cidade. Trata-se de um livro infantil que pretende ajudar as crianças a conhecer a história da cidade e assim despertar o amor e o interesse pela cidade. Inspirado pela infinita curiosidade de um guri e pelos inúmeros passeios feitos com seu cão pelo centro histórico, o livro conta como nasceu e cresceu a cidade. Lindamente ilustrado, será um livro inesquecível para seu filho(a).

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A Alma Perdida, de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo (Todavia, 48 páginas, R$ 54,90)

Olha, as ilustrações deste livro — feitas por Joanna Concejo —  são deslumbrantes. Era uma vez um homem que trabalhava muito e quase não prestava atenção no tempo que passava diante de seus olhos. Não que sua vida fosse ruim. Ele apenas sentia que tudo ao seu redor estava plano, como se estivesse se movendo sobre a folha de um caderno de matemática inteiramente coberta por quadradinhos iguais. Com texto da vencedora do Prêmio Nobel Olga Tokarczuk, A Alma Perdida é um livro que encanta, enternece e faz pensar. Uma história para todas as idades, que nos conduz a um desenlace maravilhoso e inesperado, como só os grandes contos de fadas são capazes de fazer.

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O Capital para Crianças, de Joan Riera e Liliana Fortuny (Boitatá, 32 páginas, R$ 42,00)

O livro ideal para evitar o surgimento de novos bolsomínions! O vovô Carlos é um barato! Sempre que vão visita-lo, seus netos pedem que ele conte uma história. Só que dessa vez ele vai contar uma história diferente. Nada de princesas ou dragões. A história de hoje aconteceu de verdade, não faz tanto tempo assim e continua se repetindo. Ele fala de um operário que produz meias em uma fábrica e compara seu salário ao preço do produto na loja.

Olga Tokarczuk e Joanna Concejo

Os livros mais vendidos de setembro na Bamboletras

Os livros mais vendidos de setembro na Bamboletras

E outubro já começou… Como sempre fazemos, segue a lista dos livros mais vendidos do mês anterior. Sem querermos parecer esnobes (não somos) ou arrogantes (nem pensar), podemos dizer que, em setembro, o mais vendido foi o de um de nossos livreiros. Te mete! E é uma bem lista diferente. Notem como há apenas dois livros estrangeiros e, mesmo assim, um deles é escrito em português.

1. Abra e leia, de Milton Ribeiro (Zouk)
2. Escaler, de Paulo César Teixeira (Ballejo)
3. Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior (Todavia)
4. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
5. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Companhia das Letras)
6. O Mapeador de Ausências, de Mia Couto (Companhia das Letras)
7. Os filmes pensam o mundo, de Enéas de Souza (EdiPUCRS)
8. Como o racismo criou o Brasil, de Jessé Souza (Estação Brasil)
9. Correntes, de Olga Tokarczuk (Todavia)
10. Duas Formações, Uma História: Das ideias fora do lugar ao perspectivismo ameríndio, de Luís Augusto Fischer (Arquipélago)

Vem conferir estas obras aqui na Bambô!

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Uma Criança Abençoada, de Linn Ullmann

Uma Criança Abençoada, de Linn Ullmann

Claro, eu comprei este livro pelo simples motivo de Linn Ullmann ser filha de Liv Ullmann e Ingmar Bergman. Lançado pela Cia das Letras em abril de 2009, o livro vendeu minimamente no Brasil e só o encontrei em sebos. Pois fiquei muito feliz em lê-lo. É ótimo.

Vamos com um mínimo de spoilers. Erika, Laura e Molly são três meias-irmãs, filhas do mesmo pai com 3 diferentes mulheres. O pai, Isak Lovenstad, é um velho e famoso médico aposentado que está vivendo na pequena ilha de Hammarsö. Erika deseja que as irmãs façam uma visita conjunta ao pai.

(Bem, Ingmar Bergman passou sua velhice na ilha de Fårö e teve nove filhos com seis mulheres diferentes. Ullmann é a mais jovem, a última filha do grande homem. E olha, Linn sobrevive bem a isto. A casa de Bergman na ilha chamava-se Hammars, nome muito parecido com a ilha do livro de Linn).

O foco do livro são seus flashbacks, focando-se mais exatamente no quente verão de 1979, quando Erika estava fazendo 14 anos, Laura, 12, e Molly, 5. Elas tinham uma turma de garotos que circulava pela ilha. Um deles era desprezado pelos outros, fato bem conhecido de quem participou de turmas de bairro infantis. Excluído da turma, Ragnar refugiava-se em uma cabana secreta onde também se encontrava com Erika. Nascidos no mesmo dia e ano, ninguém sabia dos beijos e das intimidades entre eles. E era na cabana que eles pretendiam comemorar seu décimo quarto aniversário em 1979. Vinte e cinco anos mais tarde, Erika relembra os acontecimentos daquela noite de verão e decide voltar com as irmãs à ilha onde nunca mais puseram os pés.

O romance começa com Erika dirigindo nervosamente em meio a uma tempestade de neve até a ilha sueca de Hammarsö para visitar o pai de 84 anos. O velho vive ameaçando cometer suicídio e Erika convoca suas duas meias-irmãs para que possam ver como ele está.

A longa viagem de carro na neve gera lembranças em Erika: em 1972, as meninas começaram a passar o verão com o pai em Hammarsö. A Marion de cabelos negros é a abelha-rainha que dirige, com olhares malévolos, qual membro do grupo de adolescentes locais pode tomar sol ao seu lado ou quem terá o privilégio de emprestar-lhe uma blusa. Como disse, na periferia desse grupo está Ragnar, um menino que é o melhor amigo de Erika. Erika e Ragnar compartilham um linguagem secreta e um esconderijo numa cabana da floresta. Mas quando eles completam 14 anos, Erika o trai para ganhar espaço com Marion e esconder a “vergonha” de sua atração pelo vetado Ragnar, dando início a um episódio que faz O Senhor das Moscas parecer contido.

O Senhor das Moscas, de William Golding, gerou décadas de discussões sobre a maldade das crianças, principalmente dos meninos. Normalmente, as meninas são suas maiores vítimas. Linn inverte tudo. Marion, a adolescente-chefe do livro, comporta-se bastante mal — não vou esquecer a cena magistralmente assustadora que termina quando ela “joga o vibrador no mar”.

A estrutura em mosaico do romance, uma montagem de vários pontos de vista a partir de vários pontos no tempo, cria ecos desse acontecimento horrível no presente. A dolorosa gravidez de Erika adulta com seu filho parece uma penitência por sua traição. A preocupação de Laura com a reação de sua comunidade a um suspeito de pedofilia revela seu arrependimento sobre a violência contra Ragnar 25 anos antes.

A autora é perfeita. Se o cerne de Uma Criança Abençoada é um crime, a autora parece não ter certeza de quem é o culpado. A narradora não aponta o dedo para ninguém. Ullmann parece até ter certo amor pelos culpados. Sim, é um livro sem compromissos morais. De quem é a culpa quando as meninas se comportam mal? Ullmann levanta a questão, mas não a responde.

E vale a pena saber do mais recente livro de Linn Ullmann, publicado em 2020.

Linn Ullmann (1966) | Foto: Hampus Lundgren, do perfil do Facebook da autora

Por uma Lei da Bibliodiversidade

Por uma Lei da Bibliodiversidade

Fonte: IEA

Detalhes do evento

Quando:
de 13/10/2021 – 09:00

a 15/10/2021 – 17:00

Onde:
ON-LINE

Nome do Contato:
Cláudia R. Pereira

Telefone do Contato:
11 3091-1686

Todo mundo reclama da Amazon, menos os franceses e alguns outros países europeus. Na França, existe a Lei Lang, também chamada de “Lei do Preço Fixo”, que foi aprovada em 1981. Ela impõe limite a descontos dados por livrarias, com o objetivo de evitar a concorrência desleal. Entre 2013 e 2014, deputados e senadores aprovaram emenda que impede a Amazon de conceder descontos superiores a 5%, bem como o frete grátis.​.. Lá, o comércio deve respeitar o período de dois anos de lançamento do livro, oferecendo descontos máximos de 5% na venda ao consumidor final. Um sonho.

Há 40 anos a Lei Lang ou Lei do Preço Fixo-Único do Livro mobilizava a sociedade francesa pela regulação do preço do livro. Houve uma campanha de massa para a formação da opinião pública e os profissionais do livro se viram unidos em função de uma só pauta. A Lei foi aprovada por unanimidade pelas duas câmaras francesas, em 10 de agosto de 1981. Na época, venceu o projeto contra a concorrência desleal das livrarias, em resposta às grandes redes varejistas que apenas despontavam no mercado.

A vitória da Lei Lang despertou o debate sobre o Preço Fixo-Único do livro em todo o mundo, ou, pelo menos, nos países mais afeitos às francesias e onde a fragilidade das livrarias ia de par com a rarefação dos leitores e as incertezas do mercado. Hoje o debate atinge em cheio os profissionais do livro no Brasil e, em especial, o público leitor. O projeto de lei “Política Nacional do Livro e Regulação de Preços” (PL 49/2015), em tramitação no Senado, acende um alerta: é preciso lançar luz sobre as condições desiguais de produção, comércio e distribuição dos livros em um país desigual e com dimensões continentais.

Lei do Preço Fixo-Único ou Lei do Preço Comum? Somos “Por uma Lei da Bibliodiversidade”. A questão tem sido debatida sob a ótica do mercado, quando, na verdade, ela tem uma abrangência muito maior, dada a natureza do livro na economia de bens culturais, e de seu papel na formação dos leitores.

Ao celebrar os 40 anos da Lei Lang, pensamos em construir um diálogo de inestimável relevância para a sociedade, reforçando o vínculo histórico entre a França e o Brasil, com vistas na construção de políticas públicas para o livro, a começar pela regulação do mercado editorial.

Inscrições
Evento público e gratuito | sem inscrição prévia

Transmissão – Diffusion
www.iea.usp.br/aovivo

Organização
Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP)
Institut des Amériques (IdA), Pôle Brésil
Consulado Francês – Programa Cátedras Franco-Brasileiras no Estado de São Paulo
Embaixada da França no Brasil

Programação

13/10

9h Boas-Vindas – Bienvenue:

Guilherme Ary Plonski (EP, FEA e IEA/USP) e Marisa Midori Deaecto (ECA/USP); Livia Kalil (IdA-Sorbonne Nouvelle); Patrícia Sorel (Université Paris-Nanterre, Pôle Métiers du Livre); Nadège Mezié (Consulado da França, São Paulo) e Vincent Zonca (Embaixada da França)

10h Saudação do ex-Ministro da Cultura na França, responsável pela implementação da Lei do Preço Fixo, ou Lei Lang – Salutations de l’ancien ministre de la Culture en France, chargé de la mise en œuvre de la loi sur le prix fixe, ou Law Lang, Jack Lang
10h30 Saudação do Presidente do Bureau International de l’Édition Française – Bief – Salutation du Président du Bureau International de l’Édition Française – Bief, Antoine Gallimard
11h às 13h A Lei Lang: o Tempo da Política, da Economia e da Cultura – La Loi Lang: Le temps de la Politique, de l’Économie et de la Culture
A Lei Lang e as Mutações do Livro: balanços e perspectivas (1981-2021) – La loi Lang et les Mutations du Livre : bilans et perspectives (1981-2021) – Jean-Yves Mollier (Université de Versailles Saint Quentin-en-Yvelines, França)

A Lei Lang: Abordagem Política para uma Questão Econômica – La loi Lang : une Approche Politique d’une Question Économique – Nicolas Georges (Diretor do Livro e da Cultura; Ministério da Cultura, França)

A Lei Lang, Tempo Forte de Uma Política Cultural Fundada em um Caso de Exceção – La loi Lang, Temps Fort d’une Politique Culturelle Fondée sur un cas d’Exception – Françoise Benhamou (Université Sorbonne Paris Nord Sciences Po-Paris e Cercle des Économistes, França)

Mediação – La Médiation: Nadège Mezié (Consulado da França, São Paulo)

14h30 às 16h Mesas-Redondas – Tables Rondes: A Lei do Preço Fixo: Panorama e Perspectivas do Mercado Editorial – La loi sur le Prix Unique : Panorama et Perspectives du Marché de l’Édition
Panorama do Mercado Editorial e Livreiro do Brasil – Panorama du Marché de l’Édition et de la Librairie au Brésil – Vítor Tavares (CBL – Câmara Brasileira do Livro)

Retrato das Livrarias no Brasil – Les librairies au Brésil – Bernardo Gurbanov (ANL – Associação Nacional de Livrarias)

Pensar as Políticas Públicas Para Além das Grandes Compras e das Grandes Empresas – Penser les Politiques Publiques au-delà des Gros Achats et des Grandes Entreprises – Haroldo Ceravolo (Alameda Editorial e LIBRE)

Mediação – La Médiation: Paulo Werneck (Jornalista e Editor 451)

16h às 17h30 Livros a Mancheia para todo o Brasil: sobre o Preço do Livro e o Acesso à Leitura – Livres pour tout le Brésil: Sur le Prix Unique et l’Accès à Lecture
Correios: Logística e Estratégica no Território Nacional – La Poste: Logistique et Stratégie sur le Territoire National – Igor Venceslau (FFLCH-USP)

Políticas Públicas: Meios para Executá-las e Participação Social – Politiques Publiques: Moyens de Mise en Oeuvre et de Participation Sociale – Felipe Lindoso (Livro e Leitura)

O Mercado Editorial Brasileiro em Tempos de Covid: um Primeiro Balanço – Le Marché de l’Édition Brésilien en Temps de Covid-19 : un Premier Bilan – Marília de Araújo Barcellos (UFSM)

Mediação – La Médiation: Tadeu Breda (Editora Elefante)

14/10

9 às 10h Conferências de Abertura – Conférences d’Ouverture

O Que é a PL 49/2015? – Sur le PL 49/2015 – Jean Paul Prates (Senador da República)

Frente Parlamentar em Defesa do Livro, da Leitura e das Bibliotecas – Front Parlementaire Mixte de Défense du Livre, de la Lecture et des Bibliothèques – Ricardo Borges (Senado Federal)

Mediação – La Médiation: Fernanda Garcia (CBL)

10h30 às 13h Mesas-Redondas – Tables Rondes: Lei Lang: Experiências e Expectativas – Expériences et Attentes Autour de la Loi Lang
A Lei Lang Vista pelos Profissionais do Livro Franceses – La loi Lang Vue par les Professionnels du Livre Français – Patrícia Sorel(Université Paris-Nanterre, Pôle Métiers du Livre, França)

A Lei do Preço Fixo no Mundo – Le régime du Prix Unique du Livre dans le Monde – Jean-Guy Boin (ex-Bief, Economista)

Sobre a Lei do Preço Fixo: É Possível Sensibilizar a Sociedade Brasileira? – La loi sur le Prix Unique: Est-il Possible de Sensibiliser la Société Brésilienne? – Marcos da Veiga Pereira (Presidente do SNEL – Sindicato Nacional de Editores de Livros)

A Lei do Preço Fixo e o Impacto nas Livrarias – La loi sur le Prix Unique : Ses Conséquences sur les Librairies – Marcus Teles (Livraria Leitura, CBL e ANL)

Mediação – La Médiation: Vincent Zonca (Embaixada da França)

14h30 as 17h Mesa-Redonda – Table Ronde: Editoras e Livrarias Independentes: uma Mirada Latino-americana sobre a Questão do Preço Fixo – Maisons d’Édition et Librairies Indépendantes: Un Regard Latino-Américain sur les Enjeux du Prix Unique
O Lugar do Preço Fixo nos Ativismos Editoriais Brasileiros – La Place du Prix Unique dans les Activismes Éditoriaux au Brésil – José de Souza Muniz Júnior (DELTEC-CEFET-MG)

Preço Fixo do Livro na América Latina: um Debate Inacabado – Prix Unique du Livre en Amérique Latine : Un Débat Inachevé – José Diego Gonzalez Mendonza – (Cerlalc, Colômbia)

A (Des)ilusão do Preço Único no México – La (Dés)illusion du Prix Unique au Mexique – Tomás Granados Salinas (Grano de Sal, México)

A Lei do Preço Único na Argentina: um Balanço Após 20 Anos de Experiência – La Loi sur le Prix Unique en Argentine: Un Bilan après 20 ans d’Expérience – Alejandro Dujovne (CONICET e  Programa Sur de Traducciones, Argentina)

Mediação – La Médiation: Lilia Zambon (Companhia das Letras e CBL)

15/10

9h às 9h50 Conferência de Abertura – Conférence d’Ouverture

Fixar o Preço, Salvar o Livro. Convergências, Tensões e Percursos no Caso Português – Fixer le Prix, Sauver le Livre. Convergences, Tensions et Parcours dans le Cas Portugais – Nuno Medeiros (ESTeSL-IPL)

Mediação – La Médiation: Bel Santos Meyer (IBEAC e Literasampa)

10h às 12h30 A Economia do Livro: o Preço da Leitura no Brasil – L’économie du livre : Le prix de la lecture au Brésil
A Lei do Preço Fixo, Preço Justo, Preço Comum: uma das Lutas mais Importantes do Mercado Editorial e Livreiro no Brasil – Une loi sur le Prix Unique, un Prix Juste, le Même pour tous : une des Luttes les Plus Importantes du Marché du Livre au Brésil – Alexandre Martins Fontes (WMF Martins Fontes Editora/Livraria e CBL)

Tudo Começa na Livraria – Tout Commence à la Librairie – Rui Campos (Livraria da Travessa)

A Importância da ‘Lei’ para a Manutenção de Pequenas Livrarias em um País Rico e Desigual na Periferia do Mundo –  L’importance de la “Loi” pour le Maintien des Petites Librairies dans un Pays Riche et Inégalitaire à la Périphérie du Monde – Adalberto Ribeiro (Livraria Simples)

Sintomas do Mercado Editorial em Busca de Transformação, a Partir de uma Postura Independente – Symptômes du Marché de l’Édition en Quête de Transformation, à Partir d’une Position Indépendante – Larissa Mundim (Nega Lilu Editora)

Mediação – La Médiation: Nanni Rios (Livraria Baleia)

14h30 às 17h Mesa-Redonda – Table Ronde: Pensar 40+: Passado e Futuro da Difusão e do Acesso ao Livro no Brasil – Penser 40+ : Passé et Avenir de la Diffusion et de l’Accès au Livre au Brésil
Como Está o Livro? – Comment va le Livre? – Ana Elisa Ribeiro (DELTEC-CEFET-MG)

Ágora do agora: A relevância do livro num mundo disperso – Agora d’Aujourd’hui: L’importance du Livre dans un Monde Dispersé – João Varella (Editor da Lote 42 e Banca Tatuí)

Entre as Corporações e os Caminhos Independentes – O Mercado Editorial em Tempos Ambivalentes – Entre Corporations et Chemins Indépendants. Le Marché Éditorial dans des Temps Ambivalents – Paulo Verano (ECA/USP e Casa Educação)

40 Anos de Inquietações: A Recepção da Lei do Preço Fixo no Brasil – 40 Ans d’Inquiétudes: La Réception de la loi sur le Prix Unique au Brésil – Marisa Midori Deaecto (ECA-USP)

Mediação – La Médiation: Lívia Kalil (Institut des Amériques, Pôle Brésil)

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo

A Bamboletras recomenda três livros muito diferentes entre si

A Bamboletras recomenda três livros muito diferentes entre si

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Um romance de uma autora popular e muito boa, um ensaio sociológico e psicanalítico sobre como as pessoas desprotegidas são as mais acusadas de violência e de como mudar esta situação e a bela despedida de Sérgio Sant`Anna são as dicas da Bamboletras desta semana. Confiram abaixo.

Boa semana e boas leituras!

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Belo mundo, onde você está, de Sally Rooney (Cia. das Letras, 336 páginas, R$ 54,90)

A excelente Sally Rooney, autora de Pessoas Normais, escreve sobre amizade, amor e dúvida em seu terceiro romance. Alice conhece Felix pelo Tinder. Ela é romancista, ele trabalha num armazém nos subúrbios de uma pequena cidade costeira da Irlanda. No primeiro encontro, enquanto os dois tentam impressionar um ao outro, algo mais aparece. Enquanto isso, em Dublin, Eileen está tentando superar o término de seu último relacionamento enquanto precisa lidar com a falta da melhor amiga, Alice, que se mudou para o litoral. Ela acaba voltando a flertar com Simon, um homem mais velho que acompanha sua vida há tempos. Alice, Felix, Eileen e Simon ainda são jovens, mas sentem a pressão do passar dos anos. Eles se desejam, se iludem, se amam e se separam. Preocupam-se com sexo, com amizade, com os rumos do planeta e com o próprio futuro. E conseguirão encontrar uma forma de viver mais uma vez em um belo mundo?

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A Força da Não Violência, de Judith Butler (Boitempo,  168 páginas, R$ 49,00)

Em A força da não violência, Judith Butler percorre discussões da filosofia, da ciência política e da psicanálise para reavaliar o que chamamos de violência e não violência e o modo como essas duas expressões se tornam intercambiáveis quando colocadas a serviço, por exemplo, de uma perspectiva individualista das relações sociais. A obra, lançada originalmente em 2020, mostra como a ética da não violência deve estar conectada a uma luta política mais ampla pela igualdade social. A autora rastreia como a violência é, com frequência, atribuída àqueles que são mais expostos a seus efeitos letais. Para Butler, a condição-limite da manifestação da violência se revela quando certas vidas, uma vez perdidas, não são dignas de luto… Expondo os discursos por meio dos quais a desvalorização e a destruição da vida operam, Butler propõe a compreensão da não violência a partir da condição básica da interdependência entre os seres humanos e identifica a não violência como uma prática de resistência à destruição.

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A Dama de Branco, de Sérgio Sant`Anna (Cia. das Letras, 192 páginas, R$ 59,90)

Este livro marca a despedida de Sérgio Sant`Anna, uma referência incontornável para gerações de escritores e leitores. No Rio de Janeiro do início da quarentena, o narrador passou a observar uma vizinha que saía de madrugada para dar uma volta no estacionamento a céu aberto. Embora ela não soubesse que estava sendo acompanhada, uma estranha cumplicidade se estabeleceu entre os dois, e sua presença simbolizava a promessa de um encontro arrebatador, ao mesmo tempo em que representava a morte pairando ao redor. Assombroso e revelador, A dama de branco foi o último texto publicado por Sérgio Sant’Anna, que faleceu em 2020 de coronavírus. Além da narrativa que dá título ao livro, o volume é composto por outros dezesseis contos — que tratam da solidão, da memória, do desejo e da própria escrita — e uma novela, que estava em vias de ser terminada. A Dama de Branco atesta que a prosa de Sérgio Sant`Anna manteve-se vigorosa e afiada até os últimos dias.

Sérgio Sant`Anna (1941-2020)

A Karina Pacheco leu Abra e Leia e escreveu o seguinte:

A Karina Pacheco leu Abra e Leia e escreveu o seguinte:

Milton,

Hoje acordei cedo, tomei o necessário café, coloquei comida no fogo (às vezes gosto de fazer pratos demorados nos domingos) e, no momento em que a casa toda estava cheirando a cominho, meu tempero preferido, sentei para ler o teu livro. E só levantei para o estritamente necessário, porque fiquei completamente absorta com a coleção.

Admito que não tinha começado a ler antes por receio: será que estou entrando com a expectativa muito alta? será que estou sendo (in)justa com o Milton? será que vou gostar mesmo? Bem, venho aqui solenemente declarar que fui besta e ridícula e que, como sói acontecer, meus receios se provaram todos absurdos e infundados.

O teu livro é ótimo! E não digo nem penso isso porque gosto de ti, sabes que sou uma leitora exigente e jamais faria elogios por obrigação. Os contos começam bem e, de alguma forma que ainda estou tentando entender, vão melhorando.

(Sim, é um fenômeno meio estranho até, porque não giram em torno de uma única temática nem são repetitivos, mais do mesmo. Se propõem a coisas diferentes e, ainda assim, a sensação é de que vão melhorando sempre. Que incrível!)

‘Marquinhos e Enzo, o grande’ tocou o fundo do fundo da minha sensibilidade da forma mais inesperada possível. ‘Atravessando a rua’ é uma aula de narrativa e, cabe dizer, tem um final hilariante. ‘Luciana e o hedonismo’ de uma inteligência e humor que raras vezes são executados assim, sem “forçar a barra”. Nem que falar de ‘O Violista’, que talvez seja o melhor da coleção e que poderia perfeitamente estar em qualquer coletânea que tivesse as palavras “melhores” e “contos” no título. O meu preferido, entretanto, acho que foi ‘Anita e Belle’, com essa combinação ideal de sensibilidade, realidade crua e humor.

Terminei o livro meio que já querendo reler, imaginando como os diferentes contos provavelmente vão produzir efeitos diferentes em mim nas próximas leituras.

Bem, resumo essa mensagem que já está abusivamente longa: obrigada por esse livro e, por favor, continua escrevendo.

Beijo da melhor-pior cliente da Bamboletras!

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Obs. do Milton: como vocês leram, a Karina autodenomina-se a melhor-pior cliente da Livraria Bamboletras… A expressão nasceu quando sua mãe, durante uma das muitas viagens da filha — viagens aqui não é metáfora — disse-me que eu poderia escolher os livros que ela lhe daria de aniversário. Neguei-me a fazê-lo porque a Karina lê o que quer e tem opiniões fortes. Uma vez ou outra eu imponho um livro, mas é raro. Então, sua mãe rebateu: “Bem, já que tu preferes ficar 8h com a minha filha enquanto ela escolhe os livros, vou deixar um crédito pra ela…”. Gente, ela não demora 8h, mas também não é rápida e há um ganho: ela lê muito e bem, e em vários idiomas, e sempre se aprende com ela. Às vezes ela aparece com uns pedidos bem complicados, mas é da vida, né?