Historias Negras del Fútbol Argentino — Vol. 1, de Alejandro Fabbri

Historias Negras del Fútbol Argentino — Vol. 1, de Alejandro Fabbri

Alejandro Fabbri, jornalista e historiador do futebol argentino, constrói em Historias Negras del Fútbol Argentino um livro que foge deliberadamente da narrativa heroica e romântica do esporte. Em vez de gols decisivos, ídolos e conquistas, ele reúne episódios sombrios, desconfortáveis e, muitas vezes, esquecidos — desde arbitragens viciadas e jogos suspeitos até pressões políticas, violências de arquibancada e decisões de bastidores que alteraram destinos de clubes e jogadores.

O mérito do livro está menos no impacto das revelações isoladas e mais no modo como Fabbri organiza a memória do futebol como território de poder, onde interesses econômicos, pressões políticas, rivalidades regionais e vaidades institucionais se entrelaçam. Sua escrita é clara, direta e jornalística, mas nunca fria: há indignação, ironia e, sobretudo, a convicção de que contar essas histórias é uma forma de restaurar a complexidade do jogo.

Fabbri evita o sensacionalismo. Ele vai aos arquivos, cita jornais, testemunhos e documentos, e mostra que o futebol argentino não foi apenas palco de glória coletiva — foi também cenário de injustiças, manipulações e tragédias silenciosas. Ao detalhar partidas anuladas ou manipuladas, campeonatos distorcidos e carreiras destruídas, o autor revela como a mística esportiva convive, desde sempre, com a sombra do amadorismo institucional e da corrupção.

O resultado é um livro que desromantiza o passado sem destruir o amor pelo jogo. Lê-lo é perceber que a história do futebol é mais rica e humana quando inclui seus fracassos, suas zonas cinzentas e seus bastidores incômodos. Para quem gosta de futebol como fenômeno cultural, e não apenas como espetáculo, este primeiro volume é instigante e… atual.

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Futebol argentino

Futebol argentino

Há dois livros de títulos um tanto incorretos (capas abaixo) e que são incríveis.

Neles, Alejandro Fabbri documenta uma outra face do glorioso futebol argentino, revelando subornos e manipulações — dirigentes e árbitros envolvidos em propinas e arranjos de resultados, especialmente para evitar rebaixamentos –, violência — revoltas de hinchas agressivos, tentativas de linchamento de árbitros e a pauleira generalizada nas arquibancadas e campos — e a cumplicidade política — as negociatas com o poder e o silêncio que manteve as irregularidades escondidas por décadas, demonstrando que esses problemas têm bem raízes profundas.

Olha, são livros deliciosos e inacreditáveis. Árbitros voltando para o estádio montados a cavalo nos anos 20 a fim de fazer a torcida voltar para a arquibancada, torcedores preparando uma forca para um juiz (que foi salvo no último momento sendo levado para o hospital com graves ferimentos e comoção cerebral), corrupção generalizada, uma beleza. Tchê, são histórias inauditas e que dão o que pensar sobre a importância do futebol para nossos vizinhos. Brasil, o país do futebol? Só na linda música do meu xará Nascimento.

(Se alguém quiser os livros, melhor ir à Argentina. Mesmo lá, custam uma fortuna. Aqui nem se fala. Tive a sorte de comprá-los quando não eram raros).

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