Atrás de refúgio

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Descoberto exemplar do “Primeiro Folio” de Shakespeare

Descoberto exemplar do “Primeiro Folio” de Shakespeare

Um novo exemplar do “Primeiro Fólio”, a primeira edição de coletânea das 36 peças de William Shakespeare, foi descoberto na Escócia, anunciou a Universidade de Oxford.

Da esquerda.net

No final de abril, assinala-se o 4º centenário da morte de William Shakespeare.
No final de abril, assinala-se o 4º centenário da morte de William Shakespeare.

A professora de estudos shakespearianos daquela universidade britânica, Emma Smith, confirmou a autenticidade deste “Primeiro Fólio”, que foi descoberto nas coleções da biblioteca de Mount Stuart, uma mansão vitoriana situada na ilha escocesa de Bute.

Este fólio é incomum porque está em três volumes e apresenta muitas páginas em branco, previstas para ilustrações”, disse Emma Smith num comunicado divulgado por aquela instituição universitária.

A cópia de Mount Stuart pertenceu a Issac Reed, um conhecido editor literário de Londres do século XVIII, disse Emma Smith baseada não só numa carta de Reed que revela que o editor comprou este exemplar em 1796 como em outros registos que mostram que mudou de mãos para as iniciais JW.

Após esta venda não há mais registos do fólio, que não foi incluído no censos de Sidney Lee de 1906, relativo ao número de primeiros folios da obra shakespeariana, pelo que foi algures entre estas duas datas que o exemplar ficou na posse da biblioteca Mount Stuart, que é referido num catálogo datado de1896.

Exposição assinala quarto centenário da morte

O “Primeiro Fólio” de Shakespeare foi compilado após sua morte, em 23 de abril de 1616, uma data geralmente aceite, uma vez que apenas há registos do funeral do dramaturgo em 25 de abril, por John Heminge e Henry Condell dois atores amigos do dramaturgo.

O livro contém o texto completo de 36 das peças do dramaturgo. Os principais editores foram Edward Blount (1565-1632), um livreiro e editor de Londres, e Isaac Jaggard (que morreu em 1627), filho de William Jaggard, um editor e impressor com ligações a Shakespeare e que faleceu no ano em que o fólio foi produzido.

O número de cópias impressas do “Primeiro Folio” é desconhecido. A biblioteca Folger Shakespeare, em Washington, nos Estados Unidos, tem no seu acervo 82 cópias, que é a maior coleção do mundo.

Esta descoberta ocorre dias antes da comemoração do quarto centenário da morte de William Shakespeare, que será assinalado com uma série de eventos, entre os quais a “Complete Walk”, uma exposição em Londres que apresentará no fim de semana de 23 e 24 de abril 37 curtas metragens de 10 minutos sobre cada uma das obras de Shakespeare.

O número de cópias impressas do “Primeiro Fólio” é desconhecido. A biblioteca Folger Shakespeare, em Washington, nos Estados Unidos, tem no seu acervo 82 cópias, que é a maior coleção do mundo.

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Essa coisa de pagar impostos não é pra nós

Essa coisa de pagar impostos não é pra nós

Mossack

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Os Panamá Papers explicados de maneira didática para que até as crianças entendam

Os Panamá Papers explicados de maneira didática para que até as crianças entendam

Adaptado daqui.

Está complicado entender a história dos #PanamaPapers, o vazamento de documentos que revela uma rede global de corrupção e evasão fiscal? A gente dá uma mãozinha, explicando tudo de maneira didática. Vamos lá.

Digamos que você guarde suas moedas em um cofrinho que está no seu armário.

Mas sua mãe fica checando para saber quanto você colocou e quanto retirou.

Você não gosta disso.

Então você consegue um cofrinho extra…

…e o leva para a casa do Joãozinho.

A mãe do Joãozinho é ocupada. Ela não checa cofrinhos. Então você pode secretamente manter o seu porquinho lá sem que ninguém fique checando.

As crianças da vizinhança também acham que essa é uma boa ideia.

Então elas também colocam seus cofrinhos no armário do Joãozinho.

Mas um dia, a mãe do Joãozinho descobre os cofrinhos.

Ela fica furiosa e liga para os pais de todas as crianças para avisar que elas estão escondendo dinheiro.

papeis do Panama

Ligando, ela vaza informações para todos . Esse é o vazamento dos papéis do Panamá – e muitas pessoas importantes e poderosas esconderam seus cofrinhos na casa do Joãozinho no Panamá.

Nem todo mundo estava fazendo algo errado, no entanto. Por exemplo, você só queria privacidade da sua mãe. Mas seu vizinho Miguel estava roubando dinheiro da bolsa da mãe dele e escondendo esse dinheiro no armário do Joãozinho. E Jacó estava roubando o dinheiro do almoço de outras pessoas e não queria que seus pais perguntassem de onde aquilo estava vindo.

Em breve saberemos quem estava fazendo isso por motivos errados e quem não estava.

 Mas todos que esconderam seu cofrinho na casa do Joãozinho ainda estão em apuros, porque cofrinhos secretos são proibidos.

Agora os jornalistas estão vasculhando os registros para entender melhor o tipo de atividade que estava acontecendo na casa de Joãozinho no Panamá – se era legal, adequado ou se era uma contravenção.

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Prokofiev, 125 anos de nascimento

Serguei Sergueievitch Prokofiev nasceu em Sontsovka, atual Krasne, na região de Donetsk, Ucrânia, em 23 de abril de 1891. Se é autor de sólida obra musical, Prokofiev escolheu péssimas datas para nascer e morrer. Ele nasceu no mesmo dia em que Shakespeare e Cervantes morreram, o que lhe dá o terceiro lugar quando se comemora seu nascimento. Como se não bastasse, resolveu morrer no exato dia em que Stálin fez o mesmo. Desta maneira, seu enterro ficou destituído de flores, música e atenção por parte de um público que o amava.

Mas não é só isso, ele é celebrado por obras como o balé Romeu e Julieta, as óperas, a composição infantil Pedro e o Lobo e duas trilhas sonoras para filmes de Serguei Eisenstein. Bem, peço desculpas, pois o que realmente interessa em sua obra são as Sinfonias, os Concertos para Piano, os para Violino — todos extraordinários –, as Sonatas e óperas como Guerra e Paz, O Jogador e O Amor de Três Laranjas. Prokofiev tem o dom de surpreender, com linhas melódicas inesperadas que são acompanhadas de humor e lirismo luminosos, muito peculiares, únicos.

Ele andou bastante pelo mundo. Saiu de sua cidade provinciana para São Petersburgo, de lá foi para a Europa e América do Norte. Retornou aos poucos a seu país, já chamado de União Soviética e lá morreu. Sua música esconde de forma admirável o quanto sofreu. Vamos então a um resumo de Prokofiev pontuado de muita música?

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Vida

Prokofiev nasceu no Império Russo. Foi filho único. Sua mãe era pianista e o pai engenheiro agrônomo. A família tinha uma condição financeira confortável. Desde criança, mostrou-se talentoso ao piano e como compositor. Muito precoce, aos nove anos, compôs sua primeira ópera, O Gigante, assim como uma abertura e outras peças. Em 1902, sua mãe conseguiu uma audiência com Serguei Taneyev, diretor do Conservatório de Moscou. Taneyev sugeriu que Prokofiev participasse eventualmente como ouvinte das aulas de composição com Reinhold Glière — Serguei tinha apenas 11 anos. Deu certo. Paralelamente, ele aprendeu o jogo que seria sua segunda paixão de uma vida inteira, o xadrez.

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Pouco tempo depois, o menino sentiu que o isolamento ucraniano estava restringindo seu desenvolvimento musical. Apesar de seus pais não apoiarem a entrada de seu filho na carreira musical tão cedo, em 1904, aos 13 anos de idade, ele se mudou para São Petersburgo e se inscreveu no Conservatório da cidade após encorajamento de Alexander Glazunov, o qual seria depois professor de Shostakovich. Entre seus mestres estava o grande Rimsky-Korsakov. Ele passou nos testes introdutórios e começou seus estudos de composição no mesmo ano. Sendo muito mais jovem que seus colegas de classe, era visto como excêntrico e arrogante. Na verdade, ainda criança, considerava chato o Conservatório. Em 1909, aos 18 anos, graduou-se em composição, e, paradoxalmente, escolheu permanecer no conservatório para tornar-se regente e um virtuose ao piano. Já não era visto como arrogante, apenas como imprevisível e maluco, imagem que cultivava dedicadamente.

No ano seguinte, seu pai morreu, o que resultou no fim da tranquilidade financeira. Mas Prokofiev já tinha boa reputação como compositor e foi em frente. Seus dois primeiros concertos para piano foram compostos nessa época. Eles lhe deram péssima fama. Nesta opinião, além de carradas de conservadorismo, havia imensa má vontade contra quem não fazia música nacionalista.

O Concerto Nº 1, por exemplo, é um vertiginoso mergulho que, como dissemos, irritou profundamente os críticos da época. As sumidades se ofenderam, dizendo que só faltava o pianista pegar um martelo para destruir seu instrumento. Por favor, gente, menos. É uma obra-prima, como vocês podem ver e ouvir abaixo neste show da dupla Argerich-Rabinovitch. São 16 minutos da mais pura, linda e absoluta taquicardia.

Prokofiev fez sua primeira excursão fora da Rússia em 1913, viajando a Londres e depois a Paris, onde encontrou o Ballets Russes de Serguei Diaguilev. No ano seguinte, terminou o curso do Conservatório em São Petersburgo. Foi um aluno tão brilhante que levou um prêmio Rubinstein, o que lhe rendeu um piano. Ainda na Rússia, compôs a ópera O Jogador, com base na obra homônima de Fiódor Dostoievski, um estudo sobre obsessão do jogo. A estreia foi cancelada devido à Revolução Russa de 1917.

No verão do mesmo ano compôs sua primeira sinfonia, a Sinfonia Clássica, Op. 25. Alegre e delicada, é dividida em quatro andamentos. Prokofiev tinha 25 para 26 anos escreveu a Clássica enquanto estava conhecendo as obras inovadoras de Debussy e Schoenberg. Antes, ele dizia que suas influências intuitivas eram as estéticas da pintura de Kandinsky e a literatura de Maiakovski. Na Clássica, ele abandona a aspereza harmônica e rítmica dos dois primeiros Concertos para Piano, dando vazão a um melodismo no estilo de Haydn. É uma sinfonia encantadora, mas falsamente simples. Perguntem para quem já tocou esta obra se o Haydn de Prokofiev é tão simples quanto as 104 do Pai da Sinfonia.

Depois da Revolução, Prokofiev estava resolvido a deixar a Rússia temporariamente. O motivo era óbvio. Naquele ambiente, não havia chances para a música experimental. Em maio, mudou-se para os Estados Unidos, onde teve contato com alguns bolcheviques espertos como Anatoly Lunacharsky. Para não ter problemas no país natal, Anatoly convenceu-o a divulgar que o motivo da emigração era estritamente musical, e não uma oposição ao novo regime instalado. E era verdade, Prokofiev não era um opositor, ao menos naquela época.

Vida no exterior

Prokofiev passou a viver em São Francisco. Ao chegar, foi imediatamente comparado a Serguei Rachmaninoff. Só se for pelo primeiro nome, magreza e altura. Lá escreveu a ópera O Amor de Três Laranjas, mas o diretor morreu durante os ensaios e a ópera não foi estreada. Com problemas financeiros, mudou-se para Paris em abril de 1920, sem querer retornar à Rússia como um fracasso.

Em Paris, procurou Diaghilev e Stravinsky, e retomou trabalhos antigos e inacabados como o extraordinário Concerto para Piano Nº 3. Para Diaguilev, compôs os bailados O Bufão (1921, Op. 21) e O Passo de Aço (1927, Op. 41). Este último saudava o processo de industrialização que estava a acontecer na Rússia. No fim do ano, O Amor das Três Laranjas finalmente estreou em Chicago, sob desaprovação do compositor.

Em março de 1922, mudou-se com sua mãe para a cidade de Ettal, nos Alpes da Baviera. Passou mais de um ano naquele ambiente paradisíaco com a finalidade de se concentrar na criação de novas composições. Nessa época, sua música repercutia bastante na URSS, porém, apesar dos convites para retornar, permaneceu no exterior. O motivo era a cantora espanhola Lina Llubera, com quem casou em 1923.

Lina Prokofiev em 1921
Lina Prokofiev em 1921
Serguei e Lina em 1924
Serguei e Lina em 1924, já com o filho Sviatoslav

Em 1927, realizou diversas bem sucedidas turnês pela União Soviética. Era a preparação para a volta ao país natal. Dois anos depois, sofreu um acidente de carro em Domrémy-la-Pucelle — cidade de nascimento de Joana d`Arc, hoje com míseros 167 habitantes — , machucando as mãos. Nada grave. Se o acidente impediu-o de tocar e reger em Moscou; deu-lhe a oportunidade de aproveitar a cena musical russa da época. Após sua recuperação, ele foi buscar a forra nos Estados Unidos. E dessa vez foi calorosamente recebido, refletindo lá seu recente sucesso na Europa.

No início da década de 1930, Prokofiev deu mais um passo na direção da União Soviética. Já permanecia mais em Moscou do que em Paris. Recebeu uma encomenda para escrever a trilha sonora de um filme russo: Tenente Kijé. A trilha é maravilhosa. Também escreveu o balé Romeu e Julieta para o Kirov de Leningrado. Porém, este estreou a peça somente em 1938, em Brno. Os motivos foram desavenças sobre a coreografia. Atualmente, este é um dos trabalhos mais conhecidos de Prokofiev. Também foi a época do Concerto Nº 2 para Violino e Orquestra, uma tremenda música.

Retorno à União Soviética

No mesmo ano, Prokofiev voltou à União Soviética para ficar. Sua família voltou somente no ano seguinte. Só foi bem recebido no aeroporto, pois, na época, a política musical soviética havia mudado; uma agência havia sido criada para vigiar os artistas e suas criações. Ela era chefiada pelo temido Andrei Alexandrovitch Jdanov, parceiro de Stálin. Ele era um ferrenho defensor do Realismo Socialista nas artes e sufocou toda uma brilhante geração de artistas da época através de parâmetros políticos e estéticos rígidos, principalmente a partir da década de 1940. E por que Prokofiev decidiu ficar? Aparentemente por saudades.

A URSS ia se fechando. Limitando a influência externa, o país gradualmente isolou seus compositores e escritores do resto do mundo. Tentando se adaptar às novas circunstâncias, Prokofiev escreveu uma série de canções usando letras de poetas aprovados oficialmente pelo governo, além do oratório Zdravitsa (Op. 85). Na mesma época, compôs para crianças. É o período de Pedro e o Lobo, para narrador e orquestra, uma obra pedagógica e bem comportada, feita para agradar Josef Stálin e o regime. É famosíssima e até hoje é montada no mundo inteiro.

Em 1938, Prokofiev colaborou com o cineasta Sergei Eisenstein no épico Alexander Nevsky. Apesar do filme ter péssima qualidade sonora, a coisa era impressionante. Prokofiev adaptou boa parte da obra numa cantata, que também tem sido apresentada e gravada frequentemente.

Em 1941, com apenas 50 anos, o compositor sofreu o primeiro de uma série de infartos, resultando numa piora gradual de saúde e numa queda de sua produção. Em razão da Segunda Guerra Mundial, ele foi evacuado para o sul junto com outros artistas. Isso trouxe consequências para sua família. Ele conheceu a poetisa Mira Mendelson e o novo relacionamento fez com que Prokofiev se separasse de Lina, apesar de nunca terem se divorciado. Mira já havia o ajudado em libretos. 1942 é o ano da Sonata Para Piano Nº 7, ocasionalmente chamada de Stalingrado. É sensacional.

A guerra inspirou Prokofiev a mais uma ópera, Guerra e Paz, na qual ele trabalhou por dois anos, junto com mais uma trilha sonora para Sergei Eisenstein, dessa vez Ivan, o Terrível. O governo soviético revisou a ópera diversas vezes. Em 1944, Prokofiev se mudou para fora de Moscou a fim de compor sua fenomenal 5ª sinfonia (Op. 100) que se tornou a mais popular delas. Pouco depois, começou a sofrer distúrbios neurológicos sem nenhuma lesão identificada. Ainda sim, com muita lentidão, conseguia ainda trabalhar. Abaixo, a Quinta de Prokofiev. Note como ela simplesmente não tem momentos fracos, é perfeita. O ritmo de relógio, tão caro ao compositor, recebe seu melhor momento ao final do segundo movimento, quando quase emperra…

Após a guerra, Prokofiev ainda escreveu sua sexta e sétima sinfonias e uma Sonata para piano Nº 9, dedicada a Sviatoslav Richter. Então, o Partido Soviético começou a sufocá-lo. As atenções pós-guerra estavam voltadas novamente a assuntos internos e o governo passara a regular de perto a atividade dos artistas locais. Prokofiev, doente, frágil, amedrontou-se. Não era para menos. Seu amigo Vsevolod Meyerhold, diretor teatral, foi preso e executado. Foi sob tais condições que Prokofiev finalizou Ivan, o Terrível. Tinha em mente Joseph Stálin.

Se a doença, a política e o medo grassavam, havia Mira Mendelson. Ela foi sua salvadora. A nova união era intensamente inspiradora, e ele foi obtendo finalizar outra série de projetos inacabados.

Com Mira
Com Mira

Mas os ataques seguiram e, no dia 10 de fevereiro de 1948, uma resolução do Partido Comunista condenou “tendências antidemocráticas” em sua música, seja lá o que isto significasse. Descobriu-se o óbvio: que ele nunca criara obras dentro do realismo soviético. Toda sua música agora seria um enorme e dispensável conjunto cacofônico. Era um exemplo de formalismo e um “grande perigo” para o povo soviético. Em 20 de fevereiro, sua esposa espanhola Lina foi presa por espionagem, ao tentar enviar dinheiro para sua mãe na Catalunha. Lina foi sentenciada a vinte anos, mas foi solta após a morte de Stálin em 1953, deixando a União Soviética. Prokofiev teve que prometer oficialmente que modificaria suas composições — mesmo e principalmente as antigas — de forma a torná-las realistas, coisa quer nunca fez e talvez nem imaginasse como. Isso ocorreu logo após a composição da Sinfonia Concertante para Violoncelo e Orquestra, Op. 125.

Obra típica do Realismo Socialista. Stálin, crianças, flores... Puro kitsch.
Obra típica do Realismo Socialista. Crianças, flores, Stálin…
Beleza da arte do realismo socialista: Stalin numa reunião do Politburo em 1949.
A beleza da arte do realismo socialista: Stalin numa reunião do Politburo em 1949.

Esta nova batalha contra Stálin atingiu uma série de artistas geniais. Boris Pasternak, Anna Akhmatova, Mikhail Bulgákov, Aram Khachaturian, Shostakovich, Prokofiev e muitos outros foram censurados, cortados, impedidos de publicar e de terem sua produção divulgada. E a luta só terminou depois da morte do ditador.

As apresentações de seus últimos projetos foram canceladas, o que, em combinação com sua saúde, deixou-o em estado de depressão. Seus médicos ordenaram a limitação de suas atividades, fazendo com que ele reservasse somente uma ou duas horas diárias à composição. Sua última apresentação pública foi a estreia da sétima sinfonia em 1952, obra pela qual recebeu, paradoxalmente, o Prêmio Stálin. A Sétima não exaltava coisa nenhuma e muito menos a grandeza do Estado Soviético. É puro Prokofiev.

Prokofiev morreu aos 61 anos em 5 de março de 1953, no mesmo dia que Stálin, mais exatamente uma hora antes. O compositor morava próximo à Praça Vermelha, e por três dias, a multidão que se despedia de Stálin impossibilitou a retirada do corpo de Prokofiev para o serviço funerário. No funeral, não havia flores nem músicos, todos reservados ao funeral do líder soviético.

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Berlinsky

Berlinsky

Ontem, fomos ao concerto da Ospa. Já na abertura, vinha o Concerto pra Violino de Beethoven com o solista Dmitri Berlinsky. Como diz o Augusto Maurer, um método quase infalível para saber se devemos ir ao um concerto é avaliar o que dizem os bons músicos da orquestra que dele participam. Devido ao burburinho, exagerei e fui ao ensaio da orquestra na segunda-feira à noite. O solista era realmente notável. Ouvindo-o, dava para pressentir toda a cultura que havia por trás de cada nota, nenhuma colocada por mero acaso ou vontade de correção. Beethoven, quando se deu conta de que era dono de um talento raro, disse que para ser um dos grandes necessitaria aprender também literatura e filosofia. Ele sabia que apenas vivendo a cultura poderia realizar a síntese que admiramos até hoje. É isso que nos traz Berlinsky. De uma forma misteriosa, ele arrasta consigo vasto conhecimento artístico e humano.

Foto: Augusto Maurer
Foto: Augusto Maurer

Não precisava ler o currículo de Berlinsky para ter certeza, mas dei uma olhada. Hoje, aos 48 anos, é professor e solista. É cheio de glórias juvenis: foi o mais jovem vencedor do Paganini International Violin Competition em Gênova. Depois, venceu a International Tchaikovsky Competition e a Queen Elizabeth Competition em Bruxelas. Ainda dá aulas e fundou uma orquestra. Mas seu currículo diz que ele quer elevar a música a um ponto mais alto que o mero entretenimento. E consegue.

Como disse brincando o Lavard Skou Larsen, outro músico de mesma grandeza, quando se toca Beethoven fica-se tão tomado, tão invadido e encharcado de música que é bom até nem tomar banho depois. Quando se ouve é a mesma coisa, Lavard. Então, logo após a interpretação de Berlinsky, com as mãos vermelhas de tanto aplaudir, pensamos que era suficiente e retiramo-nos à francesa para o Atelier das Massas. Pedimos desculpas, mas nossos dias são estressantes ao mais alto grau e era fundamental manter aquilo em nosso cérebro pelo maior tempo possível.

Falei rapidamente com Berlinsky no ensaio. Da forma mais humilde, ele perguntou se seu som não ficara melhor na segunda parte do ensaio, quando pedira para os primeiros e segundos violinos recuarem a fim de que ele ficasse mais dentro do palco. Fiquei constrangido em interferir, mas — o que fazer? — tenho o defeito da opinião. É claro que ele deve ter feito a pergunta para mais uns dez, porém, na hora do concerto, lá estava no local onde eu “sugerira”. E, anote aí, Augusto: outra forma de avaliar um ser humano — e sua possível competência — é medir seu grau de acessibilidade e concluir que a arrogância é apenas uma forma de defesa.

Foto: Augusto Maurer
Foto: Augusto Maurer

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Veja como Janaina Paschoal, advogada do golpe, fala como uma exorcista

Veja como Janaina Paschoal, advogada do golpe, fala como uma exorcista
A exorcista
A exorcista: vade retro!

Uma das responsáveis pelo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a advogada Janaína Paschoal foi ovacionada em ato realizado nesta segunda-feira (4/4) na Faculdade de Direito da USP. Janaína disse que “as cobras que estão no Poder estão se aproveitando para se perpetuar”. Ainda afirmou que estamos num momento de reflexão. Por sua fala, não parece. Se você tiver condições mentais para ver o vídeo abaixo… Não parece mais com uma pastora evangélica tomada pelo demônio? Postura igrejeira, como disseram aqui no Sul21. Concordo. Fala em Cobra como se falasse no Demônio. Ou seria apenas uma atuação pra lá de canastrona? “Mais do que parar para refletir sobre o impeachment, que tem motivos de sobra, queremos servir a uma cobra?, disse ela, rimando involuntariamente. E emendou: “Nós somos muitos miguéis, muitas janaínas, não vamos deixar essa cobra dominando porque somos seres de almas livres. Não vamos abaixar a cabeça. Acabou a República da cobraaaaaa!!!”, gritou puxando um coro de “fora PT, fora jararaca”.

A coisa está ficando assustadora.

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Já podeis da pátria filhos, de João Ubaldo Ribeiro

Já podeis da pátria filhos, de João Ubaldo Ribeiro
A edição da Alfaguara
A edição da Alfaguara

Dia desses, o Luís Augusto Farinatti deu uma bela lida em algumas contos que escrevi. E fez uma limpeza geral. Rejeitou, por exemplo, tudo aquilo que era cronístico. Eu concordei com ele. Agora, lendo os 17 contos deste livro de João Ubaldo Ribeiro, pensava na avaliação que o Farinatti faria da maioria deles. Este livro tem duas pequenas joias e muitos contos que estão mais para a crônica. Nada casualmente, Ubaldo colocou as duas joias assim: uma para a abrir o livro e outra para fechá-lo.

Livrinho descompromissado, Já podeis da pátria filhos conta histórias dos habitantes da ilha de Itaparica, mas de vez em quando os personagens apenas passam como sombras adjacentes à boa prosa do bom Ubaldo. São histórias de pescadores exagerados, festas de debutantes, turistas assanhadas, meninos brincando de médico, políticos corruptos e jogadores de futebol amador.

Ubaldo é bom escritor, subverte com brilhantismo a língua culta, mas não adianta ser bom cantor sem boa música. A história inicial, que conta as prerrogativas de um boi garanhão e a final, sobre o menino que acompanha o pai no sacrifício de uma porca e procura se manter firme, são excelentes, mas tão curtas que podemos lê-las em pé, enquanto “examinamos” o livro numa livraria.

João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Ribeiro

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Dilma cancela Tapajós e promete zerar emissão

Em tentativa de deixar um legado positivo, presidente baixará o maior pacote ambiental da história deste país, que inclui neutralidade de carbono em 2035 e fim da exploração do pré-sal

Do Observatório do Clima

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A presidente Dilma Rousseff baixará nesta sexta-feira o maior conjunto de medidas de proteção ambiental e de geração de empregos verdes da história do Brasil. O pacote, ao qual o OC teve acesso, inclui o cancelamento dos polêmicos projetos hidrelétricos do rio Tapajós e a adoção da meta de zerar as emissões de gases-estufa do país até 2035. Também será proposto um ambicioso plano de recuperação da Petrobras, com o fechamento de todas as operações de óleo e gás e investimentos em biocombustíveis e tecnologias limpas.

Com as medidas, Dilma visa recuperar a popularidade e, ao mesmo tempo, obter votos da numerosa bancada ambientalista para tentar barrar o impeachment. Mesmo que a cartada política falhe, auxiliares da presidente dizem que ela quer deixar “um legado positivo”. “A presidenta quer ser lembrada pelos brasileiros por algo além de inflação, recessão, crise política e violações de direitos de povos indígenas”, afirmou, em off, o ex-ministro Gilberto Carvalho.

Na noite de quinta-feira, Dilma convocou ministros no Palácio da Alvorada para explicar o pacote ambiental. As medidas serão anunciadas ao mundo no dia 22 deste mês na ONU, quando Dilma assinará o Acordo de Paris em Nova York. “Eu não iria deixar o Obama faturar isso sozinho”, afirmou a presidente, segundo participantes da reunião.

“A verdade é que o projeto desenvolvimentista baseado em grandes obras, latifúndio e combustíveis fósseis quebrou o Brasil, concentrou renda e ampliou a corrupção a níveis jamais vistos na história deste país”, afirmou a presidente ao seu gabinete. “Isso sim, foi um golpe. Um golpe no quê? No futuro da nação”, prosseguiu.

A primeira medida do pacote será uma portaria do Ministério de Minas e Energia cancelando o leilão de energia das hidrelétricas do Tapajós, seguida de um decreto determinando uma moratória a grandes projetos hidrelétricos na Amazônia por 30 anos. Outro decreto atualizará o Plano Decenal de Energia, estabelecendo a meta de 100% de energias renováveis não-hidrelétricas até 2024.

“Num país em crescimento negativo do PIB, como é o nosso país no momento, a demanda de carga na base não será tão grande quanto imaginávamos. Não faz sentido econômico investirmos dezenas de bilhões de reais em usinas numa região altamente sensível, usinas essas que além de tudo correm o risco de ter seu fator de capacidade reduzido em até 50% por causa das mudanças climáticas”, disse a presidente, de Powerpoint em riste – sendo lembrada por Nelson Barbosa, por meio de um bilhete, que não há “bilhões de reais” para investir, mesmo. “Vamos estocar vento das eólicas nos reservatórios que existem hoje e eliminar a burocracia que trava a geração solar distribuída”, pontificou. Em seguida, cochichou a Izabella Teixeira: “Quero ver esses partidos fazerem caixa dois com microgeração.”

Outro decreto determinará o fim da exploração de petróleo pela Petrobras, que deverá mudar de nome e se dedicar a biocombustíveis e tecnologias limpas. “Gente, o petróleo é uma coisa tão século XX!”, exaltou-se. “Milhões de homens e mulheres sapiens hoje têm empregos de qualidade no setor de energia limpa, enquanto nós perdemos empregos no setor de óleo e gás. Não conseguiremos recuperar a maior empresa do Brasil dobrando a aposta num produto fadado a desaparecer do mercado”, disse a presidente. “Já mandei o Lula pedir desculpas em público pelo pré-sal assim que o Gilmar deixar ele assumir a Casa Civil.”

No setor de uso da terra, Dilma prepara uma Medida Provisória estabelecendo o desmatamento zero em todos os biomas até 2025. Para cumprir a medida, será criado o maior mosaico de unidades de conservação terrestres do mundo, no cerrado. A presidente também criará por decreto uma força-tarefa para concluir a demarcação e a homologação de todas as terras indígenas. “Preciso fazer isso antes que o Jucá assuma o Ministério da Justiça no governo Temer”, afirmou a presidente. Em outra frente, uma portaria autorizará o ministro da Casa Civil, quem quer que ele seja, a destravar a reforma agrária. Enquanto discursava, escreveu um bilhete a Jacques Wagner: “Se Kátia chiar, mandar devolver presente casamento”.

O pacote revolucionário de estímulo à economia verde será incorporado à INDC do Brasil, o plano climático elaborado para o Acordo de Paris. A INDC será revista para uma meta absoluta de 400 milhões de toneladas de CO2 como limite máximo de emissão em 2025 e de emissão líquida zero em 2035, de forma a tornar o Brasil a primeira grande economia com uma meta realmente compatível com a limitação do aquecimento global a menos de 2oC neste século. Dilma não se conteve ao anunciar os números e falou, entre os dentes: “Tome isto, Observatório do Clima!”

Este artigo é falso da primeira à última linha. Porém, os benefícios para o país e o planeta de um plano ambicioso de economia sustentável são bem reais.

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Há 50 anos, em Guarujá, aparecia o ‘Eliscóptero’ que faria nascer a MPB

Há 50 anos, em Guarujá, aparecia o ‘Eliscóptero’ que faria nascer a MPB
Elis Regina no I Festival da Excelsior

A fluidez e elegância do texto de Chega de Saudade — referimo-nos ao livro de Ruy Castro, não à belíssima canção de Tom e Vinícius — é interrompida quando o autor fala na MPB. Subitamente, Ruy torna-se agressivo. Em sua opinião, a MPB e sua popularidade vieram destruir aquela bela mistura de samba, cool jazz e bebop chamada Bossa Nova. Até hoje, cerca de 50 anos depois, alguns amantes do gênero manifestam-se com certo ressentimento sobre o fim do movimento que deu algum protagonismo, em âmbito mundial, à música produzida no Brasil.

Em meados da década de 1960, a Bossa Nova deu sinais de uma cizânia à esquerda. Estimulados pelo Centro Popular de Cultura da UNE, novos (e grandes) artistas trouxeram uma crítica à influência do jazz norte-americano na bossa nova, propondo uma reaproximação com compositores de morro, como o sambista Zé Ketti. Eram eles Edu Lobo, Marcos Valle, Dori Caymmi, Francis Hime e outros.

Tom, Edu e Vinícius: sem problemas.

Um dos pilares da Bossa Nova, Vinícius de Moraes, logo descobriu em Edu Lobo um possível parceiro e, de forma saudável, passou a circular tanto ao lado da Bossa como no outro lado. Carlos Lyra e Nara Leão, que promoveram parcerias com artistas do samba como Cartola e Nelson Cavaquinho e do baião e xote nordestinos como João do Vale, logo abraçaram a nova ideia. Foi uma fase riquíssima de nossa música. Em 1966, Vinícius estendia sua mão ao novo movimento lançando o antológico LP Os Afro-sambas, dele e Baden Powell.

Alguns dizem que a data de fundação da MPB foi o início do mês de abril de 1965, quando Arrastão venceu o 1º Festival Nacional da Musica Popular Brasileira da extinta TV Excelsior. Arrastão era uma parceria de Edu Lobo e Vinícius de Morais e realmente não tinha nenhuma feição bossanovista. Impossível cantá-la com um banquinho e violão. Elis Regina detona na interpretação não apenas em termos de potência vocal como de performance física. O coreógrafo Lennie Dale mandou que ela cortasse os cabelos e agitasse os braços. E ensinou-lhe como fazer.

“É, eu rodopiava os braços”, disse Elis, anos depois. Aquela natação um tanto ridícula valeu a ela o apelido de Eliscóptero ou de Hélice Regina. Poucos ousaram criticá-la, pois a qualidade da música de Edu era indiscutível. Um dos poucos foi Ronaldo Bôscoli, que casaria com Elis pouco tempo depois. Assim como Tom Jobim, Bôscoli achava a gaúcha meio brega. Outro foi um Caetano Veloso cuidadoso. “Aquela dança marcada me pareceu cafona, mas cheia de talento”. Depois todos eles mudaram de opinião. Os gestos exagerados de Elis tornaram-se assunto em todo o Brasil, principalmente pelo ineditismo visual: num movimento desengonçado e pouco natural, mas movido aparentemente pelo entusiasmo, os braços da cantora pareciam dois remos no ar.

Lamentavelmente, há apenas registros incompletos do eliscóptero, mas dá para ver facilmente no vídeo abaixo que Elis seguiu não apenas os conselhos de Dale como leu direitinho o bilhete de Vinícius que lhe foi passado minutos antes de entrar no palco. Este dizia: “Arrasta essa gente aí, Pimentinha”. A melodia agressiva e a letra de Vinícius (“Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim / Nunca, jamais, se viu tanto peixe assim”) não tinha nada a ver com a Bossa Nova.

É estranho que o sofisticado e melodioso Edu Lobo tenha ido para a história como um dos exterminadores da Bossa Nova. Mais estranha ainda é a lenda de que Vinícius escreveu a letra de Arrastão em dez minutos em sua casa, na companhia de Edu.

Porém, outros dizem que a MPB, expressão derivada de Música Popular Brasileira, teria nascido em 1966, com a também chamada segunda geração da Bossa Nova. A MPB teria nascido quando um grupo novo de artistas efetivamente tomou conta da cena musical brasileira. Gente como Geraldo Vandré, Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, etc. tornaram-se rapidamente famosos e alguém que tivesse ficado sem notícias do Brasil desde 1964 e aqui desembarcasse em 1966, não entenderia nada. Os novos ídolos eram muito jovens e recentes. Eles apareciam com frequência em festivais de música popular e na TV. Sua consistência e estabelecimento como figuras públicas teria feito naufragar a Bossa Nova. E pouco tinham de Bossa Nova.

Vencedoras do II Festival de Música Popular Brasileira, realizado em São Paulo em 1966, Disparada, de Vandré, e A Banda, de Chico, podem ser consideradas marcos desta ruptura e mutação da bossa em MPB.

Jair Rodrigues defendendo Disparada, de Vandré: “Prepare o seu coração / pras coisas que eu vou contar”

Na prática, não havia animosidade entre os movimentos. Assim como Vinícius, Chico Buarque trafegava em ambos. Mas o público discutia a manutenção da sofisticação musical ou a fidelidade à música de raiz brasileira. Quando a ditadura apertou, os dois movimentos se tornaram uma frente ampla cultural contra o regime militar, adotando a nova sigla MPB como uma de suas bandeiras de luta.

Zuza Homem de Melo afirma que o estilo da música dos Festivais foi o que sepultou a Bossa: “A grande transformação veio de um programa de televisão com competição de canções e participação do público torcendo abertamente. Ali, as canções da Bossa Nova não teriam êxito. Surgiu um novo formato”, conta. “O governo não percebeu que as canções poderiam se tornar uma bandeira da classe universitária contra a censura e contra a ditadura militar”, completa Zuza.

Exato. Os festivais perderiam sua força no momento em que o Governo Militar percebeu o poder de contestação que estava associado e eles, mas a MPB seguiu e segue até hoje.

Em 1967, na terceira edição do festival, já na Record, a Tropicália seria lançada, as mensagens políticas estariam mais cifradas e a MPB seria invadida por guitarras elétricas. Mas isso já é outra história.

Uma rápida lista de artistas que participam ou participaram da MPB demonstra um grande domínio qualitativo do gênero. Os críticos que votaram os 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos da revista Rolling Stone, colocaram 52 discos de MPB na lista.

De memória e podendo cometer injustiças, listamos compositores, cantores e arranjadores ligados à MPB. Ele é impressionante: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Jorge Ben Jor, Elis Regina, Paulinho da Viola, Vinícius de Moraes, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Rogério Duprat, Baden Powell, João Bosco, Gal Costa, Tom Zé, Guinga, Toquinho, Marisa Monte, Nara Leão, Cristóvão Bastos, Francis Hime, Mutantes, Mônica Salmaso, Paulo César Pinheiro, MPB-4, Carlos Lyra, Sidney Müller, Luiz Melodia, Marcos Valle, Geraldo Vandré, Belchior, Zizi Possi, Clara Nunes, Joyce, Sueli Costa, Moraes Moreira, Simone, Fagner, Lô Borges, Jards Macalé, Djavan, Lenine, Maria Rita, Sérgio Sampaio…

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