Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (IV)

Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (IV)

Hoje, no início da tarde, chegou um cliente de uns 40 anos que jamais tinha lido Dostoiévski. Descrevi rapidamente os temas de cada um dos cinco maiores romances do russo — Os Irmãos Karamázov, O Idiota, Crime e Castigo, Os Demônios e O Adolescente. Ele empilhou todos. Perguntou sobre a tradução de Paulo Bezerra (editora 34) e eu repeti os elogios que minha mulher, russa e grande leitora, tinha feito. Depois pediu Tchékhov. Falei sobre A Dama do Cachorrinho e Enfermaria N° 6. Ele empilhou mais esses. Passou a Bulgákov. E ele acabou acrescentando O Mestre e Margarida à pilha ou montanha (mágica?). E me disse: “Agora vou ter que escolher”. Pegou mais alguma coisa que não vi, hesitou dois segundos e decidiu.

— Quer saber de uma coisa? Vou levar tudo!

Não sei se a beleza salvará o mundo, mas acho que a leitura facilitará a vida dele na crise.

Fiquei feliz por ele. Imaginem que ele vai ler aquilo tudo PELA PRIMEIRA VEZ. E graças à Bamboletras.

P.S. — Perguntamos se algum era para presente e a resposta foi “Não, nenhum”.

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Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (III)

Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (III)

(fato ocorrido domingo, 26/5, em plena crise dos combustíveis)

Uma senhora chega ao balcão para fazer uma troca de um livro. Enquanto paga a diferença, fala ao telefone:

— Oi, minha filha, estou aqui na Bambô trocando teu livro, mas queria mesmo era te fazer um convite. Vamos dar um passeio? Ir a um café ou sorveteria? O tanque do carro ainda não chegou perto da reserva e queria aproveitar contigo. O dia está lindo, o trânsito maravilhoso e a gente poderia andar por aí. Imagina, poderíamos olhar para a cidade!

A filha certamente concordou, pois ela sorri vivamente.

— Tá bom, te arruma porque chego em dez minutos. Vamos nos esbaldar!

zona sul

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Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (II)

Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (II)
Entra uma senhora muito elegante e perfumada. Ela circula pelas estantes e escolhe uns três livros. Chega ao balcão dizendo:
— Tendo a Bamboletras, não preciso de viagens nem diamantes.
— A senhora não precisa de amantes? — pergunta o atendente em faixa própria.
A senhora cai na risada incontrolavelmente. Passados alguns minutos e vários “não é possível”, “eu vou morrer de rir”, ela paga e diz.
— Tá, um amante eu aceitaria.
Mais risadas.
O Clooney, por exemplo
O Clooney, por exemplo

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Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (I)

Atrás do balcão da Livraria Bamboletras (I)

Ele entra esbaforido na livraria e pede o livro ‘O Aleph’.

— Sim, temos. E entrego para ele o livrinho preto da Companhia das Letras.

Ele me olha confuso. Gira e gira o livro entre as mãos e diz que o livro que quer é de outro autor brasileiro que não aquele Jorge Luis Borges.

Deixo passar livre a nacionalidade do autor e lhe respondo que não sei de outro Aleph.

— O livro que eu quero tem uma mulher nua dentro d`água na capa. Tem também um raio de sol por trás. É uma capa bonita, não é simplesinha como esta.

Tento visualizar tal capa — ela não é nada borgeana — e lembro:

— Ah, existe um Aleph de Paulo Coelho!

— ISSO! É este que eu quero!

— Ah, pena. Este não temos…

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