Após sete anos e meio em Porto Alegre, D’Alessandro está saindo do Inter. Ganhou muitos títulos. Estranhamente, ele vai por empréstimo de um ano para o River Plate. Piffero terá que rebolar para substituí-lo. Não há nada parecido com ele no time, nem em termos técnicos, nem em envolvimento, nem no quesito liderança, nem em identificação com a torcida. Aos 34 anos, quase 35, não estava mais no auge, mas ainda era um grande jogador. Nunca será esquecido.
Haverá uma coletiva às 16h, mas dificilmente haverá novidades além da emoção da despedida. Como Dale recebia em dólares, seu salário já batia nos R$ 950 mil. Era demais. O novo candidato à camisa 10 estará entre Sasha, Andrigo e Alisson Farias, ou seja, entre jogadores que estão vários degraus abaixo do argentino. Se Anderson for a nova referência técnica, o Inter terá problemas com a torcida. Preparem-se.
D’Alessandro volta para a convivência de conhecidos como o técnico Gallardo e o gerente de futebol Enzo Francescoli. Não se sabe se D’Alessandro se despedirá esta noite do Inter, jogando contra o São José, no Passo D’Areia. Seria curioso, pois ele talvez se retirasse erguendo a última taça com a camisa colorada, a Recopa Gaúcha.
Títulos de D`Alessandro no Inter:
6 Estaduais (2009, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015)
1 Copa Libertadores (2010)
1 Copa Sul-Americana (2008)
1 Recopa (2011)
1 Copa Suruga (2009)
1 Recopa Gaúcha (2016)
Gre-Nais com a presença de D`Alessandro:
27 Clássicos
13 Vitórias
9 Empates
5 Derrotas
8 Gols
(Eu ia rir muito se ele ganhasse do Grêmio na Libertadores 2016, mas acho que o Grêmio morre antes).
Legenda: ‘Em 18/11 quase foi atropelado. O carro travou em cima dele. Este é o exemplo da família!’
Meu tio João, irmão de minha mãe, era jogo duro. Eu, aos 11 anos, sabia que devia temê-lo um pouquinho, não muito. Vagamente, estava consciente de que não era adequado fazer brincadeiras com ele. O tio, na falta de seu pai, meu avô, àquela época muito doente, às vezes tentava substituí-lo, assumindo o cargo de reserva moral da família. Era maçom e aquilo tinha alguma importância naquela época. Só que ele vivia em Cruz Alta e nós em Porto Alegre, bem longe.
Um dia, recebemos um recorte de jornal. Era da Zero Hora. Nele, estava estampada uma fotografia minha: eu aparecia tranquilo, pronto a receber uma bola vinda da cobrança de um lateral pelo Batista (João Batista Carneiro Borges, meu melhor amigo da infância); em minha direção, além da bola, vinha o Cesare (Cesare Arturo Domenico Bianchini, onde andará?) correndo como um louco assassino, mais ou menos como o Guiñazu faz. Mas o craque, com segurança e completo domínio da situação, permanecia impassível… Tal lance ocorreu em 16 de novembro de 1968, quase dois meses após meus 11 anos.
O AI-5 logo ali e eu jogando bola feito um alienado…
Mas… Lembro bem. Almoçava quando minha mãe entrou na cozinha brandindo um envelope. Parecia pronta para uma briga. Logo soube que era uma carta do temido tio João. E contra mim!
— Milton Luiz, que forma de estrear nos jornais! Que vergonha!
Ela me entregou a foto e a carta, que não me interessou. Fiquei encantado com a foto; afinal, aparecer no jornal não era para qualquer um e nem minha irmã — a perfeita — havia conseguido aquilo. Meu pai entrou atrás, dizendo que aquilo era um absurdo. Só que senti que eles estavam bem humorados e logo meu pai perguntou se eu tinha visto o fotógrafo.
— O tio João escreveu meu nome errado, é com “z”.
— Responde à minha pergunta, por favor.
— Sim, vi. Ele falou conosco.
— E o que ele disse?
— Nada. Só que queria uma fotos de nós jogando bola.
Minha mãe revirou os olhos e olhou para minha irmã, visivelmente deliciada com o caso que demonstrava pela enésima vez que eu era um hooligan com um futuro de prisões e perseguições.
— Da próxima vez, não te deixa fotografar!!! — disse minha mãe.
Acho que meus pais sabiam que, trabalhando todo o dia fora — ambos eram dentistas –, não podiam cuidar muito de nós. Talvez até tivessem confiança em mim, sei lá. Ou sabiam que o futebol na Av. João Pessoa ou na Praça Piratini era inevitável. Uma horda de meninos passava a tarde jogando bola. Como evitar que eu fizesse o mesmo? Prendendo-me em casa? Minha mãe me advertiu frouxamente para cuidar com os carros ao buscar a bola. Perguntou sobre o tal carro que freara “em cima de mim”.
— Nunca, mãe. Pode perguntar pro Batista.
Naquele momento, tive algo como uma revelação. Os adultos não pensavam em bloco, a dureza de meu tio era amenizada pelos meus pais, que não me deram castigo nenhum e eu esqueci completamente da frase de meu tio “Este é o exemplo da família”.
Ontem, recebi por carta o recorte. Estava sem a carta de meu tio. Lembrei de tudo, inclusive do fato de que minha mãe o mostrava a seus clientes como um troféu… Olha como este guri é incontrolável, agitado e moleque! Só que, quando apresentava a prova de minha molecagem, seu cliente lia a frase ofensiva de meu tio, que era sistematicamente ignorada por ela.
Esse negócio de faltar água em razão da ausência da eletricidade é de última. É um problema conhecido há vários carnavais. Nenhuma estação de tratamento de água do Dmae tem gerador de emergência, dependendo inteiramente da eletricidade para bombear água. Assim, a falta de luz sempre antecede a de água. O problema é conhecido, ocorreu repetidas vezes e é urgente. Dizem que tais geradores são caríssimos, mas pensem no que deixa de faturar o Dmae no período de, por exemplo, dez anos, com todas as faltas d`água somadas. E, sobretudo, pensem na Santa Casa operando com carros pipa, no Hospital de Clínicas fechando o atendimento, no consumo de garrafões de água nos supermercados… E ontem alguns não tinham nem garrafões, nem velas, nem fósforos!
Todo mundo no Zaffari recarregando seu celular. Dmae, é que eles têm geradores! | Foto: Lipsen Lipsen
2. SMAM de olho nas árvores.
Bem, querida Smam. Eu acho que é muito simples identificar as árvores mortas. Basta andar pelas ruas e observar as que não têm folhas. Então, quando uma dessas for encontrada — hoje corri pela Redenção e vi várias — basta cortá-la e substituí-la por uma muda novinha. Isto é constrangedoramente simples. Se quisermos maior sofisticação, podemos retirar os parasitas que via de regra envolvem os troncos das árvores velhas e podar algumas das mais “perigosas” em razão da proximidade com os fios de luz. E, por falar em fios de luz…
3. Rede elétrica subterrânea.
Viver sem luz já é complicado. Muita gente depende dela para fazer nebulizações ou para descer em elevadores. Ontem, uma senhora estava sozinha em seu apartamento no oitavo andar. Tinha o fêmur fraturado e só poderia descer de elevador… Ligava para as rádios pedindo ajuda… É perfeitamente possível a instalação de uma rede subterrânea em lugar desses postes cheios de fios. Só não é feito em razão do alto custo. Sim, deve ser caro. E não precisamos ir à Europa ou aos EUA para ver lugares onde os fios estão enterrados. Há cidades brasileiras assim. Boa parte do Rio de Janeiro já é assim. Em Gramado a fiação está sob o solo. Sim, em nossa querida Bavária de Plástico!E o custo do que ocorreu neste fim de semana em Porto Alegre? Além dos doentes, isto é, do custo humano, há o custo dos alimentos estragados nas geladeiras e mais uma lista de problemas. Imagina um dono de um restaurante vendo impotente sua comida apodrecer? O negócio, CEEE, é começar a rede elétrica subterrânea aos poucos. Quando se refizer o asfalto de uma rua, por exemplo, pode-se examinar a possibilidade de retirar os fios aéreos. Que tal?