֎ COMUNICADO DA LIVRARIA BAMBOLETRAS ֎

֎ COMUNICADO DA LIVRARIA BAMBOLETRAS ֎

A partir de desta segunda-feira (22), o comércio está liberado para abrir entre às 5h e às 20h.

É uma decisão polêmica. Por um lado, há a preocupação com os empregos, por outro, com a vida.

Nós, da Bamboletras, pretendemos permanecer como estávamos na semana passada, dando total força à telentrega e ao pegue e leve em nossa porta. Com maquininhas de cartão quase bêbadas de tantos banhos de álcool.

Poderíamos escancarar as portas ao público, mas escolhemos seguir com cuidado. Conosco e com nossos clientes.
Só não pense que isto significa que você deva nos abandonar.

Com o recrudescimento da pandemia, estamos em dificuldades cada vez maiores. Queremos continuar com vocês depois que tudo isso passar, mas precisamos que continuem conosco neste momento.

Comprando um livro aqui outro ali, mandando livros de presente para os amigos, fazendo encomendas… Esta troca em que ambos saem ganhando nos servirá para que estejamos juntos quando vacinados.

Não esqueçam de nós, por favor. E cuidem-se.

📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

#livraria #livros #bookstagram #apoielocal #leiaumlivro #bamboletras

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXXVII)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXXVII)

A Todavia, sempre parceiríssima, está promovendo 15 livrarias de rua brasileiras em seu perfil do Instagram.

Para tanto, solicitaram a um artista que fizesse uma arte para cada uma das homenageadas.

Hoje foi o nosso dia! Nossa, ficou lindo!

Agradecemos à Todavia e à artista Aline Zouvi que captou com precisão algo de nós.

.oOo.

O texto do Insta está copiado abaixo:

Até sexta-feira, este perfil será ocupado por livrarias de rua, homenageadas no traço de 15 jovens artistas convidados a representar um pouco do clima desses espaços.

@bamboletras, Porto Alegre (RS)
Ilustração de @alinezouvi

A Bamboletras está localizada no bairro boêmio de Porto Alegre, a Cidade Baixa. É o local das festas, dos bares e da confusão noturna. A livraria tem tudo a ver com o bairro e está bem no centro dele, numa galeria chamada Nova Olaria (…). Durante a pandemia, descobrimos que, mesmo com o cinema fechado e com as limitações dos bares, nosso público vinha nos visitar. Modestamente, achávamos que éramos complementares, mas somos fundamentais.

No período em que estivemos fechados à visitação, as pessoas nos ligavam e verificavam se os livros podiam ser enviados. A comunidade local de leitores e livros é a comunidade de que precisávamos antes, é a comunidade que esteve conosco nos tempos difíceis, e é a comunidade com quem queremos estar quando tudo isso acabar”, diz Milton Ribeiro, que assumiu a livraria em 2018.

No último ano, eles criaram serviços de telentrega por WhatsApp, redes sociais e até um desvio de chamadas para que os telefones tocassem na casa dos funcionários. “Funcionou. Essa resistência veio da necessidade de seguir vivo e do respeito que temos pelos clientes e trabalhadores da casa. Sou um cara teimoso e que gosta não somente dos livros, mas também das pessoas. Então, conseguimos ultrapassar a crise trabalhando muito e sem demitir ninguém. Isso me orgulha muito. Somos seis pessoas aqui.

A Bamboletras sustenta seis famílias. Uma delas é a do livreiro mais antigo, Gustavo Ventura Gomes, o Gus. Milton o descreve como aquele com “memória espantosa”, que trabalha há 30 anos com livros. “Ele gosta principalmente de ficção, psicologia e política, mas poderia ter também um divã aqui na loja, pois é daqueles para quem as pessoas contam suas histórias. No dia em que Bolsonaro foi eleito, havia gente literalmente chorando na Bamboletras, perguntando pro Gus: ‘O que será de nós agora?’. Os clientes amam o Gustavo.”

#vivaasualivraria
#livrariasresistem
#tudocomeçanalivraria
#defendaolivro
#todavialivros
#livrarias

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXVI)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXVI)

Acaba de acontecer algo muito inusitado. Ontem à tarde, fomos levar um “De cu pra Lua”, ótimo livro do Nelson Motta, ali no Menino Deus.

A compra tinha sido feita por um homem. O ciclista chegou ao local, abriram-lhe a porta e ele disse para Beltrana que queria fazer uma entrega para Fulano do ap. 103. Beltrana perguntou o que era.

— Um livro que ele comprou.

— Ah, sim. Deixa eu ver. Está pago?

— Não, está escrito aqui que ele vai pagar em dinheiro.

Ela examinou com atenção o volume e perguntou o preço. Pagou e nosso ciclista retornou com o dinheiro.

Agora de manhã, Fulano nos liga indignado. Cadê o livro, pô? Me dá a maior mijada e eu tranquilo, pois o livro tinha sido entregue.

— Entregue pra quem?

Consulto o ciclista e respondo.

— Para uma moça. Não sabemos o nome.

— Mas eu não conheço ninguém no prédio! E todos os porteiros são homens!

— Bem, ela até pagou…

Fulano cai na risada.

— Acho que consegui uma venda pra vocês, mas, por favor, podem me trazer outro “De cu pra Lua”? Venham até a minha porta. Sou um cara alto, 1,90m, grisalho, uso óculos…

Já mandei. Espero que chegue.

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXV)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXV)

A Elena, minha mulher, cuja língua materna é o russo e que é uma grande leitora, entra na livraria.

Eu gosto de vê-la entrando porque gosto dela e sei que ela se sente bem em meio aos livros.

Mas então Elena subitamente para e pergunta:

— Que livro de Tolstói é esse?

Olho para o livro. Trata-se de Ressurreição.

Então ela se dá conta. É que, em russo, a palavra Ressurreição é a mesma utilizada para Domingo. Sim, o dia da semana, e ela sempre dava ao livro a outra acepção da palavra.

Então, amanhã é Ressurreição. Do Inter, espero.

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXIV)

A cliente Nair Tesser acaba de conversar conosco pelo telefone e largou duas pérolas:

“Eu prefiro um pecador arrependido a um virtuoso pretensioso”.
(Sobre Woody Allen).

“Aprender é sair de si mesmo”.

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Lista dos livros mais vendidos na Livraria Bamboletras entre 01/dez/2020 e 10/jan/2021

1. E fomos ser gauche na vida, de Lelei Teixeira.
2. Os Supridores, de José Falero.
3. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior.
4. Mulheres de Minha Alma, de Isabel Allende.
5. E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas, de Emicida.
6. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório.
7. Nós, mulheres, de Rosa Montero.
8. A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante.
9. Máscaras da Tricolina (ok, não é livro, mas olha só, Cássia Zanon!).
10. O Beijo na Parede, de Jéferson Tenório.
11. 1935, de Rafael Guimaraens.
12. Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro.

Uma lista de respeito!

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXIII)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXIII)

Liga uma senhora bem velhinha. Pela voz, é beeeem velhinha.

Eu faço minha impostação mais educada.

— O que a senhora deseja?

— Moço, eu estou sempre perdida no meio dos meus papéis. Graças aos céus hoje eu vi que tinha o IPTU com desconto para pagar. Último dia!

— Boa lembrança, a senhora me salvou. Tenho que pagar o meu também. Estou com o boleto, mas já ia me esquecendo dele — minto, pois já tinha pago o meu.

— O seguinte: o que me leva a lhe incomodar com este telefonema é que vi que tenho um cheque presente da Bamboletras. Ele deve ter uns 4 anos.

— 4 anos, Dona X ?

— Sim. E a minha pergunta é: o cheque presente de vocês CADUCA? — ela pergunta, colocando ênfase na último verbo.

— Não senhora, não caduca.

— Ai que alívio, moço! Quem terá me dado isto de presente?

Risadas.

— Escuta, vocês fazem entregas?

— Sim.

— Então me traz uma coisa boa como…

— Como quem?

— Como Philip Roth — ela me diz baixinho, como se fosse um segredo.

A Marca Humana já deve estar com ela neste momento.

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXII)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXII)

O Igor Freiberger criou a capa do meu livro. Com um incentivo desses, já fantasio desvairadamente com uma fortuna baseada na Cultura, vivendo no Brasil de Bolsonaro.

(A foto foi tirada por minha filha Bárbara Jardim, com quem me sinto à vontade para palhaçadas…).

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXI)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXI)

A Lili, Eliane Putrique Vicente, é a responsável pelo financeiro da Bamboletras e uma figuraça. Se não me engano, ela nasceu em Sobradinho.

Ela se expressa muito bem, falando e por escrito, e as frases que ouvia na infância lhe escapam espetacularmente, às vezes provocando risadas no resto de nossa pequena equipe.

Hoje, ela nos surpreendeu novamente. Ao analisar as vendas do livro ‘Os Supridores’, de José Falero, declarou:

— Mas esse Falero deve estar mijando de porta aberta!

Ninguém entendeu, claro.

— Quero dizer que ele tá muito feliz, tá podendo.

— Mas dá para explicar esse negócio de porta aberta?

— Ué, é o que dizem no interior, o cara tá tão bem, tão despreocupado, que nem precisa fechar a porta pra…

OK, estamos aprendendo.

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXX)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXX)

Ganhamos do Correio do Povo o Prêmio Jacarandá como melhor Instituição Cultural de 2020. Resistimos entregando livros. Pensa que é mole?

Na foto, Caroline Joanello, Sofia Salinos, Gustavo Ventura Gomes, Osvaldo Filho, Bruno Aneres, Eliane Putrique Vicente e eu, com o troféu.

A Lili entrou de gaiata na foto. Está trabalhando remotamente.

Quando houve a bonita cerimônia de entrega do Prêmio Jacarandá na sede do Correio do Povo, a Bamboletras acabou não levando o troféu porque nele estava escrito algo como “Melhor Autor”… O equívoco foi corrigido e hoje eu e Elena fomos buscá-lo.

Fazia muito tempo que não caminhávamos juntos na rua, estávamos felizes e, após pegarmos o troféu, ela me propôs atuarmos como pessoas normais e fomos ao Café À Brasileira ali na Uruguai. A Elena tem saudáveis tendências hedonistas.

Como é bom o espresso deles! Que saudades da vida normal! Depois desta ousada iniciativa, levei a Elena pra casa e fui para a Livraria Bamboletras levar a honraria. Que bom ver reconhecido o enorme esforço de nossa livraria para resistir.

Obrigado, Correio do Povo! Obrigado, equipe da Bamboletras!

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXIX)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXIX)

O cliente entra na Bamboletras, pede ‘Torto Arado’. Eu ouço ‘Touro Tarado’.

Depois de rápida perplexidade, dou-me conta e respondo:

— Claro, temos. O livro acaba de ganhar o Jabuti, né? Como não teríamos?

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Deixem eu me gabar…

Deixem eu me gabar…

O Jonas Fernando Pohlmann é um querido cliente da Bamboletras que mora em Moçambique.

Quando vem ao Brasil, além de visitar nossa livraria, traz pra gente uma lembrancinha. Bem, até hoje só trouxe lembrançonas!

No ano passado, ele nos presenteou com Balada de Amor ao Vento, ótimo livro de Paulina Chiziane ainda não lançado no Brasil.

E ontem ele nos trouxe O Mapeador de Ausências, de Mia Couto, ainda não publicado entre nós.

Com um detalhe, o livro veio autografado por Mia.

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Bamboletras premiada com o Jacarandá 2020

Bamboletras premiada com o Jacarandá 2020

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXVIII)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXVIII)

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXVII)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXVII)

— Boa tarde. Tem ‘O inferno somos nós’, do Valter Hugo Mãe?

— Não seria ‘O paraíso são os outros’?

— Ah, é mesmo! Mas é a mesma coisa, né?

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXVI)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXVI)

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Parceria Matinal / Bamboletras

Parceria Matinal / Bamboletras

Fundada há 25 anos, a Livraria Bamboletras é um dos principais redutos culturais de Porto Alegre.

Localizada na Cidade Baixa, no Centro Comercial Nova Olaria da Lima e Silva, ela começou atendendo o público infantil, por isso o divertido nome de Bamboletras. Posteriormente, atendendo a pedidos dos pais, o leque de opções se expandiu e passamos a receber obras de literatura para adultos, poesia, filosofia, política, psicologia, teatro, música, etc.

Sempre com acervo atualizado, de alta qualidade e autonomia de escolhas, a pequena Bamboletras passou os últimos meses se reinventando. Antes da pandemia, o foco era o atendimento presencial, o conhecimento sobre cada livro, a boa sugestão, a conversa no balcão e a negociação gentil, mas, durante o fechamento das lojas, como sobreviver com a impossibilidade de ser visitada pelos clientes? Sem os clientes presentes, o atendimento seguiu pelo telefone e outros meios virtuais. As entregas passaram a ser feitas por ciclistas, motoboys ou correio. Com agilidade.

Também o gênero dos livros procurados mudou. Paradoxalmente, numa época em que finalmente havia tempo para ler, ocorreram poucos lançamentos. Porém, a Bamboletras descobriu que os leitores queriam finalmente ler aqueles clássicos que foram deixados para trás pela falta de tempo do antigo normal. Foi uma pandemia de calhamaços, de ler o grande romance russo ainda não lido, de fazer musculação com livros pesados (em Kg) e de, ops, livros de receitas… Porque as pessoas estavam fazendo suas refeições em casa e deviam estar cansadas da repetição dos mesmos pratos.

Então foi a pandemia de Dostoiévski, Melville, Clarice, Hilda, Ferrante, Bela Gil e Rita Lobo. A Bamboletras passou a fazer parte de uma cadeia que contava com editores para publicar os livros, distribuidoras para enviá-los e as bikes e o serviço postal para levá-los aos clientes. E o ponto forte, o atendimento, continuou nos meios virtuais. Hoje, na reabertura, dá gosto de ver os clientes que entram na livraria e ficam extasiados em razão da longa ausência.

A comunidade de leitores e livros é do que a Bamboletras precisava antes, é a comunidade que a está mantendo nos tempos difíceis e é a comunidade com quem a livraria gostará de estar quando tudo isso acabar.

Hoje, orgulhosa, a Livraria Bamboletras inicia uma parceria com o Matinal / Parêntese / Roger Lerina. Afinal, temos grandes afinidades. Ele também dá grande atenção à cultura e, deste modo, também faz parte da comunidade que queremos ver crescer, mesmo que em tempos hostis: a dos amantes da arte e da cultura, a dos leitores e livros.

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXV)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXV)

17h30 de um dia complicado, com falta de luz e problemas na bicicleta de nosso querido entregador, correria e pressa com a loja às escuras, enfim, uma típica sexta-feira 14.

Então, entra um segurança na livraria. Todo de preto, vestido com roupa de quem pode enfrentar a polícia de Lukashenko ou o Choque, proteção de plástico nos joelhos, jaqueta estilo militar, mais ou menos o tipo de pessoa de que não se espera numa livraria.

Pergunto o que ele deseja:

— Eu quero ver se vocês têm algum livro de Hermann Hesse.

Eu lhe digo os que nós temos, enquanto ele pede para dar uma olhada nos outros livros. Puxo papo e ele me diz que não lia antes, mas que com o trabalho de agora — neste momento ele fez uma reverência-referência a seu uniforme –, ele tem tempo para ler.

— Sabe, eu quero ler alguns livros de escritores bem diferentes para encontrar aquilo que gosto. Acabei Crime e Castigo e agora quero conhecer esse tal de Hesse.

Falo pra ele que li tudo de Hesse durante aos anos 70, que ele é jovem e talvez não saiba que ele foi moda entre os alternativos daqueles anos.

Ele me pergunta se Hesse é muito diferente de Dostoiévski e eu faço um gesto para indicar o abismo entre os dois. Falo um pouco sobre os livros e peço para que ele me perdoe alguma inexatidão — afinal, são livros que li há mais 40 anos.

Ele escolhe levar Knulp, Demian e Sidarta.

— Recebi hoje e acho melhor botar a cabeça pra funcionar.

O resultado é que o cara justificou todo o meu dia. Talvez seja alguém que, com a crise, ocupe um cargo muito inferior do que sua qualificação, mas agora vou rejeitar as considerações sociológicas e achar que ajudei a pô-lo para pensar.

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101 dias

101 dias

São 13 dias de março, mais os 30 de abril, os 31 de maio, sem esquecer os 27 deste mês. Já são 101 dias em que a Livraria Bamboletras começou o súbito e necessário aprendizado de trabalhar sem balcão, quase só na telentrega. Não reduzimos a equipe — importante ponto –, mas as tarefas se alteraram radicalmente, com mais da metade do pessoal trabalhando de casa. Trabalhando muito e sob tensão. A loja permanece bonita, só que pouca gente a vê, o que a gente faz é desejar que o telefone toque, que o Whats apite, que o Messenger se apresente. E passa a buscar os livros, nosso glorioso produto.

As pessoas não esquecem da Bamboletras. Ou às vezes esquecem, mas voltam sempre. E vêm com pedidos às vezes muito complicados — quero um livro que li na infância e que esqueci o nome, era um infantil de capa rosa que e era a história de uma menina chamada Soraia… Na retaguarda, é um pedir livro sem fim para as distribuidoras. Tem os fornecedores legais e outros nem tanto assim. Há o que estão sempre disponíveis como nós e os que apenas abrem uma vez por semana (em um turno). Há o fornecedor que aceita esperar um pouco (obrigado!), o que pede que façamos uma proposta de parcelamento (obrigado, obrigado!) e o durão. Há que ver o saldo bancário para não deixá-lo crescer para baixo. Há os clientes legais que até adiantam uma graninha e recriam o velho esquema do caderninho, há os que ficam perplexos quando ouvem que um livro pode demorar ou é impossível e os que ficam encantados quando ele chega logo ou tem na loja. Há a indignação com a lentidão do Correio — o que podemos fazer? –, há os que não gostam de não poder entrar na livraria e os que amam ver seu livro chegar de bike e que depois nos escrevem (obrigado!).

(Teve gente que entrou durante o relaxamento e que gritou ‘Como é bom estar numa Livraria!’)

E há que, fundamental e criteriosamente, cuidar da saúde e se esconder da COISA.

Até aqui foi um filme de terror, mas estamos na luta. Ontem, vi o colega ao lado desmontar seu bar. Hoje, ao chegar na livraria, vi outro — um enorme caminhão de mudança esconde sua fachada na meio da Lima e Silva. É sábado — teoricamente um dia de relaxar — e já estou apavorado antes das 10h. Sim, há muita gente na pior.

Entrei na livraria repetindo para mim mesmo que nosso dia não vai chegar. E dale trabalhar.

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Carlos André Moreira nos 25 anos da Bamboletras

Carlos André Moreira nos 25 anos da Bamboletras

Carlos André Moreira é jornalista (e dos muito bons) com passagens por Jornal do Comércio e Zero Hora. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRGS, é também escritor e tradutor. Escreve no blog https://medium.com/@carlozandre.


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