Bamboletras recomenda três livros que passam pelo Sul

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Sim, todos os três livros recomendados passam pelo Sul. Um ensaio sobre o homem da campanha, um romance de uma argentina falando sobre o interior daquele país e um livro cuja ação ocorre na Europa, mas que foi escrito por um gaúcho, são as três excelentes sugestões da Bamboletras nesta semana. Confiram abaixo.,

Boa semana com boas leituras!

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Os Gaúchos, de Ondina Fachel Leal (Tomo Editorial, 368 páginas, R$ 65,00)

Esta obra, traduzida para o português a partir de uma tese de doutorado defendida em inglês, tardou trinta anos para vir à tona. A autora fez uma pesquisa de campo por dois anos cujo resultado é uma verdadeira caverna de Ali Babá aberta à visitação e reflexão, tantos são os tesouros que ali reluzem.  A riqueza do trabalho etnográfico conduzido na campanha gaúcha sobre os homens da região é notável, sobretudo se pensarmos o quanto envolveu de coragem a aventura de enfrentar e adentrar um mundo masculino de fronteiras rígidas, ciosamente defendidas por seus membros. O livro de Ondina Fachel Leal se deixa ler de modo agradável, envolvente e fluente, descrevendo a vida que ela encontrou na fronteira sul do Brasil, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai pampeanos.

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Não é um rio, de Selva Amada (Todavia, 96 páginas, R$ 49,90)

Com sua prosa precisa e econômica, a argentina Selva Almada é uma das vozes mais originais da literatura de língua espanhola contemporânea. Seu universo também é peculiar: a autora não fala da cosmopolita Buenos Aires. Seu ambiente é o mundo interiorano, onde vilarejos quase esquecidos no mapa abundam em histórias em que a violência, os laços familiares e velhos costumes ainda são importantes. É o caso deste novo romance, um livro que trata da amizade e de seus segredos. Enero Rey e Negro levam Tilo, o filho adolescente de Eusébio — o amigo morto dos dois –, para pescar. Enquanto bebem vinho, cozinham, falam e dançam, eles lutam com os fantasmas do passado e do presente. Esse momento íntimo e peculiar que conecta a trajetória desses três homens também os liga à vida dos habitantes locais nesse ambiente cercado de água e regido por suas próprias leis. Há perdas e mortes prematuras. Mas há também a teimosa vitalidade da natureza. Este romance flui como uma conversa entre seres que se amam.

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Uma tristeza infinita, de Antônio Xerxenesky (Cia. das Letras, 256 páginas, R$ 64,90)

Em uma narrativa tanto introspectiva quanto brutal, Antônio Xerxenesky nos faz encarar os traumas do passado, mas, principalmente, o medo do futuro. Nicolas, um jovem psiquiatra francês, é convidado para trabalhar na Suíça logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Junto da esposa Anna, ele se muda para um pequeno vilarejo, próximo ao hospital psiquiátrico onde vai trabalhar. O lugar, conhecido por seus métodos humanizados de tratamento, recebe internos de toda a Europa. Resistindo a prescrever tratamentos como o eletrochoque, Nicolas conversa com seus pacientes até que algo seja descoberto — tanto no inconsciente do doente quanto no do próprio médico. Assim, diversas feridas de guerra vêm à tona, em um jogo delicado que mistura confiança e loucura. Tendo como pano de fundo o contexto de desenvolvimento das primeiras drogas contra a depressão e outras doenças psíquicas, Antônio Xerxenesky constrói um romance tocante sobre os traumas, o passado e a possibilidade de ser feliz apesar do sofrimento.

Bamboletras recomenda o livro sobre o Bar Escaler, a Laerte e uns contos aí

Bamboletras recomenda o livro sobre o Bar Escaler, a Laerte e uns contos aí

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Porto Alegre domina as sugestões desta semana de clima estranho, que anuncia o Forno Alegre dos próximos meses. Vários dos contos de Milton Ribeiro se passam na cidade e o que dizer do livro sobre o Bar Escaler? De quebra, sugerimos a obra-prima da Laerte.

Abaixo, mais detalhes.

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Abra e Leia, de Milton Ribeiro (Zouk, 150 páginas, R$ 43,90)

Final de semana em Porto Alegre, uma mulher ouve um estranho chegar ao corredor do prédio quase vazio e pedir ajuda, um pedaço de pão que seja. Ainda com a porta fechada, os dois iniciam uma conversa cujas consequências não se pode prever. Trinta anos depois do final de um relacionamento, um homem encontra um bilhete que o coloca diante de uma perspectiva totalmente diferente. Um músico solista sente-se pressionado em meio à falsas gentilezas do maestro e chefe. Marquinhos joga por um time da segunda divisão gaúcha. Em meio a uma partida decisiva, ele precisa escolher se arrisca tudo o que tem de seu. Estas histórias estão entre os 22 contos deste Abra e Leia. Há ironia e intensidade. As referências à música erudita, ao cinema e à literatura cumprem funções que vão além do meramente figurativo. A solidão emerge por toda parte. Sobretudo, os personagens e as situações em que se envolvem são complexos. As surpresas, porém, não se dão por meio de reviravoltas bruscas ou finais surpreendentes. Diferente disso, em vários dos contos deste livro, sem que nos demos conta a princípio, a narrativa nos coloca frente a uma perspectiva inesperada. São histórias que nos tiram do conforto das certezas e abrem um campo de possibilidades. Entrever essas possibilidades, imaginar. Eis o que fica em nós por um tempo que se estende para além da leitura.

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Manual do Minotauro, de Laerte (Quadrinhos na Cia, 416 páginas, R$ 99,90)

Livraço! Nestas mais de 1500 tiras publicadas entre 2004 e 2015 e reunidas pela primeira vez em livro, temos o privilégio de seguir a evolução artística que confirma a alta qualidade da artista Laerte como das mais interessantes nos quadrinhos do mundo. Laerte já tinha mais de três décadas de cartunismo e era uma das profissionais mais festejadas do Brasil quando decidiu reinventar tudo. Por volta de 2004, sua série Piratas do Tietê abandonou os personagens recorrentes e os arremates cômicos para explorar uma mistura de filosofia, metafísica, poesia, poucas certezas e muitas dúvidas. Piratas virou o Manual do Minotauro e entramos, junto a Laerte, no labirinto do ser mitológico. O desenho é o mesmo, exato na economia. O jogo entre nanquim, cor, forma e quadros ainda é referência de design. O texto continua enxuto, preciso. As narrativas é claríssima, muitas vezes muito cômica. E, ao mesmo tempo, a humanidade vibra por baixo da aparente simplicidade. Deixem toda lógica e ordem cotidiana do lado de fora e preparem-se para uma das grandes aventuras do quadrinho contemporâneo.

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Escaler — Quando o Bom Fim era Nosso Senhor, de Paulo César Teixeira (Ballejo, 196 páginas, R$ 71,00)

Poucos lugares simbolizaram tão bem a efervescência dos anos 1980 em Porto Alegre quanto o bairro Bom Fim, principal reduto boêmio e cultural da capital gaúcha nas últimas décadas do século XX. E, no Bom Fim, havia um ponto de convergência – o Escaler, bar fundado em 1982 por um marujo às margens do Parque da Redenção, em meio a jacarandás e sob o brilho da lua. Inscrito na memória afetiva de duas ou três gerações como espaço privilegiado de diversão e arte, o Escaler acumulou milhares de histórias na lembrança e na imaginação dos que por lá aportaram. Já estava na hora de contá-las e revivê-las. É o que faz neste livro o dono do bar, Antônio Carlos Ramos Calheiros, o Toninho do Escaler – antes de tudo, um agitador cultural, que soube direcionar energias plurais sem retirar-lhes a fluidez e a espontaneidade –, em depoimento ao jornalista Paulo César Teixeira, autor de Esquina maldita, Nega Lu – Uma dama de barba malfeita e Rua da Margem – Histórias de Porto Alegre.

Lista dos mais vendidos na Livraria Bamboletras em agosto de 2021

Lista dos mais vendidos na Livraria Bamboletras em agosto de 2021

Todo começo de mês vem acompanhado da tradicional lista dos mais vendidos da Livraria Bamboletras! Nela você encontra as escolhas dos clientes de nossa livraria, ou seja, só excelentes livros. Ah, não acredita? Então, confira:

1. Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior (Todavia)
2. Duas Formações, Uma História: Das ideias fora do lugar ao perspectivismo ameríndio, de Luís Augusto Fischer (Arquipélago)
3. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
4. Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro (Cia. das Letras)
5. O deus das avencas, de Daniel Galera (Cia. das Letras)
6. Doramar ou a Odisseia: Histórias, de Itamar Vieira Júnior (Todavia)
7. Correntes, de Olga Tokarczuk (Todavia)
8. Encaixotando minha biblioteca: Uma elegia e dez digressões, de Alberto Manguel (Cia. das Letras)
9. Vista Chinesa, de Tatiana Salem Levy (Todavia)
10. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Cia. das Letras)

Um pouco melhor que outras listas, né? Pois é, nossos clientes são os melhores e isto não é apenas uma frase de efeito.

Bamboletras recomenda um ensaio, um romance e um livro de poemas

Bamboletras recomenda um ensaio, um romance e um livro de poemas

A newsletter de quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Um ensaio de Jessé Souza sobre racismo, um romance de Flavio Cafiero sobre uma separação e um livro de poesias de Roberto Bolaño. Vai ser complicado encontrar algo em comum os livros recomendados desta semana, até porque são de diferentes gêneros, comprovando que a Bamboletras é a “Livraria de Todos os Gêneros”…

Vamos lá. Abaixo, mais detalhes.

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Como o racismo criou o Brasil, de Jessé Souza (Estação Brasil, 304 páginas, R$ 49,90) 

Jessé é autor de mais de 30 obras e de uma centena de artigos e ensaios em vários idiomas. Entre seus ensaios mais lidos estão A elite do atraso e A classe média no espelho. Neste livro, o tema do racismo é reconstruído desde o início da civilização ocidental até nossos dias, de modo a permitir uma compreensão fundamental: a de que todo processo de desumanização e animalização do outro assume as formas intercambiáveis de racismo cultural, de gênero, de classe e de raça. Perceber as diferentes facetas do racismo possibilita ver quando ele assume outras máscaras: guerra contra o crime, como se a vítima não fosse sempre negra, ou luta contra a corrupção, usada contra qualquer governo popular no Brasil que lute pela inclusão de negros e pobres. Apenas uma abordagem multidimensional permite efetivamente perceber como o racismo sempre esteve no comando da iniquidade da sociedade brasileira, da escravidão até hoje.

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Diga que não me conhece, de Flavio Cafiero (Todavia, 112 páginas, R$ 49,90)

Estudo contundente do ressentimento amoroso, o romance de Flavio Cafiero fascina e atordoa. Ferido pelo fim da relação com Fabiano, Tato se muda de bairro e vai viver num prédio no centro de São Paulo. Enquanto luta para superar a desilusão, ele trava amizade com vizinhos do edifício. Eles formam uma singular comédia humana. Tato não aceita o fim do relacionamento — e cenas tristes giram em sua memória, fustigando-o tanto quanto a exposição da nova e (aparentemente) luminosa vida de Fabiano nas redes sociais. Numa escrita lancinante, a um só tempo lírica e realista, este livro de ritmo forte deixa clara a perícia do autor.

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A Universidade Desconhecida, de Roberto Bolaño (Cia. das Letras, 832 páginas, R$ 99,90)

Importante começar dizendo que este é um livro bilíngue. Ao lado dos poemas traduzidos, há os originais em espanhol. Bem, pela primeira vez no Brasil, os leitores têm acesso à poesia de Roberto Bolaño. A Universidade Desconhecida traz poemas reunidos pelo autor pouco antes de sua morte e oferece um panorama completo e complexo de uma obra encantadora e radical. Roberto Bolaño se tornou um fenômeno mundial graças aos seus romances, em especial 2666 e Os detetives selvagens. No entanto, o autor chileno sempre se viu, em primeiro lugar, como um poeta. Escrevia versos desde cedo, em sua adolescência no México, onde se aliou a outros jovens sem rumo e formou o grupo “infrarrealista”. Aqui estão compilados poemas que ele criou — da juventude à maturidade. Mas só depois de sua morte é que esta coleção veio à público. “Na formação de todo escritor, existe uma universidade desconhecida que guia seus passos”, escreveu. “Ela não tem sede fixa, é uma universidade móvel, mas comum a todos.” A Universidade Desconhecida é muito mais do que o embrião de suas grandes obras. Os poemas aqui não apenas complementam a visão de mundo do autor, mas sobrevivem por conta própria pela sua dicção única, seu senso de melancolia, suas imagens apocalípticas e solidão.

~ ESCLARECIMENTO SOBRE A BAMBOLETRAS E A REFORMA DO NOVA OLARIA ~

Ontem surgiram notícias sobre a “destruição” do Nova Olaria, onde localiza-se a Livraria Bamboletras. Como creio saber mais a respeito do que a maioria das pessoas e para que as narrativas apocalípticas recuem um pouco, aqui vão as informações que possuo.

Marquei uma reunião com os administradores há uns 20 dias. Fui recebido numa sala de reuniões com toda a pompa, vieram 2 pessoas falar comigo.

As notícias:

1. Eles vão construir 3 torres aqui. Duas de “studios” (apartamentos JK, bem entendido) e uma de apartamentos maiores. Um prédio será no atual estacionamento, outro na ex-FADERGS e outro naquela Academia que fica na Lima e Silva e que a gente passa na frente quando vai para o Zaffari, saindo da Bamboletras.

2. O Nova Olaria (a partir de agora NO) será inteiramente reformado. Ficará o muro formado pela frente de todas as lojas e a parte de trás das mesmas. Isto é, só ficarão a parte da frente e a de trás das lojas nos dois lados. O meio será derrubado, assim como o maior problema do prédio: o teto. Neste item, concordo com os caras, o teto daqui está pedindo manutenção. Também o piso do meio será refeito e ficará da altura do piso das lojas, pois, realmente, hoje nada está preparado para a acessibilidade.

3. Isso começará lá pelo meio do ano que vem.

4. É óbvio que teremos que sair. A reforma deve demorar uns dois anos.

5. Eles me informaram que as novas lojas terão tamanhos iguais às atuais e querem que a Bamboletras volte após a reforma. Mostraram um estudo que demonstra que somos a mais importante a loja do NO, mais importante até que o Guion. Seríamos a principal âncora. Somos quem traz mais gente pra dentro do Shopping. Eles disseram que o NO tem afinidade com a cultura e que o cinema será derrubado e reconstruído logo depois, com ou sem o Guion. Que isso aqui só pode dar certo com a Bamboletras e o cinema. Fico feliz com as palavras, mas saibam que ainda estamos em crise — precisamos levantar a âncora e navegar melhor.

6. Mas mudei de assunto. Voltemos…

7. Disseram também que podem facilitar nosso aluguel em um prédio deles na Cidade Baixa até o retorno.

8. Claro que achei tudo isso uma merda. Duas mudanças é pra matar. Talvez fosse melhor apenas sair no primeiro semestre do ano que vem. Ou estamos tão grudados ao NO que seria melhor retornar? — esta é uma questão em aberto.

9. Afinal, eles fizeram uma pesquisa em POA perguntando sobre as palavras que ocorrem às pessoas quando pensam na Cidade Baixa. Entre as palavras mais citadas estava “Bamboletras”. Pode ser puxassaquismo, mas só pensei nisso agora. Ah, se a gente pudesse transformar nosso prestígio em $… Ah, se prestígio e boa curadoria pagasse contas…

10. Bem, as informações são estas. Pretendemos seguir, não obstante as obras e dificuldades. Somos teimosos e acreditamos no que fazemos. Boas livrarias são importantes. Passamos pela pandemia sem demitir nenhum funcionário — não adianta ser ideológico só no discurso, né? — e queremos seguir vivos. Estamos na luta e vocês não imaginam como. Apareçam. Como diria Drummond, precisamos de todos.

P.S. — Se alguém tiver sugestões, palpites. bons locais disponíveis para 2022, por favor, manifeste-se.

Bamboletras recomenda uma viagem entre Buenos Aires e o sul do estado

Bamboletras recomenda uma viagem entre Buenos Aires e o sul do estado

A newsletter de quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Se você achou misterioso o nosso título, aqui vai a explicação. Nossa primeira sugestão é um livro da portenha María Gainza, que é uma tremenda escritora e crítica de arte. O segundo é de Céli Pinto, que fala de todas as mulheres, mas com foco nas de Bagé. Já o terceiro, de César Lascano, é um raro livro que gira sobre um time de futebol, o Brasil de Pelotas. E é tudo livro bom! Confira!

Abaixo, mais detalhes.

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O nervo óptico, de María Gainza (Todavia, 144 páginas, R$ 54,90)

Deve haver alguma coisa na água de Buenos Aires… O que sai de escritor bom de lá! María Gainza é escritora e crítica de arte. Em O nervo óptico, livro de contos, sentimos a fina linha que percorre as histórias, um tênue fio que confunde as delicadas fronteiras entre a arte e a vida, a beleza e o êxtase, as retinas e o mundo. E como é gostoso quando um escritor faz a ligação entre o cotidiano e a arte, entre o banal e o transcendente. A autora nos faz repensar, nestas onze narrativas sagazes que articulam memória e ensaio, as muitas formas de ver uma obra de arte; e, mais do que isso, nos ensina que também somos inadvertidamente vistos pelas imagens, somos atravessados — invadidos por elas. Com perspicácia ensaística, ironia e um lirismo incidental, María Gainza aguça a própria vocação da arte: “escrevemos algo para contar outra coisa”.

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Tempos e Memórias — Vidas de Mulheres, de Céli Pinto (Zouk, 156 páginas, R$ 49,00)

Vejam só que boa ideia a da Céli Pinto. Este livro reúne 16 relatos de pessoas comuns, situadas em diferentes lugares da constelação social: donas de casa, escriturárias, professoras, faxineiras, dentistas. Têm em comum a idade superior aos 70 anos, a localidade de Bagé e o sexo feminino. São pessoas invisíveis na cena pública, pessoas sem expressão, a quem é dada a oportunidade de se exprimir. Essas mulheres idosas, que acreditam não terem nada para contar, ficam gratas pelo reconhecimento, falam muito, narram seu passado privilegiando a juventude, os pais e a infância, relegando a um segundo plano maridos e filhos, como se o casamento representasse uma cisão em suas vidas. Vidas anódinas cerceadas de restrições, constrangimentos e sujeições em razão do sexo. Neste exercício de história da vida cotidiana feminina na campanha rio-grandense do início do século XX, Céli Pinto lança um olhar crítico e às vezes enternecido de pesquisadora experiente.

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Contos da arquibancada, de César Lascano (Edição do autor, 158 páginas, R$ 49,90)

Vocês conhecem as paixões que movem o Brasil de Pelotas, o Xavante? Se não conhecem, digo que é algo como um vendaval daqueles bem fortes, pra derrubar mesmo. Agora imaginem um livro de ficção que traga a voz do torcedor raiz e que misture personagens e histórias reais a invenções sobre o clube de futebol mais carismático do mundo. Sim, do mundo, ou vocês queriam um torcedor raiz equilibrado? Contos Da Arquibancada é o primeiro livro do músico, compositor, escritor e torcedor apaixonado César Lascano. É um livro escrito por quem conhece o cimento e o grito do Bento Freitas.  Mais do que isso, Lascano traz doses lirismo e drama à história do clube, vistos a partir de seu ângulo mais autêntico.

María Gainza

Um sonho: a Lei Lang

​Uma Lei Lang no Brasil seria uma maravilha e salvaria as pequenas livrarias: na França, a também chamada de “Lei do Preço Fixo”, foi aprovada em 1981. Ela impõe limite a descontos dados por livrarias, com o objetivo de evitar a concorrência desleal. Entre 2013 e 2014, deputados e senadores aprovaram emenda que impede a Amazon de conceder descontos superiores a 5%, bem como o frete grátis.​.. Lá, o comércio deve respeitar o período de dois anos de lançamento do livro, oferecendo descontos máximos de 5% na venda ao consumidor final. Um sonho.

Bamboletras recomenda um verdadeiro suco de Brasil

Bamboletras recomenda um verdadeiro suco de Brasil

A newsletter de quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Nesta semana, sugerimos três livros encharcados de Brasil. O primeiro tem o foco em nossa cultura, o segundo no racismo e na pobreza e o terceiro no aniquilamento e destruição que estamos vivendo. Ah, pois é, não fácil, mas há que seguir. E com os pés bem firmes no chão e no conhecimento.

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Duas Formações, Uma História: das Ideias Fora do Lugar Ao Perspectivismo Ameríndio, de Luís Augusto Fischer (Arquipélago, 400 páginas, R$ 79,90)

Dedicado ao tema há quatro décadas, Luís Augusto Fischer oferece um novo jeito de contar a complexa história da literatura brasileira, criando um modelo que dê lugar aos autores contemporâneos, à canção, à tradução, às redes sociais, à voz indígena, ao feminismo, à diferença. Falando das virtudes e limitações dos modelos estabelecidos por nomes exemplares da crítica literária, recorrendo aos historiadores e antropólogos recentes, contando a história dos livros que até hoje tentaram abarcar a trajetória da literatura do Brasil, o autor mostra um caminho. Uma obra fundamental para quem conhece bem o jardim em que floresceram Machado e Rosa, e imperdível para quem quer conhecê-lo melhor.

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Casa de Alvenaria, Volume 1 (Osasco) e Volume 2 (Santana), de Carolina Maria de Jesus (Cia. das Letras, 224 e 512 páginas, R$ 39,90 e R$ 59,90)

Esta é a edição integral dos diários de Carolina Maria de Jesus e contém material inédito. O Volume 1 registra os meses em que a escritora morou em Osasco (SP), em 1960, após deixar a favela do Canindé. Através deste testemunho que borra as fronteiras dos gêneros literários, acompanhamos a recepção de Quarto de Despejo, as viagens de divulgação, o contato frequente com a imprensa e os políticos, o desenvolvimento de seu projeto literário e seu desejo de ser reconhecida como escritora. Dessa narrativa do cotidiano, entremeadas às contradições de seu tempo, emergem reflexões que permanecem atuais. O Volume 2 de Casa de Alvenaria inclui diários que se estendem até dezembro de 1963.  Através dele, acompanhamos a nova vida de Carolina, a movimentação em sua casa, as viagens e, sobretudo, a dificuldade de transpor as barreiras do racismo e a dificuldade para ser reconhecida como escritora. O livro inclui introdução de Conceição Evaristo e Vera Eunice de Jesus e pode ser lido independentemente do volume anterior.

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Discurso sobre a Metástase, de André Sant’Anna (Todavia, 216 páginas, R$ 64,90)

Uma coletânea de escritos que retrata a loucura e a tragédia da realidade brasileira, um país deixado em ruínas. Os aliados de Sant’Anna nessa missão são o humor absurdo e um trabalho de linguagem radical — as únicas ferramentas capazes de captar nossa grotesca realidade. No romance O paraíso é bem bacana (2006), vale lembrar, André parece ter dado o pontapé inicial na radicalização de sua linguagem literária — com muitas repetições, gírias, obsessões, ironia — ao contar a história do tímido jogador de futebol Mané, um menino que se explode feito homem-bomba e vai viver as mil e uma maravilhas que o título da obra sugere. Aqui, ele dobra a aposta, convencendo-nos de que somente a catarse gerada por uma comédia absurda, enfatizada por uma linguagem caricata e grotesca, será capaz de expressar o que sentimos em nosso país.

Luís Augusto Fischer | Foto: Tom Silveira

Bamboletras recomenda Ney Matogrosso, Maria Rita Kehl e Hannah Arendt

Bamboletras recomenda Ney Matogrosso, Maria Rita Kehl e Hannah Arendt

A newsletter de quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

É complicado escrever uma apresentação para as sugestões desta semana. Se conseguimos traçar paralelos entre Maria Rita Kehl e Hannah Arendt, como fazer com Ney Matogrosso? O fato é que são três livros bem bons e diferentes. A única coisa em comum entre os três é o fato de que, pela primeira vez, não temos um livro de ficção entre nossas dicas.

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Ney Matogrosso — A Biografia, de Julio Maria (Cia. das Letras, 512 páginas, R$ 89,90)

Tendo como aliada apenas a própria intuição, Ney Matogrosso abriu um caminho único na música brasileira. Enfrentou a hostilidade do pai militar e os dogmas da Igreja católica, sobreviveu aos anos de chumbo e ao perigo da aids, manteve-se firme diante das críticas a seu “canto de mulher” e da vigilância das censuras. O jornalista Julio Maria passou cinco anos perseguindo os caminhos trilhados por Ney para contar a história de um dos personagens mais transformadores da cultura do país. Visitou a casa em que ele nasceu em Bela Vista do Mato Grosso do Sul, a vila militar em que viveu a conturbada adolescência com o pai em Campo Grande e o quartel da Aeronáutica que o abrigou como soldado no Rio de Janeiro. Encontrou um irmão mais velho do qual a família não tinha notícias, levantou documentos de agentes que o observaram durante a ditadura e localizou fatos raros da fase Secos & Molhados. Ney Matogrosso – A biografia vai às camadas mais profundas da história de Ney para contar a vida de um artista que pagou caro por defender seus direitos e sua vida artística.

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Ressentimento, de Maria Rita Kehl (Boitempo, 208 páginas, R$ 53,00)

Ressentimento, obra pioneira da psicanalista Maria Rita Kehl, ganha, em 2020, uma nova edição pela Boitempo, com um novo prefácio e projeto gráfico. O livro aborda a conceitualização do ressentimento a partir de quatro pontos de vista: a clínica psicanalítica, a filosofia de Nietzsche e Espinosa, a produção literária e o campo político. Como o ressentimento não é um conceito clássico da psicanálise, Maria Rita Kehl mobiliza tanto as suas observações clínicas quanto seus conhecimentos de outras áreas para definir e explicar a constelação afetiva que o forma. “Ressentir-se significa atribuir ao outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer” – é desse modo que o ressentido se conduz a um beco sem saída: ao não assumir a responsabilidade sobre a própria situação, ele busca apenas uma vingança “imaginária e adiada”. Faz-se notar, assim, a atualidade do tema do ressentimento, presente nos conflitos sociais daqueles que não se veem como agentes da vida social e política. Apenas a partir da tomada de consciência da própria responsabilidade como sujeitos de nossas ações é possível abrir mão da passividade – e dos ganhos secundários – da posição ressentida.

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Pensar sem Corrimão — Compreender, de Hannah Arendt (Bazar do tempo, 640 páginas, R$ 92,00)

Pensadora da crise e do recomeço, Hannah Arendt (1906-1975) produziu uma obra incomparável sobre os acontecimentos do século XX e suas repercussões. Os textos reunidos neste livro atestam a sua capacidade em avaliar com rigor teórico e compromisso ético as principais questões de seu tempo, criando diagnósticos que se tornaram referência nos mais diversos campos das ciências humanas. Produzidos entre os anos 1950 e 1970, esses escritos, em grande parte inéditos, atravessam o período em que a Arendt escreveu suas obras mais importantes. Dessa forma, é visível o diálogo estabelecido entre as reflexões presentes nesta edição – em ensaios, aulas, estudos e entrevistas – e trabalhos como Origens do totalitarismo, Sobre a revolução e A condição humana. Na coletânea estão mais de quarenta textos com propósitos e estilos diferentes: projetos de pesquisa como o que a autora dedica a Marx, uma série de estudos sobre o significado das revoluções modernas, discursos como o de agradecimento pelo recebimento da Medalha Emerson-Thoreau, importante prêmio literário concedido pelo Academia Americana de Artes e Ciências, homenagens a amigos, como o filósofo Martin Heidegger e o poeta W. H. Auden, cartas e entrevistas que trazem detalhes da vida e a obra da autora.

Bamboletras recomenda dois livros fundamentais e uma novidade

Bamboletras recomenda dois livros fundamentais e uma novidade

A newsletter de amanhã da Bamboletras.

Olá!

Nossas sugestões para esta semana gelada são quentes. Ah… Duvida? Pensa que é só uma má frase de efeito? Pois então veja só.

Sugerimos a bela edição de todos os contos de Cortázar e um clássico da literatura brasileira, a obra-prima Crônica da Casa Assassinada. De quebra, uma surpresa: o livro Camaradas, de Jodi Dean. Quem o leu voltou elogiando muito.

Abaixo, mais detalhes.

E cuide-se com o frio. Além dos cuidados com a Covid, agasalhe-se. E, se puder, doe aquele capotão velho e fora de uso porque as ruas estão cheias de sem-teto.

Boa semana com boas leituras!

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Todos os Contos, de Julio Cortázar (Cia. das Letras, 1144 páginas, de R$ 269,90)

Precisamos mesmo descrever este tesouro? Pela primeira vez no Brasil, são publicados todos os contos de Cortázar, reunidos em dois volumes de capa dura, numa caixa com projeto gráfico especial. A verdadeira revolução de Cortázar, sabemos, está nos seus contos e histórias curtas. Mas não se trata de uma reedição de todos os livros de contos do escritor, mas de novas traduções feitas por Heloisa Jahn e Josely Vianna Baptista. (Cá pra nós, aqueles velhos livros da Civilização Brasileira às vezes tinham traduções de cortar os pulsos, né?). Então gente, Bestiário, Todos os fogos o fogo, As armas secretas, Octaedro, Fim do jogo, Histórias de cronópios e de famas, todos os livros fundamentais de Cortázar estão aqui e mais. A edição conta ainda com os dois célebres ensaios do autor argentino sobre a escrita de contos, Alguns aspectos do conto, de 1963, e Do conto breve e seus arredores, de 1969, além de um estudo do crítico argentino Jaime Alazraki sobre o Cortázar contista.

Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso (Cia. das Letras, 560 páginas, R$ 84,90)

Este livro é um clássico absoluto da literatura brasileira. Publicado pela primeira vez em 1959, Crônica da casa assassinada conta a história da decadência de uma família tradicional mineira: cada geração se vê mais pobre que a anterior, dilapidando o patrimônio para sobreviver. Os Meneses, porém, continuam sendo respeitados na pequena comunidade onde vivem. A Chácara, a grande casa que gera orgulho mas que também aprisiona, é vista com reverência e desconfiança por todos que conhecem o clã. A história dos Meneses é contada através de diferentes narradores, que se enfrentam e se contradizem, mas que constroem com maestria um retrato profundo da vida familiar. A chegada de Nina — jovem carioca que se muda após se casar com Valdo, um dos irmãos — vai abalar a relação difícil entre eles. É uma história densa, não linear, cheia de ciúmes, rancores e perversões. Como dissemos, é narrado por várias vozes, incluindo membros da família Meneses e habitantes de Vila Velha, cidade onde vivem. Não devemos acreditar em tudo o que lemos ali. Fantasmagórico e envolvente, Crônica da casa assassinada surpreendeu em 1959, por trazer temas pouco comuns à época, como a homossexualidade e as relações incestuosas.

Camarada — Um Ensaio sobre Pertencimento Político, de Jodi Dean (Boitempo, 208 páginas, R$ 55,00)

No século XX, milhões de pessoas se dirigiram umas às outras como “camarada”. Hoje, em círculos de esquerda é mais comum ouvir falar em “aliados”. Neste livro, Jodi Dean insiste no fato de que essa mudança exemplifica o problema fundamental da esquerda contemporânea: a sobreposição da identidade política a uma relação de pertencimento político que precisa ser construída, sustentada e defendida. Neste ensaio com recortes e análises bastante originais, Dean nos oferece uma teoria da camaradagem. Camaradas são pessoas que se encontram de um mesmo lado de uma luta política. Unindo-se voluntariamente por justiça, sua relação é caracterizada por disciplina, coragem e entusiasmo. Analisando o igualitarismo da figura do camarada à luz das diferenças de raça e gênero, Dean recorre a um leque de exemplos históricos e literários. Eis um livro curto que articula história, psicanálise e filosofia num texto prazeroso de ler como ensaio de interesse geral.

Todo o Salinger com desconto na Bamboletras e mais Mariana Enriquez e Sapatas

Todo o Salinger com desconto na Bamboletras e mais Mariana Enriquez e Sapatas

A newsletter de amanhã da Bamboletras.

Olá!

Nesta semana temos 3 sugestões matadoras, por assim dizer — pois matador é o nosso presidente, né? Imaginem: toda obra de Salinger com desconto, um romance premiado da fantástica (em todos os sentidos) Mariana Enriquez e mais o essencial de Alison Bechdel. Sim, exageramos, mas este é nosso papel. Fazer o quê?

Boa semana com boas leituras!

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O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger (Todavia, 255 páginas, de R$ 59,90 por R$ 50,90)

Neste mês, este clássico do século XX completou 70 anos. E, bem, a Bamboletras está dando 15% de desconto em toda a obra de Salinger. O recluso autor escreveu apenas 4 pequenos livros, mas que livros! São eles O Apanhador, Nove Histórias (maravilhoso), Franny e Zooey e Erguei bem alto a viga, carpinteiros & Seymour — Uma introdução (igualmente imperdível!). Sobre O Apanhador: é Natal e Holden Caulfield conseguiu ser expulso de mais uma escola. Com uns trocados e seu indefectível boné vermelho de caçador, o jovem traça um plano incerto: vagar três dias por Nova York, adiando a volta à casa dos pais. Seus dias e noites serão marcados por encontros confusos, e ocasionalmente comoventes, brigas e dúvidas que irão consumi-lo. Acima de tudo, paira a inimitável voz de Holden, o adolescente raivoso e idealista que quer desbancar o mundo dos “fajutos”, num turbilhão de ressentimentos, humor, frases lapidares, insegurança, bravatas e rebelião juvenil. Esta edição brasileira tem tradução de Caetano W. Galindo e, pela primeira vez, traz a capa original de seu lançamento.

Nossa Parte de Noite, de Mariana Enriquez (Intrínseca, 544 páginas, R$ 79,90)

Quem leu o esplêndido As coisas que perdemos no fogo sabe da alta qualidade da prosa da argentina Mariana Enriquez. Nossa parte de noite ganhou na Espanha o Premio Herralde de Novela e o Premio de la Crítica 2019. Um pai e um filho cruzam a Argentina de carro, de Buenos Aires até as Cataratas do Iguaçu, na fronteira com o Brasil. São os anos da ditadura militar argentina, soldados armados estão no controle e o ambiente é de tensão. A mãe do garoto Gaspar morreu em circunstâncias obscuras, em um suposto acidente. O terror sobrenatural se mistura com terrores bem reais neste romance deslumbrante — em casas cujos interiores sofrem mutações, passagens que escondem monstros inimagináveis, rituais com sacrifícios humanos que envolvem êxtase e dor, andanças na Londres psicodélica dos anos 1960, fetiche por pálpebras humanas, liturgias sexuais enigmáticas e a repressão da ditadura, os desaparecidos, a chegada incerta da democracia e os primeiros casos de aids em Buenos Aires. Um romance que amedronta e envolve na mesma medida. Mariana Enriquez nasceu em 1973 em Buenos Aires. É jornalista, subeditora do jornal Página/12 e professora.

O Essencial de Perigosas Sapatas, de Alison Bechdel (Todavia, 395 páginas, R$ 109,90)

Ao longo de mais de duas décadas, Alison Bechdel, autora da premiada graphic novel Fun Home, levou a vida de Mo, Lois, Ginger, Sparrow e de suas amigas a dezenas de jornais. Narrada como uma novela ilustrada, a história se passa em tempo real: as personagens se conhecem, se apaixonam, atam e desatam relacionamentos, trocam de empregos, envelhecem, e suas vidas ao longo de vinte anos refletem as mudanças sociais, culturais e políticas contemporâneas. Selecionadas pela autora, as tiras de O Essencial de Perigosas Sapatas dão a medida do impressionante escopo do trabalho de Bechdel.

Os livros mais vendidos em junho na Bamboletras

Os livros mais vendidos em junho na Bamboletras

E vamos aos mais vendidos de junho! Itamar Vieira Júnior, que já ocupava o topo de nossa lista há um bom tempo, agora ocupa a primeira e a segunda colocações. E, como de costume, só temos ótimos livros em nossa lista! Os leitores da Bambô só levam coisa boa. Apareça, aqui há qualidade e curadoria!

1. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia)
2. Doramar ou a Odisseia: Histórias, de Itamar Vieira Júnior (Todavia)
3. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
4. Notas sobre o Luto, de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras)
5. Pequena Coreografia do Adeus, de Aline Bei (Companhia das Letras)
6. E se as cidades fossem pensadas por mulheres, de Laura Sito e Mariana Félix (Zouk)
7. João aos pedaços, de Flávio Ilha (Diadorim)
8. Porto Alegre, Cidade Baixa: Um bairro que contém seu passado, de Renato Menegotto (Marcavisual)
9. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Companhia das Letras)
10. Diários: 1909-1923, de Franz Kafka (Todavia)

Você confere todos estes sucessos aqui na Bambô!
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A Bamboletras sugere três livros muito diferentes entre si

A Bamboletras sugere três livros muito diferentes entre si

A newsletter de amanhã da Bamboletras.

Olá!

Desta vez será complicado encontrar pontos em  comum sobre os livros sugeridos. Eles só têm em comum a alta qualidade.

O primeiro é um livro de crônicas saborosas de Humberto Werneck. Livro profundamente brasileiro e dentro de nossa gloriosa tradição cronística.

O segundo é o terceiro e último volume de uma obra-prima. Os diários de Emilio Renzi, de Ricardo Piglia, deveria ser livro de cabeceira de qualquer candidato a escritor ou artista.

O último é um mosaico enganador de fatos que envolvem uma visita à Alemanha Oriental e uma foto sobre a faixa de segurança de Abbey Road, como a célebre foto da capa do disco homônimo dos Beatles.

Mais detalhes abaixo. Boa semana com boas leituras!

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O Espalhador de Passarinhos, de Humberto Werneck (Arquipélago, 176 páginas, R$ 45,00)

Espalhador de boas histórias, Humberto Werneck senta conosco na calçada para uma conversa saborosa. Na memória do menino, a educação sexual na Idade Média dos anos 50 e o pequeno defunto que leva os óculos consigo para ver o nada no fundo da terra. Na pele do jornalista, os espinhos de uma entrevista petrificante com Clarice Lispector e o ensinamento de um jovem Gilberto Gil (“Minha ambição é a boa morte”). Na coleção do catador de palavras, a festimana e o balandrau. Nas retinas infatigáveis do observador da vida, as separações que não dão certo e os santos de um lugar esquecido por Deus. Um livro que preserva o canto inimitável da crônica brasileira.

Um dia na vida: Os diários de Emilio Renzi, de Ricardo Piglia (Todavia, 334 páginas, R$ 89,90)

Como nos dois volumes anteriores dos diários de Emilio Renzi, alter ego do autor, é possível montar uma cartografia pessoal de Piglia por meio das aventuras da vida íntima (casos amorosos, família, amigos), cafés, pequenos quartos alugados, quartos de hotel e jornadas pelas freeways dos Estados Unidos. Um dia na vida é o terceiro e último volume dos diários — ponto alto da produção literária de um dos escritores fundamentais da literatura latino-americana. O pânico de viver sob uma ditadura. As dúvidas sobre ser ou não um intelectual público. As amizades literárias e os amores. O triunfo com a publicação de Respiração artificial. O envelhecimento e a doença. Aqui, como nos dois volumes anteriores dos diários, é possível montar uma cartografia pessoal de Piglia por meio das aventuras da vida íntima, cafés, quartos de hotel. E, sempre, o chamado da escrita.

O homem que viu tudo, de Deborah Levy (Todavia, 232 páginas, R$ 64,90)

No mosaico montado por Deborah Levy, as peças do mistério se sucedem e se combinam, num caleidoscópio de pistas, indícios e sugestões. Em 1988, o jovem historiador Saul Adler é convidado a viajar à Alemanha Oriental para realizar uma pesquisa. Em troca, Saul deve escrever um ensaio elogiando a vida na RDA e o regime comunista. Ele ficará hospedado na casa de seu tradutor, e pretende dar à irmã dele — fã incondicional dos Beatles — uma foto atravessando a famosa Abbey Road. Enquanto aguarda sua namorada, que irá retratar a cena, Saul é atropelado. Embora sofra apenas ferimentos leves, o acidente mudará o rumo de sua vida.

Atrás do balcão da Bamboletras (XXXVIII)

Entra um senhor de sandálias com um carregado sotaque alemão e pergunta se temos O Continente, de Erico Verissimo. Disse que tinha vindo à Bamboletras por recomendação de um amigo. Ele nos conta que encontrou o livro há muitos anos em seu país e que agora quer ler o original, de tanto que gostou. Abre a mochila, pega um paralelepípedo bem protegido por papel pardo, e nos mostra a edição alemã de 1955. Diz que jamais foi reeditado por lá. É impressionante, até porque a terceira parte de O Tempo e o Vento saiu só em 1962 — O Continente é de 49. O problema foi explicar a ele que as editoras transformaram o livro em dois volumes no Brasil. Examinei seu exemplar: uma coisa linda e, sim, tinha O Continente completo. Os dois volumes em português já estão na sua mochila, ao lado da relíquia.

O sorriso dele ao folhear os livros compensa tudo o que a livraria está passando nesta pandemia.

Os livros mais vendidos em março na Livraria Bamboletras

Os livros mais vendidos em março na Livraria Bamboletras

Como de costume, segue a lista dos mais vendidos do mês de março na Livraria Bamboletras. Alguns títulos seguem na lista, mas o mês passado trouxe novidades!

1. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia)
2. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
3. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Companhia das Letras)
4. As Inseparáveis, de Simone de Beauvoir (Record)
5. Marrom e Amarelo, de Paulo Scott (Alfaguara)
6. O ar que me falta, de Luiz Schwarcz (Companhia das Letras)
7. E fomos ser gauche na vida, de Lelei Teixeira (Pubblicato)
8. D’ale: Meus sonhos, meu futebol, minha vida, meu legado, de Diego Borinsky (Sulina)
9. A Estrangeira, de Claudia Durastanti (Todavia)
10. A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante (Intrínseca)

É claro que temos todos! É só entrar em contato ou vir até nossa porta!

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Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXVI)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXXVI)

Acaba de acontecer algo muito inusitado. Ontem à tarde, fomos levar um “De cu pra Lua”, ótimo livro do Nelson Motta, ali no Menino Deus.

A compra tinha sido feita por um homem. O ciclista chegou ao local, abriram-lhe a porta e ele disse para Beltrana que queria fazer uma entrega para Fulano do ap. 103. Beltrana perguntou o que era.

— Um livro que ele comprou.

— Ah, sim. Deixa eu ver. Está pago?

— Não, está escrito aqui que ele vai pagar em dinheiro.

Ela examinou com atenção o volume e perguntou o preço. Pagou e nosso ciclista retornou com o dinheiro.

Agora de manhã, Fulano nos liga indignado. Cadê o livro, pô? Me dá a maior mijada e eu tranquilo, pois o livro tinha sido entregue.

— Entregue pra quem?

Consulto o ciclista e respondo.

— Para uma moça. Não sabemos o nome.

— Mas eu não conheço ninguém no prédio! E todos os porteiros são homens!

— Bem, ela até pagou…

Fulano cai na risada.

— Acho que consegui uma venda pra vocês, mas, por favor, podem me trazer outro “De cu pra Lua”? Venham até a minha porta. Sou um cara alto, 1,90m, grisalho, uso óculos…

Já mandei. Espero que chegue.

Lista dos livros mais vendidos na Livraria Bamboletras em janeiro de 2021

Lista dos livros mais vendidos na Livraria Bamboletras em janeiro de 2021

1. Os Supridores, de José Falero.
2. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior.
3. E fomos ser gauche na vida, de Lelei Teixeira.
4. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório.
5. Máscaras da Tricolina — sim, máscaras para a pandemia.
6. Mulheres de Minha Alma, de Isabel Allende.
7. A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante.
8. Contra mim, de Valter Hugo Mãe.
9. Porto Alegre, Cidade Baixa: um bairro que contém seu passado, de Renato Menegotto.
10. República das Milícias, de Bruno Paes Manso.
11. Marrom e Amarelo, de Paulo Scott.

Que orgulho! Só tem livro bom aí!

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXX)

Atrás do Balcão da Bamboletras (XXX)

Ganhamos do Correio do Povo o Prêmio Jacarandá como melhor Instituição Cultural de 2020. Resistimos entregando livros. Pensa que é mole?

Na foto, Caroline Joanello, Sofia Salinos, Gustavo Ventura Gomes, Osvaldo Filho, Bruno Aneres, Eliane Putrique Vicente e eu, com o troféu.

A Lili entrou de gaiata na foto. Está trabalhando remotamente.

Quando houve a bonita cerimônia de entrega do Prêmio Jacarandá na sede do Correio do Povo, a Bamboletras acabou não levando o troféu porque nele estava escrito algo como “Melhor Autor”… O equívoco foi corrigido e hoje eu e Elena fomos buscá-lo.

Fazia muito tempo que não caminhávamos juntos na rua, estávamos felizes e, após pegarmos o troféu, ela me propôs atuarmos como pessoas normais e fomos ao Café À Brasileira ali na Uruguai. A Elena tem saudáveis tendências hedonistas.

Como é bom o espresso deles! Que saudades da vida normal! Depois desta ousada iniciativa, levei a Elena pra casa e fui para a Livraria Bamboletras levar a honraria. Que bom ver reconhecido o enorme esforço de nossa livraria para resistir.

Obrigado, Correio do Povo! Obrigado, equipe da Bamboletras!

101 dias

101 dias

São 13 dias de março, mais os 30 de abril, os 31 de maio, sem esquecer os 27 deste mês. Já são 101 dias em que a Livraria Bamboletras começou o súbito e necessário aprendizado de trabalhar sem balcão, quase só na telentrega. Não reduzimos a equipe — importante ponto –, mas as tarefas se alteraram radicalmente, com mais da metade do pessoal trabalhando de casa. Trabalhando muito e sob tensão. A loja permanece bonita, só que pouca gente a vê, o que a gente faz é desejar que o telefone toque, que o Whats apite, que o Messenger se apresente. E passa a buscar os livros, nosso glorioso produto.

As pessoas não esquecem da Bamboletras. Ou às vezes esquecem, mas voltam sempre. E vêm com pedidos às vezes muito complicados — quero um livro que li na infância e que esqueci o nome, era um infantil de capa rosa que e era a história de uma menina chamada Soraia… Na retaguarda, é um pedir livro sem fim para as distribuidoras. Tem os fornecedores legais e outros nem tanto assim. Há o que estão sempre disponíveis como nós e os que apenas abrem uma vez por semana (em um turno). Há o fornecedor que aceita esperar um pouco (obrigado!), o que pede que façamos uma proposta de parcelamento (obrigado, obrigado!) e o durão. Há que ver o saldo bancário para não deixá-lo crescer para baixo. Há os clientes legais que até adiantam uma graninha e recriam o velho esquema do caderninho, há os que ficam perplexos quando ouvem que um livro pode demorar ou é impossível e os que ficam encantados quando ele chega logo ou tem na loja. Há a indignação com a lentidão do Correio — o que podemos fazer? –, há os que não gostam de não poder entrar na livraria e os que amam ver seu livro chegar de bike e que depois nos escrevem (obrigado!).

(Teve gente que entrou durante o relaxamento e que gritou ‘Como é bom estar numa Livraria!’)

E há que, fundamental e criteriosamente, cuidar da saúde e se esconder da COISA.

Até aqui foi um filme de terror, mas estamos na luta. Ontem, vi o colega ao lado desmontar seu bar. Hoje, ao chegar na livraria, vi outro — um enorme caminhão de mudança esconde sua fachada na meio da Lima e Silva. É sábado — teoricamente um dia de relaxar — e já estou apavorado antes das 10h. Sim, há muita gente na pior.

Entrei na livraria repetindo para mim mesmo que nosso dia não vai chegar. E dale trabalhar.