Neste domingo não há neutralidade

Neste domingo não há neutralidade

O grande maestro Tobias Volkmann escreve melhor do que eu poderia fazê-lo. E é claríssimo:

NESTE DOMINGO NÃO HÁ NEUTRALIDADE

Ela nos será cobrada, e a conta será alta demais para brasileiro de qualquer classe, origem, cor, religião e orientação sexual possa pagar.

O Brasil se vê frente a um momento histórico sem precedentes, no qual nossa jovem democracia estará posta à prova. Talvez seja a última oportunidade de escolhermos livremente nossos rumos políticos através do voto antes que entremos (novamente) em um período de negação às liberdades individuais de quem pensa diferente, parece diferente, ora ou reza diferente, fala diferente, ama diferente.

Opiniões contrárias e diferenças não serão toleradas – já está avisado.

Os paralelos entre a ascensão do nazi-fascismo em 1933 e nosso momento atual são inúmeros e óbvios. Só não vê quem não (o) quer (admitir). Minha origem familiar germânica, a constante memória da culpa e da vergonha refrescada em casa, na escola em Bremen, nos museus, nos livros, nas ruas, na imprensa e nas artes foram suficientes para me vacinar. Só não esperava passar por isto em meu país – onde nasci, cresci e para o qual voltei mais de uma vez por desejar ser um artista brasileiro.

Neste domingo não há mais discussões ideológico partidárias em jogo. A opção é simples: votamos pela manutenção da democracia e sequência de um processo civilizatório em uma base de convivência, ou votamos pela implantação de um estado policial, totalitário, violento e muito mais excludente do que o vivido hoje. A segunda opção não admitirá reclamações posteriores. E lamento informar: não terá sido estelionato eleitoral.

Eu opto pela democracia, onde poderemos ainda exigir de um presidente professor que invista de fato na educação e na cultura, as únicas formas de proteger um povo da barbárie.

Neste domingo não há neutralidade.

É Haddad 13.

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E um detalhe do que Bolsonaro disse domingo.

Drops

Enquanto Serra fala pejorativamente no kit-gay do Haddad — na verdade falando sobre o kit anti-homofobia, criado durante a gestão de Haddad no Ministério da Educação com a finalidade de combater a discriminação sexual nas escolas públicas –, enquanto Malafaia é personagem principal da campanha, fico pensando se estas distorções religiosas baseadas na desinformação resolvem alguma coisa. Será que Serra vai subir nas pesquisas? Espero que não. São Paulo não deve ter quase problemas, né?

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Gostaria que houvesse um IDH que pudesse medir as câmaras de vereadores recém eleitas. Podiam falar com com o Amartya Sen… A de Porto Alegre não recomenda muito. Tenho pena da Melchionna, do Ruas, da Cavedon, do Sgarbossa.

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Poucos sabem aqui, mas eu gosto de tênis tanto quanto de futebol. Ontem, saiu o novo ranking. Roger Federer está com 12.165 pontos contra 11.970 de Novak Djokovic nas últimas 52 semanas. São apenas 165 pontos de diferença, mas há um detalhe que beneficia o sérvio. Em 2012, Nole somou 11.410 pontos, contra 9.255 do suíço. São 2.155 de vantagem, com apenas três torneios restando no calendário: Basileia (500), Paris (1.000) e ATP Finals (1.500). Isto é, Federer tem muitos pontos a defender e provavelmente deixará de ser o número 1 nas próximas semanas. Mas isto é daquelas probabilidades das quais a gente duvida. Federer sempre tira um coelho da cartola, mesmo que Nole esteja voando.

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O Inter? Mas por que deveria falar dele? Gente, o ano acabou. Agora são as eleições. Fim.

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Na segunda quinzena de novembro, vou tirar férias com uma missão: a de arrumar os livros em casa. Não consigo encontrar nada. 15 dias para fazer tudo. A partir de hoje, tenho 30 dias para planejar a colocação das estantes e coisa e tal. Estou com férias em atraso, completando dois anos. (Mas, após uma procura insana, acabei encontrando o livro que queria emprestar para a Natália Otto, se ela ainda estiver interessada. De que vale uma biblioteca se não encontramos nada nela?)

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Brasil enfrenta o Japão neste momento. Escuta, alguém dá bola pra seleção do Mano?