Bamboletras recomenda o livro sobre o Bar Escaler, a Laerte e uns contos aí

Bamboletras recomenda o livro sobre o Bar Escaler, a Laerte e uns contos aí

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Porto Alegre domina as sugestões desta semana de clima estranho, que anuncia o Forno Alegre dos próximos meses. Vários dos contos de Milton Ribeiro se passam na cidade e o que dizer do livro sobre o Bar Escaler? De quebra, sugerimos a obra-prima da Laerte.

Abaixo, mais detalhes.

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Abra e Leia, de Milton Ribeiro (Zouk, 150 páginas, R$ 43,90)

Final de semana em Porto Alegre, uma mulher ouve um estranho chegar ao corredor do prédio quase vazio e pedir ajuda, um pedaço de pão que seja. Ainda com a porta fechada, os dois iniciam uma conversa cujas consequências não se pode prever. Trinta anos depois do final de um relacionamento, um homem encontra um bilhete que o coloca diante de uma perspectiva totalmente diferente. Um músico solista sente-se pressionado em meio à falsas gentilezas do maestro e chefe. Marquinhos joga por um time da segunda divisão gaúcha. Em meio a uma partida decisiva, ele precisa escolher se arrisca tudo o que tem de seu. Estas histórias estão entre os 22 contos deste Abra e Leia. Há ironia e intensidade. As referências à música erudita, ao cinema e à literatura cumprem funções que vão além do meramente figurativo. A solidão emerge por toda parte. Sobretudo, os personagens e as situações em que se envolvem são complexos. As surpresas, porém, não se dão por meio de reviravoltas bruscas ou finais surpreendentes. Diferente disso, em vários dos contos deste livro, sem que nos demos conta a princípio, a narrativa nos coloca frente a uma perspectiva inesperada. São histórias que nos tiram do conforto das certezas e abrem um campo de possibilidades. Entrever essas possibilidades, imaginar. Eis o que fica em nós por um tempo que se estende para além da leitura.

.oOo.

Manual do Minotauro, de Laerte (Quadrinhos na Cia, 416 páginas, R$ 99,90)

Livraço! Nestas mais de 1500 tiras publicadas entre 2004 e 2015 e reunidas pela primeira vez em livro, temos o privilégio de seguir a evolução artística que confirma a alta qualidade da artista Laerte como das mais interessantes nos quadrinhos do mundo. Laerte já tinha mais de três décadas de cartunismo e era uma das profissionais mais festejadas do Brasil quando decidiu reinventar tudo. Por volta de 2004, sua série Piratas do Tietê abandonou os personagens recorrentes e os arremates cômicos para explorar uma mistura de filosofia, metafísica, poesia, poucas certezas e muitas dúvidas. Piratas virou o Manual do Minotauro e entramos, junto a Laerte, no labirinto do ser mitológico. O desenho é o mesmo, exato na economia. O jogo entre nanquim, cor, forma e quadros ainda é referência de design. O texto continua enxuto, preciso. As narrativas é claríssima, muitas vezes muito cômica. E, ao mesmo tempo, a humanidade vibra por baixo da aparente simplicidade. Deixem toda lógica e ordem cotidiana do lado de fora e preparem-se para uma das grandes aventuras do quadrinho contemporâneo.

.oOo.

Escaler — Quando o Bom Fim era Nosso Senhor, de Paulo César Teixeira (Ballejo, 196 páginas, R$ 71,00)

Poucos lugares simbolizaram tão bem a efervescência dos anos 1980 em Porto Alegre quanto o bairro Bom Fim, principal reduto boêmio e cultural da capital gaúcha nas últimas décadas do século XX. E, no Bom Fim, havia um ponto de convergência – o Escaler, bar fundado em 1982 por um marujo às margens do Parque da Redenção, em meio a jacarandás e sob o brilho da lua. Inscrito na memória afetiva de duas ou três gerações como espaço privilegiado de diversão e arte, o Escaler acumulou milhares de histórias na lembrança e na imaginação dos que por lá aportaram. Já estava na hora de contá-las e revivê-las. É o que faz neste livro o dono do bar, Antônio Carlos Ramos Calheiros, o Toninho do Escaler – antes de tudo, um agitador cultural, que soube direcionar energias plurais sem retirar-lhes a fluidez e a espontaneidade –, em depoimento ao jornalista Paulo César Teixeira, autor de Esquina maldita, Nega Lu – Uma dama de barba malfeita e Rua da Margem – Histórias de Porto Alegre.

Bamboletras recomenda um verdadeiro suco de Brasil

Bamboletras recomenda um verdadeiro suco de Brasil

A newsletter de quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Nesta semana, sugerimos três livros encharcados de Brasil. O primeiro tem o foco em nossa cultura, o segundo no racismo e na pobreza e o terceiro no aniquilamento e destruição que estamos vivendo. Ah, pois é, não fácil, mas há que seguir. E com os pés bem firmes no chão e no conhecimento.

Abaixo, mais detalhes.

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Duas Formações, Uma História: das Ideias Fora do Lugar Ao Perspectivismo Ameríndio, de Luís Augusto Fischer (Arquipélago, 400 páginas, R$ 79,90)

Dedicado ao tema há quatro décadas, Luís Augusto Fischer oferece um novo jeito de contar a complexa história da literatura brasileira, criando um modelo que dê lugar aos autores contemporâneos, à canção, à tradução, às redes sociais, à voz indígena, ao feminismo, à diferença. Falando das virtudes e limitações dos modelos estabelecidos por nomes exemplares da crítica literária, recorrendo aos historiadores e antropólogos recentes, contando a história dos livros que até hoje tentaram abarcar a trajetória da literatura do Brasil, o autor mostra um caminho. Uma obra fundamental para quem conhece bem o jardim em que floresceram Machado e Rosa, e imperdível para quem quer conhecê-lo melhor.

.oOo.

Casa de Alvenaria, Volume 1 (Osasco) e Volume 2 (Santana), de Carolina Maria de Jesus (Cia. das Letras, 224 e 512 páginas, R$ 39,90 e R$ 59,90)

Esta é a edição integral dos diários de Carolina Maria de Jesus e contém material inédito. O Volume 1 registra os meses em que a escritora morou em Osasco (SP), em 1960, após deixar a favela do Canindé. Através deste testemunho que borra as fronteiras dos gêneros literários, acompanhamos a recepção de Quarto de Despejo, as viagens de divulgação, o contato frequente com a imprensa e os políticos, o desenvolvimento de seu projeto literário e seu desejo de ser reconhecida como escritora. Dessa narrativa do cotidiano, entremeadas às contradições de seu tempo, emergem reflexões que permanecem atuais. O Volume 2 de Casa de Alvenaria inclui diários que se estendem até dezembro de 1963.  Através dele, acompanhamos a nova vida de Carolina, a movimentação em sua casa, as viagens e, sobretudo, a dificuldade de transpor as barreiras do racismo e a dificuldade para ser reconhecida como escritora. O livro inclui introdução de Conceição Evaristo e Vera Eunice de Jesus e pode ser lido independentemente do volume anterior.

.oOo.

Discurso sobre a Metástase, de André Sant’Anna (Todavia, 216 páginas, R$ 64,90)

Uma coletânea de escritos que retrata a loucura e a tragédia da realidade brasileira, um país deixado em ruínas. Os aliados de Sant’Anna nessa missão são o humor absurdo e um trabalho de linguagem radical — as únicas ferramentas capazes de captar nossa grotesca realidade. No romance O paraíso é bem bacana (2006), vale lembrar, André parece ter dado o pontapé inicial na radicalização de sua linguagem literária — com muitas repetições, gírias, obsessões, ironia — ao contar a história do tímido jogador de futebol Mané, um menino que se explode feito homem-bomba e vai viver as mil e uma maravilhas que o título da obra sugere. Aqui, ele dobra a aposta, convencendo-nos de que somente a catarse gerada por uma comédia absurda, enfatizada por uma linguagem caricata e grotesca, será capaz de expressar o que sentimos em nosso país.

Luís Augusto Fischer | Foto: Tom Silveira