Prezado Mestre De Masi,
Venho, por meio desta, comunicar-lhe que sua teoria do “ócio criativo” foi submetida a um teste de campo nada ortodoxo: o Centro de Treinamentos do Grêmio, em Porto Alegre, durante os 45 dias de preparação para a volta aos gramados.
O senhor, com sua sabedoria, afirmava que o tempo livre, o descanso e a contemplação são combustíveis para a inovação, a arte e o pensamento original. Que o homem moderno precisa desacelerar para produzir mais e melhor.
Pois bem. O Grêmio desacelerou. Sobremaneira, ele desacelerou. Só que a criatividade que o senhor tanto prometia foi substituída por uma apatia tão profunda que a bola pediu música ambiente.
Permita-me reformular sua teoria:
O ócio só é criativo se houver matéria-prima criativa. No caso do Grêmio, o ócio foi apenas ócio.
O senhor estudou a Renascença italiana, os artistas florentinos, a explosão cultural do século XV. Pois o Grêmio, meu caro De Masi, teve sua própria Renascença hoje à noite: renasceu pior.
P.S.: Se o senhor puder, em espírito, enviar uma mensagem ao técnico gremista, por favor.
De Mauvício Saravia, um gremista que leu o livro que deseja sobremaneira corrigir.