Sonhando com o Pequenas Grandes Obras (PGO)

Hoje acordei pensando/ainda sonhando na Livraria Bamboletras, seu grupos de leitura e no tipo de mediação que costumo fazer com livros que:

  1. tenham até 250 páginas,
  2. sejam notáveis do ponto de vista literário ,
  3. gerem discussão, não apenas admiração.

Aqui vai uma seleção pensada na cama, ao acordar hoje, ainda com vontade de mijar:

Literatura brasileira

  • A Hora da Estrela (90 p.)
    • Uma leitura inesgotável. Linguagem, pobreza, metaficção, compaixão.
  • São Bernardo (190 p.)
    • Um dos maiores narradores em primeira pessoa da literatura brasileira.
  • O Alienista (80 p.)
    • Sempre atual. Humor, ciência, poder e loucura.
  • Campo Geral (160 p.)
    • Mais acessível que Grande Sertão e de enorme beleza.
  • Lavoura Arcaica (190 p.)
    • Exige mais do leitor, mas deve provocar um belo encontro.

Literatura inglesa

  • A Volta do Parafuso (150 p.)
    • Fantasmas? Loucura? Excelente debate.
  • O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde (100 p.)
    • Muito mais complexo do que a fama sugere.
  • Mrs. Dalloway (240 p.)
    • Claro.

Literatura francesa

  • A Queda (150 p.)
    • Perfeito para discussão filosófica.
  • O Baile (90 p.)
    • Cruel, elegante e irresistível.

Literatura russa

  • A morte de Ivan Illich (120 p.)
    • Existe novelinha melhor?
  • Memórias do Subsolo (170 p.)
    • Provoca discussões intensas.
  • Primeiro Amor (120 p.)
    • Delicadeza psicológica extraordinária, mas este já foi, animal.
  • A Sonata a Kreutzer (140 p.)
    • Casamento, ciúme, moralidade.

Literatura latino-americana

  • Aura (70 p.)
    • Estranhíssimo e belíssimo.
  • Pedro Páramo (130 p.)
    • Baita livro mexicano. Influenciou García Márquez.
  • O Túnel (170 p.)
    • Suspense psicológico.
  • Crônica de uma Morte Anunciada (120 p.)
    • Talvez o melhor livro para um clube de leitura.

Literatura japonesa

  • A Casa das Belas Adormecidas (130 p.)
    • Desconcertante, mas já foi em abril, debilóide.
  • A Chave (160 p.)
    • Ótimo debate

Literatura alemã

  • Michael Kohlhaas (130 p.)
    • Justiça, vingança e fanatismo.
  • A Metamorfose (80 p.)
    • Nunca decepciona.

Literatura estadunidense

  • Ratos e homens (160 p.)
    • Um Steinbeck tão bom quanto o de “A Vinhas da Ira”.

Meus campeões para a Bamboletras…

  1. A Morte de Ivan Ilitch
  2. Crônica de uma Morte Anunciada
  3. São Bernardo
  4. A Queda
  5. Campo Geral
  6. A Metamorfose
  7. Pedro Páramo
  8. Primeiro Amor (já foi)
  9. A Hora da Estrela
  10. Michael Kohlhaas

Como costumo escolher livros que mudam a ideia do que um romance pode ser: Ao Farol, Vidas Secas, Mata Doce. Acho que valeria a pena manter essa linha e montar um ciclo chamado “Romances que reinventaram a coisa”. Então, além dos citados:

  • A Morte de Ivan Ilitch
  • Pedro Páramo
  • A Hora da Estrela
  • A Queda
  • São Bernardo

Seria um percurso extraordinário: cinco livros relativamente curtos, muito diferentes entre si, mas todos decisivos para a história do romance. Acho que esse ciclo teria muito a ver com a identidade que estamos construindo.

Sim, mediar Ao Farol é loucura. Será terrível mediar um livro quase sem enredo. Se der certo, eu apostaria, sem medo, em Pedro Páramo. É curto, profundamente inovador e costuma provocar discussão. Como Ao Farol, parece confundir o leitor nas primeiras páginas, mas depois revelam uma arquitetura impressionante. Acho que teria tudo a ver com o perfil criado.

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