Frantz, de François Ozon (****)

Frantz, de François Ozon (****)

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Frantz seria um filme convencional e acadêmico… Sim, François Ozon dirige algo muito diferente do que costuma fazer. Este filme não tem nada a ver com Jovem e Bela ou Dentro de Casa. Frantz é um drama histórico que mostra os pontos de vista da Alemanha e da França ao final da Primeira Guerra Mundial. Um antigo soldado francês decide visitar a família de um soldado alemão que ele viu morrer na guerra. Eram conhecidos. Só que a presença do jovem francês não agrada aos habitantes da pequena cidade alemã marcada pelo luto e pelo rancor contra o inimigo de guerra. O luto, a culpa, o perdão e uma possível redenção são os grandes temas de uma obra que não é tão clássica como parece à primeira vista, devido à originalidade do argumento escrito por François Ozon. Este é altamente folhetinesco, com duas ou três viradas na história que deixam o espectador estupefato. A interpretação da atriz alemã Paula Beer é um dos pontos fortes deste filme delicado e austero.

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Boa tarde, Guto (com os melhores trechos do fiasco de Vila Nova 2 x 1 Inter)

Boa tarde, Guto (com os melhores trechos do fiasco de Vila Nova 2 x 1 Inter)

De uma entrevista de Jorge Fossati, excelente técnico contratado pelo Inter em 2010, um tempo depois de sua demissão. Ele fala claramente:

“Me entrevistaram antes de me contratar (Piffero e Carvalho), sabiam exatamente o sistema que gosto de jogar. Depois queriam que eu jogasse de maneira diferente. Não aceitei, me demitiram. Até hoje não entendo porque me contrataram.”

Citado por meu amigo Julio Linden

Interessante, não?

Tu, Guto Ferreira, está pedindo, suplicando para ser demitido e receber no mole teu salário até o fim do ano sem trabalhar. Eu acho. Fui ao jogo na última terça-feira e vi que dois de nossos piores jogadores em campo foram Danilo Silva e Diego. Não haveria nenhuma lógica na permanência deles na equipe, mas tu os escalaste neste sábado contra o Vila Nova a fim de que eles afundassem a si mesmos e ao time. Só pode ter sido intencional. Ou um pedido especial de alguém interessado em colocá-los na vitrine.

Guto Ferreira e Roberto Melo -- os homens que vão nos deixar mais um ano na Série B
Guto Ferreira e Roberto Melo — os testas de ferro dos homens que vão nos deixar mais um ano na Série B

Ao deixar fora Nico López — que ao menos chuta, tentando o gol a cada momento — e Klaus, tu assinaste o desejo de ser mandado logo para casa. Mas teus chefes, para tua decepção, vão te bancar por mais alguns dias. Para eles, para a confraria de amigos que preside o Inter, tu és útil.

O caso Klaus: com a zaga de Klaus e Cuesta passamos 3 jogos sem tomar gols. Klaus te salvou de uma derrota para o Criciúma nos descontos, lembras? Então ele saiu pra cumprir suspensão e perdeu lugar para o ridículo Danilo Silva.

Acho que os empresários siguem escalando o time. Quem viu os dois últimos jogos sabe do absurdo que cometeste.

Outra coisa: deixar D`Alessandro, aos 36 anos, correndo atrás de zagueiros adversários que tocam a bola, é uma monumental burrice. Dale está lá é para tentar dar alguma criatividade àquele deserto de imaginação. Por que o péssimo Diego, de vinte e poucos anos e um brilhante futuro na reserva do ASA da Arapiraca, não estava cumprindo este papel?

Acho estaríamos melhor servidos se o habitual interino Odair Hellmann fosse efetivado. Talvez ele ainda não seja rico, talvez tenha ambição. Mas o que os donos clube pensam dele? Será que ele é um chato que quer botar em campo “seus jogadores”?

Nosso problema são os empresários de futebol que se abancaram no clube. Os caras estão lá para colher os ovos do dia, sem pensar que estão matando a galinha. Nosso indulgente Departamento de Futebol não dá minima para o surgimento do bom Juan, para o súbito reaparecimento de Winck, para montar um time. As ações são inteiramente sem sentido. Ou com outro sentido.

Cirino jogou sete ou oito partidas até ser vendido para os árabes. Deixou no clube um monte de gols perdidos, passes errados e uma torcida que o odeia. Mas foda-se, entrou algum dinheiro na conta.

O Inter, hoje, tem um Conselho inútil — trata-se de uma reunião de candidatos à estrela — que não se preocupa com futebol e que jamais avalizaria o necessário impeachment dos empresários que administram o Internacional.

A dupla do Futebol, tu, Guto Ferreira, e Roberto Melo, provavelmente sabem o que estão fazendo. E, seguindo a direção, devem estar fazendo certo. Pagam 7 milhões de salários mensais para serem 6º lugar na Série B. Mas repassaram o Cirino e vão vender o Sasha, espero.

Eu não vou depredar o estádio na próxima terça-feira. Sou absolutamente contra, mas há boa chance de confusão. Mas ficaria lá até as duas da manhã vaiando.

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Porque hoje é sábado

Porque hoje é sábado

Porque há gente que confunde erotismo com pornografia, este é o último PHES.

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Como avisei semana passada, decidi fechá-lo.

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Tenho muitos amigos e amigas que aguardavam o sábado para curtirem

"The Charm of Temptation" series Ch.3 "Let loose"

este espaço.

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Uns equivocados, certamente!

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Afinal, todas as distinções de gênero foram socialmente construídas…

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(Aviso aos idiotas –> a frase anterior teve “irony mode on”)

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Bem, aqui não há espaço para desenvolver ideias.

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Nem interesse.

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Então, desta forma, nossas retratadas estão liberadas das sevícias

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de fazerem poses paras as nossas fotos. E também de nossa admiração.

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Tchau.

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É possível que Sartori seja reeleito?

Foto: Luiz Chaves / Palácio Piratini
Foto: Luiz Chaves / Palácio Piratini

Sim, muito possível. Durante o fim de semana, em Gramado, teria sido alinhavada uma chapa de Sartori com o ex-prefeito de Pelotas Eduardo Leite (PSDB). Tudo teria ocorrido no Congresso da Federasul. 300 líderes do comércio gaúcho estavam na Serra. Desta forma, o que houve foi quase uma reunião entre candidato e financiadores.

A chapa PMDB-PSDB, polenta com leite, é um perigo. Sartori está conseguindo vender uma imagem de administrador austero, enquanto faz patacoadas com fundações úteis. Ontem, o MP de Contas voltou a pedir suspensão da extinção das fundações por insuficiência de motivos apresentados pelo governo do Estado. O TCE reclamou da “forma sucinta e desprovida de documentação comprobatória em relação aos números apresentados e às estimativas de custos dos serviços públicos”.

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Feliz Dia do Amigo!

Feliz Dia do Amigo!

Amigo 1

KB PS

Amigo 2

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As novas notas de dez libras no Reino Unido: sai Charles Darwin e entra Jane Austen

As novas notas de dez libras no Reino Unido: sai Charles Darwin e entra Jane Austen

As atuais notas de 10 pounds são assim:

01 Darwin 10 Pounds

As futuras terão Jane Austen no verso. Nada contra o enorme Charles Darwin, claro.

02 ten Pounds Austen

Abaixo da imagem dela, uma pequena frase sobre o ato da leitura.

03 ten Pounds Austen 2

Achei lindo.

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“Sou médico e homossexual. Devo fazer ‘terapia de reconversão’? Para mudar o que exatamente?”

“Sou médico e homossexual. Devo fazer ‘terapia de reconversão’? Para mudar o que exatamente?”

Do site português esquerda.net
Por Bruno Maia

Alguém me explica a “anomalia” na minha vida?

Sou médico e sou homossexual. Sempre quis ser médico e sempre me senti homossexual. Cresci com um pai e uma mãe. Maravilhosos, esforçados, dedicados a mim e ao meu irmão mais do que a qualquer outra coisa na vida. Também existiram avós, tios, primos e primas e se alguma coisa toda esta gente me ensinou foi o que era o amor e o que significa ter uma família. Tive a sorte de não conhecer nenhuma das realidades do abuso – o físico, o sexual, a negligência… Enquanto criança brinquei com carrinhos de metal, joguei à bola no recreio da escola, meti-me em lutas com os outros rapazes e explorei os primeiros afectos com as meninas no famoso jogo do “bate-pé”!

Desde o primeiro dia de escola que fui um exemplo de sucesso escolar – pelo menos naquilo que o nosso paradigma de escola considera sucesso – nunca tive uma negativa. Fiz todo o meu precurso desde o 1º ano de escolaridade até à obtenção do grau de especialista em Neurologia sem perder um único ano. Na adolescência decidi contar sobre a minha homossexualidade a alguns amigos – fui apoiado e protegido. Já a estudar medicina decidi contar a todos os amigos. Continuei apoiado e protegido. Quando revelei à família, nada de novo – apoiado e protegido!

Já tive amores e desamores. Paixões intensas, outras fugazes. Já namorei e fui feliz, já fui abandonado e também já abandonei. Já partilhei casa e o resto da vida com um grande amor e já conheci o gosto amargo da separação. Nunca sofri de doença mental. Nunca fui diagnosticado com nenhum desvio da personalidade. Nunca tive nenhuma dificuldade de adaptação a ambientes diferentes. Nunca precisei de terapia ou acompanhamento psicológico. A minha homossexualidade nunca foi um factor de sofrimento para mim.

Pratico desporto federado. Na minha equipa existem outros homossexuais mas a maioria são rapazes heterossexuais. Partilhamos balneários e quartos quando vamos para fora em competição. Nunca senti nenhum tipo de exclusão. Nunca a partilha da nudez foi um problema. Nunca a partilha das nossas histórias de vida, amores, sexo ou afectos vários foi um tabu.

Trabalho no SNS, com uma equipa que me conhece bem. Nos intervalos do trabalho falamos das nossas vidas familiares, das dificuldades, dos filhos, das férias, da casa em obras… nada é tabu, eu não sou tabu, a minha vida amorosa não é tabu. A dos outros também não.

Queira alguém explicar-me a “anomalia” na minha vida? Alguém me aponta critérios de diagnóstico para desvio da personalidade? Devo fazer “terapia de reconversão”? Para mudar o quê exactamente? Se para a medicina, a anomalia implica sofrimento (caso contrário é apenas uma variante), onde está o meu sofrimento?

Mas existe uma anomalia sim. E essa anomalia reside no facto de toda esta minha história ser pouco frequente. Para a maior parte dos homossexuais ou pessoas transgénero, não existe uma história de “felicidade” e “integração”. Existe discriminação, preconceito e invisibilização. Existe sofrimento – mas esse sofrimento não vem de dentro, vem de fora. Vem dos outros. De famílias destruídas pela homofobia e pela transfobia. De exclusão e “bullying” na escola. De dificuldades acrescidas no emprego. De isolamento social. E também dos médicos. Que fingem não serem influenciados pela orientação sexual ou identidade de género mas denunciam-se constantemente nos comentários, nos olhares, nas atitudes. Sempre que recusam falar com o seu utente sobre a sua vida familiar, mesmo sabendo que ela faz parte da história que têm de colher. Quando escolhem inconscientemente não conhecer, não se informar sobre questões especificas da saúde de cidadãos LGBT (porque elas existem, ponto final). Quando fingem aceitar os seus colegas homossexuais mas na verdade o que esperam é que eles estejam “caladinhos” e não falem sobre a sua vida privada (afinal aquilo é trabalho…) mas passam os dias a falar sobre os seus casamentos, os seus filhos ou a fazerem comentários obscenos sobre as médicas ou enfermeiras mais jovens. Quando assumem dentro de um bloco operatório ou de uma sala de aulas da faculdade que todos os presentes são, obviamente, “normais” e deixam escapar o comentário sexista e homofóbico. Quando assumem à partida perante um doente homem que ele tem uma namorada ou esposa e que uma mulher terá, com certeza, marido.

A história já nos demonstrou que, por vezes, a anomalia não está no indivíduo mas sim na sociedade – lembram-se do holocausto? Do genocídio no Ruanda? Da PIDE Portuguesa? Da escravatura?

Mais grave do que esquecer a história é fechar os olhos ao presente. E fazer de conta que esta onda de revanchismo contra os direitos dos seres humanos e o suposto “politicamente correcto” que se apoia na tão auto-elogiada liberdade de expressão, foram o rastilho de pólvora que se acendeu nos Estados Unidos e que culminou na eleição de um presidente chamado Donald Trump.

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Bom dia, Guto (com o Mauro da Ladeira os curiosos lances de Inter 1 x 0 Luverdense)

Bom dia, Guto (com o Mauro da Ladeira os curiosos lances de Inter 1 x 0 Luverdense)

Bem, Guto, eu fui ao Beira-Rio com um dos gremistas mais chatos de Porto Alegre, um daqueles dotados de natural talento para lembrar minuciosamente tudo o que de ruim e ridículo temos feito. O mais bem acabado dos trolls. No ano passado, quando estávamos para cair, ele, o Mauro da Ladeira Livros, me falava na maravilha que seria o jogo entre Inter x Luverdense. Mandava-me fotos da cidade, detalhes de como chegar lá, explicava-me detalhes de Lucas do Rio Verde e do Brasil Profundo, etc. Para silenciá-lo, disse que ele era meu convidado para ver a inesquecível partida que iria para os anais (sim, em duplo sentido) colorados. É claro que ele aceitou. Fomos ver a partida com sua filha de 15 anos, Ingrid, que é… coloradíssima.

Perguntaram-me se ele se comportou bem. Olha, parecia mais um colorado desesperado com a ruindade do time. Quando errávamos um passe dentre as dezenas que entregamos para o adversário, ele abria os braços, lamentando o fato. Porém, se houvesse uma câmara de frente para ele, ela captaria um misto entre o lamento e o sorriso de quem constata deliciado: “Eu não sabia que o Inter era tão bosta”. Ele parecia torcedor acostumado a coisas como toque de bola, rapidez, cobertura, bons passes e chutes, sincronia de movimentação e, bem…

Mauro Scheuer, a alma da Ladeira Livros -- porque quem trabalha é a Ana Vilk -- e este que vos escreve
Mauro Scheuer, a alma da Ladeira Livros — porque quem trabalha é a Ana Vilk –, e este que vos escreve

Porque, Guto, que merda. Com D`Alessandro dodói no banco de reservas, faltava a pouca armação que temos. E eu lembrava do levantamento que o Alexandre Perin fizera ontem à tarde, demonstrando quantos meias foram deixados disponíveis para ti por esta direção. Considerem que Juan é um menino e que Camilo ainda nem assinou contrato:

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Isso, acertaram, não tínhamos nenhum meia-armador em campo. E mesmo assim perdíamos gols aos montes, dada a fraqueza do Luverdense. O próprio Mauro estava pasmo: “Mas não entra!”. E ria, feliz. Claro que nós merecíamos a vitória — conceito do qual discordo –, mas aquele gol no final foi algo que nunca vi em 50 anos de futebol. O bandeira deu um impedimento passivo, ergueu a bandeira, deu-se conta do erro e fez ainda mais gestos para indicar que o jogo deveria seguir, enganando a defesa do Luverdense que ficou pensando “mas como ele é veemente para marcar um impedimento”. O Inter seguiu e fez o gol sem goleiro nem nada. Eu dava gaitadas, o Mauro dizia “nunca vi disso”. E não tinha visto mesmo, porque só o Inter ainda redefine o esporte bretão, prodigalizando prazeres inéditos num futebol tomado pelo profissionalismo e pela seriedade.

Agora ele acaba de comentar no Facebook:

Fui no belo estádio do Inter, moderno, com um frio aconchegante. A pouca gente presente garantiu um acesso e saída rápidas do estádio. Pude exercitar o pouco que me resta de compaixão cristã. O sofrimento dos colorados era de deixar qualquer um com coração partido, ainda mais que não se via solução para o show de ruindade em campo. Fui com um amigo o Milton Ribeiro que tentou o jogo inteiro conter o seu desespero, mas ele é calejado, o pior foi ver minha filha uma coloradaça, no começo com grande esperança, cantava junto com os poucos que se atreviam a isso, mas a alegria inicial se transformou em desesperança e tristeza com o seu amado Internacional… O lance final coroou a noite, sim jogo ruim, noite fria, o gol saindo de uma lambança, quase uma piada pronta. Agradeço ao Milton pela oportunidade única de assistir a um jogo no estádio com minha filha e ainda exercitar o que me restou de compaixão com o próximo. PS: Continuem jogando assim…

Compaixão… Tá bom, seu puto. Ele disse que todo mundo tem o print daquela declaração que fiz no Facebook de que o Inter lideraria de ponta a ponta a Série B porque era uma barbada. OK, errei feio a primeira parte, mas que é uma barbada é. Basta jogar um mínimo de futebol, seu P… Guto.

Sobre o jogo, tenho pouco a dizer. Jogamos muito mal — era para tocar 3 x 0 no primeiro tempo, sem forçar –, a bola queima os pés de nossos nervosos e perturbados jogadores. Dourado e Edenílson foram os únicos a manter um pouco de lucidez e garra. Gutiérrez alterna jogadas prosaicas com outras piores. Diego erra tudo. Sério, tudo. Danilo Silva deveria ganhar um emprego na Ladeira Livros. Nico foi novamente mal. Pottker poderia render mais num time que jogasse futebol. Winck vai mais ou menos bem. Cuesta e Uendel também. Na verdade, o time é tão ruim que nem conseguimos espreitar a qualidade do teu trabalho, Guto. Mesmo assim, estamos em quinto lugar, bem na margem para entrar do Nirvana do G-4. Não sei como. Mas olhem a tabela, tá tudo embolado num novelo de incompetência.

Nosso próximo jogo é sem Edenílson contra o terrível Vila Nova, em Goiânia, às 16h30, atrapalhando a tarde. Acho que irei ao cinema.

(No título, evitei usar a expressão “melhores lances”. Seria falso.)

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Abordagem Nº 1 ao fracasso da literatura

Abordagem Nº 1 ao fracasso da literatura

Foi um processo muito secreto e silencioso. Primeiro, o escritor foi levado para uma posição secundária dentro da sociedade. Falo do escritor de antes dos anos 80. Aqueles escritores como Heinrich Böll, Thomas Mann, Graham Greene, Erico Verissimo e tantos outros, que funcionavam como consciência e que eram consultados nos grandes debates éticos, foram deslocados pouco a pouco para a periferia e tornaram-se coisa do passado. Lembro da Veja estampar (Veja, Milton?!), quando era uma revista decente, em 1975 (ah, bom), A Morte de um Brasileiro Consciente, lamentando a morte de um escritor que se colocava calma e elegantemente — uma forma eficiente, sem dúvida –, contra a ditadura militar: o citado Erico Verissimo. A revista punha o povo brasileiro na posição de órfão de alguém que até os militares respeitavam e que funcionava como reserva moral do país.

Inúmeros escritores ocuparam esse “cargo” em diversos países. Eram normalmente muito bons em seu ofício. Acharia estranho que romancistas fossem consultados sobre aspectos econômicos, por exemplo, mas também acho que a recente desimportância do ofício de escrever deixou a sociedade e o pensamento mais pobres e fez com que a profissão passasse a atrair, em sua maioria, pessoas incapazes de criar obras de maior relevância. Passou a atrair um bando de gente que não se manifesta politicamente, sempre pensando no convite para a próxima Feira do Livro, cujo prefeito sabe-se lá de que partido será.

Veja Erico

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Modesta reflexão sobre a “arte” de ver filmes

Modesta reflexão sobre a “arte” de ver filmes

Dia desses, em questão de minutos, entraram em meu esquecido Feedly duas críticas acerca do filme argentino O Cidadão Ilustre, de Gastón Duprat e Mariano Cohn. Uma tinha sido publicada domingo e outra segunda-feira. A do domingo era constrangedora. A de segunda-feira era excelente. O fato da primeira ser contrária ao filme não significa nada, há críticas devastadoras que demonstram extrema compreensão de quem viu a obra, assim como é normalíssimo vermos elogios que mal tocam sua superfície. Meus 59 anos me mandam dizer que, quem não sabe ver filmes, habitualmente não sabe ver peças de teatro, e pior, não sabe interpretar livros. Sim, o pacote parece vir instalado completo, sem personalizações, à exceção do caso da música, que merece outro post.

Ontem, apesar da chuva, caminhei bastante pela rua, e pude pensar sobre as armadilhas que os alguns autores modernos exigem de seus leitores-expectadores. Mesmo um filme aparentemente simples como Cópia Fiel, está cheio de armadilhas para serem destrinchadas por um expectador que não seria mais um mero receptor e sim um intérprete que tem de trabalhar um pouquinho para entender o filme. No caso do citado filme de Kiarostami, o quebra-cabeça começa pelo título do filme. O nome original está em italiano, Copie Conforme. Em italiano Copie significa Cópia, mas Coppie é Casal, enquanto Conforme pode ser Fiel ou Conformado. É muito mais do que um trocadilho idiota, tem tudo a ver com o filme.

Refleti principalmente sobre o cinema porque ele é a arte mais pública e comum que temos. É difícil de se encontrar com alguém que leu há pouco exatamente o livro que a gente quer comentar. Já com os filmes é simples. Como estão em cartaz, todos os meus amigos viram O Cidadão Ilustre ou Perdidos em Paris. Dá para trocar ideias. O cinema é a grande cultura pública de nosso tempo.

O problema de certa crítica é não causado pela falta de inteligência, mas antes de falta de vivência ou pura desatenção para com a coisa artística. Lembrei dos ensaios de Bakhtin sobre Dostoiévski e de como O Idiota passou a figurar automaticamente ao lado de Os Irmãos Karamázovi como meu livro preferido de Dostô — sempre acompanhado do primeiro que conheci (a primeira vez a gente nunca esquece), Crime e Castigo. Quando li o que escrevera Bakhtin, tive que voltar a O Idiota e pensar que o título referia-se a alguém como eu… Hum… Ontem, enquanto caminhava, ri sozinho ao lembrar que Marcelo Backes cometera EM LIVRO o erro de deixar por escrito que eu seria o melhor leitor não-profissional que ele conhecera. Acho que dou a impressão de ser alguém mais inteligente do que sou. Que siga assim…

Mas avancemos: considerando aquele comentarista constrangedor e pensando que praticamente todos os grandes cineastas realizam/realizaram trabalhos sobre a linguagem, gente como ele está a ponto de dizer que — para citar apenas os vivos — Sokúrov, Kusturica, von Trier, Lynch, os irmãos Cohen, Moodysson, Sorrentino, Hartley, Polanski, Vinterberg, Haneke, P. T. Anderson são ruins, pois abusam de situações que representam outras.

Não é um assunto que me faça morrer, o que escrevo é uma reflexão vagabunda que é, para mim, nada mais do que uma curiosidade. É que quando li a primeira crítica me pareceu que o cara estava decididamente em outro mundo, numa faixa própria de esquizofrenia e estupidez. Será que ver certos filmes requer alguma especialização?

O cidadao ilustre

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Bom dia, Guto (com o maravilhoso CRB 2 x 0 Inter)

Bom dia, Guto (com o maravilhoso CRB 2 x 0 Inter)

É quase sempre o mesmo texto, a cada rodada. Vamos tentar variar, partindo para coisas mais específicas.

Quando o ataque não funciona — Pottker e Nico López foram ridículos contra o CRB — tu colocas Cirino e Carlos em campo… Bem, aí fica muito complicado mesmo. Quando D`Alessandro não produz, tu te viras para o banco e só vês o bom Juan como possibilidade. Só que ele é um menino, pois a diretoria do Inter esqueceu da posição de armador. Contratou vários atacantes ruins e deixou os armadores para…. 2018, em nosso segundo ano de Série B? Só temos dois armadores em todo o grupo.

Só bufando mesmo! Aos 36 anos, Dale tem que armar todas as jogadas, ser capitão, referência, líder, etc.
Só bufando mesmo! Aos 36 anos, Dale tem que armar todas as jogadas, ser capitão, referência, líder, etc.

Atacantes temos muitos — só esta diretoria contratou Cirino, Carlos, Roberson e Pottker –, mas dispensou, sem reposição, os meias Anderson, Valdívia, Seijas, Andrigo e Ferrareis, etc. Não que haja jogadores bons nestas listas — o leitor deve focar-se na expressão “sem reposição”.

E, Guto tu sabes da verdade desta expressão matemática:

Vitinho >>>  Cirino + Carlos + Roberson + Brenner + Sasha

Melhor do que gastar com esse monte de mortos, seria ficar com Vitinho, comprovadamente bom jogador e que está jogando muito na Rússia. Imagine se tivéssemos Vitinho, Pottker, Nico e a gurizada? Muito melhor, né?

Outra expressão matemática diz claramente que não se deve deixar a armação de um time exclusivamente a cargo de um jogador de 36 anos… Mas já fale nisso.

E o que é aquele Felipe Gutiérrez? Perdeu um gol feito e errou muitíssimos passes, alguns até de recuo. De onde saiu essa desgraça chilena cujo pai e mãe devem ter sido pinochetistas?

Bem, perdemos 7 meses. Temos um time pessimamente montado — obra da diretoria e de Zago — e talvez não subamos para a primeira divisão em 2017. E, provavelmente, não há mais dinheiro, pois gastaram tudo com essas amebas, né?

Eu sei lá, mas talvez até o Inter B jogue mais do que as perebas que tens colocado em campo. Ah, O Inter B com o técnico do Inter B, Guto.

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Porque hoje é sábado

Porque hoje é sábado

Este é o penúltimo PHES. Estou enterrando esta categoria de meu blog,

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vitimado pelo politicamente correto.

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Mantive por anos o PHES, às vezes acusado de “machismo”,

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gritado em tom de ira por alguns. Cansei. É um linchamento muito burro e chato.

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Em minha vida, sempre vi a sociedade avançar lentamente na direção da eliminação das discriminações.

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É fácil comprovar. Mas agora o politicamente correto deu espaço a uma reação,

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que estava adormecida e de cujas consequências políticas receio.

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A doença do politicamente correto nos vê como um câncer. Não reagiremos contra.

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Apenas tiramos o time em razão de minha mania de me vigiar pouco e de não censurar a própria fala.

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As palavras têm seu peso. Mas a via da censura não me agrada.

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Há um excesso de tentar corrigir de modo superficial aquilo que é profundo.

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Então, por cansaço, vou acabar com uma parte divertida de meu blog.

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6 hábitos da URSS que os russos não conseguem largar

6 hábitos da URSS que os russos não conseguem largar

O regime soviético durou quase 70 anos, por isso, não é de se admirar que seu legado esteja vivo ainda hoje -– muitas vezes de formas peculiares. Conheça hábitos que alguns russos não abandonam.

De Eleonora Goldman, Gazeta Russa.

1. Nunca jogar nada fora

Pessoas que viveram na escassez não conseguem jogar nada fora (Foto: Titov / TASS)
Pessoas que viveram na escassez não conseguem jogar nada fora (Foto: Titov / TASS)

Já passou por um bloco de apartamentos na Rússia e percebeu que havia uma série de varandas com um monte de tralha empilhada? Esquis velhos de madeira, rádios quebrados, peças de carros…Bem, esse é um dos sintomas da ressaca soviética. Os armários e prateleiras, provavelmente, também estarão cheios de cacarecos inúteis – alguns russos simplesmente não conseguem deixar as coisas para trás.

Durante a URSS, descartar coisas era considerado um desperdício, e esse hábito ficou arraigado na realidade pós-soviética. Nunca se sabe se o cortador de unhas enferrujada de uma tia distante será útil, ou se aquele pote de cebola em conserva de 20 anos realmente saiu da validade. As famílias soviéticas raramente jogavam comida no lixo, mesmo que o prato estivesse à beira de mofar.

2. Guardar o melhor para o futuro

Nos anos da URSS, as pessoas viviam sonhando com o futuro brilhante do comunismo (Foto: V. Akimov / RIA Nôvosti)
Nos anos da URSS, as pessoas viviam sonhando com o futuro brilhante do comunismo (Foto: V. Akimov / RIA Nôvosti)

Muitos russos mantêm conjuntos de cristal e porcelana (geralmente dados como presentes de casamento ou aniversário) escondidos. Por isso, é mais provável que você veja um russo sorrindo para um estranho na rua (veja o item 5) ou cantando o hino nacional americano do que tirando sua melhor louça chinesa do armário.

Seus pratos, xícaras, tigelas e talheres do dia a dia podem estar quebrados e velhos, mais nem isso será motivo para estrear sua empoeirada coleção. A razão para isso? Durante a União Soviética, as pessoas sonhavam com um futuro comunista brilhante, portanto, guardavam seus pertences mais preciosos para épocas mais prósperas.

Essa mentalidade se aplica também às roupas, com vestidos e ternos que, após anos sem uso, já até saíram de moda. Ainda hoje, alguns russos não tiram o controle remoto da TV da embalagem de plástico com receio de estragá-lo.

3. Pensar demais no que os outros dizem

Russos têm o mau hábito de tomar decisões pensando no que os outros vão pensar e temendo condenação (Foto: Fred Grinberg / RIA Nôvosti)
Russos têm o mau hábito de tomar decisões pensando no que os outros vão pensar e temendo condenação (Foto: Fred Grinberg / RIA Nôvosti)

“O que você está fazendo? O que as pessoas dirão? Você não percebe como aquela mulher está te olhando?” Os pais soviéticos eram bastante difíceis quando se tratava de ensinar os filhos a ficarem atentos a estranhos, vizinhos, colegas de classe e etc. Isso pode soar exagerado, mas era um medo genuíno naquela época. Até hoje, na Rússia, as pessoas podem tratar os estrangeiros com suspeita: “Por que alguém escolheria visitar a Rússia, sendo tão brutal, a menos que tenha sido enviado por um serviço secreto estrangeiro, certo?”.

4. Não gostar de elogios

Russos tendem a se sentir desconfortáveis quando alguém está tentando cuidar deles (Foto: Víktor Sadtchikov / TASS)
Russos tendem a se sentir desconfortáveis quando alguém está tentando cuidar deles (Foto: Víktor Sadtchikov / TASS)

Esse traço não é exclusivamente russo. Os ingleses, por exemplo, também têm dificuldade em aceitar elogios. Mas os russos têm reputação de se sentirem desconfortáveis se alguém lhes dá atenção demais. Por exemplo, se um vendedor for muito simpático em uma loja, eles provavelmente irão embora sem comprar nada.

A modéstia parece ser a melhor política na Rússia – expor-se na URSS era uma postura reprovável (não sabe por quê? volte para o número 3).

5. Não sorrir (gratuitamente) por aí

Russos sorrirem, mas apenas para quem conhecem (Foto: Ígor Utkin / TASS)
Russos sorrirem, mas apenas para quem conhecem (Foto: Ígor Utkin / TASS)

Qualquer um que tenha visitado o país, sabe disso muito bem: os russos raramente sorriem para estranhos, ao contrário dos brasileiros, que brincam com qualquer um.

Manter uma expressão séria fazia parte da vida na União Soviética. Havia muita desconfiança e tumulto – e, muitas vezes, poucos motivos para sorrir. Mas isso não quer dizer que tudo era tristeza, e surgiram algumas piadas boas na época:

“Três homens estão sentados em uma cela na sede da KGB. O primeiro pergunta ao segundo por que ele foi preso, e ele responde: ‘Porque eu critiquei Karl Radek’. O primeiro homem então retruca: ‘Mas eu estou aqui porque falei a favor de Radek!’. Eles se viram para o terceiro homem, que está sentado calmamente, e fazem a mesma pergunta. E ele prontamente replica: ‘Eu sou Karl Radek’.”

Seja como for, o velho provérbio russo “rir sem razão é um sinal de idiotice” ainda parece verdadeiro. No entanto, uma coisa deve se ter em mente: o fato de eles não sorrirem com frequência não significa que não sejam amigáveis, apenas reservados.

6. Festanças de arromba

Os russos adoram festas grandes e longas, onde costumam reunir todos os seus amigos e parentes (Foto: Boris Kavachkin / RIA Nôvosti)
Os russos adoram festas grandes e longas, onde costumam reunir todos os seus amigos e parentes (Foto: Boris Kavachkin / RIA Nôvosti)

Os russos adoram festanças com amigos e parentes, além de passar horas à mesa de jantar com pratos clássicos como salada Olivier, pelmêni e schi. Provavelmente acompanhados de uma quantidade razoável de bebidas alcoólicas e muitos brindes até amanhecer. “Se o jantar chega à sobremesa, a festa é um fracasso” é quase um ditado.

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Deve haver outros lugares para você levar seu filho

Deve haver outros lugares para você levar seu filho

Não sabemos o que passava pela mente de designers e engenheiros quando criaram e construíram estes parques, mas é evidente que algo não está muito certo. É dano físico ou mental. Fonte: https://lemurov.net/.

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Brasil é o país que mais mata ambientalistas

Brasil é o país que mais mata ambientalistas

Desde 2010…

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Via Idelber Avelar e Global Witness.

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Pequena correção à verborragia do prefeito Marchezan Jr.

Pequena correção à verborragia do prefeito Marchezan Jr.

Num de seus arroubos verborrágicos no Facebook, o prefeito Marchezan Jr., o Juninho do MBL, disse que o Sul21 seria um veículo da “esquerda radical” e que seu “dono teria trocado o PT pelo PSOL”. Tal afirmativa me causa frouxos de riso e certa perplexidade. Sempre sublinhando minha qualidade de reles funcionário, gostaria de dizer humildemente que sou o único filiado ao PSOL que trabalha no jornal. Completo dizendo que não sou nada militante.

Talvez esteja sendo imodesto ao me inserir no caso, mas creio que algum assessor tenha feito confusão. Sou o veterano de nossa pequena aldeia gaulesa, mas meu cabelo e barba grisalhas, já quase brancas, não me fazem “dono do Sul21“. Na verdade, meu cargo está mais para o de Chatotorix do que para o do grande chefe Abracurcix, aquele que tinha medo que céu caísse sobre sua cabeça.

O bardo Chatotorix
O cotidiano do bardo Chatotorix

Interesso-me muito por redes sociais e a página Nelson Marchezan Júnior, do Facebook, muito me diverte por seu papel de meio de promoção pessoal e ataque a partidos de oposição, sindicatos, servidores e adversários políticos. Mas evitarei dar minha opinião a respeito. Acho que é fácil deduzir.

Completo dizendo que o Sul21 não tem apenas um dono.

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Bom dia, Guto (com os lances de Ceará 0 x 2 Inter)

Bom dia, Guto (com os lances de Ceará 0 x 2 Inter)

Após cansar de perder gols contra o Criciúma, o Inter voltou a apresentar um futebol de nível aceitável contra o Ceará na noite desta terça-feira. William Pottker e Nico López marcaram no primeiro tempo. No segundo, voltamos desperdiçar oportunidades uma atrás da outra. Agora estamos ocupando o quinto lugar, com 21 pontos. Destes, 14 foram conquistados fora de casa. Ainda bem que sábado (15/7) tem mais um jogo longe do Beira-Rio, contra o CRB, em Maceió.

Parece que o Inter tem medo de sua torcida. Ou esta lhe passa tamanha ansiedade que se torna impossível vencer. Aliás, nossa torcida, além de depredar o próprio estádio, costuma torcer o nariz para Nico López. Se estou certo, este é o 12º gol de Nico em 24 partidas. Retirar do time um cara que faz 0,5 gol por jogo — e muitas vezes é substituído, soa como piada. E que golaço o cara fez ontem!  Erra muito, mas faz outro tanto. Normal, pois participa muito das jogadas de ataque. Jamais se omite.

Nico mostrando a língua para quem não entende de futebol | Foto: Ricardo Duarte
Nico mostrando a língua para quem não entende de futebol | Foto: Ricardo Duarte

Outra boa surpresa anunciada por todo colorado que nota que jogo de futebol é diferente de corrida de cavalos são as atuações de Cláudio Winck na lateral direita. Jamais será um Carlos Alberto Torres, marca muito mal, mas é bom no apoio e tem faro de gol. Foi dele o incrível chute que causou o bombardeio finalizado por Nico do jeitinho abaixo.

Nico López enche o pé para marcar um golaço em Fortaleza | Foto: Ricardo Duarte
Nico López enche o pé para marcar um golaço em Fortaleza | Foto: Ricardo Duarte

Nossa incompetência para marcar gols fica mais clara em William Pottker, goleador do último Campeonato Paulista… Ainda falando no gol de Nico, o segundo chute é dele, que perde o gol de forma inacreditável. Simplesmente acerta o goleiro caído. E, brincando, minha amiga Maria de Abreu diz que Pottker tentou de todas as formas retirar o corpo da jogada e não fazer o primeiro gol. Mas a bola caprichosamente trombou com ele e foi para o fundo das redes. Mentira.

Bem, o negócio é seguir mantendo esta escalação — que é a melhor — até que aprendam. A Série B é uma barbada. É só jogar direitinho, com um pouco de qualidade e calma.

Para finalizar: se Cuesta chamou o jogador do Ceará de “macaco” deve ser punido pela CBF e pelo clube. Racismo não se relativiza.

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A Noite das Mulheres Cantoras, de Lídia Jorge

A Noite das Mulheres Cantoras, de Lídia Jorge
O volume da LeyaA Noite das Mulheres Cantoras
O volume da LeYa de A Noite das Mulheres Cantoras, de Lídia Jorge

Há poucas semanas, li com agradável surpresa o livrinho de contos de Lídia Jorge Praça de Londres. A excelente impressão que tive da escritora portuguesa ampliou-se nesta narrativa longa, o belo romance A Noite das Mulheres Cantoras (LeYa, 320 páginas). O livro inicia com o reencontro das mulheres que formavam um grupo musical dos anos 80, o Apocalipse. Durante o evento, surge João Lucena, que voa em direção a Solange Matos, narradora do romance. “Lembras de mim?”.

Toda a narrativa, contada em primeira pessoa pela letrista do grupo — a citada Solange — dedica-se a explicar e detalhar o significado deste reencontro, coisa que não faremos aqui. Além disso, mostra a trajetória do quinteto vocal lisboeta em busca de espaço no mundo pop português. O grupo tinha como projeto o estilo dançante de Donna Summers e aquilo que chamavam de “música para ver”, ou seja, mulheres que cantavam, dançavam e encantavam com suas coreografias e músicas. Para tanto, era necessária muita disciplina e a líder do grupo, Gisela Batista, chegava ao ponto de tentar impedir os namoros de suas pupilas e de trazer balanças para que elas se pesassem diariamente. Nada de engordar, meninas! Às vezes, havia clara revolta: “Música para ver, pintura para ouvir, comida para ler, roupa para cheiras, dança para roer…” — ironizou uma das cantoras –, mas o maior perigo vinha sempre silenciosamente e de lugares afastados das fofocas das moças e do controle de Gisela.

A narrativa de Lídia Jorge é estupenda do ponto de vista da criação de cada um dos clímax. Com pleno domínio de vários meios narrativos, a autora alterna trechos decididamente cronísticos com outros de grande densidade de significados. Os traumas gerados pela busca incessante da fama e dos holofotes, independentemente do preço, são graves e irreversíveis para as meninas do Apocalipse. Tal como nos livros de Jane Austen, uma série de detalhes de aparência fútil servem para mostrar um pesado pano de fundo social, em parte vindo continente africano.

A Noite das Mulheres Cantoras traz uma excelente construção de personagens, como as das cinco mulheres, a do coreógrafo João de Lucena e do estudante Murilo Cardoso — espécie de consciência da obra. Além da alternância de estilos, Lídia Jorge trabalha com esmero e bons resultados o fato de o presente estar sempre lá, lançando seu olhar perplexo sobre os anos 80. O movimento de fazer emergir fatos do passado para o presente raras vezes foi tão bem articulado.

Indico!

Livro comprado na Bamboletras.

Lidia Jorge
Lídia Jorge

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Ensinando a roubar livros

Ensinando a roubar livros

Em minha opinião, o roubo de livros é uma atividade adolescente, no máximo universitária. Um ladrão de livros com mais de 23 anos é um sujeito digno de lástima, a não ser que não tenha absolutamente dinheiro para obtê-los. O amor aos livros justifica o erro e esta atividade deve ser coibida pelo livreiro com compreensão, até com carinho por seu futuro cliente. Roubei muitos livros na época em que tinha entre 15 e 22 anos. Quando chegava em casa, escrevia meu nome e a data, acompanhado da misteriosa inscrição “Ad.”, de adquirido. Nunca me pegaram. Hoje tenho 59 anos e nem penso mais nisso. Porém, já fui um ladrão de livros. Comecemos pela ética da coisa e depois vamos às instruções.

ideafixa.co

Nunca roubarás as pequenas livrarias. Pois as pequenas livrarias foram feitas para a amizade, para as conversas e não combinam com atitudes detetivescas. Também não se rouba onde é fácil demais e onde o livreiro atende o cliente pessoalmente. Além do mais, roubar uma pequena livraria é colaborar com a proliferação das megalivrarias, estabelecimentos sem personalidade, de atendimento impessoal e onde grassa a ignorância a respeito do próprio acervo. Não se roubam livreiros que sobrevivem com dificuldade.

Nunca roube, a não ser que sejas estudante ou estejas desempregado. Roubo de livros não combina com salário e cleptomania. O roubo de livros deve nascer de uma necessidade absoluta de literatura ou informação, de um imperativo interno que esteja catalogado no CID.

Nunca olharás em torno. O fundamental, para quem pretenda atuar nesta área, é manter o ar casual. É como colar numa prova. Se, durante uma prova, você abre sua bolsa para pegar um lápis, você não olha para o professor. Se você for colar, aja com a mesma naturalidade. Não olhe para os lados, não observe onde o professor está — evite, é claro, fazê-lo com ele a seu lado –, pois se você se comportar como um periscópio de submarino, o inimigo irá observá-lo.

Nunca venderão livros onde vendem mondongo. Na minha época, a vítima principal de meus roubos era um supermercado. Vender livros em supermercados… Vender livros ao lado de azeitonas, bifes de fígado, mondongo e alvejante é algo que desmerece a literatura e, se nossas leis fossem inteligentes, tal absurdo seria proibido. O roubo era simples, mas envolvia alguns gastos. Eu pegava o livro na estante e me dirigia com ele à lancheria. Levava o livro como quem não quer nada, como se fosse seu dono. Lá, sentava-me e pedia qualquer porcaria, de preferência gordurosa. Enquanto esperava, pegava minha caneta e iniciava a leitura. Quando passava por uma parte interessante, sublinhava-a; se houvesse algo engraçado, desenhava uma carinha rindo; se triste, uma cara triste. Na última página, escrevia um número de telefone, como se ontem estivesse em casa com meu livro sem um papel para anotar e tivesse anotado na última página da coisa mais à mão, meu livro. Outra coisa importante que fazia era ler girando a capa até a contracapa, segurando o livro com firmeza, de forma a marcar a lombada. Fazia isso em vários pontos até a metade do volume. Sim, exato, você o deixará usado! Depois, é só sair do super com o livro na mão, naturalmente, à vista de todos.

Nunca terás pressa. Havia outras livrarias que colaboraram para meu acervo da época. Nelas, o método era outro. Sabemos que um bom leitor, utiliza seus livros como objetos transicionais; ou seja, ele leva seus livros aonde vai, da mesma forma que uma criança leva seu bichinho, travesseirinho de estimação, sentindo-se mal se ele não está próximo. Então, entrava na livraria sem pressa e pegava um livro. Caminhava lentamente mais ou menos 1 Km dentro do salão. Se alguém o estivesse observando, certamente cansaria. Lá pelo meio da jornada, colocava o livro a ser surrupiado junto do livro que trouxera, o objeto transicional. Caminhava mais 1 Km dentro da livraria. Chegava a cansar de ser dono daquele livro. Saía calmamente. Ficava um bom tempo na porta da livraria examinando os lançamentos, parava na frente da vitrine, demonstrava segurança, espezinhava o medo. Depois disso, podia ir para casa.

Nunca deixarás de examinar todas as variáveis à luz da tecnologia de nossos dias. Como já disse, não estou mais em idade de cometer tais pequenos crimes. Portanto, estou desatualizado e desconheço o método correto. Posso apenas sugerir posturas. As megalivrarias tem aquela coisa magnetizada ou com chip que acompanha o livro. Aquilo tem de ser anulado ou retirado. Estará a juventude de hoje destinada a pagar por todos os seus livros? E depois falam em incentivo à leitura! Olha, talvez não seja necessário pagar sempre. Há que anular o troço, talvez até arrancando a geringonça do livro. Pergunta: se você colocar o objeto de desejo dentro de uma bolsa, entre papéis ou de alguma forma tapado, mesmo assim acordará o alarme no momento da saída? Sim, o risco é imensamente maior e nem imagino o que os homens da segurança farão com você. Outro jeito é usar a ciência e desmagnetizar a coisa. Leve ímãs, leia a respeito, pesquise. Como esses livrarias são grandes e às vezes têm cafés, você pode avaliar com tranquilidade os riscos e a forma mais adequada de ler o próximo Thomas Pynchon. Todos nós já vimos como o caixa realiza a mágica de desmagnetizar; ele apenas adeja algo semelhante a um limpador de discos de vinil sobre a contracapa do livro. O que é aquilo? Concordo, é uma merda, haverá menos romantismo e mais aventura.

Nunca roubarás pockets. Sabemos que o preço do livro no Brasil é escandaloso. Para solucionar o problema, a L&PM começou a comercializar pocket books. Outras a imitaram. É uma coisa boa. Não, meu amigo, roubar esses bons livrinhos de menos de R$ 20,00 é pecado e, se você o fizer, merecerá o patíbulo.

Nunca negarás o empréstimo de livros. Um dos lugares-comuns mais ridículos que as pessoas dizem é “Não empresto meus livros”; verdadeiro clichê de quem não gosta e não confia nos amigos. Estes merecem o açoite. Imaginem que já emprestei até meu Doutor Fausto! Um livro lido e posto numa estante até o fim de seus dias é um livro que agoniza por anos. Comprar e nunca ler é fazer do livro um natimorto. Mas o pior são os do outro lado: aqueles que efetivamente não devolvem os livros tomados por empréstimo, justificando a atitude paranoica do primeiro. Patíbulo, novamente.

Biblioteca-Quadro

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Bom dia, Guto (com os principais lances de Inter 1 x 1 Criciúma)

Bom dia, Guto (com os principais lances de Inter 1 x 1 Criciúma)

Só tenho certeza de uma coisa: enchi o saco de falar do Inter. Jogamos melhor, mas com os nervos tão à flor da pele, com tanto nervosismo, que é melhor contratar um time de psicólogos para deixar mais calmos aquele grupo muito bem pago de jogadores profissionais. É muita infantilização. É muito medo do palco.

Klaus marcou nos descontos com D`Alessandro fora de foco | Foto: Ricardo Duarte
Klaus marcou nos descontos com D`Alessandro fora de foco | Foto: Ricardo Duarte

Por outro lado, a torcida faz lamentavelmente sua parte. Em vez de apenas vaiar, abandonar ou virar as costas, começa a depredar o estádio, jogando pedras e rojões. Porque não deixam isso para as manifestações contra Temer, Sartori ou Marchezan? Só falta interditarem o Beira-Rio, dando argumentos para a diretoria falar em prejuízo financeiro, técnico e em mais um ano na B.

Se não fôssemos tão atabalhoados, podíamos ter ganho o jogo, mesmo levando um gol logo de cara. Só empatamos heroicamente nos descontos. Até D`Alessandro, com sua mais de década de praia, perdeu gols que não costuma perder.

Acho que um Rivotril geral seria uma boa. Conforme escreveu Marinho Saldanha no Uol, já temos 521 minutos — totalizam 8 horas e 41 minutos — sem um homem de frente balançar as redes adversárias. Ou seja, nosso ataque não faz gols. Nico López marcou 12 em 26 partidas, mas também está nervosinho, perdendo gols. William Pottker tropeça após driblar o goleiro e Brenner erra sem goleiro.

Acalmem-se e resolvam. A Série B é uma barbada, é só jogar.

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