Neste final de semana (sábado e domingo, às 17h) a Ospa apresentará uma extraordinária sinfonia que não tocava desde 2003. Um Concerto com a Sinfonia nº 2, “Ressurreição”, de Gustav Mahler, é algo para não se perder. Jamais. É uma obra que começa praticamente diante da morte — o primeiro movimento tem como ponto de partida o funeral de um herói — e vai ampliando progressivamente seu horizonte até chegar à ideia de ressurreição. Mahler transforma a sinfonia em algo maior do que uma composição puramente instrumental: uma espécie de percurso metafísico, no qual silêncio, angústia, memória e esperança vão encontrando seu lugar.
A música é monumental, mas sua grandeza não está simplesmente no tamanho da orquestra ou na duração. Está na capacidade de Mahler de fazer coexistirem, dentro da mesma obra, o sublime e o cotidiano, o solene e o grotesco, a delicadeza quase camerística e as forças descomunais da orquestra — são 200 músicos. Há momentos em que parece que estamos ouvindo a história inteira da música — Beethoven, Wagner, Schubert, a canção popular — sendo lembrada, transformada e, por que não?, ironizada. E há uma característica profundamente mahleriana: quando acreditamos ter chegado ao fim, a música parece abrir mais uma porta.
Uma curiosidade: Mahler levou vários anos para completar a sinfonia. O primeiro movimento foi estreado isoladamente em 1888, e somente em 1894, depois da morte do maestro Hans von Bülow, Mahler encontrou o impulso decisivo para concluir a obra. Conta-se que, durante o funeral de Bülow, ouviu o coral “Aufersteh’n” (“Ressuscitarás”), de Friedrich Klopstock, e percebeu que aquele texto oferecia a resposta que procurava para o final da sinfonia. Assim nasceu uma das mais impressionantes conclusões de toda a música sinfônica: não uma vitória triunfal sobre a morte, mas uma lenta, quase dolorosa afirmação de que a existência pode ter um sentido para além dela.
(Não se apavorem com os músicos fora do palco. É a multidão de almas penadas).
Programa:
Gustav Mahler | Sinfonia Nº 2 em Dó menor, “Ressurreição”
– Allegro maestoso. Mit durchaus ernstem und feierlichem Ausdruck (Com expressão totalmente grave e solene)
– Andante moderato. Sehr gemächlich. Nie eilen (Muito vagaroso. Sem pressa)
– In ruhig fließender Bewegung (Com movimento fluindo tranquilamente)
– Urlicht (Luz Primordial). Sehr feierlich, aber schlicht (Muito solene, mas simples)
– Im Tempo des Scherzos. Wild herausfahrend (No tempo do scherzo. Irrompendo de forma selvagem)
Solistas: Manuela Korossy (Soprano) e Edineia Oliveira (Mezzo-soprano)
Coro Sinfônico da OSPA
Coro de Câmara da PUCRS
Coro Masculino Ottava Bassa
OSPA
Regência: Manfredo Schmiedt
