Ainda existem aveleiras, de Georges Simenon

Ainda existem aveleiras, de Georges Simenon

Este é um daqueles Simenon que merecem ser mais conhecidos por quem pensa que Simenon é apenas Maigret ou romances policiais ou “duros”. Nada disso, este é essencialmente um romance psicológico e familiar.

Vamos lá: há uma idade em que já não se espera que aconteça muita coisa. É desse território — o da velhice, da memória e da sensação de que o essencial já passou — que Georges Simenon extrai Ainda Existem Aveleiras, um de seus romances mais discretamente comoventes.

François Perret-Latour tem 75 anos e construiu uma vida de dinheiro, prestígio e hábitos rigorosos. Banqueiro aposentado, mora cercado por empregados e por uma existência perfeitamente organizada. Tudo parece sob controle até que notícias vindas dos Estados Unidos — a doença de sua primeira mulher e o suicídio de um filho que mal conheceu — fazem o passado retornar. Aos poucos, um desfile de outras questões familiares começam a perturbar aquela vida tão cuidadosamente ordenada.

Mas Simenon não está interessado em produzir grande tumulto. Perret-Latour vai alinhavando os panos quentes que utilizará. O que lhe interessa é observar as movimentações interiores causado por fatos da vida, alguns deles banais. Um telefonema, uma lembrança, uma conversa com a governanta, uma visita, uma notícia desagradável: são esses acontecimentos modestos que fazem Perret-Latour voltar a sentir-se vivo. É uma das grandes qualidades de Simenon: ele sabe que uma existência humana não precisa de acontecimentos extraordinários para conter um romance completo.

O título concentra essa ideia. Num passeio pelo campo, o velho banqueiro vê, numa sebe, algumas aveleiras que ainda dão frutos. A descoberta o surpreende: apesar dos aviões, das estradas, da transformação do mundo, ainda existem aveleiras. Ele próprio percebe que a conclusão é quase ingênua, mas não consegue deixar de se emocionar. As aveleiras tornam-se então uma pequena imagem daquilo que permanece quando quase tudo parece ter mudado: há ainda alguma coisa viva e simples.

E talvez seja justamente aí que o romance se distancia do Simenon mais sombrio. Não há aqui o pessimismo radical de alguns de seus romances duros. Há melancolia, certamente, mas também uma espécie de reconciliação com a vida. Perret-Latour descobre que envelhecer não significa necessariamente retirar-se do mundo. Pode significar, ao contrário, o encontro com coisas que a pressa, o dinheiro e o trabalho haviam impedido de enxergar.

Perret-Latour pode ter sido egoísta e distante, até mesmo responsável por algumas infelicidades, mas Simenon não o transforma em réu. Há uma curiosidade compassiva pelo ser humano, uma disposição para compreender suas pequenas covardias, seus arrependimentos e suas tentativas de reparar aquilo que ainda pode ser reparado. Também chama atenção a simplicidade da escrita. Simenon parece não fazer esforço algum para produzir literatura — e talvez justamente por isso produza tanta. Os diálogos são naturais, nada forçados, e as emoções não são anunciadas. Aparecem apenas nos gestos, nos silêncios.

Vocês sabem, Simenon é o anti-piegas. Mas Ainda Existem Aveleiras é um livro sobre a possibilidade de recomeçar quando já não esperávamos recomeço algum. E há uma delicadeza especial nisso: Simenon não promete uma redenção. Oferece algo muito mais modesto — e talvez mais verdadeiro. Uma pessoa pode ter desperdiçado anos, cometido erros, afastado pessoas e envelhecido. Ainda assim, alguma coisa permanece.

Afinal, ainda existem aveleiras.

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O bom médico, de Damon Galgut

O bom médico, de Damon Galgut

Damon Galgut tem uma premiadíssima obra-prima em seu currículo: A promessa — livro vencedor do Booker Prize de 2021, entre outros vários prêmios. Por isso, fui procurar outros livros dele. Em O bom médico, ele conta a história do encontro entre dois médicos num hospital miserável do interior da África do Sul. Pouco depois do fim do apartheid ninguém sabe muito bem como será o novo país e Galgut bota sua lente no conflito entre duas pessoas: uma que desistiu de agir e outra que acredita, talvez ingenuamente, que ainda é possível mudar o mundo. Publicado em 2003 e finalista do Booker Prize daquele ano, o romance se passa no interior da África do Sul. O hospital, abandonado e decadente, torna-se uma espécie de miniatura da própria África do Sul: o regime mudou, mas o passado (e a pasmaceira) continua instalado nas paredes.

O narrador, Frank Eloff, é um médico que já perdeu a fé em quase tudo. Profissional competente, mas acomodado, carrega uma espécie de culpa histórica e pessoal: seu passado inclui uma hesitante experiência no Exército durante o apartheid. Ele não espera mais nada daquele lugar e, sobretudo, não acredita em grandes gestos. É justamente por isso que a chegada de Laurence Waters, jovem médico idealista, o incomoda tanto. Laurence acredita que a medicina pode transformar a realidade e se empenha em levar atendimento às comunidades pobres. O conflito entre os dois é rico porque Galgut não transforma Laurence no “bom médico” do título de maneira simples. Seu idealismo contém generosidade, mas também vaidade, imprudência e uma espécie de desejo de se sentir moralmente superior.

E aqui está, para mim, a grande inteligência do romance: Galgut não adere nem ao cinismo, nem ao idealismo. Frank sabe que o mundo é complicado e, por isso, não faz quase nada… Laurence acredita que sabe como o mundo deve ser e, justamente por isso, acaba produzindo coisas que carregarão consequências que não consegue controlar… O primeiro peca pela omissão; o segundo, pela ação irrefletida. Entre ambos fica uma pergunta terrível: é melhor não fazer nada diante da injustiça ou agir, mesmo correndo o risco de fazer mal?

A África do Sul pós-apartheid é mais do que cenário. O hospital situa-se num antigo território criado para a população negra, e sua decadência material parece representar a dificuldade de simplesmente decretar que o passado acabou. A democracia chegou, mas as estruturas, os ressentimentos, a desigualdade e a violência continuam presentes. O apartheid está muitas vezes nas margens, nas relações entre as pessoas e na sensação de que todos carregam alguma coisa que prefeririam esquecer. Li algumas críticas que chamam a atenção precisamente para essa tensão entre passado e presente e para a persistência das divisões sociais e raciais.

Também é importante a forma como Galgut conta a história. Frank é um narrador pouco confiável, não necessariamente porque mente deliberadamente, mas porque enxerga o mundo a partir de suas próprias feridas, ressentimentos e limitações. Ele interpreta Laurence, sua amante Maria, os colegas e os acontecimentos — e a gente não acredita muito nele. Eu, pelo menos. Essa ambiguidade é uma das razões pelas quais o romance é tão interessante.

Há ainda uma questão que acho particularmente bonita: o que significa ser “bom”? Um bom médico é aquele que cura? Aquele que tenta ajudar? Aquele que respeita os limites de uma situação? Aquele que assume responsabilidades? Ou aquele que simplesmente não consegue assistir passivamente ao sofrimento? (Como comuna, sempre desconfiei de quem faz caridade, mas isso não vem ao caso). Galgut parece sugerir que a bondade, quando se transforma em certeza sobre o próprio papel no mundo, pode se tornar perigosa. (Nota: não gosto muito dos pró-ativos). E, ao mesmo tempo, o cinismo de Frank não é uma forma superior de lucidez: é também uma maneira de fugir.

Por isso, O Bom Médico é interessante não apenas pela questão do apartheid — que já renderia uma longa conversa —, mas porque permite discutir coisas muito próximas de nós: idealismo, culpa, responsabilidade, omissão, desejo de ser uma pessoa boa e, sobretudo, a dificuldade de distinguir uma boa intenção de uma boa ação. Sim, é na zona desconfortável entre esperança e fracasso que este romance realmente vive.

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O Concerto Nº 2 de Brahms pela Ospa

O Concerto Nº 2 de Brahms pela Ospa

Dois verdadeiros artistas, dois verdadeiros poetas. O maestro francês Martin Lebel e o pianista suíço Homero Francesch nos trouxeram, junto à Ospa, toda a dimensão do por si imenso Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Johannes Brahms. Obra da maturidade do compositor, eles fizeram com que tudo o que fosse humano na sala se arrepiasse.

Como disse o pianista e professor Fernando Rauber Gonçalves nas Notas de Concerto, há compositores tardios (como também Bach) que não estão requentando velhas fórmulas, como alguns de seus contemporâneos pensavam, mas indicando caminhos. Arnold Schoenberg, o cúmulo da vanguarda em sua época, citado por Rauber, considerava Brahms um compositor inovador e revolucionário, cunhando o famoso ensaio “Brahms, o progressivo”, de 1947. Schoenberg, primeiro em palestras pelo rádio e depois por escrito, defendia que Brahms não era um tradicionalista, mas alguém que expandiu a linguagem musical — até estraçalhar nossos corações, completo eu.

E talvez seja justamente isso que torna o Segundo Concerto tão extraordinário. Sua arquitetura monumental não é um tour de force, mas uma construção profundamente humana. Brahms escreve para um instrumento gigantesco — a orquestra — e, ao mesmo tempo, para o íntimo de quem escuta. Há momentos de enorme força e som, mas também há delicadezas de suspender o tempo. O segundo movimento, com sua fúria e seu lirismo, e sobretudo o terceiro, com aquele maravilhoso diálogo entre piano e violoncelo…

Aliás, no começo do terceiro movimento — o Nº 2 tem quatro –, sentado no meu mezanino de sempre, consultei o ChatGPT e fiz a pergunta “O Concerto 2 de Brahms não parece ter 2 primeiros movimentos?”. As IAs gostam de dar estímulos positivos, enchendo a bola da gente, né? Ela respondeu que era uma observação genial de minha parte… Não, não há nada de gênio em mim, os dois primeiros movimentos são de tempos rápidos, grandiosos, daqueles que pedem aplausos. Pô, fica muito claro que Brahms não está seguindo o modelo tradicional de concerto em três movimentos. Ele expaaaaande a forma. O segundo movimento muda o centro de gravidade da obra antes de chegarmos ao verdadeiro movimento lento. Eu não sei porque ele fez aquilo, sei que o “desequilíbrio” funciona.

O primeiro movimento começa de maneira quase desconcertante. Em vez de uma abertura triunfal, temos aquele tema da trompa, lindo e interrogativo, que convida o piano a entrar. Este entra respondendo à orquestra. É uma música de enorme extensão, mas o drama é sobretudo interior. A relação piano-orquestra é muito mais complexa do que a de solista contra acompanhamento. Quando termina, pensamos que lá vem o movimento lento.

Mas não. Entra um Allegro appassionato. É quase como se alguém tivesse aberto uma porta e, de repente, estivéssemos em outro lugar (ou com outro compositor). A diferença de caráter é enorme. A música fica mais física, mais violenta. O piano deixa de ser aquele interlocutor do primeiro movimento e passa a participar de uma verdadeira luta dramática. E o mais curioso é que Brahms chamava isso de scherzo. Não vou discutir com ele.

Só que não há praticamente nada daquele scherzo leve e brincalhão tipo Beethoven e Bruckner. É algo sombrio e apaixonado, talvez trágico.

É aí que surge a impressão de que existem dois primeiros movimentos.

Há uma história deliciosa: quando Brahms foi estrear este Concerto pela primeira vez, em 1881, teria dito um amigo que “A nova peça é muito bonita, mas é pequena”. (Dizem que ele estava velho e tocava mal seu próprio concerto).

Já Francesch, de 78 anos e em perfeita forma, tocou Brahms com um som muito convincente e entendendo que o piano não era o protagonista absoluto. O instrumento respirava dentro da orquestra. E Lebel levou a coisa sem muito peso, de forma muito moderna, deixando aflorar o movimento e a tensão que nunca deixam a música repousar completamente.

A duração de 50 minutos do concerto me deixou mobilizado por todo o tempo. É longo, sim, mas não senti o tempo passar. Sim, foi um momento raro. Brahms não pareceu um compositor do passado. Pareceu alguém que estava ali, descobrindo algo conosco. É para isso que existem os grandes músicos: para fazer com que uma obra que conhecemos nos pareça, de repente, desconhecida.

E para que, por alguns momentos, tudo o que há de humano numa sala se arrepie.

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Tomou um tiro e deu

Tomou um tiro e deu

Já adianto que essa ideia de mandar o Pezzolano embora é burra. Por incrível que pareça, o Inter fez um bom primeiro tempo, mas é como aquele cara que faz evoluções com uma cimitarra na frente do Indiana Jones. Tomou um tiro e deu.

O Inter não sabe fazer gols. Não tem um artilheiro, nem um bom atacante de lado. Sei que é mais fácil demiti-lo, claro, só que o fato é que Pezzolano é um lutador sem armas. Em caso de demissão, sugiro chamar o Roth…

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Basta! Uma carta aberta de artistas e pensadores judeus em defesa de Mark Ruffalo

Basta! Uma carta aberta de artistas e pensadores judeus em defesa de Mark Ruffalo

Dan Sheehan
1º de setembro de 2026

Centenas de artistas, escritores, profissionais criativos, líderes religiosos e pensadores judeus — incluindo Emma Seligman, Gabor Maté, Hannah Einbinder, Ilana Glazer, James Schamus, Larry Charles, Joel Coen, Miranda July, Molly Crabapple, Sarah Sherman, Tavi Gevinson, Todd Haynes e Tony Kushner — assinaram uma carta aberta “em resposta à ultrajante campanha difamatória contra nosso respeitado colega Mark Ruffalo”.

Ruffalo, um defensor de longa data dos direitos palestinos e que tem se manifestado veementemente contra a conduta de Israel em Gaza e na Cisjordânia, foi acusado pela gigante da mídia Paramount Skydance de invocar “estereótipos antissemitas” em suas críticas à fusão de US$ 111 bilhões com a Warner Bros Discovery (WBD).

Em um comunicado compartilhado em suas redes sociais no mês passado, o ator destacou a ligação entre a Paramount Skydance, dirigida pelo CEO David Ellison, e a Oracle, empresa de tecnologia administrada pelo pai de Ellison, Larry. A Oracle fornece software para as Forças de Defesa de Israel há décadas, e Larry Ellison é o maior doador da história da organização sem fins lucrativos Amigos das Forças de Defesa de Israel.

Além de condenar a “falsa e perigosa instrumentalização de acusações de antissemitismo contra aqueles que são corajosos o suficiente para apontar o óbvio”, a carta aberta detalha a profunda ligação entre os Ellisons e o genocídio em Gaza, e destaca uma pesquisa recente do Washington Post que constatou que 61% dos judeus americanos agora concordam que Israel está cometendo crimes de guerra em Gaza.

Segue abaixo a carta e a lista de signatários na íntegra.

“Basta!”

Somos artistas, escritores, profissionais criativos, líderes religiosos e pensadores judeus que, em resposta à ultrajante campanha difamatória contra nosso respeitado colega Mark Ruffalo, temos uma mensagem simples para compartilhar com o mundo: Basta! Basta da instrumentalização falsa e perigosa de acusações de antissemitismo contra aqueles que são corajosos o suficiente para apontar o óbvio: que o ataque ao povo palestino e o ataque às nossas liberdades em nosso país estão profundamente interligados, e não há nada de antissemita em reconhecer esse fato.

A fusão proposta entre a Paramount e a Warner Brothers Discovery não é uma mera combinação de duas grandes empresas multinacionais. Sim, ela destruirá milhares e milhares de empregos. Sim, ela consolidará ainda mais o controle oligárquico sobre a nossa mídia (basta ver o desmantelamento da CBS News). Sim, ela sufocará a competição e a criatividade na produção e distribuição de filmes e programas de televisão.

Mas tudo isso e muito mais será feito como parte de um projeto maior de dominação tecnológica, um projeto que Larry Ellison e seus parceiros nunca hesitaram em alardear — e que eles próprios vincularam explicitamente ao seu apoio às depredações contínuas infligidas ao povo palestino e ao silenciamento dos críticos desses horrores. Todos vimos isso após a aquisição do TikTok, intermediada por Trump — uma aquisição que eles declararam abertamente ter sido motivada, em grande parte, pelo desejo de impulsionar a propaganda pró-Israel. Larry Ellison, pessoalmente, com seus impressionantes US$ 350 milhões em financiamento e promessas de doação ao Instituto Tony Blair para a Mudança Global, tem sido o principal apoiador de Blair, que assume um papel influente na tomada de Gaza, arquitetada por Trump, através do “Conselho da Paz”, um território que se tornou um laboratório a céu aberto para tecnologias de controle e assassinato baseadas em inteligência artificial, como as celebradas pela ex-CEO da Oracle (e atual membro do conselho da Oracle e da Paramount), Safra Catz.

O caminho da IA ​​para a WarnerMount passa por Gaza, e Ellison frequentemente nos alerta sobre o mundo orwelliano que ele preparou para nós, enquanto consolida o controle sobre o que assistimos e como assistimos, sabendo que, enquanto assistimos, ele e sua comitiva corrupta estarão sempre nos observando: “Os cidadãos se comportarão da melhor maneira possível porque estamos constantemente gravando e relatando.”

Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é exatamente o oposto do antissemitismo. É, para nós, a própria essência do dever ético judaico. De acordo com uma pesquisa recente do Washington Post, 61% dos judeus americanos agora concordam que Israel está cometendo crimes de guerra em Gaza; e quatro em cada dez concordam que esses crimes equivalem a genocídio. Será que aqueles que atacam Mark Ruffalo como antissemita realmente acreditam que todos esses judeus americanos também são antissemitas? Ou que não vemos a conexão entre, por um lado, a impunidade criminosa que levou os EUA e Israel a um desastre sem fim e, por outro, as manobras oligárquicas de poder dos Musks, Ellisons, Thiels e outros que estão trabalhando para desmantelar nossa democracia?

Mas a virulência e a falsidade das calúnias que dirigem aos seus críticos evidenciam a crescente fragilidade da sua posição, baseada em insinuações. Hoje, cada vez mais pessoas de consciência unem-se para proclamar, em voz alta e unívoca: Acabou o tempo de usar acusações espúrias de antissemitismo em defesa da guerra, da oligarquia e, agora, da dominação da inteligência artificial. Essa estratégia desgastada já não funciona mais.

Apoiamos com orgulho Mark Ruffalo e todas as pessoas decentes que estão corajosamente se levantando e dizendo a verdade ao poder.

NOTAS:

Ver Safra Catz em uma cúpula do Conselho Israelense-Americano discutindo as armas secretas “assustadoras” da Oracle em Gaza: “Não quero me gabar, mas…” (link)

Os executivos da Oracle são cristalinos em sua posição sobre Israel: ” Apoiar Israel está no nosso DNA — mesmo que nos custe clientes. Essa é a nossa agenda.” (link)

Catz tem sido muito insistente em afirmar que não tolerará funcionários nas empresas que ajuda a administrar que não compartilhem de suas opiniões: ” Para os funcionários, é claro: se você não é a favor dos Estados Unidos ou de Israel, não trabalhe aqui.” (link)

Para obter detalhes sobre as parcerias da Oracle com as forças armadas e a polícia israelenses, acesse: Oracle. Aqui está Ellison falando sobre seu objetivo de “registrar e relatar constantemente”.

Sobre a parceria entre Ellison e Blair, veja Blair e o Bilionário . Assista à conversa entre Blair e Ellison sobre a dominação global da IA: acesse “Uma oportunidade incrível para reimaginar o Estado…”. Sobre Blair e seu papel em Gaza, veja Blair Assume um Papel Maior .

No TikTok e em Israel, veja Benjamin Netanyahu proclamando a aquisição como “a compra mais importante que está acontecendo” durante a guerra: acesse “As armas mudam com o tempo…”

Para saber mais sobre a crescente e perigosa instrumentalização do antissemitismo como ferramenta para destruir a liberdade de expressão e outros direitos, e como os judeus estão lutando contra essa instrumentalização, visite o site da Diaspora Alliance.

Para pesquisas recentes sobre a visão cada vez mais crítica dos judeus americanos em relação a Israel, veja o artigo do The Washington Post intitulado “A maioria dos judeus diz que Israel está cometendo crimes de guerra – e 39% dizem que é genocídio…”

Todos os links estão na Literary Hub na matéria com o título “Enough! An Open Letter from Jewish Creatives and Thinkers in Defense of Mark Ruffalo”.

 

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O Duelo, de Anton Tchékhov

O Duelo, de Anton Tchékhov

Nesta rara novela de Tchékhov — como todos sabem, ele se dedicava mais aos contos e às peças de teatro –, a gente fica imaginando que outras novelas e romances maravilhosos ele também poderia ter escrito. Aqui, neste O Duelo, a ideologia encontra o abismo humano. O Duelo vai muito além do confronto físico que lhe dá título, transformando-se num palco para algumas das grandes questões existenciais que assombravam a intelligentsia russa do século XIX.

A história se passa numa pequena cidade litorânea do Cáucaso, um microcosmo, onde Tchékhov reúne figuras que representam polos opostos da existência. De um lado, Laiévski, um burocrata de 28 anos, é a personificação do “homem supérfluo” da literatura russa. Trata-se um sujeito que se mudou para o campo com sua amante, Nadiéjda, com sonhos de uma vida simples, mas que se perdeu no jogo, na bebida e na inércia. Vive pedindo dinheiro para todo mundo. De outro, o zoólogo Von Koren, um darwinista social convicto, representa a razão fria e o pragmatismo mais extremo, vendo em Laiévski um ser inferior. Acharia melhor se este fosse eliminado para o bem da evolução da espécie.

Na verdade, há vários “duelos”. Não há apenas o duelo final entre os dois homens, mas também o duelo silencioso entre os amantes que já não sabem se se amam, o duelo ideológico entre o niilismo boêmio e a rigidez científica, o duelo individual entre sonho e realidade, que dilacera o protagonista por dentro e o duelo da própria forma, onde Tchékhov equilibra a concisão do conto com a amplitude do romance .

Von Koren é brilhante e tem razão em muitos dos seus diagnósticos sobre a inépcia de Laiévski, mas seu antídoto para o mal é um autoritarismo que beira o totalitarismo, tratando pessoas como “insetos e nulidades” em nome da humanidade, da evolução e da razão. Já Laiévski é patético e autodestrutivo, mas sua falência é profundamente humana.

Ao contrário do que se poderia esperar, O Duelo não se resolve na violência do combate. O clímax se desvia por um acaso, por uma intervenção casual. A novela termina numa nota de ateísmo, sugerindo que a redenção e a justiça não vêm de grandes gestos ideológicos, mas sim de pequenas correções éticas na vida cotidiana.

Esta é uma obra de realismo psicológico, uma boa análise de humanos em crise e um comentário atemporal sobre o perigo de se transformar pessoas em meros objetos de uma teoria. Para fãs de Tolstói, Dostoiévski ou Turguêniev, O Duelo é uma leitura essencial que, como bem disse um amigo aqui da livraria, nos lembra que, na maioria das vezes, “os duelos fazem parte da maneira como enxergamos o mundo”.

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Eu voto no Rio Grande do Sul

Meu voto:
(agora na ordem da urna eletrônica):

Dep. Federal: Fernanda Melchionna (5050)
Dep. Estadual: Matheus Gomes (50123)
Senadora (1ª vaga): Manuela (500)
Senador (2º vaga): Pimenta (131)
Governadora: Juliana (12, caiu uma lágrima)
Presidente: Lula (13)

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