Da Elena no meu aniversário

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Um poema do pouco conhecido aqui, de Nikolay Gumilyov.

Bebê elefante

Meu amor por você agora é um bebê de elefante
Nascido em Berlim ou em Paris
Que anda, com pernas bambas
Pelos aposentos do dono do zoológico.

Não lhe ofereça baguetes
Não lhe ofereça grandes repolhos,
Ele só pode comer um gomo de tangerina
Um cubo de açúcar ou um bombom.

Não chore, minha doce, que em uma gaiola apertada
Ele se tornará o escárnio dos comuns,
Para que a fumaça dos charutos seja soprada em seu nariz
Por comerciantes ao som do riso de costureiras.

Não pense, minha querida, que o dia chegará
Quando, enfurecido, ele quebrará as correntes
E correrá pelas ruas
Como um ônibus, esmagando as pessoas aos gritos.

Não, deixe-se sonhar com ele pela alta madrugada
Em brocado e cobre, com penas de avestruz,
Como aquele Magnífico que outrora
Carregou para a trêmula Roma Aníbal.

(1920)

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Sabemos que ler poesia traduzida é como tomar banho de capa de chuva. (c)
Então, coloco o original no primeiro comentário.
Feliz aniversário, meu q u e r i d o!

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