Dia dos Namorados 2016

Dia dos Namorados 2016

É nosso terceiro Dia dos Namorados, Elena. E que dupla radical e amorosa nós somos! Minimalistas na maioria das coisas e maximalistas no hedonismo. Parece que nossos gens têm inscritas ordens muito semelhantes. Vivemos uma grandiosidade de câmara cheia de maravilhosas transições entre a cozinha e o quarto, o sonho e o diálogo, a preguiça de erguer-se e a vontade de regressar. Os amores nunca são muito razoáveis, mas podem ser tranquilos. Eu adoro teu olhar, tua voz, teu sorriso e trato de cuidar de ti, pois te amar fez com que eu conseguisse gostar um pouco mais de quem me andava estranho: eu mesmo. É isso: te amar me faz melhor, apesar de eu desconfiar que permaneço o serzinho de sempre. E mesmo que a gente um dia case, insisto em manter o status superior de teu namorado. E que mais preciso dizer se o que quero dizer é que te amo?

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Porque hoje é sábado, alguns espreguiçares de inverno

Porque hoje é sábado, alguns espreguiçares de inverno

Meus sete leitores sabem que eu adoro o inverno. Simplesmente funciono melhor

Olivia Wilde Details 2010nesta estação. O sono e todas as atividades horizontais ganham, por exemplo,

Espreguiçar_02muito em disposição e qualidade.

Espreguiçar_03Porém, é mais complicado sair da cama pela manhã.

Espreguiçar_04O maldito botão Snooze (ou soneca) pede e pede para ser apertado.

Espreguiçar_05E a gente se atrasa.

Espreguiçar_06Mesmo que depois seja um enorme prazer caminhar pela rua sentindo a brisa fria,

Espreguiçar_07a gente se atrasa. Mas, ah, se pudéssemos ficar em casa, adiando tudo,

Espreguiçar_09pois hoje não posso, talvez amanhã seja possível, ou, ainda,

Espreguiçar_08daqui a dez minutos serei outro, um cara muito a fim de trabalho.

Espreguiçar_10E mais: tudo o que planejei fazer pela manhã

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Porque hoje é sábado, Alicia Machado

Porque hoje é sábado, Alicia Machado

Yoseph Alicia Machado Fajardo tem 39 anos e é venezuelana.

Soube que ela foi a primeira Miss Universo da história a posar nua.

Uma pioneira!

O “reinado” de Alicia

como Miss Universo 1996,

Alicia-Machado-Wallpapersfoi marcado por escândalos em torno

do aumento de seu peso,

logo após o triunfo.

Só rindo.

alicia machado 23Acho que deve ter sido algo muito digno e normal, pois

a elevação de peso deixou-a

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As 25 melhores fotos de Muhammad Ali

As 25 melhores fotos de Muhammad Ali

Escolhidas pelo The Guardian.

Foto: Bettmann/Corbis
Foto: Bettmann/Corbis
Neil Leifer Sports Illustrated Getty Images 3
Foto: Neil Leifer/Sports Illustrated/Getty Images
Photoshot Getty Images
Photoshot/Getty Images
James Drake The LIFE Picture Collection Gett
James Drake/The LIFE Picture Collection/Gett
Walter Iooss Jr. SPORTS ILLUSTRA Sports Illustrated
Walter Iooss Jr./SPORTS ILLUSTRA/Sports Illustrated
Bettmann CORBIS 4
Bettmann/CORBIS
John Rooney Associated Press
John Rooney/Associated Press

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Sibelius: os 150 anos de um compositor que está na base da identidade de seu país

Sibelius: os 150 anos de um compositor que está na base da identidade de seu país
Sibelius em 1939, já na época de seu longo e definitivo silêncio

Os finlandeses dizem que seu país é uma mistura de sauna, sisu e Sibelius. Todos sabem o que é sauna, mas você sabe o que é sisu? A palavra está naquele grupo de difícil tradução para outros idiomas. Trata-se de uma mistura de confiança e autonomia, algo que faz com que a pessoa se veja como capaz de realizar qualquer coisa. O povo finlandês teria o tal sisu e isto faz parte do orgulho nacional. E Sibelius? Bem, Sibelius é um compositor de música erudita que é outra das bases da identidade do país. Ele teve um impacto muito maior na mentalidade finlandesa do que o meramente musical.

Por exemplo, o poema sinfônico Finlândia. A peça era um protesto contra a crescente censura do Império Russo que controlava o país no final do século XIX. Como a execução pública da peça orquestral fora proibida pelos russos, tornou-se comum trocar seu nome nos anúncios de concertos. O fato adquiriu ares de piada. A peça foi mascarada foram numerosos títulos falsos. Se anunciassem a obra Sentimentos Felizes ao Amanhecer da Primavera Finlandesa, já se sabia o que viria. Finlândia evoca a luta nacional do povo finlandês. À medida que vai chegando ao final, a música torna-se tranquila e a melodia serena do hino da Finlândia é ouvida.

Outro exemplo é a Sinfonia Nº 2. Escrita na Itália logo após a composição de Finlândia, foi um acontecimento nacional. Numa época de invasão e opressão russas, ela foi ouvida novamente como representação sonora do nacionalismo finlandês. Quando de sua estreia, foi tocada quatro vezes em oito dias, até ser proibida. Mas não se precisa saber de tudo isso para gostar dela, a música sobrevive tranquilamente sem o contexto de sua origem. Do ponto de vista atual, a música de Sibelius não transparece revolta ou orgulho nacionalista, mas de forma muito particular, deixa claro quão vasto e frio é o país.

Johan Julius Christian Sibelius, conhecido como Jean Sibelius (1865-1957) foi um dos mais populares compositores do fim do século XIX e início do XX. Ele nasceu na cidade de Hämeenlinna, então pertencente ao Império Russo, em 8 de dezembro de 1865, há 150 anos. O compositor preferia utilizar a forma francesa de seu nome, Jean.

Ele terminou o ensino médio em 1885 e começou a estudar Direito na Universidade de Helsinque, porém a música sempre foi a responsável por suas melhores notas na escola e ele logo desistiu do Direito. De 1886 a 1889, Sibelius estudou música na escola de música de Helsinque (hoje a Academia Sibelius), depois estudou em Berlim de 1889 a 1890, e em Viena de 1890 a 1891.

Sibelius fez parte de um grupo de compositores que aceitou as normas de composição do século XIX e foi muitas vezes criticado como uma figura reacionária da música clássica do século XX. Apesar das inovações da Segunda Escola de Viena, ele continuou a escrever num idioma estritamente tonal. Entretanto, sua música é profundamente criativa e nova.

Sibelius é muito diferente de seus rivais na virada do século XIX para o XX. Gustav Mahler e Richard Strauss, eram adeptos de misturar temas muito diferentes, buscando contrastes quase bipolares, enquanto Sibelius transformava lentamente seus temas. Os temas apresentados são poucos, mas estes crescem organicamente, de forma lógica e sem grandes contrastes. Este gênero de música é geralmente entendido como uma representação do país. É curioso como um compositor que admirava a severidade de estilo e a profunda lógica que ligava intimamente os temas fosse tão popular.

Sua Sinfonia Nº 7, por exemplo, é composta de quatro movimentos sem pausas, onde as variações vem do tempo e do ritmo. Sua linguagem não é nada reacionária, apesar de tonal. Sibelius dizia que, enquanto a maioria dos outros compositores estavam preocupados em oferecer coquetéis à audiência, ele oferecia água pura e gelada.

Em O resto é ruído, Alex Ross explica-nos uma parte do drama de Sibelius. Citando um texto de Milan Kundera que fala das características das pequenas nações da Europa, ele se refere ao sentimento de isolamento que os heróis nacionais dessas pequenas nações podem sentir. Todos sabem tudo sobre eles, não havendo espaço para o erro. Isto pode ser uma pressão insuportável. A vida de Sibelius era um pouco pior. Sem espaço para erros na Finlândia, considerado um gênio nos EUA, o finlandês ressentia-se da recepção altamente negativa de seus trabalhos no resto da Europa. Alguns chamavam Sibelius de “o pior compositor de todos os tempos”, apesar de Richard Strauss ter admitido que sua produção era inferior a do finlandês.

Há dois tipos de composição onde Sibelius focou o seu talento: o poema sinfônico e a sinfonia. Mas há duas peças célebres fora do foco principal. Obviamente, estamos falando da belíssima Valsa Triste

… e do espetacular Concerto para violino e orquestra, obra excepcionalmente melódica e virtuosística.

No que diz respeito ao poema sinfônico, foi neste tipo de composição em que uma boa parte da identidade finlandesa se fixou. Não só porque Sibelius soube capturar musicalmente o espírito finlandês — indo buscar elementos no folclore, técnica na qual precedeu Bartók, Kodály e Stravinsky –, como também soube encontrar a poética adequada que o fixou definitivamente como o representante nacional. Há várias destas composições, Tapiola parece ser a melhor….

e Karelia, a mais divertida.

No que diz respeito às sinfonias, Sibelius procurava em cada uma delas basear-se na anterior, melhorando-a. É conhecido o fato de Sibelius ter destruído a sua 8ª Sinfonia — aquela que deveria resumir e dar um passo adiante em relação à sétima — depois de anos de tentativas e de ter por várias vezes prometido mostrá-la a seus fãs americanos. Mas a oitava nunca apareceu.

Como dissemos, as avaliações de Sibelius eram controvertidas. De um lado, o mundo anglófono — a Inglaterra e os Estados Unidos — consideravam suas sinfonias como monumentos de nossa época. Por outro lado, a Europa continental, principalmente os alemães, acusavam-no de ser um passadista medíocre, que não teve a coragem de fazer avançar a linguagem musical de seu tempo, permanecendo numa zona de conforto que lhe proporcionou popularidade.

Assim, para Olin Downes, o influente crítico do jornal The New York Times, e a opinião pública anglófona, Sibelius tinha lugar garantido entre os grandes sinfonistas do século ao lado do russo Dmitri Shostakovich. De outro lado, o mais influente crítico musical da vanguarda, Theodor Adorno, simplesmente considerava Sibelius o pior compositor do mundo.

Sibelius aos 30 anos

Hoje, a 150 anos de distância de seu nascimento e a 58 de sua morte, já possuímos distância histórica suficiente para avaliá-lo tão somente pela qualidade de sua música, ignorando os critérios estético-ideológicos. E o que se vê é, sim, um dos mais importantes sinfonistas do século 20. Suas sete obras neste gênero possuem uma lógica interna implacável.

Mahler foi um dos “culpados” ao escrever que considerava o finlandês um compositor provinciano.

Símbolo nacional e figura artística mundial, Sibelius parou subitamente de compor em 1927. Ele passou os trinta anos seguintes no mais completo silêncio criativo, recolhido a sua casa encravada numa floresta finlandesa e à qual de Ainola em homenagem a sua mulher.

Sibelius viveu 92 anos. O alcoolismo certamente contribuiu para o bloqueio criativo de 30 anos. Sua última aparição pública como maestro foi desastrosa — ele estava completamente bêbado. Mas, como imagina o escritor inglês Julian Barnes no conto O Silêncio (editado em 2006 no Brasil pela Rocco no livro Um toque de limão), o compositor, sentado diante de uma garrafa de vodca, deve ter proclamado a vitória. “Hoje, sou tão famoso por meu longo silêncio quanto o fui por minha música”.

.oOo.

Fontes:
Jean Sibelius: os sons nórdicos de um dos maiores compositores do século passado
Jean Sibelius
Jean Sibelius (1865-1957)

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Uma aulinha de gramática cinematográfica

Uma aulinha de gramática cinematográfica

Este post é do roteirista Sylvio Gonçalves via Hsu Chien.

Dogville

Trata-se de um belo vídeo do Cinefix com 10 filmes que romperam regras. Que evolução teria o cinema sem a subversão de produções como DOGVILLE, que aboliu os cenários, e O ANO PASSADO EM MARIENBAD, que abriu mão da lógica narrativa? Ou a ousadia de ERA UMA VEZ EM TÓQUIO, que infringiu completamente a regra dos 180 graus, ACOSSADO, que estabeleceu o uso narrativo dos jump cuts, ou até do (aparentemente tradicional) PSICOSE, cujo roteiro ousou mudar de protagonista? Vale muito a pena assistir ao vídeo, que apresenta várias sugestões de filmes anti-convencionais.

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O Marabá está morto

O Marabá está morto

Não há quase mais cinemas de rua em Porto Alegre. Todos os cinemas se internaram em shoppings. À noite, não se vê mais placas luminosas com letras quase sempre tortas ou faltantes anunciando filmes. Além, disto, os cinemas reduziram seu tamanho. Já faz tempo que desapareceram aquelas imensas salas em que funcionários com lanterninhas nos indicavam os lugares livres depois de iniciar a sessão. O VHS, a televisão, o DVD, o Now, o Netflix, a pandemia e o streaming, aliados à falta de espaço, de tempo e de charme transformaram nossas salas em coisas diminutas.

Mas a época do Marabá era diferente. O Marabá era um cinema que ficava em um bairro contíguo ao centro da cidade. Ou no bairro mais próximo a ele, se considerarmos que nosso centro é, na verdade, uma ponta enfiada no rio-lagoa-estuário Guaíba. O Marabá não tinha nenhum charme, não era frequentado por mulheres elegantes que deixavam rastros não de ódio, mas de perfume, atrás de si. Essas iam a outros lugares. Nenhuma surpresa nisto, pois o Marabá, fora construído para passar reprises e porcarias. Os filmes mais artísticos que lá vi foram as obras-primas kitsch de Jack Arnold: O Monstro da Lagoa Negra, O incrível homem que encolheu e — como esquecer dos gritos da mocinha? — A Revanche do Monstro. O enorme cinema ficava na rua Cel. Genuíno, 210, próximo à Av. José do Patrocínio. Só que, um dia, cansado de tanto passar filmes ruins, alguém de lá enlouqueceu e começou a passar somente grandes filmes em programas duplos. Eram apenas duas sessões — uma iniciava às 14h e outra às 20h — mas, meus amigos, que sessões! Um belo dia, estando eu na casa dos quinze anos, abri o jornal e li que o Marabá passava A Noite, de Antonioni, e Viridiana, de Buñuel, em seu programa duplo. Talvez a nova geração desconheça a expressão “programa duplo”. É o seguinte: semanalmente, eram apresentados dois filmes com um pequeno intervalo no meio para irmos ao banheiro e ao bar comprar balas, fumar, conversar, beber, namorar ou simplesmente esticar as pernas. Só que os programas duplos apresentavam normalmente filmes pornográficos ou de pancadaria. Nunca coisas daquele calibre.

Eu e um bando de loucos por cinema começamos a acorrer ao lúgubre Marabá. Aposentados e desocupados também pagavam o ingresso baratíssimo do cinema não muito limpo. Grupos de estudantes vinham ver e rever filmes enquanto matavam aulas. Minha sessão habitual era a das 14h. Formávamos uma peculiar fauna de jovens secundaristas, universitários, velhos e desempregados. Lembro de ter saído muitas vezes rapidamente de casa, batido a porta, lembro de pegar e pagar o ônibus, de parar nas imediações do centro e de correr como Catherine, Jules e Jim (ou Lola, para os mais jovens) em direção ao cinema. Comigo, chegavam outros esbaforidos. Trocávamos um cumprimento rápido e entrávamos. Comigo, muitas vezes veio Maria Cristina, minha primeira namorada. Quando víamos os filmes pela primeira vez, não protagonizávamos grandes cenas de amor nas poltronas desconfortáveis de encosto de madeira, deixávamos para fazer isto no corredor do edifício onde ela morava, na rua Santana. No máximo, trocávamos alguns beijos apaixonados no intervalo — afinal, estávamos ali pelo cinema. Porém, quando conseguíamos ir duas vezes na mesma semana, a segunda tarde era dedicada quase que inteiramente ao amor. Foi numa cadeira do Marabá — ou em duas, mais precisamente — que minhas mãos e boca tiveram seu primeiro contato com o seio feminino. Inesquecível. Não entrarei em detalhes sobre tudo o que fiz pela primeira vez no Marabá, mas não exagerem na imaginação, pois nossa primeira relação sexual, a minha e a dela, ocorreu numa noite, atrás do sofá da sala de sua casa… Voltemos ao cinema.

Depois vieram outros programas duplos. Houve Gritos e Sussurros (Bergman) e Amarcord (Fellini), Jules e Jim (Truffaut) e Ascensor para o Cadafalso (Malle), O Mensageiro (Losey) e Petúlia, um Demônio de Mulher (Lester), Janela Indiscreta e Um corpo que cai (ambos de Hitchcock), Cidadão Kane e A Marca da Maldade (ambos de Welles), Paixões que alucinam (Fuller) e O Sétimo Selo (Bergman), O Magnífico (de Broca) e A Malvada (All About Eve, de Mankewicz), West Side Story (Wise-Robbins) e O Criado (Losey), e, comprovando que a loucura tomara conta do programador, houve Andrei Rublev (Tarkovski) e Acossado (Godard), evento que deixou nossas bundas quadradas por longo tempo. Em 1975, após um programa duplo que apresentava Contos da Lua Vaga (Mizoguchi) e Morangos Silvestres (Bergman), comecei a ter aulas à tarde e a estudar para o exame vestibular. Planejava voltar ao Marabá quando entrasse na universidade, em 1976. Só que, neste ínterim, o Marabá morreu para virar garagem. Sim, após Dillinger está morto (Ferreri) fazer dupla com Um Caso de Amor ou O Drama da Funcionária dos Correios (Makavejev) começou a demolição. Ou seja, a glória do Marabá, um cinema de 1800 lugares fundado em 1947, foi sua agonia, a agonia de um querido dinossauro.

Não há mais cinemas de rua em Porto Alegre e também não há nenhuma cinemateca alucinada e radical como o Marabá. Quando as salas menores pareciam ter o poder de reabilitar para nós a gloriosa história do cinema, algo as trouxe para a isonômica mediocridade dos blockbusters. Resta-nos ver os filmes em nossa casa, às vezes na cama, podendo a sessão ser interrompida pelo telefone ou pela campainha da porta. Apesar das imagens perfeitas, não há o ritual de ir ao cinema, nem a sala escura onde somos ininterrompíveis, nem — perversão minha — o divino cheiro de mofo do Marabá, hoje substituído pela fuligem dos automóveis e pelos gritos dos manobristas.

A Cel. Genuíno hoje. Ela é a da direita.

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Bom dia, Argélico (com os melhores lances da coisa de domingo)

Bom dia, Argélico (com os melhores lances da coisa de domingo)
Tô com um problemão desta tamanho"
Tô com um problemão desta tamanho”

Eu estava mais a fim de escrever sobre a corrupção em nosso Brasil-sil-sil, mas vou escrever, com um dia de atraso, minha tradicional — para mim e meus sete leitores — crônica esportiva de segunda-feira. Vi boa parte da parte da partida contra o Vitória e vou te inocentar, Argélico. O plano era perfeito até o Ernando cometer aquele imperdoável erro individual. Sabemos, eu e tu, que somos um time apenas mais ou menos. Um time assim não é tolerante à falhas, ainda mais quando resultam em gol do adversário num início da partida. Como sempre, entramos fechadinhos, prontos para segurar o Vitória e especular em contra-ataques. Porém, quando o Vitória marcou, todo o plano foi por água abaixo e times ruins não têm Plano B.

O Sasha poderia ter colocado tudo novamente no lugar quando o goleiro do Vitória errou em bola deixando-o livre com o gol aberto, de costas para o mesmo. Só que Sasha não se deu conta de sua liberdade e apressou-se tentando uma puxeta que foi para fora. Se ele tivesse mas calma para analisar a situação…

Culpa tua, Argélico, são os erros de passes. Um time erra 30 passes por jogo, em média. No primeiro tempo contra o Vitória, erramos 26. Há que treinar e treinar. Treinar a direção do passe e facilitar o recebimento do mesmo. Com jogadores parados e marcados, mais passes saem errados. E a prova de que não nos movimentamos para receber as bolas é a lentidão na saída de trás. Êta, coisa arrastada!

Esperamos pelos reforços. Anselmo está com o terceiro amarelo e não joga sábado contra o América-MG. Tu podias pedir para a CBF deixá-lo assim para sempre, não? Talvez Dourado volte, o que seria maravilhoso. Sasha também não joga e é outra maravilha porque ele não tem feito muito na posição de centroavante. Acho até que o Aylon poderá ser um acréscimo. Quem fará falta mesmo é Paulão, pois Réver e Alan Costa são lamentáveis.

Agora, é tentar vencer o América e ver os resultados paralelos. O importante é ficar próximo dos líderes até a chegada dos reforços e de Valdívia. Nossos dois próximos jogos são no Beira-Rio contra times mineiros: sábado (11) contra o já citado América e quinta-feira (16) contra o Atlético. A propósito, tens notícias de Nico López? Ele virá?

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Banksy surpreende escola primária em Bristol com mural

Banksy surpreende escola primária em Bristol com mural

O artista pintou uma parede da Bridge Farm Primary School para agradecer à escola por ter dado o seu nome a um dos pavilhões.

Do Publico.pt

Banksy

Poderia ser apenas mais um regresso às aulas na Bridge Farm Primary School, em Bristol, Inglaterra, não fosse a parede frontal com uma imagem de uma menina a correr atrás de um pneu em chamas com um pau na mão. O mural, da autoria de Banksy, tem 4 metros e foi descoberto, esta segunda-feira, por um funcionário da escola.

A obra, que surpreendeu alunos, professores e funcionários, é uma forma de agradecimento do artista à escola por ter dado o seu nome a um dos pavilhões. Durante o período de férias, a escola tinha escrito uma carta à equipe de Banksy para informá-lo do concurso feito para nomear os edifícios da escola em homenagem a personalidades de Bristol.

Junto do mural foi encontrado, também, um bilhete deixado por Banksy com a seguinte mensagem: “Obrigado pela carta e por darem o meu nome a um dos edifícios. Por favor, aceitem esta imagem. Se não gostarem, sintam-se à vontade para acrescentar coisas – tenho a certeza que os professores não se vão importar.” O artista deixou, ainda, uma mensagem às crianças: “Lembrem-se, é sempre mais fácil conseguir o perdão do que a autorização.”

assinatura Banksy

O diretor da escola, Geoff Mason, disse ao Bristol Post que o trabalho deve ter sido realizado “durante o fim-de-semana e completado esta segunda-feira à noite, mas não há certezas.” Bansky aproveitou a interrupção letiva da escola para ir pintar na sua cidade natal.

A equipe de Banksy ligou à escola a confirmar a veracidade do trabalho do artista na Bridge Farm Primary School. A escola primária pensou, desde o primeiro momento, na segurança da obra. “Fizemos várias pedidos para garantir que ninguém a limparia da parede”, disse o diretor.

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Um obituário para Muhammad Ali

Um obituário para Muhammad Ali

Quem não viveu aquela época, dificilmente poderá imaginá-la. Era totalmente diferente. As lutas de boxe, principalmente a dos pesos pesados, eram acompanhadas mundialmente com extremo interesse. Todos as comentavam e davam palpites. Também o campeonato e o ranking mundial de xadrez interessava muito. Por exemplo, se o boxe tinha Muhammad Ali, George Foreman e Joe Frazier, o xadrez recebia manchetes e páginas inteiras comentando Bobby Fischer, Boris Spassky e Anatoly Karpov. Eram outros tempos, repito. Além disso, eram tempos em que havia desportistas brilhantes, cujas declarações mereciam ser ouvidas. E Ali era especialmente inteligente, desafiador e falador. Amava um microfone. Suas declarações estão até hoje sendo vistas e ouvidas no YouTube.

Ali e Malcolm X
Ali e Malcolm X

Dias antes do grande embate Ali x Foreman, o único professor negro que tive na vida — o excelente Serjão, de Física, que dava aulas no meu querido Colégio Estadual Júlio de Castilhos — estava nervoso. Sabia da importância daquela luta em âmbito mundial. E dizia para aquele grupo de brancos:

— Gente, vocês não imaginam o quanto é importante que Muhammad Ali / Cassius Clay vença. Foreman é negro, mas é um conformista meio burro. Ali é um de nossos principais representantes. Ele precisa ganhar a luta para readquirir o respeito perdido. Se derrubar Foreman, vai falar muito e isso é bom.

Em 30 de outubro de 1974, às 4h da madrugada em Kinshasa, Zaire (atual República Democrática do Congo) lutaram Muhammad Ali e George Foreman. O motivo do horário maluco era a transmissão de TV para o mundo inteiro. Foreman era o campeão após ter vencido Joe Frazier, mas Ali era o ex-campeão cujo título fora retirado por motivos políticos. Explico: em 1967, Ali foi proibido de lutar por três anos e meio, após se recusar a se alistar no Exército dos Estados Unidos, negando-se a participar da Guerra do Vietnã. Disse que nenhum vietnamita jamais o chamara de crioulo e perguntava: “Tenho algum inimigo no Vietnã? Não, meus inimigos estão aqui”.

Para deixar a coisa ainda mais quente, três anos antes Ali tinha sido derrotado injustamente por Frazier. A derrota fora por pontos, numa decisão muito contestada dos juízes. O próprio Ali apareceu no dia seguinte todo feliz e da cara boa, mostrando uma foto de Frazier cheio de hematomas, tirada horas antes. “Como eu posso ter perdido a luta se ele está indo para o hospital?”, perguntava. Frazier defendera o título mundial da categoria peso-pesado e o manteve. Ali caíra no 15º assalto. Ergueu-se rapidamente, meio atordoado aos olhos de milhões de pessoas pela televisão e de milhares no ginásio. A luta fora equilibradíssima, mas sua queda deve ter influenciado decisivamente em sua derrota, claro.

Já a luta de Kinshasa era uma disputa contra o novo campeão George Foreman — que pulverizara Frazier meses antes — contra Ali. O evento foi um dos primeiros realizados por Don King, que fez a luta no Zaire, pois o presidente ofereceu um generoso patrocínio para receber a luta.

Resumindo, Ali recuperara sua licença no mundo do boxe em 1970, tinha vencido duas lutas, mas, ao tentar recuperar o cinturão de peso pesado, perdera para o campeão Joe Frazier. Foreman tinha sido campeão nas Olimpiadas de 68 e rapidamente foi ganhando prestigio no mundo do boxe, pela sua enorme envergadura e poderosos socos. Mesmo assim, o campeão Frazier e seus empresários acharam que Foreman não seria páreo, pois ele seria muito lento. Isso se mostrou um grande erro: em apenas dois assaltos Frazier sofreu seis quedas até que a luta foi interrompida pelo juiz. Depois, Foreman também nocauteou Ken Norton, o único homem, além de Frazier, a fazer Ali cair.

Na famosa luta entre Ali e Foreman, Foreman entrou como franco favorito, por ser muito mais novo — na época tinha 25 anos, enquanto Ali tinha 32 –, por ser muito mais forte, pela sua até então invencibilidade e pela ferocidade com que vencera todos os seus adversários.

Ali criou uma estratégia incomum para vencê-lo. Como sabia que Foreman seria imbatível num combate aberto, Ali optou por cansá-lo ao máximo, pois seu adversário não estava acostumado a lutas longas, sempre nocauteando seus adversários nos primeiros assaltos.

Durante sete rounds, ou seja, por 21 minutos de luta, Ali ficou nas cordas, apenas recebendo os violentos socos de Foreman, assimilando-os e se esquivando como podia. Apanhava muito enquanto gritava: “É só isso?”, “Me disseram que você batia forte!” ou “Minha mãe me batia mais forte que você”.

Ali para Foreman: "Minha mãe me batia mais forte que você!".
Ali para Foreman: “Minha mãe me batia mais forte que você!”.

No oitavo round, houve uma súbita alteração. Ali tomou a iniciativa e seu oponente pareceu muito surpreso por ter ficado entre seu adversário e as cordas pela primeira vez naquela noite e talvez na vida. Já estava exausto e demonstrava no rosto certa estupefação, pois notara que só naquele momento começava a luta para Ali. O nocaute veio logo no primeiro contra-ataque. Foi algo fulminante. Foreman caiu e não levantou mais.

No dia seguinte, Serjão comemorou em aula. Aquilo fora muito mais do que uma simples luta, fora a vitória de um curioso lutador bonito e humanista, comprometido e brilhante em tudo o que fazia. Este homem faleceu no último sábado.

R.I.P., Muhammad Ali.

Foreman em direção ao chão.
Foreman em direção ao chão.

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Porque hoje é sábado, Caroline de Bendern

Porque hoje é sábado, Caroline de Bendern

A aristocrata Caroline de Bendern subiu nos ombros do amigo Jean-Jacques Lebel,

Caroline de Bendern_03pois seus pés doíam muito na longa caminhada de protesto naquele 13 de maio de 1968.

Caroline de Bendern_01Quando chegaram à praça Edmond Rostand, perto dos Jardins de Luxemburgo.

Caroline de Bendern_02eles foram vistos por aquele que iria imortalizar Caroline contra sua vontade.

Caroline de Bendern_04A foto, uma das mais famosas do século XX, foi feita por Jean Pierre Rey e acabou

Caroline de Bendern_05na capa da Paris Match e da Life.

Caroline de Bendern_06A bela inglesa carregava a bandeira vietnamita.

Caroline de Bendern_07Não usava a vermelha porque os comunistas tinham tentado sabotar o movimento.

Caroline de Bendern_08Também não usava a bandeira negra porque não sabia nada sobre o anarquismo.

Caroline de Bendern_09A bandeira vietnamita parecera-lhe o símbolo mais adequado

Caroline de Bendern_10de uma guerra que todos os jovens denunciaram.

Caroline de Bendern_11Mas seu avô viu a foto em revistas e a deserdou.

Caroline de Bendern_12Caroline de Bendern vive hoje na Normandia. Processou muitas vezes Pierre Rey,

Caroline de Bendern_13o homem que a tornou o maior ícone do maio de 68.

P.S. — Há muito mais fotos de Caroline, mas todas protegidas por direitos. Detestamos.

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Atenção Marcel van Hattem!

Atenção Marcel van Hattem!

Queremos as Creches Sem Partido…

Marcel Van Hattem (2)

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Bom dia, Argélico (com vídeo do resumo do jogo de ontem)

Bom dia, Argélico (com vídeo do resumo do jogo de ontem)

Apesar da boa partida realizada pelo Atlético-PR, teu time voltou a aplicar uma goleada de de 1 x 0, Argélico. O início do jogo foi todo do adversário e provocou calafrios na arquibancada: um chute de Walter Cheeseburger beijou a trave e, logo depois, Giovany perdeu gol feito após driblar William.

A coisa não estava muito fácil pro nosso lado, mas a sorte foi fiel. E o time começou a se ajeitar. Vitinho fez grande jogada e chutou para fora, Paulão não alcançou uma bola quase dentro do gol e então aconteceu o de sempre — ou quase sempre: na sequencia do lance, Vitinho fez o gol numa confusão dentro da área que teve origem em um escanteio bem batido por Andrigo.

Vitinho: nosso melhor jogador está na lista dos sete com dois cartões
Vitinho: nosso melhor jogador está na lista dos sete com dois cartões | Foto: Ricardo Duarte

Também como quase sempre, melhoramos no segundo tempo. Alex entrou muito bem no lugar do confuso Andrigo e o Atlético-PR foi obrigado a admitir que seria mais um time a não fazer gol em nós.

É a regra de 2016: somos chatos, dificilmente levamos gol e, se deixarem, fazemos. Mas cada jogo requer um esforço notável de marcação, tanto que já temos sete jogadores pendurados com dois cartões amarelos. E, bem, estamos recém na quinta rodada. Não sei onde vamos parar desse jeito, porém, hoje, somos líderes do campeonato com 5 gols marcados em 5 jogos e 1 contra. O aproveitamento são inacreditáveis 87% (4 vitórias e 1 empate).

Gostei de tua entrevista de ontem. Afora as frases feitas que repetes infinitamente, houve a admissão de que o time correu sério perigo, chegando a jogar pessimamente naquele início de jogo. Sim, porque a história poderia ter sido inversa, com nossa primeira derrota no Beira-Rio. Digo isto porque dificilmente marcaríamos dois gols num time que estaria fechado lá atrás. (É tranquilo admitir que só fizemos um bom segundo tempo porque o Atl-PR perdia e ia à frente, não?).

Ainda vamos praticamente completos para o próximo jogo em Salvador, contra o Vitória, domingo, às 16h. Creio que apenas Fabinho, com torção no tornozelo, te obrigará a uma substituição. Devemos começar a partida com o fraco Anselmo em seu lugar e sabe-se lá quantos cartões receberemos lá. Será um compromisso duríssimo e provavelmente começarão a aparecer os desfalques.

Nossa vida no Brasileiro vai depender, é claro, de como se saírem essas peças de reposição, de como forem os retornos de Valdívia, Dourado e Anderson, e de como ingressarem os novos contratados Seijas, Ariel e o esperadíssimo Nico López. Se suas atuações forem deficientes, melhor acender uma vela desejando que a gordura acumulada neste início não acabe em uma semana de spa das lesões e cartões. Se derem boa resposta, seremos candidatos a alguma coisa boa. Mas sempre no estilo Leicester: sem brilho, mas cumpridores.

Boa sorte!

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Instituto Liberal denuncia a física quântica como instrumento marxista

Instituto Liberal denuncia a física quântica como instrumento marxista

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A introdução ao artigo é do Jornal GGN:

No artigo “A complicação como método ideológico”, reproduzido integralmente abaixo (http://migre.me/tZaOm) o autor diz que “a Verdade está sempre associada à luz, ao desatar de nós e à contemplação imparcial”.

No entanto, “a marca histórica da esquerda é a falta de clareza. Claro, pois para justificar um sistema de crenças que não funciona, é esperado que as assertivas não pudessem ser facilmente analisadas ou refutadas, esperando-se do discípulo apenas a fé no que o mestre diz”.

O autor lista como “disciplinas típicas da esquerda” a Sociologia e a História. Para ele, a filosofia, como ciência, visou “implantar o socialista, associado à ideia marxista (…) (dizimando) os sistemas de crenças concorrentes”, como o Cristianismo e a ideia de Verdade.

Da Filosofia, o autor apontou seu dedo acusador para a Física.

Sobram bordoadas na física newtoniana, que “é, para quem quer confundir, excessivamente exata, matemática e previsível. São objetos em movimento no universo, seguindo leis já mapeadas”.

Mas a borduna se volta, mesmo é para a física quântica que, “através de extrapolações indevidas de descobertas de cientistas como Einstein, Heisenberg, Schrödinger, Planck e outros, ganhou a fama de ser o ramo científico onde “tudo pode”. Estar em dois lugares ao mesmo tempo, ser e não ser, teletransporte, telepatia, o mundo como um sonho, o nada que é tudo, enfim, uma espécie de “liberou geral” da ciência, contrário à física newtoniana, e que certamente não seria autorizado pelos físicos quânticos, os quais eram sérios”.

E aí, a grande constatação: Por que o interesse da esquerda na física quântica?

E explica: “Porque “harmoniza” com o uso de drogas, com a ideia de que o indivíduo é uma ilusão, criando uma justificativa racional para a irresponsabilidade e o ateísmo. Ambos os resultados bem úteis e “capitalizados” pelo movimento revolucionário”.

A Complicação como Método Ideológico

Por Lucas de Moura Lima

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Na Inglaterra, fracassa suicídio coletivo homeopático

Na Inglaterra, fracassa suicídio coletivo homeopático

Notícia antiga, mas plenamente válida em função do que ouvi anteontem no Tuim.

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Precisamente às 10:23 da manhã do último dia 30 de janeiro, mais de 400 céticos britânicos ingeriram quantidades maciças de remédios homeopáticos buscando uma “overdose” que, se a homeopatia funcionasse, deveria ter causado sérias consequências. Felizmente, como se queria demonstrar, todos saíram ilesos deste protesto público contra a venda de “remédios” homeopáticos que não possuem qualquer efeito comprovado além do placebo. Uma overdose de pílulas de açúcar não tem efeito maior do que uma bala. De doce, claro.

“Pensamos que não se deveria vender pílulas de açúcar a pessoas que estão doentes. A homeopatia nunca funciona melhor que um placebo. Os remédios são tão diluídos que não há nada neles”, declarou Michael Marshall, da Sociedade de Céticos de Merseyside. E nestas declarações, Marshall estava incrivelmente apenas repetindo as declarações de quem vende tais produtos e mesmo daqueles que os receitam. Explica-se.

Um dos principais alvos da campanha 10:23 foi a cadeia de farmácias “Boots”, que oferece produtos homeopáticos em suas prateleiras lado a lado com remédios que realmente possuem algum efeito. O mais impressionante é que há meses o principal responsável pela rede de farmácias, Paul Bennett, já havia admitido que os produtos são vendidos porque são populares, e não porque sejam efetivos no tratamento de qualquer doença.

“Não tenho nenhuma prova de que esses produtos funcionam. Trata-se da livre escolha do consumidor, e um grande número de nossos clientes crêem que são eficazes”, declarou ao Comitê de Ciência e Tecnologia à Câmara dos Comuns em Londres. A rede de farmácias parece feliz em respeitar a livre escolha de seus clientes quando isto significa lucrar vendendo produtos que não funcionam.

Em resposta ao protesto cético contra a venda de produtos inócuos a consumidores incautos, mesmo o Conselho de Homeopatas da Nova Zelândia já foi forçado a reconhecer que seus produtos não contêm “substâncias materiais”. A porta-voz do conselho, Mary Glaisyer, admitiu publicamente que “não resta nenhuma molécula da substância original”. É reconhecidamente apenas água ou açúcar. Vale repetir, como Bennett reconheceu, sem nenhum efeito comprovado.

Mesmo antes da demonstração cética, um episódio no início de dezembro de 2009 que poderia ser trágico terminou cômico quando a filha do músico Billy Joel, Alexa Ray Joel, tentou se suicidar tomando uma overdose de remédios. O detalhe é que as pílulas eram de “Traumeel”, um produto homeopático para tratar dor nas articulações. Alexa Ray Joel ligou para a emergência e foi rapidamente tratada, mas ainda que não o fosse “nada iria acontecer porque não há nada [no produto]”, disse o Dr. Lewis Nelson, toxicologista do Centro Médico da Universidade de Nova Iorque. Mal sabia ela que estava comprovando a ineficácia dos produtos homeopáticos.

A ausência de qualquer efeito, mesmo em “overdoses” como as ingeridas pelos céticos britânicos, pode soar mesmo benéfica para alguns, já que pelo efeito placebo muitos dizem sentir-se melhores. Tentativas de suicídio que terminam cômicas… que mal haveria na homeopatia? Isto é, além de sustentar uma indústria multimilionária feliz em cobrar altos valores por produtos sem qualquer eficácia real?

Resulta que há prejuízo social muito concreto, incluindo sofrimento e mortes desnecessárias nada engraçadas.

Como relata o jornalista Simon Singh, homeopatas podem oferecer aconselhamento de saúde claramente nocivo. Questionados sobre se pais deveriam imunizar seus filhos com a vacina tríplice, de 168 homeopatas consultados, 77 responderam mas apenas dois indicaram a vacinação. “É evidente que a enorme maioria dos homeopatas não encoraja a imunização”. Aconselhamentos infelizes como estes contribuíram para o ressurgimento de surtos de sarampo em vários países, incluindo o próprio Reino Unido, onde recentemente os casos passaram de dezenas para milhares.

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Vale notar que o surgimento destas milhares de crianças afligidas pela doença muito real e facilmente prevenível está relacionado também com um estudo de 1998 extremamente deficiente supostamente associando a vacina tríplice ao autismo. Andrew Wakefield, autor do trabalho original que espalhou medo e contribuiu para reduzir o número de crianças vacinadas, foi recentemente julgado pelo Conselho Geral de Medicina britânico como tendo agido de forma “desonesta e irresponsável”, com “notório desprezo” às crianças que foram sujeitos de sua pesquisa.

Seria cômico se não fosse trágico: não só seus resultados não puderam ser reproduzidos por ninguém, havendo indicações de que Wakefield os fraudou. Também se descobriu que o médico estava em verdade tentando patentear sua própria vacina tríplice alternativa, além de ser pago para depor em um julgamento defendendo a ligação da vacina tradicional ao autismo, com algumas das crianças em seu estudo sendo filhas dos mesmos pais envolvidos na ação judicial.

Tudo indica que o suposto médico contra as vacinas queria apenas vender suas próprias vacinas. A saúde pública, o bem-estar de milhões de crianças não foi sua principal preocupação, e como consequência, a taxa de imunização caiu e mais de mil doentes ao ano surgiram onde antes surgia apenas um punhado.

A vacina tríplice é segura e múltiplos estudos independentes da Polônia, Dinamarca, Finlândia, o próprio Reino Unidoe Japão provam que e não possui qualquer relação com o autismo – no Japão, a tríplice foi interrompida após 1993, sem qualquer feito sobre os índices de autismo.

Não muito diferentes de Wakefield, as farmácias que produzem e vendem produtos homeopáticos não são iniciativas corajosas contra as grandes indústrias farmacêuticas. Ao invés, a indústria homeopática está mais do que feliz em lucrar com aquilo que não possui efeito comprovado, e reconhecidamente não possui qualquer substância ativa. A medicina alternativa é em grande parte apenas uma forma alternativa de lucrar com doentes sem esperança.

O que só se torna mais revoltante nos casos em que tais doentes podem encontrar esperanças concretas de prevenção e cura na medicina “convencional”. Indo desde a vacinação, um dos mais poderosos recursos médicos a controlar e erradicar moléstias da paralisia infantil à varíola, até casos como o de Daniel Hauser, felizmente curado do câncer pela medicina, ou o de Gloria Sam, infelizmente morta através da homeopatia.

Nada cômico.

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Beleza e tristeza, de Yasunari Kawabata

Beleza e tristeza, de Yasunari Kawabata

Beleza e tristezaBeleza e tristeza (1964) conta a história de Oki Toshio, um escritor japonês que busca uma amante do passado, Otoko Ueno, agora uma artista plástica. O romance tem um plot absolutamente comum e um desenvolvimento surpreendente. Logo nas primeiras páginas, ficamos sabendo que, no passado, Oki tinha 31 anos e sua amante era uma adolescente de 16 anos. Ela engravidou, porém a criança não sobreviveu ao parto prematuro e ao sórdido hospital escolhido por Oki para esconder o caso. Depois disso, ele se mantivera fiel à esposa e agora, aos 55 anos, desejava rever a ex-amante, sobre a qual escrevera um livro bastante culpado, franco, apaixonado e constrangedor para todos, seu maior sucesso. O interessante do livro é que a reconciliação parece ser impossível e, desta forma, os protagonistas permanecem inertes em suas vidas. Ambos parecem ter desejo na reconciliação, mas Oki vai ficando com a esposa e Otoko com a amante, a bela Keiko. Mais ativos são os coadjuvantes, que criam grande tensão dramática. A ameaçadora personagem de Keiko é uma grande criação de Kawabata (1899-1972), Nobel de 1968. Ela tem por vezes comportamentos amorais e seus planos de vingança contra Oki são perturbadores. Kawabata narra tudo com absoluta serenidade. Não é seu melhor livro, mas é um excelente romance.

(Livro comprado na Ladeira Livros).

Yasunari Kawabata
Yasunari Kawabata

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Mario Benedetti, o Grande Despretensioso

Mario Benedetti, o Grande Despretensioso

Cuando éramos Niños

Cuando éramos niños
los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.

luego cuando muchachos
los viejos eran gente de cuarenta
un estanque era un océano
la muerte solamente
una palabra

ya cuando nos casamos
los ancianos estaban en los cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.

ahora veteranos
ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.

Mario Benedetti

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De como acabou boa parte da literatura soviética

De como acabou boa parte da literatura soviética

Não é tão comum eu e a Elena conversarmos sobre literatura, mas às vezes o assunto surge. Creio que a coisa deverá se acentuar quando ela ler Machado de Assis… Porém, ontem, o assunto era de como a literatura russa caiu de qualidade no período pós-revolucionário. A explicação é bem simples e terrível, como vocês poderão conferir após a montagem fotográfica abaixo. Conheço apenas Babel. Fiquei muito curioso para conhecer a obras de Kharms, muito elogiado por Elena. Ainda bem que pouparam Bulgákov.

Babel
Meyerhold, Babel, Mandelstam, Mikhoels e Kharms

Em 1940, depois de torturar Vsevolod Emilevitch Meyerhold, quebraram-lhe todos os dedos e o afogaram na privada coletiva — do tipo daquelas antigas “casinhas”. Foi anunciada uma morte por fuzilamento em razão de atividades contra-revolucionárias. Na verdade, Meyerhold foi heróico. Ele se negara a assinar um documento que onde garantia a participação dele mesmo, mais Erenburg, Leonov, Pasternak, Katayev, Eisenstein e Shostakovich, numa conspiração trotskista. Nenhum dos citados foi preso. Meyerhold só assinou que ele mesmo tinha participado da tal conspiração, o que contrariou a NKDV (Comissariado do povo para assuntos internos, Ministério do Interior da URSS).

Isaac Babel não foi fuzilado por atividades contra-revolucionárias, como diz a história. Durante uma transferência de presos, feita durante o inverno e a pé de uma cidade para outra, ele caiu de fraqueza. Foi deixado para morrer na estrada. Parece que foi enterrado em vala comum por um amigo. O grande escritor morreu na neve, na floresta, também em 1940.

Osip Mandelstam morreu em 1938 no Gulag. Após escrever um poema anti-stalinista chamado Epigrama de Stálin, ele foi preso em 1934. Seu corpo passou boa parte do inverno empilhado com outros mortos e na primavera foi enterrado em um desses inomináveis túmulos coletivos.

Solomon Mikhoels foi morto em 1948 sob ordens pessoais de Stálin. A polícia foi até sua datcha e o matou. Seu corpo foi jogado na rua para dar forma à versão de que  fora “atropelado por um carro”.

Daniil Kharms morreu de fome na ala psiquiátrica do hospital prisão em fevereiro de 1942. Não tinha nada de louco.

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Bom dia, Argélico (com os principais lances de Santos 0 x 1 Inter)

Bom dia, Argélico (com os principais lances de Santos 0 x 1 Inter)

Como disse meu amigo Bruno Zortea: “G-4 com Grêmio, Santa Cruz e Corinthians me cheira à Série B”. Pois é, o Brasileiro está estranho pacas. Acho que jamais tivemos a dupla Gre-Nal na ponta, mesmo considerando que só se passaram quatro rodadas, o que é pouco, mas é mais de 10% das 38 rodadas. A forma correta de se disputar um campeonato de pontos corridos é a de não se afastar jamais dos líderes. Campeonato de recuperação é raríssimo de ser obtido, é mais conversa para times que estão lá atrás. Então estamos ambos, Inter e Grêmio, muito bem.

(Se não fosse tu teres pedido pro Paulão bater aquele pênalti, seríamos líderes isolados com aproveitamento de 100%, Argélico).

Fabinho, o melhor em campo ontem
Fabinho, o melhor em campo ontem

Ontem, o Inter fez sua melhor atuação de 2016. A outra foi o Gre-Nal do queixo caído. Não chega a ser surpreendente o fato de terem sido dois jogos fora de casa: o Inter defende-se muito bem e, jogando fora do Beira-Rio tem fartos espaços para contra-ataques. O problema é jogar contra times fechados. Mas não pensem que desenvolvemos ontem um futebol maravilhoso. Como tem sido, atuamos dentro de nossa pobreza ofensiva e de nosso errático toque de bola. A partida teve momentos horrorosos, varzeanos mesmo. Porém, o Santos levava pouco perigo e começamos a ficar animados. Na verdade, teu grande mérito, Argélico, é o de jamais deixar o time perder a compostura emocional. Fora de casa, o Inter joga tão mal quanto joga no Beira-Rio, mas sem nunca perder-se.

Ontem, finalmente entraste com dois volantes. Finalmente! E viste como o mundo não caiu.  Comemorei a ausência de Anselmo para a entrada de Ferrareis. Não que este seja alguma Brastemp, é que o time fica com mais opções ofensivas com ele em campo. Destaques mesmo foram as atuações de Fabinho e Danilo Fernandes. O volante foi o maior “ladrão de bolas” do jogo e ainda armou bons contra-ataques. Já Danilo não sente o peso da responsabilidade de substituir Alisson. É um cara frio e competente. Nos momentos mais oportunos, lá estava ele para salvar nossa meta e garantir a vitória.

Não creio que a dupla Gre-Nal mantenha algum favoritismo para o resto do Brasileiro. São times chatos, com bom sistemas defensivos e só. O Grêmio tem mais ataque. Só que o bom ambiente e a tranquilidade da liderança gera monstros. De repente, alguém acerta a peça ofensiva e teremos um osso duríssimo pela frente.

As próximas partidas do Inter são contra times fracos. Isto é, são contra times que jogam fechados e teremos que rebolar para marcar gols. Então são jogos terríveis, falsas barbadas (remember Chapecoense). Vejam o levantamento realizado por meu colega Luís Eduardo Gomes de nossos próximos 7 compromissos: Atlético-PR (c), Vitória (f), América-MG (c), Atlético -MG (c), Figueirense (f), Coritiba (f) e Botafogo (c).

Argélico, este jogos decidirão quem será o Inter deste Brasileiro de 2016. Ou permanecemos no topo ou nos despedimos de quaisquer pretensões. Há que ser implacável contra os fracotes.

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Anotações sobre censura. Ou autocensura

Anotações sobre censura. Ou autocensura

Isto é mera anotação, então, para efeito de organização, vou dividir o texto em três partes: a dos grandes jornais, presentes na mídia impressa e na eletrônica; a das mídias nanicas ou alternativas, muito mais presentes na mídia eletrônica do que na impressa; e a liberdade de expressão artística. Só pitacos.

censuraA censura no Brasil acabou oficialmente no dia 3 de agosto de 1988, quando foi votada a Constituição Brasileira ainda em vigor, porém, dificilmente alguém poderá falar em plena liberdade de expressão, seja ela impressa ou eletrônica.

Falemos um pouco sobre a liberdade de expressão dentro da mídia tradicional. Boa parte do trabalho da grande imprensa é o de acomodar interesses, próprios e de anunciantes. As famílias Marinho, Civita, Mesquita, Frias, Abravanel, Sirotsky, Sarney e outras têm suas visões particulares estampadas em suas publicações. O jornalista que trabalha nestes órgãos necessita ter cuidado para não elogiar políticos ou políticas de esquerda, nem atacar anunciantes.

Os anunciantes. Dificilmente um grande anunciante do jornal será criticado. Ele sustenta o jornal e quem paga a festa escolhe a música. Então, a loja ou o fabricante que tem anúncios de página inteira dificilmente será criticado por alguma ação, postura ou fato que o envolva. Mas há mais. Às vezes, os próprios grupos de comunicação têm outras empresas associadas, tais como construtoras, vinícolas e outras. E o jornal protegerá os produtos de seus afilhados, obviamente.

E há algumas coisas que acho duvidosas, apesar de permitidas.

Um grande jornal de Porto Alegre começou a veicular “gratuitamente” uma série de anúncios de uma determinada loja sob a condição de que tivesse participação nos lucros. É claro que os concorrentes desta loja reagiram, pagando anúncios… no mesmo jornal. E o jornal passou a ganhar dos dois lados. Eles chamam isto de “abrir mercado”. Não é proibido fazê-lo, mas talvez não seja uma interferência lá muito ética.

Para deixar a vida da grande imprensa mais confortável, o grosso das verbas publicitárias federais – mesmo durante os governos do PT – continuaram em seu caminho para os grandes grupos, que apenas não cresceram durante este período em razão do surgimento da internet.

E estes oligopólios existem incrivelmente à margem de uma Constituição que não regulamenta a atuação da mídia. A Constituição diz, vagamente, que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio” (parágrafo 5º do artigo 220), porém apenas uns poucos grupos privados controlam os meios de comunicação através de “redes” de afiliadas cuja “formação” não obedece a qualquer regulação. Só a RBS tem doze emissoras de tevê no RS. Tinha mais nove em SC. E apresenta boa parte da programação da Globo.

Evidentemente, a concentração dos meios de comunicação resulta em pouca pluralidade de informação. Para piorar, assim concentrada, a informação vem de uma elite econômica que não costuma ter horizontes muito longínquos de si.

Já a mídia alternativa caracteriza-se principalmente por sua pobreza. Ela não tem TVs ou rádios e poucas são impressas. Usam a internet, onde também os grandes grupos trabalham. Os anunciantes não lhe dão muita importância. As próprias agências de propaganda dizem que a diferença do discurso dela em relação à grande mídia é assustadora para seus clientes. O jornal onde trabalho tem 100 mil seguidores no facebook e 1,5 milhão de acessos mensais. Não é pouca coisa e não houve mês em que não tenhamos crescido. Mesmo assim, poucos anunciantes se arriscam.

Como são empresas sem muito capital, tudo o que não desejam são processos na Justiça. Mesmo que os ganhem, o custo dos advogados podem ser fatais para seus modestos fluxos de caixa. Esta é a forma de intimidação que sofrem.

Imaginem que já vi processos movidos por brigadianos cujos rostos apareceram em matérias de jornal. Eles estavam fardados, trabalhando, mas disseram que suas imagens foram utilizadas e prejudicadas. Já ouvi alguns autores de ações deste tipo serem questionados por juízes. E fica claro que quem sugeriu o processo a eles foram seus superiores.

O próprio ministro do STF, Gilmar Mendes, processou por danos morais Guilherme Boulos, coordenador do MTST, por um artigo que este escreveu criticando a atuação do magistrado. Gilmar pedia R$ 100 mil. Perdeu a ação, mas poderia ter ganho. E Boulos deve ter gastado o que não tem com advogados.

Já eu fui processado pela atual vereadora Mônica Leal. Não vou entrar em detalhes, mas perdi. Paguei 11 mil. Adivinhem se sigo criticando e rindo de Mônica. É óbvio que não.

Depois disso me senti como ela queria: intimidado. Não tenho 11 mil para distribuir a cada texto que publico. Muita gente sentiu peninha e até pensei em pagar por vaquinha virtual (crowdfunding ou financiamento coletivo). Mas não tive cara de pau suficiente. Paguei do meu mesmo. Ou seja, aqui a falta de liberdade de expressão é estabelecida pela intimidação.

E creio que outro gênero de pressão é feita sobre os artistas. Se um escritor combativo escrever contra um prefeito ou governador, poderá perder rendimentos. É que hoje uma das principais fontes de renda de escritores e músicos são os festivais e feiras. Os autores passaram a viver de suas participações em eventos. Não há mal nenhum nisso. Porém, quando um deles se posiciona, acaba por decepcionar 50% e fecha mercado para si mesmo.

Se você, por exemplo, for convidado por uma Secretaria de Cultura do PSDB e se declarar eleitor do PSOL, deixará de ser convidado. Então, atualmente, boa parte dos autores brasileiros são chapa branca, isto é, agradam a quem estiver no poder. A maioria demitiu-se da nobre posição histórica de serem uma espécie de consciência de suas sociedades. Eles não opinam e, obviamente, não influenciam suas sociedades. Vários deles são especialistas em aderir ao novo Secretário de Cultura. Claro que, se conseguem uma boa relação com PT, PMDB e PP, significa que nunca fizeram comentários políticos públicos, ou seja, sempre praticaram a autocensura.

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