Cris Kirchner, a MILF preferida da redação

MILF é uma sigla criada sabe-se lá onde que significa “Mom I’d Like To Fuck” (“Mãe que eu gostaria de foder”), e refere-se, obviamente, ao sexo com mulheres de idade suficiente para serem mães de seus parceiros. O pessoal aqui na redação é jovem e tem certa admiração pela viúva e presidente argentina Cristina Kirchner, 59. Principalmente pela viúva.

Hoje pela manhã, vi a jornalista Miriam Leitão, non-MILF, se rasgando de ódio pela nacionalização da petrolífera YPF. Era engraçado, muito engraçado e eu ri, pois até parecia que ela tinha alguma participação societária no Clarín, tal o ódio e ironia que destilava. Alguns jornalistas are overacting — desculpem, não me ocorreu nada melhor — seus patrões. Era por demais engraçado e agora, quando fui tomar café, lembrei da jornalista se rasgando. A forma escolhida por Miriam foi a de desqualificar Cris K dizendo que ela era dominada por seu filho “preferido” Maximo, 34, que trouxe para o governo  uma equipe de economistas ligada ao vice-ministro da economia, Axel Kicillof, 40. Seriam  um bando de malucos perigosos, ladrões e estatizantes, reunidos sob o nome de “La Campora”.

Olha, estou neste mundo há 54 anos e passei boa parte deles estudando as mulheres com relativo insucesso. Acho que posso dizer, assim de longe, que Cris é uma mulher que ouve, mas faz o que acha melhor, sem deixar-se dominar por ninguém, nem pelos os rapazes da redação, que são homenageados a seguir:

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Günter Grass arranja uma briga ao acusar Israel de ameaçar a paz mundial

Günter Grass pode ser há anos um ótimo escritor decadente, mas suas opiniões são muito ouvidas num país onde os autores são discutidos na TV e ainda têm certa influência. Grass volta a ser comentadíssimo aos 84 anos em razão do poema que fez publicar na semana passada e que reproduzo abaixo. Acho que a Europa está muito atrasada na terapia da enorme culpa em relação ao Holocausto ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. O tratamento não visa negar o que houve — foi uma tragédia real que envergonha a humanidade –, mas elaborar alguma coisa, pois convenhamos: já deveríamos ter enchido o saco e virado a página, ainda mais quando vemos Israel até hoje exibir-se como vítima no Ocidente, com seu governo sentindo-se justificado para fazer o que bem entende com os palestinos, além de distribuir ameaças aos vizinhos. E, claro, tudo isso serve para acirrar a simplicidade fundamentalista de ambos os lados.

A obviedade bem escrita por Grass foi a seguinte: ele sugeriu que o país era tão perigoso quanto o Irã, jogando indesejável luz sobre o programa nuclear de Israel. Aproveitou para criticar a hipocrisia do Ocidente e classificou o Estado judeu como uma ameaça para a “já frágil paz mundial” em meio a postura beligerante do país contra o Irã. O texto virou motivo de polêmica tanto em Tel Aviv, quanto em Berlim.

Claro, o poema toca num ponto sensível. Afinal o Prêmio Nobel ousou fazer a comparação proibida. Comparou moralmente o impecável estado de Israel ao horrível Irã. As respostas foram as de praxe: (1) primeiro Israel declarou Grass como persona non grata, etc. e (2) tentou tirar-lhe qualquer autoridade moral. Afinal, ele — em louvável acesso de fraqueza — admitiu em sua autobiografia de 2006 que fora convocado aos 17 anos (1945), nos meses finais da Segunda Guerra Mundial, para a organização paramilitar nazista Waffen-SS. Foi logo ferido e libertado no final da Guerra. O restante da biografia do autor de O Tambor e Anestesia Local, desde 1945 até hoje, parece que pode ser  esquecido. Ah, houve uma terceira resposta: no domingo, o ministro do Interior israelense, Eli Yishai, anunciou que Grass seria impedido de entrar em Israel, citando uma lei israelense que permite evitar a entrada de ex-nazistas… Porém Yishai deixou claro que a decisão era relacionada mais com o poema do que com as possíveis ações do Grass adolescente de 70 anos atrás.

O poema foi publicado nos jornais “Süddeutsche Zeitung”, “La Repubblica” e “El País”. Em O que deve ser dito”, Grass pede que a Alemanha suspenda a venda de submarinos ao governo israelense e alerta para o perigo de um ataque contra o Irã. “Por que eu só digo agora que o poder nuclear de Israel ameaça a paz mundial? Porque isto deve ser dito já que amanhã pode ser tarde demais e também porque nós — suficientemente incriminados como alemães — podemos ser agora cúmplices de um crime sem precedentes”, acrescentou Grass, afirmando que o Holocausto não deve ser usado como desculpa para se calar diante da capacidade nuclear de Israel, aparentemente o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares — suspeita que o governo nem confirma nem nega.

Angela Merkel minimizou a polêmica dizendo que, na Alemanha, os artistas têm liberdade de expressão.

.oOo.

O que Deve Ser Dito*, de Günter Grass

*Tradução livre feita pela Folha de São Paulo da versão em espanhol do poema publicado no El País. Escrito originalmente em alemão e publicado pelo diário “Süddeutsche Zeitung”.

Porque me calo há tanto tempo
Sobre o que é evidente e se empregava
Em jogos de guerra em que no fim, sobreviventes,
terminamos como notas de pé de página.

É o suposto direito a um ataque preventivo
Que poderia exterminar o povo iraniano,
Subjugado e levado a um júbilo orquestrado por um fanfarrão,
Porque em sua jurisdição suspeita-se da fabricação de uma bomba atômica.

Mas, por que me proíbo de dizer o nome
desse outro país em que há anos ainda que secretamente
Dispõe-se de um crescente potencial nuclear
Fora de controle, já que é inacessível a toda inspeção?

O silêncio generalizado sobre esse fato,
Ao qual o meu próprio silêncio se submeteu,
Me soa como uma grave mentira
e uma coação que ameaça castigar quando não se respeita;

“antissemitismo” é o nome da condenação.

Agora, no entanto, porque o meu país foi
Atingido e chamado às falas uma e outra vez
Por crimes muito particulares
Incomparáveis
rotineiramente,

Mesmo que depois qualificada como reparação,
Vai entregar a Israel outro submarino cuja especialidade
É dirigir ogivas aniquiladoras
Em direção aonde não se comprovou a existência de uma única bomba,
Embora se queira apresentar como prova o medo

Digo o que deve ser dito

Por que me calei até agora?
Porque achava que minha origem,
Marcada por um estigma indelével, me proibia de atribuir esse fato, como é evidente,
Ao país chamado Israel, ao qual estou unido e quero continuar estando.

Por que só agora digo, envelhecido e com minha última tinta: Israel, potência nuclear, coloca em perigo uma paz mundial já por si mesma alquebrada?

Porque é preciso dizer o que amanhã poderia ser tarde demais,

E porque incriminados o bastante por ser alemães poderíamos ser cúmplices

De um crime que é previsível,
tornando nossa parcela de culpa impossível de ser extinta com as desculpas de sempre

Admito: não continuo calado
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente;
cabe esperar ainda que muitos se liberem do silêncio,
exijam ao causador desse perigo visível que renuncie ao uso da força e insistam também em que os governos de ambos países

Permitam o controle permanente e sem barreiras por uma instância internacional do potencial nuclear israelense e das instalações nucleares iranianas.

Só assim poderemos ajudar a todos israelenses e palestinos e sobretudo a todos os seres humanos que nessa região tomada pela demência vivem como inimigos lado a lado, odiando-se mutuamente, e, definitivamente, ajudar-nos também.

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Olivio e a maquete

Abaixo, a bela foto que Caio de Santi publicou em seu Facebook. Talvez apenas compreensível para gaúchos, ela mostra o ex-governador e conselheiro do Internacional Olivio Dutra levando uma das maquetes do futuro Beira-Rio após o evento de assinatura do contrato com a Andrade Gutierrez. Quem conhece Olivio pessoalmente não fica indiferente a sua simpatia e simplicidade.

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O banco público não tem nada que reformar o Beira-Rio

Nunca me ufanei da Copa do Mundo no Beira-Rio e muito menos de quaisquer acordos com empreiteiras. Mas não sou daqueles que acham uma bobagem a Copa no Brasil. Reconheço a importância do campeonato, o quanto ele mobiliza o planeta e que o país respira futebol semanalmente. Reconheço também que a Copa deixa estádios e obras a quem souber fazer um bom planejamento e há que reconhecer — neste festival de reconhecimentos… — que seria muito mais lógico que a Copa, em Porto Alegre, fosse jogada na Arena do Grêmio, que estará nova e pronta em 2014.

O péssimo acordo do tricolor para construir seu novo estádio inclui o importante fato de ter sido um negócio que envolveu pouco ou nenhum dinheiro público. O negócio foi realizado, basicamente, entre OAS e Grêmio. Já a reforma do Beira-Rio está requerendo parceiras com órgãos públicos. Parcerias? Não, exatamente. Talvez a palavra melhor fosse mecenato público. A Andrade Gutierrez ou não tem o dinheiro (modo piada) ou não quer arriscar-se (modo realismo). Desta forma, passaria o risco para alguma estatal: primeiro houve as tentativas que não deram certo com as Fundações (fundos de pensão) Corsan e CEEE e agora o desejo é pegar dinheiro do Banrisul. Tudo bem, é função do banco emprestar dinheiro, só que a AG não deseja deixar nenhuma garantia. Quer só o dinheiro, como se fosse uma obrigação do banco para com o povo gaúcho… Sua estratégia é a de criar uma crise até que o dinheiro surja de algum banco público.

(Em 2010 a receita operacional bruta da AG foi de 18 BILHÕES DE REAIS e seu patrimonio líquido era de 8 BILHÕES DE REAIS. Ainda em seu relatório referente ao ano de 2010 podemos ver que, naquele momento, a AG possuia contratos de obras no equivalente a 22 BILHÕES DE REAIS. Sendo assim, a empresa não conseguiria oferecer garantias para 0,3 bilhão?).

Ora, se eu vou falar com um banco para pedir dinheiro, sei que o banco fará uma devassa em minha vida à procura de garantias. Então, acho que a posição do Banrisul de negar dinheiro à AG é muito digna e correta. Demonstra apenas que a instituição está sendo gerida com isonomia e seriedade. O fato do Corinthians estar praticamente ganhando um estádio novo não justifica a importação da corrupção e sim uma auditoria lá.

O que não entendo é porque se fala tão pouco em Vitório Píffero. O homem pôs abaixo 1/4 da arquibancada inferior do Beira-Rio, tornando-o uma espécie bem feia de Coliseu Colorado, acreditando que faria toda a reforma de quase R$ 300 milhões através da venda de camarotes… Agora estamos a 250 dias vendo a maravilha abaixo.

Foto: Anderson Vaz

A grana da venda dos Eucaliptos ainda existe? Ela paga a recolocação das arquibancadas derrubadas? Os conselheiros do clube respondem sim a ambas as perguntas, então façamos rapidamente isso e deixemos a Copa para a Arena. Já tivemos a Copa de 1950 nos Eucaliptos e nem por isso o Grêmio morreu.

.o0o.

Final: Por que não haveria um Copa aqui? É diversão? Sim. É lazer? Sim. Porém, ir para a praia também é e os gaúchos passam os meses de verão reclamando e pedindo das estradas… Eu vou pouco para a praia e acho um gasto inútil… Ou seja, é impossível atender a todos.

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Coisas várias (post antigo que estava no "lixo" de meu blog, sei lá por que — de que data será?)

A meu pedido, o Idelber indicou uma série de livros argentinos que considerasse ótimos. Acho que ele já tinha feito isto em seu blog, mas não encontrei onde, ainda mais estando em viagem e evitando o excesso de internet. Então pedi a ele e fui atendido com a simpatia e presteza de sempre. A lista é a seguinte e a divulgo a pedido da Viva e de outros que não lembro.

Museo de la novela de eterna, de Macedonio Fernandez.
El director, de Gustavo Ferreyra.
El pasado, de Alan Pauls.
La ciudad ausente, de Ricardo Piglia.
– Qualquer uma das curtinhas do César Aira.
El desperdício, de Matilde Sánchez
Cosas de negros, de Washington Cucurto.
Museo de la revolución, de Martín Kohan (esta você vai adorar)
Yo nunca te prometí la eternidad, de Tununa Mercado.
– Se encontrar algo de Gombrowicz, compre.
– Se não conhece Roberto Arlt, compre logo as obras completas.

Ricardo Piglia, Roberto Artl e Gombrowicz eu já conhecia e gostava. Gombrowicz foi um escritor polonês que, se não me engano, foi pego pela Segunda Guerra Mundial durante uma viagem a Buenos Aires. Ficou por lá. Os hermanos tiveram sorte; enquanto recebíamos o xaroposo Zweig, os argentinos ganhavam de presente um tremendo escritor. Artl e Piglia são meus velhos conhecidos. Li-os sempre em traduções. São excelentes mas não tinha vontade de relê-los em espanhol.

Não procurei enlouquecidamente e acabei não encontrando os livros de Macedonio Fernandez, Gustavo Ferreyra e Matilde Sánchez. Não simpatizei com El Pasado, do qual li algumas partes — posso estar errado. Mas fiquei horas escolhendo uma das curtinhas de César Aira – escolhi El Pequeño Monje Budista – , comprei sem hesitação Cosas de negros, Museo de la revolución e Yo nunca te prometí la eternidad. Tenho absoluta certeza que adorarei os livros de Kohan e de Tununa Mercado.

Comprei muitos outros. Duas traduções: Montauk, do meu queridíssimo suíço Max Frisch, um dos autores de que mais gosto e dois pequenos volumes de Raymond Carver, o extraordinário escritor americano que possui apenas dois grandes admiradores no Brasil: eu e Branco Leone. Destaco também o best seller argentino Historias de diván, do psiquiatra Gabriel Rolón, que comprei por pura curiosidade, e Teoría del desamparo, um policial premiado na Argentina, de Orlando Van Bredam. Os outros foram livros sobre música e artes plásticas.

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O argentino Reinaldo Waveqche, 24, casou-se em Santa Fé com Adelia Volpes, de 82. Ele confessou gostar de “mulheres mais velhas” e garantiu não ter interesse financeiro, até porque Adélia já tinha lhe doado todas as suas posses. A lua-de-mel será no Rio de Janeiro. Os 58 anos de diferença não serão problema, declarou.

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Enquanto a Veja descobre que Che Guevara não tomava muitos banhos e por isso fedia, a governadora Yeda Crusius ataca de aumento de impostos. Em sua mira, alguns produtos pouco fundamentais como luz, combustíveis e… cerveja. É claro que ela aumentaria impostos de itens sem os quais não podemos viver, até porque isso garantiria a renda que seu governo não consegue receber de outro modo. Mas o que me surpreende é saber que o déficit poderia ser zerado através de medidas moralizadoras ou de fiscalização que diminuíssem a crescente sonegação. Por que só o governo federal cuida bem de seus cofres? (Tive uma pequena empresa e sei que simplesmente não posso sonegar impostos federais nem que queira.) Por que Yedinha, que faz uma administração repugnante e é naturalmente limitada – mas que conhece o caminho da fiscalização -, não nos ataca pelo outro lado? Por que a luz, os combustíveis e a cerveja e não fiscalização? Ora, Milton, porque é mais fácil; além disso, a moralidade e a isonomia é uma das últimas prioridades de Yeda.

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A hora do espanto

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Foto inédita mostra Dilma em interrogatório em 1970

Deu na revista Época. A foto diz muito, nossa! Será que saiu daqueles arquivos que (dizem que) não mais existem? Ela tinha 22 anos. Após 22 dias de prisão, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro.

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Muito melhor ser romeno

Colocado no Facebook pelo Flavio Prada. Aliás, saudades dele e de Riva! Até dos filhos dele sinto saudades, mesmo que eles tenham colocado um saco de risadas todo enrolado dentro da minha fronha!

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Civilidade (a respeito do câncer de Lula)

De Ricardo Ramos Filho, no Facebook:

Tenho lido com muito incômodo algumas manifestações sobre a saúde do ex-presidente Lula. Gente que sugere que se trate pelo SUS. Aqueles que me conhecem sabem que não votei nele e que sou muito crítico às suas posições, mas embrulha-me o estômago perceber todo esse ódio. Política para mim é debate de ideias e nunca desejo de morte. Por trás dessas manifestações existe um comportamento mau, insensível e pouco ético. Como seres humanos, eu e ele, torço para que se recupere bem.

Ricardo Ramos Filho é neto de Graciliano. Não surpreende, né?

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O importante é o conteúdo

A ocupação de Wall Street é um movimento sem líderes, feito por jovens indignados com a situação econômica, a Guerra no Afeganistão, as questões ambientais, os EUA, o mundo e a vida  em geral. A ocupação foi inspirado pela primavera árabe. E, bem, há ativistas cultas que mereceriam um Porque Hoje é Sábado, não? Também sou goethiano como Mann.

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Porque hoje é sábado, Camila Vallejo

EMBALAGEM E CONTEÚDO. Camila Antonia Amaranta Vallejo Dowling ou simplesmente Camila Vallejo (Santiago, 28 de abril de 1988) é uma estudante de geografía e dirigente estudantil chilena. Militante da Juventude Comunista do Chile, é a atual presidente da Federação de Estudantes da Universidad do Chile (FECh), sendo a segunda mulher a ocupar o cargo.

Quando eu digo que as mulheres de esquerda são mais inteligentes, bonitas, decididas, tesudas e que, fundamentalmente, trepam melhor, bem, eu não estou sendo folclórico.

Me gustan los estudiantes

que marchan sobre la ruina.

Con las banderas en alto

va toda la estudiantina:

son químicos y doctores,

cirujanos y dentistas.

Caramba y zamba la cosa

¡vivan los especialistas!

Me gustan los estudiantes

que van al laboratorio,

descubren lo que se esconde

adentro del confesorio.

Ya tienen un gran carrito

que llegó hasta el Purgatorio

Caramba y zamba la cosa

¡los libros explicatorios!

Me gustan los estudiantes

que con muy clara elocuencia

a la bolsa negra sacra

le bajó las indulgencias.

Porque, ¿hasta cuándo nos dura, señores, la penitencia?

Trecho da letra de Me Gustan Los Estudiantes, de Violeta Parra.

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Pobre do homem que perde dois filhos numa só semana

Ele perdeu a paternidade do menino e do real numa só semana. Olha, pobre FHC. Espero que lhe deem mais uns títulos acadêmicos para que não morra de desgosto.

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Ministra Gleisi Hoffmann propõe negócio a Lauro Jardim, colunista de Veja

O nome Lauro Jardim, de um colunista de Veja, já me soava meio RIDICOLO por lembranças de um passado nigérrimo e punguista não exatamente relacionado a ele. Agora, o colunista consegue novamente unir nome e ações. Numa notinha irresponsável, saiu acusando Gleisi Hoffmann de manobras paloccianas. Em referência ao enriquecimento de políticos — fato que obviamente não aprovo — ele escreveu:

Gleisi Hoffmann não é a única política a proceder dessa maneira, pois a lei permite que se aja assim, mas nunca será perda de tempo lançar holofotes sobre a prática: o apartamento de 412 metros quadrados que Gleisi possui num bairro nobre de Curitiba vale 245 mil reais, de acordo com a declaração de bens feita por ela ao TSE no ano passado. O valor real, no entanto, é quase o quádruplo disso. De acordo com um corretor que vende um apartamento no mesmo prédio, um imóvel sai ali por 900 mil reais.

O que Laurinho não contava era com uma pronta resposta de nossa ministra sex-symbol em nota oficial. Claro, uma resposta de alguém é uma grande surpresa neste governo que parece ter imensa vontade de ser simpático com o PIG.

Sr. Lauro Jardim
Editor da Coluna Radar
Revista Veja

O apartamento que possuo em Curitiba tem menos de 190 metros quadrados de tamanho e não 412 metros, como afirma nota divulgada hoje, 25, no Radar on-line. Há outros erros na nota. A saber: diferentemente do que informa Lauro Jardim, a lei não permite, mas DETERMINA que o valor declarado ao Imposto de Renda seja o de compra. Assim, o apartamento, que adquiri em 2003, tem sido declarado pelo valor de compra desde a declaração de 2004. Sobre o valor de R$ 900 mil, citado na nota: é claro que meu apartamento valorizou-se nestes oito anos após a compra, mas, se Lauro Jardim ou o corretor que, diz ele, avaliou o imóvel, desejarem comprá-lo por este preço, podemos conversar.

Gleisi Hoffmann

Em resposta, numa atitude que Dunga certamente caracterizaria como “cagona”, Lauríssimo Jardim tratou de evitar o choque com a paranaense, publicando uma correção apressada:

Houve um lamentável erro de apuração na nota acima. O apartamento da ministra Gleisi Hoffmann, comprado em 2003, possui 192 metros quadrados. A ministra esclarece que o imóvel valorizou-se, mas não chega a valer 900 mil reais.

Ah, essa não. Estamos no aguardo da proposta de Lauro Jardim. Eu me proponho a fazer a corretagem. E aí, Laurinho, quanto tu dás?

P.S. — A hashtag #vejacomprameuap está bombando no twitter.

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Os deputados e senadores diretamente beneficiados pela aprovação do Código Florestal

Vejam só que curiosa esta matéria que me foi alcançada pelo Felipe Prestes. É uma reportagem de 20 de abril do Correio Brasiliense que dá a relação dos nove deputados e três senadores, todos integrantes da bancada ruralista, que tiveram obras e propriedades rurais embargadas por crimes ambientais e que, casualmente, pressionaram e lutaram pela aprovação do novo Código Florestal. Agora, estão numa boa.

Matéria completa aqui. Abaixo, a ilibada relação:

» Agnolin (PDT-TO)
Duas áreas embargadas em Tocantins: destruição significativa da biodiversidade e implantação de projetos de loteamentos sem licença ambiental.
O que ele diz: que já regularizou a área de preservação, demoliu a obra e reparou os danos provocados pelas construções à margem do Lago do Lajeado.

» Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR)
Cinco áreas embargadas em Roraima: destruição de área de preservação permanente (APP), extração de minério de floresta de domínio público e impedimento da recomposição de florestas.
O que ele diz: que não utiliza mais as fazendas embargadas.

» Irajá Abreu (DEM-TO)
Duas áreas embargadas em Tocantins: desmatamento de reservas legais e APPs.
O que ele diz: que desconhece a decisão do Ibama de embargar áreas de fazendas em seu nome.

» Reinaldo Azambuja (PSDB-MS)
Uma área embargada em Mato Grosso do Sul: obras poluentes sem licença ambiental.
O que ele diz: que protocolou a defesa em 2009 e ainda não houve julgamento pelo Ibama.

» Roberto Dorner (PP-MT)
Uma área embargada em Mato Grosso: destruição de APP em áreas da Amazônia legal.
O que ele diz: que tem toda a documentação que autoriza o desmatamento.

» Augusto Coutinho (DEM-PE)
Uma área embargada em Pernambuco: desmatamento de APP.
O que ele diz: que foi concedida licença para a construção da obra que gerou o desmatamento.

» Eduardo Gomes (PSDB-TO)
Uma área embargada em Tocantins: instalação de represa que altera o curso d’água e a fauna aquática, sem licença ambiental.
O que ele diz: que a multa foi parcelada em 60 vezes e está sendo paga em dia.

» Iracema Portella (PP-PI)
Uma área embargada no Maranhão: desmatamento de APP.
O que ela diz: que tem uma propriedade rural no estado, mas nunca foi notificada por qualquer dano ambiental.

» Marcos Medrado (PDT-BA)
Duas áreas embargadas na Bahia: obras poluentes sem licença ambiental.
O que ele diz: a assessoria de imprensa afirmou que o deputado estava incomunicável no interior da Bahia.

SENADORES

» Ivo Cassol (PP-RO)
Quatro áreas embargadas em Rondônia: destruição de APP e reserva legal em áreas da Amazônia legal.
O que ele diz: que os crimes ambientais foram cometidos em propriedades vizinhas às suas.

» Jayme Campos (DEM-MT)
Três áreas embargadas em Mato Grosso: desmatamento de APP e atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental.
O que ele diz: a assessoria informou que não encontrou o senador.

» João Ribeiro (PR-TO)
Uma área embargada em Tocantins: atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental.
O que ele diz: não houve retorno até o fechamento da edição.

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O vídeo mais engraçado que vi até hoje, acho

No tenemos ni la mas puta idea en que puesto estamos en el ranking de faros españoles… Sensacional !!!!

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Chega de religião na vida do país

Texto que eu assinaria embaixo e por todos os lados
mas que é de Marcelo Carneiro da Cunha
e foi publicado no Sul21

Caríssimos Sul21enses, alvíssaras! Eis que o nosso estimado STF foi lá e pimba, desentortou o pepino um pouco mais, e cá estamos nós, basicamente, melhores, se não como pessoas, então como cidadãos de uma república laica.

E felizmente laica, embora não laica o bastante, na prática. Ter que conviver com a CNBB e os Malafaia metendo o bedelho em assuntos que não lhes dizem respeito é um desrespeito, para quem sabe que o país tem uma Constituição e que nela não está dito que alguma igreja manda na gente.

A igreja católica já tem os seus católicos para infernizar — não tem nada que estender seus ódios até quem não fez nenhuma escolha por escutar os seus mandamentos. As seitas evangélicas não tem nem ao menos a arquitetura e o tempo de residência que dão um certo verniz de respeitabilidade para a igreja católica. Mas, ficam assim mesmo indo muito além das suas auto-definidas atribuições e se intrometendo na vida real, como se dela entendessem. Basta.

A Constituição dá às igrejas o direito de existirem, e isso me parece assegurado. Elas podem existir, elas têm esse direito, embora eu não entenda por que elas não deveriam pagar impostos como todas as empresas, já que cobram, embora nem ao menos entreguem. Mas o que a Constituição assegura é o direito que as igrejas e seitas têm de pregar para os seus convertidos e tentar arregimentar outros incréus pelos meios dos seus templos e, infelizmente, de suas concessões de rádio e tevê. Nesse universo, e desde que elas não descumpram as leis, elas têm liberdade para falar e pregar e fazer o que bem entenderem, seus fiéis idem. Agora, o que elas não podem é vir aqui fora interferir no funcionamento do mundo onde vivem os demais cidadãos que não compartilham das suas crenças, isso não. Se um bispo católico quer dizer aos seus seguidores que o homossexualismo é errado, ok, embora eu não entenda por que as pessoas devam ouvir opiniões de eunucos quando o assuntos é sexo. Quando quero uma opinião sobre meus rins eu não costumo consultar paraquedistas ou motoristas de ônibus. Se o tema é sexo, quero ouvir quem pratica e muito, e se o tema são doenças, quero ouvir a área da saúde. Não quero ouvir bispos e pastores, e ninguém diz que eu tenho que fazer isso.

Mas eles insistem em berrar nos nossos ouvidos, como se direito tivessem. Não tem. Essa é uma república laica e laico quer dizer que as religiões não definem as leis ou a vida cidadã. Eles esquecem desse detalhe, não esquecem? No primeiro turno da eleição 2010 foi aquele enrosco. Nossas vidas sendo definidas por um ser primitivo como Silas Malafaia, da seita da Marina Silva? Os cardeais assustando com o fogo eterno a quem não votasse no Serra? Agora, a CNBB se mostrando em toda a sua feiúra diante do STF?  Isso serve para a gente lembrar que as igrejas e seitas podem posar de boazinhas em reclame de Campanha da Fraternidade, mas na hora do pega, olhem o que eles são e o que eles dizem. Padres dizendo que os gays são promíscuos? Isso não é coisa do Bolsonaro? Bolsonaro é católico? O casamento para os gays é o fim da sociedade civilizada? Quem organizou e conduziu uma Inquisição tem condições de apitar sobre o que quer que seja? Para algo guiado pelo divino, eles erraram e erram demais, não lhes parece?

Igrejas contavam quando além de nos excomungar elas podiam cancelar o nosso CPF. Numa república laica, quem pode é a Receita Federal, e é importante que nos lembremos disso. A intolerância deve ficar no seu canto, já que existe, mas não tem o direito de contaminar a vida.

Nós, cidadãos de uma república laica, temos o direito a uma vida laica e não precisamos ouvir o que temos ouvido, da parte de quem não tem nada, mas nada mesmo a dizer, ao menos para quem não acredita no que eles pregam. Não quero ter que dar bola para o que pensam católicos, protestantes, evangélicos, islâmicos, ou budistas, enquanto eu queira e deva dar bola para o que realmente pensam os cidadãos por trás desses rótulos. Cidadania é uma condição humana, exercitada por humanos, e com humanos se pode dialogar, mesmo discordando. Com quem se segura no que entende como uma verdade divina, mesmo que nada a comprove a não ser o desejo absoluto de acreditar em algo,  não há como dialogar, e não há por que dialogar.

O STF ontem lembrou a todo mundo, especialmente ao Congresso, o que somos. Lembrou também `às igrejas o que elas são. Elas foram, esbravejaram e tomaram uma sova. Melhor assim, e é para esse mundo que despertamos hoje. Mais conscientes do nosso poder, mais conscientes da nossa responsabilidade. Ela é nossa, de ninguém mais e, portanto, a ela.

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O ex-presidente Lula é um filha-da-puta! Veja e opine!

Vejam o que ele fez, meu Deus. É o fim do mundo! Como é que este homem não está preso? Assassino!

Agradeço ao Gilberto Agostinho por ter me apresentado este descalabro! Já chegou a Praga essa vergonha nacional !!!

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Porque hoje é sábado, algumas mulheres da esquerda gaúcha

Meus queridos sete leitores! Caríssimos! Como militante desde o final dos anos 70, posso asseverar que uma das maiores mentiras da humanidade é dizer que as mulheres da esquerda são todas inequívocos jaburus.

A atual geração de petistas, comunistas e psolentas vêm confirmar décadas de…

… observações realizadas com extrema pertinácia pelo autor deste blog.

Nossas mulheres não são apenas as mais lidas e inteligentes, são também as…

… mais belas. Até quem faz as coberturas é interessante! Vejam abaixo:

Larissa Riquelme é apenas um rascunho da Rachel Duarte do Sul21.

E como são expressivas! O sorriso irônico de Manuela… Não parece a vocês…

… que me avisa para eu me cuidar a fim de não ser processado novamente?

Há um gênero de homens — limitados, limitados — que faz confusão entre as…

… interessantes e as chatas. Eu não. As de forte personalidade; as que pensam, decidem e falam, …

… as que passam longe da mera peruagem; mantêm mais viva a magia feminina.

As homenageadas de hoje: Vereadora Sofia Cavedon – PT/RS;

Deputada Manuela D`Ávila – PC do B/RS;

Vereadora Mariana Carlos – PT/RS – Cachoeira do Sul;

Vereadora Fernanda Melchionna – PSOL/RS – Porto Alegre;

Jornalista Rachel Duarte – Sul21.

~o~

Observação final e lamentável: a direita trata assim as mulheres, tsc, tsc, tsc.

~o~

Créditos: a primeira foto de Sofia Cavedon, assim como as três de Rachel Duarte são do Ramiro Furquim/Sul21. As outras, sabe-lá.

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"Não adianta ir da Classe D para a C apenas para comprar uma geladeira", diz diretora de Economia da Cultura

Obs.: Essa entrevista foi feita por mim para o Sul21, mas como o assunto é cultura — um dos assuntos mais frequentes neste eclético blog — , deixo-a também aqui para meu 7 fiéis leitores.

Foto de Ramiro Furquim / Sul21

Denise Viana Pereira é a Diretora de Economia da Cultura da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul. Trabalha, pois, com o Secretário Luiz Antônio de Assis Brasil numa das secretarias mais pobres e de maior visibilidade do governo, vendo apenas 0,07% do orçamento estadual e sendo visitada por boa parte dos artistas e produtores do Rio Grande do Sul. Denise é formada em Comunicação Social pela Ufrgs, é especialista em Teoria de Jornalismo e em Economia da Cultura. De 1999 a 2001, integrou a equipe do Instituto Estadual de Música da Secretaria de Estado da Cultura do RS. Nos anos de 2003 e 2004, foi Chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e integrou a Representação Regional Sul do Ministério da Cultura entre 2006 e dezembro de 2010.

Em sua entrevista ao Sul21, Denise Viana Pereira fala sobre a nova lei que substitui a antiga LIC e sobre os planos nada modestos da Cultura do estado.

Sul21: Nos últimos dias, foram aprovados R$ 3,6 milhões em autorizações para captação de patrocínios via LIC. Associada a esta notícia, há a nova legislação de apoio e fomento à cultura, aprovada em dezembro de 2011.

Denise Viana Pereira: Sim, a LIC – Lei de Incentivo à Cultura – foi sancionada em 1996 e começou a funcionar em 1997, indo até agosto de 2010. Após esta data, ela foi suspensa até 7 de dezembro quando foi regulamentada a nova lei de fomento e apoio à Cultura, que se chama Pró-Cultura.

Sul21: A LIC não existe mais?

DVP: Não existe mais. Ela só permanece para os projetos que ainda estão em tramitação. Os novos processos não ingressam mais via LIC, mas sob o Pró-Cultura. O Pró-Cultura tem no seu bojo dois mecanismos: um mecanismo é o Fundo de Apoio à Cultura, grande conquista que nós aprovamos em 2001 na Assembleia Legislativa e que nunca tinha sido regulamentada, e um mecanismo de compensação fiscal semelhante à antiga LIC. O Pró-Cultura, então, engloba o fomento direto – pelo Fundo – e a compensação fiscal.

Sul21: Como funciona?

DVP: Na lei antiga, a empresa poderia se compensar de 75% do total do projeto descontando o valor de seu ICMS. Na nova lei, o desconto é de 100%. Porém, regra geral, para todo o projeto, o patrocinador fica obrigado a um depósito de 10% no Fundo de Apoio à Cultura, à exceção de projetos para Patrimônio Cultural e Construção de equipamentos culturais, para os quais o depósito é de 5%. Então, há a compensação, a isenção, mas há o incentivo propriamente dito, o qual é depositado no Fundo.

Sul21: Há um teto de isenção fiscal determinado pelo estado?

DVP: Sim, e este é muito baixo. O teto de isenção fiscal é de 28 milhões. Então, 10% são 2,8 milhões. É pouco para o Fundo. No ano passado, foi enviado um projeto de lei que prevê um aumento deste valor para R$ 35 milhões. A lei permite que este teto possa chegar ao máximo de 0,5% da receita líquida do estado. Trata-se de um valor variável, que hoje deve bater nos R$ 70 milhões.

Sul21: Resumidamente, poderia descrever o processo de aprovação do Pró-Cultura com a compensação fiscal?

DVP: O processo é (1) o proponente cadastra-se no site, (2) validação por parte da SEDAC, o que hoje demora 7 dias; (3) então, o proponente tem 15 dias para trazer documentos; (4) de posse dos documentos, fazemos a análise técnica detalhada onde normalmente questionamos coisas que não ficaram claras e então (5) o projeto é enviado para o Conselho Estadual de Cultura, que tem 60 dias para analisar. Após a aprovação, esta é publicada no Diário Oficial do Estado e o autor do projeto recebe uma carta que autoriza a captação, ou seja, o patrocínio por parte das empresas. O prazo mínimo total para a aprovação de um projeto é de 90 dias, por lei. Na prática, sabemos que este tempo não ocorre antes de 4 meses. O que desejamos é chegar cada vez mais próximos dos 90 dias. Estamos em contato com o Conselho para que eles analisem a possibilidade de diminuição de seus prazos. Tudo é muito moroso e há uma comparação inevitável: a Lei Federal é muito mais ágil. Não faz sentido. Temos que nos apropriar do sistema federal.

Sul21: Como é que o novo governo encontrou a SEDAC?

DVP: O secretário Assis Brasil sempre diz que não adianta a gente ficar olhando para o passado. O que a gente quer é que nossa marca seja o diálogo. Queremos manter as portas abertas e até retiramos algumas divisórias que haviam em nossa estrutura física… Queremos receber todos, ouvir todos os que nos procuram. Todos são atendidos. Acabamos inteiramente com certo tom policialesco da SEDAC. Nós éramos vistos pelos produtores culturais, de antemão, como oponentes, quando na verdade ambos são proponentes. Claramente, havia grande distância entre os produtores e o sistema de fomento e financiamento da cultura no estado. Nós queremos o oposto.

Sul21: Quais são objetivos factíveis dos quatro anos da gestão?

DVP: O primeiro objetivo é o de fazer a Casa de Cultura Mario Quintana funcionar a pleno. Resolvendo desde a obra de fixação da fachada até recheá-la de programação. O segundo é o de construir o Teatro da OSPA. Os outros estão associados ao plano de recuperação do orçamento da cultura do estado, que nos tirará deste “quase nada” de recursos que temos hoje. Hoje, temos 0,07% do orçamento do estado. Nossa intenção é a de chegar, ao final dos quatro anos do governo Tarso, a 1,5%. Queremos 0,5% no segundo ano de gestão, 0,75% no terceiro, 1% no quarto e 1,5% para a próxima gestão.

Sul21: Há outros?

DVP: Temos também projetos ligados à utilização do Fundo de Apoio à Cultura. Pretendemos criar editais a fim de selecionar projetos de Casas de Cultura, teatros, cinemas ou bibliotecas para o interior do estado. Queremos equipamentos culturais para o interior. Nós selecionaremos os projetos; desta forma, não seriam equipamentos de propriedade do estado. Nós apoiaremos projetos que permitam aos municípios se equiparem. Imaginamos valores de até R$ 500 mil. Muitas vezes há prédios que poderiam se transformar num teatro ou numa biblioteca. Nossa intenção é participar da reutilização destes espaços para fins culturais.

Sul21: Não há quase mais cinemas no interior.

DVP: Bem, neste sentido nós trabalhamos com a ideia dos cineclubes. Nosso plano de governo inclui a criação de 100 Cines mais Cultura ao longo dos quatro anos de gestão e envolve a criação de 500 Pontos de Cultura lato sensu. Nos Pontos de Cultura, o governo aporta recursos para iniciativas que já existem, dando apoio aos chamados Pontos de Cinema (cineclubes), aos Pontos de Brincar (brinquedotecas), aos Pontos de Leitura (pequenas bibliotecas) e aos Pontos de Memória (museus comunitários ou ações de memória). Estas são ações que o MinC desenvolve. Este ano, deveremos receber R$ 10 milhões para começarmos.

Sul21: E a OSPA? Sem sede, ensaiando no cais do porto, convivendo com falta de músicos, concursos… E o novo Teatro que não sai do papel?

DVP: Hoje temos boas perspectivas. O secretário Assis Brasil é um ex-membro da orquestra e está bastante compromissado com a OSPA. Foi elaborada uma emenda parlamentar de R$ 20 milhões para a construção – o custo do teatro é de R$ 32 milhões. Em um de seus primeiros pronunciamentos, a presidente Dilma Rousseff falou em necessidades de contenção e suspendeu todas as emendas. Algumas destas foram extintas, mas a da OSPA não. O governador Tarso já enviou correspondência para a Ministra da Cultura e para a Comissão de Educação e Cultura do Congresso. Há toda uma mobilização estadual pela manutenção da emenda parlamentar de R$ 20 milhões. Isto garantiria 2/3 da obra. De outra parte, o MinC, em reunião aqui conosco, com a presença do secretário Assis Brasil, comprometeu-se em colocar mais R$ 7,5 milhões ou R$ 10 milhões – dependendo da emenda deste ano – , à razão de 2,5 milhões por ano. Se a emenda de R$ 20 milhões entrar este ano, eles não repassariam a primeira parcela de R$ 2,5 milhões, ficando o primeiro pagamento para 2012. Em resumo, repito, temos boas perspectivas.

Sul21: Houve uma discussão sobre possíveis mudanças no projeto do Teatro a fim de que ele pudesse receber óperas. Propôs-se a criação de um fosso para a orquestra…

DVP: Falando de uma forma rasa, o secretário compreende as críticas – o IAB igualmente não está de acordo com a parte externa do projeto e há esta discussão sobre óperas – , mas sua ideia é a de que o Teatro da OSPA é uma sala sinfônica e não outra coisa. E mesmo que haja discussões — penso que sempre haverá — não podemos atrasar mais 20 anos uma construção que nos faz falta há décadas. Então, temos um projeto pronto, pago, e achamos que ele não deve mais ser alterado. Estamos em outra fase e, se retrocedermos a uma anterior, quando teremos o Teatro?

Sul21: Fomento é política cultural? E a distribuição, divulgação e venda?

DVP: De modo algum fomento é política cultural. O mecanismo de financiamento e fomento não pode ser nossa única atividade; isto é apenas um instrumento. É muito insuficiente e concentra a pouca verba disponível nas capitais e nos artistas conhecidos. Para isso é que agora temos o Fundo de Apoio à Cultura, temos que fortalecê-lo para poder diversificar o tipo de projeto a ser apoiado. Por outro lado, temos que nos preocupar não apenas com os projetos, mas com a criação de hábitos de consumo de toda produção cultural. Temos que apoiar a distribuição, o consumo e a formação de plateias. É um problema igual ou maior do que o de produção, que é o que a LIC fazia exclusivamente. As leis de incentivo fomentam a produção, mas não fomentam a distribuição, elas concorrem muito pouco para a absorção daquilo que criam. Veja o caso do blog da Maria Bethânia: Jorge Furtado foi brilhante ao dizer que se tivessem pedido três vezes o mesmo valor para um filme que ninguém fosse assistir, não iam reclamar de nada, mas como é um blog e há um preconceito com o meio virtual – criado pela grande mídia – ninguém diz que Bethânia estará divulgando uma porção de poetas que ficariam de outro modo inacessíveis. Sou totalmente favorável ao blog dela. Grande parte desta discussão é sufocada pelo desconhecimento que as pessoas têm do contexto da produção e das necessidades culturais.

Sul21: Teu cargo é o de Diretora de Economia da Cultura. O que significa exatamente?

DVP: Como tu disseste, não adianta a gente apenas fomentar a produção. O olhar da economia sobre a cultura nos dá uma noção de que existe uma cadeia produtiva inteira, que vai até o público.

Sul21: Normalmente os artistas não pensam na parte comercial…

DVP: Sim, há que pensar na divulgação, nas vendas, na infraestrutura. Mas o pensamento não pode também ser apenas mercantilista, pois há dois valores envolvidos: o valor econômico do produto cultural e o valor simbólico, que vai transformar a pessoa que assistirá uma orquestra pela primeira vez, que vai fazê-la pensar em coisas sobre as quais jamais tinha antes refletido. É preciso pensar na sustentabilidade da produção.

Sul21: Sim, o espectador sai melhor, mais rico de um filme, peça ou espetáculo, mas como medir a importância desta experiência, deste conhecimento?

DVP: Nós estamos num momento maravilhoso, porque o governador é sensível à cultura. Ele é completamente consciente deste valor simbólico e da importância de termos cidadãos capazes de serem reflexivos e críticos, em contraposição a cidadãos que vêm da classe D para a C apenas para comprar uma geladeira ou uma batedeira e continuar se matando na esquina ou atropelando ciclistas. Se a gente quer mexer na sociedade, temos que necessariamente passar por sua culturalização. E temos a nossa favor a tecnologia, que dá acesso a bens culturais com maior facilidade do que no passado. Antigamente, a montagem de um cineclube era coisa para heróis, hoje tu colocas um DVD debaixo do braço e sai mostrando os filmes. Hoje já temos óperas sendo apresentadas ao vivo em cinemas. O mundo é outro, temos que utilizá-lo.

Sul21: É difícil convencer alguém disso ou a arte ainda funciona do modo como Louis Armstrong definia o jazz: “If you gotta ask, you`ll never know”?

DVP: Sim, é difícil. Mas nós não devemos nos conformar com este corolário do “eu sei a importância que tem e se tu não sabes, nunca vais saber”. Desta forma, tu não convences o outro, tu não dás acesso à cultura. Imagina um professor dizendo ao aluno: “Tu nunca vais entender, meu filho!”. O ser humano muda, avança. Essa é a nossa missão fundamental.

Sul21: Pois é, estamos chegando à educação, não?

DVP: E chegamos… Por exemplo, o trabalhador da área da cultura ganha três vezes mais do que a média da indústria. Há um dado estarrecedor: na Bahia, 54% dos empregados ou são analfabetos ou tem primeiro grau incompleto. No setor cultural, este índice de analfabetismo cai para 34%. Não há estatística análoga para o RS, mas tenho certeza de que no RS o índice de 34% deve ser de gente que tem o terceiro grau incompleto e no entanto… O Acre, a Bahia e Pernambuco estão muito à frente do RS na área cultural. Há muito tempo eles trabalham com conceitos modernos e estão inseridos naquilo que o MinC criou em 2007: o Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura, que trabalha com todos esses conceitos de cadeia produtiva que expus.

Sul21:Para terminar, para que serve a SEDAC e a que veio?

DVP: A pergunta deve ser respondida fugindo das respostas que passam perto de expressões como “alimento da alma”, etc. A cultura deve ter as três dimensões que o MinC defende: o valor simbólico, o valor econômico e o valor de cidadania, de promotor de direitos. Esse é o nosso norte.

Sul21: Desejamos boa sorte.

DVP: Muito obrigado.

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Marlos Nobre e a crise na OSB: Carta Aberta a Roberto Minczuk

Assim como a Nelson Freire e Cristina Ortiz, que cancelaram seus concertos com a OSB, esse eu também respeito. Marlos Nobre é um enorme compositor e dá sua visão pessoal sobre a crise na OSB. Abaixo, a íntegra de sua Carta Aberta:

Via Marcelo Delacroix

Roberto, estou angustiado ao escrever esta carta, ao ver um regente como você envolvido nesta situação constrangedora e triste.

Você, Roberto, não teve ninguém perto de você para lhe abrir os olhos ante a imensa tolice que foi toda esta situação criada na Orquestra Sinfônica Brasileira?

Eu lhe escrevo como um Maestro e compositor que conheceu um Roberto ainda nos seus 10 a 12 anos de idade, participando do Concurso de Jovens Instrumentistas que organizei em 1974 nos “Concertos para a Juventude” na Rede Globo e Radio MEC. Nele, você se destacou como jovem talento, promissor o bastante para que eu lhe desse de presente uma trompa novinha em folha (a sua, na época era impraticável). Lembro de, anos depois, no seu concerto de estréia como regente da OSB no Rio, ter sido procurado pelo seu velho e honrado pai, com lágrimas nos olhos, me dizendo que aquela trompa estava guardada em um invólucro de vidro, emoldurando a sala de estar da sua casa paterna. Foi extremamente comovente então, ver seu pai visivelmente feliz vendo sua estreia como regente titular da grande e prestigiosa Orquestra Sinfônica Brasileira. Entre outras obras você então dirigiu a Sinfonia “Eroica” de Beethoven. E a nossa OSB respondeu à altura aos seus gestos, dando na ocasião uma intepretação memorável da obra.

São estes mesmos músicos que agora sofrem com a implacável perseguição e ira absolutamente incompreensíveis de você, como diretor da OSB.

Pois bem, Roberto, assim como seu pai, um velho e honrado músico, eu aprendi que não é possível fazer música senão com o espírito leve, aberto, ligado apenas no dever maior de intérprete que é o de revelar a grande mensagem de amor, compreensão universal e respeito mútuo que emanam de toda grande obra musical. Não é possível aos músicos renderem o máximo de suas qualidades, frente à arrogância, à falta de respeito, à imposição, à desumanidade, à inépcia humana de quem está a lhes impor e não a lhes dar condições de criar a maravilhosa mensagem da Música.

Roberto, aquele menino a quem dei uma trompa hoje é motivo da maior decepção que jamais tive em minha vida. Uma decepão profunda e irreversível. Você, e somente você, é o responsável por uma situação inédita na música sinfônica do Brasil, ao submeter uma orquestra inteira a um vexame público demitindo com requintes de crueldade e desrespeito pelo passado deles, mais da metade de seus componentes através de pretextos os mais inaceitáveis possíveis. Nem o pretexto de maior qualidade musical seriam justificação para um tal elevado grau de agressividade humana, artística e pessoal de que são vitimas nossos músicos da OSB. Você não respeita idade, serviços prestados, idealismo nem humanidade. Todos estes valores essenciais nas relações humanas e artísticas vão para o ar em suas mãos, neste momento triste da história da música no Brasil.

A destruição dos ideais que sempre foram a grande força da Orquestra Sinfônica Brasileira, Roberto, você não conseguirá. Aliás, vejo com tristeza que você está conseguindo se destruir de uma maneira tão perfeita, tão definitiva, tão veemente como jamais o maior inimigo seu seria capaz, nem teria tal grau de imaginação destrutiva.

Sua autodestruição me choca pois me parece que você, Roberto, entrou em tal processo negativo sem volta nem retorno, pois sequer se dá conta que, não só no Brasil, mas em qualquer país do mundo onde você entrar no palco, para dirigir uma orquestra, terá como resposta o desprezo e a desaprovação do público e do mundo musical.

Como compositor não desejo que nenhuma obra minha seja jamais executada por este remedo de Orquestra Sinfônica (que me recuso a chamar de OSB pois esta foi destruída irresponsavelmente por você), dirigida por você.

Não autorizo nenhuma obra minha tocada senão pela verdadeira ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA que aprendemos a amar, a reverenciar e a proteger, de desmandos de eventuais passageiros da desesperança, da agressão moral e do desrespeito.

MARLOS NOBRE – 9 de abril de 2011

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