Trevas ao meio-dia, editorial da Carta Capital sobre a Veja, por Mino Carta

Encontrado aqui.

Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revista Veja? O que a induz ao silêncio? O espírito de corpo? Não é o que acontece nos países onde o jornalismo não se confunde com o poder e em vez de servir a este serve ao seu público. Ali os órgãos midiáticos estão atentos aos deslizes deste ou daquele entre seus pares e não hesitam em denunciar a traição aos valores indispensáveis à prática do jornalismo. Trata-se de combater o mal para preservar a saúde de todos. Ou seja, a dignidade da profissão.

O Reino Unido é excelente e atualíssimo exemplo. Estabelecida com absoluta nitidez a diferença entre o sensacionalismo desvairado dos tabloides e o arraigado senso de responsabilidade da mídia tradicional, foi esta que precipitou a CPI habilitada a demolir o castelo britânico de Rupert Murdoch. Isto é, a revelar o comportamento da tropa murdoquiana com o mesmo empenho investigativo reservado à elucidação de qualquer gênero de crime. Não pode haver condão para figuras da laia do magnata midiático australiano e ele está sujeito à expulsão da ilha para o seu bunker nova-iorquino, declarado incapaz de gerir sua empresa.

O Brasil não é o Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único. Na hora em que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. Nada de mudanças, e que o deus da marcha da família nos abençoe. A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a omitir, a mentir. Neste enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca murdoquiana.

Não que os demais não mandem às favas os princípios mais elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril, inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado, quem sabe.

O jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Roberto Civita, patrão abriliano, é relativamente novo na corporação. Sua editora, fundada pelo pai Victor, nasceu em 1951 e Veja foi lançada em setembro de 1968. De todo modo, a se considerarem suas intermináveis certezas, trata-se de alguém que não se percebe como intruso, e sim como mestre desbravador, divisor de águas, pastor da grei. O sábio que ilumina o caminho. Roberto Civita não se permite dúvidas, mas um companheiro meu na Veja censurada pela ditadura o definia como inventor da lâmpada Skuromatic, aquela que produz a treva ao meio-dia.

Indiscutível é que a Veja tem assumido a dianteira na arte de ignorar princípios. A revista exibe um currículo excepcional neste campo e cabe perguntar qual seria seu momento mais torpe. Talvez aquele em que divulgou uma lista de figurões encabeçada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontados como donos de contas em paraísos fiscais.

Lista fornecida pelo banqueiro Daniel Dantas, especialista no assunto, conforme informação divulgada pela própria Veja. O orelhudo logo desmentiu a revista, a qual, em revide, relatou seus contatos com DD, sem deixar de declinar-lhes hora e local. A questão, como era previsível, dissolveu-se no ar do trópico. Miúda observação: Dantas conta entre seus advogados, ou contou, com Luiz Eduardo Greenhalgh e Márcio Thomaz Bastos, e este é agora defensor de Cachoeira. É o caso de dizer que nenhuma bala seria perdida?

Sim, sim, mesmo os mais eminentes criminosos merecem defesa em juízo, assim como se admite que jornalistas conversem com contraventores. Tudo depende do uso das informações recebidas. Inaceitável é o conluio. A societas sceleris. A bandidagem em comum.

Capa da revista:

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Um Jules e Jim gaúcho?

Matéria 1:

Rosane de Oliveira sobe o tom nas críticas a Tarso

A jornalista Rosane Oliveira, editora de Política do jornal Zero Hora, tem subido o tom nas críticas ao governo do sr. Tarso Genro.

. O caso não é isolado na RBS.

. A RBS está alarmada com os maus sinais que vinha recebendo desde o início do governo, porque seu concorrente, o Correio do Povo, há mais tempo assumiu um tipo de jornalismo político menos alinhado com o Piratini.

A matéria saiu no blog de Políbio Braga, que costuma dizer que este blog é do Eixo do Mal. Porém, um minuto depois:

Matéria 2:

Tarso nomeia Tailor Netto Diniz para chefe de Divisão da secretaria da Cultura

O governador Tarso Genro acaba de nomear o sr. Tailor Netto Diniz para chefe de Divisão, padrão CCE-10, mais gratificação de 50%, na secretaria da Cultura.

. O ato já foi publicado no Diário Oficial.

Políbio não explica mais. O detalhe é que o escritor Tailor Diniz (muito bom, por sinal) é marido de Rosane. Estou curioso para saber como acabará esta história que envolve sexo, paixão e política. Em vez de Jules e Jim, Tailor e Tarso.

Se bem que o nome correto seria Rosane e Tarso, pois o objeto de paixão, a Catherine da história, é Tailor.

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Hollande, Sarkozy, mas principalmente o fascismo de Le Pen

Le Pen: fascismo em alta na França.

Estive na França durante o ano passado. Foi apena uma semana, uma maravilhosa semana em novembro, mas vocês sabem, viajar a um outro país é estar com a sensibilidade à flor da pele. Recém saído da tranquila Inglaterra, a situação na França me pareceu tão pesada quanto a medonha Igreja de la Madeleine. Havia visível tensão social. Imigrantes eram procurados nos metrôs e mesmo o pessoal da esquerda reclamava da presença de árabes e africanos por todo lado. Muitos franceses diziam que “os negros não gostam de nós e os árabes são muito diferentes”. Quando aparecia alguém estuprando e matando — fatos que ainda causam surpresa na França — , os franceses conjeturavam se o culpado seria um negro indignado ou árabe fundamentalista. Era um ambiente propício à direita, obviamente, e, quando diziam que Mélenchon subia nas pesquisas encostando em Le Pen, eu pensava que tudo tinha mudado rapidamente em poucas semanas. Só que não tinha mudado.

O socialista Holande ganhou por 1,4%, aproximadamente. Sarkozy saiu-se melhor do é com 27,18%. Mélenchon sumiu com seus 11,1%. E Marine Le Pen, da extrema-direita, obteve 17,9% dos votos. Pois é. Aí está o fato principal destas eleições. Quando a extrema-direita xenófoba consegue mobilizar quase vinte por cento do eleitorado de um país como a França, algo vai mal. De 2007 e 2012, Le Pen quase duplicou a votação. A abstenção foi de 19%, superior à de 2007.

Se, no segundo turno, em 6 de Maio, Hollande acrescentar a seu percentual todos os votos da esquerda e extrema-esquerda (Mélenchon, Joly, Poutou e Arthaud), obterá 43,76% dos votos. Por seu turno, se os votos de Le Pen forem todos para Sarkozy, o atual presidente ficará com 45,08%.

Portanto, quem vai decidir a eleição é o eleitorado da centro-direita de François Bayrou (9,13%) e dos nanicos Dupont-Aignan (gaulista, 1,79%) e Cheminade (um católico que obteve 0,25%). Estes três candidatos somam 11,17%. O desfecho dependerá da percentagem que se deslocar para Hollande ou Sarkozy. Segundo pesquisa do instituto Ifop, 83% dos eleitores de Mélenchon votarão em Hollande, os de Bayrou iriam 38% para Hollande e 32% para Sarkozy e os de Le Pen, 48% para Sarkozy, 31 para Hollande e 21 não votariam ou votariam em branco.

Ou seja, tudo está em aberto e mesmo Sarkozy pode seguir no cargo.  Afinal, Hollande é um baita chato e tudo conta numa final apertada.

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Duas grandes homenagens ao Índio

Sempre ao lado das minorias e buscando vencer a barreira do conservadorismo da sociedade brasileira, este blog tem defendido sem tréguas o indígena do Brasil. Devemos sempre lembrar que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde aquela data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas ainda estão perdendo suas terras. Desta forma, deixamos duas imagens cuja pujança e emotividade conquistará os visitantes deste pequeno órgão.

Baita cocar de uma mulher Seioux.
Feliz Dia do Índio!

* A segunda imagem foi roubada de José Luiz Rosa Filho, no Facebook. A primeira veio de nosso banco de imagens particular.

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Cris Kirchner, a MILF preferida da redação

MILF é uma sigla criada sabe-se lá onde que significa “Mom I’d Like To Fuck” (“Mãe que eu gostaria de foder”), e refere-se, obviamente, ao sexo com mulheres de idade suficiente para serem mães de seus parceiros. O pessoal aqui na redação é jovem e tem certa admiração pela viúva e presidente argentina Cristina Kirchner, 59. Principalmente pela viúva.

Hoje pela manhã, vi a jornalista Miriam Leitão, non-MILF, se rasgando de ódio pela nacionalização da petrolífera YPF. Era engraçado, muito engraçado e eu ri, pois até parecia que ela tinha alguma participação societária no Clarín, tal o ódio e ironia que destilava. Alguns jornalistas are overacting — desculpem, não me ocorreu nada melhor — seus patrões. Era por demais engraçado e agora, quando fui tomar café, lembrei da jornalista se rasgando. A forma escolhida por Miriam foi a de desqualificar Cris K dizendo que ela era dominada por seu filho “preferido” Maximo, 34, que trouxe para o governo  uma equipe de economistas ligada ao vice-ministro da economia, Axel Kicillof, 40. Seriam  um bando de malucos perigosos, ladrões e estatizantes, reunidos sob o nome de “La Campora”.

Olha, estou neste mundo há 54 anos e passei boa parte deles estudando as mulheres com relativo insucesso. Acho que posso dizer, assim de longe, que Cris é uma mulher que ouve, mas faz o que acha melhor, sem deixar-se dominar por ninguém, nem pelos os rapazes da redação, que são homenageados a seguir:

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Günter Grass arranja uma briga ao acusar Israel de ameaçar a paz mundial

Günter Grass pode ser há anos um ótimo escritor decadente, mas suas opiniões são muito ouvidas num país onde os autores são discutidos na TV e ainda têm certa influência. Grass volta a ser comentadíssimo aos 84 anos em razão do poema que fez publicar na semana passada e que reproduzo abaixo. Acho que a Europa está muito atrasada na terapia da enorme culpa em relação ao Holocausto ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. O tratamento não visa negar o que houve — foi uma tragédia real que envergonha a humanidade –, mas elaborar alguma coisa, pois convenhamos: já deveríamos ter enchido o saco e virado a página, ainda mais quando vemos Israel até hoje exibir-se como vítima no Ocidente, com seu governo sentindo-se justificado para fazer o que bem entende com os palestinos, além de distribuir ameaças aos vizinhos. E, claro, tudo isso serve para acirrar a simplicidade fundamentalista de ambos os lados.

A obviedade bem escrita por Grass foi a seguinte: ele sugeriu que o país era tão perigoso quanto o Irã, jogando indesejável luz sobre o programa nuclear de Israel. Aproveitou para criticar a hipocrisia do Ocidente e classificou o Estado judeu como uma ameaça para a “já frágil paz mundial” em meio a postura beligerante do país contra o Irã. O texto virou motivo de polêmica tanto em Tel Aviv, quanto em Berlim.

Claro, o poema toca num ponto sensível. Afinal o Prêmio Nobel ousou fazer a comparação proibida. Comparou moralmente o impecável estado de Israel ao horrível Irã. As respostas foram as de praxe: (1) primeiro Israel declarou Grass como persona non grata, etc. e (2) tentou tirar-lhe qualquer autoridade moral. Afinal, ele — em louvável acesso de fraqueza — admitiu em sua autobiografia de 2006 que fora convocado aos 17 anos (1945), nos meses finais da Segunda Guerra Mundial, para a organização paramilitar nazista Waffen-SS. Foi logo ferido e libertado no final da Guerra. O restante da biografia do autor de O Tambor e Anestesia Local, desde 1945 até hoje, parece que pode ser  esquecido. Ah, houve uma terceira resposta: no domingo, o ministro do Interior israelense, Eli Yishai, anunciou que Grass seria impedido de entrar em Israel, citando uma lei israelense que permite evitar a entrada de ex-nazistas… Porém Yishai deixou claro que a decisão era relacionada mais com o poema do que com as possíveis ações do Grass adolescente de 70 anos atrás.

O poema foi publicado nos jornais “Süddeutsche Zeitung”, “La Repubblica” e “El País”. Em O que deve ser dito”, Grass pede que a Alemanha suspenda a venda de submarinos ao governo israelense e alerta para o perigo de um ataque contra o Irã. “Por que eu só digo agora que o poder nuclear de Israel ameaça a paz mundial? Porque isto deve ser dito já que amanhã pode ser tarde demais e também porque nós — suficientemente incriminados como alemães — podemos ser agora cúmplices de um crime sem precedentes”, acrescentou Grass, afirmando que o Holocausto não deve ser usado como desculpa para se calar diante da capacidade nuclear de Israel, aparentemente o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares — suspeita que o governo nem confirma nem nega.

Angela Merkel minimizou a polêmica dizendo que, na Alemanha, os artistas têm liberdade de expressão.

.oOo.

O que Deve Ser Dito*, de Günter Grass

*Tradução livre feita pela Folha de São Paulo da versão em espanhol do poema publicado no El País. Escrito originalmente em alemão e publicado pelo diário “Süddeutsche Zeitung”.

Porque me calo há tanto tempo
Sobre o que é evidente e se empregava
Em jogos de guerra em que no fim, sobreviventes,
terminamos como notas de pé de página.

É o suposto direito a um ataque preventivo
Que poderia exterminar o povo iraniano,
Subjugado e levado a um júbilo orquestrado por um fanfarrão,
Porque em sua jurisdição suspeita-se da fabricação de uma bomba atômica.

Mas, por que me proíbo de dizer o nome
desse outro país em que há anos ainda que secretamente
Dispõe-se de um crescente potencial nuclear
Fora de controle, já que é inacessível a toda inspeção?

O silêncio generalizado sobre esse fato,
Ao qual o meu próprio silêncio se submeteu,
Me soa como uma grave mentira
e uma coação que ameaça castigar quando não se respeita;

“antissemitismo” é o nome da condenação.

Agora, no entanto, porque o meu país foi
Atingido e chamado às falas uma e outra vez
Por crimes muito particulares
Incomparáveis
rotineiramente,

Mesmo que depois qualificada como reparação,
Vai entregar a Israel outro submarino cuja especialidade
É dirigir ogivas aniquiladoras
Em direção aonde não se comprovou a existência de uma única bomba,
Embora se queira apresentar como prova o medo

Digo o que deve ser dito

Por que me calei até agora?
Porque achava que minha origem,
Marcada por um estigma indelével, me proibia de atribuir esse fato, como é evidente,
Ao país chamado Israel, ao qual estou unido e quero continuar estando.

Por que só agora digo, envelhecido e com minha última tinta: Israel, potência nuclear, coloca em perigo uma paz mundial já por si mesma alquebrada?

Porque é preciso dizer o que amanhã poderia ser tarde demais,

E porque incriminados o bastante por ser alemães poderíamos ser cúmplices

De um crime que é previsível,
tornando nossa parcela de culpa impossível de ser extinta com as desculpas de sempre

Admito: não continuo calado
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente;
cabe esperar ainda que muitos se liberem do silêncio,
exijam ao causador desse perigo visível que renuncie ao uso da força e insistam também em que os governos de ambos países

Permitam o controle permanente e sem barreiras por uma instância internacional do potencial nuclear israelense e das instalações nucleares iranianas.

Só assim poderemos ajudar a todos israelenses e palestinos e sobretudo a todos os seres humanos que nessa região tomada pela demência vivem como inimigos lado a lado, odiando-se mutuamente, e, definitivamente, ajudar-nos também.

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Olivio e a maquete

Abaixo, a bela foto que Caio de Santi publicou em seu Facebook. Talvez apenas compreensível para gaúchos, ela mostra o ex-governador e conselheiro do Internacional Olivio Dutra levando uma das maquetes do futuro Beira-Rio após o evento de assinatura do contrato com a Andrade Gutierrez. Quem conhece Olivio pessoalmente não fica indiferente a sua simpatia e simplicidade.

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O banco público não tem nada que reformar o Beira-Rio

Nunca me ufanei da Copa do Mundo no Beira-Rio e muito menos de quaisquer acordos com empreiteiras. Mas não sou daqueles que acham uma bobagem a Copa no Brasil. Reconheço a importância do campeonato, o quanto ele mobiliza o planeta e que o país respira futebol semanalmente. Reconheço também que a Copa deixa estádios e obras a quem souber fazer um bom planejamento e há que reconhecer — neste festival de reconhecimentos… — que seria muito mais lógico que a Copa, em Porto Alegre, fosse jogada na Arena do Grêmio, que estará nova e pronta em 2014.

O péssimo acordo do tricolor para construir seu novo estádio inclui o importante fato de ter sido um negócio que envolveu pouco ou nenhum dinheiro público. O negócio foi realizado, basicamente, entre OAS e Grêmio. Já a reforma do Beira-Rio está requerendo parceiras com órgãos públicos. Parcerias? Não, exatamente. Talvez a palavra melhor fosse mecenato público. A Andrade Gutierrez ou não tem o dinheiro (modo piada) ou não quer arriscar-se (modo realismo). Desta forma, passaria o risco para alguma estatal: primeiro houve as tentativas que não deram certo com as Fundações (fundos de pensão) Corsan e CEEE e agora o desejo é pegar dinheiro do Banrisul. Tudo bem, é função do banco emprestar dinheiro, só que a AG não deseja deixar nenhuma garantia. Quer só o dinheiro, como se fosse uma obrigação do banco para com o povo gaúcho… Sua estratégia é a de criar uma crise até que o dinheiro surja de algum banco público.

(Em 2010 a receita operacional bruta da AG foi de 18 BILHÕES DE REAIS e seu patrimonio líquido era de 8 BILHÕES DE REAIS. Ainda em seu relatório referente ao ano de 2010 podemos ver que, naquele momento, a AG possuia contratos de obras no equivalente a 22 BILHÕES DE REAIS. Sendo assim, a empresa não conseguiria oferecer garantias para 0,3 bilhão?).

Ora, se eu vou falar com um banco para pedir dinheiro, sei que o banco fará uma devassa em minha vida à procura de garantias. Então, acho que a posição do Banrisul de negar dinheiro à AG é muito digna e correta. Demonstra apenas que a instituição está sendo gerida com isonomia e seriedade. O fato do Corinthians estar praticamente ganhando um estádio novo não justifica a importação da corrupção e sim uma auditoria lá.

O que não entendo é porque se fala tão pouco em Vitório Píffero. O homem pôs abaixo 1/4 da arquibancada inferior do Beira-Rio, tornando-o uma espécie bem feia de Coliseu Colorado, acreditando que faria toda a reforma de quase R$ 300 milhões através da venda de camarotes… Agora estamos a 250 dias vendo a maravilha abaixo.

Foto: Anderson Vaz

A grana da venda dos Eucaliptos ainda existe? Ela paga a recolocação das arquibancadas derrubadas? Os conselheiros do clube respondem sim a ambas as perguntas, então façamos rapidamente isso e deixemos a Copa para a Arena. Já tivemos a Copa de 1950 nos Eucaliptos e nem por isso o Grêmio morreu.

.o0o.

Final: Por que não haveria um Copa aqui? É diversão? Sim. É lazer? Sim. Porém, ir para a praia também é e os gaúchos passam os meses de verão reclamando e pedindo das estradas… Eu vou pouco para a praia e acho um gasto inútil… Ou seja, é impossível atender a todos.

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Coisas várias (post antigo que estava no "lixo" de meu blog, sei lá por que — de que data será?)

A meu pedido, o Idelber indicou uma série de livros argentinos que considerasse ótimos. Acho que ele já tinha feito isto em seu blog, mas não encontrei onde, ainda mais estando em viagem e evitando o excesso de internet. Então pedi a ele e fui atendido com a simpatia e presteza de sempre. A lista é a seguinte e a divulgo a pedido da Viva e de outros que não lembro.

Museo de la novela de eterna, de Macedonio Fernandez.
El director, de Gustavo Ferreyra.
El pasado, de Alan Pauls.
La ciudad ausente, de Ricardo Piglia.
– Qualquer uma das curtinhas do César Aira.
El desperdício, de Matilde Sánchez
Cosas de negros, de Washington Cucurto.
Museo de la revolución, de Martín Kohan (esta você vai adorar)
Yo nunca te prometí la eternidad, de Tununa Mercado.
– Se encontrar algo de Gombrowicz, compre.
– Se não conhece Roberto Arlt, compre logo as obras completas.

Ricardo Piglia, Roberto Artl e Gombrowicz eu já conhecia e gostava. Gombrowicz foi um escritor polonês que, se não me engano, foi pego pela Segunda Guerra Mundial durante uma viagem a Buenos Aires. Ficou por lá. Os hermanos tiveram sorte; enquanto recebíamos o xaroposo Zweig, os argentinos ganhavam de presente um tremendo escritor. Artl e Piglia são meus velhos conhecidos. Li-os sempre em traduções. São excelentes mas não tinha vontade de relê-los em espanhol.

Não procurei enlouquecidamente e acabei não encontrando os livros de Macedonio Fernandez, Gustavo Ferreyra e Matilde Sánchez. Não simpatizei com El Pasado, do qual li algumas partes — posso estar errado. Mas fiquei horas escolhendo uma das curtinhas de César Aira – escolhi El Pequeño Monje Budista – , comprei sem hesitação Cosas de negros, Museo de la revolución e Yo nunca te prometí la eternidad. Tenho absoluta certeza que adorarei os livros de Kohan e de Tununa Mercado.

Comprei muitos outros. Duas traduções: Montauk, do meu queridíssimo suíço Max Frisch, um dos autores de que mais gosto e dois pequenos volumes de Raymond Carver, o extraordinário escritor americano que possui apenas dois grandes admiradores no Brasil: eu e Branco Leone. Destaco também o best seller argentino Historias de diván, do psiquiatra Gabriel Rolón, que comprei por pura curiosidade, e Teoría del desamparo, um policial premiado na Argentina, de Orlando Van Bredam. Os outros foram livros sobre música e artes plásticas.

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O argentino Reinaldo Waveqche, 24, casou-se em Santa Fé com Adelia Volpes, de 82. Ele confessou gostar de “mulheres mais velhas” e garantiu não ter interesse financeiro, até porque Adélia já tinha lhe doado todas as suas posses. A lua-de-mel será no Rio de Janeiro. Os 58 anos de diferença não serão problema, declarou.

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Enquanto a Veja descobre que Che Guevara não tomava muitos banhos e por isso fedia, a governadora Yeda Crusius ataca de aumento de impostos. Em sua mira, alguns produtos pouco fundamentais como luz, combustíveis e… cerveja. É claro que ela aumentaria impostos de itens sem os quais não podemos viver, até porque isso garantiria a renda que seu governo não consegue receber de outro modo. Mas o que me surpreende é saber que o déficit poderia ser zerado através de medidas moralizadoras ou de fiscalização que diminuíssem a crescente sonegação. Por que só o governo federal cuida bem de seus cofres? (Tive uma pequena empresa e sei que simplesmente não posso sonegar impostos federais nem que queira.) Por que Yedinha, que faz uma administração repugnante e é naturalmente limitada – mas que conhece o caminho da fiscalização -, não nos ataca pelo outro lado? Por que a luz, os combustíveis e a cerveja e não fiscalização? Ora, Milton, porque é mais fácil; além disso, a moralidade e a isonomia é uma das últimas prioridades de Yeda.

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A hora do espanto

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Foto inédita mostra Dilma em interrogatório em 1970

Deu na revista Época. A foto diz muito, nossa! Será que saiu daqueles arquivos que (dizem que) não mais existem? Ela tinha 22 anos. Após 22 dias de prisão, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro.

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Muito melhor ser romeno

Colocado no Facebook pelo Flavio Prada. Aliás, saudades dele e de Riva! Até dos filhos dele sinto saudades, mesmo que eles tenham colocado um saco de risadas todo enrolado dentro da minha fronha!

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Civilidade (a respeito do câncer de Lula)

De Ricardo Ramos Filho, no Facebook:

Tenho lido com muito incômodo algumas manifestações sobre a saúde do ex-presidente Lula. Gente que sugere que se trate pelo SUS. Aqueles que me conhecem sabem que não votei nele e que sou muito crítico às suas posições, mas embrulha-me o estômago perceber todo esse ódio. Política para mim é debate de ideias e nunca desejo de morte. Por trás dessas manifestações existe um comportamento mau, insensível e pouco ético. Como seres humanos, eu e ele, torço para que se recupere bem.

Ricardo Ramos Filho é neto de Graciliano. Não surpreende, né?

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O importante é o conteúdo

A ocupação de Wall Street é um movimento sem líderes, feito por jovens indignados com a situação econômica, a Guerra no Afeganistão, as questões ambientais, os EUA, o mundo e a vida  em geral. A ocupação foi inspirado pela primavera árabe. E, bem, há ativistas cultas que mereceriam um Porque Hoje é Sábado, não? Também sou goethiano como Mann.

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Porque hoje é sábado, Camila Vallejo

EMBALAGEM E CONTEÚDO. Camila Antonia Amaranta Vallejo Dowling ou simplesmente Camila Vallejo (Santiago, 28 de abril de 1988) é uma estudante de geografía e dirigente estudantil chilena. Militante da Juventude Comunista do Chile, é a atual presidente da Federação de Estudantes da Universidad do Chile (FECh), sendo a segunda mulher a ocupar o cargo.

Quando eu digo que as mulheres de esquerda são mais inteligentes, bonitas, decididas, tesudas e que, fundamentalmente, trepam melhor, bem, eu não estou sendo folclórico.

Me gustan los estudiantes

que marchan sobre la ruina.

Con las banderas en alto

va toda la estudiantina:

son químicos y doctores,

cirujanos y dentistas.

Caramba y zamba la cosa

¡vivan los especialistas!

Me gustan los estudiantes

que van al laboratorio,

descubren lo que se esconde

adentro del confesorio.

Ya tienen un gran carrito

que llegó hasta el Purgatorio

Caramba y zamba la cosa

¡los libros explicatorios!

Me gustan los estudiantes

que con muy clara elocuencia

a la bolsa negra sacra

le bajó las indulgencias.

Porque, ¿hasta cuándo nos dura, señores, la penitencia?

Trecho da letra de Me Gustan Los Estudiantes, de Violeta Parra.

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Pobre do homem que perde dois filhos numa só semana

Ele perdeu a paternidade do menino e do real numa só semana. Olha, pobre FHC. Espero que lhe deem mais uns títulos acadêmicos para que não morra de desgosto.

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Ministra Gleisi Hoffmann propõe negócio a Lauro Jardim, colunista de Veja

O nome Lauro Jardim, de um colunista de Veja, já me soava meio RIDICOLO por lembranças de um passado nigérrimo e punguista não exatamente relacionado a ele. Agora, o colunista consegue novamente unir nome e ações. Numa notinha irresponsável, saiu acusando Gleisi Hoffmann de manobras paloccianas. Em referência ao enriquecimento de políticos — fato que obviamente não aprovo — ele escreveu:

Gleisi Hoffmann não é a única política a proceder dessa maneira, pois a lei permite que se aja assim, mas nunca será perda de tempo lançar holofotes sobre a prática: o apartamento de 412 metros quadrados que Gleisi possui num bairro nobre de Curitiba vale 245 mil reais, de acordo com a declaração de bens feita por ela ao TSE no ano passado. O valor real, no entanto, é quase o quádruplo disso. De acordo com um corretor que vende um apartamento no mesmo prédio, um imóvel sai ali por 900 mil reais.

O que Laurinho não contava era com uma pronta resposta de nossa ministra sex-symbol em nota oficial. Claro, uma resposta de alguém é uma grande surpresa neste governo que parece ter imensa vontade de ser simpático com o PIG.

Sr. Lauro Jardim
Editor da Coluna Radar
Revista Veja

O apartamento que possuo em Curitiba tem menos de 190 metros quadrados de tamanho e não 412 metros, como afirma nota divulgada hoje, 25, no Radar on-line. Há outros erros na nota. A saber: diferentemente do que informa Lauro Jardim, a lei não permite, mas DETERMINA que o valor declarado ao Imposto de Renda seja o de compra. Assim, o apartamento, que adquiri em 2003, tem sido declarado pelo valor de compra desde a declaração de 2004. Sobre o valor de R$ 900 mil, citado na nota: é claro que meu apartamento valorizou-se nestes oito anos após a compra, mas, se Lauro Jardim ou o corretor que, diz ele, avaliou o imóvel, desejarem comprá-lo por este preço, podemos conversar.

Gleisi Hoffmann

Em resposta, numa atitude que Dunga certamente caracterizaria como “cagona”, Lauríssimo Jardim tratou de evitar o choque com a paranaense, publicando uma correção apressada:

Houve um lamentável erro de apuração na nota acima. O apartamento da ministra Gleisi Hoffmann, comprado em 2003, possui 192 metros quadrados. A ministra esclarece que o imóvel valorizou-se, mas não chega a valer 900 mil reais.

Ah, essa não. Estamos no aguardo da proposta de Lauro Jardim. Eu me proponho a fazer a corretagem. E aí, Laurinho, quanto tu dás?

P.S. — A hashtag #vejacomprameuap está bombando no twitter.

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Os deputados e senadores diretamente beneficiados pela aprovação do Código Florestal

Vejam só que curiosa esta matéria que me foi alcançada pelo Felipe Prestes. É uma reportagem de 20 de abril do Correio Brasiliense que dá a relação dos nove deputados e três senadores, todos integrantes da bancada ruralista, que tiveram obras e propriedades rurais embargadas por crimes ambientais e que, casualmente, pressionaram e lutaram pela aprovação do novo Código Florestal. Agora, estão numa boa.

Matéria completa aqui. Abaixo, a ilibada relação:

» Agnolin (PDT-TO)
Duas áreas embargadas em Tocantins: destruição significativa da biodiversidade e implantação de projetos de loteamentos sem licença ambiental.
O que ele diz: que já regularizou a área de preservação, demoliu a obra e reparou os danos provocados pelas construções à margem do Lago do Lajeado.

» Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR)
Cinco áreas embargadas em Roraima: destruição de área de preservação permanente (APP), extração de minério de floresta de domínio público e impedimento da recomposição de florestas.
O que ele diz: que não utiliza mais as fazendas embargadas.

» Irajá Abreu (DEM-TO)
Duas áreas embargadas em Tocantins: desmatamento de reservas legais e APPs.
O que ele diz: que desconhece a decisão do Ibama de embargar áreas de fazendas em seu nome.

» Reinaldo Azambuja (PSDB-MS)
Uma área embargada em Mato Grosso do Sul: obras poluentes sem licença ambiental.
O que ele diz: que protocolou a defesa em 2009 e ainda não houve julgamento pelo Ibama.

» Roberto Dorner (PP-MT)
Uma área embargada em Mato Grosso: destruição de APP em áreas da Amazônia legal.
O que ele diz: que tem toda a documentação que autoriza o desmatamento.

» Augusto Coutinho (DEM-PE)
Uma área embargada em Pernambuco: desmatamento de APP.
O que ele diz: que foi concedida licença para a construção da obra que gerou o desmatamento.

» Eduardo Gomes (PSDB-TO)
Uma área embargada em Tocantins: instalação de represa que altera o curso d’água e a fauna aquática, sem licença ambiental.
O que ele diz: que a multa foi parcelada em 60 vezes e está sendo paga em dia.

» Iracema Portella (PP-PI)
Uma área embargada no Maranhão: desmatamento de APP.
O que ela diz: que tem uma propriedade rural no estado, mas nunca foi notificada por qualquer dano ambiental.

» Marcos Medrado (PDT-BA)
Duas áreas embargadas na Bahia: obras poluentes sem licença ambiental.
O que ele diz: a assessoria de imprensa afirmou que o deputado estava incomunicável no interior da Bahia.

SENADORES

» Ivo Cassol (PP-RO)
Quatro áreas embargadas em Rondônia: destruição de APP e reserva legal em áreas da Amazônia legal.
O que ele diz: que os crimes ambientais foram cometidos em propriedades vizinhas às suas.

» Jayme Campos (DEM-MT)
Três áreas embargadas em Mato Grosso: desmatamento de APP e atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental.
O que ele diz: a assessoria informou que não encontrou o senador.

» João Ribeiro (PR-TO)
Uma área embargada em Tocantins: atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental.
O que ele diz: não houve retorno até o fechamento da edição.

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O vídeo mais engraçado que vi até hoje, acho

No tenemos ni la mas puta idea en que puesto estamos en el ranking de faros españoles… Sensacional !!!!

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Chega de religião na vida do país

Texto que eu assinaria embaixo e por todos os lados
mas que é de Marcelo Carneiro da Cunha
e foi publicado no Sul21

Caríssimos Sul21enses, alvíssaras! Eis que o nosso estimado STF foi lá e pimba, desentortou o pepino um pouco mais, e cá estamos nós, basicamente, melhores, se não como pessoas, então como cidadãos de uma república laica.

E felizmente laica, embora não laica o bastante, na prática. Ter que conviver com a CNBB e os Malafaia metendo o bedelho em assuntos que não lhes dizem respeito é um desrespeito, para quem sabe que o país tem uma Constituição e que nela não está dito que alguma igreja manda na gente.

A igreja católica já tem os seus católicos para infernizar — não tem nada que estender seus ódios até quem não fez nenhuma escolha por escutar os seus mandamentos. As seitas evangélicas não tem nem ao menos a arquitetura e o tempo de residência que dão um certo verniz de respeitabilidade para a igreja católica. Mas, ficam assim mesmo indo muito além das suas auto-definidas atribuições e se intrometendo na vida real, como se dela entendessem. Basta.

A Constituição dá às igrejas o direito de existirem, e isso me parece assegurado. Elas podem existir, elas têm esse direito, embora eu não entenda por que elas não deveriam pagar impostos como todas as empresas, já que cobram, embora nem ao menos entreguem. Mas o que a Constituição assegura é o direito que as igrejas e seitas têm de pregar para os seus convertidos e tentar arregimentar outros incréus pelos meios dos seus templos e, infelizmente, de suas concessões de rádio e tevê. Nesse universo, e desde que elas não descumpram as leis, elas têm liberdade para falar e pregar e fazer o que bem entenderem, seus fiéis idem. Agora, o que elas não podem é vir aqui fora interferir no funcionamento do mundo onde vivem os demais cidadãos que não compartilham das suas crenças, isso não. Se um bispo católico quer dizer aos seus seguidores que o homossexualismo é errado, ok, embora eu não entenda por que as pessoas devam ouvir opiniões de eunucos quando o assuntos é sexo. Quando quero uma opinião sobre meus rins eu não costumo consultar paraquedistas ou motoristas de ônibus. Se o tema é sexo, quero ouvir quem pratica e muito, e se o tema são doenças, quero ouvir a área da saúde. Não quero ouvir bispos e pastores, e ninguém diz que eu tenho que fazer isso.

Mas eles insistem em berrar nos nossos ouvidos, como se direito tivessem. Não tem. Essa é uma república laica e laico quer dizer que as religiões não definem as leis ou a vida cidadã. Eles esquecem desse detalhe, não esquecem? No primeiro turno da eleição 2010 foi aquele enrosco. Nossas vidas sendo definidas por um ser primitivo como Silas Malafaia, da seita da Marina Silva? Os cardeais assustando com o fogo eterno a quem não votasse no Serra? Agora, a CNBB se mostrando em toda a sua feiúra diante do STF?  Isso serve para a gente lembrar que as igrejas e seitas podem posar de boazinhas em reclame de Campanha da Fraternidade, mas na hora do pega, olhem o que eles são e o que eles dizem. Padres dizendo que os gays são promíscuos? Isso não é coisa do Bolsonaro? Bolsonaro é católico? O casamento para os gays é o fim da sociedade civilizada? Quem organizou e conduziu uma Inquisição tem condições de apitar sobre o que quer que seja? Para algo guiado pelo divino, eles erraram e erram demais, não lhes parece?

Igrejas contavam quando além de nos excomungar elas podiam cancelar o nosso CPF. Numa república laica, quem pode é a Receita Federal, e é importante que nos lembremos disso. A intolerância deve ficar no seu canto, já que existe, mas não tem o direito de contaminar a vida.

Nós, cidadãos de uma república laica, temos o direito a uma vida laica e não precisamos ouvir o que temos ouvido, da parte de quem não tem nada, mas nada mesmo a dizer, ao menos para quem não acredita no que eles pregam. Não quero ter que dar bola para o que pensam católicos, protestantes, evangélicos, islâmicos, ou budistas, enquanto eu queira e deva dar bola para o que realmente pensam os cidadãos por trás desses rótulos. Cidadania é uma condição humana, exercitada por humanos, e com humanos se pode dialogar, mesmo discordando. Com quem se segura no que entende como uma verdade divina, mesmo que nada a comprove a não ser o desejo absoluto de acreditar em algo,  não há como dialogar, e não há por que dialogar.

O STF ontem lembrou a todo mundo, especialmente ao Congresso, o que somos. Lembrou também `às igrejas o que elas são. Elas foram, esbravejaram e tomaram uma sova. Melhor assim, e é para esse mundo que despertamos hoje. Mais conscientes do nosso poder, mais conscientes da nossa responsabilidade. Ela é nossa, de ninguém mais e, portanto, a ela.

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