Atrás do balcão da Bamboletras (XXVI)
Há um capítulo muito famoso, mais exatamente o oitavo, no Doutor Fausto de Thomas Mann, em que o imaginário professor Kretzschmar dá uma aula sobre o tema “Porque Beethoven não escreveu o terceiro movimento da Sonata Op. 111“.
Talvez não haja verdades absolutas sobre algo tão aberto, criado numa arte que é intangível ar sonoro, mas o resultado é que, relendo o espetacular capítulo, resolvi pensar um pouco sobre uma questão que, se é significativa no romance de Mann, é apenas curiosa fora dele. Houve um corajoso Schindler (jornalista ou músico) que perguntou a Beethoven sobre a razão da inexistência do terceiro movimento. A resposta do compositor foi típica de seu mau humor: “Não tive tempo de escrever um!”. Mann explorou habilmente a história e só quem leu o Dr. Fausto sabe da profunda impressão que a aula de Kretzschmar causou a Adrian Leverkühn, o personagem principal do livro.
Pois o incrível é que li que havia a intenção de um terceiro movimento para esta sonata e que Beethoven parece ter desistido dele. Inclusive no manuscrito onde está o primeiro movimento há uma anotação: segundo movimento – Arietta; terceiro movimento – Presto. Também não encontrei referências de que a Arietta (segundo movimento) fosse algum tipo de adeus, conforme disse o Kretzschmar de Mann. Claro que a invenção dessa despedida foi uma das muitas liberdades poéticas tomadas pelo ultra entusiasmado professor. Está bem, foi a última sonata para piano de Beethoven, porém ao Op. 111 seguiram-se obras até o Op. 137 e dentre estas há todos os últimos quartetos, a Nona Sinfonia (Op. 125), as Variações Diabelli (Op.120) , as Bagatelas (Op. 126), a Missa Solemnis (Op. 123), etc. Ou seja, quando Beethoven escreveu o Op. 111, ele era um compositor em plena atividade e com vários projetos diferentes a desenvolver, não obstante a doença.
Porém, o mais interessante é tentar explicar porque esta obra provoca tanto e a tantas pessoas. A linguagem altamente abstrata que Beethoven alcançou em suas últimas obras nos perturba tanto aqui como nos últimos quartetos. A imaginação de quem criou a Arietta é arrebatadora. O professor Kretzschmar tem toda a razão ao proclamar que tudo aquilo vem de um simples dim-dada, ou seja, de três notas que não despertariam a atenção de nenhum artista comum, e é sobre este quase nada que Beethoven cria uma imensa construção, onde há lugar para a delicadeza, a simplicidade, o sublime e até para a explosão de uma desenfreada dança semelhante ao jazz que os negros inventariam 100 anos depois. Ele sempre foi dado à utilização de temas curtos e afirmativos, mas convenhamos, aquele dim-dada está mais para um balbucio de criança… Não seria isto o que nos surpreende tanto? A música se inicia como um balbucio, depois cresce mui modernamente, quase que por livre associação e depois retorna ao início. Será esta a despedida a que Kretzschmar se refere? Nascimento, vida e morte?
Não reli a aula de Kretzschmar antes de escrever este post. Fazendo rápida e severa autoanálise penso que talvez tenha entrado neste assunto apenas como pretexto para pensar em músicas que não são somente belas, mas demonstrativas de inteligência e engenhosidade. Outras do mesmo gênero seriam os quartetos de Béla Bártok, alguns dos últimos quartetos de Beethoven (principalmente o Op. 132), as Variações Goldberg, a Oferenda Musical de J.S. Bach e outras raríssimas. Não sei se me faço entender, mas acredito que o espírito mozartiano — que adentra muito no campo emocional — não poderia entrar aqui. São obras por demais cerebrais. São as minhas preferidas.
A Elena diz que é uma artesã cansada, que não busca ouvir novas músicas, só as do trabalho. Só que ela casou com PQP Bach e o cara está sempre ouvindo coisas novas.
Hoje, preparei tudo direitinho. Quando ela chegou em casa, coloquei uma gravação das Sinfonias Nros. 38 e 41 de Mozart que sabia ser espetacular, mas não sabia por quê. É isso, eu sei quando é bom, sei que tenho sensibilidade, mas nem imagino os motivos de minhas admirações. E então ela me explica o que tem lá de diferente.
E ela ouviu, pediu pra repetir, ELOGIOU MUITO, destacou e detalhou o último movimento da Júpiter, com suas respirações diferentes, as puxadas de freio do maestro, as variações no andamento, etc.
Quando acabou, eu tirei o CD e coloquei um vinil com um contratenor cantando Purcell. Ela me olhou com estranheza. O que teria a ver? Será que a pequena cirurgia que fiz hoje teria afetado meu cérebro?
Expliquei que o contratenor que cantara Purcell nos anos 70 era o regente do Mozart de agora — um cara que se especializara na regência de óperas barrocas e clássicas.
E vieram considerações e pedidos para que eu ficasse mais tempo em casa. Passamos um bom dia. Eu com alguma dor pelo dente que morreu, mas com o resto ainda bem vivo.
Gravações citadas:
— W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38 e 41
Freiburger Barockorchester
Reg.: René Jacobs
— Henry Purcell (1659-1695): “Tis Nature Voice” and other songs and elegies
Contratenor: René Jacobs
Campanha lançada pela Associação Americana de Livrarias quer alertar para o perigo que a gigante de Seattle representa para o setor
Da PublishNews

Nesta semana, quando a Amazon realizou o seu “Prime Day”, campanha de altos descontos para os clientes que pagam pelo serviço de fidelidade da gigante de Seattle, seis livrarias independentes nos EUA surgiram vestidas para a guerra como parte da campanha #BoxedOut, encabeçada pela American Booksellers Association (ABA).
As vitrines das livrarias foram adesivadas com dizeres como “Books curated by real people not a creepy algorithm” (“Livros curados por pessoas reais e não por algoritmos assustadores”); “Buy books from people who want to sell books, not colonize the moon” (“Compre livros de pessoas que querem vender livros, não colonizar a lua”) ou, indo mais direto ao ponto, “Amazon, please, leave the dystopia to Orwell” (Amazon, por favor, deixe a distopia para Orwell”).
Em comunicado, Allisson K Hill, CEO da ABA, disse que as pessoas podem não entender os custos e as consequências das conveniências da Amazon, mas “Mais de uma livraria independente foi fechada por semana desde o início da crise provocada pela pandemia do covid-19, ao mesmo tempo, um relatório prevê que a Amazon vai gerar US$ 10 bilhões em receitas durante o ‘Prime Day’”. “Ligando os pontos, está claro que essa ‘conveniência’ tem um custo e uma consequência. O fechamento de livrarias independentes representa perda de empregos, de impostos locais e de oportunidades para que leitores descubram livros e se conectem com outros leitores”, completou.
As seis livrarias que serviram de piloto da campanha estão localizadas em Washington, Nova York e Los Angeles, mas a ideia é que mais associados usem as peças publicitárias em suas lojas e redes sociais.

Hoje é Dia do Professor. Sei que é a mais importante das profissões e um dos ofícios mais mal pagos e desconsiderados de nosso país.
Este dia me afeta, fico sempre triste nos dias 15 de outubro. Sim, porque quase todo mundo que tem meu grau de escolaridade tem um professor universitário para homenagear e eu não. Nenhum ficou como modelo. A maioria ficava entre o insuportável e o indiferente.
Os meus grandes professores foram três do Ensino Médio — do Colégio Júlio de Castilhos — e vou tratar de lembrá-los, pois tenho boas lembranças deles, além de gratidão.
1. Moacyr Flores (que ainda anda por aí, ativo aos 85 anos): esse cara não ensinava apenas história como mostrava a formação das versões e dos mitos históricos. Foi um professor genial. Falava rindo, sempre com uma ironia que jamais atingia seus alunos. Quase 50 anos depois, ainda lembro de algumas aulas.
2. Sara: eu tinha 15 anos e só estudava, jogava futebol e me masturbava. A Sarinha enfiou a literatura de forma definitiva na minha cabeça. Ela indicava um livro para cada aluno, com frequência diferentes para cada um. A minha frequência era um livro por semana. Depois, ela comentava as obras com cada um.
3. Serjão: esse era sósia do Muhammad Ali. Fui primeiramente para as exatas por causa dele. Era o melhor professor de Física do mundo. No dia das provas, ele chegava de óculos escuros e sentava imóvel com seu corpanzil na mesa do professor. Ninguém sabia para onde ele olhava, ninguém colava.
Esses são os meus ídolos. Eles vêm lá de longe, da primeira metade dos anos 70.

Da revista IHU
Compartilhamos o curto e claro manifesto com o qual acadêmicos holandeses propõem uma mudança do paradigma econômico mundial depois da crise da pandemia.
A nota é publicada por El Clarín, Chile, 27-04-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.
Aparentemente a Holanda é o país que com mais força está tomando o desafio de reestruturar sua economia a partir do que nos vivemos no presente. Nesse contexto, 170 acadêmicos holandeses escreveram um manifesto em cinco pontos para a mudança econômica pós-crise da covid-19, baseado nos princípios do decrescimento:
1. Passar de uma economia focada no crescimento do PIB, a diferenciar entre setores que podem crescer e requerem investimentos (setores públicos críticos, energias limpas, educação, saúde) e setores que devem decrescer radicalmente (petróleo, gás, mineração, publicidade, etc.).
2. Construir uma estrutura econômica baseada na redistribuição. Que estabelece uma renda básica universal, um sistema universal de serviços públicos, um forte imposto sobre a renda, ao lucro e à riqueza, horários de trabalho reduzidos e trabalhos compartilhados, e que reconhece os trabalhos de cuidado.
3. Transformar a agricultura em um sistema regenerativo. Baseado na conservação da biodiversidade, sustentável e baseada em produção local e vegetariana, ademais de condições de emprego e salário justas.
4. Reduzir o consumo e as viagens. Com uma drástica mudança de viagens luxuosas e de consumo desenfreado, a um consumo e viagens básicas, necessárias, sustentáveis e satisfatórios.
5. Cancelamento da dívida. Especialmente de trabalhadores e donos de pequenos negócios, assim como de países do Sul Global (tanto a dívida a países como a instituições financeiras internacionais).
O jogo de ontem do Inter foi um sufoco. Saímos de um primeiro tempo fácil a um dramalhão no final. O fraco Athlético-PR nos deu a maior pressão no fim. Teve travessão e milagres.
Parabéns ao Lomba, nosso goleiro, que garantiu a vitória à base de grandes defesas nos descontos e antes. Parabéns ao Heitor, que está mostrando futebol para substituir Saravia e para impedir que Rodinei nos torture em campo. Espero que a lesão que o tirou do time no intervalo não seja grave. E parabéns ao ultra efetivo Thiago Galhardo.
Entramos com os poucos jogadores que tínhamos disponíveis e, quando fomos obrigamos a mexer, vejam só, Coudet chamou do banco o pior jogador da América Latina, William Pottker. Mas quais eram as alternativas?
Com Peglow, Johnny, Nonato, Edenílson e Dourado fora de jogo, quem poderia entrar?
Inacreditavelmente, vencemos um jogo que terminamos com Rodinei, Moisés, Lindoso, Musto, Pottker e Marcos Guilherme em campo. 6 indiscutíveis nabas!

Musto é um capítulo à parte. Além dos cartões, errou todas ontem. Na primeira participação, fez falta na entrada da área… Coudet poderia ter colocado Zé Gabriel mais à frente e colocado Moledo, não? Mas Musto é, inexplicavelmente, bruxo do homem.
Já Yuri voltou a mostrar qualidades. Ele e Peglow poderiam deixar Pottker mais longe das quatro linhas, não?
O próximo jogo é na quarta-feira, às 21h30min, na Ilha do Retiro, contra o Sport.
Apenas para controle, deixo aqui a escalação do Inter de ontem: Lomba, Heitor (Rodinei), Zé Gabriel, Cuesta e Moisés: Lindoso, Praxedes (Musto), Marcos Guilherme e Patrick (Yuri Alberto); Thiago Galhardo (Pottker) e Abel Hernández (D’Alessandro).
O Inter é terceiro por aproveitamento no Covidão 2020 e o Grêmio de Renato, o qual prometia estar entre os primeiros colocados na 15ª rodada, está em 12º pelo mesmo critério. Lembram de sua declaração após a 5ª rodada?

Muita gente fala mal do Coudet e tem saudades do Odair, mas…
Inter 2019 vs Inter 2020
15 rodadas de Brasileirão:
(2019 – 2020)
Aproveitamento: 53.3% – 62.2%
Gols pró: 17 – 21
Gols sofridos: 12 – 10
Chances de gol criadas: 19 – 29
Conversão de chances: 42% – 52%
Chutes p/ marcar: 9,0 – 5,7
Chutes sofridos: 137 – 101
Chances de gol cedidas: 23 – 13
Fica, Coudet!
Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… “Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses”.
Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes. – “Paris! Paris!” Proferiu Pedro Paulo. -“Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir”.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: -Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? -Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.
Paranhos – Porto – Portugal
Autor: António Jorge (Portugal)
…e achei quase tudo muito ruim. Vamos começar pelos piores.
O tal Gustavo do PP ficou chorando por ter sido “traído pelo Marchezan”. Será que ele acha que ter recebido cornos políticos o credencia a algo?
Maroni apareceu com um olhar meio louco, segurando um cachorro e procurando seu texto com ar desesperado. O teleprompter estava embaixo, à direita. Mas ele disse no máximo duas frases. Não podia ter decorado? Pensando bem, o Maroni é quem está abaixo e à direita.
Juliana Brizola sentou-se numa escrivaninha e escreveu uma cartinha para seus eleitores. Tudo muito fófis e anos 50. Ela deve adorar a série This is Us.
Marchezan explicou que agora conhece a prefeitura e que, reeleito, fará muito mais. A mim, pareceu uma ameaça.
João Derly estava todo sorridente, bem perdido, com o ar de quem pede desculpas e que não sabe bem o que está fazendo ali.
Melo apostou na breguice, além de dizer que vai acordar cedo e dormir tarde todos os dias. Vai trabalhar como um louco. Eu lembro de que ele fez capotar uma caminhonete numa via secundária de Porto Alegre. Alegou estar a 40 Km/h. Mas capotou. Deve ser louco mesmo.
Minha candidata Fernanda pareceu estar bem indignada. Acho que poucos apreciam gente indignada surgindo na tela. A menos que seja o vilão. Ela não é o vilão.
As melhores propagandas foram a da Manuela e a do perigoso Fortunati. Aquele ar de tiozão religioso faz o maior sucesso. Uma desgraça.
Curioso é que muita gente apareceu passeando na orla. É o novo símbolo de Porto Alegre e é… Obra do Fortunati, não?
Tostão falou no rádio que se encantou com o inicio do trabalho de Coudet, mas que logo viu que ele não teria um grupo grande e de qualidade suficiente para manter o que pensa e que, portanto, o Inter, por pobreza de jogadores, não lutaria por NADA. É exatamente o que penso.
Hoje, temos 25 pontos. Poderiam ser 29, caso não fossem os dois erros incríveis de Moisés e Rodinei ao final de 2 jogos ganhos. É difícil contestar o trabalho de um treinador que está em segundo lugar no Brasileiro comandando um time com as carências apontadas por Tostão. Soma-se a isto a confusão administrativa — dívidas de 1 bilhão — e política, adubadas pelo presidente Marcelo Medeiros e por seu ex-vice Roberto Melo.
Ontem, chegamos aos 25 pontos em 14 jogos. Normalmente, este aproveitamento não seria de um segundo colocado, mas o perde-ganha, a troca de pontos é tão grande no Covidão 2020 que nossos 59,9% bastam para o segundo lugar isolado. Só que todo mundo está muito junto e qualquer escorregadela faz com que um time perca sua posição — assim como quaisquer duas vitórias fazem um time subir como um balão.
A vitória de ontem contra o fraco Bragantino é o terceiro triunfo fora de casa no campeonato. Isso era raro nos tempos do Odair… Além de ser uma quebra em nosso estilo solidário de perder para os times do Z-4.
E vamos aos trancos, de qualquer jeito.

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O Alexandre Perin (@a_esportivo) publicou no twitter uma boa análise de nosso grupo. Leiam a lista com o terrível cenário de endividamento do clube ao fundo.
FAIXAS SALARIAIS NO INTER
BLOCO 1: Natanael, Dudu, Moisés, Musto, Leandro Fernandez, Danilo, Lomba, Rodinei, Lindoso, Patrick, Galhardo, Marcos Guilherme, Yuri Alberto e Lucas Ribeiro custam mais de 200k.
BLOCO 2: Uendel, Saravia, Cuesta, Moledo, Boschilia, Zeca, Valdívia, Dourado, Pottker ganham mais de 300k
BLOCO 3: Edenilson, Abel, D’Ale, Guerrero ganham mais de 400k.
Na minha visão, o bloco 3 deveria ser fortalecido, com metade dos jogadores com potencial de revenda e erro mínimo.
Bloco 2 deveria ser de atletas no auge de idade e primor técnico.
Bloco 1 deveria ser reduzido drasticamente com o uso da base, reduzindo investimentos.
Assim tb se visualiza discrepâncias como jogadores da mesma posição ganhando salários altos (e só podendo um atleta jogar por vez, como gol, lateral, primeiro volante, centroavante, etc.).
Em resumo é gastar mais com diferenciais técnicos e menos com jogadores que tem igual na base ou se consegue mais barato garimpando corretamente.
Mais Saravias e menos Natanaeis…
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Sequência do Inter:
08/10 – Bragantino 0 x 2 Inter
11/10 – Inter x Athletico
14/10 – Sport Recife x Inter
18/10 – Inter x Vasco da Gama
22/10 – Universidad Católica x Inter (Libertadores)
25/10 – Inter x Flamengo
28/10 – Atlético-GO x Inter (Copa do Brasil)
31/10 – Corinthians x Inter
Do Toluna
Nascido em dezembro de 1921, em Massachusets, Ferdinand Waldo Demara iniciou sua carreira de impostor após desertar do exército americano. Tendo que se esconder, apresentou-se em um mosteiro, como um homem que queria uma vida simples e desejosa de Deus. Enganou os monges por meses – sendo responsável pelas vinhas do mosteiro e a fabricação dos vinhos para a missa. Desistiu de se esconder no mosteiro por seu espirito glutão – não conseguiu se adaptar aos períodos de jejum.
Em suas duas décadas de carreira, ele se passou por monge católico, engenheiro, xerife, enfermeiro, advogado, cientista, professor e médico. Ferdinand Demara não só se passava pelos personagens, ele se transformava neles, levando suas farsas às últimas consequências. Em seu período como “monge”, fundou uma universidade religiosa – que existe até hoje.
O ato máximo de Demara veio durante a Guerra da Coreia. Ele embarcou num destróier da Marinha canadense dizendo ser o Dr. Joseph C. Cyr. A guerra era real, e ele teve que lidar com pacientes reais. Usando uma quantidade copiosa de penicilina, acabou com uma infecção que se alastrava pelo navio, e operou 16 feridos de guerra trazidos ao convés, em estado grave. Demara se enfurnou em sua sala com volumes de medicina. Quando apareceu de volta, operou todos os pacientes – fazendo inclusive cirurgia cardíaca com cavidade torácica aberta. Acredite se quiser, ninguém morreu.
A vaidade, porém, acabou com sua carreira prolifica. Demara publicou suas peripécias na revista Life. Ficou famoso, conhecido e portanto, impossibilitado de ter sucesso em suas farsas. Então virou um pastor batista – de verdade. Cursou teologia e passou a trabalhar em hospitais e obras de caridade, como capelão.
Por Bruna Paulin e Gustavo Foster, no Noite dos Museus
Mais do que os grandes lançamentos do ano ou os atrativos descontos oferecidos, o grande barato da Feira do Livro de Porto Alegre é a aglomeração na Praça da Alfândega, coração da cidade. O passeio no entorno das bancas, os bate-papos sem pressa entre livreiros e visitantes, a vida que toma conta de um espaço muitas vezes pouco frequentado pela população no resto do ano.
A Feira do Livro, tão tradicional no calendário cultural gaúcho, é espaço de formação de público – e sem dúvida grande parte de seu sucesso vem das trocas presenciais. Em 2020, devido à pandemia, a principal feira literária do Estado não poderá ser realizada fisicamente – como tantas outras em cidades espalhadas pelo Brasil. Por conta da impossibilidade de ocorrer em seu formato tradicional, os organizadores levaram-na para o mundo virtual, onde pretendem emular tudo aquilo que a feira tem de melhor, além de servir de inspiração para outros eventos do tipo. Não somente seu produto final, o livro, estará à venda pelos sites dos associados, mas também toda a programação da Feira, incluindo a transmissão ao vivo das atividades oferecidas.
Sob o slogan “Janelas abertas para a Praça”, o evento terá sua programação, totalmente gratuita, veiculada pelo portal www.feiradolivro-poa.com.br entre os dias 30 de outubro e 15 de novembro. Em 29 de setembro, a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) divulgará os lançamentos, os autores participantes e o patrono desta edição, além de promover mais três eventos de aquecimento, nos dias 13, 20 e 27 de outubro. A escritora chileno-norte-americana Isabel Allende é a autora convidada e participará da abertura.
“Na nossa 66ª edição, estamos focando na qualidade dos eventos e no potencial que eles têm de debater, a partir do universo do livro, temas atuais relevantes. A programação geral terá quase 40 atividades, envolvendo cem convidados. Um universo que espelha também a nossa ideia de valorizar o que é diverso, de temas a perfis dos escritores”, explica Lu Thomé, uma das curadoras da feira.
“O ‘Janelas abertas para a Praça’ une estas duas coisas: a nossa comunicação atual por ‘janelas’ e telas de celulares, notebooks e computadores durante o período de isolamento social. Telas que, com a participação dos leitores na nossa programação, estarão voltadas para a Praça, que é o símbolo da Feira. A Praça estará na casa de todas as pessoas que desejarem. Nesse sentido, a programação precisa ser mais abrangente possível. Então, seguimos algumas linhas temáticas centrais: cultura (com valorização da cultura e liberdade de expressão), diversidade (com inclusão, feminismo, antirracismo e tolerância), ciência (pandemia, saúde) e sustentabilidade (relação com o mundo e o meio ambiente, economia verde)”, detalha Lu.
O momento atípico gerou inseguranças e apresenta desafios, mas a CRL garante que fez de tudo para preparar público e livreiros para as novidades.
“Em um evento tão tradicional como a Feira do Livro de Porto Alegre, é natural que exista alguma resistência à mudança por parte dos livreiros. Muitos deles participam há décadas da feira, que, diga-se, manteve um formato muito semelhante desde as primeiras edições. Ao mesmo tempo, percebo que há uma parcela cada vez maior de livreiros, distribuidores e editores em busca de informação sobre como vender pela internet”, avalia Tito Montenegro, editor da Arquipélago Editorial e diretor da CRL.
Livreiros receberam consultoria, sites novos e ajuda em transações para entrar no mundo novo
Para os associados que ainda não tinham comércio eletrônico, por exemplo, a entidade firmou parceria com uma empresa que desenvolve lojas virtuais, a GetCommerce, para que os expositores possam criar seus comércios eletrônicos em condições especiais. Firmou-se também um convênio com o Sebrae-RS, proporcionando uma consultoria para os livreiros qualificarem seus negócios para enfrentar os novos tempos, com ênfase na recuperação pós-pandemia e na crescente digitalização da divulgação e da venda de livros.
Para a tradicional livraria porto-alegrense Bamboletras, as inovações já começaram a surtir efeito. Se antes da pandemia o empreendimento se caracterizava como uma “livraria de balcão”, a quarentena forçou o proprietário Milton Ribeiro a criar um site da empresa. Se as vendas no início da pandemia caíram a 20%, Ribeiro espera que a feira ajude na retomada do crescimento, algo que já vem acontecendo nos últimos meses.
“A Feira do Livro vai ser uma continuidade dessa evolução. Nem tanto balcão, mais atendimento remoto. A Bamboletras se caracteriza por ter pessoas que conhecem livros e fazem uma curadoria. De certa forma, esse atendimento remoto vai continuar. A Câmara do Livro nos disponibilizou a possibilidade de ter um site – éramos tão de balcão que não tínhamos um. Teremos também a comunicação por redes sociais. Vai ser uma estreia, um mundo novo”, comemora o livreiro, antes de ponderar: – Minha perspectiva é otimista, porque vai ter muita divulgação, porém eu não sei muito bem qual vai ser a repercussão, porque é inédito.
Novos públicos e oportunidades infinitas
Se, por um lado, a impossibilidade de reunir pessoas é uma barreira, por outro, pode ser uma oportunidade para mudar. Gustavo Guertler, CEO da Editora Belas-Letras, conta que a empresa decidiu oficializar o home office, vai entregar a sala em que funciona sua sede em Caxias do Sul até dezembro e migrará o estoque para Osasco, em São Paulo. A partir dessa novidade, a editora pretende continuar inovando no ambiente digital – com a contribuição da Feira do Livro.
“Vamos tentar criar uma experiência mais próxima do que acontecia na feira física, no que se refere a curadoria e relacionamento com as pessoas, dentro do que é possível. Por outro lado, também tentamos criar ações que só o ambiente digital permite, então pensamos nisso como uma oportunidade. Há uma infinidade de ações que podemos fazer online, como garantir uma experiência da Feira para pessoas que não são da cidade”, acredita Guertler.
Lu Thomé concorda e vai além: para ela, as novidades devem se tornar padrão a partir de agora.
“Pela primeira vez, estaremos transmitindo para o Brasil e o mundo. É um ganho gigante. É provável que o formato online não seja mais abandonado, e as edições futuras passem a ser idealizadas num modelo híbrido de digital e presencial. Tudo ainda precisa ser confirmado e também precisaremos saber sobre os protocolos sanitários dos próximos anos. Todo o investimento e estrutura digital é um legado que fica para as próximas edições.”
Os hábitos de leitura também mudaram na pandemia?
Se tudo está mudando por conta da pandemia, as leituras de quem está em quarentena também ganharam outro perfil. Pelo menos é o que estimam Guertler e Ribeiro. O CEO da Belas-Letras diz que percebeu “uma pequena mudança nos títulos”:
“Por um lado, houve uma queda leve em títulos mais relacionados a negócios, empreendedorismo, mas houve também um aumento nas vendas de títulos que envolvem memória afetiva, entretenimento, autoconhecimento. As pessoas estão buscando olhar um pouco mais para dentro de si.”
Segundo ele, a editora teve crescimento de 16% nas vendas no primeiro semestre. Já Ribeiro afirma que “mudou muito a temática das vendas”:
“Em primeiro lugar, as pessoas começaram a atacar aqueles calhamaços, como Grande Sertão: Veredas, livros grandes de Tolstói, Dostoiévski, aqueles tijolos. Estão saindo todos. Nunca teve tanta procura. Leituras atrasadas, acho. Outra coisa, algo mais cômico, mas muita gente está procurando por gastronomia. Os livros da Rita Lobo, livros de receita, isso está saindo muito. As pessoas dizem ‘não aguento mais a comida da minha mãe, não aguento mais o que eu faço em casa’, e tentam mudar”, se diverte.
A Feira da gurizada para além de Porto Alegre
Nestes últimos 66 anos, é possível afirmar que grande parte da população infantojuvenil de Porto Alegre visitou pelo menos uma vez na vida a Praça da Alfândega com sua escola. O dedicado trabalho de formação de público desenvolvido pela organização da Feira tem como figura-chave Sônia Zanchetta, envolvida com a programação dos eventos infantis e juvenis desde 1998. Em 2020, os desafios deixam de ser os mesmos de 22 anos de experiência:
“É um desafio e tanto produzir as programações da Área Infantil e Juvenil em formato online. Mas estamos contentes porque, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, a Feira do Livro está confirmada. Confiamos em que os professores, bibliotecários e outros mediadores da leitura que costumam nos visitar com alunos atuem com o mesmo entusiasmo de sempre, promovendo a leitura prévia de obras dos autores, para que os encontros digitais, que permitirão a interação entre o público e os convidados, sejam prazerosos e produtivos”, afirma Sônia.
As escolas e professores que estão conseguindo manter atividades com seus alunos já podem entrar em contato para saber mais detalhes sobre o funcionamento e as opções para direcionarem suas turmas em atividades online. Não é necessário agendamento prévio neste ano, pois não há limite físico para a participação simultânea de mais de uma turma. A equipe da programação infantil e juvenil e do ciclo A Hora do Educador atende pelo e-mail [email protected] e sugere as atividades para a participação dos estudantes, de acordo com a idade e o ano escolar.
Serão 20 autores que promoverão 20 encontros, além de 20 contações de histórias, realizadas por Bárbara Catarina e Carmen Lima. Sônia destaca que o formato digital da Feira possibilitará a interação de mais estudantes, muitos deles que não conseguiam participar presencialmente:
“Muitas crianças e jovens de municípios que não eram atendidos pelo transporte escolar do evento terão a oportunidade de fazer parte da Feira em 2020.”
A Feira virtual também auxiliou a trazer nomes que a curadoria desejava há alguns anos, como Kiusam de Oliveira e Eliane Potiguara. Da literatura indígena, além de Potiguara, Yaguaré Yamã integra a lista de autores participantes. Para se ter uma ideia da amplitude desse universo de alunos, só no Rio Grande do Sul existem 90 escolas indígenas.
Entre os escritores de literatura infantil afro-brasileira, além de Kiusam de Oliveira, está Rogério Andrade Barbosa, provavelmente o autor com mais livros publicados na área. O evento também contará com Otávio Júnior, conhecido por abrir a primeira biblioteca nas favelas do Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
Para acompanhar as novidades e a programação completa da 66ª Feira do Livro, visite o site www.feiradolivro-poa.com.br.
Chove muito em Porto Alegre, então, fui para o trabalho com um motorista de Uber. Puxo papo. Pergunto a ele sobre sua vida e seu trabalho. Ele responde que o Uber é ótimo. Agora, ele está muito melhor, ganhando em média R$ 15 por hora contra os R$ 5 que ganhava anteriormente.
E paga INSS?
— Não.
Paga alguma previdência privada?
— Não.
Plano de saúde?
— Não.
E seguro do carro?
— Não.
Ele nota que eu estou achando sua situação bem ruim e diz que sua mulher havia dito que ele era louco.
Só que acho ótimo o Uber, Me quebra os maiores galhos. Uso também o Uber Flash. É horrível, só que não tenho grana para não explorar os caras. Motoristas de táxis são muito diferentes?
Do Instituto Telecom
Observação minha:
O texto é meio louco, muda de assunto subitamente, mas contém muita informação
No penúltimo programa Greg News (25/09/2020), Gregório Duvivier fez uma boa comparação entre os caminhos escolhidos pela China e pelo Brasil em relação ao desenvolvimento.
a) Em 18 meses de governo Bolsonaro nossa dependência da China aumentou e muito. Em 2018, a China comprou 27% de tudo o que vendemos para o exterior. No primeiro semestre de 2020, os chineses compraram 40% da exportação brasileira.
b) A China compra muito soja brasileira para que seus porcos não passem fome.
c) A demanda por soja provoca mais demanda por terra. Daí a queima criminosa de terras públicas na Amazônia e no Pantanal, com a complacência do Governo Federal.
d) Os chineses não plantam soja porque ela consome muita água, provocando um estresse hídrico (uso não sustentável da água). A água é tão mais valiosa que a soja que o governo chinês investiu 80 bilhões de dólares para levar água do sul para o norte do país. Serão 45 trilhões de litros de água transportados, por ano, para as regiões mais secas da Chinas.
e) Com a exportação de soja, o Brasil manda junto para a China mais que o dobro de água que o projeto bilionário irá carregar. Na verdade, ao importar soja os chineses estão importando água. Por isso, enquanto o Brasil queima, a China cresce.
f) Para os exportadores brasileiros de soja é ótimo que o dólar suba, pois quando o real se valoriza eles perdem. O mesmo ocorre com o arroz, que é indexado ao dólar. Daí os preços absurdos do arroz no Brasil.
g) A China está há décadas investindo pesado em educação, pesquisa e infraestrutura. Nas últimas três décadas, a China tirou 850 milhões de pessoas da pobreza. Desenvolvimento inclusivo. A cada ano o salário mínimo chinês cresce de 10% a 20% acima da inflação.
h) A China tem uma Educação pública excelente e acessível para todos. O país está no topo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em Matemática, Ciência e Leitura.
O Brasil poderia ter sido a China. Mas, fez várias escolhas erradas, entre elas a privatização do setor de telecomunicações, em 1998. Naquela ocasião tínhamos o único centro de pesquisa fora do eixo Europa, Japão, EUA: o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás (CPqD). Com o CPqD obtivemos o controle da tecnologia da fibra ótica, de centrais eletrônicas. Exportávamos para a China o cartão indutivo para telefone público. Hoje poderíamos estar no estado da arte da pesquisa e desenvolvimento do 5G.
Apesar de toda a adversa conjuntura brasileira, precisamos exigir que haja investimento em conhecimento e fortalecimento das universidades públicas em relação às telecomunicações/tecnologia da informação. Exigir que as operadoras de telecomunicações no Brasil não se apropriem apenas dos lucros para seus acionistas, e, sim, garantam investimento em capacitação, em conhecimento, em pesquisa. Não podemos apenas continuar a alimentar os porcos chineses e a bater continência para o governo Trump.
Instituto Telecom, Terça-feira, 29 de setembro de 2020
Lá por 2017, a Elena propôs desligar o telefone fixo aqui de casa — ele só servia para o telemarketing e para o ex e os amigos dos filhos ligarem. Eu respondi que, em janeiro de 2016, quando um tornado veio dar um passeio em Porto Alegre, foi o fixo que permitiu que eu conversasse com ela, que estava em viagem.
Mas, logo depois, cedi aos argumentos dela e acabamos com o fixo.
Agora, também não atendemos ligações em nossos celulares vindas de desconhecidos e de outros estados. Motivo: ainda o telemarketing. A Elena passa o dia em modo avião, só atendendo o Whats.
Aliás, acho que o WhatsApp deveria agradecer às empresas que nos causam tanto mau humor com ligações silenciosas ou estapafúrdias como esta que recebi numa manhã de um sábado em que podia dormir. É claro que ainda tínhamos o fixo. A ligação ocorreu às 8h da madrugada, pasmem.
— Alô — disse eu só de cuecas e camiseta, reprimindo um bocejo e pensando que poderia ter acontecido algum problema com nossas 4 “crianças”, 2 meus e 2 dela..
— Falo com o Sr. X?
— Não, o Sr. X não mora mais aqui.
— E eu falo com quem?
— Com o Milton, que está com sono.
— Ah, sim. Eu estou telefonando para lhe propor um esplêndido negócio que lhe dará muita tranquilidade, a si e aos seus.
— Que seria?
— Um local belo e sossegado, com vista para a cidade.
— Ih, não tenho dinheiro para investir em imóveis, não tenho nem onde cair morto.
— Justamente!
— O quê? Tu tá me ligando para propor a compra de minha morada eterna?
— Sim. Num lindo gramado, no alto de um morro.
— Com vista pra cidade?
— Sim.
— Então, vai tomar no teu c@.
E, assim, eu soube que a Elena, a quem chamo tantas vezes de “minha boa conselheira”, tinha razão novamente. Hoje, não temos mais um fixo. Mas também raramente atendemos celular. O telemarketing acabou com esse negócio de telefone. Fiquei surpreso dia desses quando vi um filme e um telefone tocou. Imagine que o Humphrey Bogart, logo ele, que não era trouxa, atendeu!
.oOo.
Tenho um amigo que, quando o telemarketing liga, responde assim: “Ah, que bom que tu ligaste, estava tão solitário… Não falo com ninguém há mais de uma semana. Me conta quem tu és”.
.oOo.
Outro responde, quando o telefone toca e seu nome é perguntado: “Meu nome é Batman”. E o atendente é obrigado a chamá-lo de Batman durante toda a ligação.
Diz muito sobre nosso tempo bolsonarista.
~ Morte do leiteiro
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
Carlos Drummond de Andrade, de A Rosa do Povo (1945).
Tive que ir a um cartório na Marquês do Pombal e voltei caminhando pelo bairro Moinhos de Vento.
Vi que lá — Parcão e redondezas — só tem propaganda da direita mais extrema. Gente apadrinhada pelo Bibo Nunes, gente do Novo…
Quando chego na Bamboletras, leio no Matinal Jornalismo a confirmação daquilo que penso há anos: uma pesquisa feita em mapas eleitorais garantindo que são os bairros ricos quem comanda as viradas no poder em Porto Alegre.
E o pessoal dos bairros pobres — sem formação e noção política — apenas segue os ricos.
Enquanto isso, a senadora comunista Carolina Cosse ganhou as eleições para a prefeitura de Montevidéu. Eles terão uma intendenta bem vermelha. Só que lá, a direita raramente vence entre os mais pobres.
É outro grau de escolaridade, outro nível de informação.
Vote no PUM.
Meu caro Coudet. Acho que tu tens boas ideias e gostaria que permanecesses no clube, mas as boas ideias têm de ser acompanhadas de bons resultado. Se não for assim, o treinador dança. Estamos no Brasil e aqui os ignorantes parecem ter calma só com o governo. O romantismo da agressão vale apenas para o futebol, de resto, somos uma comunidade pacífica de indignados, como escreveu o grande Miguel Torga.

O fato é que, apesar da segunda colocação no Brasileiro e da liderança na Libertadores, tu estás nocauteado pelos fatos e o que tens feito não te ajuda em nada. E tem Gre-Nal no próximo sábado, depois do jogo contra o América em Cali pela Libertadores.
Sim, tens pouco time, mas escalar Musto e Lindoso juntos… Insistir com Marcos Guilherme… Colocar Moisés em campo… Às vezes, tu escalas Rodinei… E, pior, insistes com o tal do Zé Gabriel…
Só falta tu entrares com Musto, Zé Gabriel e Marcos Guilherme em Cali.
Sim, há uma campanha para te derrubar. Ela parte da imprensa e de uma boa fatia da torcida. Virá um merda para o teu lugar, claro. Depois eles colocam a culpa no Guerrinha (outro incompetente) e nos diretores. Lembro do que foi feito com o Aguirre, lembro das consequências. Tudo começou naquele 5 x 0 e acabou na Série B. Mas a maioria é burra e não liga fatos.
Os dirigentes também são péssimos. Tu tens um presidente que está fechando 4 anos de gestão sem nenhum título. Nem Gauchão ele conseguiu! Marcelo Medeiros é patético. Tinhas um cara razoável do teu lado — Alessandro Barcellos –, mas o presidente não suportou ficar ao lado de quem será candidato a presidente, mesmo que ele não possa mais ser reeleito graças a deus.
Agora, leio que Dale não viajou para Cali por problemas particulares. Sei… Entendi… Num time que conta com um presidente tão fraco e ainda bolsonarista tudo pode acontecer, né? Vai ver o gringo foi franco.
E assim vamos em queda livre.
Faça algo pela vida, Coudet. Tens pouco tempo!
E aprenda:
(1) Com bons resultados, com treinador e grupo fechados, a direção não consegue demitir.
(2) Vocês são profissionais, é diferente, mas saiba que colorados mesmo só na torcida… Hoje, na gestão do clube, só temos gente interessada em dinheiro e manutenção de poder.
Boa sorte na terça!
Hoje é uma de minhas datas felizes. 25 de setembro é o dia no nascimento de minha filha Bárbara Jardim.
O dia iniciou quase mágico. Fui fechar uma torneira na cozinha e fiquei com a coisa na mão enquanto via sair um esguicho que atravessava a cozinha de lado a lado. Ainda bem que o registro funcionou…
Depois, liguei para a Babi, que me deu uma patética notícia da área da cinofilia fingida de antanho. Sem detalhes.
Feliz aniversário, Babi! Uma coisa que a gente jamais esquece é do dia do nascimento dos filhos. Minha memória é tão vívida que é surpreendente que a Bárbara e o Bernardo sejam hoje adultos.
Isso deve estar na raiz daquilo que faz os pais serem tão ridículos.
