Literatura morta, mas em bom estado

Compartilhe este texto:

Estou lendo para a Elena “Três histórias de província”, do ótimo Lúcio Cardoso. Clarice Lispector adorava Lúcio, queria casar com ele. Ele dava risadas, era gay e Clarice não lhe fazia cócegas, digamos. Depois das “Três histórias” vieram outros livros de Lúcio até chegar sua obra-prima “Crônica da casa assassinada”, seu único livro vivo.

Estou curtindo estas três histórias de 120 páginas cada uma. Sua falta de pressa pelo desenrolar das coisas me deixa feliz, mas do que gosto mesmo é de como ele sugere e beira o sexo e o perverso. Ah, as casas grandes rurais e os casebres dos trabalhadores… Lúcio está sempre ali pertinho de dizer, mas aqueles anos não lhe permitiam muita coisa. O autor era do interior, de tradicional família mineira, não diz nada, mas tudo fica implícito na nossa imaginação. Ou seja, ele manda e consegue que nossa imaginação diga tudo. O livro saiu pela falecida Editora Bloch — muito bem feito, com diagramação supimpa, quase luxuosa.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Deixe um comentário