Vejam o que ele fez, meu Deus. É o fim do mundo! Como é que este homem não está preso? Assassino!
Agradeço ao Gilberto Agostinho por ter me apresentado este descalabro! Já chegou a Praga essa vergonha nacional !!!
Vejam o que ele fez, meu Deus. É o fim do mundo! Como é que este homem não está preso? Assassino!
Agradeço ao Gilberto Agostinho por ter me apresentado este descalabro! Já chegou a Praga essa vergonha nacional !!!
Meus queridos sete leitores! Caríssimos! Como militante desde o final dos anos 70, posso asseverar que uma das maiores mentiras da humanidade é dizer que as mulheres da esquerda são todas inequívocos jaburus.
A atual geração de petistas, comunistas e psolentas vêm confirmar décadas de…
… observações realizadas com extrema pertinácia pelo autor deste blog.
Nossas mulheres não são apenas as mais lidas e inteligentes, são também as…
… mais belas. Até quem faz as coberturas é interessante! Vejam abaixo:
Larissa Riquelme é apenas um rascunho da Rachel Duarte do Sul21.
E como são expressivas! O sorriso irônico de Manuela… Não parece a vocês…
… que me avisa para eu me cuidar a fim de não ser processado novamente?
Há um gênero de homens — limitados, limitados — que faz confusão entre as…
… interessantes e as chatas. Eu não. As de forte personalidade; as que pensam, decidem e falam, …
… as que passam longe da mera peruagem; mantêm mais viva a magia feminina.
As homenageadas de hoje: Vereadora Sofia Cavedon – PT/RS;
Deputada Manuela D`Ávila – PC do B/RS;
Vereadora Mariana Carlos – PT/RS – Cachoeira do Sul;
Vereadora Fernanda Melchionna – PSOL/RS – Porto Alegre;
Jornalista Rachel Duarte – Sul21.
~o~
Observação final e lamentável: a direita trata assim as mulheres, tsc, tsc, tsc.
~o~
Créditos: a primeira foto de Sofia Cavedon, assim como as três de Rachel Duarte são do Ramiro Furquim/Sul21. As outras, sabe-lá.
Obs.: Essa entrevista foi feita por mim para o Sul21, mas como o assunto é cultura — um dos assuntos mais frequentes neste eclético blog — , deixo-a também aqui para meu 7 fiéis leitores.

Denise Viana Pereira é a Diretora de Economia da Cultura da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul. Trabalha, pois, com o Secretário Luiz Antônio de Assis Brasil numa das secretarias mais pobres e de maior visibilidade do governo, vendo apenas 0,07% do orçamento estadual e sendo visitada por boa parte dos artistas e produtores do Rio Grande do Sul. Denise é formada em Comunicação Social pela Ufrgs, é especialista em Teoria de Jornalismo e em Economia da Cultura. De 1999 a 2001, integrou a equipe do Instituto Estadual de Música da Secretaria de Estado da Cultura do RS. Nos anos de 2003 e 2004, foi Chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e integrou a Representação Regional Sul do Ministério da Cultura entre 2006 e dezembro de 2010.
Em sua entrevista ao Sul21, Denise Viana Pereira fala sobre a nova lei que substitui a antiga LIC e sobre os planos nada modestos da Cultura do estado.
Sul21: Nos últimos dias, foram aprovados R$ 3,6 milhões em autorizações para captação de patrocínios via LIC. Associada a esta notícia, há a nova legislação de apoio e fomento à cultura, aprovada em dezembro de 2011.
Denise Viana Pereira: Sim, a LIC – Lei de Incentivo à Cultura – foi sancionada em 1996 e começou a funcionar em 1997, indo até agosto de 2010. Após esta data, ela foi suspensa até 7 de dezembro quando foi regulamentada a nova lei de fomento e apoio à Cultura, que se chama Pró-Cultura.
Sul21: A LIC não existe mais?
DVP: Não existe mais. Ela só permanece para os projetos que ainda estão em tramitação. Os novos processos não ingressam mais via LIC, mas sob o Pró-Cultura. O Pró-Cultura tem no seu bojo dois mecanismos: um mecanismo é o Fundo de Apoio à Cultura, grande conquista que nós aprovamos em 2001 na Assembleia Legislativa e que nunca tinha sido regulamentada, e um mecanismo de compensação fiscal semelhante à antiga LIC. O Pró-Cultura, então, engloba o fomento direto – pelo Fundo – e a compensação fiscal.
Sul21: Como funciona?
DVP: Na lei antiga, a empresa poderia se compensar de 75% do total do projeto descontando o valor de seu ICMS. Na nova lei, o desconto é de 100%. Porém, regra geral, para todo o projeto, o patrocinador fica obrigado a um depósito de 10% no Fundo de Apoio à Cultura, à exceção de projetos para Patrimônio Cultural e Construção de equipamentos culturais, para os quais o depósito é de 5%. Então, há a compensação, a isenção, mas há o incentivo propriamente dito, o qual é depositado no Fundo.
Sul21: Há um teto de isenção fiscal determinado pelo estado?
DVP: Sim, e este é muito baixo. O teto de isenção fiscal é de 28 milhões. Então, 10% são 2,8 milhões. É pouco para o Fundo. No ano passado, foi enviado um projeto de lei que prevê um aumento deste valor para R$ 35 milhões. A lei permite que este teto possa chegar ao máximo de 0,5% da receita líquida do estado. Trata-se de um valor variável, que hoje deve bater nos R$ 70 milhões.
Sul21: Resumidamente, poderia descrever o processo de aprovação do Pró-Cultura com a compensação fiscal?
DVP: O processo é (1) o proponente cadastra-se no site, (2) validação por parte da SEDAC, o que hoje demora 7 dias; (3) então, o proponente tem 15 dias para trazer documentos; (4) de posse dos documentos, fazemos a análise técnica detalhada onde normalmente questionamos coisas que não ficaram claras e então (5) o projeto é enviado para o Conselho Estadual de Cultura, que tem 60 dias para analisar. Após a aprovação, esta é publicada no Diário Oficial do Estado e o autor do projeto recebe uma carta que autoriza a captação, ou seja, o patrocínio por parte das empresas. O prazo mínimo total para a aprovação de um projeto é de 90 dias, por lei. Na prática, sabemos que este tempo não ocorre antes de 4 meses. O que desejamos é chegar cada vez mais próximos dos 90 dias. Estamos em contato com o Conselho para que eles analisem a possibilidade de diminuição de seus prazos. Tudo é muito moroso e há uma comparação inevitável: a Lei Federal é muito mais ágil. Não faz sentido. Temos que nos apropriar do sistema federal.
Sul21: Como é que o novo governo encontrou a SEDAC?
DVP: O secretário Assis Brasil sempre diz que não adianta a gente ficar olhando para o passado. O que a gente quer é que nossa marca seja o diálogo. Queremos manter as portas abertas e até retiramos algumas divisórias que haviam em nossa estrutura física… Queremos receber todos, ouvir todos os que nos procuram. Todos são atendidos. Acabamos inteiramente com certo tom policialesco da SEDAC. Nós éramos vistos pelos produtores culturais, de antemão, como oponentes, quando na verdade ambos são proponentes. Claramente, havia grande distância entre os produtores e o sistema de fomento e financiamento da cultura no estado. Nós queremos o oposto.
Sul21: Quais são objetivos factíveis dos quatro anos da gestão?
DVP: O primeiro objetivo é o de fazer a Casa de Cultura Mario Quintana funcionar a pleno. Resolvendo desde a obra de fixação da fachada até recheá-la de programação. O segundo é o de construir o Teatro da OSPA. Os outros estão associados ao plano de recuperação do orçamento da cultura do estado, que nos tirará deste “quase nada” de recursos que temos hoje. Hoje, temos 0,07% do orçamento do estado. Nossa intenção é a de chegar, ao final dos quatro anos do governo Tarso, a 1,5%. Queremos 0,5% no segundo ano de gestão, 0,75% no terceiro, 1% no quarto e 1,5% para a próxima gestão.
Sul21: Há outros?
DVP: Temos também projetos ligados à utilização do Fundo de Apoio à Cultura. Pretendemos criar editais a fim de selecionar projetos de Casas de Cultura, teatros, cinemas ou bibliotecas para o interior do estado. Queremos equipamentos culturais para o interior. Nós selecionaremos os projetos; desta forma, não seriam equipamentos de propriedade do estado. Nós apoiaremos projetos que permitam aos municípios se equiparem. Imaginamos valores de até R$ 500 mil. Muitas vezes há prédios que poderiam se transformar num teatro ou numa biblioteca. Nossa intenção é participar da reutilização destes espaços para fins culturais.
Sul21: Não há quase mais cinemas no interior.
DVP: Bem, neste sentido nós trabalhamos com a ideia dos cineclubes. Nosso plano de governo inclui a criação de 100 Cines mais Cultura ao longo dos quatro anos de gestão e envolve a criação de 500 Pontos de Cultura lato sensu. Nos Pontos de Cultura, o governo aporta recursos para iniciativas que já existem, dando apoio aos chamados Pontos de Cinema (cineclubes), aos Pontos de Brincar (brinquedotecas), aos Pontos de Leitura (pequenas bibliotecas) e aos Pontos de Memória (museus comunitários ou ações de memória). Estas são ações que o MinC desenvolve. Este ano, deveremos receber R$ 10 milhões para começarmos.
Sul21: E a OSPA? Sem sede, ensaiando no cais do porto, convivendo com falta de músicos, concursos… E o novo Teatro que não sai do papel?
DVP: Hoje temos boas perspectivas. O secretário Assis Brasil é um ex-membro da orquestra e está bastante compromissado com a OSPA. Foi elaborada uma emenda parlamentar de R$ 20 milhões para a construção – o custo do teatro é de R$ 32 milhões. Em um de seus primeiros pronunciamentos, a presidente Dilma Rousseff falou em necessidades de contenção e suspendeu todas as emendas. Algumas destas foram extintas, mas a da OSPA não. O governador Tarso já enviou correspondência para a Ministra da Cultura e para a Comissão de Educação e Cultura do Congresso. Há toda uma mobilização estadual pela manutenção da emenda parlamentar de R$ 20 milhões. Isto garantiria 2/3 da obra. De outra parte, o MinC, em reunião aqui conosco, com a presença do secretário Assis Brasil, comprometeu-se em colocar mais R$ 7,5 milhões ou R$ 10 milhões – dependendo da emenda deste ano – , à razão de 2,5 milhões por ano. Se a emenda de R$ 20 milhões entrar este ano, eles não repassariam a primeira parcela de R$ 2,5 milhões, ficando o primeiro pagamento para 2012. Em resumo, repito, temos boas perspectivas.
Sul21: Houve uma discussão sobre possíveis mudanças no projeto do Teatro a fim de que ele pudesse receber óperas. Propôs-se a criação de um fosso para a orquestra…
DVP: Falando de uma forma rasa, o secretário compreende as críticas – o IAB igualmente não está de acordo com a parte externa do projeto e há esta discussão sobre óperas – , mas sua ideia é a de que o Teatro da OSPA é uma sala sinfônica e não outra coisa. E mesmo que haja discussões — penso que sempre haverá — não podemos atrasar mais 20 anos uma construção que nos faz falta há décadas. Então, temos um projeto pronto, pago, e achamos que ele não deve mais ser alterado. Estamos em outra fase e, se retrocedermos a uma anterior, quando teremos o Teatro?
Sul21: Fomento é política cultural? E a distribuição, divulgação e venda?
DVP: De modo algum fomento é política cultural. O mecanismo de financiamento e fomento não pode ser nossa única atividade; isto é apenas um instrumento. É muito insuficiente e concentra a pouca verba disponível nas capitais e nos artistas conhecidos. Para isso é que agora temos o Fundo de Apoio à Cultura, temos que fortalecê-lo para poder diversificar o tipo de projeto a ser apoiado. Por outro lado, temos que nos preocupar não apenas com os projetos, mas com a criação de hábitos de consumo de toda produção cultural. Temos que apoiar a distribuição, o consumo e a formação de plateias. É um problema igual ou maior do que o de produção, que é o que a LIC fazia exclusivamente. As leis de incentivo fomentam a produção, mas não fomentam a distribuição, elas concorrem muito pouco para a absorção daquilo que criam. Veja o caso do blog da Maria Bethânia: Jorge Furtado foi brilhante ao dizer que se tivessem pedido três vezes o mesmo valor para um filme que ninguém fosse assistir, não iam reclamar de nada, mas como é um blog e há um preconceito com o meio virtual – criado pela grande mídia – ninguém diz que Bethânia estará divulgando uma porção de poetas que ficariam de outro modo inacessíveis. Sou totalmente favorável ao blog dela. Grande parte desta discussão é sufocada pelo desconhecimento que as pessoas têm do contexto da produção e das necessidades culturais.
Sul21: Teu cargo é o de Diretora de Economia da Cultura. O que significa exatamente?
DVP: Como tu disseste, não adianta a gente apenas fomentar a produção. O olhar da economia sobre a cultura nos dá uma noção de que existe uma cadeia produtiva inteira, que vai até o público.
Sul21: Normalmente os artistas não pensam na parte comercial…
DVP: Sim, há que pensar na divulgação, nas vendas, na infraestrutura. Mas o pensamento não pode também ser apenas mercantilista, pois há dois valores envolvidos: o valor econômico do produto cultural e o valor simbólico, que vai transformar a pessoa que assistirá uma orquestra pela primeira vez, que vai fazê-la pensar em coisas sobre as quais jamais tinha antes refletido. É preciso pensar na sustentabilidade da produção.
Sul21: Sim, o espectador sai melhor, mais rico de um filme, peça ou espetáculo, mas como medir a importância desta experiência, deste conhecimento?
DVP: Nós estamos num momento maravilhoso, porque o governador é sensível à cultura. Ele é completamente consciente deste valor simbólico e da importância de termos cidadãos capazes de serem reflexivos e críticos, em contraposição a cidadãos que vêm da classe D para a C apenas para comprar uma geladeira ou uma batedeira e continuar se matando na esquina ou atropelando ciclistas. Se a gente quer mexer na sociedade, temos que necessariamente passar por sua culturalização. E temos a nossa favor a tecnologia, que dá acesso a bens culturais com maior facilidade do que no passado. Antigamente, a montagem de um cineclube era coisa para heróis, hoje tu colocas um DVD debaixo do braço e sai mostrando os filmes. Hoje já temos óperas sendo apresentadas ao vivo em cinemas. O mundo é outro, temos que utilizá-lo.
Sul21: É difícil convencer alguém disso ou a arte ainda funciona do modo como Louis Armstrong definia o jazz: “If you gotta ask, you`ll never know”?
DVP: Sim, é difícil. Mas nós não devemos nos conformar com este corolário do “eu sei a importância que tem e se tu não sabes, nunca vais saber”. Desta forma, tu não convences o outro, tu não dás acesso à cultura. Imagina um professor dizendo ao aluno: “Tu nunca vais entender, meu filho!”. O ser humano muda, avança. Essa é a nossa missão fundamental.
Sul21: Pois é, estamos chegando à educação, não?
DVP: E chegamos… Por exemplo, o trabalhador da área da cultura ganha três vezes mais do que a média da indústria. Há um dado estarrecedor: na Bahia, 54% dos empregados ou são analfabetos ou tem primeiro grau incompleto. No setor cultural, este índice de analfabetismo cai para 34%. Não há estatística análoga para o RS, mas tenho certeza de que no RS o índice de 34% deve ser de gente que tem o terceiro grau incompleto e no entanto… O Acre, a Bahia e Pernambuco estão muito à frente do RS na área cultural. Há muito tempo eles trabalham com conceitos modernos e estão inseridos naquilo que o MinC criou em 2007: o Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura, que trabalha com todos esses conceitos de cadeia produtiva que expus.
Sul21:Para terminar, para que serve a SEDAC e a que veio?
DVP: A pergunta deve ser respondida fugindo das respostas que passam perto de expressões como “alimento da alma”, etc. A cultura deve ter as três dimensões que o MinC defende: o valor simbólico, o valor econômico e o valor de cidadania, de promotor de direitos. Esse é o nosso norte.
Sul21: Desejamos boa sorte.
DVP: Muito obrigado.
Assim como a Nelson Freire e Cristina Ortiz, que cancelaram seus concertos com a OSB, esse eu também respeito. Marlos Nobre é um enorme compositor e dá sua visão pessoal sobre a crise na OSB. Abaixo, a íntegra de sua Carta Aberta:
Roberto, estou angustiado ao escrever esta carta, ao ver um regente como você envolvido nesta situação constrangedora e triste.
Você, Roberto, não teve ninguém perto de você para lhe abrir os olhos ante a imensa tolice que foi toda esta situação criada na Orquestra Sinfônica Brasileira?
Eu lhe escrevo como um Maestro e compositor que conheceu um Roberto ainda nos seus 10 a 12 anos de idade, participando do Concurso de Jovens Instrumentistas que organizei em 1974 nos “Concertos para a Juventude” na Rede Globo e Radio MEC. Nele, você se destacou como jovem talento, promissor o bastante para que eu lhe desse de presente uma trompa novinha em folha (a sua, na época era impraticável). Lembro de, anos depois, no seu concerto de estréia como regente da OSB no Rio, ter sido procurado pelo seu velho e honrado pai, com lágrimas nos olhos, me dizendo que aquela trompa estava guardada em um invólucro de vidro, emoldurando a sala de estar da sua casa paterna. Foi extremamente comovente então, ver seu pai visivelmente feliz vendo sua estreia como regente titular da grande e prestigiosa Orquestra Sinfônica Brasileira. Entre outras obras você então dirigiu a Sinfonia “Eroica” de Beethoven. E a nossa OSB respondeu à altura aos seus gestos, dando na ocasião uma intepretação memorável da obra.
São estes mesmos músicos que agora sofrem com a implacável perseguição e ira absolutamente incompreensíveis de você, como diretor da OSB.
Pois bem, Roberto, assim como seu pai, um velho e honrado músico, eu aprendi que não é possível fazer música senão com o espírito leve, aberto, ligado apenas no dever maior de intérprete que é o de revelar a grande mensagem de amor, compreensão universal e respeito mútuo que emanam de toda grande obra musical. Não é possível aos músicos renderem o máximo de suas qualidades, frente à arrogância, à falta de respeito, à imposição, à desumanidade, à inépcia humana de quem está a lhes impor e não a lhes dar condições de criar a maravilhosa mensagem da Música.
Roberto, aquele menino a quem dei uma trompa hoje é motivo da maior decepção que jamais tive em minha vida. Uma decepão profunda e irreversível. Você, e somente você, é o responsável por uma situação inédita na música sinfônica do Brasil, ao submeter uma orquestra inteira a um vexame público demitindo com requintes de crueldade e desrespeito pelo passado deles, mais da metade de seus componentes através de pretextos os mais inaceitáveis possíveis. Nem o pretexto de maior qualidade musical seriam justificação para um tal elevado grau de agressividade humana, artística e pessoal de que são vitimas nossos músicos da OSB. Você não respeita idade, serviços prestados, idealismo nem humanidade. Todos estes valores essenciais nas relações humanas e artísticas vão para o ar em suas mãos, neste momento triste da história da música no Brasil.
A destruição dos ideais que sempre foram a grande força da Orquestra Sinfônica Brasileira, Roberto, você não conseguirá. Aliás, vejo com tristeza que você está conseguindo se destruir de uma maneira tão perfeita, tão definitiva, tão veemente como jamais o maior inimigo seu seria capaz, nem teria tal grau de imaginação destrutiva.
Sua autodestruição me choca pois me parece que você, Roberto, entrou em tal processo negativo sem volta nem retorno, pois sequer se dá conta que, não só no Brasil, mas em qualquer país do mundo onde você entrar no palco, para dirigir uma orquestra, terá como resposta o desprezo e a desaprovação do público e do mundo musical.
Como compositor não desejo que nenhuma obra minha seja jamais executada por este remedo de Orquestra Sinfônica (que me recuso a chamar de OSB pois esta foi destruída irresponsavelmente por você), dirigida por você.
Não autorizo nenhuma obra minha tocada senão pela verdadeira ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA que aprendemos a amar, a reverenciar e a proteger, de desmandos de eventuais passageiros da desesperança, da agressão moral e do desrespeito.
MARLOS NOBRE – 9 de abril de 2011
Com a maior cara-de-pau, ao lado do presidente do Chile Sebastián Piñera, Václav Klaus olha a caneta, aprova-a, enfia-a satisfeito no bolso e aparece com as mãos vazias. Este vídeo está causando furor na internet. Confira.
Ou clique aqui.
Sempre achei que nossos defeitos eram apenas aquilo que consideramos nossas qualidades, só que levado a extremos. Chamar o autor no massacre e ontem no Rio de “animal”, além de outras ofensas, é bastante tolo. Este Wellington Menezes de Oliveira cometeu um crime absurdo, brutal e inaceitável, mas é um produto de nossa sociedade. Ele fez um perfil falso de Bolsonaro no twitter e talvez pensasse em defender a família brasileira. E por que matou tantas meninas? Certamente pelos mesmos motivos de purificação religiosa que o fizeram escrever aquelas cartas alucinadas que lemos ontem. E este Wellington sofria bullying na escola, governador. Coisa normal por aqui. E conseguiu armas pesadas. Ou seja, Wellington está bem próximo e tinha acesso às mesmas coisas que nós.
Só que era louco e levou o que temos aí ao paroxismo. Muita religião, fácil acesso à armamento, violência escolar, super-exposição de Bolsonaros… Convivemos com tudo isso, tudo é permitido, até incentivado. Acho que o debate é se teremos uma sociedade tão doente quanto a americana — aquela mistura de deus, culpa, pólvora e irreflexão — e por quê.
Nelson Freire anunciou o cancelamento das apresentações que faria com a OSB — Orquestra Sinfônica Brasileira — , a qual passa por enorme imbroglio entre seus dirigentes e músicos. Freire, que se apresentou com a OSB pela primeira vez há 55 anos, desmarcou os dois concertos agendados para esta temporada — as apresentações seriam em agosto. A notícia repercutiu internacionalmente em sites especializados em música erudita, provando que a OSB tornou-se finalmente uma orquestra de importância mundial, como deseja seu regente titular e diretor artístico Roberto Minczuk.
O cancelamento deixa clara a contrariedade do pianista para com as atitudes da Fundação OSB e de seu regente titular e diretor artístico, Roberto Minczuk. Sempre discreto e elegante, Freire, um homem que é um monstro ao piano, que estuda e trabalha mais de seis horas por dia no instrumento e que poderia ter testado e cheirado até do avesso, manda um recado inequívoco: “Sou solidário aos músicos demitidos”.
Caras como o polêmico crítico inglês Norman Lebrecht comentaram o rumoroso caso que talvez possa ser resumido assim:
O regente titular e diretor artístico Roberto Minczuk — neste acúmulo de cargos mora um grande perigo, é o mesmo que dar poderes ilimitados a uma potencial estrela — resolveu realizar, assim de surpresa, provas de avaliação de desempenho. A convocação aconteceu logo após o início da férias da orquestra e a ordem era que deviam prestar uma prova de avaliação do seu potencial artístico. É estranho, pois não há notícia de caso semelhante, nenhuma orquestra do mundo exige tal prova, pois a avaliação é diária. Mesmo as avaliações feitas na OSESP nos anos 90 foram realizadas de forma civilizada, de comum acordo e sem a espada da demissão sobre a cabeça de ninguém — quem era ruim ia para o time B tocar nos festins estaduais, quem era bom ficava no time e as vagas que sobrassem eram preenchidas por novos concursos. Era justo. Na OSESP, John Neschling sabia que tinha um grupo fraco e que precisava reforçá-lo. De forma clara, justa e conversada, montou a maior orquestra do país.
Como disse, as avaliações nas orquestras e mesmo nas empresas costumam ocorrer no dia a dia e não em provas de proficiência. Trabalhei numa multinacional onde havia um ranking de funcionários. Achava confortável, nada agressivo e lutava para ter resultados. As regras era claras e factíveis. A empresa estabelecia metas e a gente ia atrás delas com chances de recuperação e aconselhamento durante o processo. Neschling, na OSESP, sabia muito bem quem ia passar e quem não ia. E criou funções para seu time B. Havia necessidade? Mas é claro! Há concertos e concertos e há a necessidade das orquestras criarem conservatórios ou escolas, não?
Porém, na OSB houve até um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Além das indenizações garantidas pela legislação trabalhista à demissão sem justa causa (aviso prévio, multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS e saque do FGTS), o plano oferecia continuidade dos salários e do plano de saúde até o próximo mês de junho. Criou-se assim um impasse que o autor destas linhas vê como MUITO COMPLEXO, pois se havia desacordo sobre os critérios, tempo de preparação e a exigência inédita da prova, havia também o regente e diretor artístico.
Roberto Minczuk, Roberto Minczuk… é apenas um Roberto Minczuk, nada mais, e desta forma deveria se comportar com um deles. Os músicos fizeram o maior barulho, alegando que não precisariam ser reavaliados, uma vez que já haviam passado por um rigoroso concurso para entrar na orquestra, no que têm razão parcial, em minha humilde opinião. Também diziam que não haveria tempo suficiente para se prepararem e reclamavam que deveriam ter sido convocados para colaborar na criação do sistema de avaliação, no que tem toda a razão. E protestavam que eram avaliados diariamente, no que têm carradas de razão. Ou será que Minczuk desconhece o grupo com o qual trabalha?
Além disso, Roberto Minczuk não seria avaliado… Por que não? Vi-o reger duas vezes e suas concepções eram bastante discutíveis.
A atual contabilidade mostra a dureza dos dirigentes da orquestra. Dos 82 músicos, exatos 41 não compareceram às duas chamadas para a avaliação. Destes, 31 já receberam o comunicado de demissão. Dos outros dez, sete estavam com atestado médico e foram convocados para uma nova audição, marcada para amanhã (06/04). E três também foram chamados novamente para a avaliação, por não terem recebido a convocação anterior.
Os demitidos já entraram na Justiça do Trabalho. Enquanto isso, ensandecidos, a OSB decidiu cumprir o calendário de concertos deste primeiro semestre de 2011 com a OSB Jovem, orquestra formada por bolsistas. É a loucura completa. Parece uma caça às bruxas.
Estranhamente, a OSB informou que não há relação entre a crise com os músicos que rejeitaram a avaliação e a série de audições para seleção de novos músicos que a direção da orquestra promoverá, durante o mês de maio, em Londres, Nova York e no Rio de Janeiro. O objetivo, segundo a fundação, é apenas a de preencher 13 vagas que estão abertas no corpo orquestral da OSB: seis para violino, três para viola e uma para violoncelo, clarineta, trombone e piano. Bem, então também não haverá segundo semestre, correto? Pois saem 41 e entram apenas 13! Muito estranho.
Minczuk segue defendendo que as avaliações serviriam para elevar a orquestra a um padrão internacional. Conseguiu. O assunto está presente em todas as revistas e colunas mais ou menos especializadas do mundo. Não sei se Minczuk está feliz com o gênero de notoriedade alcançada. Mas acho que ele deveria escolher entre permanecer como diretor artístico — cargo que ele deve desprezar mas que lhe dá poder — ou regente. Isso, é claro, após o aval de uma banca de padrão internacional, como ele gosta.
Afinal, quando um Nelson Freire — calmíssimo, jeitosíssimo, ultramineiro — chuta o pau da barraca, é porque a coisa foi longe demais.
Uma brincadeira de Lula em Pelotas serviu de mote para que Ricardo Noblat escrevesse um texto em defesa da democracia e das posições assumidamente homofóbicas e quase admitidamente racistas de Jair Bolsonaro (PP-RJ). O texto é notável, sobretudo porque defende com a democracia um admirador da ditadura. Bolsonaro seria um “fascista do bem” e, dentro desta categoria, pode cometer o crime que lhe aprouver — mesmo à revelia da Lei Afonso Arinos.
Divirta-se aqui.
OK, OK, é 1º de abril e vale tudo. Mas vejam esta matéria que contém esta pérola do pensamento bolsonariano, agora defendendo que os filhos gays tomem porrada:
O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem.
Estava ouvindo rádio ontem em casa, esperando o final da Voz do Brasil para saber quanto estava o jogo do Inter. Então, às 20h em ponto, em vez do meu colorado, entrou um programa do PSDB. Foram dez minutos da mais rigorosa estupidez. Na verdade, acho que a oposição brasileira não lê notícias, estatísticas, nada. Ela não sabe o que hoje é o país e permanece vivendo uma interminável trip nos anos 90. Porque há problemas, muitos, muitíssimos, mas eles não os citam.
Quando os milicos do golpe de 1964 criaram um partido governista (a ARENA) e outro de oposição (o MDB), não foram tão bem sucedidos como o PT com o PSDB. E olha que o PSDB nasceu assim espontaneamente, sem intervenções ou ordens externas. Simplesmente nasceu. É uma oposição inócua, sem sentido, mentirosa e, pior, que não ataca os problemas que todo governo apresenta. Consequentemente, o PT surfa sobre as marolinhas tucanas.
Ontem, tivemos um ressuscitado FHC reaparecendo como grande líder do partido no lugar de Serra. E reclamando de falta de empregos! Ora, o país bate recordes de oferecimento de empregos formais. Chega a faltar mão de obra e as empresas estão investindo em treinar pessoal. Por que não falar na péssima educação, formação, etc.?
E aquela conversinha sobre a censura da imprensa num país em que as empresas de comunicação são de oposição e trabalham incessantemente nisso… O que era aquilo? Para ficar mais patético, não sabem que o Brasil vem subindo nos rankings de liberdade de imprensa… Será que eles acham que enganam alguém com esse discurso? Ou as empresas de comunicação amigas influenciam no discurso?
E a crítica às alianças de Lula quando os aliados do PSDB foram praticamente os mesmos? O PSDB cobra coerência do PT, que deveria apenas se aliar com o PC do B ou o PSTU? Se é isso, cabe perguntar se temos mesmo uma relação adulta…
Mas minhas maiores risadas eram dirigidas a FHC, a nova liderança. A capacidade de renovação dos tucanos é algo que me deixa tonto. Parece um carrossel onde voltam a aparecer sempre as mesmas caras. Fico tonto.
Vou dar uma sugestão ao PSDB. Comece o próximo programa chamando Dilma de Presidenta Lula. Eu até tenho o resto do roteiro oposicionista, pois ando bem informadinho, mas não vou facilitar. Eles que descubram, porra.

Estava em meu trabalho de editar matérias e escolher posts quando me avisam:
— Índio Vargas está na recepção.
Índio Brum Vargas, escritor, advogado e ex-militante da luta armada, havia chegado para uma entrevista. O único detalhe é que chegara nove horas antes. Desci para falar com homem. Um pouco mais baixo do que eu, de fala tranquila e enorme sorriso, aquele senhor estava achando muito estranha uma entrevista às 19h. Expliquei para ele que nossa ideia era a de uma longa conversa regada a vinho e salgadinhos, que haveria uns três ou quatro, talvez cinco, jornalistas, e que desejávamos saber tudo.
— Tudo?
— Sim, tudo. Nossa intenção é arrancar tudo — , respondi, apesar de ele não estar com cara de quem tivesse intenção de esconder alguma coisa.
Revelei que viria um jornalista de São Sepé — Ah, dos Cassol de lá? Boa gente! — , que o Prestes tinha lido seu livro Guerra é guerra, dizia o torturador como preparação e que a Nubia não apenas lera seus livros como nos informara que havia um inteiro na internet. Ele simplesmente adorou. Disse-me que seu artigo publicado no Sul21 tivera grande repercussão e que ele deveria ter cuidado mais o texto. Fomos até a porta, combinamos o combinado e então veio a surpresa.
Índio Vargas, feliz da vida, atravessou a calçada de um salto e correu pela rua como se não fosse um septuagenário, mas o guri de São Sepé. Saí porta afora para ver bem visto aquilo. Ele corria mesmo e, olha, o calor era sufocante.
NOTA CONJUNTA DE REPÚDIO
O PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A OAB/RJ, POR SUA 9ª SUBSEÇÃO, O MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO, O DIRETOR DO IML-AP/RJ E O DELEGADO DE POLÍCIA TITULAR DE NOVA FRIBURGO, vem apresentar nota conjunta repudiando a matéria publicada na Revista Veja, edição 2200, ano 44, nº 03, de 19 de janeiro de 2011, em especial, o conteúdo do último parágrafo de fls. 54 até o primeiro parágrafo de fls. 56, em razão de seu conteúdo totalmente inverídico, conforme será esclarecido a seguir:
1) Inicialmente, cumpre esclarecer que em momento algum os corpos da vítimas fatais ficaram sobrepostos uns sobre os outros no Instituto de Educação de Nova Friburgo, local em que foi montado um posto provisório do IML, em razão da catástrofe que assolou toda esta região, mas sim acomodados separadamente lado a lado no ginásio do Instituto;
2) O acesso ao referido Instituto foi limitado às autoridades públicas e aos integrantes das Instituições inicialmente referidas, sendo certo que o ingresso dos familiares no local para a realização de reconhecimento somente foi permitido após autorização de um dos integrantes das mencionadas instituições e na companhia permanente do mesmo;
3) A liberação dos corpos para sepultamento somente foi autorizada após o devido reconhecimento efetuado por um familiar, sendo totalmente falsa a afirmação de que “ao identificar um conhecido, bastava levá-lo embora, sem a necessidade de comprovar o parentesco”. Frise-se, que mesmo com o reconhecimento, foi realizado posteriormente procedimento de identificação pelos peritos da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, bem como de outros cedidos pela Polícia Civil de São Paulo, pela Polícia Federal e pelo Exercito Brasileiro, estes por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com a análise da impressão digital, do exame de arcada dentária e exame de DNA;
4) Ademais, cada um dos falecidos foi colocado em uma urna e sepultado individualmente, não existindo qualquer tipo de sepultamento coletivo, mas sim vários sepultamentos individuas e simultâneos no mesmo cemitério;
5) Em meio a infeliz perda de 371 vidas, somente neste Município de Nova Friburgo (até presente momento) é importante registrar que houve apenas 03 (três) casos de divergência dos reconhecimentos feitos pelos parentes, os quais estão sendo devidamente esclarecidos pelos peritos do IML/Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, através do exame das impressões digitais, das arcadas dentárias e do exame de DNA. Assim, ao contrário do que a narrativa contida na matéria publicada leva o leitor a concluir, não houve uma feira livre na busca e no sepultamento de corpos, mas ao contrário, um trabalho sério realizado por profissionais exemplares, dedicados e comprometidos em minimizar, naquilo em que era possível, o sofrimento da população local, e ainda preservar, dentro das possibilidades existentes, a ordem e a saúde pública.Aliás, o respeito pelas famílias e pelos corpos dos cidadãos falecidos não permitiria que os mesmos fossem tratados pelas autoridades da maneira descrita pelas jornalistas.
Assim, é com extremo pesar, que em meio a um evento trágico e que entristeceu a todos, tenhamos que vir a público repudiar as inverdades publicadas, de cunho meramente sensacionalista, a fim de evitar que o desserviço gerado pela matéria venha a causar mais prejuízo, sofrimento e comoção aos familiares das vítimas e a toda nossa comunidade.
Nova Friburgo, 21 de janeiro de 2011.
Hoje, estou com um artigo no Jornalismo B:
A esquerda tem os melhores escritores, os maiores artistas, os mais renomados cientistas sociais, os mais influentes historiadores, enfim, produz os mais importantes bens culturais de nosso tempo, mas não tem um grande jornal gerador de notícias, um daqueles que paute a mídia. Fui muito rápido? Então vamos por partes.
Sim, nós não somos trouxas e sabemos que ele foi demitido em função da pressão de tantas piadas. que punham a grande ridículo seus empregadores. O radialista, comentarista, colunista e fascista Luiz Carlos Prates está deixando a RBS para se dedicar a projetos pessoais. É o que dizem. Estava no grupo há 23 anos. Segundo a RBS de Santa Catarina, Prates deixa incontáveis admiradores. Certamente referem-se aos espectadores do YouTube, onde seus vídeos são bastante populares.
Num deles, acusava o governo Lula pelo aumento do número de acidentes nas estradas. Afinal, qualquer miserável compra um carro agora! Mas há mais. Noutro, fez a apologia do período da ditadura militar, afirmando que nele não houvera censura ou repressão e sim segurança. Para o articulista, desde o fim da ditadura, “o Brasil só andou para trás”. Mas há vários disparates mais. Não vou colocá-los aqui. Basta.
R.I.P.
Chupa Berlusconi!
Bem-vindo Cesare Battisti ao convívio de nós brasileiros, de todos nós que lutamos contra os diversos tipos de opressão, de controle, de injustiças e de tramas judiciárias contra os lutadores pela liberdade. Ontem, prisioneiro, ameaçado de extradição, hoje Battisti é o atestado de nossa maioridade política e se torna uma marco na nossa história, no epílogo de uma luta entre um judiciário brasileiro desejoso de satisfazer a injustiça italiana contra um executivo, que não se dobrou e optou pela justiça e pelos direitos humanos. É o fecho de ouro do governo Lula.
Publicado em 4 de março de 2006
A governadora Yeda Crusius conseguiu grande vitória sobre o botox ao receber o símbolo maior da arrogância esportiva injustificada. Feliz e imediatamente identificada com o mimo, prometeu apoio ao Grêmio na construção do novo estádio, que deverá chamar-se Via Crusius Arena. O atual recebeu seu nome em homenagem às Olimpíadas de Porto Alegre.

Publicado em 27 de dezembro de 2006
A pergunta: nas propostas brasileiras para a elevação da idade mínima necessária para a aposentadoria, sempre as mulheres trabalham menos do que os homens. Por quê? Penso que isto sejam sobras de um mal disfarçado machismo, ainda mais se pensarmos que elas vivem, em média, 7 anos a mais que os homens. Por exemplo, se o limite é 65 anos para homens e 60 para mulheres, elas ficarão aposentadas, sempre em média, 12 anos a mais… Por exemplo, se eu me aposentar aos 65 anos e morrer aos 70 anos, que é a média brasileira, receberei o benefício por 5 anos; já minha vizinha, que trabalhou até os 60 e viverá até os 77, ganhará o mísero salário da providência por longos 17 anos.
A propósito, vejamos como funciona nos outros países. Atualmente, quase todos exigem idade mínima para aposentadoria. O que fazem os nossos vizinhos? A Argentina (los machos) exige 65 anos dos homens e 60 das mulheres. O Uruguai exige 60, tanto de homens quanto de mulheres (avançadinhos não?). Na Europa, a Alemanha, pede limites de 63 e 60, respectivamente. Nos Estados Unidos, 62 para ambos os sexos. França, Inglaterra, Canadá, Espanha, Suécia, Holanda e Bélgica exigem no mínimo 60 anos, também sem distinção de sexo.
P.S.- O comentário do meu cunhado, Natal Antonini, é uma obra:
Caro Milton
Realmente isso é uma discriminação. Entendo que é fruto de um pensamento retrógrado de quem acha que as mulheres ainda cumprem dupla jornada pq. teriam que cuidar da casa e dos filhos enquanto nós ficaríamos tomando cerveja e coçando o saco na frente da TV. Isso nós sabemos não ser verdade. Além disso, como elas vivem mais e trabalham menos, acabam tendo mais tempo para se dedicar aos prazeres da vida e a novos relacionamentos quando se livram da gente. Mas nós que somos pessoas modernas e cultas não podemos deixar isso acontecer sem reagir. Proponho que a partir de hoje, pelo menos em nossas casas, estejamos desobrigados das tarefas domésticas, para compensar o tempo de aposentadoria, e que tenhamos também o direito a ter amantes por um tempo equivalente a diferença entre a nossa expectativa de vida e a expectativa de vida delas, para compensar que morreremos muito antes. Proponho ainda que o tempo dedicado as amantes seja o mesmo que elas estarão usando para as tarefas domésticas assim não seremos constrangidos a prejudicar o sagrado tempo que dedicamos aa nossas amadas famílias e nem atrapalharemos nos afazeres domésticos.
Abraços,
Natal.