No Sexto Livro de Madrigais, Monteverdi (abaixo) fez música dedicada à morte da esposa e também da amante?
Sim, muito provavelmente. O Sexto Livro de Madrigais de Claudio Monteverdi, publicado em 1614, contém obras associadas tanto ao luto pela esposa quanto à morte de uma jovem cantora que lhe era muito próxima. A identificação da segunda como amante, apesar de muito provável, não é historicamente comprovada.
A esposa, Claudia Cattaneo, era cantora, casou-se com Monteverdi em 1599 e morreu em setembro de 1607. A Sestina: Lagrime d’amante al sepolcro dell’amata (Lágrimas de um amante junto ao túmulo da amada), sobre poema de Scipione Agnelli, é tradicionalmente associada ao sofrimento do compositor pela morte de Claudia.
A jovem cantora, Caterina Martinelli, era conhecida como La Romanina, uma discípula de Monteverdi que vivia em sua casa. Morreu seis meses após a esposa do compositor, aos 19 anos, quando se preparava para interpretar o papel principal na ópera L’Arianna. A Sestina é associada à sua morte, e há interpretações que relacionam a obra às duas perdas.
Há ainda uma ironia dolorosa: o livro reúne a Sestina, ligada ao luto da esposa, e o célebre Lamento d’Arianna, originalmente composto para a ópera de 1608 (para a discípula). Esta, a música de Ariadne abandonada por Teseu, parece adquirir, nesse contexto, uma dimensão pessoal que ultrapassa o drama mitológico.
A história diz que o Sexto Livro guarda ecos de duas mortes que o atingiram profundamente — a da esposa e a de uma jovem cantora muito próxima dele —, sem que possamos afirmar com segurança a natureza íntima dessa segunda relação. Só que eu sou maldoso.
