Atrás do balcão da Bamboletras (LXXXIII)

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Entra um senhor com sua cuidadora. Ele não parece precisar dela, pois circula tranquilamente pela livraria com ela afastada. Muito educado, ele sugere que ela escolha um livro a seu gosto.

Eu permaneço no balcão e boto um jazz logo depois da Paixão Segundo Mateus. Ele senta e começa a ler um livro. Noto que gostou da música ou do ambiente, pois fica quase uma hora com o livro enquanto a cuidadora dá voltas pela livraria.

Finalmente, ele chega ao balcão e diz que vai levar o livro que estava lendo. Mas antes me pergunta o que é aquilo que estávamos ouvindo.

Respondo-lhe que é “Jump Start and Jazz”, baita disco de Wynton Marsalis. Ele fica surpreso. Noto que ele conhece bastante de jazz e da família Marsalis, mas que não tinha ouvido o Jump Start. Falamos sobre música e entramos firmemente em direção ao passado, à história. Ele quer saber de onde eu conheço tanto. Digo-lhe a verdade, sou apenas um ouvinte, um melômano.

— Não, você é músico. Como dizia o Quintana, quem lê muita poesia também é poeta. Creio que o mesmo valha para a música.

Fui promovido. Fiquei tão feliz com a promoção à músico que esqueci de perguntar se ele tocava algum instrumento.

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