Há oito anos — like a rolling stone

No dia anterior, ela visitara o ex-marido que ainda habitava o apartamento onde moraram por quase uma década. No momento de sua chegada, a filha correra para o lado do pai, como era habitual há alguns meses. Afinal, a mulher passara a encontrar defeitos em tudo que a enteada dizia ou fazia e a menina apressava-se em ir para a cama cedo todas as noites, antes que a mulher chegasse da faculdade — ou das festas. Desde dezembro, quando Marcos anunciara sua intenção de não fazer mais tentativas de fertilização in vitro, ela tratava a filha com visível desdém.

Mas naquele dia ela viera cedo, por volta das 20h. Quando entrou na sala, sua face de ossos proeminentes estava vermelha, ainda mais inchada do que o normal. Disse que precisava da chave do carro.

— Por quanto tempo?

— Dois ou três dias.

— Tudo bem, estão aqui.

E ela foi embora, não sem antes deixar no ambiente algumas ofensas, as quais foram recebidas com risos pelo marido e apreensão por parte da filha. O casal estava separado há três meses, desde que o marido descobrira o adultério da mulher, concretizado com um amigo da família.

Desde então, Marcos não sabia se ela estava morando na casa da mãe ou no apartamento do novo namorado. Eles ainda não tinham conseguido conversar a respeito dos acertos necessários. Na única visita que a mulher fizera ao advogado que ele constituíra, ela saiu batendo a porta, chamando-o de desaforado.

No dia seguinte, Marcos trabalhava normalmente quando recebeu uma ligação. Era de sua ex-mulher e ele atendeu prontamente, pensando que ela lhe faria algum gênero de proposta de separação. Mas não. Ela lhe comunicou aos berros — e com um turbilhão de ofensas de baixo calão — que tinha trocado as chaves da porta do apartamento e que ele deveria morar, e só por apenas quinze dias, na casa dos fundos, bem conhecida dele, já que sua mãe passara os últimos dias de sua vida ali. Suas roupas e alguns poucos pertences estavam lá.

Marcos desligou o telefone no meio da ligação e telefonou para sua filha. Esta já sabia de tudo e falou que a mulher estava louca. Ligou então para sua irmã, que também já tinha sido informada. Ligou então para vários amigos. Estes não sabiam de nada e ofereceram quartos para que ele passasse alguns dias. Eram unânimes; ele não deveria voltar lá. Marcos não pensava assim, achava que podia ficar na ex-casa de sua mãe por alguns dias. Ligou então para sua recente namorada e ela reafirmou: voltar está fora de questão. É que depois da agressão moral gratuita, os amigos tinham receio de outros ataques, verbais ou até físicos. De qualquer modo, Marcos foi até lá com um amigo. Chegaram calmamente, analisando o caso. Discutiam principalmente o caráter adesista da vizinha de cima, que apoiava sua quase ex-mulher. Riam das transformações instadas pelo oportunismo dela.

Ele foi até a casa de trás. Lá, viu suas coisas atiradas, trocou de roupa e foi embora. Recebeu um telefonema. Era sua nova namorada pedindo para que ele fosse ao concerto daquela noite, pois Eugênia, a mulher, sempre comparecia, tinha ambições políticas e estava montando uma Associação de Amigos da orquestra que daria o concerto. Ele deveria aparecer bem vestido e tranquilo. Marcos concordou.

Quando desceu as escadas com o amigo, olhou para a sacada de seu apartamento e viu Eugênia falando ao telefone. Ela voltou o rosto para ele. Este estava ainda mais inchado e vermelho.

Marcos foi ao concerto. Depois, foi a um pequeno hotel da rua marechal Floriano, onde deitou-se numa boa cama para receber uma chuva de pó de cupim, que entrava na boca e nos olhos e que lhe fez dormir de bruços. Pela manhã, tomou banho e foi trabalhar. No dia seguinte, quando saiu do trabalho, fez pela primeira vez aquilo que se tornaria um hábito. Por motivos óbvios — afinal, era uma pessoa asseada –, foi até a loja Só Cueca da Sete de Setembro, depois foi até a loja da Hering da Rua da Praia para comprar uma nova camiseta e subiu até a Jerônimo Coelho comprar meias. Com o tempo, na Hering, tornou-se uma da diversões das atendentes. Ao final da tarde chegava e perguntava o que deveria vestir no dia seguinte. Tinha que combinar com sua única calça e sapato. Elas usavam toda a sua criatividade para que ele tivesse as melhores combinações para sua calça bege e sapato marrom. Só que naquele 23 de outubro de 2013, Porto Alegre recebeu uma das maiores chuvas de sua história e a coisa não estava engraçada. Os sapatos reclamavam em voz alta, as calças estavam sujas, sujíssimas, e ele teria que lavar, mas como?

Acima, em vídeo a chuva de 23 de outubro de 2013 em Porto Alegre

Já estava tirando par ou impar entre a casinha de sua mãe e o hotel dos cupins. Subiu a Mal. Floriano e viu-a transformada numa cachoeira. Mas não podia desobedecer à ordem dos amigos e da namorada, eles foram seus esteios. Havia vários oferecimentos de quartos, mas cadê a cara-de-pau? Marcos estava pegando o telefone para falar com alguém, ao mesmo tempo em que dirigia uma vaga prece aos cupins, quando ele tocou. Era sua namorada dando-lhe uma quase-ordem:

— Não te preocupa com a chuva, vem para cá. Meus filhos estão na casa do pai. Tenho lavadora e secadora. Amanhã, tudo estará limpo.

Eram namorados recentes e ele ainda não tinha dormido na casa dela. Os sapatos ficaram no corredor. Marcos entrou na ponta dos pés. Hoje, mora lá há mais de oito anos.

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Sim, vamos, Eduardo Leite

Sim, vamos. Pois quem é que não sabia? Naquele domingo de eleição, houve gente literalmente chorando no balcão da Bamboletras. E tu estavas comemorando, Leite.

Tu fizeste campanha pro cara que matou desnecessariamente 450 mil brasileiros — o cálculo de mortos no país, se houvesse ação efetiva do governo, é de 150 mil. Inadvertidamente, mas por burrice, falta de visão e opção classista, foste parceiro em um genocídio, meu caro.

E agora tu pedes pra gente esquecer…

E Aline Passos completa:

Em todos os governo eleitos, existe uma relação óbvia: quem os elegeu carrega responsabilidade por isso.

Agora que estamos no pior governo da história, fascista, burro, corrupto, grosseiro, os eleitores não querem assumir a parte que lhes cabe no genocídio. E mais: querem atribuir justamente a quem não votou em Bolsonaro, o resultado dessa merda toda.

Ora, Sr. Eduardo Leite, se você cravou 17 na urna em 2018, esse voto é seu, somente seu. Talvez, como menino branco, rico, mimado, o Sr. não tenha sido ensinado a lavar a privada onde caga, mas isso não quer dizer que foi outra pessoa que cagou. Assumir a própria merda seria um bom sinal de que deixou de ser o filhinho de papai e se tornou, sei lá, adulto, que é requisito pra se candidatar, aliás.

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Pergolesi, meus queridos, Giovanni Battista Pergolesi!

Pergolesi, meus queridos, Giovanni Battista Pergolesi!

Pergolesi morreu em 1736, aos 26 anos, de tuberculose. Tinha imenso talento e, é claro, jamais se saberá o que poderia ter feito se tivesse vivido mais.

Deste modo, a imagem de Pergolesi cristalizou-se com base em poucas obras — e algumas são obras-primas absolutas.

Suas melodias demonstram uma personalidade criativa extremamente sofisticada. As obras sacras são caracterizadas pela devoção e intimismo comovedor, onde o sagrado é entendido como fonte de experiência emocional.

Seus últimos meses de vida foram passados no mosteiro franciscano de Pozzuoli, para onde se retirou, aparentemente convencido de que a tuberculose não lhe permitiria regressar a Nápoles.

Foi no mosteiro e no ano de sua morte que escreveu o Stabat Mater. É uma peça sublime que a OSPA apresentará neste sábado, às 17h. (Aliás, a nova sede da orquestra está ficando linda, Evandro. E o novo logo ficou perfeito).

Para ficar ainda melhor, veremos Raquel Helen Fortes cantando, com a Elena no concertino e regência de César Bustamante.

Sábado, tá?

Dá para ir e dá para ver no YouTube, o que não dá é para não apoiar a Ospa.

P.S. — E ainda tem o Exsultate, Jubilate, de Mozart, no programa.

Raquel Fortes | Foto: Leandro Rodrigues
Elena Romanov

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Minha sessão de autógrafos na Feira do Livro será no dia 30, às 19h

Minha sessão de autógrafos na Feira do Livro será no dia 30, às 19h

Ai… É com imenso receio e dor no coração que lhes aviso que estarei autografando meu livro “Abra e Leia” na Feira do Livro 2021. Será no dia 30 de outubro, sábado, às 19h, na Praça de Autógrafos.

Acho que vou contratar 4 pessoas para ficarem formando uma fila falsa, circular. Eu prometo fazer uma anotação no início de cada conto. Como são 22, darei 88 autógrafos.

(Quem leu o livro, deve lembrar do começo de “Os Velhinhos”. Por que fui escrever aquilo?).

Bem, gente, é isso. NÃO ME DEIXEM SÓ! Por favor, leve sua solidariedade! É bonito e digno. Eu juro que não vou escrever gratiluz na dedicatória, tá?

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Gustavo Melo Czekster sobre Abra e Leia

Gustavo Melo Czekster sobre Abra e Leia

Não faz muito tempo li um comentário que alguém escreveu sobre o livro Abra e leia, do Milton Ribeiro, dizendo que, por conhecer e apreciar o autor, tinha receio de se decepcionar com o livro. De certa forma, era o mesmo que eu sentia e, agora que li a obra, posso garantir a vocês, potenciais leitores, que não, não há nenhum risco disso acontecer. Pelo contrário, aliás: a admiração de vocês pelo Milton só tende a crescer. Quer dizer que o cara, além de entender de música, ter uma livraria, fazer ótimas resenhas e ser colorado, ainda é escritor? Mas quantas vezes ele entrou na fila de distribuição de benesses e qualidades? Precisa de uma CPI isso aí, hein.

Abra e leia foi uma leitura que comecei um pouco receoso, mas que logo foi se tornando prazerosa e, com o passar do tempo, até esqueci que era o Milton quem tinha escrito o livro. Só lembrava disso às vezes, quando o Milton aparecia dentro das histórias quase como um fantasma assombrando suas criações. É um livro que faz algo inédito nos tempos atuais: ele conta histórias. Sejam insólitas, trágicas ou cômicas, os contos de Abra e leia resgatam aquele prazer quase indescritível que é ler uma história bem escrita e bem contada, do tipo que parece estar se desenrolando diante dos nossos olhos e que estamos testemunhando acontecer. Em suma, uma maravilha de leitura. E, se alguns contos parecem acabar de uma maneira abrupta ou sem nenhum tipo de epifania, é por que a vida também acontece assim: cheia de cortes, de questões não respondidas, de finais que a gente não sabe se existem mesmo ou se só inventamos para não pensar mais naquilo.

Um detalhe de ritmo que o Milton tirou da música e trouxe para o livro: ele vai em um crescendo. Começa com boas histórias que, aos poucos, vão cativando a atenção, e a consistência narrativa vai se aprofundando cada vez mais até chegar em uma sequência final de contos realmente extraordinários. Melhor ir lendo aos poucos para ter essa impressão de arrebatamento, que eu nem consegui ver quando começa de verdade (sinal de que foi bem feita a escolha da ordem dos contos), mas, em geral, uma seleção de contos vai alternando maus, bons e ótimos momentos, algo que não acontece em Abra e leia, em que aquilo que era bom no início fica excepcional no final.

Entre os contos, gostei muito da praticidade filosófica e engraçada presente em Luciana e o hedonismo, do insólito em Os velhinhos, da situação quase kafkiana em Enquanto os psicanalistas se divertem, da maravilhosa construção de personagem em O Violista (muito leria um romance inteiro com esse personagem, um Sancho Pança sem Quixote), da estranheza que chamamos de vida em As afinidades ininteligíveis – quem nunca se perguntou “como foi que já gostei dessa pessoa no passado?” -, da insuspeitada força de Abra e leia, que tem um final extremamente vigoroso, e da tragédia que vira comédia em Anita e Belle, que me fez dar uma gargalhada tão alta que possivelmente acordei meus vizinhos nessa última madrugada.

Eu sei que muitas pessoas hoje consideram a literatura como um exercício sociológico, outros tentam mudar o mundo através dos seus livros, tem aqueles que desejam expressar sua visão pessoal ou filosofias particulares usando uma moldura ficcional, e está tudo bem querer isso, cada um com a sua literatura. Eu, contudo, como sou um leitor antiquado, do tipo que gosta de ler boas histórias, daquelas que me enganem muito bem e me façam acreditar piamente no que foi narrado, posso garantir que gostei muito de Abra e leia, tanto que agora farei ao Milton a pergunta temida por qualquer escritor: tá, e daí, quando vem o próximo?

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A Morgana Machado quer acabar comigo

A Morgana Machado quer acabar comigo

Sim, a Morgana Machado quer acabar comigo. Assim, de repente, me manda uma página do meu livro com uma anotação.

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Atrás do balcão da Bamboletras (XLII): Sobre Abra e Leia

A cliente me diz que, ontem à noite, antes de dormir, leu um conto do meu livro e gostou muito.

— Qual?
— Não lembro o nome.
— Mas da história tu lembra?
— Sim, é aquela que começa falando no olfato de uma mulher.
— Ah! Sei.

Isso é legal, né?

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Catorze Camelos para o Ceará, de Delmo Moreira

Catorze Camelos para o Ceará, de Delmo Moreira

Este é um livro surpreendente. Um daqueles que merecem a expressão “puro suco de Brasil”. Você sabia que, na metade do século XIX, mais exatamente por volta de 1859, os brasileiros estavam indignados com o que os europeus diziam ser nosso país? Pois na Europa havia livros que falavam de animais fabulosos – muitos deles semi-humanos –, de canibais insaciáveis e de povos indígenas de 3m de altura caminhando por nossas ruas. Pois D. Pedro II e seu governo promoveram a primeira expedição científica brasileira, que saiu do Rio de Janeiro para o Nordeste e Norte do país, capitaneada pelo engenheiro e mineralogista barão de Capanema, o botânico Freire Alemão e o poeta e etnólogo Gonçalves Dias, o autor de Canção do Exílio e do I-Juca-Pirama.

A exploração faria um levantamento do solo, flora e fauna da região e, como o problema da seca vem de longe, o monarca adquiriu 14 camelos argelinos, acompanhados de quatro tratadores africanos, para que a expedição se movimentasse pelo sertão. É sabido que, sem água, os camelos vão mais longe do que os jegues. Porém, como o Brasil já era aquilo que conhecemos, os camelos tornaram-se motivo de piadas. Os bichos trabalharam e se reproduziram do mesmo modo que fizeram nos EUA e principalmente na Austrália. E foram úteis, mas a oposição e sua imprensa sepultaram a ideia, pondo a iniciativa no ridículo.

E sabem que a má fama dos camelos argelinos chegou a nossos dias? A Imperatriz Leopoldinense venceu o Carnaval carioca de 1995 com o enredo Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube no Ceará. A Escola contava a história da expedição e boa parte da culpa do “malogro” coube aos pobres camelos. Não é verdade.

Num texto fluido, realmente bom de ler, o jornalista Delmo Moreira recriou a aventura da expedição, uma tragicomédia que misturou absoluto pioneirismo, vocação científica, muita burocracia, casos amorosos e alguma cachaça. Em meio a desvios de rota, corte de verbas, férias prolongadas e conflitos com os locais, a história da expedição é também a de um país que começava a se descobrir. Como os envolvidos eram cientistas, a aventura está muito bem documentada e Moreira levou 5 anos lendo e alinhavando tudo num esplêndido texto de mais ou menos 250 páginas.

“Não vos parece, senhores, que já era tempo de entrarmos, sem auxílio estranho, no exame e investigação desse solo virgem?”, propôs o visconde de Sapucaí. “De desmentirmos esses viajantes de má-fé ou levianos que nos têm ludibriado e caluniado?” Ex-preceptor de Pedro II, Sapucaí presidia o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Na sessão solene de maio de 1856, os sócios da instituição denunciavam, em discursos exaltados, exploradores estrangeiros que haviam publicado na Europa uma série de informações falsas e fantasiosas sobre o Brasil. Defendiam que o país tinha o dever de patrocinar uma missão exploratória e propunham a formação de um grupo de cientistas para estudar, sem controle estrangeiro, como nunca havia sido feito antes, o imenso e desconhecido território nacional. Até então, naturalistas locais serviam como meros colaboradores de expedições estrangeiras, sem autonomia sequer para escolher roteiros. Agora eles queriam “mostrar ao mundo que não nos faltam talentos e habilitações” para as pesquisas científicas. O Império só teria a ganhar: “Tudo seria do mais alto interesse: conhecimentos da topografia, dos cursos dos rios, dos minerais, das plantas e animais, dos costumes, da língua e das tradições dos autóctones, cuja catequese seria também mais facilmente compreendida”, previu o visconde.

Mas temos a dor e o prazer de estarmos no Brasil. Os conservadores fizeram pouco. Eles queriam que a expedição descobrisse riquezas… Ouro, por exemplo, não foi encontrado. Os liberais defendiam a iniciativa, mas como ela só trazia plantinhas, insetinhos e bichinhos grandes e pequenos, ficava difícil de defendê-la. A história dos camelos e da exploração é fascinante, às vezes hilariante, demonstrando que os conflitos com a ciência têm mais de um século em nosso país. Capanema e de Gonçalves Dias — esplêndidos personagens – que o digam.

Os camelos? Ora, morreram em fazendas e em circos.

Os resultados? Ora, por puro desinteresse, o fartíssimo material jamais foi catalogado. Agora, boa parte se perdeu porque ele estava naquele enorme museu de história natural e antropologia inaugurado em 1818 e que ficava no interior do Parque da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Sim, no Museu Nacional, aquele mesmo que queimou em setembro de 2018.

Delmo Moreira

 

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A Bamboletras recomenda dois livros de crônicas e um clássico

A Bamboletras recomenda dois livros de crônicas e um clássico

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Recomendamos, nesta semana de sol, dois livros gaúchos de crônicas, um do já famoso contista e romancista José Falero e outro da estreante Naia Oliveira. De quebra, um livro praticamente inédito do grande Hermann Hesse.

Boa semana e boas leituras!

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Mas em que mundo tu vive?, de José Falero (Todavia, 280 páginas, R$ 64,90)

Quem se empolgou com a narrativa eletrizante de Os Supridores, primeiro romance de José Falero, vai encontrar nestas crônicas uma ampliação do universo do autor. Publicados originalmente na revista digital Parêntese, do grupo Matinal, os textos de Mas que mundo tu vive? revisitam o gênero que é uma das tradições literárias brasileiras. As crônicas trazem as contribuições e o olhar únicos de seu autor, falando do cotidiano — seja com lirismo, seja com o olhar atento de um observador da vida brasileira –, mas também alargando os limites do gênero, misturando ensaio e ficção, memorialismo e crítica ácida, para oferecer ao leitor um retrato sem retoques de jovens em busca de um rumo na vida.

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Na Pandemia com Chico, de Naia Oliveira (Território das Artes, 63 páginas, R$ 35,00)

Na Pandemia com Chico são crônicas inspiradas pelas observações do que ocorria em frente à janela da autora, mas exatamente na Praça Nações Unidas, durante a pandemia. Com suas canções, Chico Buarque foi o parceiro involuntário e inspirador da aventura. Naia Oliveira registra a movimentação dos transeuntes na praça. Do quinto andar, ela vislumbra, entre a vegetação, pessoas e animais usufruindo do espaço público de diferentes maneiras. A cada olhar, a imaginação corre solta. O livro tem prefácio de Cátia Castilhos Simon e design gráfico da Liana Timm.

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O Lobo e outros Contos, de Hermann Hesse (Todavia, 448 páginas, R$ 109,00)

Um Hesse praticamente inédito! Dos 20 contos presentes neste livro, 18 jamais tinham sido traduzidos. Organizadas cronologicamente, as histórias abarcam um longo período produtivo — de 1903 a 1948 —, acompanhando o amadurecimento do autor,  um dos maiores do século XX. A ambivalência do ser humano, os duelos internos entre instinto e espírito, liberdade e piedade, estão em cada narrativa e em seus conflituosos personagens. Esta antologia em capa dura apresenta Hesse em toda sua genialidade, e chega ao Brasil pela primeira vez como um verdadeiro clássico.

José Falero | Foto: Diego Apoli / Divulgação

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Koff e as contratações de técnicos

Koff e as contratações de técnicos

Certa vez, conversando com o Fábio Koff — sim, apesar de ser um colorado bem chato, fui e sou amigo de grandes gremistas –, ele me disse que numa ocasião viajara para contratar um técnico de futebol.

Chegando na casa-sítio-espetáculo do cara, o Fábio sentiu-se de tal forma constrangido e pressionado pela riqueza do sujeito, que resolveu aumentar a proposta por conta própria, enquanto aguardava a chegada da sumidade. Acabou por fechar a contratação. Foi um completo fracasso.

Vagner Mancini vai receber 700 mil por mês e mais 5 milhões se retirar o Grêmio do buraco. Fico pensando no patrimônio desta figura que tem anos de trabalho como técnico e já rebaixou 5 clubes.

(Se alguém me pagasse 5 milhões para retirar um time do rebaixamento, talvez não desse certo, mas vocês veriam coisas bem criativas…)

Koff com a Taça Libertadores e a Toyota.

 

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Eu falando de meu livro no Programa Folhetim, da Rádio da Ufrgs

Eu falando de meu livro no Programa Folhetim, da Rádio da Ufrgs

Eu não ouvi, mas espero não ter sido tão burro. Sou muito melhor escrevendo do que falando. Na verdade, falando sou quase um idiota. Mas alguma coisinha do que disse deve prestar, sei lá. Acho que as pessoas me convidam para dar palestras porque vou sempre informado até os dentes a fim de que eles não vejam quão inábil sou.

O que o pessoal da Rádio da Ufrgs não sabe é de minha devoção pela emissora que ouço desde os anos 70. Eu amo esta rádio do mesmo modo que meu pai a amava. Ela a chamava sempre de Rádio da Universidade. Para ele e toda a minha família, só a Ufrgs existe. Nós quatro nos formamos lá.

O apresentador Pedro Palaoro introduz assim minha entrevista:

“Nesta semana o Folhetim recebe o escritor e livreiro Milton Ribeiro. Ele está lançando seu primeiro livro de contos Abra e Leia, obra que sai pela Editora Zouk. No volume ele reúne uma série de histórias escritas ao longo dos anos e que refletem a trajetória de um amante da comédia humana.”

O prédio da Rádio da Ufrgs | Foto: Ufrgs

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Mande a Amazon catar coquinho, por Rogério Galindo

Mande a Amazon catar coquinho, por Rogério Galindo

Uma vez vi a seguinte comparação (foi num vídeo do Michael Sandel, muito legal, aliás): o Bill Gates é tão rico que se ele encontrar uma nota de cem dólares no chão não vale a pena se abaixar para pegar. Nos três segundos que ele perderia fazendo isso ele ganha mais do que cem dólares.

Hoje Gates, coitado, não é o mais rico do mundo. Vi essa semana que Jeff Bezos, o dono da Amazon, faturou algo como 9 mil reais por segundo em 2020. Quer dizer, não foram reais, foi aquela moeda deles que valia dois reais e agora vale quase seis…

Isso significa o seguinte: se oferecerem uma livraria de rua para o dono da Amazon de graça não vale a pena ele parar por cinco minutos para assinar o contrato. Nesse tempo, ele já teria faturado uns R$ 2,5 milhões – e sabe-se lá quantas livrarias isso compra.

Fato é que Bezos nem precisa de contrato para ir engolindo as pequenas: ele já está fazendo isso de outro jeito; sem negociar, só passando por cima mesmo.

A Amazon ganhou uma escala tão grande que é impossível competir com ela. Faz ofertas para o público e para as editoras que inviabilizam a concorrência mesmo de outras gigantes (que hoje parecem miúdas). Imagina como está a vida praquele livreiro pequenino que aposta em qualidade, relacionamento, livros artesanais…

Ninguém precisa ser ludita ou anticapitalista para ver que algumas empresas americanas estão tomando proporções ameaçadoras: Google, Facebook e Amazon talvez sejam as principais. São monopólios em alguns casos, ou monstros com pés de chumbo que pisoteiam os menores.

Por isso vêm surgindo iniciativas para valorizar as pequenas livrarias. Aquele pessoal que te serve café, sabe fazer recomendações, deixa você cheirar o papel sem te chamar de esquisitão.

Em Curitiba, já perdemos nos últimos anos a Fnac, a Cultura e a Saraiva. Mostramos que A Página vem ganhando espaço. Mas é pouco. Então vem o recado.

Se puder, compre nas pequenas, nas independentes. Compre na Arte e Letra, na Vertov, na Joaquim, na Itiban. São livrarias muito legais e que passam por problemas sérios.

Nada contra comprar na Internet, claro. Mas pense como o mundo fica mais pobre a cada vez que deixamos os gigantes esmagarem nossos amigos, nossos caros e esforçados amigos que nos fazem tanto bem.

Viva os livros, vivam as livrarias!

Abraços.

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A Bamboletras recomenda…

A Bamboletras recomenda…

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

A falta do objeto direto no título deste e-mail deve significar nossa falta de capacidade para encontrar algo em comum entre a obra-prima de Ernaux, a relação mãe e filha de Doshi e a filosofia com cachorrinha e Heidegger de Pessanha, Mas garantimos que só tem coisa boa aí!

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O Lugar, de Annie Ernaux (Fósforo, 72 páginas, R$ 49,90)

Annie Ernaux era a favorita para receber o Nobel de 2021. As apostas davam-na como favorita. Não deu, mas ela é extraordinária. O Lugar é o livro que lançou Ernaux à fama. A obra estabelece as bases para o projeto literário da autora que seria levado adiante por três décadas de consagração crítica e sucesso de público. Nesta autossociobiografia, uma das mais importantes escritoras vivas da França se debruça sobre a vida do próprio pai para esmiuçar relações familiares e de classe, numa mistura entre história pessoal e sociologia que décadas mais tarde serviria de inspiração declarada a expoentes da autoficção mundial como Édouard Louis e Didier Eribon. O resultado é um clássico moderno profundamente humano e original.

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Açúcar Queimado, de Avni Doshi (Dublinense, 272 páginas, R$ 69,90)

Antara nunca escondeu o ressentimento que nutre pela mãe, que abandonou o marido para morar em uma comunidade místico-hippie e chegou a viver na rua, deixando a filha sempre à própria sorte. Agora que a mãe começa a sofrer de demência e ter episódios de esquecimento, Antara se vê diante da indesejada responsabilidade de cuidar de quem jamais cuidou dela. É nesse momento que ela refaz a trajetória de suas lembranças para contar a história de duas mulheres unidas por uma relação dolorosa, mas impossível de abandonar. Só como informação: Doshi escreve em inglês, é uma norte-americana filha de indianos.

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O Filósofo no Porta-Luvas, Juliano Garcia Pessanha (Todavia, 96 páginas, R$ 49,90)

Através de uma série de encontros, Frederico, o protagonista deste irônico romance filosófico moderno, narra seu choque e seus ajustes com a realidade, do amor ao conhecimento, do álcool ao pensamento ocidental. E, fundamentalmente, do mundo e de sua própria personalidade. Escrito com mão levíssima, alternando humor, melancolia e uma aguda meditação sobre os grandes temas que nos movem ao longo das fases da vida, O Filósofo no Porta-Luvas é um romance híbrido, em que a fabulação vem lado a lado com o ensaio, e a observação das paixões humanas está a par com um repertório vasto a respeito das maiores discussões da filosofia. E, de quebra, uma cachorrinha serve de inusitada plateia para discussões sobre Heidegger.

Annie Ernaux (1940)

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Para entender a diferença entre Schoenberg e Stravinsky

Para entender a diferença entre Schoenberg e Stravinsky

O encontro de cada um deles com Charlie Chaplin.

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Abdulrazak Gurnah

Abdulrazak Gurnah

Abdulrazak Gurnah recebe o Nobel 2021. É um romancista tanzaniano de 73 anos que escreve em inglês e mora no Reino Unido.

Abdulrazak Gurnah (nascido em 1948 em Zanzibar, atual Tanzânia) é um romancista que escreve em inglês e vive no Reino Unido. Os mais famosos de seus romances são Paradise (1994), que foi selecionado para o Booker e o Whitbread Prize , Desertion (2005) e By the Sea (2001), que foi listado para o Booker e para o Los Angeles Times.

Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2021 “por sua penetração intransigente e compassiva nos efeitos do colonialismo e no destino dos refugiados dentro do abismo entre culturas e continentes”.

(Se é bom e fala de racismo / refugiados está justificado. Afinal, é um prêmio literário e geopolítico. É o Nobel cumprindo sua função. Mais um que conheceremos).

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As apostas — literalmente — para o Nobel de Literatura de 2021

As apostas — literalmente — para o Nobel de Literatura de 2021

Atenção, apostadores! O Prêmio Nobel de Literatura de 2021 será anunciado nesta quinta-feira, 7 de outubro, e as casas de apostas estão abertas.

Para quem desejar fazer sua fezinha e quiser ter uma noção do que os outros estão fazendo, consultei a Ladbrokes londrina. No ano passado, a vencedora Louise Glück teve apenas 25/1 de probabilidade, e os vencedores de 2018/2019, que foram anunciados em conjunto em 2019, estavam apenas um pouco mais perto do topo: Olga Tokarczuk tinha 10/1 e Peter Handke 20/1. Neste momento, a coisa está assim:

Annie Ernaux – 8/1
Ngũgĩ wa Thiong’o – 8/1
Haruki Murakami – 10/1
Margaret Atwood – 10/1
Anne Carson – 12/1
Jamaica Kincaid – 12/1
Lyudmila Ulitskaya – 12/1
Maryse Condé – 12/1
Peter Nadas – 12/1
Jon Fosse – 14/1
Don DeLillo – 16/1
Dubravka Ugrešić – 16/1
Hélène Cixous – 16/1
Javier Marías – 16/1
Mircea Cărtărescu – 16/1
Nuruddin Farah – 16/1
Can Xue – 20/1
Mia Couto – 20/1
Michel Houellebecq – 20/1
Yan Lianke – 20/1
Charles Simic – 25/1
Edna O’Brien – 25/1
Gerald Murnane – 25/1
Homero Aridjis – 25/1
Ivan Vladislavić – 25/1
Karl Ove Knausgaard – 25/1
Scholastique Mukasonga – 25/1
Xi Xi – 25/1
Botho Strauss – 33/1
Cormac McCarthy – 33/1
Hilary Mantel – 33/1
Ko Un – 33/1
Linton Kwesi Johnson – 33/1
Marilynne Robinson – 33/1
Yu Hua – 33/1
Zoë Wicomb – 33/1
Martin Amis – 50/1
Milan Kundera – 50/1
Salman Rushdie – 50/1
Stephen King – 50/1
William T. Vollmann – 50/1

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4 drops aleatórios de 5 de outubro

4 drops aleatórios de 5 de outubro

Se construírem aquelas torres ao lado do Beira-Rio, gostaria de ver a torcida invadir sem violência a torre que tivesse bandeiras do Grêmio. Isso me divertiria.

Por quê? Ora, pelas manchetes da RBS. O fato uniria duas coisas que eles detestam: ocupações e Inter.

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Dois dos autores mais citados por Karl Marx em todos os seus escritos são Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Menos difundido, mas igualmente conhecido, é que ele falava quase todas as línguas europeias, que relia os clássicos gregos com gosto (uma vez por ano ele lia Ésquilo no grego original) e que recitava longas passagens de memória para sua família e amigos de A Divina Comédia, bem como versos de Heine e Goethe. Fora do alemão, seus favoritos eram o poeta escocês Robert Burns, Walter Scott e Honoré de Balzac. Certa vez, ele escreveu que, terminada sua obra econômica, escreveria uma obra crítica sobre A Comédia Humana. Sua filha mais nova, Eleanor, diz: “Para mim e minhas irmãs, ele lia o Homero inteiro, todo o Nibelungen, Dom Quixote, As Mil e Uma Noites , etc. Mas Shakespeare era a Bíblia de nosso lar, sempre na boca de alguém e nas mãos de todos. Quando eu tinha seis anos, sabia de cor todas as cenas de Shakespeare”.

Por Mario Goloboff, no Página 12

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Se a questão é tentar acertar o Nobel de Literatura de 2021 a ser anunciado quinta-feira pela manhã, o cara que fede a prêmios é Mia Couto. A russa Liudmila Ulítskaia pode vencer e a francesa Ernaux tb. Mas acho que ganhará alguém obscuro, como tantas vezes.

Ou Joni Mitchell, já que premiaram Dylan…

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Eu lembro que jamais ia nas palestras matinais da FLIP de Paraty em razão das cachaças ingeridas na noite anterior. Só voltava a funcionar ao meio-dia. E meio mal.

 

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A Bamboletras tem recomendações para o Dia da Criança

A Bamboletras tem recomendações para o Dia da Criança

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

A próxima terça-feira, 12, é o Dia da Criança e nós achamos que esta é uma bela oportunidade de introduzir ou dar livros bem bons e divertidos para os os pequenos. Para a Bamboletras, este é um período muito especial. Vocês sabem que nossa fundadora, Lu Vilella, criou nosso bambolê de letras com a ideia de ser uma livraria infantil? Vocês sabem que foi só depois que nos tornamos a “Livraria de Todos os Gêneros”? Porém, mesmo com a ampliação de interesses, nunca deixamos de ser o paraíso dos livros infantis.

Abaixo, temos três boas sugestões para a data, mas nosso infantil está cheio de outras opções  aguardando você.

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

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Porto Alegre na Palma da Mão, de Ana Paula Alcantara, com ilustrações de Bia Dorfman (Ed. da autora, 102 páginas, R$ 79,00)

Porto Alegre na palma da mão mostra a evolução urbana da cidade. Trata-se de um livro infantil que pretende ajudar as crianças a conhecer a história da cidade e assim despertar o amor e o interesse pela cidade. Inspirado pela infinita curiosidade de um guri e pelos inúmeros passeios feitos com seu cão pelo centro histórico, o livro conta como nasceu e cresceu a cidade. Lindamente ilustrado, será um livro inesquecível para seu filho(a).

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A Alma Perdida, de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo (Todavia, 48 páginas, R$ 54,90)

Olha, as ilustrações deste livro — feitas por Joanna Concejo —  são deslumbrantes. Era uma vez um homem que trabalhava muito e quase não prestava atenção no tempo que passava diante de seus olhos. Não que sua vida fosse ruim. Ele apenas sentia que tudo ao seu redor estava plano, como se estivesse se movendo sobre a folha de um caderno de matemática inteiramente coberta por quadradinhos iguais. Com texto da vencedora do Prêmio Nobel Olga Tokarczuk, A Alma Perdida é um livro que encanta, enternece e faz pensar. Uma história para todas as idades, que nos conduz a um desenlace maravilhoso e inesperado, como só os grandes contos de fadas são capazes de fazer.

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O Capital para Crianças, de Joan Riera e Liliana Fortuny (Boitatá, 32 páginas, R$ 42,00)

O livro ideal para evitar o surgimento de novos bolsomínions! O vovô Carlos é um barato! Sempre que vão visita-lo, seus netos pedem que ele conte uma história. Só que dessa vez ele vai contar uma história diferente. Nada de princesas ou dragões. A história de hoje aconteceu de verdade, não faz tanto tempo assim e continua se repetindo. Ele fala de um operário que produz meias em uma fábrica e compara seu salário ao preço do produto na loja.

Olga Tokarczuk e Joanna Concejo

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Do PUM

Todo dia uma bomba explode no Brasil e deixa tudo intacto.

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Da necessidade da educação

Da necessidade da educação

Lembro de um encontro casual que tive com o Frei Betto no Sul21 durante o governo Lula. Ele me disse que o pessoal agora tinha geladeira, mas que não estavam aprendendo nada e que acabariam sem. 

Por Marino Boeira

Como faço sempre com os motoristas do Uber, puxei assunto com o Daniel que me levava para o cinema na noite de sexta. Primeiro ele me contou sua história. Como muitos outros, ele trabalha o dia inteiro numa indústria e nos fins-de-semana dirige o seu Fiat para aumentar a renda. Me contou que da corrida de 43 reais que vou pagar, vai ficar com apenas 20 reais. Que o aplicativo cobra cada vez mais dos motoristas e dá menos retorno. O aconselho a se unir a outros motoristas e fazer reivindicações em conjunto. Quem sabe organizar um sindicato? Ele me ouve e vai concordando. Obviamente, no final, pergunto em quem votou em 2018. Ele diz que foi no Bolsonaro, mas que acha que não vai repetir o voto. Por que não votou então no PT ? Porque eles roubam muito, responde. Como você sabe isso? É o que diz a mídia, me responde. Explico pra ele que a mídia teve interesse em desconstruir os governos do PT alegando questões morais para justificar tudo que fazem agora para retirar os ganhos dos trabalhadores. O Uber é só um aspecto dessa exploração, digo. Então, me dou conta mais uma vez que o grande culpado pelo governo do Bolsonaro é o PT. Durante seus 14 anos no poder, tentando conciliar com empresários, banqueiros e a mídia, foi incapaz de criar um programa de educação política das pessoas como o Daniel, motorista de Uber e tantos outros. Os eleitores do Bolsonaro foram aquelas pessoas que o PT não soube ensinar quais eram seus direitos de cidadão. Aquela famosa resposta do então todo poderoso Zé Dirceu, àqueles que lhe cobravam que o PT criasse um sistema público de divulgação da sua filosofia de governo – já temos uma rede de televisão, a Globo – é o melhor retrato de como o partido esqueceu de falar com a população mais pobre. O resultado é essa imensa alienação política que gera os bolsonaros, os dórias, os leites, os melos, os lasiers e os heinzes.

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