Os livros mais vendidos em maio na Bamboletras

Os livros mais vendidos em maio na Bamboletras

Nossa lista de mais vendidos de maio! Nossos best sellers são sempre ótimos livros! 🥰

1. Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior (Todavia)
2. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
3. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Companhia das Letras)
4. A República das Milícias, de Bruno Paes Manso (Todavia)
5. Pequena Coreografia do Adeus, de Aline Bei (Companhia das Letras)
6. Atos Humanos, de Han Kang (Todavia)
7. Fada, de Dyonelio Machado (Zouk)
8. Mulheres de Minha Alma, de Isabel Allende (Bertrand Brasil)
9. As Inseparáveis, de Simone de Beauvoir (Record)
10. Diários 1909-1923, de Franz Kafka (Todavia)

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Torto Arado, de Itamar Vieira Junior

Torto Arado, de Itamar Vieira Junior

Torto Arado é uma sinfonia. Todo o Brasil cabe nele em movimentos rápidos e lentos, scherzi e rivolte. Há narrativa cerrada e há também contrapontos — como no final da segunda parte, chamada Torto Arado, onde a história do fundador do quilombo é contada em contraposição à ação. Mas talvez a analogia com a música só se justifique pela linda prosa de Itamar Vieira Junior.

Vamos tentar seguir sem spoilers. O livro de Itamar Vieira Junior é dividido em três partes — Fio de Corte, Torto Arado e Rio de Sangue –, cada uma formada de capítulos curtos, fáceis de ler. Fio de Corte é narrado por Bibiana, Torto Arado por Belonísia e Rio de Sangue alterna narradores.

A ação se passa em uma fazenda do interior do sertão nordestino e se inicia com um acontecimento que envolve duas irmãs, Bibiana e Belonísia. O pai delas tem grande ascendência sobre os moradores da fazenda, sendo uma espécie de reserva moral e líder espiritual do local. As pessoas dali estão fora do mundo do ponto de vista físico e social. vivendo unicamente do escape religioso personificado por Zeca Chapéu Grande, o pai das meninas. Inequívoca e involuntariamente, ele é um dos pontos de apoio da quase-escravidão dos trabalhadores, pois sente-se grato aos donos da terra por ter sido aceito e recebido. Afinal, recebeu uma terra para dela tirar seu alimento e dar lucro ao patrão. Já a nova geração não é tão grata. O modelo que vemos é muito parecido com o da escravidão, com a elite afagando seus negrinhos e levando a produção, muitas vezes deixando o pessoal faminto. A elite também pode ser violenta, mas como aquele é um Brasil esquecido, deixa assim.

O leitor não é informado de quando a história se passa. Sabemos que Zeca nasceu trinta anos após a abolição da escravatura. Porém, o estarrecedor é que, mesmo um pouco perdido no tempo histórico, dá para identificar tudo como uma realidade atual. Os quilombolas moram em casas de barro, sendo proibida a construção de casas de tijolos para que não tivessem nada que cheirasse à patrimônio. Então, de tempos em tempos, tinham que erguer nova casa, pois as chuvas e a ação do tempo derrubavam as paredes das casas. Claro que estas pessoas mal tinham tempo de cultivar a terra para sua própria alimentação… Assim sendo, como sair da escravidão?

Torto Arado conta uma boa história sem ser panfletário ou “urgente”. Tudo se desenrola com naturalidade. Certamente é um livro político — o que não é? –, mas é uma história cheia de humanidade que não faz críticas nem discursa, apenas conta uma boa história de forma bonita e realista. Disse um amigo que, se olharmos nossa realidade com o rigor de um exame clínico, não tem jeito — a conclusão te obriga a ser de esquerda e o resto é lero lero.

O cenário é o de Guimarães Rosa e Graciliano, mas o baiano Itamar não é nem um nem outro. De Guimarães tem o belo texto, mas não o trabalho de linguagem, de Graça tem o absoluto realismo, mas sua indignação é bem mais contida. Claro que a direita já soltou seus traques, pois não gosta de nada que seja vivo, só que vamos deixá-la de lado. Ou talvez ela não tenha lido o livro, o que é mais provável.

Torto Arado mostra uma parte ignorada pelo país. Demonstra claramente os motivos que levam boa parte da população negra e indígena se encontrarem entre os mais pobres da população por motivos que vêm lá da época da colonização. E convence como realidade e literatura.

Torto Arado recebeu os prêmios Leya, Oceanos e Jabuti.

Itamar Vieira Junior (1979-)

Os livros mais vendidos em março na Livraria Bamboletras

Os livros mais vendidos em março na Livraria Bamboletras

Como de costume, segue a lista dos mais vendidos do mês de março na Livraria Bamboletras. Alguns títulos seguem na lista, mas o mês passado trouxe novidades!

1. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia)
2. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
3. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Companhia das Letras)
4. As Inseparáveis, de Simone de Beauvoir (Record)
5. Marrom e Amarelo, de Paulo Scott (Alfaguara)
6. O ar que me falta, de Luiz Schwarcz (Companhia das Letras)
7. E fomos ser gauche na vida, de Lelei Teixeira (Pubblicato)
8. D’ale: Meus sonhos, meu futebol, minha vida, meu legado, de Diego Borinsky (Sulina)
9. A Estrangeira, de Claudia Durastanti (Todavia)
10. A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante (Intrínseca)

É claro que temos todos! É só entrar em contato ou vir até nossa porta!

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