Um ano de Brasil 1 x 7 Alemanha

Um ano de Brasil 1 x 7 Alemanha
Andre Schuerrle comemora o sétimo gol
Andre Schuerrle comemora o sétimo gol

Hoje faz um ano de Brasil 1 x 7 Alemanha. A derrota não mexeu uma palha da estrutura do futebol brasileiro, mas os torcedores mais antenados hoje sabem as razões de cada gol alemão naquele inacreditável fim de tarde. Nada se moverá tão facilmente. A CBF segue mandando no futebol brasileiro e a última novidade é, além das prisões na Suíça, a regra de que quem reclama vai pra rua. O espetáculo, o jogo jogado, este não merece ser preservado. Se alguém me ler ou ouvir falando em Seleção, por favor, faça-me mudar de assunto.

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O “Não” talvez não ganhasse no Brasil e outros temas

O “Não” talvez não ganhasse no Brasil e outros temas

Tenho certeza de que o “Não” venceu com tanta facilidade em razão da Grécia não possuir voto obrigatório. A obrigação do voto leva milhões de desinteressados em política às urnas. E estes votam segundo suas vagas impressões. Na Grécia, o “Não” recebeu 3,6 milhões de votos; o “Sim”, 2,2; e o número de nulos, brancos e abstenções foi de 4,1 milhões. É normal, o tema era fundamental para o país e foi uma boa participação. 59% das pessoas votaram e 41% não foram às urnas.

Foi uma vitória legítima e esmagadora.

Creio que, se passássemos a circunstância grega para o Brasil, um plebiscito desses seria sujado com todo tipo de ruído sem sentido vindo do pessoal que não está nem aí. Aqui, o voto não é um direito, mas um dever. É mais ou menos como suportar as opiniões daqueles comentaristas esportivos que se tornam especialistas em futebol de quatro em quatro anos, durante as Copas do Mundo.

A célebre frase de Arnold Toynbee, “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam, não vale no Brasil. A versão brasileira é “O maior castigo para aqueles que se interessam por política é que serão governados pelos eleitos da maioria que não se interessa”.

 Como seria nosso Congresso com o voto facultativo? Ah, duvido que fosse pior.

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Conheço gente que está vibrando com a vitória do “Não” na Grécia e que apoia o ajuste fiscal no Brasil.

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Conta-se que quando Churchill convocou a Inglaterra para um redobrado esforço de guerra, a fim de avançar com medidas que eram tidas como imperiosas para a resistência aos avanços nazistas, foi abordado pelo Ministro da Cultura do seu governo. Este teria lhe dito, conformado, “Vamos ter de cortar na Cultura!”, ao que Churchill teria respondido: “Nem pense nisso! Então, estamos a fazer esta guerra para quê?!”.

Não há comprovação de que esta resposta tenha sido de Churchill, mas que é perfeita é. E, pior, a Cultura não consome valores monetários muito importantes em nosso país, mas forma outros valores.

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Coluna social do blog. Cesare Battisti casou com Joice Lima, a companheira que sempre esteve ao seu lado nos bons e maus momentos pelos quais tem passado no Brasil. O casal tem uma filhinha.

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Saindo da política. Não creio que toda pessoa infiel seja mau caráter nem que toda fiel seja portadora de maior mérito. Afinal, talvez alguns destes só não tenham tido oportunidade de trair. Ou tenham negado amor a quem depois os traiu. Mas um subproduto defensivo de preconceitos burros é o fato de que conheço pessoas que traíram e que guardam raiva mortal do parceiro ou ex-parceiro fiel, inclusive mentindo a seu respeito. É como uma profilaxia contra a improbabilidade de este sair berrando por aí fui traído, fui traído! E criam todo o tipo de factoides a respeito, produzindo um fictício fracasso pessoal do outro. É como justificar o envenenamento de seu cão inventando que ele cagava toda a sala e mordia as visitas. É uma forma de recusa à veracidade causada pelo medo do julgamento.

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 53 anos da morte de William Faulkner, ontem.

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Esta manhã, ouvi os belíssimos Vingt regards sur l’enfant-Jésus (Vinte olhares sobre o menino Jesus). É uma suíte de 20 peças para piano solo do compositor francês Olivier Messiaen (1908-1992) . Foi composta em 1944 e tem duração aproximada de duas horas. A obra é uma meditação sobre a infância de Jesus. Mas sou ateu e, para mim, trata-se de música absoluta e fim. Simplesmente não faço conexões. Apenas gosto e acho que o carolão Messiaen foi um dos maiores compositores do século XX. Minha igreja é a sala de concertos, Messiaen.

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O Inter teve 24 jogadores lesionados em 2015. Um recorde.

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Bom dia, Diego Aguirre (veja os gols do fiasco de ontem)

Bom dia, Diego Aguirre (veja os gols do fiasco de ontem)
Minhas divas têm músculos de manteiga, e daí?
Minhas divas têm músculos de manteiga, e daí?

Não sou a favor de tua demissão, mas acho que tens que alterar urgentemente duas coisas fundamentais que justifico a seguir. São elas:

1. Preservação de jogadores só na partidas anteriores às da Libertadores e
2. Mudança do preparador físico.

Um time de futebol, Diego Aguirre, não é um botão de Power on-Power off. Não é uma televisão que se liga no momento que vai passar o programa preferido. Depende de ritmo, insistência e entrosamento. Liga, como dizem os boleiros. Ou seja, foi um tremendo erro manter o rodízio de jogadores numa competição em que ninguém mais fazia o mesmo. O Grêmio, por exemplo, que mal tem um time, ficou redondinho jogando quartas e domingos. E nós no rema-rema de preservar. Ontem, Nilmar ficou fora por desconforto muscular… Faça-me o favor, Diego. Será que os jogadores do Atlético-MG não sofrem com suas dorzinhas? O fato é que hoje é dia 6, faltam 9 dias para o jogo contra o Tigres e o time encolheu. A culpa não é somente tua, é também de quem avalizou esta besteira de revezamento. A preservação durante o Brasileiro tirou o tesão e desmobilizou todos os jogadores, à exceção dos poucos de sempre (falo de D`Alessandro, Lisandro, Anderson e Dourado). E o entrosamento? Este foi pras cucuias.

Basta ver que, nos últimos cinco jogos, perdemos três, empatamos uma e ganhamos outra. E levamos seis gols em dois jogos.

Eu, este que te escreve, Aguirre, tenho um sentido bastante desenvolvido de autopreservação e não fui mais ao Beira-Rio desde o jogo contra o Coritiba. Fujo de maus espetáculos. O Inter e tu não me enganaram. Mas estarei lá no dia 15 para a primeira perna da semifinal. Sabes, sabemos, que hoje o Tigres é o superfavorito para chegar à final.

Outra coisa, Diego. Os músculos de nossos atletas parecem feitos de manteiga. A direção diz que as lesões musculares são devidas ao excesso de jogos. Negativo, meu bem. Houve rodízio pesado durante o Gaúcho e este permanece até hoje. Nossos titulares jogam menos do que os dos outros. Nossos boleiros recebem tratamento de divas e, como, elas, não têm lá muito tônus. Até nosso goleiro está fora por distensão. Nossa preparação física é varzeana. O time acaba os jogos completamente morto e só se machuca.

Há que repensar os itens citados.

Abaixo, os melhores lances do banho de bola que tomamos ontem.

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Após um luto tranquilo e cheio de boas lembranças

Após um luto tranquilo e cheio de boas lembranças

Venho de uma família absolutamente convencional e média em todos os quesitos. Porém, há um fato para o qual só dei atenção na vida adulta. Dizem que minha mãe foi uma das primeiras dentistas do Rio Grande do Sul (formada em 1948, aos 21 anos). E ela nunca foi “do lar”, sempre esteve batalhando e sustentando a casa parelho com meu pai.

Quando dei-me conta disto lá pelos anos 70 e falei-lhe a respeito. Ela respondeu que muita gente se admirava que uma “mulher de dentista” trabalhasse ou “fosse obrigada a trabalhar”, conforme o dizer da época. Era como se meu pai não fosse o marido de uma dentista, mas um explorador de seu trabalho. Ela não concordava, apesar de que sua participação fosse efetivamente fundamental no orçamento familiar. Trabalhou a vida inteira e só parou aos 72 anos.

Essa mulher, que sempre achou muito natural o fato de ser independente, faria 88 anos hoje. A Dra. Maria Luiza morreu há quase três anos e mereceria uma festa daqueles que a conheceram. Infelizmente, este não é um hábito em nosso país. Mas vou dar um jeito de, privadamente, fazer-lhe um brinde hoje à noite. Merece.

Minha mãe e minha filha Bárbara em 2003
Minha mãe e minha filha Bárbara em 2003

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Top 10: Os melhores livros do ano de 2014

Top 10: Os melhores livros do ano de 2014
Montagem: Sul21
Montagem: Sul21

Publicado no Sul21 em 26 de dezembro de 2014

Como toda lista, esta é irresponsável ao escolher os melhores livros de um ano que não acabou ainda. E mesmo se tivesse acabado… Sem nenhum distanciamento histórico, vamos novamente correr o risco, deixando por escrito nossa opinião a respeito daquilo que lemos em 2014, ignorando, obviamente, aquilo que não passou sob nossos olhos. Porém, este ano, nossa lista foi criada sem grandes problemas, diferentemente de 2013.

No ano passado, deparamo-nos com um impasse. Cada votante fez sua escolha de forma distinta, não havia quase livros com mais de um voto. O mesmo fato não ocorreu este ano. A equipe do Sul21, mais os jornalistas convidados Luiz Gonzaga Lopes (Correio do Povo), Carlos André Moreira (Zero Hora) e o historiador Éder Silveira deixaram cinco livros com quatro votos e outros cinco com três, resolvendo o problema da escolha.

Assim, aconteceu um empate quíntuplo no primeiro lugar, pois O Capital no Século XXIDia de matar porcoO homem que amava os cachorros, Terra avulsa e Vida e destino, receberam quatro votos e outros cinco livros três. 

Segue a lista, por ordem alfabética:

~ 1 ~
O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty

Nenhum livro de economia publicado nos últimos anos foi capaz de provocar o furor internacional causado por O Capital no Século XXI (Intrínseca, 672 páginas), do francês Thomas Piketty. Seu estudo sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade ganhou manchetes nos principais jornais do mundo, gerou discussões nas redes sociais, vídeos no Youtube e colheu comentários e elogios. Fruto de quinze anos de pesquisas, o livro se apoia em dados que remontam ao século XVIII, provenientes de mais de vinte países, para chegar a conclusões explosivas. O crescimento econômico e a difusão do conhecimento impediram que fosse concretizado o cenário apocalíptico previsto por Karl Marx no século XIX. Porém, os registros históricos demonstram que o capitalismo tende a criar um círculo vicioso de desigualdade, pois, a longo prazo, a taxa de retorno sobre os ativos é maior que o ritmo do crescimento econômico, o que se traduz numa concentração cada vez maior da riqueza. Uma situação de desigualdade extrema que leva ao descontentamento geral e até, por vezes, ameaça os valores democráticos. Mas Piketty lembra que a política já foi capaz de reverter tal quadro no passado e poderá voltar a fazê-lo.

capital

~ 2 ~
Dia de matar porco, de Charles Kiefer

Só o fato de Charles Kiefer ter retomado a narrativa longa após 12 anos já é digno de um olhar mais prescrutador. Outro aspecto importante é ele ter sido um dos únicos autores que lançou realmente seu livro na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, com sessões de autógrafos no supersticioso e excêntrico dia do aniversário, 5 de novembro. Duas festas numa só, autógrafos e 56 anos completados. Mas tudo isso não seria nada se abríssemos o livro e lá não estivesse a marca de Kiefer. Ela está lá. A aridez e o jogo metafórico com camadas quase imperceptíveis, a serem descortinadas da sua estrutura textual, revelam o autor maduro tratando de uma experiência vivida autobiograficamente, a de quase-morte, mas muito bem ficcionalizada por este professor doutor em Letras de Três de Maio. Em Dia de matar porco (Dublinense, 112 páginas), Kiefer nos oferece um personagem bem erigido, o advogado Ariosto Ducchese, que é natural da mítica Pau D´Arco, pelo menos na obra de Kiefer. Nesta experiência de quase-morte, ele vê a sua mãe morta e resolve voltar à cidade natal para desvendar um enigma do passado. Nesta volta, recorda de alguns fatos, como o ritual de iniciação do carnear o porco, que é um dia de contato com a dor e com a resistência à morte, mas também de festa. Esta volta ao passado desvela segredos e coloca Ariosto no coração dos erros cometidos dentro da família gerada por Dante e Beatriz. Kiefer acertou o tom, coloca camadas e referências que vão da Cabala à Ray Bradbury e Wittgenstein e é capaz de edifícações verbais como estas: “Escrever é como matar um porco. É preciso ferir o coração do real, submetê-lo a nossa vontade, dizer a ele o que ele foi, e depois esquartejá-lo, expor as suas vísceras, valorizar este ou aquele pedaço, transformar a pele e as mantas de gordura em torresmo, e os miúdos em salsichas e salames”. (Luiz Gonzaga Lopes)

diadematarporco

~ 3 ~
Diário de Inverno, de Paul Auster

Ao entrar no inverno de sua vida, o maior escritor norte-americano vivo (que me desculpem os fãs de Philip Roth, Don de Lillo e outros), resolveu novamente se autobiografar. E fez o verão dos seus leitores com o inverno de sua vida, com mais um diário desregrado, coberto de pequenas tragédias e grandes lições familiares e da vida e mais uma vez desgraçadamente verdadeiro, como havia sido A Invenção da Solidão e o grande ensaio de per si Da Mão para a Boca. A frase do escritor francês Joseph Joubert, escrita em 1815, serve de baliza para uma das assertivas austerianas: Há que morrer adorável (se possível). Auster envelheceu junto com Quinn, Mr. Black, Hector Mann e outros personagens memoráveis da sua tessitura. Mas neste Diário de Inverno (Companhia das Letras, 216 páginas), livro que foi lançado em 2012 na Europa e Estados Unidos e no segundo semestre de 2014 no Brasil, Auster consegue novamente se colocar na segunda pessoa do singular e dissecar o seu mundo, a matéria tangível, vivenciada dos seus escritos. A autor metaficcional ou autoficcional indireto explica algumas histórias que surgiram ao acaso e que o impeliram a escrevê-las, como a ligação por engano para o escritório de detetives em sua casa, a gênese de Cidade de Vidro, onde Quinn recebe uma ligação de alguém que quer falar com Paul Auster, da Agência de Detetives Auster. (Luiz Gonzaga Lopes)

diario

~ 4 ~
Dostoiévski-trip, de Vladímir Sorókin

Dostoiévski-trip (Editora 34, 104 páginas) é uma obra à beira da perfeição enquanto escolha narrativa. O vanguardista russo que teve seus textos banidos durante o regime soviético esteve na Flip e mostrou todo o seu medo de que Putin se revele mais perverso e ditador que Stalin. Fora isso, criou uma obra que brinca com a drogadição, comparando a literatura a drogas consolidadas e experimentais. Cinco homens e duas mulheres estão na fissura por mais drogas, que no caso são livros ou autores. Céline, Genet e Sartre são drogas que deixam os usuários tensos. Faulkner e Hemingway são consumidos por halterofilistas ou caras que cultuam o corpo. Mas eles vão se deparar com uma droga experimental e mais pesada: Dostoiévski. Após ingeri-la, eles acabam dentro de uma cena de O Idiota. Tudo anda conforme o script até que a droga começa a fazer efeito e eles tecem longos monólogos carregados de drama, sarcasmo e um niilismo. Um livro que aproxima o Dostoiévski do século 19 com o mundo veloz e junkie, mas que propõe que o autor russo pode ser uma leitura/droga demasiada pesado para este superficial e virtual mundo do século 21. (Luiz Gonzaga Lopes)

dostoievski-trip

~ 5 ~
A festa da insignificância, de Milan Kundera

A festa da insignificância (Companhia das Letras, 136 páginas) foi aclamado pela crítica e despertou enorme interesse dos leitores na França e na Itália, onde logo figurava em todas as listas de best-sellers. Lembrando A Grande Beleza, filme de Paolo Sorrentino acolhido com entusiasmo pelo público brasileiro no mesmo ano, o romance de Milan Kundera coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Eles passeiam pelos jardins de Luxemburgo, se encontram numa festa sinistra, constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stalin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, em vez dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo. Na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema, Kundera transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de outrora, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim, o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana.

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~ 6 ~
O Homem que Amava os Cachorros, de Leonardo Padura

Um grande e multipremiado romance baseado em fatos e personagens reais, onde o cubano Padura narra pormenorizadamente o assassinato de Trotsky a mando de Stalin — terceira vez que esta nome aparece nesta retrospectiva — a cargo de Ramón Mercader e do serviço secreto soviético. A pesquisa de Padura levou-o a todos os exílios de Trotsky: de Alma Ata (atual Cazaquistão) para a Turquia, dali para França e depois para a Noruega e o México, onde ele encontrará com seu algoz. O texto alterna capítulos dedicados a Trotsky, a Mercader e ao futuro autor do livro, perdido, sem temas e comida em Cuba. Padura inventa os diálogos, mas mantém rigorosamente os fatos históricos. Para melhorar ainda mais, o livro cresce de forma espetacular a cada página dentro do abandonado gênero do thriller policial. Graham Greene ficaria feliz de ler O Homem que Amava os Cachorros (Boitempo, 592 páginas). Obra indicada a todos que não tenham saudades de Stalin, pois seu autor diz claramente: “Trotski podia ser duro, mas era um político; Stalin era um psicopata”. (Milton Ribeiro)

homem

~ 7 ~
O que amar quer dizer, de Mathieu Lindon

Ambientado na Paris do fim dos anos 1970 e início dos 80, O que amar quer dizer (Cosac Naify, 288 páginas) repassa os anos de convivência do jornalista cultural Mathieu Lindon com Michel Foucault (1926-1984) e a enorme influência que o filósofo teve sobre sua vida. Filho de Jérôme Lindon, fundador das Editions de Minuit e editor de Samuel Beckett e Marguerite Duras, o autor deste livro rememora as festas no apartamento de Foucault na Rue de Vaugirard em descrições bem-humoradas de sua vivência homossexual em meio a viagens de ácido e música clássica. Em seguida, trata da sombra que surgiu no meio gay quando a aids, que viria a vitimar o filósofo, entrou na pauta da época. A história se desenrola ao redor dessas duas figuras masculinas: de um lado, o pai de “sorriso tímido”, objeto de um amor que não encontra a forma de se expressar; de outro, o amigo de “sorriso escancarado” que lhe ensinou a ser feliz, vivo – e grato. O que amar quer dizer foi publicado na França em 2011, ano em que obteve o Prêmio Médicis.

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~ 8 ~
Opisanie świata, de Veronica Stigger

Primeiro romance de Veronica Stigger, Opisanie świata (Cosac Naify, >160 páginas) significa “descrição do mundo” e é como se traduz Il Milione, o livro de viagens de Marco Polo para o polonês. É justamente como uma espécie de relato de viagens que essa novela se constitui. A história central do livro é a de Opalka, um polonês de cerca de sessenta anos que, em sua terra natal, recebe uma carta por meio da qual descobre que tem um filho no Brasil – mais especificamente, na Amazônia -, internado num hospital em estado grave. O pai decide viajar ao encontro do filho; no início do percurso, conhece Bopp, um turista brasileiro que, ao tomar conhecimento das razões da viagem de Opalka, resolve abandonar seu giro pela Europa para acompanhá-lo ao Brasil. O livro se compõe a partir de diversos registros, como o do relato em terceira pessoa, o da carta, o do diário etc., além de contar com inserções de imagens e fragmentos de textos sobre a ou da década de 1930 — época em que transcorre a ação.

Opisanie Swiata

~ 9 ~
Terra Avulsa, de Altair Martins

No seu mais recente romance, Terra Avulsa (Record, 312 páginas), o premiadíssimo Altair Martins fala de diversos temas – isolamento, relações familiares, amores nascentes, política latino-americana, tradução e fotografia – para, no final das contas, falar de literatura: para que ela serve? Como nasce o texto? Qual a distância que separa autor e leitor? E talvez a mais fundamental (e mais ousada e mais irrespondível) de todas as perguntas: o que é literatura? Logo no início do livro, o protagonista (um professor e tradutor que busca sua própria poesia ao mesmo tempo em que busca afastar-se do mundo) revela sua predileção pela hipálage, figura de linguagem que se caracteriza pelo desajustamento entre a função gramatical e a função lógica das palavras, o que ocorre, por exemplo, quando se atribui a um substantivo uma qualidade que pertence a outro. E assim, através de múltiplas transposições de sentidos entre as temáticas contidas no romance, sempre em linguagem exuberante e imagética (“porque a linguagem é a primeira que sangra”), o autor acaba por cunhar uma definição tão precisa quanto fluida: “literatura é procurar a mãe na casa dos outros”. (Rafael Bán Jacobsen, no Amálgama)

terra

~ 10 ~
Vida e Destino, de Vassili Grossman

Vida e destino (Alfaguara, 920 páginas) é um épico moderno e uma análise profunda das forças que mergulharam o mundo na Segunda Guerra Mundial. Vassili Grossman, que esteve no campo de batalha e acompanhou os soldados russos em Stalingrado, compôs uma obra com a dimensão de Tolstói e de Dostoiévski, tocando, ao mesmo tempo, num dos momentos cruciais do século XX. A ação tem lugar durante a invasão da União Soviética pela Alemanha nazista, com foco na batalha de Stalingrado. O livro começa quando a Alemanha cerca a cidade, tentando conquistá-la. Ao longo do livro, são descritos os danos causados pelos bombardeios aéreos e pela artilharia localizada em torno da cidade. Com personagens que são uma combinação de figuras ficcionais e históricas, o romance não é apocalíptico nem crê que o ser humano esteja destinado à desgraça, mesmo em meio à destruição. Estão lá os campos de prisioneiros militares e os de concentração; os altos-comandos, com Hitler de um lado e Stalin de outro; a disputa insensata dos soldados por uma única casa na cidade em ruínas e os dramas familiares dos que ficam para trás e enfrentam o terror político e a incerteza. Um romance de grande força dramática. Finalizado em 1960, e a seguir confiscado pela KGB, o livro permaneceu inédito até a metade dos anos 1980. (Milton Ribeiro)
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* Com assessorias de imprensa das editoras

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Chico Buarque, lidando com uma canção maior que seu cantor

Chico Buarque, lidando com uma canção maior que seu cantor
Imagem: Companhia das Letras
Imagem: Companhia das Letras

Publicado no Sul21 em 14 de dezembro de 2014

Por Éder Silveira (*)
Especial para o Sul21

Logo nas primeiras linhas de O Irmão Alemão, Chico Buarque nos revela o centro do seu mais novo romance, a história da busca, empreendida por Francisco de Hollander, pelo paradeiro de seu irmão, nascido na Alemanha. Diz ele: “Sei que meu pai ainda solteiro morou em Berlim entre 1929 e 1930, e não custa imaginar um caso dele com alguma Fräulein por lá. Na verdade, acho que já ouvi falar de algo mais sério, acho até que há tempos ouvi em casa mencionarem um filho seu na Alemanha. Não foi discussão de pai e mãe, que uma criança não esquece, foi como um sussurro atrás da parede, uma rápida troca de palavras que eu mal poderia ter escutado, ou posso ter escutado mal.” Ou seja, mesmo que não passasse de um segredo de polichinelo, o irmão alemão, cuja existência é revelada por uma carta encontrada dentro de O ramo de ouro, obra clássica de Sir James Frazer, é o estopim para uma busca que haveria de se estender por décadas.

No dia a dia dos Holanda, falava-se do tema com maior desenvoltura. A Sergio Buarque de Holanda, não se sabe ao certo se pelos traços físicos ou se pelo domínio da língua, com certa frequência se perguntava se era filho de alemães. O historiador que, entre outras coisas, ficou conhecido por sua fina ironia, respondia de bate-pronto: filho não, sou pai de alemão. A conhecida historieta, que suponho já deva ter sido contada muitas vezes, é relembrada no belo documentário de Nelson Pereira dos Santos, Raízes do Brasil, filme que faz com que partes do livro de Chico Buarque tenham sabor de déjà vu.

Fato é que tudo o que envolve o nome de Chico Buarque ganha enormes proporções, e com O Irmão Alemão não foi diferente. Na mesma medida que os seus mergulhos em praias cariocas, seus discos ou outros livros, é digno de nota o alarido criado em torno do livro, antes mesmo de ele chegar às livrarias. Dias após o seu lançamento, O Irmão Alemão já contava com pelo menos quatro resenhas, assinadas por críticos respeitados, e com o prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Difícil de ignorar, o livro está em todas as livrarias  | Foto: Divulgação
Difícil de ignorar, o livro está em todas as livrarias | Foto: Divulgação

Confesso que mesmo eu, que nem de longe seria lembrado como um apreciador da literatura de Chico Buarque, fui fisgado pelas iscas que foram lançadas. A promessa de contar a história do filho alemão de Sergio Buarque de Holanda, e de tecer uma trama que ligaria os horrores da escalada do nazismo na Alemanha e os anos de chumbo da Ditadura Militar no Brasil, foram o suficiente para me fazer comprar o livro assim que publicado e lê-lo em uma tacada.

Aqueles que se interessam pela trajetória de Sergio Buarque sabem que esse período foi importantíssimo em sua formação. Ele partiu como um jornalista boêmio, ligado aos modernistas de 1922 e editor de Estética, uma revista de vanguarda, efêmera como todas devem ser. Voltou determinado a se tornar um scholar, versado na sociologia de Max Weber e de Georg Simmel. Lembro aqui uma passagem do mestre Antonio Cândido, que evocou de modo preciso o transe germânico de Sergio Buarque:

Por isso a estada em Berlim foi uma oportunidade para abrir ao seu conhecimento um campo novo – o “Domínio alemão” (como diria Valéry Larbaud), que ele incorporou sofregamente aos seus territórios. Lá seguiu sem muita regularidade alguns cursos, inclusive de Meinecke. Leu Sombart, Toennies, Alfred e Max Weber; familiarizou-se com os historiadores da arte; mergulhou na obra de Rilke, de Stefan George e dos discípulos deste, como Gundolf e Bertram; pela vida afora continuou lendo Goethe nos 70 ou 80 volumes da obra completa. E no meio de tudo isso imaginou um livro de interpretação da sua terra. Tinha 28 anos e “Raízes do Brasil” começava a germinar.

Além do tour de force intelectual descrito por Antonio Candido, o que se sabe da temporada berlinense de Sergio Buarque permite acrescentar visitas aos cafés e cabarés da capital alemã. O tempo foi suficiente, ainda, para um relacionamento mais sério, com uma jovem chamada Anne Ernst ou Annemarie Ernst, namorada alemã que permanece em Berlim quando Sergio volta, às pressas, ao Brasil. Ela estava grávida de Sergio Ernst, o irmão alemão de Chico Buarque. Sergio Buarque, até onde se sabe, desconhecia o fato.

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Duas vidas marcadas pela violência | Foto: Divulgação

Não se trata aqui, bem sabido, de comparar o romance aos fatos. Mas esse tema será perseguido ao longo da obra, a busca de Francisco de Hollander, filho do professor Sergio de Hollander, pelo paradeiro de seu irmão alemão, que, nascido na Alemanha da década de 1930, teria visto a ascensão do nazismo ao poder. A descoberta da carta, que desencadeará todos os movimentos de Francisco para descobrir o paradeiro de seu irmão, estica um fio que liga o Brasil à Alemanha, o nazismo e a ditadura militar que já estava roçando os calcanhares do protagonista. Duas vidas marcadas pela violência.

Um tema como esse, carregado de historicidade, nas mãos de um escritor que domina as regras do ofício, nos faz pensar que seria difícil errar. Ou, se quisermos ser mais reticentes, diríamos que as chances de acerto seriam altíssimas. Finda a leitura, no entanto, a sensação é de incompletude. Ora, se é escusado dizer que Chico Buarque escreve muito bem, oferece um texto burilado, bem trabalhado, com frases bem construídas, é preciso que se diga que não foi capaz de se colocar à altura da história que escolheu contar. Não se trata, de modo algum, de um trabalho mal-acabado por imperícia. Mas, seu eu precisasse definir o livro em uma palavra, diria que ele é morno.

Chico e Sérgio, sem o irmão alemão
Chico e Sérgio, sem o irmão alemão

Gostaria de sublinhar aspectos que me parecem enfraquecer o livro. O primeiro deles é a construção dos personagens. Ao longo do livro, quando fala de Sergio de Hollander, Chico Buarque não deixa dúvidas de que fala de seu pai. Quem assistiu o já mencionado documentário sobre ele não terá qualquer dificuldade de identificá-lo nas inúmeras marcas sobre as quais o autor insiste: o cigarro entre os dedos, o hábito de ler com os óculos pendurados na testa, o escritório no segundo andar da casa. Ainda assim, o esquematismo com o qual ele apresenta a rotina de um intelectual chega a ser surpreendente. O “intelectual” descrito por Chico Buarque é, bem pesadas as palavras, caricato.

Outras personagens não têm melhor sorte. Natércia, a colega-superior-amante; o pianista que tinha informações sobre Anne Ernst; o filho do pianista… A voz do narrador, igualmente, está longe de ser empolgante. Ele se dá a ver, quase sempre, por uma lente autodepreciativa. Não é ouvido pelo pai, não é O cara da turma, inveja o irmão bonito e burro que “come todas as meninas”. Em tempo: Chico, lembrado como o poeta que cantou a alma feminina, tem passagens constrangedoras sobre as mulheres com quem o seu narrador convive.

O segundo aspecto que me incomodou com relação ao livro vem da forma mediante a qual ele tratou os dois traumas históricos que servem de baliza para a narrativa, a saber, a ascensão do nazismo, evento de consequências gigantescas, e a Ditadura Militar no Brasil, período no qual transcorre boa parte da trama. A escolha por situar e relacionar a narrativa a esses dois momentos históricos, ligados à vida do autor, não recomenda o andamento, em vários momentos frívolo, a eles imposto. Uma história de amor e de segredos que tenha como eixo traumas históricos do século XX não pode se dar ao luxo de ser amena, quase superficial, sob o risco de fazer com que nossa entrega ao olhar desse narrador sobre a época simplesmente não ocorra.

Ainda que seja sabidamente uma tolice recriminar uma laranjeira por não dar pitangas, acredito que um tema como esse mereceria uma narrativa mais intensa, que fizesse jus às tragédias que, de certo modo, atravessam a vida dos seus protagonistas. Uma vez mais, retorna a questão: por que são tão raras, entre nós brasileiros, as obras artísticas que sejam capazes de traduzir a barbárie que nos cerca? Ok, ok, Chico Buarque não é Thomas Bernhard…

(*) Éder da Silveira é professor da UFCSPA, Doutor em História pela UFRGS e Pós-doutor em História pela USP

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Em noite de protesto contra a opressão russa, a Ospa fez uma bela visita à Escandinávia

Em noite de protesto contra a opressão russa, a Ospa fez uma bela visita à Escandinávia
Escondemos a jovem careca do grande Alexandre Dossin
Respeito: escondemos a jovem careca do grande Alexandre Dossin

Seria um exagero chamar a noite de ontem, no Salão de Atos da UFRGS, de escandinava. Estava até quente. Logo na entrada, fui chamado para uma conversa com o Diretor Artístico da Ospa, Evandro Matté. Acho que faremos entrevista com esclarecimentos e notícias mais amplas até o fim de semana de 11 e 12 de julho. Foi um bom diálogo do qual participou o superintendente Araquém Idiart Gomes.

O programa do concerto era formado apenas por obras lá do norte: afinal, Alfvén foi sueco; Grieg, norueguês e Sibelius, finlandês. O maestro Henrik Schaefer é alemão e já foi o mais jovem membro da Orquestra Filarmônica de Berlim, tendo assumido uma das violas aos 22 anos. Já o pianista Alexandre Dossin é brasileiro, gaúcho de Porto Alegre. Sejamos mais específicos:

Programa

Hugo Alfvén: Midsommarvaka
Edvard Grieg: Concerto para piano, op. 16
Jean Sibelius: Sinfonia nº 2, op. 43

Regente: Henrik Schaefer
Solista: Alexandre Dossin (piano)

Vivem muito esses escandinavos e Hugo Alfvén morreu aos 88 anos. Tendo por base a bagunça aprontada ontem, devia ser um sujeito alegre, amante da bebida e de outros prazeres. Tocava violino na Royal Opera de Estocolmo e — calma — sua Midsommarvaka não representa nenhuma ofensa, é apenas uma encantadora Vigília da meia-noite (Rapsódia sueca n° 1, op. 19). Certamente inédita em nossa cidade, foi a melhor abertura de concerto de 2015. Uma música feliz, mesmo com alguns episódios lentos. Alfvén foi também pintor e escritor (dos bons).

Ai, o Concerto para piano, Op. 16, de Grieg. De novo! Em 22 de agosto de 2014, a Osesp apresentou este Concerto no Theatro São Pedro com o pianista Dmitry Mayboroda sob a regência de Marin Alsop. No dia 11 de novembro do ano passado, a Ospa voltou a apresentar o mesmo concerto com a pianista Hyejin Kim e o maestro Shinik Hahm.

Grieg foi tio de Glenn Gould e viveu menos do que Alfvén e Sibelius. Ficou 64 anos entre nós, deixando-nos uma obra romântica de excelente qualidade. Seu Concerto para Piano está entre os mais populares do gênero. Acho-o muito parecido com o de Schumann. O de Grieg era um grande sucesso na casa de meus pais, ambos dentistas e pianistas amadores. Conheço cada notinha dele. A interpretação de Dossin-Schaefer talvez tenha sido a melhor das três que tivemos em Griegópolis no último ano. O primeiro movimento, tocado em andamento mais rápido e menos derramado, tornou-se digno e adequado a meu desamor pelo ciclamato. Mas, meus caros, de vez em quando o piano desaparecia sob a orquestra e creio que não adianta culpar a acústica por isso. Ninguém mais cai nessa. É mesma coisa que os violinos não tocarem juntos e culparem o teatro. Nada a ver. Mas curti muito a interpretação da trilha sonora de Intermezzo, mesmo sem a presença de Ingrid Bergman.

O bis de Dossin foi o Noturno Nº 1 de Chopin. Foi uma interpretação perfeita — contida, sem exaltações nem demasiados tremeliques líricos. Dossin é um desses santos de casa que fazem milagres, a exemplo de Lavard Skou-Larsen e Tobias Volkmann.

Creio que a segunda é a mais popular das sinfonias de Sibelius, apesar de que a melhor, disparada, seja a sétima, que será apresentada pela Ospa na próxima terça-feira. A segunda é uma bela e difícil sinfonia. Houve desencontros e erros muito claros em vários solos. Aqui, tivemos efetivamente algum prejuízo pela má acústica da Ufrgs. O som dos baixos, por exemplo, caía como pedras aos nossos pés. Escrita na Itália logo após a composição do poema sinfônico Finlândia e estreada em Helsinque em 1902, esta sinfonia foi um acontecimento nacional. Numa época de invasão e opressão russas, ela foi ouvida como representação sonora do nacionalismo finlandês. Quando de sua estreia, foi tocada quatro vezes em oito dias. Mas não se precisa saber de tudo isso para gostar dela, a música sobrevive tranquilamente sem o contexto de sua origem..

Seu formato é aparentemente tradicional — são quatro movimentos com os dois últimos tocados sem interrupção, como a Quinta de Beethoven. Nela, Sibelius abusa das repetições e de fragmentar melodias. É estranho como ela lembra Bruckner ao mesmo tempo que trai o carolão austríaco. Se Bruckner busca e alcança a divindade, Sibelius é muito mais realista, mostrando-nos quão vasto é o frio de seu pais. Aliás, esqueci de dizer que Sibelius viveu 92 anos, foi alcoolista e deprimido por boa parte de sua vida, desistiu de compor ali pelos 50 anos e isto foi lamentável, pois era um sujeito original e de grande talento. Fazer o quê?

Em um conjunto com alguns destaques negativos facilmente identificáveis — de uma forma geral, havia muitos solos neste concerto — o clarinetista Samuel de Oliveira e o trombonista José Milton Vieira deram um banho de bola. Aliás, espero que o Miltinho esmerilhe na Sinfonia Nº 7 de Sibelius na semana que vem. Há belíssimos solos de trombone na sétima. E que o deixem se sobrepor à orquestra, tocando em altíssimo volume, como fez o trombonista da Filarmônica de Leningrado sob as ordens de Mravinsky. Cumpra-se!

Impossível esconder a careca de Sibelius
Impossível esconder a careca de Sibelius

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