Eu tenho poucas coisas para me orgulhar e, mesmo entre as que me orgulham, quase todo mundo tem. Orgulho-me dos meus filhos, da Elena — prova de que eu sou legalzinho —, do círculo de amigos que formei, e do fato de ter estudado sempre em colégios e universidades públicas.
Quando falam em ataques ao ensino público, realmente me sobe o sangue. Não é apenas uma questão de princípio, de defender algo em que acredito. É também uma questão pessoal. O ensino público faz parte da minha história, da pessoa que me tornei, das oportunidades que tive e das portas que se abriram para mim.
Não acho que a educação pública seja perfeita. Sei que tem problemas, muitos deles graves, e que precisa de investimentos, cuidado e cobrança. Mas é justamente por isso que me revolta vê-la tratada como algo menor, como se fosse uma espécie de favor prestado aos pobres, e não um direito de todos. Uma escola pública de qualidade não é apenas um lugar onde se aprende matemática, história ou literatura. É um dos poucos espaços em que pessoas de origens diferentes podem se encontrar, conviver e descobrir que o mundo não precisa ser dividido entre os que podem pagar e os que não podem.
Tive a sorte de estudar em instituições públicas. Não fiz nada de extraordinário para merecer isso: tive acesso a um direito. E talvez seja essa a questão. Não quero que outros tenham menos oportunidades do que eu tive. Quero que tenham as mesmas — ou, melhor ainda, que tenham mais.
Por isso, quando atacam o ensino público, não sinto que estejam atacando apenas uma instituição. Sinto que estão diminuindo uma parte da minha própria história. E, sobretudo, ameaçando o direito de tantas pessoas de escreverem as suas.
(Esta é a opinião do PUM)
