Embarque
(retirado do livro de poemas de Michel Temer)
Embarquei na tua nau
Sem rumo. Eu e tu.
Tu, porque não sabias
Para onde querias ir.
Eu, porque já tomei muitos rumos
Sem chegar a lugar nenhum
A brilhante reportagem de Thiago Guimarães, da BBC Brasil, dá um visão muito clara da atual Câmara de Deputados. Ela pega informações obtidas pelo cientista social Maurício Garcia, diretor regional do Ibope, que considerou pesquisas feitas em 17 Estados (SP, RJ, MG, RS, PR, SC, AL, BA, CE, PE, RN, AM, PA, GO, MT, MS, TO) e no Distrito Federal. Trabalha, portanto, com dados de pesquisas relativas a 423 dos 513 deputados eleitos (82% do total). O trabalho foi apresentado neste mês no Congresso da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e levou o prêmio de melhor paper.
Eu devo ser o único sujeito de esquerda do mundo que combate o voto obrigatório. Sou pelo voto facultativo. Não acredito nesta democracia que MANDA VOTAR e considero absurdo que uma maioria que não se preocupa com política eleja deputados que tornam nulo meu voto em função do quociente eleitoral. Quase sempre vou votar sabendo que, provavelmente, meu voto não valerá nada. É pura matemática. Basta ver que há um comunicador ou um cara que fez a campanha muito cara do outro lado para concluir que ele levará muitos votos dos indiferentes e que matará as pretensões de quem eu cuidadosamente escolhi. Como disse Arnold Toynbee, na democracia:
O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.
Mas não no Brasil. Segundo uma pesquisa do Datafolha de 2014, 20 dias após o pleito, 30% dos eleitores brasileiros já se esqueceram o nome do candidato a deputado federal para o qual deram o voto. A situação é a mesma para o Senado: 28% dos eleitores já não se lembram em quem votaram para senador.
Na maior parte das democracias, o voto é um direito: o eleitor vota se quiser, se achar que algum candidato de fato o representa, ou se achar que é necessário que sua opinião seja representada. No Brasil, ao contrário, temos o direito-obrigação: o cidadão não tem apenas o direito de votar, também tem a obrigação de fazê-lo. Se não o fizer, sofrerá sanções. Por exemplo, não pode inscrever-se em concurso ou tomar posse de cargo público, não pode inscrever-se ou renovar matrícula em faculdade pública, não pode tirar carteira de identidade ou passaporte, não pode tomar empréstimos em bancos públicos, etc.
Mas qual é a cara do sujeito que anula meu voto? Ou, como pergunta Thiago sem dar bola para minhas posições, “Qual é a cara do eleitor da atual Câmara dos Deputados, que conduz o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e já foi classificada como a Casa “mais conservadora desde 1964”? Dá para vê-la na reportagem abaixo:

Por Thiago Guimarães
Como o voto é secreto, a única maneira de chegar perto dessa resposta é a partir de pesquisas eleitorais.
Em busca desse perfil inédito, um cientista social mergulhou em 194 pesquisas de intenção de voto para a Câmara dos Deputados feitas em 2014, de agosto até a eleição.
Separou os entrevistados que citaram intenção de voto em deputados eleitos e comparou seu perfil (sexo, idade, instrução e renda) com o conjunto do eleitorado.
Nas discrepâncias entre os dois grupos, encontrou pistas sobre os setores da sociedade mais “eficientes” – cujo voto teria resultado em mais deputados eleitos – na eleição da Câmara.
No quadro geral (pois há diferenças entre os Estados), eleitores homens, mais instruídos e de famílias mais pobres provavelmente tenderam a participar mais da escolha dos atuais deputados federais.
A análise de Maurício Garcia, diretor regional do Ibope, considerou pesquisas feitas em 17 Estados (SP, RJ, MG, RS, PR, SC, AL, BA, CE, PE, RN, AM, PA, GO, MT, MS, TO) e no Distrito Federal. Trabalha, portanto, com dados de pesquisas relativas a 423 dos 513 deputados eleitos (82% do total).
O trabalho foi apresentado neste mês no Congresso da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e levou o prêmio de melhor paper.
Para entender por que muitos votos à Câmara acabam sendo “desperdiçados”, é preciso conhecer o sistema eleitoral brasileiro: todos os votos válidos das eleições (número total de votos em candidatos ou legendas, descontados os brancos e nulos) são divididos pelo total de vagas na Câmara.
Essa divisão resulta no quociente eleitoral. Para conseguir eleger deputados, o partido ou coligação precisará alcançar esse quociente. Quem não alcança o quociente, mesmo que tenha recebido uma quantidade razoável de votos, não é eleito.
E quem supera com folga esse quociente acaba “carregando” consigo outros candidatos, que acabam eleitos mesmo sem ter recebido um número alto de votos. Por isso, muitos votos depositados nas urnas acabam não elegendo deputados [bem votados].
Sexo
Partindo do pressuposto de que as pesquisas usadas por Garcia se confirmaram nas urnas, um dos achados mais significativos do estudo foi o peso do voto dos homens na eleição da Câmara.
Enquanto há mais mulheres do que homens no eleitorado brasileiro como um todo (52% x 48%), os deputados eleitos nesses Estados tiveram um percentual de votos mais masculino (56% x 44%), ou seja, uma diferença de oito pontos percentuais em relação ao universo de eleitores homens.
“Será que mulheres dispersam mais seus votos, enquanto os homens os concentram mais em determinados candidatos e partidos, e isso ‘melhora’ o desempenho do voto masculino?”, questiona Garcia, para quem o estudo aponta direções que ainda precisam ser aprofundadas por pesquisadores.

Escolaridade e renda
Em relação ao grau de escolaridade, houve diferenças, porém em intensidade menor, entre o perfil do conjunto dos 18 Estados e o de quem declarou voto na atual Câmara.
Eleitores mais instruídos (com ensino médio ou superior completo) foram um pouco mais “eficazes” nos votos do que aqueles com até ensino fundamental.
A diferença foi de quatro pontos percentuais nas duas faixas – enquanto no conjunto os eleitores com ensino médio e superior formam, respectivamente, 40% e 18% do total, no grupo de quem declarou voto nos vencedores os índices são de 44% e 22%.
Votos de famílias mais pobres (rendimento mensal de até dois salários mínimos) foram aqueles que, proporcionalmente, mais elegeram os deputados federais da atual legislatura.
Somadas, as diferenças (entre o perfil do conjunto e o dos eleitores que declararam votos em deputados vencedores) nas faixas de até um salário mínimo e de um a dois salários mínimos chegam a 20 pontos percentuais.
Como no caso da escolaridade, alguns Estados ajudaram a puxar esse resultado, sobretudo os do Norte e Nordeste.
“Dos 18 Estados da pesquisa, Amazonas, Pará, Pernambuco, Bahia, Ceará, Alagoas e Mato Grosso do Sul foram os que mais contribuíram para que, no todo, os eleitores pertencentes às famílias mais pobres sejam os que, proporcionalmente, mais elegeram seus deputados”, escreve Garcia no estudo.

Para o cientista social, uma possível razão para isso é o fato de pessoas votarem em candidatos mais conhecidos, que investem pesado em propaganda.
“Justamente nos Estados mais pobres economicamente o voto do eleitor de baixa renda tem ‘mais força’. Será que essa força não vem do fato de ele estar votando nos candidatos com melhores condições financeiras? Já nos Estados mais ricos, quando há essa discrepância, a escolaridade pesa mais”, afirma o diretor do Ibope.
Para a professora Mara Telles, do departamento de Ciência Política da UFMG, o trabalho de Garcia tem o mérito de investigar um tema em que os dados são escassos.
“É muito difícil para estudos acadêmicos inferir intenção de voto para deputado federal. São pesquisas muito caras e difusas, e ele analisou quase 200 delas”, afirma.
Segundo a cientista política, estimativas mostram que cerca de 70% dos votos para a Câmara não se traduzem em cadeiras. Ou seja, o número de pessoas que efetivamente elegem os deputados representa uma fatia menor do eleitorado. “Pesa nisso o fato de o sistema ser muito competitivo, são mais de 5 mil pessoas disputando 513 vagas.”

Após a eleição da atual Câmara dos Deputados, em 2014, análises apontaram que se tratava da representação mais conservadora no Legislativo desde 1964.
Especialistas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), por exemplo, chegaram a essa conclusão ao somar o número de parlamentares eleitos ligados a segmentos militares, policiais, religiosos e ruralistas. O levantamento mostrava ainda queda no número de deputados ligados a sindicatos e a causas sociais.
Ao mesmo tempo, a Câmara eleita em 2014 tinha representantes de 28 siglas diferentes – a composição mais heterogênea da história em termos partidários, aponta Garcia. “O que o estudo tenta delinear, dentro de suas limitações, é quem, afinal, elegeu essas contradições.”

A pesquisa do diretor do Ibope também buscou traçar um perfil ideológico da atual Câmara. Como critério, selecionou 13 votações polêmicas de 2015, sobre temas que costumam mobilizar esquerda e direita do espectro político.
Cobrança por cursos em universidades públicas, redução da maioridade penal, financiamento privado para partidos e terceirização foram algumas das votações escolhidas. Quem votava contra essas propostas, por exemplo, era classificado como de esquerda, e vice-versa.
Nesse sentido, a conclusão foi que 74% dos deputados do grupo dos 18 Estados estudados no levantamento eram de centro-direita (tiveram 61% a 80% de posições consideradas de direita) ou direita (81% a 100%).
“Comprovou-se aquilo que especialistas políticos da mídia e da academia já salientavam antes da posse dos deputados federais: o Brasil elegeu em 2014 uma Câmara dos Deputados de tendências mais à direita do que à esquerda no espectro político clássico”, aponta.
Para Garcia, um dado relevante na análise dessas votações veio do posicionamento do PMDB. “De fato o PMDB teve uma posição de extrema direita, contrária até a algumas coisas que o governo propunha. Aí foram questões não apenas ideológicas, mas políticas, da briga do Eduardo Cunha e de parte do PMDB contra Dilma.”
Adaptado daqui.
Está complicado entender a história dos #PanamaPapers, o vazamento de documentos que revela uma rede global de corrupção e evasão fiscal? A gente dá uma mãozinha, explicando tudo de maneira didática. Vamos lá.
Digamos que você guarde suas moedas em um cofrinho que está no seu armário.
Mas sua mãe fica checando para saber quanto você colocou e quanto retirou.
Você não gosta disso.
Então você consegue um cofrinho extra…
…e o leva para a casa do Joãozinho.
A mãe do Joãozinho é ocupada. Ela não checa cofrinhos. Então você pode secretamente manter o seu porquinho lá sem que ninguém fique checando.
As crianças da vizinhança também acham que essa é uma boa ideia.
Então elas também colocam seus cofrinhos no armário do Joãozinho.
Mas um dia, a mãe do Joãozinho descobre os cofrinhos.
Ela fica furiosa e liga para os pais de todas as crianças para avisar que elas estão escondendo dinheiro.
Ligando, ela vaza informações para todos . Esse é o vazamento dos papéis do Panamá – e muitas pessoas importantes e poderosas esconderam seus cofrinhos na casa do Joãozinho no Panamá.
Nem todo mundo estava fazendo algo errado, no entanto. Por exemplo, você só queria privacidade da sua mãe. Mas seu vizinho Miguel estava roubando dinheiro da bolsa da mãe dele e escondendo esse dinheiro no armário do Joãozinho. E Jacó estava roubando o dinheiro do almoço de outras pessoas e não queria que seus pais perguntassem de onde aquilo estava vindo.
Em breve saberemos quem estava fazendo isso por motivos errados e quem não estava.
Mas todos que esconderam seu cofrinho na casa do Joãozinho ainda estão em apuros, porque cofrinhos secretos são proibidos.
Agora os jornalistas estão vasculhando os registros para entender melhor o tipo de atividade que estava acontecendo na casa de Joãozinho no Panamá – se era legal, adequado ou se era uma contravenção.

Uma das responsáveis pelo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a advogada Janaína Paschoal foi ovacionada em ato realizado nesta segunda-feira (4/4) na Faculdade de Direito da USP. Janaína disse que “as cobras que estão no Poder estão se aproveitando para se perpetuar”. Ainda afirmou que estamos num momento de reflexão. Por sua fala, não parece. Se você tiver condições mentais para ver o vídeo abaixo… Não parece mais com uma pastora evangélica tomada pelo demônio? Postura igrejeira, como disseram aqui no Sul21. Concordo. Fala em Cobra como se falasse no Demônio. Ou seria apenas uma atuação pra lá de canastrona? “Mais do que parar para refletir sobre o impeachment, que tem motivos de sobra, queremos servir a uma cobra?, disse ela, rimando involuntariamente. E emendou: “Nós somos muitos miguéis, muitas janaínas, não vamos deixar essa cobra dominando porque somos seres de almas livres. Não vamos abaixar a cabeça. Acabou a República da cobraaaaaa!!!”, gritou puxando um coro de “fora PT, fora jararaca”.
A coisa está ficando assustadora.
https://youtu.be/ymv2T1hVCo4
Há muitas versões, mas esta é a utilizada atualmente. É a Formulação de Genebra, adotada pela Associação Médica Mundial, em 1983. Leia abaixo o Juramento, mas principalmente a frase em negrito:

Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade.
Darei aos meus Mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.
Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.
A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.
Mesmo após a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado.
Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica.
Os meus Colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente.
Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.
Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra.

Da BBC Brasil
A crise política deverá ser seguida por um longo período de domínio da direita, diz Idelber Avelar, professor na Universidade Tulane (EUA), à BBC Brasil.
Nesse cenário, ele afirma que a esquerda e os movimentos sociais podem levar anos para se reagrupar.
Brasileiro, Avelar leciona literatura latino-americana e estudos culturais nos Estados Unidos desde 1999, mas se tornou conhecido entre muitos compatriotas por seus posicionamentos políticos nas mídias sociais.
Crítico do PT, ele não vê razões para se associar aos grupos que defendem a permanência de Dilma Rousseff na Presidência e rejeita a descrição do cenário político brasileiro como uma “briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas”.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – Com a crise houve alguma mudança na forma como o Brasil é encarado nos EUA?
Idelber Avelar – Cinco anos atrás o Brasil era o modelo de como crescer com instituições democráticas fortes e reduzindo a desigualdade. Neste momento perdemos as três coisas: não estamos crescendo, não estamos reduzindo desigualdade e as instituições democráticas estão em perigo, pelo menos.
Chama atenção a rapidez com que se desmoronou esse modelo. Há um cenário político marcado por tremenda instabilidade, com uma classe política na situação e oposição completamente desmoralizada, e não há perspectiva de transformação desse quadro em longo prazo. Vivemos uma grave crise econômica, institucional, política e ambiental.
BBC Brasil – Por que ambiental?
Avelar – Uma das características essenciais dos governos petistas tem sido o desenvolvimentismo arrasa quarteirão. Ambientalistas, lideranças indígenas e ribeirinhas na Amazônia dizem que o PT foi pior para a região que o PSDB. O PSDB implantou aquele modelo de estado mínimo, deixando que a iniciativa privada resolvesse.
O governo petista apostou num modelo através do qual o Estado gera mecanismos para que as grandes construtoras realizem negócios e (em troca) financiem campanhas eleitorais.
Sou a favor de que se estabeleça algum tipo de requisito dentro do nosso aparato educacional para que pessoas do Sul e Sudeste possam visitar a Amazônia e ver o que aconteceu no Xingu com a construção da usina de Belo Monte, o que aconteceu no rio Madeira, para ver o que é a expansão da soja.
Isso lhes daria uma leitura diferente da realidade e desmontaria uma noção de crescimento que muita gente da esquerda fetichiza.
BBC Brasil – Não é inviável se opor ao crescimento num momento em que o Brasil enfrenta uma grave crise econômica, com crescente desemprego?
Avelar – Não existe possibilidade lógica de crescimento infinito num planeta com recursos finitos. Poderíamos estar numa sociedade em que optássemos por um crescimento zero, há até marxistas falando nisso.
É um debate difícil, porque há uma mentalidade que associa a redução da desigualdade ao crescimento do PIB. Mas não há relação automática entre as duas coisas: pode haver crescimento extremo sem redução de desigualdade e pode haver redução de desigualdade sem ritmo frenético de crescimento.
Claro que para isso teríamos mexer em políticas redistributivas, na dívida pública, no sistema bancário, numa série de vespeiros em que nosso sistema político não está pronto para mexer, mas é uma conversa urgente.
BBC Brasil – A Lava Jato põe em xeque o modelo de relação entre o Estado e empreiteiras?
Avelar – A Lava Jato tem consequências que fogem ao controle inclusive dos procuradores e juízes envolvidos. Não acredito que haja limpeza completa da política brasileira, mas também não acredito que ela vá simplesmente decapitar algumas lideranças do PT, derrubar o governo da Dilma para depois se restabelecer tudo como era antes.
Existe uma nova geração de procuradores imbuída de um espírito que pode ser criticado como meio salvacionista ou messiânico, mas esse grupo claramente não está interessado em pegar lideranças de um só partido político. Alguma coisa se quebrou no pacto oligárquico. Ele vai ser restabelecido, mas em outras bases.
BBC Brasil – Embora milite à esquerda, você não tem apoiado as manifestações em favor da manutenção de Dilma na Presidência. Por quê?
Avelar – A descrição do quadro político brasileiro como uma briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas é um quadro não apenas simplista, mas chantagista.
Não cedo à chantagem de que a direita vai tomar poder se não nos alinharmos com a defesa do governo. Em primeiro lugar, porque a direita já está no poder num país em que Kátia Abreu controla o Ministério da Agricultura, em que cargos são regularmente loteados ao PMDB. Há uma coalizão que implementa cotidianamente políticas de direita.
Não bato bumbo pelo impeachment. Acredito que a melhor saída seria a renúncia da Dilma. A situação de descalabro não é só produto da Lava Jato, mas de uma série de fatores, incluindo a inépcia dela em dialogar com a própria base no Congresso.
BBC Brasil – Há uma ofensiva do Judiciário contra o governo do PT?
Avelar – O Judiciário sempre teve a natureza oligárquica e punitivista que está se revelando agora, mas o governismo não se preocupou quando manifestantes contra a Copa ou líderes ambientalistas foram criminalizados, nem com as prisões arbitrárias feitas a rodo nas manifestações de 2013.
O governo não ficou neutro nestas histórias. Ele foi partícipe dessas operações. A draconiana lei antiterrorismo sancionada recentemente foi enviada ao Congresso pelo Executivo, é uma lei da Dilma. Quando alguns desses mecanismos se voltam contra o PT, o governismo grita, mas o PT fortaleceu esses mecanismos ao longo da última década.
BBC Brasil – Diante da fragilização do PT, há margem para a articulação de uma nova frente de esquerda?
Avelar – Sou bastante pessimista. Houve nos últimos 14 anos uma cooptação brutal dos movimentos sociais. O único partido consistentemente à esquerda do PT e com alguma presença no cenário nacional, o PSOL, tem funcionado mais como linha auxiliar do governo do que como alternativa a ele.
Temos algumas faíscas do que poderia ser a esquerda pós-PT, mas acho que vai demorar muito tempo para que ela se reagrupe e faça a crítica necessária da experiência petista. Acho mais provável que a direita clássica volte ao poder e a gente tenha um longo e tenebroso inverno.
42 bilhões desviados
— 1% do PIB —
de uma só empresa
como se fossem adestrados
os políticos de Brasília
sentam na mesa apenas
desejosos de cheirar
os cus uns dos outros
o que pensa este?
do que necessita aquele?
como acomodar
meu interesse?
não pensam
no sistema de ensino
no genocídio dos indígenas
na juventude negra das periferias
na mulher morta
no aborto
nos LGBT
na reforma
pensam
em quem lhes financia
em consumir direitos
no agronegócio
em criminalizar movimentos
em consumir o pré-sal
em deus, ou melhor,
na igreja
querem adiar
o enfrentamento com o ambiente
querem evitar
a Polícia Federal
querem
que o resto se foda
os paleolíticos brasileiros
querem chupar o pré-sal
são eles os dinossauros
que vão nos aquecer e sufocar
mas bem poderiam receber o óleo
— negro e quente —
em seus rabos
eles estão reunidos
e sorriem balançando suas caudas
preparando
os próximos 42 bilhões
Por Idelber Avelar e Moysés Pinto Neto em 27 de março de 2016
Croniquinhos:
Segue aqui o texto no qual eu, Idelber, e o Moysés Pinto Neto trabalhamos nos últimos dias. Se méritos há, são principalmente dele. Nós decidimos, pelo menos por enquanto, não lançá-lo lá fora, porque estamos um pouco céticos quanto à eficácia e o timing de um “manifesto” agora. Pedimos, portanto, que o texto fique por aqui neste momento, e que sirva para uma conversa nossa. Depois, talvez, se for caso, coletamos assinaturas. Havia um título, que não nos agradou muito, então vai sem título mesmo.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
1. A escalada da crise política tem provocado violência e polarização cada vez mais intensa no Brasil. O que assistimos no segundo turno das eleições de 2014 parece se repetir em escala cada vez maior e mais agressiva, atingindo o país por diversos ângulos. Esse quadro é regressivo e perigoso.
2. Não nos identificamos com a maioria dos manifestantes que estão hoje nas ruas nem com suas pautas. Entendemos que nem todos os manifestantes do dia 13 de março são da direita anti-petista pura e simples, nem muito menos fascistas. Também entendemos que nem todos os manifestantes do dia 18 de março são governistas acríticos. No entanto, as pautas, discursos e afetos que dominam ambas as manifestações não nos representam.
3. Há muito tempo apontamos a cumplicidade do Governo e do PT com as oligarquias brasileiras e as consequências negativas do projeto neodesenvolvimentista para o Brasil. Denunciamos a aliança com setores do agronegócio que ameaçam a destruição da Amazônia, utilizam de modo descontrolado transgênicos e agrotóxicos e promovem uma ofensiva genocida contra os índios. Alertamos para os riscos do pacto com as velhas oligarquias políticas. Fomos chamados de ingênuos em 2013 quando ousamos questionar a defesa cínica da governabilidade contra as multidões que saíram às ruas. Criticamos a Copa do Mundo e o modelo movido pelo fetiche por índices quantitativos de crescimento baseado na construção civil financiada por bancos públicos, alimentando oligopólios que dizimam a convivência no espaço urbano com um projeto de cidade voltado para os ricos. Criticamos o estado policial que cresce a cada dia com o apoio do PT, como visto com a recente aprovação da Lei Antiterrorismo e a intensificação do genocídio da juventude negra. Lembremos que, em debate presidencial, a atual mandatária apresentou como um modelo a operação militar no Complexo da Maré.
4. Não somos omissos nem neutros, mas não aceitamos que se associe o futuro do atual governo ao futuro da esquerda, se é que se continuará chamando de esquerda o que está no por vir. Não somos apenas vermelhos, somos de muitas cores.
5. Não se trata apenas de um “eu avisei”. Trata-se de não aceitar a narrativa de que o programa do PT se confunde com a transformação social que precisamos realizar no Brasil e que é a síntese de todas as lutas atuais. Reconhecemos os avanços sociais promovidos na década de 2000 por políticas sociais acertadas que merecem aprofundamento. Reconhecemos a contribuição do PT para tornar o país mais justo e múltiplo. Não policiamos nem censuramos as pessoas que, no ímpeto de defesa da democracia, cerram fileiras com o governo, mas rejeitamos a adesão incondicional, o culto ao líder e o vale-tudo. Rejeitamos a ameaça apocalíptica que, há tempos, é a válvula de segurança do governo para conquistar a adesão daqueles que discordam do seu programa.
6. Entendemos que a falência patente do sistema político brasileiro é apenas uma das incidências de uma crise mundial do modelo moderno da democracia representativa, e que hoje a política real se faz fora e longe das esferas oficiais (os Três Poderes). A tarefa que se põe diante de nos é a de nos organizarmos em redes horizontais que coordenem os diversos movimentos e experimentos em curso no país e no mundo, que exprimem uma busca de alternativas ao modo de viver que o capitalismo consumista e produtivista nos empurra goela abaixo. Trata-se de pensar como coordenar sem subordinar, sem esperar a formação de um comitê central, um líder messiânico ou uma vanguarda iluminada que guiará verticalmente as massas. O apodrecimento do sistema político é um sintoma de um apodrecimento da ordem do mundo correspondente ao atual modelo civilizatório e modernizador. É preciso reinventar a política no plano das práticas da vida cotidiana, na coordenação de experimentos locais que o mundo oferece hoje.
7. Não consideramos essa pauta descontextualizada do Brasil atual. Na verdade, um terço dos votos na última eleição rejeitaram a polaridade que se estabeleceu. Há uma nova geração que luta desde 2013 sintonizada com as lutas no resto do mundo, como os movimentos pelo transporte público, as ocupações de escolas ou o protesto contra a gentrificação do espaços urbanos. Essa geração está se construindo a partir de novas experiências de organização, mas já representa uma força viva e presente na política brasileira.
8. Nossa solidariedade sempre estará presente quanto se tratar de enfrentar o fascismo e a violência, mas não seremos capturados pela polarização que se instaurou no Brasil a partir da recusa governista ao diálogo com as manifestações de 2013.. Não aceitamos e lutaremos contra toda modalidade de perseguição macartista ou ação violenta, mas rejeitamos a ideia de que nosso futuro depende da permanência do PT no poder em 2018 e do seu culto à liderança de Lula.
9. Precisamos de um novo projeto de Brasil onde caibam muitos Brasis, em que a questão ambiental passe a ser central ao lado da justiça social e do respeito aos direitos humanos, um Brasil que reaja aos desafios que o século XXI apresenta. Nem o governismo nem a oposição parecem dispostos a enfrentar essas questões, sufocando a esfera pública na sua disputa compulsiva e doentia pela manutenção do poder.
Não gosto da utilização moderna do termo fascismo, mas, às vezes… Afinal, nos últimos dias, pessoas foram atacadas por andarem de vermelho, por estarem num bar e serem supostamente petistas, por usar barba, e por serem indígenas e cotistas. Porém, gostaria de escolher outro termo porque uma característica essencial do fascismo é a repressão a manifestações populares que divirjam ou questionem o Estado. No fascismo a política é militarizada. Ele também é ufanista, há o culto da ordem, da grandeza do país e da força do líder. Protestar contra o governo nas ruas, mesmo quebrando tudo, não é fascismo. Já a polícia brasileira, matando como mata, está mais próxima da definição original.
O conservadorismo que cavalga em nossa direção não tem um líder claro, apenas mostra uma face de estúpida e intolerante. No último sábado, houve uma agressão muito violenta a um cotista indígena. Trata-se do estudante de veterinária Nerlei Fidelis, indígena Caingangue e cotista da UFRGS. Ele foi agredido por um grupo de rapazes que, segundo testemunhas, seriam estudantes de engenharia daquela universidade e mais um estudante da PUCRS. A agressão ocorreu na frente da Casa do Estudante da UFRGS, no centro de Porto Alegre. Segundo Nerlei, tudo aconteceu quando o grupo de rapazes começou a provocá-lo dizendo “o que estes índios estão fazendo aí?”, o que gerou uma discussão e em seguida as agressões. Imagens da câmera de segurança da moradia mostram Nerlei, acompanhado de seu sobrinho, Catãi, sendo brutalmente espancado a socos e chutes, mesmo caído.
Se você quiser ver o absurdo, basta clicar no link abaixo. O vídeo não está no Youtube, apenas no Facebook, infelizmente.
Em outra linha de tiro, uma professora de História que não quis se identificar viu-se obrigada a demitir-se de um colégio por ensinar “Comunismo” em seu perfil pessoal do Facebook. O que ela escreveu? Apenas isto que segue:
Hoje vi crianças numa escola, vestindo preto e pedindo golpe. Desprezando a democracia e exalando ódio. Parece que não conseguimos escapar do que Marx profetizou quando disse que a História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa…
Pode-se discordar dela, mas é uma manifestação privada. A reação de alguns pais, responsáveis e alunos foi imediata e violenta, também via redes sociais. Assustada, a professora deletou seu perfil do Face e sumiu das redes. Para minha surpresa, o colégio saiu em defesa dela e afirmou que não aceitou o pedido de demissão. “O colégio é solidário à professora e repudia a incitação ao ódio”, disse, em nota, a assessoria de imprensa da instituição. Parabéns.
O que vem por aí? Onde erramos? Certamente, uma das principais falhas foi a educacional. Como escreveu a historiadora Nikelen Witter, “talvez tenhamos errado quando aceitamos que reduzissem a carga horária da nossa disciplina porque, afinal, matemática, português e todas as outras são mais importantes que o que temos a ensinar… Engraçado é que o aumento das cargas horárias dessas disciplinas não nos deu crianças mais hábeis na língua portuguesa ou nas exatas. Porém, a menos aulas de História estão dando nisso que se está vendo”.
Eu assino embaixo e por todos os lados. Nossa ignorância é crescente e avulta na sociedade de forma cada vez mais preocupante. Além da violência contra as “pessoas diferentes” e divergentes, haverá outras contra os direitos trabalhistas. As empresas, que financiam um Congresso que apenas as representa, vêm com tudo, aproveitando-se do momento de fraqueza do governo e do foco absoluto no impeachment. Preparem-se. Acho que os sindicatos e trabalhadores devem ligar as luzes de alerta em vermelho piscante.
Enquanto trabalha para apressar e votar nos próximos 30 dias o impeachment da presidente Dilma no plenário, a Câmara só deverá se ocupar no fim de junho do processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O cálculo, feito pelo relator do processo, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), leva em conta os prazos do rito e nem considera a possibilidade de vitória de Cunha no recurso feito à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que tenta zerar novamente a votação do parecer no órgão. Rogério admite que é um cálculo otimista. Em cenário mais realista, Cunha pode conseguir adiar a votação para depois do recesso parlamentar de julho.
Mas o assunto é outro. Analisemos a composição da Comissão do Impeachment.
Na divisão por partidos, PMDB e PT têm oito representantes na comissão. Sete peemedebistas e quatro petistas têm pendências judiciais. No PSDB, dos seis deputados, três estão na mira do Poder Judiciário.
Todos os cinco parlamentares do PP e os quatro do PSD também têm a ficha suja, assim como os indicados por PPS, PEN, PTN e PV. Cada um destes partidos está representado por um parlamentar que ainda têm o que explicar à Justiça.
Psol, Rede, PHS, PMB, PTdoB, Pros, DEM e PCdoB não têm deputados com pendências judiciais. Dos 65 integrantes da comissão, apenas 27 não têm débitos com a Justiça. Sobre o deputado Flávio Nogueira (PDT-PI), não há informações no portal Transparência Brasil.

PMDB
João Marcelo Souza (MA) – Nada consta contra o deputado
Osmar Terra (RS) – O TCE-RS apontou irregularidades nas suas gestões da Secretaria da Saúde e da Prefeitura e o condenou ao pagamento de multa.
Leonardo Quintão (MG) – Alvo de ação civil por improbidade administrativa
Leonardo Picciani (RJ) – Alvo de representação (sob segredo de justiça) por captação e gastos ilícitos na campanha de 2014 com pedido de cassação de diploma.
Lucio Vieira Lima (BA) – O PMDB na Bahia teve reprovada a prestação de contas referente ao exercício de 2007, quando o parlamentar presidia o partido no estado.
Mauro Mariani (SC) – Réu em ação por improbidade administrativa.
Valterir Pereira (MT) – É alvo de inquérito que apura crimes da Lei de Licitações. Foram desaprovadas as contas relativas ao exercício financeiro do PSB nos anos de 2009 e 2010, quando o parlamentar presidia a regional do partido
Washington Reis (RJ) – O TCE-RJ detectou irregularidades em contratos e contas referentes à administração financeira da prefeitura de Duque de Caxias, sob sua responsabilidade.
– É réu em ação penal movida pelo Ministério Público Federal por crimes contra o meio ambiente e o patrimônio genético e formação de quadrilha.
– É alvo de quatro inquéritos movidos pelo Ministério Público Federal por crimes da Lei de Licitações:
– É alvo de inquérito movido pelo Ministério Público Eleitoral por crimes eleitorais.
– É alvo de inquérito que apura crimes de responsabilidade.
– É alvo de inquérito que apura crimes contra a paz pública (quadrilha ou bando). Corre sob segredo de
Justiça.
– É réu em ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
– É réu em ação movida pelo Ministério Público por dano ambiental.
– É réu em ação de improbidade administrativa movida pelo MPF por irregularidade na execução de contrato efetuado entre o Município de Duque de Caxias e a Construtora OAS Ltda, quando prefeito.
– É réu em ação de improbidade administrativa movida pelo MPF por perda de insumo e equipamentos hospitalares no Município de Duque de Caxias, quando prefeito.
– É réu em ação civil de improbidade administrativa ajuizada pelo MPF e referente a irregularidades em processo licitatório.
PT
Henrique Fontana (RS) – Nada consta contra o deputado
Wadih Damous (RJ) – Nada consta contra o deputado
Pepe Vargas (RS) – Nada consta contra o deputado
Zé Geraldo (PA) – Nada consta contra o deputado
Paulo Teixeira (SP) – Teve as contas eleitorais de 2010 desaprovadas. O parlamentar recorreu da decisão, mas teve recurso negado. É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual
Vicente Cândido da Silva (SP) – É investigado por corrupção ativa e advocacia administrativa. Em recurso movido pela Procuradora Regional Eleitoral de São Paulo, a prestação de contas de sua campanha para as eleições de 2002 a deputado estadual foram consideradas irregulares.
Jose Mentor (SP) – É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras
Arlindo Chinaglia (SP) – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual
PSDB
Carlos Sampaio (SP) – Teve as contas reprovadas nas eleições de 1998 e 2008
Bruno Covas (SP) – Nada consta contra o deputado
Paulo Abi-Ackel (MG) – Nada consta contra o deputado
Shéridan Esterfany (RR) – É alvo de ação civil de improbidade administrativa (dano ao erário) por titulação irregular de terras públicas em beneficio próprio, quando secretária estadual
Jutahy Junior (BA) – Nada consta contra o deputado
Nilson Leitão (MT) – Diretório estadual do PSDB teve as contas referente ao exercício de 2007 reprovadas, quando o parlamentar era presidente
– Foram reprovadas as contas referentes ao exercício de 2010 do diretório regional do PSDB. O parlamentar era o presidente regional do partido
– É alvo de inquérito que apura corrupção passiva, referente aos esquemas de corrupção entre a empreiteira Gautama e administradores públicos no município de Sinop (MT), à época em que o parlamentar era prefeito. Em 2007, ele chegou a ser preso preventivamente na Operação Navalha da Polícia Federal, que investigava o mesmo caso.
– É alvo de inquérito que apura incitação ao crime e formação de quadrilha. O parlamentar teria incentivado invasões a terras indígenas. O processo corre sob segredo de justiça.
– É alvo de inquérito que apura crimes de responsabilidade. De acordo com a acusação, o parlamentar teria superfaturado a execução de obras de pavimentação e drenagem em trecho urbano da BR-163 de forma a facilitar o desvio de recursos públicos, entre 2001 e 2006, quando era prefeito de Sinop (MT)
– É alvo de várias ações civis públicas por dano ao erário e improbidade administrativa
PP
Paulo Maluf (SP) – Condenado por improbidade administrativa
– Condenado por uso de dinheiro público para promoção pessoal
– Contas reprovadas na eleição de 2010
– Réu em ação por lavagem de dinheiro
– Denunciado por falsidade ideológica
– Réu ação por crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro
– Réu em ação por ocultação de cadáveres na ditadura
– Alvo de ação civil por improbidade administrativa
Jerônimo Goergen (RS) – É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.
– É réu em ação civil por improbidade administrativa movida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público referente a indicação de assessor parlamentar que agia como funcionário fantasma, recebendo os valores do cargo sem a realização das atividades devidas.
Aguinaldo Ribeiro (PB)- É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.
– É alvo de inquérito que apura crimes previstos na Lei de Licitações
Julio Lopes (RJ) – É alvo de inquérito que apura apropriação indébita previdenciária. O processo está suspenso, pois parlamentar está efetuando o pagamento dos débitos.
Roberto Britto (BA) – É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras. É alvo de ação de improbidade administrativa movida pela União e pelo município de Jequié.
– É alvo de representação movida pelo Ministério Público por conduta vedada a agente público.
PR
Mauricio Quintela Lessa (AL) – É alvo de inquérito que apura peculato. Foi condenado por improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito. De acordo com a sentença, o parlamentar participou de esquema para fraudar licitação para aquisição de merenda e transporte escolar em troca de propina, no período em que ocupou o cargo de secretário estadual de Educação.
– Foi responsabilizado também por desvios de recursos federais para contas do governo do Estado do Alagoas. A Justiça determinou o ressarcimento integral da quantia de R$ 4.272.021 aos cofres públicos, o pagamento de multa e à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de oito anos. O deputado recorre da sentença.
Edio Lopes (RR) – É réu em ação penal por peculato. De acordo a denúncia, o parlamentar desviou dinheiro público, em proveito próprio e alheio, por meio da indicação de três servidores para ocuparem cargos comissionados em seu gabinete, sem a exigência de prestação de serviços, nos anos de 2005 e 2006.
Jose Rocha (BA) – Nada consta contra o deputado
Zenaide Maia (RN) – Nada consta contra a deputada
PSD
Julio Cesar (PI) – Teve as contas de campanha eleitoral de 2014 desaprovadas
– Foi condenado em procedimento administrativo movido pelo ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a devolver solidariamente com outros diretores da CONAB R$ 9 milhões recebidos de acordo entre o órgão e o BCN/Bradesco .
– É réu em ação movida pelo Ministério Público Federal por improbidade administrativa com enriquecimento ilícito, referente a contrato assinado quando dirigente da CONAB.
Paulo Magalhães (BA) – É réu em ação penal por falso eleitoral. O parlamentar é acusado de incluir doador falso na prestação de contas da campanha de 2010.
– É alvo de inquérito que apura tráfico de influência.
– É alvo de ação civil por improbidade administrativa. Trata-se do caso de grampo ilegal na linha do ex-deputado federal e ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira (PMDB).
Rogério Rosso (DF) – É indiciado por peculato.
Marcos Montes (MG) – Condenado em ação civil de improbidade administrativa. A Justiça determinou suspensão dos direitos políticos por oito anos, ressarcimento ao erário e pagamento de multa. Foram constatadas irregularidades em contratação sem licitação da empresa Agência de Desenvolvimento Sustentável do Brasil Central
– O TCE-MG apontou irregularidades em sua gestão da prefeitura de Uberaba
– É alvo de ação civil de improbidade administrativa (dano ao erário) movida pelo Ministério Público Estadual.
PSB
Fernando Bezerra Coelho Filho (PE) – Nada consta contra o deputado
Danilo Forte (CE) – É alvo de inquérito que investiga violações de direito e processo eleitoral.
– É alvo de representação movida pelo Ministério Público por conduta vedada a agente público em campanha eleitoral.
– É alvo de ações de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Federal.
Tadeu Alencar (PE) – Nada consta contra o deputado
Bebeto (BA) – Nada consta contra o deputado
PTB
Jovair Arantes (GO) – Teve rejeitada a prestação de contas referente às eleições de 2006 e 2012
– É alvo de ação movida pelo Ministério Público Federal referente a improbidade administrativa.
Benito Gama (BA) – Nada consta contra o deputado
Luiz Carlos Busato (RS) – Nada consta contra o deputado
DEM
Rodrigo Maia (RJ) – Nada consta contra o deputado
Elmar Nascimento (BA) – Nada consta contra o deputado
Mendonça Filho (PE) – Em razão da posição de presidente regional do DEM em Pernambuco, o parlamentar é parte em processos que tiveram as contas de 2014 do partido julgadas como não prestadas em municípios pernambucanos
PDT
Flavio Nogueira (PI) – Não há informações sobre o deputado
Weverton Rocha (MA) – É réu em ação penal movida pelo Ministério Público por crimes previstos na Lei de Licitações.
– É investigado em inquérito que apura crime na Lei de Licitações.
– É alvo de inquérito referente a crimes de peculato, corrupção passiva e ativa.
– É réu em ações civis de improbidade administrativa movidas pelo MP
SD
Fernando Francischini (PR) – É alvo de ação movida pela Defensoria Pública do Paraná.
– É alvo de ação civil de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público.
Paulinho da Força (SP) – Condenado por improbidade administrativa por ter obtido dinheiro do Banco da Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para assentar famílias em uma fazenda a partir de um projeto considerado inviável técnica e economicamente
– Condenado por improbidade administrativa por irregularidades no uso de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador; a Justiça determinou o ressarcimento de danos, pagamento de multa e proibição de firmar contrato com o poder público ou receber benefícios e incentivos fiscais
– Condenado a restituir aos cofres públicos os danos causados por uso de verba de convênio para promoção pessoal
– É réu em ação penal sobre crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, o parlamentar seria beneficiário de desvios em financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a uma loja e da Prefeitura de Praia Grande (SP). Os valores seriam desviados por meio de uma empresa de consultoria que, segundo a denúncia, não realizava os serviços para a loja e a prefeitura
– É alvo de inquérito que apura peculato, por desvio de recursos públicos destinado à aquisição de uma fazenda.
– É alvo de inquérito que apura atos de corrupção passiva, consistente na venda de cartas sindicais, indispensáveis ao registro de sindicatos.
– É alvo de ações civis públicas movidas pelo Ministério Público que apuram dano ao erário:
– É alvo em ação civil pública movida pelo MPF por dano ao erário por irregularidades em convênios e contratos celebrados entre a Força Sindical e Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho.

PROS
Ronaldo Fonseca (DF) – Nada consta contra o deputado
Eros Biondini (MG) – Nada consta contra o deputado
PSC
Eduardo Bolsonaro (SP) – Nada consta contra o deputado
Marco Feliciano (SP) – Teve desaprovada a prestação de contas da eleição de 2014 para deputado federal
– É alvo de inquérito que apura irregularidades na contratação de cinco pastores da igreja Catedral do Avivamento, fundada pelo parlamentar. De acordo com a denúncia, os pastores foram contratados pelo seu gabinete, mas não estariam cumprindo o expediente
– É alvo de ação civil pública com pedido de indenização por danos morais difusos.
PRB
Jhonatan de Jesus (RR) – Nada consta contra o deputado
Marcelo Squassoni (SP) – Foi condenado por improbidade administrativa por uso da máquina pública para favorecimento pessoal devido à expedição irregular de certidão negativa de débito não condizente ao valor real do imóvel
– É alvo de inquérito sobre crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, no período em que chefiou a gerência regional do Patrimônio da União em São Paulo.
– É alvo de ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário, movida pelo Ministério Público Estadual.
PV
Evair de Melo (ES) – É alvo de representação movida pelo Ministério Público Eleitoral por conduta vedada a agente público. De acordo com a denúncia, o parlamentar teria realizado campanha eleitoral em sala de aula do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES)
PCdoB
Jandira Feghali (RJ) – Nada consta contra a deputada
PPS
Alex Manente (SP) – É alvo de inquérito que apura a prática de crimes eleitorais
– É alvo de ação por improbidade administrativa e dano ao erário movida pelo Ministério Público.
PSOL
Chico Alencar (RJ) – Nada consta contra o deputado
PTN
Bacelar (BA) – As contas do PTN baiano foram reprovadas em 2008, 2009 e 2012, quando o parlamentar era presidente da sigla
– Condenado a pagar multa e a ressarcir os cofres públicos solidariamente em R$ 770 mil por diversas irregularidades em contrato firmado entre a Fundação Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e Secretaria da Educação, Cultura, Esportes e Lazer, comandada pelo parlamentar à época.
– É alvo de inquérito que apura suposto crime de peculato
– É réu em ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito.
Rede
Aliel Machado (PR) – Nada consta contra o deputado
PMB
Weliton Prado (MG) – Nada consta contra o deputado
PEN
Júnior Marreca (MA) – É réu em ação penal por emprego irregular de verbas ou rendas públicas.
– É réu em ações civis de improbidade administrativa (dano ao erário) movidas pelo Ministério Público Estadual
– É alvo de investigações por improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Federal:
PHS
Marcelo Aro (MG) – Nada consta contra o deputado
PTdoB
Silvio Costa (PB) – Nada consta contra o deputado.
Com informações de O Dia e do Transparência Brasil.
Como sou daltônico, gostaria de saber dos coxinhas de minha TL que cores não devo usar nestes dias. Aí já separo camisas e calças aqui em casa e deixo de fora as cores perigosas. Recebi de uma amiga o guia abaixo, mas ele é inútil para mim.
No último domingo, hordas de crentes dirigiram-se ao Grande Pato gritando “Quac! Quac!”. Sabemos que todo brasileiro adulto é obrigado a, pelo menos uma vez na vida e desde que disponha dos meios econômicos e goze de saúde, visitar o Grande Pato da Av. Paulista em São Paulo. Ele é nossa imagem, apesar de ter sido criado por um pessoal que vive de tenebrosas transações (obrigado, Chico).
A peregrinação do último domingo é nosso Hajj, nossa ida a Meca. Fiéis de todos os pontos do país acorreram ao local em busca de salvação e alento. Mas, desta vez, ao lado da religiosidade do brasileiro — tão desenvolvida em nós que nosso Congresso é em boa parte fundamentalista — ao lado o espírito místico da salvação, havia certo desespero.
Pois já que está difícil de Jesus voltar, já que o governo está ao pedaços, já que somos liderados por uma pessoa que não conversa e fala mal, já que ela que não faz política, já que perdeu o Congresso, restou-nos o Grande Pato.
Já que se tirarmos a Dilma entra o Temer — que é um nome e um verbo –, já que se tirarmos o Temer entre o Cunha — que é um nome e uma primeira sílaba –, restou-nos o Grande Pato.
Já que o varguista Pré-Sal vai nos fazer nadar num mar de fuligem e poluição, restou-nos o Grande Pato.
Já que desfizemos as proteções ambientais e partimos para a ofensiva contra os povos indígenas, restou-nos o Grande Pato.
Já que desprezamos a política, restou-nos o Grande Pato.
Já que algumas Operações da Polícia federal vão de vento em popa, enquanto outras ficam em calmaria, restou-nos o Grande Pato.
Já que 2013 afogou-se em 2014, restou-nos o Grande Pato.
Já que as merendas não chegam, restou-nos o Grande Pato.
E o Grande Pato é nossa imagem. Clarice Lispector diria que ele nos é. Ou que nós o somos.
Meus amigos, o fim do mundo está próximo. Iremos e veremos. Não esqueçam que Vá e veja é nome de obra-prima cinematográfica e citação do Apocalipse. .
Que Ciro Gomes e Marina Silva permaneçam quietos em suas casas, orando junto ao Grande Pato. E que Deus permita que seus carros fiquem sempre limpos, porque esse pessoal das garagens é muito perigoso. Às vezes, levam até as esperanças dos candidatos.
O PSDB e até Reinaldo Azevedo condenaram o pedido de prisão de Lula, mas gostaria de me deter na piada que é a argumentação do MP. O processo da prisão de Lula deflagrado pelo MP de São Paulo entrará para a história como uma ode à ignorância e à irresponsabilidade. O humor involuntário dos absurdos cometidos é hilariante. No documento, é citada a dupla Marx e Hegel em lugar de Marx e Engels, o que demonstra a total falta de intimidade dos promotores com a história da humanidade e a profundidade ideológica do documento. Além do mais, esqueceram de um “s” no nome de Nietzsche, coisa que um Control C-Control V resolveria mesmo que não se soubesse que a coisa mais típica da língua alemã seja a sequência das letras “sch”. E, como se não fosse suficiente, interpretaram seu conceito de super-homem de forma infantil. Creio que é fundamental também salientar que citaram edições da Martin Claret, a editora que faz as piores e mais vergonhosas traduções em nosso país. Um fiasco criado pela nossa educação de baixo nível e arrogância de altíssimo calibre. Os três patetas abaixo ficarão famosos em todo o mundo ao descortinarem nossa estupidez.

Ou seja, são citações que os patetas dos procuradores Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo devem ter copiado de alguém tão culto como eles, mas que aceitaram o desafio de escreverem Nietzsche, errando as letras em um documento oficial que prenderia um ex-Presidente da República e que deveria entrar para a História do país pela porta da Frente.
Meu amigo Éder Silveira brinca dizendo que o MP teria citado também “O Pequeno Príncipe” de Maquiavel. Acho que a citação deve ter sido “Tu és responsável pelo cativeiro”. Na verdade, meus amigos, a situação do país é tão grave que Engels estaria se passando por Hegel. Mais sério, Outro amigo meu, Alexandre Constantino diz que é “impressionante e preocupante esta falta de qualidade técnica e a voracidade da justiça. Principalmente, se procedimentos assim extrapolam para o cidadão comum, no dia a dia dos processos”. E eu sei que extrapolam. Já senti isto na carne com duas decisões das quais, se não tivessem sido contra mim, daria risadas, como fazem meus amigos até hoje.
Da RFI
Dia oito de março marca o Dia Internacional das Mulheres e, se é verdade que muitos avanços podem ser registrados em termo de direitos, ainda persiste uma série de proibições que somente afetam as mulheres.

1. Afeganistão: proibido usar maquiagem
Além da maquiagem, as mulheres não podem usar saltos, não podem mostrar os tornozelos ou rir em voz alta. As afegãs também não têm o direito de trabalhar fora de casa e de sair nas ruas sem a presença de um membro masculino da família. Já houve casos de punição com amputação dos dedos por uso de esmalte, que também é proibido.
2. Iêmen: proibido sair de casa sem permissão
De acordo com a lei, uma mulher casada é obrigada a viver com o marido e nunca deve sair de casa sem sua aprovação. Existem poucas exceções, como casos de emergência, por exemplo, ou visita aos pais, se estiverem doentes.
3. Arábia Saudita e Maldivas: vítimas de estupro podem ser punidas
Além de não conseguir proteger as vítimas de estupro, alguns países, como Arábia Saudita, punem essas mulheres por terem saído de casa sem a presença de um homem. Nas Maldivas, uma adolescente de 15 anos, que tinha sido estuprada, foi considerada culpada de “fornicação” e condenada inicialmente a oito meses de prisão domiciliar e a 100 chibatadas. O veredicto acabou sendo cancelado.
4. Brasil: o aborto é autorizado apenas em casos bem definidos
Com o aumento dos casos de microcefalia vinculado ao vírus Zika, o debate sobre a legalização do aborto foi reaberto. É legal abortar apenas quando a gravidez representa um risco à vida da gestante ou quando a concepção foi resultado de um estupro. O ministro da Saúde Marcelo Castro (PMDB-PI) chegou a falar para as mulheres não engravidarem: “Sexo é para amador, gravidez é para profissional”.
5. Somália: proibido usar sutiã
Desde 2009, as mulheres somalis que usam sutiã estão sendo chicoteadas em público pelo grupo radical islâmico Al Shabaab. Elas estão acusadas de violar as leis do islã ao enganar outras pessoas sobre o estado natural dos seios e também suscitando o desejo sexual.
6. Marrocos: vítima de estupro pode ser forçada a se casar com agressor
Em 2012, Amina, uma marroquina de 16 anos, cometeu suicídio depois que um juiz a sentenciou a se casar com seu suposto estuprador, de acordo com uma lei que invalida as acusações de estupro caso as partes decidam se casar.
7. Irã: 77 cursos universitários são proibidos às mulheres
Biologia ou Literatura Inglesa fazem parte dos cursos que as mulheres não podem escolher em 36 universidades do país. Por quê? Um diretor acadêmico avaliou que estas não são disciplinas adequadas à natureza feminina.
8. Arábia Saudita: mulheres não podem dirigir
Se as mulheres não podem dirigir é simplesmente porque “a condução afeta os ovários”, afirmou um líder religioso. “A maior parte das mulheres que dirige carros de maneira repetitiva produzem crianças que sofrem com distúrbios clínicos”, adicionou.
9. Suazilândia: proibido vestir calça
Nesse pequeno país africano, última monarquia do continente, usar calças é considerada uma forma de desrespeito. Recentemente uma mulher foi proibida de participar de uma eleição porque vestia calças. Uma lei parisiense parecida autorizava mulheres a usar calças apenas se tivesse uma autorização da polícia. A lei datava de 1800 e não tinha mais poder jurídico, mas foi cancelada oficialmente apenas em 2013.
10. Estados Unidos, Arkansas: homem pode bater na esposa uma vez por mês
A lei faz parte de um conjunto de velhos textos misóginos que não são mais aplicados na prática. Na Carolina do Norte, mulheres precisam estar cobertas com pelo menos 15 metros de tecido. No Michigan, os cabelos da mulher pertencem ao marido.
Não tenho dúvidas que o projeto que passou no Senado sobre o pré-sal seja uma vergonha. É uma capitulação da direita — e aí incluo AMPLOS setores do governo — à indústria do petróleo, mas desastre ainda maior é a queima do petróleo em si. Tanto quanto ficar discutindo se a “riqueza” é nossa ou da Chevron, é hora de pensar nas consequências climáticas de cada ação. Não existe diferença nos efeitos de um CO2 de esquerda ou de direita. Hoje, brigar sobre petróleo sem falar de mudanças climáticas é uma comprovação de incapacidade de entendimento ou de interesse na realidade. Os combustíveis fósseis são necessários para muita coisa que não produz CO2. Para as que produzem, seria melhor começar a pensar em alternativas e deixar tudo o que pudermos no subsolo. A “riqueza nacional” é, bem… Toda a vez que se fala nisso é bom pensar naquilo.
Neste domingo, Leonardo DiCaprio, além de merecer há tempo um Oscar, usou bem os poucos segundos de seu agradecimento. Disse que 2015 foi o ano mais quente já registrado e que a produção de O Regresso teve que ir até longínquas latitudes para encontrar neve em grande quantidade. Disse o que todos sabem, que a mudança climática é real e que precisamos enfrentá-la sem procrastinações. e que está na hora de considerar o apoio a líderes que não falam em nome das grandes corporações poluentes.
Concordo com ele, claro. Se, do ponto de vista econômico, querem vender o Brasil, do ponto de vista ambiental tanto faz se quem vai queimar tudo é a Petrobras, a Chevron ou o Serra. Os céticos do aquecimento global estão calando a boca. Os que defendiam que a associação entre queima de combustível fóssil e efeito estufa era uma fraude, idem. Agora, falta ação. Orgulhar-se de nossa riqueza petrolífera talvez seja apenas burrice.
(Ao final deste ano, a Chevrolet americana lançará o Bolt, carro 100% elétrico com autonomia para 320 Km e desempenho semelhante aos que usam combustível fóssil. É um dos caminhos.)
P.S. — Meu amigo Dario Bestetti acaba de me apresentar os carros elétricos da Tesla.
O Secretário da Fazenda do RS, Giovani Feltes, disse que a culpa pela dívida do estado e pelo parcelamento dos salários dos servidores é de todos nós. Sou uma esponja de culpas, mas não lembro o que fiz dessa vez.
Não lembro de nada que deva ao estado do RS. Muito pelo contrário: embutidos nos produtos que consumo, há carradas de ICMS. Examinando minhas notas fiscais, vejo que elas estão cheias de tributos. A conta da luz que paguei em dia hoje é um show. R$ 89,00 vão para o Estado.
Talvez o “todos nós” seja apenas “todos nós deste governo”, sei lá.
O aumento do ICMS não deu em nada, pois a arrecadação diminuiu. Depois, Sartorão falou em exonerar servidores. Agora, ele quer mexer nas aposentadorias. E nada de extinguir o Tribunal Militar — cujo gasto é de mais de 40 milhões por ano — e cercar a sonegação. Afinal, quem sonega são os empresários.
Quem pariu Sartori que o embale… Bem, é uma bobagem dizer isso, pois todos os que aqui moram têm que sofrê-lo. Vai ver que o Feltes se expressou mal e queria dizer exatamente isso: que todos nós temos que aguentar o gringo das piadinhas.


Os métodos de Sartori e Fortunati para darem notícias impopulares estão cada vez mais parecidos. Assim como ambos escolheram passar suas férias em longínquos cruzeiros, a sexta-feira à tarde é o dia preferido da dupla. Na última sexta-feira, por exemplo, a prefeitura avisou que o aumento das passagens de ônibus seria anunciado no início da tarde. Já passava das 15h e nada. Uma colega dizia: “Quanto mais tarde pior”. Não deu outra. O que veio foi um valor abusivo, um verdadeiro disparate que, absurdo dos absurdos, entraria em vigor segunda-feira sem passar pelo Comtu (Conselho Municipal de Transportes Urbanos). Sabemos que o Comtu é inútil por estar na mão da prefeitura, mas ele jamais tinha recebido o escárnio de quem o ama. É que Fortunati aprendeu com Sartori que é seguro jogar a bomba e correr rapidamente para o esconderijo do fim de semana.
O comparativo do valor da tarifa porto-alegrense contra a inflação é uma coisa que vale a pena ser vista. Corrigido pela inflação, o valor da passagem bateria hoje em R$ 1,94, mas a gente paga R$ 3,75. Não creio que a categoria dos rodoviários tenha dobrado seu poder aquisitivo, nem que os insumos tenham aumentado quase 100% ou que o número das pessoas que não pagam passagem tenha aumentado tanto. Tudo indica para a proteção dos transportadores por parte da prefeitura. Sim, esses mesmos que estão aí há décadas, ganhando licitações. Licitações… Vejo poucos setores mais adequados à estatização do que o do transporte coletivo. Já imaginaram o que diriam os jornais de direita se a Carris aumentasse seu próprio valor? Já os donos das empresas deitam e rolam.

Em Porto Alegre, somos governados há mais de uma década pelos lamentáveis Fogaça e Fortunati — eles são prefeitos desde o infeliz dia 1º de janeiro de 2005 com seus partidos PPS, PMDB e PDT — e, basta olhar, a cidade está uma merda, realmente abandonada, Porto Alegre fracassou. Ontem, por exemplo, fui até aquela pracinha que fica na esquina da Vasco da Gama com a Ramiro Barcellos. Zona nobre, cheia de eleitores do Fortunati. E havia ainda árvores do temporal de 29 de janeiro sobre os aparelhos de ginástica para idosos! Infelizmente, eu estava sem celular para fotografar. Também estava sem relógio e com pouco dinheiro. E por que saio assim? Ora, por causa da cidade. O pouco policiamento ocorre por culpa do governo estadual e tenho a sorte de ter passado até hoje ao largo dos ladrões, dos taxistas criminosos, dos tiroteios à luz do dia, das execuções sumárias.
Mas não passo ao largo do receio de que algo de violento aconteça e vejo o resto. O resto é a sujeira das ruas, os Centros Culturais fechando por falta de pagamentos ou agonizando, as notícias cada vez mais dantescas, a falta de resistência e de projetos para a cidade e o estado. Porto Alegre e o Rio Grande do Sul estão efetivamente muito burros e se fazem representar por pessoas de baixo calibre. E não adianta eu me consolar pensando que não votei em Sartori e Fortunati e muito menos em Lasier e Ana Amélia. Nem que aquele meu conhecido pseudo-popular não se elegeu. (Ele me disse que desejava ser deputado em função da aposentadoria).
Como escreveu meu amigo Leandro Gejfinbein no Facebook, a maioria de nossos atuais políticos — à direita e à esquerda — são bundões. O bundão (ou bunda mole) é aquela pessoa sem ação, incapaz de sair de qualquer situação que apresente alguma dificuldade. Se não há criatividade, se não há ideias novas, o que faz o político gaúcho chegar aos cargos de comando são apenas a vaidade, a proteção aos amigos e o direito — tanto pessoal quanto de seu partido — de arrancar uma beira de empreiteiras e outros que tais.
A mentira grassa. Peço desculpas, mas o vídeo da campanha do governador Sartori que mostro abaixo me provoca riso. Não temos humoristas tão bons quanto ele. Vejam o que nos prometeu em termos de segurança.
Enquanto isso, vamo-nos acadelando e engolindo tudo, desde o cais virando shopping, até a violência interna e as contas bloqueadas pela União. Já perdemos os anéis e os dedos.
O negócio é ir pra rua reclamar e, quem sabe, ficar lá por muito tempo.

É uma paisagem bem brasileira e tem aquele gostinho de desobediência tão agradável a alguns. É aquele sabor único apenas concedido aos verdadeiramente poderosos de nosso país. Afinal, a casa foi construída em área de preservação pertencente à União e registrada em nome enrolada Agropecuária Veine. Pesquisem no Google.
Já a chata Graziela de Moraes Barros, fiscal do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão do MMA, aponta a casa dos Marinho como exemplo de desrespeito: “Eles poderiam ter erguido uma casa menor, de até 200 m², o que seria permitido pela lei. Mas fizeram aquele monstrengo de concreto derrubando a mata. Foi uma afronta à lei e à natureza”.
Mas olha bem, Graziela. A casa é linda e é frequentada pelos Marinho. Cale-se, por favor.
“Heliporto e casa devem ser derrubados. E a piscina está na praia!”.
Graziela… Veja as fotos. São 840 m² de concreto e vidro, construídos num terreno de 50 mil m². E daí?