Encontrado por aí. Por exemplo, o Kids Exchange virou…
Algumas logomarcas que não deram nada certo…
Não há nada mais fácil do que parecer profundo e perspicaz em verso. Não tem nada que saber: basta enchumaçar de alusões vagas os poemas, evitar quaisquer referências ao que quer que seja de concreto, nublar o discurso com cogitações tão confusas e gratuitas quanto possível, articuladas no modo elíptico da poesia pós-mallarmeana e vanguardista do século XX. Habilmente mutilado, gramatical e semanticamente, até o fraseado mais oco adquire um não sei quê de prestigiante mistério num país, como o nosso, onde o leitor/poeta médio continua a achar que um discurso é tanto mais “fascinante” ou “poético” quanto mais abstruso e incompreensível. Com isso, não admira que a mais vítrea estupidez passe, amiúde, por alto logro estético e intelectivo, e que o chiste de Agustina Bessa-Luís em Fanny Owen – “Se queres parecer inteligente, veste-te de preto e fica calada” – pudesse ser reformulado em: “Se queres parecer inteligente, veste-te de preto e escreve versos sem sentido.”

O Inter, atual vice-líder do Brasileiro, obteve 1 um ponto dos últimos 9 que disputou. Ontem, fui ao Beira-Rio ver Inter 2 x 3 Botafogo, me deu vergonha, Argélico.
Na semana passada eu tinha escrito que o nível técnico do Brasileiro era tão baixo que nenhum resultado deveria surpreender. É óbvio que tudo isso começa nos técnicos desatualizados de nosso futebol. A derrota do Inter foi de inteira responsabilidade tua, Argélico Fucks. 100% tua e 100% previsível. Eu tirei um selfie no estádio antes do jogo — está no meu Face para comprovação — e escrevi: “Em busca da liderança com uma escalação podre…”.
Um time com Bob, Fabinho, Dourado e Anderson até suportaria uma nulidade como o Ferrareis na frente. Apesar do grupo fraco de jogadores, dá para fazer um time MUITO MELHOR. É ESCALAR e POSICIONAR corretamente os caras. Ontem, tínhamos que ter entrado com Bob, Fabinho, Dourado e Anderson. E Artur na LE, que é péssimo mas marca. Estou convicto de que a derrota de ontem passa 100% por ti, Argélico, que está deslumbrado com o G-4.
Não pensei que íamos perder para o fraco Botafogo, mas tinha certeza de uma péssima atuação.
O que viste em Géferson para colocá-lo no lugar de Artur? Exigências de empresários? Só pode ser.
O que vês neste coitado chamado Andrigo e no pobre Ferrareis? Andrigo é hoje um peso morto a Ferrareis é aquele tipo de jogador que os técnicos brasileiros amam: o atacante que sabe marcar e não faz mais nada. Com ele, ninguém sai jogando com facilidade. Porém, quando Ferrareis pega a bola, o zagueiro dá risada.
Já Alan Costa é um problema da direção que não contratou reposições para a montanha de zagueiros que foi vendida ou dispensada em 2016.
Por que a postura retrancada e cuidadosa — chamada por ti de pé no chão — foi abandonada para colocar Dourado e Fabinho como volantes-articuladores? Tomamos 7 gols em 3 jogos com a nova disposição. Éramos a melhor defesa do Temerão 2016. Dourado fora do lugar e Fernando Bob no banco enquanto nossa fraca zaga fica desprotegida? É de rir.
Mais: a Guaíba disse que o Inter fez 47 cruzamentos em todo o jogo, a maioria deles para os baixinhos Sasha e Andrigo. Para quê?
E o Botafogo, Argélico, é uma piada. Mesmo com as chances que lhes deste, poderíamos ter empatado ou até vencido… Os diretores reclamam da arbitragem… Ok, foi péssima, mas não foi por culpa dela que tomamos dois gols em 15 minutos do glorioso que irá novamente para a segunda divisão.
Muito triste o que fizeste. Difícil de acreditar que vais completar um ano como técnico do clube.
Anotem: Cruzeiro, Atlético-MG e Santos. Logo os três estarão na nossa frente. Era isso.
Texto e escolha de fotos de Nani Dantas
Introdução (pelo autor do blog)
Já tivemos alguns PHES fora do padrão. Tivemos um de justa indignação, tivemos a sapiossexualidade com fotos de homens escolhidas por uma mulher, tivemos um PHES feito por outra mulher cujo foco eram filósofos, já tivemos um com fotos de mulheres escrito por uma mulher, e depois tivemos outro, já tivemos a eleição do homem (e da mulher) mais belo de todos os tempos, já corri na rua e dois homens de mãos dadas reclamaram rindo e aos gritos que o PHES tinha que se dedicar àquilo que eles gostavam. Também já abrimos espaço para vários héteros homenagearem quem achavam que era digna de ser homenageada — sim, no feminino, fazer o quê?
Hoje temos mais um PHES fora da curva. Não sei como começamos a negociar, mas creio que ocorreu a típica reclamação de que havia muita mulher no PHES e que eu deveria fazer também com homens. Neste caso, respondo sempre: faça um e eu publicarei! A paulista com os dois pés em Minas Nani Dantas topou. De forma modesta, esta minha amiga do Face pediu para ser descrita simplesmente como uma futura publicitária e curiosa.
São poucos os segundos em que Adam Cooper aparece em Billy Elliot, o filme de Stephen Daldry, que narra a história do menino de 11 anos e seu amor pela dança. A bela silhueta, esguia, as costas largas, a pele pálida, o olhar penetrante, a flexibilidade.
Então o salto em câmera lenta: o movimento dos pés, belo e preciso, o corpo pairando no ar. O êxtase, o arrepio, a emoção.
Pouco, mas o suficiente para hipnotizar e aguçar a curiosidade de quem o assiste. Billy Elliot quase poderia ser a história de Cooper, a não ser pelo fato de que os pais de Cooper, apaixonados pela arte, jamais se opuseram ao seu amor e talento para a dança.
Filho de um professor e uma pianista, começou a dançar pela sala aos 4 anos, depois de ver Fred Astaire na televisão. Aos 7 iniciou-se no ballet e, aos 16, ingressou no Royal Ballet School, um dos maiores centros de treinamento de ballet clássico no mundo.
Sem dúvida um grande feito para um menino nos anos 1980, assim como para o garoto do filme. Adam viajou o mundo todo com a Royal Company dançando em espetáculos aclamados.
Tornou-se “sex symbol” na dança, embora sempre tenha renegado o “título”. Para ele, a dança é sua energia vital. Ele a respira e transpira.
Depois de mais de 10 anos, Adam decidiu largar a Royal Ballet e dedicar-se a dança com mais liberdade. Tornou-se coreógrafo e hoje, aos quase 45 anos, continua dançando e coreografando.
O mundo é machista, é preconceituoso, e quem não sabe?
Mas o que seria da arte sem os destemidos, os rebeldes, os “desajustados”? O que acontece então em um mundo em que Adam Cooper e Matthew Bourne – um dos maiores coreógrafos e diretores musicais ingleses – se encontram?
O Lago dos Cisnes interpretado totalmente por homens. Bourne e Cooper trabalharam muito na construção de uma versão radical do mais clássico de todos os ballets. Um espetáculo impecável.
Nele não há uma princesa frágil, submissa ou passiva. No papel de Odette há um bailarino forte, esbelto, realizando movimentos ágeis, vigorosos, com olhar penetrante e postura sempre indicando insubordinação.
Os movimentos ora delicados e suaves, ora quase selvagens e enérgicos, as expressões faciais e os olhares sempre desafiadores, subvertem não apenas o conceito convencional dos papéis masculino e feminino no ballet:
é também uma recusa a obedecer às normas tradicionais e conservadoras da sociedade.
A obra traz à luz questões como o machismo, o preconceito de gênero e a estereotipia.
Parafraseando Jack Kerouac, na arte jazem aqueles que a sociedade, na maioria dos casos, marginaliza. São os sem padrão, os loucos, os rebeldes, os que não se encaixam. E são gênios porque são revolucionários. Porque a arte é uma das formas mais autênticas de revolução.

Passados os primeiros dez jogos do Brasileiro, temos 20 pontos em 30 possíveis (66,6 % de aproveitamento) e estamos em segundo lugar, dois pontos atrás do líder Palmeiras com 5 partidas em casa e 5 fora. São bons números, mas o perde-ganha do campeonato deveria preocupar a quem acompanha futebol.
Os jogos são de um nível técnico tão rasante que tudo pode acontecer. Ontem, os resultados foram particularmente inesperados, mas quem vê Grêmio e São Paulo em campo não se surpreende com a derrota do primeiro em casa para o Vitória e o empate do segundo com o Sport no Morumbi. Pois, no âmbito de um Festival de Ruindade, um time lá do fundo da tabela pode bater com naturalidade quem está na frente.
O Inter jogou muito mal. O nível do técnico de nossa equipe não explica nossa posição. Somos um time esforçadíssimo, porém bagunçado, onde a tática não fica clara devido aos passes errados e constantes recomposições. Alan Costa, Géferson, Arthur, Ferrareis, Aylon e Andrigo, por exemplo, fazem um esforço comovente para acender um pau de fósforo. Considerando-se o que tínhamos na primeira década deste século, nenhum deles seria escalado. Passaria vergonha. A qualidade é baixa e qualquer um que se esforce pode jogar neste time.
O 1 x 1 foi justo porque o Coritiba também é muito fraco. Aliás, só o Palmeiras parece ser um pouco diferente do resto.
A próxima partida, contra o Botafogo, tem tudo para ser um drama. Vitinho “Rei dos Cartões” levou o terceiro amarelo por reclamação e não joga. Seu substituto natural seria Aylon, mas, no final do jogo de ontem, caiu em cima do ombro direito e sofreu uma luxação. Para piorar, ao que tudo indica Danilo Fernandes sofreu uma distensão…
Então, acho que não vamos nos livrar de Muriel “Mãos de Alface” no gol e veremos finalmente Mike (ou Marquinhos ou Andrigo ou Yan Petter) em campo, pois Bruno Baio é apenas um braço roubado à agricultura — não é um jogador de futebol. E onde está Brenner??? Ao menos Anderson deverá jogar. Hoje, o ex-gremista é um farol de inteligência e de bons passes em meio a uma correria caótica.
Desse jeito, o Inter ainda vai me tornar religioso. Só com muita reza mesmo. Nem falo de ti, Argélico. Nosso grupo de jogadores é uma piada dita por um piadista muito, mas muito esforçado e sem graça.
Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.
Machado de Assis, em Missa do Galo
Anteontem, me senti como o Nogueira da Missa do Galo, o que não entendeu D. Conceição.
Eu esperava a Elena chegar enquanto uma mulher roçava-se em seu amigo ou amante ou marido, olhando para mim. Sempre olhando para mim. Na hora, achei que fosse algo casual — vocês sabem, estou a anos-luz de ser um Paul Newman ou Alain Delon, além disso, estou perto dos sessenta, isto é, sou feio e sem atrativos –, mas quando voltava meus olhos para lá, ela me olhava.
Impossível dizer que seja envergonhado, mas também não sou cara-de-pau. Minha possível vergonha fica sob o Homo Faber que sou e aquilo que posso chamar de Homo Ludens, alguém sempre pronto a se divertir. Esta criança interior ri, avacalha e satiriza muito. De certa forma, ela me protege.
E comecei a ficar irônico. Eu dava um tempo, mas quando passava meus olhos pela cena, estava sendo observado. E aguardava… Era um local absolutamente público, aberto, na rua. Cada um se excita a seu modo, talvez dissesse Machado. Há parafilias para todos os gostos. O exibicionista tem a fantasia de que o observador ficará sexualmente excitado, o que só aumenta sua própria excitação. Então, eu era um reles apoio. Como não se divertir, ainda mais que estava esperando, sem fazer nada?
Elena chegou toda linda e feliz. Sempre fico surpreso com sua alegria ao me ver.
.oOo.
O conto Missa do Galo é uma das obra-primas de Machado. As histórias de Machado costumam ser assim: ele conta o que ocorreu trinta anos. A Missa também é um conto retrospectivo. Maduro, o narrador Nogueira relata um acontecimento do passado. Menino do interior, quando tinha 17 anos, Nogueira morava na casa do escrivão Meneses. Estava ali, no Rio de Janeiro, para estudar. Naquele ano, já de férias, prolongou sua estada na Corte a fim de assistir à Missa do Galo. O escrivão Meneses, mesmo casado com dona Conceição — uma santa, segundo o narrador — mantinha um caso extraconjugal. Todos sabiam disso, inclusive sua esposa. Uma vez por semana, dizia que iria a um teatro ou outro lugar e ia encontrar-se com a amante. A noite de Natal foi uma dessas ocasiões e Conceição devia estar especialmente ofendida.
E a santa provavelmente pensou que a saída do marido propiciaria condições para que ela própria tivesse uma aventura. Assim, ao que tudo indica — pois como sempre Machado não afirma nada — premedita um encontro com o jovem. Lendo na sala, o jovem Nogueira aguarda o horário da Missa e ela chega, procurando ser envolvente. E ele não capta as intenções de Conceição. Suas roupas, seus gestos, suas atitudes, seu andar, suas frases ambíguas são de sedução. Mas, vocês sabem, há o momento da sedução. Quando este passa, o reaquecimento é complicado. E tudo esfria, só reaquecendo inutilmente na memória de Nogueira, muito tempo depois.
Sim, não tem muito a ver com a situação que vivenciei, só o fato de eu ter ficado sem entender nada.
“Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta.”
Pode-se entender, se nem mesmo o narrador entende?
Do esquerda.net
Uma equipe internacional coordenada pelo investigador português, Rodrigo Cunha descobriu como eliminar os primeiros sintomas de Alzheimer em modelos animais o que é considerado como um “avanço extraordinário” no combate à doença.
A Universidade de Coimbra (UC) revelou que esta descoberta foi possível porque “pela primeira vez os cientistas focaram o estudo na causa dos primeiros sintomas da doença”, que são as perturbações na memória, causadas por modificações da chamada “plasticidade das sinapses no hipocampo”.
“O hipocampo desempenha um papel essencial na memória, funcionando como o gestor do gigantesco centro de informação recebida pelo cérebro. Das dezenas de milhões de sinais recebidos, o hipocampo tem de selecionar a informação relevante e validá-la, atribuindo-lhe uma espécie de ‘carimbo de qualidade’. Quando ocorrem falhas, este gestor assume que toda a informação é irrelevante”, revela uma nota da UC, citada pela Lusa.
Recuperação do sistema sináptico
Sendo as sinapses “as responsáveis pela transmissão de informação no sistema nervoso”, ao garantirem a comunicação entre neurônios, “a equipe utilizou um modelo animal duplo mutante – com a modificação de dois genes da proteína APP, que causam doença de Alzheimer em seres humanos – para rastrear toda a atividade destas ligações e identificar o que impede o hipocampo de processar e gerir corretamente” a informação obtida.
Os resultados desta investigação representam “um avanço extraordinário para o desenvolvimento de estratégias de combate à doença de Alzheimer, pois conseguiu-se recuperar o funcionamento sináptico”, sublinhou Rodrigo Cunha.
O investigador considera que, “do ponto de vista ético, é criticável se não se prosseguir para ensaios” em humanos e garante que estes são seguros para os doentes, tendo ainda acrescentado que em Coimbra há “todas as condições para avançar”, embora seja necessário assegurar financiamento.
Este estudo foi realizado ao longo de três anos pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e contou com a participação de 15 investigadores portugueses e franceses tendo sido financiado pelo Prémio Mantero Belard de Neurociências da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Association Nationale de Recherche de França.
Do blog de Kennedy Alencar
Ao aceitar uma denúncia e uma queixa-crime por injúria contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) ajuda a civilizar o debate público no Brasil.
Foi uma decisão histórica. Fixou limites para a imunidade parlamentar, abrindo a possibilidade de punição a quem incita o crime de estupro e prega uma cultura de violência contra a mulher. É muito grave que um cidadão faça isso. Mais grave ainda na boca de um deputado federal, que faz leis e tem mais voz no debate público.
Na sua carreira, Bolsonaro é um político que cresceu explorando o preconceito, o ódio e a desinformação. Nos últimos dois anos, com o aumento da intolerância no debate público, viu um terreno fértil para prosperar.
O Supremo coloca um freio nesse comportamento, dando um alerta a autoridades públicas e formadores de opinião que incitam o ódio, o preconceito e crimes, como esse do estupro. No caso analisado, ele disse que a deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho, não merecia ser estuprada. Ora, nenhuma mulher merece. Dizer que há mulheres que merecem o estupro é incitar esse tipo de crime.
Bolsonaro inspira a violência no debate público. Na semana passada, houve um protesto de simpatizantes de Bolsonaro na UnB (universidade de Brasília) que resultou em agressões. Uma manifestante disse que pagava impostos e logo depois emendou frases homofóbicas. Ora, pagar imposto é dever do cidadão e não dá direito de homofobia a ninguém. Ela era uma simpatizante típica do deputado.
Bolsonaro é um personagem menor da política, mas que está construindo uma candidatura presidencial pelo partido Partido Social Cristão. Chegou a ter 8% numa pesquisa presidencial do Datafolha, tirando votos de tucanos que apostaram na radicalização do debate público e colheram um fenômeno fascista.
Há espaço numa democracia para a manifestação de todas as correntes políticas, da esquerda à direita. Mas a democracia não pode permitir, ainda mais sob o manto da imunidade parlamentar, que um deputado incite crimes, preconceito e ódio.
O Supremo deu um primeiro passo para punir um caso que teve início em 2003, quando houve a primeira ofensa de Bolsonaro a Mário do Rosário numa discussão no Salão Verde da Câmara. Em 2014, quando ela rebateu críticas de Bolsonaro à Comissão da Verdade, ele repetiu a agressão que resultou na denúncia do Ministério Público. O STF decidiu bem ao analisar esse caso.
Gostei muito do filme argentino Paulina. É oportuníssimo, ainda mais após o estupro coletivo que ocorreu semanas atrás no RJ. Paulina é filha de um conceituado juiz. Advogada militante, com um suposto “futuro brilhante na carreira”, ela decide abandonar os estudos para dedicar-se a um trabalho como professora no interior da Argentina. Diz que a situação é temporária. Sabe que isto pode lhe custar alguns anos de carreira, mas o idealismo a leva inevitavelmente em direção ao projeto. Ela vai, mas logo nos primeiros dias é atacada e estuprada. O primeiro ponto polêmico são os velhos argumentos machistas levantados durante a investigação policial, e apontados de forma clara pelo excelente diretor Mitre, como o questionamento sobre que roupa Paulina estava vestindo… O segundo é que a advogada descobre que não sabe manejar seus alunos. Na verdade, é surpreendida pelo comportamento deles. O terceiro é que ela mantém suas convicções e vai em linha reta. “Quando os envolvidos são pessoas pobres o Judiciário não procura justiça, mas sim culpados.” Creio que o único problema do filme é a própria Dolores Fonzi, a atriz que faz Paulina e que tem belos olhos, mas que, a partir de determinado momento, não parece mais movida por seus ideais e sim pela birra. Ela é muito inexpressiva e calada para uma militante que vai a campo, acho eu. Mas tal fato torna o filme ainda mais desconcertante e digno de discussão. Mais uma joia argentina.
Paulina é um remake. Aqui está o filme de 1960. Também argentino, com o mesmo título original (La Patota) e igualmente um filmaço. Mirtha Legrand, a Paulina de 1960, parece fazer uma atuação “mais inteira” do que Fonzi. O trabalho do diretor Santiago Mitre é excelente, mas, afora este fato, é útil para sairmos discutindo a questão. É impossível não falar sobre o filme após a sessão.

Têm razão aqueles que ficam desconfiados contigo, Argélico. Não há coerência em teu trabalho. Por exemplo, o primeiro tempo foi equilibrado, com constantes trocas de ataques e muitas finalizações lá e cá. A Guaíba disse que foram 18 no total, 9 para cada lado. Isso não é o teu Inter, Argélico! A estratégia com a qual alcançamos a liderança foi a de se fechar e jogar em contra-ataques. Por que mudamos? Por que esquecemos o tão falado e repetido pezinho no chão? Agora vamos amar e sonhar, quando nosso normal é ficarmos no quarto fechado, debaixo dos cobertores, tentando ouvir a hora em que o banheiro fica livre?
Apelo à tua razão: podemos apenas ser — num sonho — o Leicester deste campeonato. Temos que ser pragmáticos, defensivos e chatos, só explorando os contra-ataques fora de casa.
Saímos perdendo por 1 x 0 neste primeiro tempo franco em que poderíamos ter ganho ou empatado no joguinho aberto e feliz proposto por ti. Voltamos sem compostura defensiva no segundo tempo, mas empatamos aos 20 do segundo tempo com Vitinho. Éramos melhores, mas teu timinho bailarino tomou mais um gol num rebote ao 27. A partir daí, O Inter, acostumado a ter na defesa sua principal arma, descabelou-se e tomou mais um aos 34. E Vitinho descontou.
Isso que tu fizeste, Argélico, foi muito tolo. Ora, a receita de todos que ganharam o brasileiro por pontos corridos é a de trocar pontos com os grandes e ganhar dos pequenos. O correto seria manter o esquema e ganhar um contra-ataque, sem pensar que poderíamos nos tornar um Barcelona.
Todos os adversários na tabela, ou seja, o trio que nos no seguia no G-4, venceu. Prova de que eu tinha razão em olhar seriamente para a tabela apenas após a décima rodada, quando teremos 5 jogos em casa e 5 fora. E isto ocorrerá apenas depois do jogo contra o Coritiba, quinta-feira. Desta forma, há espaço para cair ainda mais.
Bob dá mais segurança do que Dourado à defesa? Não creio. É que Dourado avança mais porque tu o liberas, Argélico.
Pior, mantiveste Alex em vez de colocar logo Anderson em campo. Alex está em pré-aposentadoria, Argélico. Hoje, Anderson é vinte vezes melhor. Até três volantes, com o Dourado se soltando, seria melhor.
Mas o campeonato segue. Quinta-feira, temos o Coritiba em Curitiba. O Coxa tem apenas duas vitórias no Brasileiro e luta para ficar fora da turma do rebaixamento. Igualzinho ao Figueirense, que estava em idêntica situação. Como somos especialistas em reerguer mortos…
Espero que tu voltes ao pragmatismo e esqueça o futebol alegre e bailarino do Brasil-sil-sil. E te dou uma dica: Bob e Fabinho, Dourado e Anderson, Sasha e Vitinho.
Nico foi o anagrama criado por Andy Warhol a partir de Icon,
mas na vida civil ela era a modelo alemã Christa Päffgen.
Warhol era o empresário do grupo e impôs sua presença.
Os músicos a chamavam de tone deaf ou “surda tonal”.
Ouvindo o disco, onde ela participa discretamente,
a gente dá razão aos músicos.
Lou Reed devia amar vê-la e detestar ouvi-la.
Apesar disso, o resultado foi uma das maiores obras-primas do rock: The Velvet Underground & Nico.
Era uma, digamos, sortuda, pois já tivera participado de outra obra-prima, La Dolce Vita, de Fellini:
.oOo.
E aqui nós mudamos nossa programação pelo fato de termos visto hoje a excelente comédia política francesa, Os nomes do amor (Le nom des gens), de Michel Leclerc. Lá, está atuando maravilhosamente uma francesinha que desconhecia, Sara Forestier.
Ativista de esquerda, a jovem que Sara encarna possui interessantes atributos físicos e,
para convencer qualquer direitista a mudar de lado, não pensa duas vezes em levá-lo
para a cama. Nascida em 1986, Sara arrasa com sua irresistível beleza.
Mas quando fui ler o que meu guru Merten disse sobre o filme e Sara,
não pude deixar de rir. Abramos aspas para o mestre:
“Fiquei louco pela Sara. No filme de Michel Leclerc, ‘Les Nom des Gens’,
ela faz um mulherão de comportamento libertário, que trepa com fascistas convencida
de que, na cama, vai convertê-los. Ah, a mentira do cinema.
Na tela é morena, voluptuosa. Ah, a mentira do cinema. Agora, aqui em Paris,
surgiu aquela loira pequeninha, de óculos”.
Hahahahaha, mas que tremenda atriz, Merten, que tremenda mulher!
P.S.: Depois o mestre completa: “Fiquei besta — gauchismo para pasmo — com a erudição de Sara ao falar sobre cinema”. Claro, meu velho, nada ou muito pouco é casual nesta área. Ela é um monstro.

Só a vocês oito — Argélico e mais meus sete leitores — posso dizer que sou uma fraude. Não fui ao Beira-Rio ontem à noite. Assisti ao jogo no Pastel com Borda da Fernandes Vieira, o Magnífico Templo de Sandra Giehl, comandante gremista do local. No meio da peleja, olhei para fora e vi que chovia. Eu estava sem guarda-chuva e reclamei da vida no muro das lamentações do Facebook. As pessoas ficaram com peninha de mim, lá no Beira-Rio, fiel torcedor, no frio, sob a intempérie, sofrendo, longe de casa. Só que eu estava a três quadras de minha casa, a 800 m de minha cama, a dez minutos de Elena. E preocupado com uns míseros pingos gelados sobre minha crescente e inexorável careca. Calei-me sobre a verdade. Seria linchado. Não gostaria.
(Logo após o jogo, a citada Sandra Giehl mudou bruscamente de canal, passando para o interessantíssimo Off, que mostrava uns caras praticando surf. Eu compreendo a mágoa dela).
Jogamos muito bem, Argélico. Tivemos finalmente a tal saída rápida e um antes desconhecido repertório de jogadas de ataque. Senti-me torcedor de um time de futebol. Fiquei comovido com o gol de Vitinho. Uma linda jogada de Anderson, jogador JAMAIS CRITICADO NESTE ESPAÇO. Posso até ter exagerado sobre tua incompetência, Argélico, mas sempre achei que Anderson sairia da letargia. Ele tinha lampejos, apenas faltava energia elétrica para mantê-los acesos. A entrada do ex-gremista aqueceu a noite de Porto Alegre, ao menos dentro do Pastel com Borda. Entrou no lugar de Alex, também de boa atuação. Os dois trocaram beijinhos de comadre quando da substituição. Gostei.

E o gol do Sasha? Só eu e tu vimos. Somos bons observadores. Quando a bola caiu no pé do Vitinho, Sasha ergueu o braço direito apontando para o meio da área. Tipo quero o cruzamento ALI. Mas correu para o outro lado, recebendo-o livre, quase dentro do gol. Confiram o fato abaixo, naquilo que era antes chamado de vídeo-tape. O fato revela entrosamento. Gostei.
E Danilo Fernandes? Que baita goleiro!
O time seguiu marcando, mordendo e correndo muito. Só Ferrareis destoou, mas nem tanto assim. Esforçou-se muito. Parabéns, ao preparador físico João Goulart! Que grande profissional! Recomendações, abraços e beijos em D. Maria Teresa, meu amigo!

Depois de apresentarmos a bela esposa de João Goulart, voltemos à partida de ontem. Como disse meu grande amigo Luís Augusto Farinatti, ultra-titulado professor de História da UFSM, “O Argel faz discurso mandando ‘manter os pezinhos no chão’ e quem obedece é a zaga do Grêmio”. Hahahaha, pior.
Pés no Chão, Argélico, para manter-nos sonhando com aquilo que não acontece há 37 anos, como aprecia lembrar o Sr. Ladeira Livros, excelente nesta coisa de contar décadas sem vitórias. Não creio em título nem em Libertadores, mas jamais frequentaremos os fogos do inferno da Segunda Divisão.
Ok, Argélico, para manter o sonho, pés no chão. Então…
Temos 19 pontos, três pontos na frente do segundo colocado. E há um detalhe que baixa nosso orgulho (pezinho no chão, pezinho no chão!). Jogamos 8 partidas, 5 delas no Beira-Rio. Se estivermos na frente depois dos dois próximos jogos, ambos fora, aí sim seremos líderes. Com 10 jogos (1/4 do campeonato), metade das partidas fora e metade dentro, aí sim.
No mais, Argélico, sussurro apenas uma palavra em teu ouvido: Dale.
Meus caros sete leitores, a Wikipedia tem um verbete de artigos incomuns. Nele, há uma sessão chamada Weird Names (Nomes estranhos). Quem está lá? Ora, o atual treinador do meu time, o SC Internacional. Argélico Fucks. E, vejam bem, nem é pelo Argélico! A explicação para a inclusão do nome de Argel é a de que seu sobrenome seria socialmente problemático. Todo mundo sabe o que é “to fuck”, creio. Certa vez, um jornal estampou: “Fucks Off to Benfica”, gíria que significa “Cai fora pro Benfica”. Porém, fuck off pode ser também “tomar no cu” ou “ir à merda”. A Wikipedia diz:![]()
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No Eurosport:
Com a colaboração de um dos sete, Alberto Rosa.
De Wislawa Szymborska*
Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
suprimo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não ser.
Wislawa Szymborska, Poemas. Trad. Regina Przybycien.
Cia. das Letras, 2011, p.107.
Chegamos ao Hotel Casa da Montanha no final da tarde de sexta-feira para participar de uma sessão do Cine Gourmet. A semana de trabalho fora complicada e era nossa primeira vez — minha e da Elena — neste evento que dura todo o fim de semana. O Casa da Montanha é sensacional e fomos recebidos com extrema gentileza pelos atendentes que fizeram o check-in. E olha, só de pisar no hotel, já deu vontade de ficar por lá. É tudo muito aconchegante e agradável. Quando chegamos ao nosso quarto, havia referências de muito bom gosto ao evento do qual iríamos participar.

Sobre a mesa estava um vinho de boas-vindas, além de toda a programação relativa ao Cine Gourmet, onde seria apresentado Volver, de Pedro Almodóvar. Todo o material recebido dizia da obra e tinha o colorido do cineasta espanhol. A agenda previa que na noite de sexta-feira seriam servidos queijos e vinhos para receber os participantes do evento. O filme seria passado na noite de sábado e os dias de sábado e domingo eram para aproveitar o hotel e a cidade.
Após chegarmos, passaram-se alguns minutos e bateram em nossa porta para nos oferecer uma comidinha rápida, desejar-nos uma boa estadia e perguntar se estávamos satisfeitos com a acolhida e o quarto. É claro que estávamos, muito. O prato que nos entregaram era bem interessante para quem recém chegara de viagem.

Então descemos para uma voltinha rápida pela cidade. Na verdade, precisávamos de muito mais comida, pois não tínhamos almoçado em Porto Alegre. A temperatura estava na casa dos 5ºC, caindo. Apesar da excelente impressão inicial, nossa ignorância sobre o hotel ainda era quase total. E, imaginem, poderíamos ter jantado no La Cacería, localizado no próprio Casa e especializado em receitas de caças — “Cacería” significa “Caçada” em espanhol –, além de risotos, massas e saladas. Só que a gente não lê manual nem folder e acabamos numa jantinha mais ou menos.
No retorno, mais uma surpresa. Sobre a cama havia dois chocolates — excelentes, garanto-lhes — e informações sobre a previsão do tempo do dia seguinte. Seria um dia nublado, como indicava a marcação, e a temperatura estaria entre os 6 e 16°C. Começamos a nos acostumar com a coisa: vocês conhecem a facilidade com que o ser humano se acostuma ao bom tratamento.

Depois fomos ao tal queijos e vinhos do hotel, onde conhecemos boa parte do pessoal que estaria na sessão do dia seguinte. Novamente, tudo perfeito. Havia vinhos perigosamente leves e outros encorpados que enfrentavam com galhardia os maravilhosos queijos.
Como disse, o dia de sábado, antes da sessão de cinema, era livre para flanar pela cidade e fizemos uma boa divisão entre o hotel e as ruas.

É óbvio que o conforto do Casa da Montanha se impôs e acabamos permanecendo mais nele do que fazendo turismo. Poderíamos ter ficado na piscina, mas esses animais viciados em leituras têm outros hábitos como os mostrados acima e abaixo. Então, dei o pontapé inicial na leitura de O Adolescente de Dostoiévski.
Há vários espaços no hotel destinados a quem quer ver TV, tomar chá, conversar, ler, exercitar-se, nadar, o diabo. Mas a cadeira acima e abaixo parece ser um point preferencial. Todos convergiam para lá, mas eu fui mais rápido.

E fomos para a sessão de cinema. O coquetel temático começou uma hora antes do início do filme. Homenageando um detalhe cômico do filme, foi servido um canapé de beterraba chamado “russo” que deixou a Elena encantada. Ela agradeceu especialmente à chef Gabriela Carvalho ao final do jantar, pois teve que ir à Gramado para reconhecer um sabor de sua infância.

O Cine Gourmet acontece mensalmente e os filmes são selecionados pelo crítico de cinema Robledo Milani. Ele é o curador do evento desde a primeira edição, há 10 anos. Ele revelou que Volver era uma visita ao passado do diretor Almodóvar. O filme se passa em grande parte na cidade onde ele nasceu e baseia-se nas mulheres-personagens que povoaram sua infância. “Volver é a comida que comia na infância. Também é a fome e a família”.

Milani explicou que as mulheres da infância de Almodóvar eram curvilíneas e voluptuosas. Deste modo, se a personagem principal, vivida por Penélope Cruz, não precisou aumentar seus seios, teve que usar um aplique para arredondar o traseiro. Não, não apresentarei fotos comprobatórias.

A chef Gabriela Carvalho também falou. Fez uma breve referência ao fato de haver muito em comum entre as cozinhas brasileira e espanhola, e garantiu que haveria ousadias no cardápio — sempre secreto — que seria servido. Que ousadias? Ora, já veríamos. Ela disse que não admitiria uma mera reprodução do que aparecia na tela e que tudo fora recriado instintivamente.

Após o filme, no caminho para o Restaurante La Cacería, havia atores fazendo releituras de cenas do filme. Na saída da sala, por exemplo, mulheres de preto choravam desesperadas e davam-nos “pêsames” como se tivéssemos saindo de um velório e, bem na entrada do restaurante, estava uma nova Penélope Cruz sobre um freezer com uma faca na mão. Bem, quem viu o filme sabe o motivo. E ela cantava Volver, canção que Penélope recém cantara no filme (na verdade, ela é dublada).
E chegamos ao restaurante.

Por sorte, fomos convidados para ficar numa mesa com Robledo e Guilherme Cerveira. Em companhia tão agradável, nem precisaríamos de vinho para ficarmos loquazes. Mas, com eles e o festival de sabores servido sob a batuta de Gabriela Carvalho, a conversa ficou mais do que animada. Na verdade, chegou às raias das inconfidências.
Bem, a partir de agora, sofram.

Assim como a palavra cão não morde, a foto acima não vem com gosto. Se viesse, vocês imediatamente morderiam o monitor do computador ou a telinha do celular. Isto foi um bacalhau realmente enlouquecedor para o neto de portugueses que vos escreve. Sou antigo admirador das variações sobre o tema bacalhau. E garanto-lhes, mesmo sendo incondicionalmente ateu, que a coisa estava no mais alto grau de divindade.
Agora babem:
— A entrada foi um mojito de presunto cru, melão, pepino, hortelã e limão siciliano, harmonizado com um PradoRey Classic Verdejo Sauvignon 2014 (Rueda, Espanha).
— O primeiro prato ficou chamado de Raimunda, nome do personagem de Penélope Cruz. Era uma Tortilla de batatas e bacalhau, compota de tomates frescos e alho, harmonizadas com um Artero Rosado La Mancha 2014 (La Mancha, Espanha). Na minha opinião, este prato roubou a cena, mas o resto da mesa ficou abobado foi com…
— O segundo prato. Era um Cozido Madrileño de cerne de cerdo, chorizo, garbanzo e ervas com a harmonização a cargo do i-nes-que-cí-vel Tribu 2010 — El Angosto (Valência, Espanha). Olha, realmente, este Cozido não se intimidou com o citado bacalhau.
— A sobremesa foi Arroz doce espanhol com cardamomo e canela. O vinho que o acompanhava era um Alambre Moscatel de Setúbal 2010 (Setúbal, Portugal).
Foto: Cibele Peccin
Após o jantar, conversamos longamente com a chef Gabriela, pessoa de extrema modéstia que nem parecia ter-nos acabado de conduzir com tanto brilhantismo por algumas coisas boas da vida.
Eu e Elena agradecemos ao Robledo Milani pelo convite, deixando claro que estamos disponíveis. Imagina se não?

Eu fiz uma previsão que só o Alexandre Constantino ouviu. Foi quinta-feira, aqui em casa. Eu disse que Inter venceria, o Grêmio empataria e o Corinthians perderia nesta rodada, deixando os líderes do Brasileiro numa escadinha: Inter, 16; Palmeiras, 15; Grêmio, 14 e Corinthians, 13. Pois ficaria bonitinho. E aconteceu!
Agora, o Inter é a tartaruga em cima da árvore. Ninguém sabe como chegou lá, mas sabe-se que vai cair. Como eu, tem muito colorado rindo à toa, sem saber por quê.
Porém, ah, porém… O Miguel Galbarino me responde com uma afirmativa perturbadora. Diz que não tenho visto os outros times jogarem — o que é verdade — e que nossa posição como líder não o surpreende. Porém, o Dario Bestetti conta os pontos para não cairmos no rebaixamento — faltariam 30. E, porém, o Corneta Colorada, a melhor coisa que aconteceu na imprensa colorada neste século, ridiculariza todos — é um corneteiro profissional –, ordenando: “A primeira regra do clube do líder do Brasileirão é não falar de quem é o líder do Brasileirão”. E ilustra a frase com uma imagem alusiva a nossa liderança.
No último sábado, fizemos dois belos gols no América-MG (ambos do centroavante Aylon), tomamos o maior sufoco, eles descontaram, quase empataram, melhoramos com a entrada de Anderson e finalmente consolidamos a vitória com Ernando. O 3 x 1 não foi injusto, mas não diz de nosso susto. O próprio Argel admitiu a oscilação, enquanto que a torcida roeu até os ossos dos dedos com a notável sucessão de gols perdidos pelo América. O goleiro Danilo Fernandes voltou a jogar muito e Alex está pedindo aposentadoria.
E assim nós vamos vivendo. Muito esforço e algum futebol. Se a concorrência ficar trocando pontos como está, o time que conseguir pontos em casa e empates fora estará bem na foto. Eu não estou feliz porque não vejo futebol no Inter, mas é indiscutível que sete rodadas já servem para demonstrar alguma tendência. O Santa Cruz e a Chape já começam a sumir e quem pode mandar no campeonato já está na frente. Na minha opinião, o favorito é o Palmeiras. Tem bom técnico e numeroso elenco. Anotem.