A cara da Raquel (ou seria Rachel?)

Era o ano de 1988 e estávamos, eu e minha primeira mulher, procurando apartamento. Avisamos a um corretor amigo que queríamos algo muito bom e barato, bem localizado e em excelente estado. E começamos o périplo de ir de apartamento em apartamento indicado. Eu e Suélen (ou Pâmela, nunca lembro seu nome) mais ou menos concordávamos nas avaliações. Então, o corretor resolveu nos mostrar um apartamento especialmente bem localizado. Era na esquina da Venâncio Aires com a Osvaldo Aranha, bem na frente do Pronto Socorro, próximo à Redenção, aos bares do Bonfim e, fundamentalmente, quase ao lado do trabalho de minha ex, no Hospital de Clínicas. Como se não bastasse, o imóvel ficava exatamente sobre um pequeno supermercado. Uma verdadeira maravilha!

Como o mundo nem sempre é perfeito, a fachada do edifício acompanhava a ampla curva da esquina. Tinha janelas grandes em curva e depois ia afinando lá para trás a fim de ajustar-se aos outros prédios. Para que meus sete leitores entendam, digo que cada um dos andares tinha o formato de uma fatia de pizza. Para vocês ficarem certos de que eu nunca minto, abaixo temos uma foto do edifício de costas. A imagem do Google Maps faz referência ao Supermercado Nacional no térreo, observe bem.

Pois então nós chegamos ao edifício e subimos a fim de conhecer o apartamento. A dona ainda morava nele. Fomos recebidos por uma senhora ansiosa que cantava as qualidades de sua habitação à perfeição. E, com efeito, parecia tudo muito bem cuidado e sem problema nenhum de infiltração. A cozinha, impecável e seca, os banheiros idem. Pintura antiga, mas, como disse, seca. Caminhamos para os fundos e ela nos alertou que talvez sua filha estivesse em casa. Aguardamos educadamente que ela abrisse a porta do terceiro quarto da casa, o dos fundos. Disse alguma coisa lá para dentro e nos chamou para conhecer o recinto. Entramos.

Vi uma moça entre os dezoito e vinte anos, sentada em sua cama, com as costas encostadas no espaldar. Mas antes de registrar sua posição no quarto, recebi duas informações realmente claras. Claríssimos eram seus olhos, azuis; menos claros eram os cabelos, apesar de castanhos claros. Raquel era uma mulher bonita, não era nenhuma modelo mas era bonita e esta foi a primeira informação. A segunda foi que ela nos odiava de forma incondicional, ela queria me (nos) ver mortos. Sua cara de ódio era das coisas mais lindas e inequívocas que tinha visto até aquele dia. Fui olhar a paisagem da janela dos fundos, fazendo planos para ficar numa posição favorável a mim: eu estaria nas sombras, protegido pela luz atrás de mim e ela iluminada pela mesma. Ela estava vermelha, roxa de ódio. Fiquei alguns longos segundos ali, fingindo que avaliava o tamanho do quarto.

O ódio era tão imenso, pleno e jovem que eu jamais pensaria na Raquel rosa amorosa da Bíblia, esposa favorita de Jacó. Mas surgia algo estranho. Raquel agora me fazia cara de nojo. A cara era tão obviamente de nojo que comecei a rir, atitude que não foi retribuída. Raquel estava muito irritada e sua mãe não dirigia seu olhar para ela.

Voltamos ao restante do apartamento e em tudo que via, via Raquel e seu olhar. Concluí facilmente que ela não queria sair dali. Imagine, alguém jovem, morando perto de tudo… Decidi perguntar pelo motivo da venda. A mãe de Raquel usou uma franqueza que demonstrava o fato de não ser uma vendedora: disse-me que seu marido tinha sumido e ela estava sem dinheiro.

— A sua filha gosta daqui?
— Adora, a Raquel não quer sair por nada nesse mundo.

Aquilo fez com que eu passasse a não querer mais o apartamento, mas via que Pâmela (ou Suélen, nunca lembro) estava cada vez mais satisfeita com o imóvel. O nojento do arquiteto tinha feito um trabalho notável com aquela fatia. Todas as peças se encaixavam com lógica. A pizza estava escondida por artes demoníacas. Tudo estava no lugar. Nada parecia torto, um verdadeiro milagre. A mulher contava que fazia suas compras no supermercado do térreo pelo telefone, fato que fez Pâmela quase gritar de alegria. As compras eram recebidas na porta do elevador de nosso andar! Para ela, tudo corria às mil maravilhas, só que Raquel tornara-se um dificuldade intransponível. Eu não queria viver pensando nela. Era impressionante, terrível a indignação da moça. Não parecia ser alta, não era grande, mas impôs uma barreira que eu não seria capaz de derrubar.

Procurei Raquel no rosto de sua mãe. Decididamente, os olhos eram do pai fujão. Os cabelos da velha eram pintados, mas o formato do rosto e a boca eram as mesmas de Raquel, só que tudo era nela era esmaecido pela necessidade de ser servil e simpática conosco. A venda e a necessidade dobrara a mãe, mas eu não podia fazer nada por ela. Raquel era invencível.

Na saída, minha mulher estava encantada, mas eu lhe cortei o entusiasmo rapidamente.

— De jeito nenhum vou viver num lugar que mais parece um monte de pizzas empilhadas com um supermercado na base. Esse apartamento é uma merda. Um corredor comprido cheio de portas.
— Mas…
— Nós dois temos poder de veto e eu veto este.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Letras repetidas que são obsessões deste blog: MM e JJ

Duas fotos belíssimas de figurinhas muito conhecidas de meus sete leitores, pois muito amadas pelo dono do blog: Marilyn Monroe e James Joyce. MM é a mais fotogênica das mulheres e a cara de dúvida-com-o-dedo-na-boca de JJ é uma homenagem discretamente cruel e altamente simpática ao aniversário de sua morte. JJ faleceu em 13 de janeiro de 1941. Clique para ampliaras fotos.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

ISSO VOCÊ TEM QUE VER: aqui, o documentário Memórias de Chumbo – A Condor e o Futebol

A série é dividida entre Argentina, Chile, Uruguai e Brasil. Abaixo, temos disponível o Brasil. A série inteira da ESPN Brasil ainda não está no site da emissora por conta de questões burocráticas associadas aos direitos autorais das músicas. Vale muito a pena assistir, pois várias figuras conhecidas estão envolvidas. E o programa é ótimo. Produção e roteiro de Lúcio de Castro.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Caetano Veloso e sua homenagem a Carlos Marighella

Em seu último disco, Abraçaço, Caetano Veloso surpreende com uma canção dedicada a Carlos Marighella. É bastante longa e explicativa. Era desconhecida a admiração que Caetano e Gil tinham pelo também baiano Marighella. Ele e Gilberto Gil apareceram na capa de uma revista — onde eu li esta informação não dizia que revista foi –, dizendo “nós estamos mortos, ele está mais vivo do que nós”. Na mesma época, enviou ao jornal “Pasquim” um texto sobre Marighella. Caetano diz que, na época, ninguém no Brasil entendeu que a tristeza que expressava no texto, assim como na manchete da revista, não era apenas a tristeza do exílio, mas uma referência à morte de Marighella.

Montagem: http://paginadoenock.com.br/

Um Comunista

Caetano Veloso, no CD Abraçaço, 2012

Um mulato baiano,
Muito alto e mulato
Filho de um italiano
E de uma preta uça

Foi aprendendo a ler
Olhando mundo à volta
E prestando atenção
No que não estava a vista
Assim nasce um comunista

Um mulato baiano
que morreu em São Paulo
baleado por homens do poder militar
nas feições que ganhou em solo americano
A dita guerra fria
Roma, França e Bahia

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O mulato baiano, mini e manual
do guerrilheiro urbano que foi preso por Vargas
depois por Magalhães
por fim, pelos milicos
sempre foi perseguido nas minúcias das pistas
Como são os comunistas?

Não que os seus inimigos
estivessem lutando
contra as nações terror
que o comunismo urdia

Mas por vãos interesses
de poder e dinheiro
quase sempre por menos
quase nunca por mais

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O baiano morreu
eu estava no exílio
e mandei um recado:
“que eu que tinha morrido”
e que ele estava vivo,

Mas ninguém entendia
Vida sem utopia
não entendo que exista
Assim fala um comunista

Porém, a raça humana
segue trágica, sempre
Indecodificável
tédio, horror, maravilha

Ó, mulato baiano
samba o referencia
muito embora não creia
em violência e guerrilha
Tédio, horror e maravilha

Calçadões encardidos
multidões apodrecem
Há um abismo entre homens
E homens, o horror

Quem e como fará
Com que a terra se acenda?
E desate seus nós
discutindo-se Clara
Iemanjá, Maria, Iara
Iansã, Catijaçara

O mulato baiano já não obedecia
as ordens de interesse que vinham de Moscou
Era luta romântica
Ela luz e era treva
Feita de maravilha, de tédio e de horror

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! os comunistas!

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

J. S. Bach – Cantata BWV 156 – Ich steh mit einem Fuss im Grabe (parte 4, ária para contralto)

O solista é o contratenor Terry Wey. O grupo é da J. S. Bach Foundation of St Gallen sob a direção de Rudolf Lutz. Eles estão gravando a integral das Cantatas de Bach. À medida que gravam — sempre ao vivo, como deve ser –, deixam cair os pedaços de pão no YouTube para que formem o caminho de casa. Afinal, Johann não é João?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

O time da Piada Pronta abre os trabalhos logo no décimo dia de 2013

O comovente abraço ao Olímpico | Foto: Diego Vara / ZH | CLIQUE PARA COMOVER-SE MAIS COM A IMAGEM

Os times de futebol têm personalidade própria. O Inter, quando em decadência, é choramingas e patético; como agora, deixa-se levar até bater numa margem. Já o Grêmio cai em meio a uma opereta, com jogadores transando no ônibus enquanto o presidente, caindo a para a segunda divisão, diz: mas vejam nosso site, que coisa maravilhosa! Quando o Grêmio ganha, é sempre sofrido — nem que não seja –; quando o Inter ganha, é natural e absolutamente merecido. Quando o Grêmio perde um jogo, há uma enorme probabilidade de que o juiz seja o culpado; quando o Inter perde, é porque o time é uma merda mesmo.

Mas há uma coisa na qual é difícil ganhar do Grêmio. O tricolor gaúcho costuma se apresentar como Piada Pronta e faz disso uma arte. Não tinha ainda acontecido em 2013, porém, no décimo dia… eles não se aguentaram e revelaram o mais novo chiste: o Grêmio está voltando para o Olímpico pela simples razão de que a Arena ainda não está pronta. O Grêmio é como aquele franguinho al primo canto que sabe de terá a cabeça decepada ao primeiro Quac!, porque o produtor está ali ao lado, atento, com o facão na mão. Mas o instinto o obriga a cantar ou, no caso do Grêmio, a fazer rir.

Sim, hoje o Grêmio solicitou ao comando da Brigada Militar (BM) a liberação do estádio Olímpico para a realização de três jogos em janeiro… O pedido está sendo analisado pela BM. Isso é sensacional! Já houve abraço de despedida ao Olímpico, já houve o último jogo — uma discreta tragédia –, as rádios e as TVs já passaram dias enchendo o saco passando todos os gols, falando com todos os que fizeram alguma coisa no estádio, já foram choradas lágrimas por parte dos nostálgicos, o torcedor símbolo Paulo Sant`Ana já deu a volta olímpica com a bandeira “Adeus, Olímpico” na mão… Tudo já foi feito e agora voltam. Parece o Sílvio Caldas (*).

O Grêmio estaria disposto a levar as partidas contra o Canoas e o Santa Cruz, nos dias 24 e 26 de janeiro para o velho estádio. A medida também poderia valer para o jogo contra a LDU, pela pré-Libertadores. Nesta quinta-feira, de forma assim meio escondida, foram reinstaladas as goleiras no estádio Olímpico. Eu amo nosso Tradicional Adversário, obrigado Grêmio!

(*) Caíram no folclore as despedidas do cantor carioca Sílvio Caldas, que durante pelo menos 20 anos anunciou que enfim faria o seu último show ou a sua última gravação. No entanto, permaneceu em atividade até o ano de 1995, adiando sua aposentadoria até os 87 anos de idade.

Grêmio com a Síndrome de Sílvio Caldas

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Em La Paz, depois de Copacabana

Meu filho Bernardo está viajando desde o dia 20 de dezembro, mais ou menos. Volta em 1º de fevereiro. Foi de avião para Rio Branco, no Acre. Era o único trecho que faria via aérea. Depois, só ônibus e sola de sapato. Ele e seus dois amigos foram em seguida de  ônibus para o Peru, onde fizeram a trilha inca caminhando 90 Km em 5 dias. Pegaram neve no Natal, devem ter visto trenós incas dirigidos por índios com enormes sacos de coca, puxados por lhamas. E ontem ele me ligou do Titicaca.

Voz tranquila e macia, típica de quando está descansado, disse que passou três dias em Copacabana, uma praia do lago que está a quase 4000 m acima do nível do mar e onde o celular pegava mal. Neste ínterim foi para a Isla del Sol, uma ilha do Titicaca. O lado é enorme, comprido, tem 90 Km de comprimento e uns 25 de largura. Ele me diz que, no meio do lago, não se enxerga nenhuma margem. Pergunto sobre a respiração e ele disse que, mesmo na caminhada nos Andes, sentiu-se bem. Ia pegar um ônibus para La Paz, onde já deve ter chegado. Com o Facebook, fica fácil de monitorá-lo. Afinal, lá pela meia-noite, ele escreveu: “La Paz, fetos de lhama nas esquinas. Muito afudê”.

Não sei se vão ter tempo de ir ao Chile ou se descerão pela Argentina. Acho uma pena que o Bernardo não goste de escrever. Deve voltar com um monte de histórias que vai contar aos poucos. Espero que tenha tirado muitas fotos, porque isso ele faz muito bem. Ele estagia como fotógrafo no Sul21. Gostaria de ter visto a cara dele ao pedir 40 dias de férias. Ele sabe ser sedutor quando precisa, o filho da puta. Putz, espero que volte bem. Nem li os detalhes daquele brasileiro que sumiu no Peru. Não quero fantasiar coisas ruins. Prefiro pensar que ele está entre montanhas, lhamas, indiazinhas feias e coloridas e que caminha sem parar, olhando tudo.

Sim, esta é Copacabana, porta de entrada do Titicaca e centro de peregrinações desde os tempos pré-colombianos.
A Isla del Sol no Estreito de Yampupata
Índios Aymara na Isla del Sol. Todo lo que necesito / tengo a mis pulmones / respirando azul clarito / la altura que sofoca / Soy las muelas de mi boca, mascando coca.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Palavra do Bispo Macedo

A Caminhante entrou no meu GTalk e me enviou a imagem abaixo. Seguiu-se curto diálogo:

Ela: Se o bispo tá dizendo…
Eu: Pois é.
Ela: e não um ateuzinho mal resolvido igual você.
Eu: hahahahahahaha

CLIQUE PARA AMPLIAR

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Cedinho, como os pães

Simplesmente me acostumei a vir trabalhar cedo. É difícil me impedir de pegar minhas coisas e sair de casa às 6h55, enquanto muita gente boa ainda está cheirando seu travesseiro cheio de pensamentos confusos e outros vão ao banheiro com as caras amassadas. Caminho até a parada e o ônibus chega muito rápido ao centro. Para que tanta correria? Às 7h30 já estou no jornal. Acordar cedo tem algum parentesco com pães quentes recém saídos do forno. Na esquina de casa, num dia nublado como hoje, olho a pequena fila iluminada dentro da Padaria Pasquali e passo reto. Nada de pão e muito menos de sentir seu cheiro. Aquilo engorda.

O motorista do ônibus das 7h10 é mesmo um sujeito estressado. Seu colega das 7h40 é muito mais lerdo e adequado. Com o primeiro, dificilmente consigo ler aquelas 15 páginas regulamentares de meu livro. Quando chego ao jornal, começo a ler os outros. Na contracapa de um, leio a palavra “bagaceiro” justo na semana dos cem anos de nascimento de Rubem Braga. Céus, por que não usar “vulgar”? Como editor, na boa, eu mudaria. Há que ser mais fino, mesmo quando se fala em Carlinhos Cachoeira. E por que não usar condenado em vez de corrupto? Uma grosseria já na capa. Abro a internet e vou direto ver como andam as coisas para Hugo Chávez. Tudo na mesma, só que agora os EUA lhe desejaram uma pronta recuperação. Dou uma olhada nos jornais portugueses e as notícias são as mesmas, mas mais objetivas, falam no adiamento da posse e, surpresa!, em tempo de recuperação. De qualquer maneira, parece que já temos o obituário. Tínhamos também o do Niemeyer, escrito por mim. Foi bastante lido, sabe?

Então, vou ao blog de outro Braga, o Monóbio, para ver se ele continua torcendo pela morte de Chávez. Não, seus últimos textos abandonaram Venezuela e Cuba, ele parou de fantasiar sobre a marcha do câncer — cancro, segundo os jornais portugueses — com seus amigos de Miami. Procuro em toda a primeira página do blog do editor pela sequência de caracteres C-h-á-v-e-z y no hay la palabra. A Revolução Bolivariana cansa.  Bem atrás de mim, na redação vazia, sobe uma enorme bolha do garrafão de água. Sorrindo e antes que me demitam, vou fazer café para todos os que chegarem. Afinal, vim trabalhar.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Camarada Obelix

”Trabalhadores de mundo, uni-vos”

Obrigado, Elena Romanov.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Trabalhe menos, Barenboim, por favor

Hoje, em seu blog — verdadeira obrigação para quem gosta de música –, Norman Lebrecht divulgou um dado impressionante: o levantamento de carga de trabalho anual de Daniel Barenboim, que completou 70 anos em novembro. Lebrecht usa a expressão “o homem parece estar queimando a vela nas duas extremidades”.

No ano passado, Barenboim deu 56 concertos como regente de orquestra, mais 49 óperas e 15 recitais de piano, um total de 120 apresentações. Ele é diretor musical da Ópera Estatal de Berlim e do La Scala. Ele também dirige a West-Eastern Divan Orchestra. Ele não pode querer competir com Gergiev, o onipresente de 59 anos.

Eu e Lebrecht ficamos preocupados… Barenboim tem que se cuidar mais. Esse troço de reger cansa e os músicos são extremamente chatos, estressantes.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Meu segundo time faz golaços

O primeiro gol do Benfica contra o Estoril no último domingo, obra de Gaitán.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Em 10 minutos e em ordem cronológica, todos os 91 gols de Messi em 2012

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Exclusivo: a diferença entre Messi e Maradona

Foto: A Bola — Portugal

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Inter: o último a sair acende a luz

Depois das desejadíssimas saídas de Bolívar, Nei e Luciano Ratinho, eis que saem Guiñazú e agora talvez saia Dagoberto. Ou seja, a diretoria que queria um outro atacante de velocidade para acompanhar Damião ou Rafael Moura, perderá o único que tinha. É o perigo de ter um presidente tolo. Um tolo não tratará de cercar-se de sumidades, mas procurará outros tolos que concordem com ele. Exatamente o mesmo que fez Obino no Grêmio.

O Farinatti responde no Facebook:

Eu preciso acreditar que não é só imbecilidade. Largar o Dagoberto e ir a Recife negociar a volta do Gilberto é um ato tão tolo que parece até proposital, como provocação. Porém, pode haver algo que não sabemos. O Inter estava louco para se livrar do Dagoberto. Na verdade, parece que iria dispensá-lo de qualquer maneira e só não o fez antes, na esperança que algum clube o quisesse e o Colorado pudesse receber algum ressarcimento. Houve alguma coisa extra-campo com ele neste ano. E não foi o episódio dos cremes. É a única explicação. Seria burrice demais até para o Luigi.

Os setoristas da dupla disseram que houve uma mal-disfarçada euforia na direção quando chegou a proposta do Cruzeiro. Eu mesmo ouvi a entrevista do Souto Moura e ele mal podia conter o entusiasmo. Muito estranho… Somo isso ao fato de que, poucos dias antes, vazou a notícia de que Dagoberto não estava nos planos de Dunga. E mais, lembro que Fernandão disse que foi amigo de quem não devia ser e disse que não estava se referindo ao Bolívar: foi ele quem trouxe Dagoberto… Sei lá, preciso acreditar nisso porque não adianta eu ir até lá e quebrar todo o Beira-Rio, só de raiva, porque isso a Andrade Gutierrez já está fazendo.

Agora, Vitor Júnior é para f… o c. do palhaço.

P.S. — O título do post foi surrupiado do romance de Marcos Nunes.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Os 50 maiores livros (uma antologia pessoal): X – Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Li Madame Bovary apenas uma vez e acho que não preciso de outra para colocar o livro em minha antologia. Se o ser humano é uma coisa eternamente insatisfeita, aqui temos o microcosmo da infelicidade feminina e da desilusão romântica. Não vou contar em detalhes a história do livro, mas esta foi tão imitada e recontada que não guarda mais nenhuma novidade. É o romance que fundou o realismo em 1857 e, assim como a cabeça do Quixote estava cheia de romances de cavalaria, a de Emma Bovary estava lotada de romances sentimentais. Emma casa-se com o médico Charles Bovary, insípido e apaixonado por ela. O tédio insere-se de tal forma na relação que ela passa a detestar o marido. A progressão do tédio e sua transformação em desinteresse e depois ódio são contadas por um autor absolutamente impecável e no perfeito domínio de seus meios. Nada parece estar fora do lugar, nenhuma palavra. Dividido em três partes, como um concerto, demonstra como Emma permanece insatisfeita mesmo após o nascimento da filha e de seus apenas prometedores adultérios.

Na época em que foi publicado, Madame Bovary causou escândalo e foi julgado por obscenidade. Quando perguntaram a Flaubert quem era a protagonista que tinha sido descrita com tamanha perfeição e riqueza de detalhes, o autor respondeu ao tribunal com a célebre frase que diz tudo: “Madame Bovary c`est moi!”.

E era. Flaubert passou mais de uma década observando, apurando, polindo, reescrevendo e inaugurando o realismo na literatura. Flaubert foi absolvido no ridículo processo, mas não foi perdoado pelos puritanos, que não conseguiam admitir o tratamento cru dado ao tema do adultério e pelas críticas implícitas ao clero e à burguesia, ambos desprezados por Flaubert. Mas esqueçam o fundador do realismo, o processo e tudo o que cerca Bovary. O livro é antes de tudo um texto admirável, construído com arrebatador virtuosismo; um texto trabalhadíssimo onde não se notam sinais do suor do autor. Tudo flui, tudo ganha seu devido ritmo e todo detalhe jogado ali é significante e contribui para a narrativa. Talvez Madame Bovary seja a maior das aulas práticas de narração.

James Wood escreveu em Como funciona a ficção que “Tudo começa e tudo termina com Flaubert”. Discordo. A literatura moderna recebe notável impulso com Flaubert, mas já começara com Stendhal. E não termina no autor de Bovary, como diz a frase de efeito de Wood. Porém, para usar uma palavra que está na moda, Madame Bovary é um romance verdadeiramente incontornável.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Carlinhos Cachoeira e Andressa Mendonça em lua de mel

Solto por um habeas corpus, Carlinhos Cachoeira foi fotografado neste fim de semana  viajando com a mulher, Andressa Mendonça (centro). O casal curtia a lua de mel na Bahia, hospedado no resort Kiaroa em Taipús de Fora, na praia da Península de Maraú. O empresário foi condenado a 39 anos e 8 meses de prisão por diversos crimes, como corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato. Abaixo… não estaria ele pautando a revista Veja pelo telefone?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Música dos Bálcãs

Dia desses, o Arthur de Faria dedicou-se a me mostrar um monte de boas músicas vindas do Bálcãs. Acho que eu tinha lhe falado de minha admiração por aquele bando de loucos que provavelmente fazem a mais criativa das “músicas populares” do mundo. Como ele também gosta demais, me ofereceu uma série de exemplos no Youtube que repasso a meus sete leitores. Acho que o primeiro e o terceiro vídeos foram sugestões minhas. Som na caixa porque vale a pena!

(Dando uma passada nos links que selecionei, acho que ele começou nos Bálcãs e depois viajou para o leste… Mas, repito, vale a pena conhecer).

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Porque hoje é sábado, algumas grandes damas

A primeira foto (abaixo) está aqui por tratar-se de Claudia Cardinale. Esbarrei com esta linda imagem dela e, mesmo que esteja acompanhada pelo ogro Klaus Kinski, me apaixonei. Ela tinha 44 anos, porém as outras fotos de hoje só têm …

… mulheres de mais de 50 anos. Algumas têm mais de 60, 70 e uma, mais de 80.

Pois não gostamos só de mulheres bonitas, …

… respeitamos o feminino.

Hoje é um PHES de mulheres muito talentosas, de grandes divas.

De mulheres de muita classe, mas não de classe social ou biológica, e sim …

… daquele gênero que não é apenas um problema de apertar um botão.

Por exemplo, Julie Christie (acima) foi a melhor e a mais poética de todas as atrizes.

Helen Mirren, aos 67 anos, ainda guarda intacto o caráter desafiador dos anos 60.

Sophia Loren, toda napolitana, não olha mais para o decote de Jayne Mansfield; …

… pois a idade deixou-a segura, engraçada e amena. Talvez o tempo tenha feito…

… o mesmo a todas. Sim, sei, eu não deveria sujar este post com sugestões de baixo …

… calão, só que não posso evitar de rir ao imaginar meus sete leitores e leitoras …

recolhendo suas armas… (Ah, Mirren de novo? Sim.)

… para outra oportunidade. Pois escolhi este primeiro PHES de 2013 …

… para uma reversão da expectativa erótica em favor do respeito e do sonho.

Pois o que viveram e fizeram cada uma destas grandes mulheres não cabe …

… nas agendas ou nos cartões-ponto de nenhum de nós. Bem, melhor falar só por mim.

Minha escolha foi por mulheres que mostram suas rugas e o resultado foi tão curioso ….

… que hoje acho belíssima a extraordinária atriz Emma Thompson …

… e sem graça o ex-furacão acima. Melhor pensar detidamente no assunto.

Afinal, aos 55 anos, já já minha faixa etária só se adequará com a das grandes damas.

Obs.: se você não conhecer alguma delas, é só dar uma olhada nas tags, certo?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Segurança total

Um trabalhador indiano do Departamento de Energia faz ajustes nas linhas de energia elétrica durante os preparativos do festival religioso Kumbh Maha em 18 de novembro de 2012. Um exemplo para os trabalhadores do CEEE. A foto é de Sanjay Kanojia.

CLIQUE PARA AMPLIAR

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!