Resumo do início de Coudet

Resumo do início de Coudet

O ranço de parte da imprensa a respeito da presença de Eduardo Coudet na casamata do Inter — e que é amplificado pela parte toda da torcida — é incompreensível.

OK, também acho que a retirada de Moledo foi precipitada, Bruno Fuchs ainda não é melhor que Moledão, mas a postura do time, hoje, está muito mais próxima daquela esperada em um time grande.

Vejamos quais foram os treinadores desde o último título importante do Inter: Fernandão (2012), Dunga (2013), Clemer (2013), Abel Braga (2014), Diego Aguirre (2015), Argel (2015-2016), Falcão (2016), Celso Roth (2016), Lisca (2016), Zago (2017), Guto Ferreira (2017), Odair (2017-2019) e Zé Ricardo (2019).

Destes, quem é realmente do tamanho do clube? Abel, certamente. Aguirre, quem sabe. Os outros eram um bando de medrosos que davam entrevistas falando em “proteger a casinha”.

Ademais, Coudet sofreu zero gols na pré-Libertadores e teve o melhor início de treinador desde Dunga, considerando estes dez primeiros jogos. Só que Dunga jogava apenas o Gaúcho em 2013.

E Coudet está modernizando — na verdade, está alterando radicalmente — o modelo tático do clube. Hoje, estamos jogando no campo adversário, projetados à frente. Nada de “time reativo” como o de Odair. Estamos marcando forte no campo adversário, sem recuar. Em quase todos os jogos tivemos mais posse de bola e oportunidades de gol.

O planejamento é claro e objetivo. Há um conceito por trás de cada ação. Quem não vê… Olha, só lamento, porque quem não vê… Tem problemas de observação no futebol e talvez fora dele.

Há falhas? Sim! Os laterais não foram bem, o armador central não funcionou, mas dizer que Coudet está no caminho errado é uma completa tolice.

Com o grupo em formação, com jogadores que preocupam por sua idade e implantando uma mentalidade de time grande num grupo acostumado a fazer um gol e recuar ou a apenas especular fora de casa, acho que Coudet vai muito bem, obrigado.

Vejamos hoje.

.oOo.

Alexandre Ernst, no Twitter:

Coudet rasga elogios ao Praxedes, que passará por um processo de fortalecimento muscular e não arregou quando perguntado se jogaria uma Libertadores com a camisa do #Inter. Acaba, ainda, com a questão Musto-Lindoso: quando o time engrenar, será UM ou OUTRO!

Coudet é DE LONGE o treinador com maior entendimento do “novo futebol” que o #Inter contrata desde Tite. Vou seguir dizendo e fazendo voz por aqui: DEIXEM O CARA TRABALHAR!!!! De Argel a Odair temos MUITO a corrigir e trabalhar, principalmente na questão TÁTICA! Vai funcionar!!!

Eduardo Coudet, implantando inédita intensidade nesta década | Ricardo Duarte (SC Internacional)

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A Facada no Mito — Documentário questiona facada em Bolsonaro

A Facada no Mito — Documentário questiona facada em Bolsonaro

O documentário A Facada no Mito, postado pelo canal True Or Not, do YouTube, está se espalhando por meio das redes sociais. O trabalho, que não identifica seus autores, praticamente não traz imagens inéditas do episódio que vem sendo tratado como “atentado” contra o então candidato Jair Bolsonaro, em 6 de setembro. Mas traz apontamentos minuciosamente elaborados em torno das cenas que antecederam à facada desferida por Adélio Bispo de Oliveira.

Mostra o comportamento da equipe de segurança, levanta questões relacionadas à “logística” em torno do autor, relembra dúvidas em torno do atendimento e contradições em torno das reações de pessoas próximas a Bolsonaro. Adélio agiu sozinho mesmo para organizar e executar o atentado? Por que tinha tantos celulares e laptop se usava lan house? São coincidências as mortes de pessoas ligadas a sua hospedagem? E o fato de o escritório de advocacia que o defende atender também envolvidos em confronto entre policiais de Minas e de São Paulo? São listadas, enfim, muitas perguntas sem respostas, como qual teria sido o desempenho de Bolsonaro se não tivesse ocorrido o crime.

Os responsáveis observam que até o momento a Polícia Federal apresentou uma conclusão que “deixa de fora muitas questões”. “Questões que queremos dividir com o público para que possamos exigir as devidas respostas.”

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Comendo em Londres e Barcelona

Uma distorção que sempre me incomodou é que no Brasil o supermercado é caro e os buffets baratos.

Já na Europa, come-se muito barato comprando coisas nos super e a comida pronta é que é cara. E a comida do super é sempre de alta qualidade. (Para nossos cafés da manhã, levamos uma moca e compramos café lá).

Então, a dica: quando se vai para a Europa, o negócio é alugar um apê no airbnb ou booking que tenha cozinha. A comida sai por quase nada.

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O blog está viajando em férias, voltamos em março

Abraços!

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“A crítica deve ser parcial, política e apaixonada.” — Baudelaire

“A crítica deve ser parcial, política e apaixonada.” — Baudelaire

No último sábado, li num importante jornal — importante em âmbito mundial — uma resenha onde o cara utilizava envergonhadamente o pronome pessoal “eu”. Estava ali, nada escondido, até repetido. Aconteceu da argumentação ter sido concatenada de tal forma que ficaria estranho e desonesto escapar do “eu”. O editor deixou passar. Eu acho saudável por dois motivos. Primeiramente porque as avaliações são mesmo pessoais; em segundo lugar por que o texto não adquire aquele ar de lei. Crítica é opinião. Tem o valor de uma opinião. Usar a primeira pessoa é modesto e honesto.

Já certo editor de um jornal cultural — de obscuro âmbito internético — , me deu uma mijada quando fiz o mesmo. Não guardo ressentimentos, mas se rir do fato é guardar ressentimento, guardo sim!

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População de rua cresce e cresce

Sexta-feira, a Folha publicou uma matéria que diz que a população de rua cresceu 60% em quatro anos.

Mas não é só isso. Minha observação diz que aumentaram:

— os ambulantes,
— os pedintes,
— os trabalhadores informais,
— as lojas vazias,
— os imóveis para alugar,
— os imóveis para vender.

Mas quando a gente liga a TV parece que está tudo bem.

(Ah, dia desses passeando no início da noite pelo Bom Fim, disse para a Elena que ia contar o número de pessoas dormindo ou deitadas na rua. A gente desviou de várias)

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Coudet e deus

Coudet e deus

Incrivelmente, parte da imprensa está pressionando Coudet. É que o argentino não tem a aprovação de deus FC, em razão de sua independência. Coudet escala quem quer e ponto.

FC é a maior desgraça do Inter pós-2006.

Já li gente que gosta de futebol ofensivo falar com saudades de Odair…

Acho que tem muita coisa rolando por lá. Há mais coisas entre o céu e a terra além dos aviões de carreira.

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6 anos e cinco meses com Elena

6 anos e cinco meses com Elena

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Num fim de semana, programadores tchecos criaram um site de graça pelo qual ministro planejava gastar 16 milhões de euros

Num fim de semana, programadores tchecos criaram um site de graça pelo qual ministro planejava gastar 16 milhões de euros

Do tjournal russo
Notícia encontrada por Elena Romanov
Tradução (bem) livre de Milton Ribeiro com ajuda do Google Tradutor

Voluntários consideraram o sistema caro demais e simplesmente realizaram o serviço para o governo, apontando-o como despesa injustificada.

Tomas Vondrachek | tjournal.ru

Um grupo de programadores tchecos fez e entregou ao governo um sistema de informática de graça, que tinha sido encomendado a outra empresa. Os desenvolvedores fizeram isso em protesto contra o “desperdício” do Ministério dos Transportes. Na opinião deles, as autoridades firmaram um contrato excessivamente alto. A história chegou ao primeiro-ministro tcheco e ele demitiu o ministro dos Transportes.

Tudo começou com uma compra sem licitação para a criação de um serviço para a venda de autorizações eletrônicas de viagem para rodovias com pedágio. O pedido de 400 milhões de coroas tchecas (quase 16 milhões de euros) incluía o desenvolvimento de uma loja online e dois aplicativos para iOS e Android. O contrato de quatro anos para o desenvolvimento e suporte do site foi assinado com a Asseco Central Europe — sem edital público, repetimos.

O negócio provocou indignação na comunidade de TI tcheca devido ao “desperdício óbvio” por parte do governo. O proprietário da Actum Digital, Tomas Vondracek, chamou a proposta de “absurda” e acrescentou que o trabalho poderia ser feito “em alguns dias”.

Vondrachek convidou programadores locais a se unirem a fim de criarem um sistema análogo. Eles planejaram fazer tudo durante um fim de semana no escritório da Actum Digital em Praga e simplesmente transferir o código para o governo tcheco como presente e um exemplo de como os impostos dos cidadãos são gastos.

“Fomos motivados pelo desejo de resistir ao sistema de superestimar contratos estatais, onde há repetidos abusos. Neste caso, nosso dinheiro simplesmente entrava pelo cano”, disse.

Mais de 300 programadores da República Tcheca responderam às chamadas nas redes sociais. Na sexta-feira, 24 de janeiro, 60 técnicos se reuniram no escritório de Vondrachek para começar a trabalhar. No domingo (26) à noite, eles criaram a plataforma fairznamka.cz, que atendia aos requisitos do serviço de 16 milhões de euros.

O primeiro-ministro tcheco Andrei Babish veio ver o trabalho dos programadores. “Estou chocado com o que está acontecendo”, disse ele a repórteres. Os voluntários desenvolveram o serviço em 22 horas de trabalho.

Já na segunda-feira, 27 de janeiro, o site ganhou um módulo público de teste. O aplicativo ainda não está conectado ao sistema estatal, mas cumpre todas as funções necessárias. Durante o primeiro dia, o serviço foi visitado por mais de 175 mil pessoas que experimentaram a carga no site e fizeram as primeiras compras. Os pagamento pelo acesso à rodovia foram feitos simbolicamente. Mas quem quisesse, poderia pagar de verdade, o dinheiro arrecadado iria para organizações de sem-teto do país.

O governo tcheco inicialmente se ofereceu para pagar pelo sistema, mas depois aceitou o site fairznamka.cz de presente, como o pretendido pelos programadores. Babish enfatizou que o Ministério dos Transportes realizará uma licitação pública para encontrar uma empresa que implante o sistema ainda este ano. Espera-se que o valor do contrato seja muitas vezes menor que o original. Vondraček estimou que a licitação terá um valor de 25% do valor inicial e sublinhou que sua empresa não participará do novo edital.

O ministro dos Transportes tcheco, Vladimir Kremlik, foi demitido. Representantes da empreiteira Asseco Central Europe disseram que estavam prontos para rescindir o contrato sem reivindicar compensação. Após a renúncia, Kremlik observou que respeita a decisão do primeiro-ministro, mas acrescentou que suas prioridades eram criar um sistema “sem demora”…

Segundo Vondrachek, o desenvolvimento voluntário é um importante precedente, após o qual a República Tcheca, refletirá sobre o valor de cada serviço. “Acho que as licitações de TI excessivamente altas acabaram”, acrescentou.

O alegre grupo de programadores | tjournal.ru

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Bom dia, Coudet (com os lances de São Luiz 3 x 4 Inter)

Bom dia, Coudet (com os lances de São Luiz 3 x 4 Inter)

— POSITIVO: Galhardo e Marcos Guilherme, que boas surpresas!
— NEGATIVO: Musto marcando de longe e errando passes.
— POSITIVO: Uma partida muito boa do nosso ataque.
— NEGATIVO: Rodinei péssimo.
— POSITIVO: Wellington Silva ficou no banco.
— NEGATIVO: Bola aérea defensiva precisa ser trabalhada. Tomamos 3 gols de cabeça…
— POSITIVO: Não houve entrevista de Roberto Melo.
— NEGATIVO: Zaga desatenta.
— POSITIVO: Viramos o jogo para 3 x 1 ainda no primeiro tempo. Coisa que nunca vi com o Odair-medinho-fora-de-casa.
— NEGATIVO: Patrick não pode jogar de meia. É volante e olhe lá.
— POSITIVO: Dale.
— NEGATIVO: Lindoso jogando mais à frente: saiu-se mais ou menos.
— POSITIVO: Coudet, que boa leitura de jogo!
— NEGATIVO: Lomba quer ir pro banco?

Thiago Galhardo, excelente | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Bem, na terceira rodada do Costelão 2020, o Inter manteve 100% ao vencer o São Luiz por 4 x 3 em Ijuí. A atuação da defesa foi preocupante, parecem que sentem falta das retrancas no ano passado, em compensação, o ataque funciona maravilhosamente. Coudet terá que dar mais atenção ao pessoal de trás porque reina total confusão no quarteto Lomba (muito mal), Moledo, Cuesta e Musto. Lomba não saiu do gol no primeiro do São Luiz e Rodinei fez papel ridículo no terceiro.

Só que o ataque esmerilha, com Dale livre para criar, driblar e pifar.

Com o resultado, chegamos a nove pontos no campeonato, e lideramos o Grupo A empatados em pontos com o Ypiranga de Erechim, adversário na próxima rodada, mas à frente no saldo de gols. Neste jogo, mais uma vez fora de casa, claro, devem entrar os reservas porque temos a primeira partida da pré-Libertadores em Santiago do Chile na próxima terça-feira, às 19h15, contra a Universidade do Chile.

Os melhores lances começam aos 30 segundos do vídeo abaixo:

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Texto bom de guardar porque é bom (por Élvis Eliel, no Twitter)

Texto bom de guardar porque é bom (por Élvis Eliel, no Twitter)

Texto de Élvis Eliel (@ElvisEliel_)

Dois jogos e duas vitórias de Eduardo Coudet frente ao comando técnico do Internacional. Mesmo com escalações diferentes, a formatação tática foi idêntica em ambas as partidas. Já conseguiu entender como o argentino faz o seu time jogar? Se liga:

No papel, esse é o esquema. Rodrigo Lindoso como 1º volante, Edenílson e Patrick na segunda função e Johnny como meia armador. Mas isso, como eu disse, é no papel.

Na prática, Lindoso recua para a linha de zaga e se posiciona no centro. Johnny, que na teoria seria o meia, se apresenta antes de Ed e Patrick, na segunda linha. Saída de bola qualificada, muitos passes e rotação. E o mais importante: paciência para achar a melhor opção.

Essa função do Johnny ontem, foi do Nonato no 1º jogo. Box to box. Uma maneria inteligente de desestruturar a primeira linha de defesa adversária, abrindo espaço para os volantes/meias de lado infiltrarem. Assim, Edenílson marcou o primeiro gol da vitória sobre o Pelotas.

Importante ressaltar que a presença do 1º volante entre os zagueiros, além de qualificar a saída de bola, libera ambos os laterais. São duas opções a mais para os meias após o rompimentos da primeira linha de defesa.

Além dos 73,3% de posse de bola, o Inter trocou 660 passes. Mais do que qualquer partida de 2019. Resultado disso: 13 finalizações, sendo 9 no 2º tempo. Isso porque o adversário corre demais e, consequentemente, cansa. Além da pressão na saída de bola. Isso é marcar atacando.

Individualmente, D’alessandro fez chover com a liberdade de movimentação que a nova posição o proporciona. Sem correr atrás de lateral, sobra pulmão e talento.

Edenílson parece ter nascido para jogar nesse esquema. Entende a função e a executa perfeitamente. Que jogador!

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Bom dia, Coudet (com os lances de Inter 3 x 1 Pelotas)

Bom dia, Coudet (com os lances de Inter 3 x 1 Pelotas)

O Inter entrou com teu time deste inicio de trabalho: Rodinei e Moisés nas laterais, Johnny como um dos armadores, Dale na frente e, bem, Patrick. O esquema-base é o teu habitual: 4-1-3-2.

Desde o começo do jogo ficou claro que há muito a ser treinado. O time foi lento. Gostei das arrancadas de Rodinei, ele fez boas trocas de passes, mas errou todos os cruzamentos. Todos. Já Moisés foi melhor, se impôs mais, apesar de também ter errado bastante. Gosto dele desde a época do Botafogo e espero confirmar minhas impressões. Johnny foi muito discreto, só que é um garoto em dia de estreia.

No primeiro tempo, o goleiro do Pelotas não fez nenhuma defesa. A única bola chutada foi o gol de Edenílson após sensacional passe de Dale. Tivemos sempre a bola, mas nada de pressão ou agressividade. Um time lento, repito.

Edenílson recebendo o passe genial de D`Alessandro para marcar o primeiro gol | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Patrick foi Patrick, só ficou se enrolando e atrapalhando Moisés. Deve ser um bom sujeito, boa praça. O pessoa de lá gosta de ter ele por perto.

No segundo tempo, coisa foi igualzinha, até no aparecimento da genialidade de Dale, que marcou o segundo gol. De falta em falta sofrida por ele. Dependemos de um cara que fará 39 anos em 15 de abril. Se somos inteligentes em manter D`Alessandro, somos muito burros em não trabalhar um substituto.

Depois, sabem o que houve? Novamente Dale. Ele bateu um escanteio na cabeça de Guerrero para fazer 3 x 0. No final, o Pelotas descontou numa saída em falso de Lomba. Moisés, que é alto, também não pulou. Resultado: gol do Pelotas. Acabou 3 x 1.

Sempre, sempre Dale | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Tem gente falando em show do Inter. Não vi nada disso. Achei tudo muito normal, uma continuação melhorada do ano passado. Os laterais são superiores, mas a armação segue pouca e lenta. Johnny foi discreto; Patrick, confuso; Rodinei, estranho.

Bem, sigamos.

O compacto do jogo começa aos 30 segundos.

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3 horas com Fernanda Melchionna

3 horas com Fernanda Melchionna

Hoje aconteceu o que foi para mim uma reunião surpreendente. Fernanda Melchionna marcou comigo na Livraria Bamboletras para falar sobre política e, sei lá, sobre a vida. Ela é uma cliente nossa.

Fomos no bar em frente e conversamos por quase três horas sobre muitas coisas objetivas da política nacional e da cidade. As eleições municipais estiveram no nosso foco, óbvio. É claro que é impossível não se decepcionar com a ausência de prévias e a consequente impossibilidade de se montar uma frente de esquerda, daquelas com real mobilização. Pelo visto, vamos nos dispersar novamente.

Coloquei minhas opiniões, chutes de quem acompanha as coisas de longe, mas que acha que tem a noção clara da repetida burrice que está sendo cometida. Falamos também da loucura que acomete (permanentemente) elementos do Congresso.

A Fernanda é uma pessoa muito agradável, que fala e ouve. Sim, ouve. Mas eu sou daqueles que às vezes dá até mais importância ao discurso não falado. Sou o chato que nota as posturas e as mudanças no tom das vozes e desconfia, mesmo sem poder acusar, perguntando-se o motivo do súbito falsete… Então, o que quero comentar são coisas captadas por alguém que há 62 anos, sem querer, por defeito de fabricação, observa detalhes.

Ora, Fernanda é uma pessoa muito inteira. Para mim, “pessoa inteira” significa alguém centrado, mas não auto-centrado ou em faixa própria. Alguém que possui um conceito, uma essência que a apoia e que não se altera. Poderia seguir explicando, mas vou simplificar, o “inteiro” é o mesmo em qualquer circunstância, não diz uma coisa e faz outra. Eu vejo isso nela.

Mais? Ora, eu gosto de quem gosta de literatura. Ela é formada em biblioteconomia e lê muito. Mas não é a política que diz que lê apenas para agradar a um desimportante livreiro. Ela comenta o que anda lendo e até comprou 5 exemplares de um livro que gostara para dar a seus amigos. Conheço outra pessoa que também faz isso, compra de balde para dar de presente os livros que achou bons. Boa pessoa.

Por que escrevo isso? Um pouco por vaidade, para que vocês saibam que passei quase 3 horas com uma pessoa que é admirada por muita gente, um pouco pela mania de ficar anotando a vida e outro pouco para dizer que vou seguir votando na Fernanda, que não precisaria gastar 3 horas para que eu seguisse fazendo isso…

Obs.: É claro que eu deveria ter tirado uma foto, mas nunca lembro dessas modernagens. Então vão três fotos que encontrei no perfil do Face da Fernanda.

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Texto bom de guardar porque é bom (por Alexandre Perin, no Facebook)

Sobre a Copinha:

Um título justo, jogamos bem toda a competição, destaques individuais em vários setores (Mazetti, os 3 zagueiros, Murilo, Matheus Monteiro e Cesinha foram bem sempre, Guilherme Pato cresceu na reta final e obviamente Praxedes, um dos melhores jogadores do torneio).

Não acreditem em desinformados e mau intencionados dizendo que nosso time era mais velho. Nem que o Grêmio tem mais jogadores da idade máxima no profissional (5×3).

“Ainn na final o time podia ter vencido no tempo normal”. Claro que sim, mas pesou o nervosismo, cansaço (Inter mudou de sede 7x em 9 jogos, Grêmio por exemplo só mudou 3x) a ansiedade de querer resolver logo (chutes lotéricos qdo o óbvio era o passe), não aproveitamos decisões táticas ruins do treinador deles.

E outra coisa : o time deles é bom pra kct. Diego Rosa e Pedro Lucas tem muito futebol, o lateral direito q não jogou, Vanderson, tb é promissor. E o goleiro Adryel claramente é diferente, especial. Grêmio é referência hoje na base, precisamos seguir evoluindo para passar eles novamente.

FUTURO

Em 2018 a decisão de assinar com a Double Pass foi um acerto incrível e muito elogiado aqui por mim e outras pessoas. Inter usa base para formar um time e privilegia a técnica.
Joga com jogadores abaixo da idade e logo libera para o profissional.

No 0x5 pro Guarani gerou uma profunda reforma na base, especialmente pelos objetivos. Antes de sair, o antigo coordenador Diego Cabrera renovou com vários lixos por longo contratos, jogadores medíocres como Cazzetta e Zé Gabriel. Decisões “estranhas” sob influência divina e com apoio dos parças empresários.

Com a chegada do novo gerente geral da base, Erasmo Damiani, claramente o inço de funcionários, diretores profissionais vazou. Pra quem não sabe, o São José inteiro estava na base colorada. Era uma esculhambacao.

O treinador do Sub 20, Fábio Matias, semifinalista em 2018, saiu antes do fiasco justamente por não compactuar. Fez bela campanha no Figueirense e retornou agora para o time mostrando uma baita competência.

O futuro é promissor.

O próximo trabalho é acabar com o Sub23, usar no máximo 21 nos aspirantes e manter o processo de transição para o profissional.

O Celeiro de Ases não voltou a pleno, mas tá chegando…

Vamo Inter!

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Bom dia, Coudet (com os melhores lances de Ju 0 x 1 Inter)

Bom dia, Coudet (com os melhores lances de Ju 0 x 1 Inter)

Seja bem-vindo, meu caro Eduardo Coudet.

Sei bastante a teu respeito e saberei muito mais nas próximas semanas, mas ontem não pude ver o jogo. Fui ao show de Yamandu Costa no StudioClio e depois jantar com minha mulher e amigos, sempre de olho no placar de Caxias. Saiba, Coudet, que o show estava demais, com várias milongas e chamamés que não seriam estranhos a ti.

Já te digo que acho que o Campeonato Gaúcho deveria ser extinto, mas, enfim, é o que tens para tentar dar algum formato ao time.

Thiago Galhardo batendo o pênalti que deu a vitória ao Inter | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Fiquei sabendo que, pela primeira vez em um ano e meio, Sarrafiore permaneceu 90 minutos em campo. Também tivemos tempo completo para a estreia de um jogador da base, Pedro Henrique. E mais as boas novidades de Musto — boa saída de bola — , Marcos Guilherme e Thiago Galhardo. Decida se Sarrafiore merece sequência. Eu acho que merece, pois dizem que fez boa partida e ele jamais teve jogos consecutivos para ganhar algum entrosamento e forma técnica.

Quando vi que escalarias reservas, pensei logo num pequeno fiasco como o protagonizado pelo Grêmio no dia anterior, mas não foi assim — dizem que foi uma vitória merecida por um placar que poderia ser mais dilatado.

O jogo deve ter sido chato. Os melhores momentos demonstram isso. Porém, ouvi que todos se envolveram seriamente com a partida.

Assisti agora e gostei da tua entrevista após o jogo. Falas pouco, ainda mais se compararmos com o verborreia sem objetivo do desfalcado mental que treina o tradicional adversário. Ontem, ele falou anos sem ter o que dizer. Disse até que o Inter atrasava salários…

Boa sorte, Coudet! Fico feliz com tua chegada. Quanto ao resto vão tomar no Coudet vocês! No Clube do Povo, queremos um Coudet todos! E, sabemos que Coudet bêbado não tem dono.

Vamos aos melhores lances (eles começam aos 55 segundos do vídeo abaixo). Tem gente reclamando que estes melhores momentos estão uma porcaria. Perguntam onde está o lance em que o Sarrafiore perdeu gol na cara, cadê o do Thiago Galhardo sozinho que o goleiro defendeu e o segundo pênalti que Daronco não deu. Bem, vai ver que é um vídeo de segunda linha, de Gauchão mesmo.

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O Anjo do Avesso, de Marcos Vasconcelos

O Anjo do Avesso, de Marcos Vasconcelos

O anjo do avesso (120 páginas) é um bom livro de estreia do carioca Marcos Vasconcelos. O volume alterna contos e crônicas, apresentando rara coerência temática. É uma delícia de livro, daqueles para ser devorado em uma sentada (ou deitada), apesar dos temas. Minha preferência foram para os contos Chinoca, Uma dose de gim e O açougueiro. Sim, todos tratam da morte de diferentes modos. Chinoca é uma engraçadíssima história gauchesca — o autor tem alguma admiração por esta nossa unidade federativa periférica e defunta –, Uma dose trata da emigração e é efetivamente triste e bem contado, enquanto O açougueiro tem original e sanguinolenta poesia. Apenas um dos contos foi absolutamente incompreensível para mim, um desconhecedor de Harry Potter que boiou feio para depois imergir definitivamente em A morte de Lord Voldemort.

Se os três temas fundamentais da boa ficção são o amor, o silêncio de Deus e a morte, Marcos dedica-se aqui à morte. A própria epígrafe do livro já dá a letra:

Começando do fim
ao invés do começo
a Morte é um anjo
do avesso

Mas não pensem em uma atmosfera bergmaniana ou sufocante, e sim numa abordagem mais leve daquilo que seria a Indesejada das gentes.

Recomendo.

Marcos Vasconcelos em foto do Marquinhos, garçom do Tuim.

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Qual será a cara do Inter de Coudet?

Qual será a cara do Inter de Coudet?

Eu vi dois jogos do Racing de Coudet. Não dá para adotar aquilo rapidamente. Coudet é o anti-Odair. Joga no campo do adversário e tenta impedir que ele saia de lá. Ganharam do Boca em La Bombonera e era o Boca quem dava chutões. Todo mundo parecia ter 20 anos de idade no time do Racing. Muita movimentação. SE conseguir fazer logo algo semelhante, seremos indigestos para muito time aí.

SE…

A mudança de comando foi muito mais radical do que a maioria pensa. Só espero que os jogadores não se irritem com o novo técnico. Afinal, Papito era legal, Papito só fazia a gente jogar 1x por semana, Papito era fofito.

.oOo.

Jogadores da base que foram inscritos no Campeonato Gaúcho: Caio Vidal, Praxedes, Cesinha, Lucas Mazetti, Matheus Monteiro, Pedro Henrique e Tiago Barbosa.

O grande Natanael ganha 241 mil reais CLT. Tem mais 2 anos e meio de contato. E não foi inscrito. Que baita jogador! Zé Aldo também não foi. Coudet não gostou e tem os problemas extra-campo.

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“Vivemos numa sociedade prostrada perante os valores da juventude”

“Vivemos numa sociedade prostrada perante os valores da juventude”

“Envelhecer bem é trabalho para toda a vida” foi o tema do painel apresentado por Júlio Machado Vaz no Fórum Socialismo 2019. O médico psiquiatra abordou questões como a necessária transformação dos cuidados de saúde.

Do esquerda.net (Portugal)

“A palavra velhice reenvia-nos, queiramos ou não, para um estar. Para um ser. É algo, aliás, que está completamente burocratizado. Um dia acordamos, temos 65 anos e somos velhos oficialmente”, afirmou Júlio Machado Vaz no início da sua intervenção.

O médico psiquiatra fez referência ao relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) que “baseia as suas recomendações na análise das mais recentes evidências a respeito do processo de envelhecimento, e observa que muitas percepções e suposições comuns sobre as pessoas mais velhas são baseadas em estereótipos ultrapassados”.

“Como mostra a evidência, a perda das habilidades comumente associada ao envelhecimento na verdade está apenas vagamente relacionada com a idade cronológica das pessoas. Não existe um idoso ‘típico’. A diversidade das capacidades e necessidades de saúde dos adultos maiores não é aleatória, e sim advinda de eventos que ocorrem ao longo de todo o curso da vida e frequentemente são modificáveis, ressaltando a importância do enfoque de ciclo de vida para se entender o processo de envelhecimento”, lê-se no documento.

Sublinhando que existe “uma mania muito humana” de “cortarmos a vida às fatias”, o que nos dá uma falsa sensação de “segurança”, Júlio Machado Vaz lembrou que “os colegas da neurologia dizem-nos que a nível de desenvolvimento, a nível neuronal, por exemplo, estar a falar de um fim de adolescência antes dos 24 anos não faz sentido”.

A ideia de que a vida é um processo e de que a nossa capacidade física e psicológica está apenas vagamente relacionada com o passar dos anos esteve presente na sua intervenção.

Assumindo que a adoção de estilos de vida saudável aumenta a probabilidade de envelhecermos com mais qualidade de vida, o médico psiquiatra avançou que, a par da necessidade de os profissionais de saúde respeitarem a liberdade individual de cada pessoa, é necessário “evitar a armadilha” de considerar que estamos perante uma “questão meramente individual” e assumir uma “postura inquisitorial”, que se traduz numa “má prática clínica”.

“É ingênuo e insultuoso não levarmos em linha de conta as condições de vida, em sentido lato, das pessoas”, nomeadamente no que respeita às dificuldades econômicas de cada um, defendeu.

De acordo com Júlio Machado Vaz, é preciso transformar os sistemas de saúde: “Ao praticarmos uma medicina baseada no profissional de saúde e não no doente não valorizamos o que vem do outro lado”, sinalizou, avançando que, “se não existe essa articulação, perdemos a ‘eficácia’ da nossa atividade”, já para não falar na pedra basilar, que é o respeito pelo outro.

O profissional de saúde alertou que “não fazer bem sai mais caro” e que, muitas vezes, estamos a “valorizar a quantidade dos atos médicos e não a sua qualidade”, o que representa um “erro crasso em termos éticos, mas também em termos de rentabilidade”, já que a pessoa acaba por voltar aos serviços ou por sobrecarregar outras unidades de saúde.

No que respeita à Saúde Pública, Júlio Machado Vaz considera ainda que é fundamental ter sempre em conta a diversidade física e mental dos mais velhos e priorizar “uma abordagem integrada”, com a intervenção de várias profissões. Bem como é prioritário apostar na formação em gerontologia e geriatria e nos cuidados continuados e domiciliários. Outra questão levantada pelo psiquiatra diz respeito ao facto de, muitas vezes, os profissionais de saúde lidarem com a morte de uma forma impessoal e asséptica, não priorizando o bem-estar da pessoa e diminuindo a qualidade de vida de alguém ao tentar adiar a sua morte.

Durante a sua intervenção, Júlio Machado Vaz abordou ainda a questão da discriminação a que os mais idosos estão sujeitos: “Vivemos numa sociedade que vive totalmente prostrada perante os valores da juventude. Uma das consequências é que a mensagem que a mídia nos passa não é como envelhecer bem, é como fingir que não envelhecemos, o que tem toda a lógica numa sociedade capitalista de consumo”, frisou.

“A partir de certa altura, interiorizamos essa discriminação e já não precisamos de ser discriminados pelos outros. Temos polícias dentro de nós. E não há pior censura do que aquela que foi interiorizada, porque arrastamo-la por todo o lado”, acrescentou.

Júlio Machado Vaz apontou também a discriminação explícita no que respeita à sexualidade dos mais idosos: “Vivemos numa sociedade que decreta que é de mau gosto os mais velhos apaixonarem-se, namorarem, quererem sentir-se bem. De tal maneira que até o léxico é afetado”.

Também a forma como a sociedade lida com a tristeza gera preconceitos e más práticas clínicas: “Vivemos numa sociedade que tem uma tolerância baixíssima para os afetos desagradáveis. A tristeza é um afeto completamente normal. Confundir tristeza com depressões e encher as pessoas de drogas, bem como partir do princípio que uma pessoa mais velha está deprimida apenas porque é mais velha é péssimo na medicina”, destacou.

O médico psiquiatra ressaltou a importância da participação social, assinalando que, com a reforma, inúmeras vezes “descobrimos que temos poucos laços sociais, que não temos hobbies, não temos interesses e isso pode ser catastrófico, nomeadamente em termos psicológicos, o que está associado a determinadas patologias”.

Júlio Machado Vaz alertou que “os modelos antigos de cuidados informais são completamente impossíveis hoje em dia” e que é urgente garantir os direitos dos cuidadores.

A necessidade de assegurar uma supervisão governamental das medidas, mas com parcerias com as famílias e comunidades; de remover barreiras arquitetônicas e adaptar o planeamento urbano; de apostar na melhoria de salários e condições de trabalho; de implementar verdadeiras políticas de gênero; de apoiar iniciativas comunitárias; de garantir o direito à habitação e a proteção contra a pobreza também constam das prioridades enumeradas pelo psiquiatra.

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Não contem com o fim do livro, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière

Não contem com o fim do livro, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière

Este é um livro inacreditavelmente agradável, coloquial, fluido, sedutor, inteligente, perfeito. Trata-se de uma série de entrevistas realizadas por Jean-Philippe de Tonnac com o escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016) e o escritor, roteirista, diretor, ator e bibliófilo francês Jean-Claude Carrière (1931). O assunto é datado, afinal, em 2009, alguns pensavam que o livro poderia acabar, trocado pelo e-book, kindle, pdf, essas coisas. Nossa, como é bom ler duas inteligências, cultas e bem-humoradas conversando livremente, pois Tonnac apenas os provoca e eles vão adiante no melhor dos papos.

A conversa ultrapassa em muito a questão dos “e-books X livros físicos” para adentrar na própria história do livro em dezenas de deliciosas histórias e casos. Mesmo quando, na primeira parte, a dupla discute tecnologia, é muito interessante, pois eles falam da pouca durabilidade dos novos suportes.

Em suma, é um livro de surpreendente vivacidade que lida com o futuro da escrita e da leitura. Curiosamente, o destaque fica para a oralidade dos monstros Carrière e Eco. Ela é muito mais elegante do que muitos dos chamados textos “escritos”. Do papiro ao arquivo eletrônico, eles falam sobre a jornada de  5000 anos do livro. O título é um aviso e, como tal, devemos considerar esse texto como uma homenagem à cultura e ao espírito, um verdadeiro antídoto para o desencanto literário.

Os autores também falam da superioridade do livro sobre o computador, que depende da presença de eletricidade, não pode ser lida em uma banheira ou em vários outros locais. Acrescente-se que o computador também está sujeito a alterações na tecnologia que constantemente nos obrigam a atualizações, ou então a manter nossos dispositivos antigos sob pena de não poder mais ler a mídia na qual salvamos nossos dados. É o paradoxo dos supostos suportes “duráveis”, mas na realidade mais perecíveis que os impressos, uma vez que sua tecnologia não deixa de evoluir e se renovar. Bem, surpreendentemente ainda podemos ler um texto impresso há cinco séculos atrás…

É claro que esse é apenas um dos temas abordados pelos dois autores. Há longas digressões sobre a estupidez, a vaidade, a internet, a censura, a filtragem do tempo sobre as obras, a percepção do que nos é útil dentre as informações que recebemos, etc.

A parte que mais me interessou foi “Todos os livros que não lemos”. Nesta capítulo, eles abordam o tema das coleções de livros — ambos são respeitados bibliófilos e imensas bibliotecas –, da compra compulsiva, dos muitos livros que todos temos em nossas bibliotecas e que, é claro, jamais leremos.

Não posso resistir a copiar um trecho do livro:

À pessoa que entra na sua casa pela primeira vez, descobre sua imponente biblioteca e não acha nada melhor para lhe perguntar a não ser: “Você leu todos?”, conheço várias maneiras de responder. Um amigo respondia: “Mais, cavalheiro, muito mais”.

Quanto a mim, tenho duas respostas. A primeiro é: “Não. Esses livros são apenas os que devo ler semana que vem. Os que eu já li estão na universidade”. A segunda resposta é: “Não li nenhum desses livros. Senão, por que guardaria?”.

Recomento fortemente, especialmente para nós, os amantes de livros.

Ah, lembram daquela observação de Eco sobre a internet? Na verdade, ela é assim:

Podemos insistir nos progressos da cultura, que são manifestos e tocam categorias sociais que eram tradicionalmente excluídas deles. Mas ao mesmo tempo temos a desvantagem da burrice. Não é porque os camponeses de outrora se calavam que eram burros. Ser culto não significa necessariamente ser inteligente. Não. Mas hoje todas as pessoas querem se fazer ouvir e, fatalmente, em certos casos fazem ouvir apenas sua simples burrice. Então digamos que era uma burrice que antigamente não se expunha, não se dava a conhecer, ao passo que, em nossos dias, vitupera.

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Pelos 160 anos do nascimento de Tchékhov, transcorridos hoje

Pelos 160 anos do nascimento de Tchékhov, transcorridos hoje

Tchékhov viveu apenas quarenta e quatro anos, convivendo a metade deles com a tuberculose que o levou para o túmulo. Pois, durante este tempo, ele não apenas criou uma grande obra — vinte volumes de prosa mundialmente famosa –, como fez muito mais:

— Construiu quatro escolas em aldeias do interior, uma torre de sino, um galpão para bombeiros no campo e uma estrada, superando a resistência e fraudes dos administradores locais, além da indiferença dos camponeses.

— Ergueu um monumento de bronze dedicado a Pedro, o Grande, em Tangarog, onde nasceu. Convenceu o escultor Antokolsky a enviá-la de fora do país, onde se encontrava. Tchékhov organizou a entrega através do porto de Marselha.

— Fundou uma biblioteca pública em Taganrog, doando mais de dois mil livros próprios. Depois, por quatorze anos, atualizou a biblioteca do próprio bolso, comprando mais livros.

— A cada ano, como médico, atendeu gratuitamente mais de mil camponeses doentes, fornecendo remédios a eles também do próprio bolso.

— Durante uma epidemia de cólera, ele como médico, cuidou sozinho, sem assistentes, dos doentes de 25 aldeias.

— Fez uma viagem heroica até a Ilha de Sacalina. Sem ajudantes, fez um censo de toda a população da ilha e escreveu “A Ilha de Sacalina”, provando com números e fatos que aquele degredo era um “escárnio imprudente dos ricos sobre os pobres sem direitos”.

— Ajudou milhares de pessoas. O conteúdo de muitas cartas recebidas por ele e hoje catalogadas iniciam por: “Agradecimento pelo dinheiro recebido…”, “Agradecimento por interceder para que eu conseguisse um trabalho…”, “Gratidão por auxiliar no recebimento de meu passaporte…”, etc.

— Plantou cerca de mil árvores em áreas florestais devastadas. Foram bordos, cerejeiras, ulmeiros, pinheiros, carvalhos e larícios. Em um local de queimadas na Crimeia, plantou sedoso, palmeiras, ciprestes, cerejeiras, amoreiras, lilases, groselheiras, etc.

Num caderno, Tchékhov deixou as seguintes linhas: “Um muçulmano, para a salvar sua alma, cava um poço. Se cada um de nós deixar para trás uma escola, um poço ou algo assim, nossa vida não passará para a eternidade sem deixar traço”.

Leia também aqui.

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Anton Pavlovich Tchékhov (17 de janeiro de 1860 – 15 de julho de 1904) — escritor e dramaturgo russo.

(Traduzido do russo com uma PEQUENA ajuda de Elena Romanov)

Obs.: Elena avisa que, na Rússia, a data será comemorada em 29 de janeiro em razão da mudança para o calendário gregoriano.

Foto colorizada por Olga Shirnina, também conhecida como Klimbim.

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