Bamboletras recomenda Gerbase e os últimos Eliane Brum e Coetzee

Bamboletras recomenda Gerbase e os últimos Eliane Brum e Coetzee

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Nossas sugestões sempre trazem bons livros, mas raramente foram tão variadas. Um romance gaúcho que tende ao fantástico, um documento incontornável sobre a devastação amazônica e mais contos de Coetzee. Pô, tudo heterogêneo, tendo por ligação a alta qualidade!

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo, de Eliane Brum (Cia. das Letras, 448 páginas, R$ 69,90)

Eliane Brum mescla relato pessoal e investigação jornalística para escrever um livro de denúncia e em defesa da Amazônia, lugar que adotou como casa e de cuja luta pela sobrevivência participa ativamente. Escritora, jornalista e documentarista, Eliane Brum faz um mergulho profundo nas múltiplas realidades da maior floresta tropical do planeta. Com quase 35 anos de experiência como repórter, há mais de vinte ela percorre diferentes Amazônias. Em 2017, adotou a floresta como casa ao se mudar de São Paulo para Altamira, epicentro de destruição e uma das mais violentas cidades do Brasil desde que a hidrelétrica de Belo Monte foi implantada. A partir de rigorosa pesquisa, Brum denuncia a escalada de devastação que leva a floresta aceleradamente a um ponto de não retorno. E vai mais além ao refletir sobre o impacto das ações da minoria dominante que levaram o mundo ao colapso climático e à sexta extinção em massa de espécies. Neste percurso às vezes fascinante, às vezes aterrador, a autora cruza com vários seres da floresta e mostra como raça, classe e gênero estão implicados no destino da Amazônia e do planeta.

Contos Morais, de J. M. Coetzee (Cia. das Letras, 152 páginas, R$ 54,90)

Sete contos sobre o desejo. Ou sobre como lidamos com o desejo dentro dos limites da nossa cultura. Nesta surpreendente incursão pela forma breve, o prêmio Nobel J. M. Coetzee nos apresenta um conjunto de narrativas de brilho perturbador. Num dos textos, uma mulher se sente diariamente ameaçada por um cão. Em outro, uma escritora só encontra conforto ao cuidar de gatos abandonados. O título Contos morais poderia remeter a um diálogo com uma convenção da fábula clássica: o uso de bichos em histórias que enfatizam aspectos virtuosos da conduta humana. Como se trata de J. M. Coetzee, no entanto, nada é previsível. Para quem conhece a obra deste autor, a um só tempo fácil e difícil, moderna e pós-moderna, não é surpresa que a ideia de moralidade seja subvertida por uma ironia constante, feita de contradições presentes inclusive no estilo da escrita. Assim, se a linguagem é transparente e direta, a complexidade das ideias que expressa gera um curto-circuito nas certezas de quem lê. Os contos aqui não oferecem nenhuma lição. Das contradições entre natureza e cultura, Coetzee faz uma obra sobre todos nós.

O Caderno dos Sonhos de Hugo Drummond, de Carlos Gerbase (Diadorim, 136 páginas, R$ 49,00)

Neste romance de Gerbase, Hugo, um jovem cineasta do interior do Rio Grande do Sul, há pouco premiado em importante festival na França, vem a Porto Alegre para apresentar o projeto de seu novo longa-metragem num encontro internacional de produtores. O evento acontece num prédio que, cem anos atrás, foi o hotel mais luxuoso da cidade. Desde sua chegada, Hugo é envolvido por uma atmosfera surreal e conhece personagens tão solícitos quanto estranhos: uma recepcionista que parece ter saído de um filme de espionagem dos anos 1960, um produtor cinematográfico, que muda de aparência de acordo com o restaurante que frequenta, e sua bela e misteriosa secretária. Por três dias, Hugo tenta seguir a programação do encontro, mas uma série de eventos bizarros, acompanhados de sonhos perturbadores, levam-no a questionar o que pretende filmar no futuro e que destino dar à própria vida.

Eliane Brum entrevistando na Amazônia

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

E Tenório leva o Jabuti

E Tenório leva o Jabuti

Soube agora que Jeferson Tenório recebeu o Jabuti de melhor romance por esta verdadeira obra-prima que é O Avesso da Pele. Muito, mas muito merecido!

Parabéns ao Jeferson, que é um amigo e cliente da Livraria Bamboletras! Te mete!

Fico imensamente feliz pelo prêmio e também pelo que eu disse a ele em nosso penúltimo encontro. Estou acertando.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bamboletras recomenda Lula, Tobias e Confinada

Bamboletras recomenda Lula, Tobias e Confinada

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Três livros brasileiros de primeira linha!

A biografia de Lula — que não é dirigida exclusivamente a fãs e eleitores do ex-presidente –, um livro de contos do excelente Tobias Carvalho e o fenômeno Confinada, obra brasileira teve a maior pré-venda de todos os tempos no país. Puxa, são 3 grandes razões para vocês nos visitarem, nos ligarem, nos mandarem um Whats, entrarem no nosso site…

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Lula — Biografia (Volume 1), de Fernando Morais (Cia. das Letras, 416 páginas, R$ 74,90)

A primeira – e aguardada – biografia de vulto de Luiz Inácio Lula da Silva. Para além de juízos ou paixões, Lula está entre as maiores figuras políticas da história brasileira. Único presidente do país com origens operárias, e campo magnético de um partido profundamente original em suas raízes, exerceu seu poder carismático e sua influência de modo mais duradouro que qualquer outro homem público no período republicano, salvo talvez Getúlio Vargas – com quem também compartilha a virulência dos adversários. Desde 2011, Fernando Morais ganhou acesso direto, franco e frequente a Lula. A essas dezenas de horas de depoimentos, somou o faro de repórter e a prosa cativante para compor projeto biográfico que traz um painel do personagem em toda sua grandeza e complexidade. Em narrativa que faz uso de recuos e avanços cronológicos para manter um ritmo eletrizante, neste primeiro volume Morais vai da infância de Lula até a anulação de suas condenações, em 2021 – passando pelo novo sindicalismo, as greves do ABC, a fundação do PT e a primeira campanha eleitoral.

Visão Noturna, de Tobias Carvalho (Todavia, 112 páginas, R$ 54,90)

Um quarteto de contos que transitam entre o terror e o drama familiar, a investigação científica e o suspense. Qual é a diferença entre sonho e memória, vigília e imaginação? Tobias Carvalho transforma essas perguntas em um campo de muitas possibilidades. Estas quatro histórias ao mesmo tempo sutis e vertiginosas falam do efeito dos sonhos na vida de quatro pessoas. São personagens que encontram nos sonhos um caminho para os labirintos da memória e para as promessas do futuro, para seus dilemas e desejos. Visão Noturna é um livro incomum, menos interessado no que significam os sonhos do que em como eles se entrelaçam à vida de todos, conduzindo e impelindo narrativas, ora mostrando-se sem nada ocultar, ora mantendo-se obscuros.

Confinada, de Leandro Assis e Triscila Oliveira (Todavia, 128 páginas, R$ 74,90)

Fran é uma influenciadora com milhões de seguidores. Sua vida diante da câmera é uma sucessão de frases de efeito, dicas de saúde e cenários paradisíacos. Para ela, a pandemia de Covid-19 é uma oportunidade de “fazer um balanço”, “buscar novos desafios” e “crescer”. Das três trabalhadoras domésticas que são funcionárias de Fran, apenas Ju, que é mãe da Drica e gosta de tirar fotos em seu tempo livre, aceita passar a quarentena com ela — as outras são mandadas para casa com metade do salário. Em nome do sustento da família, Ju inicia uma dura convivência com Fran, que se revela mais alienada, e sobretudo cruel, do que ela poderia supor. A partir da postura crítica de Ju e de seu olhar incisivo para as desigualdades que compõem a sociedade brasileira, Confinada vai escancarar as bases dessa crueldade. Na relação entre Ju e Fran, revela-se, a cada episódio, o racismo e o ódio de classe, bem como os interesses econômicos que alimentam a injustiça e os privilégios da branquitude. Combinando crítica social, humor e drama, e trazendo para o centro a vida real de milhões de pessoas, Confinada é um marco dos quadrinhos e um retrato único da pandemia e do Brasil.

Fernando Morais

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Sobre a Amazon

Sobre a Amazon

Por Nanni Rios

Em primeiro lugar, o que importa é ler, mas para tanto é importante manter a cadeia do livro ativa. Esta cadeia envolve um monte de profissionais que têm de ser pagos. São capistas, diagramadores, autores, tradutores, revisores, editores, etc. Ou seja, há muita gente envolvida e cada um deles recebe uma remuneração. Em geral, a remuneração é justa. Afinal, é um sistema que está profissionalizado.

No momento em que a gente compra na Amazon, está alimentando uma empresa que não paga impostos aqui. Ou seja, o dinheiro que a gente paga para a Amazon jamais reverterá em ganhos para o país e a cidade, jamais tapará o buraco da tua rua, não comprará vacinas nem escolas. Deste modo, o dinheiro que vc põe na Amazon não retorna para vc. Ele vai todo para a Lua… Ou para o Bezos.

Para o Bezos mesmo!, gerando uma acumulação indecente de riqueza. Comprar na Amazon é exatamente o contrário da distribuição de renda.

E os trabalhadores da Amazon? Vocês viram o filme Você não estava lá, de Ken Loach? É a história de um entregador da Amazon, com tudo o que ele(s) sofre(m). São jornadas exaustivas para gerar mais dinheiro para o Bezos. O filme é muito triste. O cara não tem vida, não tem tempo para nada e a vida familiar é uma treta só. É uma exploração, sem direitos trabalhistas ou dignidade. Comprar na Amazon é financiar isto.

Mas, como se não bastasse, a empresa tem o objetivo explícito de quebrar a concorrência em volta dela para que ela possa ditar o preço. É estratégia. Então, à medida em que as livrarias pequenas perdem vendas para a Amazon, a sociedade perde, assim como a bibliodiversidade. E a Amazon tem como estratégia quebrar todos estes pequenos locais — que proporcionam encontros só possíveis nelas — para que ela possa, no futuro, ditar as regras.

E mais: ela já exerce enorme pressão sobre as editoras. Ou seja, sobre a cadeia do livro e todos os envolvidos no processo. Para muitas editoras, a Amazon já é o principal canal de vendas e então ela já pode impor a condição que quiser. Ela pede o desconto que quiser, paga quando quiser e muitas vezes tem exclusividade na venda.

Esses pontos são apenas o começo da tragédia que a Amazon representa. É demoníaco.

Porém, ela não pode fazer o que faz no Brasil em todos países do mundo. Países mais avançados têm regulação financeira. Há países que não permitem o dumping, que é vender abaixo do preço de custo para provocar a quebra da concorrência. Em vários países, isto é crime contra o sistema financeiro. Na França, por exemplo, a Amazon não pode dar mais de 10% de desconto num livro até 12 meses após seu lançamento.

Eu pago meus impostos
Você paga seus impostos
Nós pagamos nossos impostos
A Amazon paga zero!

Pela #JustiçaFiscal
Tributar os ultra-ricos e as multinacionais

 

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Thomas Bernhard — no livro Origem, no capítulo A Causa

Thomas Bernhard — no livro Origem, no capítulo A Causa

Assim como no período nacional-socialista a maioria dos alunos era versada em nacional-socialismo, agora era escolada pelos pais no catolicismo; quanto a mim, eu não era uma coisa nem outra, já que os avós junto dos quais cresci nunca, jamais foram acometidos por nenhuma dessas duas doenças intrinsecamente malignas. Alertado com frequência por meu avô para que não me deixasse de forma alguma impressionar nem por uma estupidez (a nacional-socialista) nem por outra (a católica), nunca corri sequer o risco de incorrer numa tal fraqueza de caráter e de espírito, nem na nacional-socialista, nem na católica, ainda que isso fosse dificílimo na atmosfera tão corroída e envenenada por ambas como a de Salzburgo.

A bela Salzburgo

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bamboletras recomenda uma obra-prima, um Faraco e um suspense

Bamboletras recomenda uma obra-prima, um Faraco e um suspense

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Quem leu Hífen sabe. É uma obra-prima da portuguesa Patrícia Portela.  Merece ser lido e relido. Mas esta semana temos também um livro de crônicas de Sergio Faraco e o premiado romance de estreia da excelente Ottessa Moshfegh, de quem já tivemos outros livros na Bamboletras.

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Hífen, de Patrícia Portela (Dublinense, 256 páginas, R$ 59,90)

Uma obra-prima, não deixamos por menos. Hífen é um romance muito conectado com o que vivemos agora. É sobre uma epidemia, sobre maternidade, sobre deportados, sobre tecnologia. É também uma distopia, mas não é aquela distopia que desconsidera aspectos psicológicos e humanos para se apoiar apenas em tecnologia, autoridade e opressão. Não, é uma distopia a ser espreitada aos poucos, através dos depoimentos pessoais de suas narradoras e, mesmo que uma delas seja uma androide, tudo está encharcado em humanidade. Acontece que as crianças da Flândia, naquela idade em que recém foram alfabetizadas, entre os 8 e os 12 anos, começam súbita e estranhamente a dormir. Todas elas caem numa espécie de coma, como o descrito nesta notícia real, só que as de Flândia… A princípio, o formato fragmentário esconde a seriedade do romance. São reflexões sobre o mundo e divagações aparentemente casuais mas que acabam por revelar uma, duas ou três histórias trágicas. A certa altura, a androide Maria do Carmo escreve que “… uma história linear é apenas um tabefe muito eficaz num mar de possibilidades que cada segundo de uma vida orgânica pode oferecer”.

As Noivas Fantasmas e outros casos, de Sergio Faraco (L&PM, 176 páginas, R$ 45,90)

Faraco prescinde apresentações, correto? Nestas 46 crônicas inéditas, ele nos oferece um vislumbre de sua vida, sua percepção de mundo, seus temas preferidos e também suas obsessões. Da vez em que assistiu Marlene Dietrich cantar ao vivo em Moscou à história da invenção do futebol, passando por cenas do convívio com escritores e intelectuais como Mario Quintana e Erico Verissimo, somos brindados com textos que oscilam entre o pessoal e o universal, entre o corriqueiro e o grandioso da existência humana. Em comum, o estilo lapidar e o deleite garantidos ao leitor. Faraco já é um clássico moderno. Se você não leu seus contos, por favor, corrija isso porque você está perdendo muito.

Meu nome era Eileen, de Ottessa Moshfegh (Todavia, 272 páginas, R$ 69,90)

Cidadezinha X, Nova Inglaterra, EUA, meados dos anos 1960. Ali cresceu Eileen, a neurótica e imaginativa personagem deste livro. Cinquenta anos depois, ela narra os traumas e as paixões de uma juventude tão implacável quanto sufocante, marcada por uma série de eventos que beiram o disparate. Os dias de Eileen nesse gélido subúrbio do nordeste americano ficaram para trás, mas constituem a espinha dorsal de sua existência. Pontuado por um humor sinistro, Meu nome era Eileen é um romance inusitado da mesma autora de Meu Ano de Descanso e Relaxamento. Ottessa Moshfegh levou o Prémio PEN/Hemingway para melhor romance de estreia com este livro que utiliza as estratégias narrativas próprias do “thriller” para dar a conhecer uma invulgar rapariga, cuja história individual é indissociável das características familiares e sociais, ambas hostis às ideias de emancipação feminina.

Patrícia Portela

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Posso ser esnobe? Ai, não sei se a Clara tem razão…

Posso ser esnobe? Ai, não sei se a Clara tem razão…

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A entrevista que fiz com Patrícia Portela durante a Feira do Livro 2021

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Hífen, de Patrícia Portela

Hífen, de Patrícia Portela

Eu gostei muitíssimo deste livro recém lançado pela Dublinense e que está disponível na melhor das livrarias, a Bamboletras.

Hífen é um romance muito conectado com o que vivemos agora. É sobre uma epidemia, sobre maternidade, sobre deportados, sobre tecnologia. É também uma distopia, mas não é aquela distopia que desconsidera aspectos psicológicos e humanos para se apoiar apenas em tecnologia, autoridade e opressão. Não, é uma distopia a ser espreitada aos poucos, através dos depoimentos pessoais de suas narradoras e, mesmo que uma delas seja uma androide, tudo está encharcado em humanidade.

De um modo geral, há quatro classes de capítulos. Os escritos por Ofélia, uma mãe imigrante numa Europa que não tem espaço para ela; os por Maria do Carmo, uma enfermeira androide que deseja ser imperfeita e humana; e há também as notícias de jornal e as receitas gastronômicas.

A ação se passa em Flândia, uma espécie de sucedâneo da Europa. Seus habitantes são os flans, pessoas que sofrem de solidão crônica, usam óculos (como eu) e são daltônicos (como eu). A região ”não é bem um país, nem um Estado, e seu prato mais tradicional é o Pudim Flan”. Fora de Flândia há outro país muito mais pobre, Olival, cujos habitantes querem entrar em Flan e que às vezes são deportados.

Acontece que as crianças da Flândia, naquela idade em que recém foram alfabetizadas, entre os 8 e os 12 anos, começam súbita e estranhamente a dormir. Todas elas caem numa espécie de coma, como o descrito nesta notícia real, só que as de Flândia caem num sono sem fim.

A princípio, o formato fragmentário esconde a seriedade do romance. São reflexões sobre o mundo e divagações aparentemente casuais mas que acabam por revelar uma, duas ou três histórias trágicas. A certa altura, a androide Maria do Carmo escreve que “… uma história linear é apenas um tabefe muito eficaz num mar de possibilidades que cada segundo de uma vida orgânica pode oferecer”.

A principal personagem humana chama-se Ofélia, mãe de uma menina identificada como Z. A outra é Maria do Carmo, a androide que deseja ser humana e até a escrever manualmente. É um livro triste que não aponta saídas — não é para isso que os romances existem, certo? –, mas não é catastrófico. É antes de tudo poético. Os textos de Ofélia para sua filha são belíssimos, assim como os de Maria do Carmo sobre o humano.

E o hífen? O hífen é uma conexão. O que junta duas coisas para muitas vezes formarem não uma soma, mas outra coisa. Como um guarda-chuva, um arco-íris, a boa-fé, uma segunda-feira, uma mesa-redonda. Pode ser como uma flor que é comida por um animal que depois morre e se desintegra para deixar germinar a semente que carrega em outro lugar. Pode ser a conexão entre leitor e autor. Como escreve Ofélia: “Ler é o hífen entre o leitor e o autor, o que nos permite compreender o que estamos a ler. Entre a novidade que lemos e o que já sabemos”.

RECOMENDO MUITO.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Dias úteis, de Patrícia Portela

Dias úteis, de Patrícia Portela

— Pai, quando é que tudo melhora?
— Quando te habituares a isto, filho.
Patrícia Portela, Dias Úteis (segunda-feira)

Dias úteis é um pequeno livro formado por um prefácio e seis contos, um para cada dia da semana, e mais um epitáfio para o domingo. Não há continuidade entre eles, são mais monólogos onde o poético, o lírico e o humor estão bem presentes. É excelente e intrigante. A escrita ou os temas abordados não parecem possuir um plano, são mais improvisações sem um tema-base, como o free jazz. A ideologia artística de Portela parece ser a de deixar-se assombrar-se com o que aparece de surpresa, com aquilo que se deixa mostrar sob os bons modos e a compostura, com a intimidade mais minudente. Adorei a terça-feira, onde uma mulher diz precisar de férias e passa a planejá-las. Ela primeiro fala em um fim de semana fora de casa e depois passa a fazer planos que incluem cada vez mais dias e viagens mais longas — chegando a algo como um “paroxismo” de férias, independência e liberdade.  Ela planeja uma mudança de vida em outro continente, aprendendo outras línguas. Tudo acaba na China. mas ela logo volta à razão (ou ao comum) e acaba desistindo de tudo. O final é muito engraçado. O altamente poético sábado, chamado aqui “Porque hoje é sábado” talvez seja o melhor conto do livro. Ele fala da memória que temos da pessoa amada que morreu — “a memória é um inimigo poderoso, mantém o cérebro a funcionar contra a sua vontade.”

Curiosamente, temos muito Brasil neste livro. Além do “Porque hoje é sábado” — título arrancado a Dia da Criação, de Vinícius de Moraes –, há epígrafes de Drummond, João Gilberto Noll, Machado de Assis, Adélia Prado, de uma carta de Erico Verissimo para Clarice Lispector, e ainda cita o Carnaval do Rio no prefácio que estabelece um jogo sem regras que pode ser recebido diferentemente por cada leitor.

Foto: publico.pt

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bamboletras recomenda duas geniais mulheres negras e um mestre

Bamboletras recomenda duas geniais mulheres negras e um mestre

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Nesta semana, estamos felizes de recomendar livros tão bons e relevantes. Não é todo dia que a gente pode reunir Alice Walker, Elisa Lucinda e Thomas Bernhard na mesma recomendação. Confira abaixo nossas justificativas!

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Em busca dos jardins de nossas mães, de Alice Walker (Bazar do Tempo, 376 páginas, R$ 69,90)

Primeira mulher afro-americana a receber o Pulitzer de ficção, Alice Walker também foi pioneira ao tratar de vários temas da cultura negra dos Estados Unidos. Ainda nos anos 1970, abordou pela primeira vez questões raciais como o colorismo, e passou a defender um ponto de vista mulherista, termo reivindicado pelo feminismo negro para expressar as particularidades de suas lutas. Filha de trabalhadores rurais, Alice Walker experimentou a violência da segregação racial e as dificuldades de ser uma mulher negra no Sul do país, contexto que incorporou em seu romance A cor púrpura e que está presente em vários ensaios deste livro. Entre perspectivas pessoais e políticas, a autora nos convida a acompanhá-la na busca da própria identidade e das referências afro-americanas, muitas delas apagadas pela história. Seguindo-a nesse caminho, nos deparamos com Zora Neale Hurston, Martin Luther King, Phillis Weathley, e chegamos ao jardim de uma casa modesta na Geórgia. Lá, em meio a uma rotina sem descanso, sua mãe encontrou a porção diária de vida cultivando dedicadamente suas flores -– e Alice Walker, o sentido desse legado materno.

.oOo.

Mestres Antigos, de Thomas Bernhard (Cia. das Letras, 184 páginas, R$ 64,90)

Podemos dizer que há algo de errado em quem não conhece Thomas Bernhard, autor de diversas obras-primas… Vejam só este Mestres Antigos. Por mais de trinta anos, Reger, um crítico musical octogenário, sentou-se no mesmo banco diante da pintura Homem de barba branca, de Tintoretto, no Museu de História da Arte de Viena. Ali ele reflete, dia sim, dia não, sobre a sociedade contemporânea, seus pares, a arte e os artistas, sobre o clima e até o estado dos banheiros públicos. O amigo Atzbacher, um filósofo bem mais jovem, é convocado a encontrá-lo no museu num sábado, dia sempre evitado pelo crítico. É através do seu olhar que passamos a conhecer mais sobre Reger – a morte trágica de sua mulher, seus temidos pensamentos suicidas, a relação difícil com seu país e, por fim, qual o verdadeiro propósito daquele encontro. Tão pessimista como exuberante, rancoroso e ao mesmo tempo hilário – no melhor estilo de Thomas Bernhard –, o romance é composto de um único parágrafo que se estende por 182 páginas e remonta uma série de conversas entre os dois amigos. Mestres Antigos foi publicado originalmente em 1985 e é um retrato satírico da cultura e da nação austríaca, discutindo questões como genialidade, classe e as aspirações da humanidade.

.oOo.

Vozes Guardadas, de Elisa Lucinda (Record, 518 páginas, R$ 69,90)

Após a notável participação de Lucinda nos Diálogos Contemporâneos na última quarta-feira, escolhemos lembrar deste tremendo livro de 2016. Com a delicadeza, a sensualidade, a inteligência e o humor que marcam a sua criação artística, os versos deste Vozes guardadas revelam amores contidos e outros obscenos, num mundo vasto de espantos, lágrimas, risos e paixões. Ao entregar ao público mais uma leva das “multidões de vozes” que a habitam, a poeta se despede dessas vozes guardadas para dividi-las com todos, fazendo delas nossas próprias vozes. Penetrar no universo dos poemas de Elisa Lucinda exige estancar o tempo e a correria da vida: um delicioso e irrecusável convite.

Homem com Barba Branca (circa 1570), de Tintoretto (Jacopo Robusti)

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A Coleção Privada de Acácio Nobre, de Patrícia Portela

A Coleção Privada de Acácio Nobre, de Patrícia Portela

Este é um romance nada convencional. É para quem gosta de vanguarda. A história parte de um baú encontrado pela autora na casa de seus avós. Dentro dele, ela encontra o espólio de um certo Acácio Nobre, já falecido. Ali estão objetos, correspondências, desenhos e documentos do mesmo. Acácio Nobre é uma figura que existiu, mas da qual não se encontram os rastros… O Google, por exemplo, o desconhece. Mas ele foi conhecido de importantes figuras de sua época, além de inventor e visionário. Imagina-se que ele teria nascido em 1868 e vivido até 1969. O livro é o conjunto, um a um, dos itens encontrados no baú, ou seja, é uma colagem do que foi sua vida. Em minha opinião, ele é uma realidade ficcional, mas nada disso interessa.

Acácio tinha a convicção de que as obras de arte deveriam permanecer anônimas, para poderem sobreviver ao artista e isto contribuiu para a quase inexistente documentação sobre ele. “Quero estar morto quando estiver morto! Que viva por si só a obra! A verdadeira imortalidade só se atinge quando nos apagamos definitivamente deste mundo”. Claro que ele não gostava de ser fotografado, embora o boato de ter sido registrado por Man Ray.

Por mais de 25 anos, desenhou puzzles geométricos para a Richter & Co. Uma de suas principais criações foi o Ovo de Colombo, que se desfazia em muitas peças e com as quais era possível montar um enorme número de imagens de aves. Também por suas estranhas ideias, foi investigado pela PIDE, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado, espécie de DOPS da ditadura portuguesa. No relatório da PIDE, que aparece no livro, é definido como um “louco, desenhista, alpinista e monge tibetano”. Não havia registros de sua identidade ou nascimento. Por todas essas características, ele tinha um potencial subversivo e perigoso e, mesmo que se desconhecessem ações concretas neste sentido, a PIDE estava de olho.

Além disso, ele adorava escrever cartas para políticos e importantes personalidades a fim de  solicitar auxílio na implementação de uma unidade do Instituto Fröbel em Portugal. A ideia do instituto era a de desenvolver o raciocínio lógico e a capacidade de desenhar, coisas que Acácio considerava imprescindíveis para todos os indivíduos. Sim, ele estava numa cruzada de alfabetização gráfica.

Dos seus contemporâneos, Patrícia traz um possível encontro com Fernando Pessoa (1888-1935) no café A Brazileira, ponto de encontro dos modernistas portugueses. Enquanto Patrícia nos entrega Acácio peça por peça, vamos fazendo nossa própria montagem do personagem. Ele, Acácio, fala em Pessoa, mas também em Lorca, Picasso, Maiakovski, Malevich, Marinetti…

Também afirma que sempre viaja sem mala porque nunca usa nada duas vezes, mantendo uma constante necessidade do novo e por isso troca de nome, de realidade, mundo, vida, linguagem, cultura. “A soma das partes não dá uma só pessoa”.

O livro é acompanhado de inúmeros fac-símiles de textos de Acácio, assim como de seus projetos. Eu imagino que apenas uma escritora transdisciplinar pudesse escrever / montar um livro como este. É o que Patrícia é. Seu currículo é impressionante e este sim pode ser conferido no Google. Ela é licenciada em realização plástica do espetáculo e leciona dramaturgia, entre outras mil coisas. “A soma das partes não dá uma só pessoa”.

Recomendo.

 

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Porque era ela, porque sou eu

Porque era ela, porque sou eu

Encontrei a Clara Corleone sábado, na Feira do Livro. Ela estava com o meu livro na mão e pediu um autógrafo. Lembrei da dedicatória que ela me escrevera em seu livro anterior e busquei no cérebro algo de qualidade semelhante — isto é, de alta qualidade — enquanto conversava com ela e sua irmã Joana Alencastro. Elas são duas agitadas beldades, para usar um termo antiquado, mas evidentemente real.

De meu combalido cérebro não chegou nada de bom. Mas ouvi que eu era um dos poucos héteros brancos da minha geração com o qual valia a pena conversar. Ou não foi isso que ouvi?

O fato é que, se este branco hétero fosse um sujeito decente, deveria ter comprado o último livro da Clara e feito com que ela o assinasse de volta. Mas fiquei ali, de papo, lembrando que ela, falando sobre seu novo romance num encontro casual na Fernandes Vieira, tinha me dito que ficara com receio de alguma confusão de direito autoral que envolvesse Chico Buarque. Afinal Porque era ela, porque era eu é uma canção de Chico. Só que alguém lhe assoprou que a expressão viera de Montaigne.

Chegando em casa, pesquisei e mandei um Whats pra ela:

‘Porque era ele, porque era eu’: foi assim que Montaigne explicou as razões de sua amizade com Étienne de La Boétie. A explicação de uma amizade, no fundo, envolve a recusa de qualquer explicação, né? Estaríamos no campo da pura afinidade eletiva, ou melhor, da paixão, do amor.

Logo depois que mandei, fiquei pensando que fizera um típico mansplaining e já fui ficando puto comigo e com minha geração que NÃO APRENDE a não dizer obviedades para as mulheres. Sim, acho que tenho medo da nova geração de feministas. Mas, agora que soube que sou um velhinho hétero branco até que aceitável, tô de boas.

E comecei a ler o livro dela. Calma, tô só na página 33, mas gostando muito.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A Bamboletras recomenda três ótimos livros muito diferentes entre si

A Bamboletras recomenda três ótimos livros muito diferentes entre si

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Sim, muito diferentes entre si. E ótimos! O livro de Clara Corleone é uma espécie de Sex and the City melhorado, atualizado e acontecendo no Bom Fim e Cidade Baixa. O de Felitti é a biografia de Elke Maravilha, livro que tem surpreendido e encantado seus primeiros leitores aqui na Bamboletras. E o do chileno Zambra é uma importante obra latino-americana, um livro que vai ficar. Quem viu Zambra no Fronteiras do Pensamento, sabe do que ele é capaz.

Boa semana e boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Porque era ela, porque era eu, de Clara Corleone (L&PM, 168 páginas, R$ 39,90)

Após o excelente livro de crônicas O homem infelizmente tem que acabar, Clara Corleone reaparece com um seu primeiro romance. Em Porque era ela, porque era eu, a autora aborda as relações amorosas-sexuais do século XXI, com homens e mulheres ora buscando novas formas de estar junto, ora reencenando antigos papéis. O belo título do livro nos remete primeiro a Chico Buarque e depois a Montaigne, verdadeiro autor da frase. “Porque era ele, porque era eu”, foi assim que Montaigne explicou as razões de sua amizade com Étienne de La Boétie. A explicação de uma amizade, no fundo, envolve a recusa de qualquer explicação. Estaríamos no campo da pura afinidade eletiva, ou melhor, da paixão, do amor. E Clara, num estilo arejado, com diálogos certeiros e instigantes, celebra a amizade entre mulheres e o poder de se reinventar. Um romance pulsante e grudante.

.oOo.

Elke – Mulher Maravilha, de Chico Felitti (Todavia, 200 páginas, R$ 69,90)

Elke Grünupp nasceu na Alemanha em 1945. Tinha quatro anos ao desembarcar no Brasil, onde sua família se fixou no interior de Minas Gerais, para depois morar em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Altíssima e loira, ela destoava esplendorosamente das belezas locais. Elke começou vencendo muito jovem um concurso de misses em Belo Horizonte — de onde saiu para as passarelas das capitais da moda. A carreira meteórica de modelo, condimentada pela irreverência teatral com que vestia as peças de alta-costura, abriu-lhe as portas da TV, que acabava de ganhar cores. Trabalhou como atriz e jurada nos programas do Chacrinha e de Silvio Santos, tornando-se muito famosa. Mas até agora só dissemos coisas pouco importantes. Elke foi dionisíaca e livre como os personagens que encarnou. Estudou medicina, filosofia e letras. Nos anos 1970, revoltada com a ditadura militar, chegou a ser presa por rasgar um cartaz com fotos de procurados pelo regime. Colecionou casamentos e namoros nem sempre felizes, como a união com um fã que não tardou a se revelar violento. Este perfil biográfico reúne a agilidade da reportagem e a argúcia do ensaio para retratar a santa padroeira da alegria na TV nacional e musa eterna do glamour para seus admiradores.

.oOo.

Poeta Chileno, de Alejandro Zambra (Cia. das Letras, 432 páginas, R$ 74,90)

Verdadeira declaração de amor à poesia e aos poetas e retorno de Alejandro Zambra ao romance, Poeta chileno é uma história encantadora sobre família, literatura e paternidade. O protagonista deste romance, Gonzalo, é um aspirante a poeta e padrasto de Vicente, um menino viciado em comida de gatos, que mais tarde vai se recusar a ir à faculdade porque seu sonho é seguir os passos do pai postiço e se tornar também poeta — apesar dos conselhos de sua mãe Carla, e de seu pai, León, um tipo duvidoso. O poderoso mito da poesia chilena – “somos bicampeões na Copa do Mundo de poesia”, diz um personagem, referindo-se aos Nobel conquistados por Mistral e Neruda – é revisitado por Zambra, um dos principais narradores do continente. O livro é sobre poesia, é sobre poetas que desprezam o romance, é sobre a América Latina, é sobre os labirintos da masculinidade contemporânea (as recalcitrantes, as novas, as que estão em transição), é sobre os trágicos vaivéns do amor, é sobre famílias modernas e fragmentadas, é sobre o desejo de pertencimento e, sobretudo, é sobre o sentido de ler e escrever no mundo atual.

Clara Corleone em um de seus tradicionais saraus no Von Teese Bar | Foto: Carolina Disegna

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Os livros mais vendidos na Bamboletras em outubro

E começamos novembro a todo vapor! Mas, antes, segue a habitual e célebre lista dos mais vendidos da Bamboletras! Em outubro, os autores locais seguiram em destaque, representando o estado melhor do que ele merece… E há também outros ótimos livros nacionais e internacionais. Olha só:

1. Mas em que mundo tu vive?, de José Falero (Todavia)
2. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
3. Os Anos de Chumbo e Outros Contos, de Chico Buarque (Companhia das Letras)
4. Abra e leia, de Milton Ribeiro (Zouk)
5. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia)
6. O Lugar, de Annie Ernaux (Fosfóro)
7. Meia Siza, de Marieta dos Santos da Silveira (Pradense)
8. O Mapeador de Ausências, de Mia Couto (Companhia das Letras)
9. Escaler, de Paulo César Teixeira (Ballejo)
10. Duas Formações, Uma História: Das ideias fora do lugar ao perspectivismo ameríndio, de Luís Augusto Fischer (Arquipélago)

Sim, muitas novidades na lista, né? Vem conferir!

📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A Bamboletras recomenda o último livro de Chico Buarque, o de Juremir e o de Mairal

A Bamboletras recomenda o último livro de Chico Buarque, o de Juremir e o de Mairal

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Acabamos de receber Anos de Chumbo, último romance de Chico Buarque, assim como também Memória no Esquecimento, romance de Juremir Machado da Silva, e Salvatierra, de Pedro Mairal. Talvez seja desnecessário apresentar estes 3 grandes autores de nuestro continente, mas, abaixo, deixamos algumas palavras sobre os livros.

Boa semana e boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 14h às 19h.
🚴🏾 Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Anos de Chumbo e Outros Contos, de Chico Buarque (Cia. das Letras, 168 páginas, R$ 59,90)

Após o excelente Essa Gente, Chico Buarque retorna com seu primeiro livro de contos. O Chico que emerge de deste livro imperdível é um autor amargurado, surrealista, irônico e perplexo diante deste país aflitivo. Uma jovem e seu tio. Um grande artista sabotado. Um desatino familiar, uma moradora de rua solitária, um passeio por Copacabana, um fã fervoroso de Clarice Lispector, um casal em sua primeira viagem, um lar em guerra. Imersos na atmosfera da ficção de Chico Buarque, caracterizada pela agudeza da observação e a oposição entre o lírico e o cômico, os oito contos que formam este volume conduzem o leitor pela sordidez e o patético da condição humana. Com alusões ocasionais à nossa presente barbárie, o autor ergue um labirinto de surpresas. Um livro arrebatador.

.oOo.

Memória no Esquecimento, de Juremir Machado da Silva (Sulina, 310 páginas, R$ 54,90)

Nesse romance, Juremir Machado da Silva mergulha nas vacilantes memórias de seu protagonista. Em tempos nos quais o Alzheimer é tema cotidiano e atinge cada vez mais pessoas, tais situações, que criam dramas familiares e paixões que resistem ao desgaste, acabam por vencer o esquecimento. A narrativa é construída com detalhes ora poéticos, ora realistas, testemunhos de sutilezas do cotidiano de uma pessoa fragilizada. Fala também de vivências comuns, como o andar de bicicleta até perder o fôlego, o amor de um cachorro de estimação adotado quando filhote, os mistérios familiares e as ilusões que carregamos ao longo da vida. Impossível não querer descobrir as peças do quebra-cabeças desta história – assim como não se pegar pensando sobre o conjunto de suas próprias lembranças, identificando as paredes do próprio castelo.

.oOo.

Salvatierra, de Pedro Mairal (Todavia, 112 páginas, R$ 54,90)

Um novo livro do autor de A Uruguaia e Uma Noite com Sabrina Love! Novo? Publicado originalmente em 2008, Salvatierra é um dos romances mais admirados do argentino Pedro Mairal. Juan Salvatierra, um pintor mudo, humilde e autodidata, deixa aos filhos uma misteriosa obra de arte como herança: um imenso mural que ocupa quase quatro quilômetros de rolos de tecido, produzido em segredo até o dia de sua morte. Miguel, o filho mais novo, é o principal encarregado de tomar algumas providências em relação à inusitada obra: resgatá-la do armazém onde estava guardada (ou abandonada) e providenciar sua transferência para um museu holandês. Começa então o trabalho de decifrar a obra. Com precisão, sobriedade e lirismo, o autor explora sutilmente as ligações entre o passado e o presente, entre pais e filhos e entre vida e arte. Uma narrativa evocativa, cheia de ressonâncias, sobre a verdadeira aventura que envolve o acesso ao mais íntimo daqueles que nos são próximos.

Acho que todos conhecem esse cara, não?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Que pessoa de bom gosto é a Morgana Machado… Leiam o que ela escreveu sobre meu livrinho.

Que pessoa de bom gosto é a Morgana Machado… Leiam o que ela escreveu sobre meu livrinho.

Milton, finalizei teu livro hoje.

Não sou analista criteriosa de escrita, narração e de todo o blá blá blá literário. Minha área é outra. Eu só leio. Minha opinião se sujeita ao gostar ou não gostar. Como já feito por alguns amigos teus, gostaria de poder tecer maiores análises para te passar, porém não é minha praia e acho prudente respeitar meus limites.

Posso te dizer que gostei! Gostei muito. Que alegria te conhecer e ter tido a oportunidade de ler teu primeiro livro. Tenho dificuldade com contos, são poucos os livros de contos que li, acabo sendo mais adepta aos romances, questão de gosto. Mas roubando uma frase de um amigo teu “o livro vai num crescendo” e isso nos prende querendo logo ler a próxima narrativa. Eu li parecendo que estava lendo um romance, mesmo sabendo que as histórias não se relacionavam.

Parabéns Milton. Peço gentilmente que providencie o próximo para que eu possa me exibir para os meus amigos dizendo: “Eu conheço esse escritor, ele é da Bamboletras, conheço desde o início da sua obra”.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Minha sessão de autógrafos na Feira do Livro será no dia 30, às 19h

Minha sessão de autógrafos na Feira do Livro será no dia 30, às 19h

Ai… É com imenso receio e dor no coração que lhes aviso que estarei autografando meu livro “Abra e Leia” na Feira do Livro 2021. Será no dia 30 de outubro, sábado, às 19h, na Praça de Autógrafos.

Acho que vou contratar 4 pessoas para ficarem formando uma fila falsa, circular. Eu prometo fazer uma anotação no início de cada conto. Como são 22, darei 88 autógrafos.

(Quem leu o livro, deve lembrar do começo de “Os Velhinhos”. Por que fui escrever aquilo?).

Bem, gente, é isso. NÃO ME DEIXEM SÓ! Por favor, leve sua solidariedade! É bonito e digno. Eu juro que não vou escrever gratiluz na dedicatória, tá?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Gustavo Melo Czekster sobre Abra e Leia

Gustavo Melo Czekster sobre Abra e Leia

Não faz muito tempo li um comentário que alguém escreveu sobre o livro Abra e leia, do Milton Ribeiro, dizendo que, por conhecer e apreciar o autor, tinha receio de se decepcionar com o livro. De certa forma, era o mesmo que eu sentia e, agora que li a obra, posso garantir a vocês, potenciais leitores, que não, não há nenhum risco disso acontecer. Pelo contrário, aliás: a admiração de vocês pelo Milton só tende a crescer. Quer dizer que o cara, além de entender de música, ter uma livraria, fazer ótimas resenhas e ser colorado, ainda é escritor? Mas quantas vezes ele entrou na fila de distribuição de benesses e qualidades? Precisa de uma CPI isso aí, hein.

Abra e leia foi uma leitura que comecei um pouco receoso, mas que logo foi se tornando prazerosa e, com o passar do tempo, até esqueci que era o Milton quem tinha escrito o livro. Só lembrava disso às vezes, quando o Milton aparecia dentro das histórias quase como um fantasma assombrando suas criações. É um livro que faz algo inédito nos tempos atuais: ele conta histórias. Sejam insólitas, trágicas ou cômicas, os contos de Abra e leia resgatam aquele prazer quase indescritível que é ler uma história bem escrita e bem contada, do tipo que parece estar se desenrolando diante dos nossos olhos e que estamos testemunhando acontecer. Em suma, uma maravilha de leitura. E, se alguns contos parecem acabar de uma maneira abrupta ou sem nenhum tipo de epifania, é por que a vida também acontece assim: cheia de cortes, de questões não respondidas, de finais que a gente não sabe se existem mesmo ou se só inventamos para não pensar mais naquilo.

Um detalhe de ritmo que o Milton tirou da música e trouxe para o livro: ele vai em um crescendo. Começa com boas histórias que, aos poucos, vão cativando a atenção, e a consistência narrativa vai se aprofundando cada vez mais até chegar em uma sequência final de contos realmente extraordinários. Melhor ir lendo aos poucos para ter essa impressão de arrebatamento, que eu nem consegui ver quando começa de verdade (sinal de que foi bem feita a escolha da ordem dos contos), mas, em geral, uma seleção de contos vai alternando maus, bons e ótimos momentos, algo que não acontece em Abra e leia, em que aquilo que era bom no início fica excepcional no final.

Entre os contos, gostei muito da praticidade filosófica e engraçada presente em Luciana e o hedonismo, do insólito em Os velhinhos, da situação quase kafkiana em Enquanto os psicanalistas se divertem, da maravilhosa construção de personagem em O Violista (muito leria um romance inteiro com esse personagem, um Sancho Pança sem Quixote), da estranheza que chamamos de vida em As afinidades ininteligíveis – quem nunca se perguntou “como foi que já gostei dessa pessoa no passado?” -, da insuspeitada força de Abra e leia, que tem um final extremamente vigoroso, e da tragédia que vira comédia em Anita e Belle, que me fez dar uma gargalhada tão alta que possivelmente acordei meus vizinhos nessa última madrugada.

Eu sei que muitas pessoas hoje consideram a literatura como um exercício sociológico, outros tentam mudar o mundo através dos seus livros, tem aqueles que desejam expressar sua visão pessoal ou filosofias particulares usando uma moldura ficcional, e está tudo bem querer isso, cada um com a sua literatura. Eu, contudo, como sou um leitor antiquado, do tipo que gosta de ler boas histórias, daquelas que me enganem muito bem e me façam acreditar piamente no que foi narrado, posso garantir que gostei muito de Abra e leia, tanto que agora farei ao Milton a pergunta temida por qualquer escritor: tá, e daí, quando vem o próximo?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A Morgana Machado quer acabar comigo

A Morgana Machado quer acabar comigo

Sim, a Morgana Machado quer acabar comigo. Assim, de repente, me manda uma página do meu livro com uma anotação.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!