Eu vou ter uma convulsão com este Ministro da Saúde

Eu vou ter uma convulsão com este Ministro da Saúde

Antes de tudo, um detalhe: o maior doador individual da campanha do atual Ministro da Saúde para deputado, em 2014, Elon Gomes de Almeida, é sócio do grupo Aliança, uma administradora de planos de saúde.

Ricardo Barros

Pois bem, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, o atual Ministro da Saúde, o famigerado Ricardo Barros (PP-PR) revelou com toda a clareza o projeto político do governo de Michel Temer com relação à Saúde, explicitando que “o país precisa rever o direito universal à saúde”, e que “quanto mais gente puder ter plano, melhor”.

Barros afirmou que pretende criar uma equipe para rever protocolos da área e descobrir se há fraudes na aplicação dos recursos. Ele defendeu, no entanto, que “quanto mais gente puder ter planos de saúde, melhor porque vai ter atendimento patrocinado por eles mesmos, o que alivia o custo do Governo em sustentar essa questão“. Ora, então para que pagamos o SUS? Para usá-lo somente para receber uma merreca de aposentadoria? Qual é a razão deste duplo pagamento? É a mesma questão na educação. Pagamos impostos, mas, se queremos uma educação melhor para nossos filhos, pagamos também colégios particulares. E o que é o estado mínimo? Não é aquele que garante, saúde, educação e segurança? Pois não chegamos ainda lá.

(O país tem 2 milhões de profissionais e trabalhadores do SUS, parte dos quais constituem as 40 mil equipes de Saúde da Família, com cerca de 265 mil Agentes Comunitários de Saúde, milhares de estudantes de cursos de graduação e pós-graduação na área de saúde, milhares de gestores que atuam em mais de cinco mil municípios desse imenso país, lutando para garantir o acesso universal a serviços de saúde. A Constituição Federal de 1988 consagrou “Saúde como Direito de Todos e Dever do Estado” e instituiu o SUS como Sistema de Saúde Pública universal e equitativo, tentando inscrever o Brasil no rol dos países civilizados).

Arthur Chioro, que dirigia o Ministério da Saúde até antes da última reforma ministerial de Dilma, afirmava constantemente que faltavam recursos e que era necessário que houvesse outras fontes para suprir o sistema, com a provável volta da CPMF. Cortes, entretanto, nunca fizeram parte dos planos. O país gasta aproximadamente 7% de suas Receitas Correntes Brutas com o sistema. Para o Movimento Saúde Mais Dez, que reúne mais de cem entidades do setor, seria necessário elevar esse valor para 10%.

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A mesa ao lado pergunta: por que os pais dos alunos não reformam os colégios públicos do RS?

A mesa ao lado pergunta: por que os pais dos alunos não reformam os colégios públicos do RS?

Hoje, ao meio-dia, a mesa de direitistas do Tuim estava impossível. Primeiro. o quarteto afirmou que Temer estaria sendo boicotado pela mídia (?). Depois, decidiram que os pais dos alunos deveriam reformar as salas destroçadas dos colégios públicos gaúchos. Não chega a ser um absurdo, mas ninguém considerou que tais pais — da parcela mais pobre da população — têm enooooooorme tempo livre e, cada um deles, complicadas lutas de subsistência pela frente. Ah, ninguém explicou se o estado daria o material para as reformas… Possivelmente não, pois um deles, absolutamente encantado com a ideia, falou em colocar uma placa na entrada com o nome de todos os pais que reconstruíram o colégio. Também não falaram na segurança e na garantia de um serviço que não seria o mais profissional do planeta.

E depois querem que a gente volte do almoço tranquilo e bem humorado. Pergunto, pode-se dizer que isso seja um descanso? Melhor mergulhar numa leitura qualquer e esquecer do mundo ao redor. Ele pode ser horrível.

Abaixo, fotos de Carlos Latuff tiradas hoje pela manhã no Colégio Paula Soares, em pleno centro de Porto Alegre. Imagina como estão as da periferia.

Paula Soares 1

Paula Soares 2

Paula Soares 4

Paula Soares 3

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Momento Bolsonaro: Este é um país que vai pra frente / Eu te amo, meu Brasil

Momento Bolsonaro: Este é um país que vai pra frente / Eu te amo, meu Brasil

os-incriveis-compacto-eu-te-amo-meu-brasil-14328-MLB4006299838_032013-FO primeiro vídeo é uma propaganda cívica da época da ditadura militar, desencavada pelo meu amigo Fernando Guimarães. Passava na TV a cada intervalo comercial e todos a conheciam de cor. Coloquei-a ontem no Facebook e um bando de gente veio dizer que lembrava da letra… “Este é um país que vai pra frente, Ô Ô Ô… De uma gente amiga e tão contente Ô Ô Ô… Este é um país que vai pra frente / De um povo unido de grande valor / É um país que canta, trabalha e se agigante / É o Brasil de nosso amor”. É inesquecível para quem tinha via televisão na época. Que morte horrível.

O segundo vídeo é mais longo e entrava só pelo rádio, acho. Ouvíamos a toda hora “Eu te amo, meu Brasil” com Dom e Ravel (primeira versão) e depois com Os Incríveis que, aparentemente, quiseram gravá-la. Como a primeira, é uma marchinha. Fez enorme sucesso, embora jamais tocasse em minha casa, é claro. Era uma “arte” paralela incentivada pelo governo numa época de ouro de nossa MPB. Enquanto algumas rádios tocavam Chico, Tom, Caetano, Milton, etc., outras, mais populares batiam no civismo, e na promoção do amor ao país. Enquanto isso, havia o bipartidarismo que deu origem ao atual PMDB e a tortura grassava..

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Antecipamos a foto oficial do presidente Temer

Antecipamos a foto oficial do presidente Temer

Lasciate ogni speranza voi che entrate.

“Deixai qualquer esperança, vós que entrais”. Este famoso verso se encontra na porta de entrada para o Inferno, a primeira parte de A Divina Comédia, de Dante.

temer não

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Maquiavel já sabia

Maquiavel já sabia

Maquiavel ensina que o pior tipo de principado é o herdado porque o príncipe não teve qualidades pessoais para conquistar o poder. Ele lhe caiu nas mãos e seu reinado será marcado pela instabilidade, já que diante da crise o príncipe não saberá como agir, pois não foi preparado para isso.

Retrato de Niccolo Machiavelli (1469-1527), historiador, escritor, dramaturgo, político e filósofo italiano. Óleo de Santi di Tito (1536-1606), Florença, Palazzo Vecchio Or Palazzo Della Signoria
Retrato de Niccolo Machiavelli (1469-1527), historiador, escritor, dramaturgo, político e filósofo italiano. Óleo de Santi di Tito (1536-1606), Florença, Palazzo Vecchio Or Palazzo Della Signoria

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O golpe está dado, resta-nos a reação

O golpe está dado, resta-nos a reação

O golpe está dado. Vivemos numa republiqueta latino-americana onde um gangster, Eduardo Cunha, aglutina interesses da Fiesp, bancos privados, empreiteiras, EUA, multinacionais do petróleo, fundamentalistas evangélicos, etc. — todos auxiliados por uma imprensa que os governos petistas só fizeram adubar — e faz cair um governo. E não pensem que morro de amores por Dilma.

As forças econômicas atuam à revelia da democracia e da sociedade. Alguns ridicularizaram Paraguai e Honduras. Hoje, somos iguais. O desfecho da história está decidido há meses. O que nos resta agora é a luta diária em todos os espaços.

Espero que o governo Temer não tenha paz, pois se tiver, meu amigo, prepare-se. A insegurança jurídica já está aí, tendo em vista a posição facciosa das instituições que deveriam zelar pela ordem democrática. Haverá forte tentativa de retrocesso social.

Mais: o governo Temer procurará reduzir em muito os direitos sociais e trabalhistas conquistados em lutas de várias décadas. Infelizmente, prevejo greves, perdas, instabilidade e violência.

E, mesmo com a notória exceção dos EUA, o mundo já nos trata como merecemos: como um paisinho instável  de segunda classe. Com nosso Congresso BBB (Bala, Boi, e Bíblia), votado por uma maioria inteiramente apolítica, é o que somos mesmo.

As especulações sobre os futuros Ministérios são de arrepiar. Vai dar até para esquecer Katia Abreu na Agricultura, que será substituída por Blairo Maggi, o Rei da Soja… O nível é rasante, cheio de velhos conhecidos nossos.

Hoje não é dia do enterro do PT, é o dia do enterro de 24 anos de estabilidade de um discutido presidencialismo de coalizão. Por ironia, esse período teve um impeachment em seu início e terá outro em seu final.

Os próximos dois anos podres, violentos e, fundamentalmente, necessários apenas para que permaneçamos como nação periférica e desigual.

Uma pena.

michel-temer

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Ao comentar o golpe no Paraguai, em 2012, Galeano descreveu o golpe no Brasil

Ao comentar o golpe no Paraguai, em 2012, Galeano descreveu o golpe no Brasil

Faltando poucas horas para a deposição de Dilma pelo Senado, vale recordar as palavras do já falecido Eduardo Galeano registradas em 2012. Ao tratar do golpe realizado no Paraguai, o intelectual fez ponderações dignas de um exímio observador político e que se aplicam perfeitamente ao atual quadro brasileiro. Os processos são idênticos, assim como as forças que os regem. Seria o Brasil capaz de trilhar outro destino, ou se trata de uma luta perdida contra poderes inabaláveis?

Eduardo Galeano, teria muito a ensinar sobre o golpe em curso no Brasil
Eduardo Galeano, teria muito a ensinar sobre o golpe em curso no Brasil

Do Pragmatismo Político

Neste momento é bom recordar uma entrevista de Eduardo Galeano, do ano de 2012, para a revista La Garganta.

Ao tratar dos golpes realizados no Paraguai e em Honduras, quando os presidentes Fernando Lugo e Manuel Zelaya foram depostos, o falecido escritor fez ponderações dignas de um exímio observador político e que se aplicam perfeitamente ao atual panorama brasileiro. Os processos são muito semelhantes, assim com as forças que os regem.

Neste contexto, considerando que Dilma ainda terá 180 dias para se defender e tentar voltar à Presidência, cabe a reflexão: seria uma Brasil capaz de trilhar outro destino, ou se trata de uma luta perdida contra poderes inabaláveis?

Relembre as palavras de Eduardo Galeano:

Historicamente, o Paraguai foi arrasado por crimes de independência por ser o único país de fato livre, de fato independente, que não nasceu da dívida externa como nasceram outros países da América Latina.

Paraguai tinha uma organização interna do trabalho e dos direitos dos trabalhadores, que era inviável para o resto dos latino-americanos.

No Paraguai, não havia fome, nem analfabetismo e o que havia era um sentido de dignidade nacional. Depois da derrota, quando a Tríplice Aliança arrasou o país, perderam isso. Os poucos sobreviventes do extermínio do Paraguai receberam o país mais heroico de todos. E os invasores desenvolveram uma enorme dívida com os banqueiros que financiaram o extermínio.

O golpe que acontece agora [2012] no Paraguai ocorre porque houve um governo que quis recuperar essa tradição de dignidade, que como dissemos, não estava morta.

Então Fernando Lugo [presidente deposto] tentou, muito timidamente, iniciar algumas tímidas mudanças para que o Paraguai voltasse a ser o país mais independente, mais justo, e isso foi um pecado imperdoável, do ponto de vista dos donos do poder.

Simplesmente ocorre algo similar cada vez que há tentativas de mudar as coisas, porque isso se vive como uma ameaça sob o enfoque dos donos da ordem estabelecida, que não querem que nada mude.

Eles vêem como um perigo, uma ameaça, ainda que na realidade não fosse um perigo grave, porque nem em Honduras, nem no Paraguai havia presidentes envolvidos em revoluções muito profundas.

Apenas anunciaram que começavam a fazer, ou que tinham a intenção de fazer alguma reforma. Se isso bastou para derrubá-los, o que quer dizer é que é um veto, que suponho que vem de cima, que está para além dos governos, ou que há quem governe esses governos, governados do exterior e de cima.

Os golpes vão se incubando aos poucos e com o apoio dos meios dominantes de comunicação.

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Em nova humilhação aos cientistas brasileiros, Ciência e Tecnologia irá para um Bispo da Universal

Em nova humilhação aos cientistas brasileiros, Ciência e Tecnologia irá para um Bispo da Universal

Marcos Pereira PRB

O homem que está com o microfone na mão na foto acima chama-se Marcos Pereira. É presidente nacional do PRB, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e será o ministro de Ciência e Tecnologia do governo Michel Temer / Eduardo Cunha. A pasta parece ser uma permanente humilhação aos cientistas brasileiros. Há sete meses, Dilma entregou o Ministério da Ciência e Tecnologia a Celso Pansera, do PMDB fluminense. O deputado entendia pouco da área, mas tinha um restaurante chamado Barganha.

Agora, Temer ofereceu a pasta da ciência a um bispo da Igreja Universal, que prega o ensino do criacionismo e nega a teoria da evolução. O objetivo do vice é garantir o apoio da igreja e de seu partido, que tem 22 deputados e um senador. O PRB era aliado de Dilma, mas mudou de lado às vésperas do impeachment. É novíssima República Teocrática do Brasil, gente!

Ao ser perguntado sobre o que ele achava da Teoria do Evolucionismo, o futuro Ministro respondeu:

— Eu respeito.

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Um Congresso que soma ignorância e analfabetismo político

Um Congresso que soma ignorância e analfabetismo político

O que vimos ontem foi simplesmente a Democracia Brasileira atuar. Não foi um atentado à democracia porque aqueles caras ali foram colocados lá por nosso povo ignorante. No espetáculo deprimente e despudorado de ontem à noite, ficou claro como este Congresso eleito caga para a sociedade. Era todo mundo pensando apenas em si, num nível impar de vulgaridade e deselegância. O que era aquele “Tchau, querida”? Lá no Congresso, não chegou o feminismo e nem nada que seja moderno, com raras e honrosas exceções.

Impeachment 6

Há anos eu digo que o maior e mais nefasto dos movimentos sociais é o das igrejas neopentecostais. Acostumadas à corrupção de pastores hábeis em extirpar dinheiro da ignorância, tendo o conservadorismo e o (falso) moralismo no DNA e adubadas pelos governos — inclusive por este — vão levar esse país a um retrocesso abissal. Pobre Brasil, na mão desses caras.

Um país que não educa acaba somando ignorância a analfabetismo político, como bem disse Jean Wyllys. Infelizmente, o Congresso é a nossa cara. A cara de um país de baixo nível educacional. E estamos entregando o país a uma quadrilha chefiada pelo pilantra Eduardo Cunha. Qual é a primeira coisa que deve ser destruída pelo novo governo? Teus direitos trabalhistas, meu amigo. Sim, estes mesmo que foram conquistados palmo a palmo durante anos.

Alguém fez uma busca no registro escrito da sessão da Câmara dos Deputados de ontem, levando em consideração apenas as falas durante a votação. Foram encontrados os seguintes termos:

Deus: 61 citações
Família: 307 citações
Crime de responsabilidade: 29 citações
Pedaladas: 6 citações
Lei de Responsabilidade Fiscal: 1 ocorrência

Pois é. É hora de respirar, tentar manter a calma e pensar em como ir organizadamente para a rua, pois o Congresso está dominado por um bando de hipócritas que só falam em Deus e na família. E não pensem que amo o Governo Dilma, por favor.

Um belo e novo junho para todos!

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Eduardo Cunha, desde 1991 esperando ser preso

Eduardo Cunha, desde 1991 esperando ser preso

Eduardo Cunha

Em 1991, Cunha foi nomeado por Collor para presidir a Telerj

Em 1992, Cunha foi acusado de superfaturamento na Telerj e contratou servidores sem concurso.

Em 1993, Cunha foi acusado de participação no Esquema PC.

Em 1999, Cunha foi demitido da Companhia Estadual de Habitação por fraudes em licitações.

Em 2001, Cunha foi investigado pela Receita por movimentações incompatíveis com sua renda.

Em 2007, Cunha esteve ligado em negócios suspeitos da Furnas Centrais Elétricas com o grupo Gallway, sediado em um paraíso fiscal.

Em 2015, Cunha é acusado de receber propina na Lava Jato e tem contas secretas na Suíça descobertas.

Em 2016, foi envolvido no escândalo mundial dos Panamá Papers.

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Por que o PSOL vota contra o impeachment (desenhado e em texto)

Por que o PSOL vota contra o impeachment (desenhado e em texto)

giphy

Nota do partido:

Neste domingo (17), os seis deputados do PSOL – Ivan Valente, Chico Alencar, Jean Wyllys, Glauber Braga, Luiza Erundina e Edmilson Rodrigues – votarão contra a abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O PSOL é e sempre foi de oposição, à esquerda, aos governos petistas – desde Lula, passando pelo primeiro e chegando a este segundo mandato da presidenta Dilma. O PSOL surgiu majoritariamente de um racha do próprio PT, durante a votação contra a Reforma da Previdência, em 2003, proposta pelo governo. Lançou candidatos contra as chapas petistas nas eleições de 2006, 2010 e em 2014 e não participou das coligações que elegeram a base parlamentar deste governo.

Os deputados do PSOL votaram apenas 47% das vezes junto com o governo Dilma, enquanto, por exemplo, Paulo Maluf (PP/SP) tem “taxa de governismo” de 80% e Jovair Arantes (PTB/GO), o mesmo que relatou a favor da cassação do mandato de Dilma, de 79% – esses números são do “Basômetro”, feito pelo Estadão Dados, que você pode acessar clicando aqui.

Nossos seis deputados votam na maioria das vezes contra o governo porque o PSOL e a sua bancada na Câmara consideram este governo politicamente indefensável. A aplicação de um duro ajuste fiscal nas costas dos trabalhadores, assumindo as pautas da direita derrotada, é inaceitável. A manutenção desse projeto econômico e de uma base política fundamentada em alianças com partidos dos mais tradicionais excluem qualquer possibilidade deste governo fazer uma política genuína para os trabalhadores e o povo pobre.

Como já dito, o PSOL não tem cargos no governo federal, não irá indicar ministros e não tem interesse em participar das negociatas de emendas parlamentares em troca de votos contra o impeachment. Condenamos essa prática, princípio de diversas práticas corruptas – contra as quais lutamos diariamente.

Leia mais: PSOL vota contra parecer na Comissão Especial do impeachment

Nosso voto será por convicção de que, da forma como está sendo conduzido o impeachment, ele se configura como um golpe institucional, injusto não só contra o governo, mas contra a população do país. O processo tem vícios de origem e pouca ou nenhuma consistência jurídica, além de significar um retrocesso político.

Pedaladas fiscais

Dilma não está sendo julgada por corrupção ou pelos erros de seu governo. Está sendo julgada por ter praticado as chamadas “pedaladas fiscais”, decretos de suplementação orçamentária que adiaram pagamentos a bancos públicos e privados. A argumentação dos advogados que protocolaram o pedido que vem sendo julgado alega que “as manobras fiscais criaram um ambiente ilusório que favoreceu a presidente na sua reeleição”.

Em primeiro lugar, “pedaladas fiscais” não caracterizam crime de responsabilidade – necessidade primeira para destituir um presidente eleito. A insuficiência jurídica aumenta quando o pedido é feito apenas para Dilma, como se seu vice, Michel Temer, não tivesse se “beneficiado” juntamente à presidenta.

A bancada do PSOL apresentou, na comissão do impeachment, um voto em separado argumentando sobre isso. Você pode ler a cobertura aqui e ver a íntegra do voto do PSOL aqui.

Condução

O segundo ponto é a própria condução do processo. Se há um setor da política brasileira sem legitimidade para tirar uma presidenta, em especial quando não há crime de responsabilidade e sobre a qual não pesam denúncias diretas de corrupção, é um Congresso dirigido por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos do PMDB.

Cunha faz do impeachment a sua vingança contra quem não quis defendê-lo das diversas denúncias de corrupção que pesam contra si. O presidente da Câmara dos Deputados deve, antes de tudo, explicações sobre suas contas secretas na Suíça, sobre os documentos dos “Panama Papers” que o colocam como dono de empresas offshores usadas para lavar dinheiro oriundo de corrupção e sobre as denúncias provenientes de pelo menos sete delações premiadas, no âmbito da Operação Lava-Jato, que o citam como beneficiário direto do escândalo da Petrobras.

Antes de tudo, para o PSOL, Cunha deve se retirar (ou ser retirado pela Justiça) do comando da maior casa legislativa do país. Um processo tão grave para o país como um impeachment não pode ser conduzido por um político como este.

Articulação golpista e midiática

Em si, impeachment não é golpe. É um instrumento de nossa Constituição. Porém, juntando os elementos já elencados acima (a falta de consistência jurídica, ausência de crime e condução vingativa de Cunha) com a grande articulação de acordos escusos que vem sendo construída para o pós-impeachment, ele se torna um processo de golpe institucional.

Os grandes operadores deste processo, além de Cunha, são a alta plumagem tucana, com Aécio Neves e José Serra à frente; Paulinho da Força (SD/SP) e a grande barca dos que esperam se safar das acusações de corrupção que se amontoam; e Michel Temer, o vice-presidente que espera ser o grande representante da tão falada “união nacional” em um suposto novo e ilegítimo governo – com mais ajuste fiscal, menos direitos trabalhistas e, especialmente, um grande acordão para silenciar os escândalos. Todos os citados acima, frise-se, têm grandes problemas com a Justiça.

Essa forte articulação tem como principal aliada a mídia brasileira, que, junto aos setores financeiros, abandonou a máscara da imparcialidade para se tornar porta-voz da campanha pelo impeachment.

Não é por ser de oposição que o PSOL se somará a este grupo e a essa articulação. Nossa construção política tem base na ética, no programa e, sempre, na democracia.

Nossas saídas

O PSOL é e continuará sendo oposição de esquerda. Nossas diferenças com o governo atual são programáticas: não acreditamos neste modelo de se fazer política. Somos contra o ajuste fiscal e a retirada de direitos dos trabalhadores. Votaremos contra a terceirização, a reforma da previdência e diversos outros projetos que contam com o apoio do governo.

Por isso, dizemos: a saída para a crise é pela esquerda. Além do combate a todos os retrocessos, apresentamos ao Brasil uma plataforma de virada na política econômica, priorizando o crescimento do setor produtivo ao invés da especulação financeira, com redução drástica das taxas de juros e grandes investimentos sociais.

Também acreditamos que um novo ciclo só pode ser iniciado com profundas reformas, como a democratização da mídia, para que a pluralidade de vozes não seja suprimida; a reforma política, para que o povo volte a participar das decisões do país; a tributária, para acabar com o modelo injusto de cobrança atual e taxar as grandes fortunas; entre outras.

Só iremos construir saídas reais com uma nova programação das formas e métodos de se construir a política brasileira, que deve ser feita para e com o povo. O PSOL está desse lado da batalha.

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Um poema presciente de Michel Temer… Talvez Dilma devesse ter lido o livro do vice

Um poema presciente de Michel Temer… Talvez Dilma devesse ter lido o livro do vice

Embarque
(retirado do livro de poemas de Michel Temer)

Embarquei na tua nau
Sem rumo. Eu e tu.
Tu, porque não sabias
Para onde querias ir.
Eu, porque já tomei muitos rumos
Sem chegar a lugar nenhum

anônima intimidade michel temer

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Como homens, pessoas de baixa renda e instruídos elegeram esta Câmara do impeachment

Como homens, pessoas de baixa renda e instruídos elegeram esta Câmara do impeachment

A brilhante reportagem de Thiago Guimarães, da BBC Brasil, dá um visão muito clara da atual Câmara de Deputados. Ela pega informações obtidas pelo cientista social Maurício Garcia, diretor regional do Ibope, que considerou pesquisas feitas em 17 Estados (SP, RJ, MG, RS, PR, SC, AL, BA, CE, PE, RN, AM, PA, GO, MT, MS, TO) e no Distrito Federal. Trabalha, portanto, com dados de pesquisas relativas a 423 dos 513 deputados eleitos (82% do total). O trabalho foi apresentado neste mês no Congresso da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e levou o prêmio de melhor paper.

Eu devo ser o único sujeito de esquerda do mundo que combate o voto obrigatório. Sou pelo voto facultativo. Não acredito nesta democracia que MANDA VOTAR e considero absurdo que uma maioria que não se preocupa com política eleja deputados que tornam nulo meu voto em função do quociente eleitoral. Quase sempre vou votar sabendo que, provavelmente, meu voto não valerá nada. É pura matemática. Basta ver que há um comunicador ou um cara que fez a campanha muito cara do outro lado para concluir que ele levará muitos votos dos indiferentes e que matará as pretensões de quem eu cuidadosamente escolhi. Como disse Arnold Toynbee, na democracia:

O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.

Mas não no Brasil. Segundo uma pesquisa do Datafolha de 2014, 20 dias após o pleito, 30% dos eleitores brasileiros já se esqueceram o nome do candidato a deputado federal para o qual deram o voto. A situação é a mesma para o Senado: 28% dos eleitores já não se lembram em quem votaram para senador. 

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Na maior parte das democracias, o voto é um direito: o eleitor vota se quiser, se achar que algum candidato de fato o representa, ou se achar que é necessário que sua opinião seja representada. No Brasil, ao contrário, temos o direito-obrigação: o cidadão não tem apenas o direito de votar, também tem a obrigação de fazê-lo. Se não o fizer, sofrerá sanções. Por exemplo, não pode inscrever-se em concurso ou tomar posse de cargo público, não pode inscrever-se ou renovar matrícula em faculdade pública, não pode tirar carteira de identidade ou passaporte, não pode tomar empréstimos em bancos públicos, etc.

Mas qual é a cara do sujeito que anula meu voto? Ou, como pergunta Thiago sem dar bola para minhas posições, “Qual é a cara do eleitor da atual Câmara dos Deputados, que conduz o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e já foi classificada como a Casa “mais conservadora desde 1964”? Dá para vê-la na reportagem abaixo:

Posse da Câmara eleita para o período 2015-2019; votos de homens tiveram mais peso na escolha, aponta estudo
Posse da Câmara eleita para o período 2015-2019; votos de homens tiveram mais peso na escolha, aponta estudo

Por Thiago Guimarães

Como o voto é secreto, a única maneira de chegar perto dessa resposta é a partir de pesquisas eleitorais.

Em busca desse perfil inédito, um cientista social mergulhou em 194 pesquisas de intenção de voto para a Câmara dos Deputados feitas em 2014, de agosto até a eleição.

Separou os entrevistados que citaram intenção de voto em deputados eleitos e comparou seu perfil (sexo, idade, instrução e renda) com o conjunto do eleitorado.

Nas discrepâncias entre os dois grupos, encontrou pistas sobre os setores da sociedade mais “eficientes” – cujo voto teria resultado em mais deputados eleitos – na eleição da Câmara.

No quadro geral (pois há diferenças entre os Estados), eleitores homens, mais instruídos e de famílias mais pobres provavelmente tenderam a participar mais da escolha dos atuais deputados federais.

A análise de Maurício Garcia, diretor regional do Ibope, considerou pesquisas feitas em 17 Estados (SP, RJ, MG, RS, PR, SC, AL, BA, CE, PE, RN, AM, PA, GO, MT, MS, TO) e no Distrito Federal. Trabalha, portanto, com dados de pesquisas relativas a 423 dos 513 deputados eleitos (82% do total).

O trabalho foi apresentado neste mês no Congresso da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e levou o prêmio de melhor paper.

Para entender por que muitos votos à Câmara acabam sendo “desperdiçados”, é preciso conhecer o sistema eleitoral brasileiro: todos os votos válidos das eleições (número total de votos em candidatos ou legendas, descontados os brancos e nulos) são divididos pelo total de vagas na Câmara.

Essa divisão resulta no quociente eleitoral. Para conseguir eleger deputados, o partido ou coligação precisará alcançar esse quociente. Quem não alcança o quociente, mesmo que tenha recebido uma quantidade razoável de votos, não é eleito.

E quem supera com folga esse quociente acaba “carregando” consigo outros candidatos, que acabam eleitos mesmo sem ter recebido um número alto de votos. Por isso, muitos votos depositados nas urnas acabam não elegendo deputados [bem votados].

Sexo

Partindo do pressuposto de que as pesquisas usadas por Garcia se confirmaram nas urnas, um dos achados mais significativos do estudo foi o peso do voto dos homens na eleição da Câmara.

Enquanto há mais mulheres do que homens no eleitorado brasileiro como um todo (52% x 48%), os deputados eleitos nesses Estados tiveram um percentual de votos mais masculino (56% x 44%), ou seja, uma diferença de oito pontos percentuais em relação ao universo de eleitores homens.

“Será que mulheres dispersam mais seus votos, enquanto os homens os concentram mais em determinados candidatos e partidos, e isso ‘melhora’ o desempenho do voto masculino?”, questiona Garcia, para quem o estudo aponta direções que ainda precisam ser aprofundadas por pesquisadores.

Maurício Garcia, do Ibope Inteligência: 'Estudo é a maneira mais efetiva de se aproximar ao perfil do eleitor da Câmara'
Maurício Garcia, do Ibope Inteligência: ‘Estudo é a maneira mais efetiva de se aproximar ao perfil do eleitor da Câmara’

Escolaridade e renda

Em relação ao grau de escolaridade, houve diferenças, porém em intensidade menor, entre o perfil do conjunto dos 18 Estados e o de quem declarou voto na atual Câmara.

Eleitores mais instruídos (com ensino médio ou superior completo) foram um pouco mais “eficazes” nos votos do que aqueles com até ensino fundamental.

A diferença foi de quatro pontos percentuais nas duas faixas – enquanto no conjunto os eleitores com ensino médio e superior formam, respectivamente, 40% e 18% do total, no grupo de quem declarou voto nos vencedores os índices são de 44% e 22%.

Votos de famílias mais pobres (rendimento mensal de até dois salários mínimos) foram aqueles que, proporcionalmente, mais elegeram os deputados federais da atual legislatura.

Somadas, as diferenças (entre o perfil do conjunto e o dos eleitores que declararam votos em deputados vencedores) nas faixas de até um salário mínimo e de um a dois salários mínimos chegam a 20 pontos percentuais.

Como no caso da escolaridade, alguns Estados ajudaram a puxar esse resultado, sobretudo os do Norte e Nordeste.

“Dos 18 Estados da pesquisa, Amazonas, Pará, Pernambuco, Bahia, Ceará, Alagoas e Mato Grosso do Sul foram os que mais contribuíram para que, no todo, os eleitores pertencentes às famílias mais pobres sejam os que, proporcionalmente, mais elegeram seus deputados”, escreve Garcia no estudo.

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) comemora eleição como presidente da Câmara, em janeiro de 2015; votos de famílias mais pobres tiveram peso em Estados do Norte e Nordeste
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) comemora eleição como presidente da Câmara, em janeiro de 2015; votos de famílias mais pobres tiveram peso em Estados do Norte e Nordeste

Para o cientista social, uma possível razão para isso é o fato de pessoas votarem em candidatos mais conhecidos, que investem pesado em propaganda.

“Justamente nos Estados mais pobres economicamente o voto do eleitor de baixa renda tem ‘mais força’. Será que essa força não vem do fato de ele estar votando nos candidatos com melhores condições financeiras? Já nos Estados mais ricos, quando há essa discrepância, a escolaridade pesa mais”, afirma o diretor do Ibope.

Para a professora Mara Telles, do departamento de Ciência Política da UFMG, o trabalho de Garcia tem o mérito de investigar um tema em que os dados são escassos.

“É muito difícil para estudos acadêmicos inferir intenção de voto para deputado federal. São pesquisas muito caras e difusas, e ele analisou quase 200 delas”, afirma.

Segundo a cientista política, estimativas mostram que cerca de 70% dos votos para a Câmara não se traduzem em cadeiras. Ou seja, o número de pessoas que efetivamente elegem os deputados representa uma fatia menor do eleitorado. “Pesa nisso o fato de o sistema ser muito competitivo, são mais de 5 mil pessoas disputando 513 vagas.”

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Após a eleição da atual Câmara dos Deputados, em 2014, análises apontaram que se tratava da representação mais conservadora no Legislativo desde 1964.

Especialistas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), por exemplo, chegaram a essa conclusão ao somar o número de parlamentares eleitos ligados a segmentos militares, policiais, religiosos e ruralistas. O levantamento mostrava ainda queda no número de deputados ligados a sindicatos e a causas sociais.

Ao mesmo tempo, a Câmara eleita em 2014 tinha representantes de 28 siglas diferentes – a composição mais heterogênea da história em termos partidários, aponta Garcia. “O que o estudo tenta delinear, dentro de suas limitações, é quem, afinal, elegeu essas contradições.”

Cerimônia de posse da atual legislatura; 74% dos deputados manifestaram posições de centro-direita ou direita em votações polêmicas no ano passado
Cerimônia de posse da atual legislatura; 74% dos deputados manifestaram posições de centro-direita ou direita em votações polêmicas no ano passado

A pesquisa do diretor do Ibope também buscou traçar um perfil ideológico da atual Câmara. Como critério, selecionou 13 votações polêmicas de 2015, sobre temas que costumam mobilizar esquerda e direita do espectro político.

Cobrança por cursos em universidades públicas, redução da maioridade penal, financiamento privado para partidos e terceirização foram algumas das votações escolhidas. Quem votava contra essas propostas, por exemplo, era classificado como de esquerda, e vice-versa.

Nesse sentido, a conclusão foi que 74% dos deputados do grupo dos 18 Estados estudados no levantamento eram de centro-direita (tiveram 61% a 80% de posições consideradas de direita) ou direita (81% a 100%).

“Comprovou-se aquilo que especialistas políticos da mídia e da academia já salientavam antes da posse dos deputados federais: o Brasil elegeu em 2014 uma Câmara dos Deputados de tendências mais à direita do que à esquerda no espectro político clássico”, aponta.

Para Garcia, um dado relevante na análise dessas votações veio do posicionamento do PMDB. “De fato o PMDB teve uma posição de extrema direita, contrária até a algumas coisas que o governo propunha. Aí foram questões não apenas ideológicas, mas políticas, da briga do Eduardo Cunha e de parte do PMDB contra Dilma.”

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Atrás de refúgio

Atrás de refúgio

refugio

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Os Panamá Papers explicados de maneira didática para que até as crianças entendam

Os Panamá Papers explicados de maneira didática para que até as crianças entendam

Adaptado daqui.

Está complicado entender a história dos #PanamaPapers, o vazamento de documentos que revela uma rede global de corrupção e evasão fiscal? A gente dá uma mãozinha, explicando tudo de maneira didática. Vamos lá.

Digamos que você guarde suas moedas em um cofrinho que está no seu armário.

Mas sua mãe fica checando para saber quanto você colocou e quanto retirou.

Você não gosta disso.

Então você consegue um cofrinho extra…

…e o leva para a casa do Joãozinho.

A mãe do Joãozinho é ocupada. Ela não checa cofrinhos. Então você pode secretamente manter o seu porquinho lá sem que ninguém fique checando.

As crianças da vizinhança também acham que essa é uma boa ideia.

Então elas também colocam seus cofrinhos no armário do Joãozinho.

Mas um dia, a mãe do Joãozinho descobre os cofrinhos.

Ela fica furiosa e liga para os pais de todas as crianças para avisar que elas estão escondendo dinheiro.

papeis do Panama

Ligando, ela vaza informações para todos . Esse é o vazamento dos papéis do Panamá – e muitas pessoas importantes e poderosas esconderam seus cofrinhos na casa do Joãozinho no Panamá.

Nem todo mundo estava fazendo algo errado, no entanto. Por exemplo, você só queria privacidade da sua mãe. Mas seu vizinho Miguel estava roubando dinheiro da bolsa da mãe dele e escondendo esse dinheiro no armário do Joãozinho. E Jacó estava roubando o dinheiro do almoço de outras pessoas e não queria que seus pais perguntassem de onde aquilo estava vindo.

Em breve saberemos quem estava fazendo isso por motivos errados e quem não estava.

 Mas todos que esconderam seu cofrinho na casa do Joãozinho ainda estão em apuros, porque cofrinhos secretos são proibidos.

Agora os jornalistas estão vasculhando os registros para entender melhor o tipo de atividade que estava acontecendo na casa de Joãozinho no Panamá – se era legal, adequado ou se era uma contravenção.

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Veja como Janaina Paschoal, advogada do golpe, fala como uma exorcista

Veja como Janaina Paschoal, advogada do golpe, fala como uma exorcista
A exorcista
A exorcista: vade retro!

Uma das responsáveis pelo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a advogada Janaína Paschoal foi ovacionada em ato realizado nesta segunda-feira (4/4) na Faculdade de Direito da USP. Janaína disse que “as cobras que estão no Poder estão se aproveitando para se perpetuar”. Ainda afirmou que estamos num momento de reflexão. Por sua fala, não parece. Se você tiver condições mentais para ver o vídeo abaixo… Não parece mais com uma pastora evangélica tomada pelo demônio? Postura igrejeira, como disseram aqui no Sul21. Concordo. Fala em Cobra como se falasse no Demônio. Ou seria apenas uma atuação pra lá de canastrona? “Mais do que parar para refletir sobre o impeachment, que tem motivos de sobra, queremos servir a uma cobra?, disse ela, rimando involuntariamente. E emendou: “Nós somos muitos miguéis, muitas janaínas, não vamos deixar essa cobra dominando porque somos seres de almas livres. Não vamos abaixar a cabeça. Acabou a República da cobraaaaaa!!!”, gritou puxando um coro de “fora PT, fora jararaca”.

A coisa está ficando assustadora.

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O Juramento de Hipócrates

O Juramento de Hipócrates

Há muitas versões, mas esta é a utilizada atualmente. É a Formulação de Genebra, adotada pela Associação Médica Mundial, em 1983. Leia abaixo o Juramento, mas principalmente a frase em negrito:
simers

Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade.

Darei aos meus Mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.

Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.

A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.

Mesmo após a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado.

Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica.

Os meus Colegas serão meus irmãos.

Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente.

Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.

Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra.

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Recuperação da esquerda brasileira levará anos, diz professor

Recuperação da esquerda brasileira levará anos, diz professor
O professor Idelber Avelar | Foto: Facebook
O professor Idelber Avelar | Foto: Facebook

Da BBC Brasil

A crise política deverá ser seguida por um longo período de domínio da direita, diz Idelber Avelar, professor na Universidade Tulane (EUA), à BBC Brasil.

Nesse cenário, ele afirma que a esquerda e os movimentos sociais podem levar anos para se reagrupar.

Brasileiro, Avelar leciona literatura latino-americana e estudos culturais nos Estados Unidos desde 1999, mas se tornou conhecido entre muitos compatriotas por seus posicionamentos políticos nas mídias sociais.

Crítico do PT, ele não vê razões para se associar aos grupos que defendem a permanência de Dilma Rousseff na Presidência e rejeita a descrição do cenário político brasileiro como uma “briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas”.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil – Com a crise houve alguma mudança na forma como o Brasil é encarado nos EUA?

Idelber Avelar – Cinco anos atrás o Brasil era o modelo de como crescer com instituições democráticas fortes e reduzindo a desigualdade. Neste momento perdemos as três coisas: não estamos crescendo, não estamos reduzindo desigualdade e as instituições democráticas estão em perigo, pelo menos.

Chama atenção a rapidez com que se desmoronou esse modelo. Há um cenário político marcado por tremenda instabilidade, com uma classe política na situação e oposição completamente desmoralizada, e não há perspectiva de transformação desse quadro em longo prazo. Vivemos uma grave crise econômica, institucional, política e ambiental.

BBC Brasil – Por que ambiental?

Avelar – Uma das características essenciais dos governos petistas tem sido o desenvolvimentismo arrasa quarteirão. Ambientalistas, lideranças indígenas e ribeirinhas na Amazônia dizem que o PT foi pior para a região que o PSDB. O PSDB implantou aquele modelo de estado mínimo, deixando que a iniciativa privada resolvesse.

O governo petista apostou num modelo através do qual o Estado gera mecanismos para que as grandes construtoras realizem negócios e (em troca) financiem campanhas eleitorais.

Sou a favor de que se estabeleça algum tipo de requisito dentro do nosso aparato educacional para que pessoas do Sul e Sudeste possam visitar a Amazônia e ver o que aconteceu no Xingu com a construção da usina de Belo Monte, o que aconteceu no rio Madeira, para ver o que é a expansão da soja.

Isso lhes daria uma leitura diferente da realidade e desmontaria uma noção de crescimento que muita gente da esquerda fetichiza.

BBC Brasil – Não é inviável se opor ao crescimento num momento em que o Brasil enfrenta uma grave crise econômica, com crescente desemprego?

Avelar – Não existe possibilidade lógica de crescimento infinito num planeta com recursos finitos. Poderíamos estar numa sociedade em que optássemos por um crescimento zero, há até marxistas falando nisso.

É um debate difícil, porque há uma mentalidade que associa a redução da desigualdade ao crescimento do PIB. Mas não há relação automática entre as duas coisas: pode haver crescimento extremo sem redução de desigualdade e pode haver redução de desigualdade sem ritmo frenético de crescimento.

Claro que para isso teríamos mexer em políticas redistributivas, na dívida pública, no sistema bancário, numa série de vespeiros em que nosso sistema político não está pronto para mexer, mas é uma conversa urgente.

BBC Brasil – A Lava Jato põe em xeque o modelo de relação entre o Estado e empreiteiras?

Avelar – A Lava Jato tem consequências que fogem ao controle inclusive dos procuradores e juízes envolvidos. Não acredito que haja limpeza completa da política brasileira, mas também não acredito que ela vá simplesmente decapitar algumas lideranças do PT, derrubar o governo da Dilma para depois se restabelecer tudo como era antes.

Existe uma nova geração de procuradores imbuída de um espírito que pode ser criticado como meio salvacionista ou messiânico, mas esse grupo claramente não está interessado em pegar lideranças de um só partido político. Alguma coisa se quebrou no pacto oligárquico. Ele vai ser restabelecido, mas em outras bases.

BBC Brasil – Embora milite à esquerda, você não tem apoiado as manifestações em favor da manutenção de Dilma na Presidência. Por quê?

Avelar – A descrição do quadro político brasileiro como uma briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas é um quadro não apenas simplista, mas chantagista.

Não cedo à chantagem de que a direita vai tomar poder se não nos alinharmos com a defesa do governo. Em primeiro lugar, porque a direita já está no poder num país em que Kátia Abreu controla o Ministério da Agricultura, em que cargos são regularmente loteados ao PMDB. Há uma coalizão que implementa cotidianamente políticas de direita.

Não bato bumbo pelo impeachment. Acredito que a melhor saída seria a renúncia da Dilma. A situação de descalabro não é só produto da Lava Jato, mas de uma série de fatores, incluindo a inépcia dela em dialogar com a própria base no Congresso.

BBC Brasil – Há uma ofensiva do Judiciário contra o governo do PT?

Avelar – O Judiciário sempre teve a natureza oligárquica e punitivista que está se revelando agora, mas o governismo não se preocupou quando manifestantes contra a Copa ou líderes ambientalistas foram criminalizados, nem com as prisões arbitrárias feitas a rodo nas manifestações de 2013.

O governo não ficou neutro nestas histórias. Ele foi partícipe dessas operações. A draconiana lei antiterrorismo sancionada recentemente foi enviada ao Congresso pelo Executivo, é uma lei da Dilma. Quando alguns desses mecanismos se voltam contra o PT, o governismo grita, mas o PT fortaleceu esses mecanismos ao longo da última década.

BBC Brasil – Diante da fragilização do PT, há margem para a articulação de uma nova frente de esquerda?

Avelar – Sou bastante pessimista. Houve nos últimos 14 anos uma cooptação brutal dos movimentos sociais. O único partido consistentemente à esquerda do PT e com alguma presença no cenário nacional, o PSOL, tem funcionado mais como linha auxiliar do governo do que como alternativa a ele.

Temos algumas faíscas do que poderia ser a esquerda pós-PT, mas acho que vai demorar muito tempo para que ela se reagrupe e faça a crítica necessária da experiência petista. Acho mais provável que a direita clássica volte ao poder e a gente tenha um longo e tenebroso inverno.

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Jorro matinal

Jorro matinal

42 bilhões desviados
— 1% do PIB —
de uma só empresa

como se fossem adestrados
os políticos de Brasília
sentam na mesa apenas
desejosos de cheirar
os cus uns dos outros

o que pensa este?
do que necessita aquele?
como acomodar
meu interesse?

não pensam
no sistema de ensino
no genocídio dos indígenas
na juventude negra das periferias
na mulher morta
no aborto
nos LGBT
na reforma

pensam
em quem lhes financia
em consumir direitos
no agronegócio
em criminalizar movimentos
em consumir o pré-sal
em deus, ou melhor,
na igreja

querem adiar
o enfrentamento com o ambiente
querem evitar
a Polícia Federal
querem
que o resto se foda

os paleolíticos brasileiros
querem chupar o pré-sal
são eles os dinossauros
que vão nos aquecer e sufocar
mas bem poderiam receber o óleo
— negro e quente —
em seus rabos

eles estão reunidos
e sorriem balançando suas caudas
preparando
os próximos 42 bilhões

PUM - Partido Utopico Moderado

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Manifesto do Croniquinhas

Por Idelber Avelar e Moysés Pinto Neto em 27 de março de 2016

Croniquinhos:

Segue aqui o texto no qual eu, Idelber, e o Moysés Pinto Neto trabalhamos nos últimos dias. Se méritos há, são principalmente dele. Nós decidimos, pelo menos por enquanto, não lançá-lo lá fora, porque estamos um pouco céticos quanto à eficácia e o timing de um “manifesto” agora. Pedimos, portanto, que o texto fique por aqui neste momento, e que sirva para uma conversa nossa. Depois, talvez, se for caso, coletamos assinaturas. Havia um título, que não nos agradou muito, então vai sem título mesmo.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

1. A escalada da crise política tem provocado violência e polarização cada vez mais intensa no Brasil. O que assistimos no segundo turno das eleições de 2014 parece se repetir em escala cada vez maior e mais agressiva, atingindo o país por diversos ângulos. Esse quadro é regressivo e perigoso.

2. Não nos identificamos com a maioria dos manifestantes que estão hoje nas ruas nem com suas pautas. Entendemos que nem todos os manifestantes do dia 13 de março são da direita anti-petista pura e simples, nem muito menos fascistas. Também entendemos que nem todos os manifestantes do dia 18 de março são governistas acríticos. No entanto, as pautas, discursos e afetos que dominam ambas as manifestações não nos representam.

3. Há muito tempo apontamos a cumplicidade do Governo e do PT com as oligarquias brasileiras e as consequências negativas do projeto neodesenvolvimentista para o Brasil. Denunciamos a aliança com setores do agronegócio que ameaçam a destruição da Amazônia, utilizam de modo descontrolado transgênicos e agrotóxicos e promovem uma ofensiva genocida contra os índios. Alertamos para os riscos do pacto com as velhas oligarquias políticas. Fomos chamados de ingênuos em 2013 quando ousamos questionar a defesa cínica da governabilidade contra as multidões que saíram às ruas. Criticamos a Copa do Mundo e o modelo movido pelo fetiche por índices quantitativos de crescimento baseado na construção civil financiada por bancos públicos, alimentando oligopólios que dizimam a convivência no espaço urbano com um projeto de cidade voltado para os ricos. Criticamos o estado policial que cresce a cada dia com o apoio do PT, como visto com a recente aprovação da Lei Antiterrorismo e a intensificação do genocídio da juventude negra. Lembremos que, em debate presidencial, a atual mandatária apresentou como um modelo a operação militar no Complexo da Maré.

4. Não somos omissos nem neutros, mas não aceitamos que se associe o futuro do atual governo ao futuro da esquerda, se é que se continuará chamando de esquerda o que está no por vir. Não somos apenas vermelhos, somos de muitas cores.

5. Não se trata apenas de um “eu avisei”. Trata-se de não aceitar a narrativa de que o programa do PT se confunde com a transformação social que precisamos realizar no Brasil e que é a síntese de todas as lutas atuais. Reconhecemos os avanços sociais promovidos na década de 2000 por políticas sociais acertadas que merecem aprofundamento. Reconhecemos a contribuição do PT para tornar o país mais justo e múltiplo. Não policiamos nem censuramos as pessoas que, no ímpeto de defesa da democracia, cerram fileiras com o governo, mas rejeitamos a adesão incondicional, o culto ao líder e o vale-tudo. Rejeitamos a ameaça apocalíptica que, há tempos, é a válvula de segurança do governo para conquistar a adesão daqueles que discordam do seu programa.

6. Entendemos que a falência patente do sistema político brasileiro é apenas uma das incidências de uma crise mundial do modelo moderno da democracia representativa, e que hoje a política real se faz fora e longe das esferas oficiais (os Três Poderes). A tarefa que se põe diante de nos é a de nos organizarmos em redes horizontais que coordenem os diversos movimentos e experimentos em curso no país e no mundo, que exprimem uma busca de alternativas ao modo de viver que o capitalismo consumista e produtivista nos empurra goela abaixo. Trata-se de pensar como coordenar sem subordinar, sem esperar a formação de um comitê central, um líder messiânico ou uma vanguarda iluminada que guiará verticalmente as massas. O apodrecimento do sistema político é um sintoma de um apodrecimento da ordem do mundo correspondente ao atual modelo civilizatório e modernizador. É preciso reinventar a política no plano das práticas da vida cotidiana, na coordenação de experimentos locais que o mundo oferece hoje.

7. Não consideramos essa pauta descontextualizada do Brasil atual. Na verdade, um terço dos votos na última eleição rejeitaram a polaridade que se estabeleceu. Há uma nova geração que luta desde 2013 sintonizada com as lutas no resto do mundo, como os movimentos pelo transporte público, as ocupações de escolas ou o protesto contra a gentrificação do espaços urbanos. Essa geração está se construindo a partir de novas experiências de organização, mas já representa uma força viva e presente na política brasileira.

8. Nossa solidariedade sempre estará presente quanto se tratar de enfrentar o fascismo e a violência, mas não seremos capturados pela polarização que se instaurou no Brasil a partir da recusa governista ao diálogo com as manifestações de 2013.. Não aceitamos e lutaremos contra toda modalidade de perseguição macartista ou ação violenta, mas rejeitamos a ideia de que nosso futuro depende da permanência do PT no poder em 2018 e do seu culto à liderança de Lula.

9. Precisamos de um novo projeto de Brasil onde caibam muitos Brasis, em que a questão ambiental passe a ser central ao lado da justiça social e do respeito aos direitos humanos, um Brasil que reaja aos desafios que o século XXI apresenta. Nem o governismo nem a oposição parecem dispostos a enfrentar essas questões, sufocando a esfera pública na sua disputa compulsiva e doentia pela manutenção do poder.

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