Saí da casa de meus pais aos 26 anos. Minha mãe não queria que eu saísse, estava indignada: “Para que morar sozinho se tem tudo em casa? Toda a liberdade?”. Mal conseguíamos conversar.
Depois da mudança, estava em casa, à noite, e a campainha tocou pela primeira vez. Era meu pai. Todo constrangido, trazia um presente.
“É um ferro de passar. Tua mãe acha que tu precisa de um”.
Milton Ribeiro faz tudo por você. Primeiro, ele mostra o cartaz do filme.
Sim, Janela Indiscreta! Então, ele pega sua mão, você entra e… Silêncio, vai começar!
L.B. “Jeff” Jeffries: I get myself half killed for you and you reward me by stealing my assignments.
Gunderson: I didn’t ask you to stand in the middle of that automobile racetrack.
Tradução: L.B. “Jeff” Jeffries: Eu me peguei metade morto e ganhei de prêmio um pé quebrado, porra. Gunderson: Eu não perguntei se tu precisavas ficar no meio da pista bem na frente do automóvel.
Gunderson: It’s about time you got married, before you turn into a lonesome and bitter old man. Jeff: Yeah, can’t you just see me, rushing home to a hot apartment to listen to the automatic laundry and the electric dishwasher and the garbage disposal and the nagging wife… Gunderson: Jeff, wives don’t nag anymore. They discuss. Jeff: Oh, is that so, is that so? Well, maybe in the high-rent district they discuss. In my neighborhood they still nag.
Tradução: Gunderson: É sobre o tempo que não comes ninguém, quem não come ninguém acaba como o Reinaldo Azevedo. Jeff: Sim, como você e os justos da veja. Não quero que minha libido ouça a Grace Kelly dizer automaticamente “Querido, leva o lixo na rua?”. Gunderson: Mulheres não discutem, elas mandam, porra. Jeff: E se tomam uma porrada a discussão acaba com eles na Delegacia da Mulher. E na minha vizinhança ainda, né?
Jeff’s rear window characters:
Tradução: Os caracteres da janela do Windows de Jeff:
Miss Torso, the ballet dancer
Tradução: Uma dançarina gostosa que vai se apaixonar por um baixinho.
Mr. Lars Thorwald and his nagging wife
Tradução: O vizinho assassino com a esposa entrevada, né?
the newly-wed… all of which comment on Jeff-Lisa relationship or reflect its possible future
Tradução: Os recém-casados fofos… Que ficarão todo o tempo fazendo aquilo que Lisa (Grace Kelly) quer fazer com Jeff (James Stewart), apesar de ele só quer saber de fotografia e de coçar o pé.
Stella: Look, Mr. Jeffries, I’m not an educated woman, but I can tell you one thing. When a man and woman see each other and like each other, they oughta come together–wham!–like a couple of taxis on Broadway, and not sit around analyzing each other like two specimens in a bottle. Jeff: There’s an intelligent way to approach marriage. Stella: Intelligence! Nothing has caused the human race so much touble as intelligence. Ha, modern marriage! Jeff: Now we’ve progressed emotionally. Stella: Baloney! Once, it was see somebody, get excited, get married. Now, it’s read a lot of books, fence with a lot of four-syllable words, psychoanalyze each other until you can’t tell the difference between a petting party and a civil service exam.
Tradução: — Eu não sou educada, por isso quero ver sexo neste filme e não masturbações sobre vizinhos. — O casamento é um jeito inteligente de acabar com o sexo. — Inteligência. Os sionistas são mais educados e inteligentes e olha o que eles fazem na Palestina. — Eles são mais desenvolvidos. — Por isso que fodem com os coitados. Ficam excitados. Depois vão para um psicanalista ou um rabino e não sabem mais a diferença entre uma exposição de filhotes e um exame para entrar a serviço do exército.
Garrincha chegou ao Botafogo em 1953. Vinha de Pau Grande, localidade cujo nome se presta a piadas que não faremos. Foi medido, pesado e auscultado. Pesava 67 quilos, tinha 1,69m de altura e os pulmões limpos. Os doutores Oscar Santamaria, clínico geral, e José Nova Monteiro, ortopedista, pediram que ele subisse numa mesa a fim de analisarem suas pernas. Garrincha tinha o joelho direito em varo, virado para dentro, e o esquerdo em valgo, virado para fora, além de um deslocamento da bacia. Sua perna esquerda tinha alguns centímetros a menos que a direita. E era também ligeiramente estrábico. Os médicos ficaram pensativos. Sabiam que o Botafogo precisava desesperadamente de um ponta direita.
Garrincha com uma de suas filhas em Pau Grande. A genética manifesta-se no joelho da menina.
O veterano ponta Paraguaio estava indo para o Fluminense e o técnico Gentil Cardoso estava experimentando uma série de jogadores ruins demais. E falavam bem daquele Garrincha. No domingo seguinte, contra o São Cristóvão, Gentil escalou Mangaratiba em seu time titular. Sim, Mangaratiba, um menino que, cada vez que pegava a bola, ouvia a torcida de General Severiano gritar “Olha o telefone, Mangaratiba!”. Nada pessoal, o problema é que, na partida preliminar, jogara um novo ponta que simplesmente tinha destroçado o adversário e do qual não se sabia nem o nome.
Durante a semana, sem consultar a ninguém, Garrincha resolveu dar um prêmio a si mesmo: uma folga em Pau Grande. A localidade é até hoje um distrito de Magé, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, aos pés da Serra dos Órgãos. Foi lá jogar umas peladas com os amigos. Apareceu para treinar só quinta-feira. Enfurecido, Gentil deixou-o na preso concentração e fez com que ele jogasse novamente nos aspirantes. E ele acabou com o jogo pela segunda vez. No domingo seguinte, Gentil escalou-o como titular para o jogo contra o Bonsucesso. Nos anos 50, eram raras as vitórias de times pequenos sobre os grandes. Naquela tarde, ventava e chovia em General Severiano, mas o verdadeiro mau tempo estava em campo. O Botafogo perdia por 2 x 1, Garrincha fazia uma estreia apagada e, de repente, pênalti para o Botafogo. Os mais experientes – o capitão Geninho, Nilton Santos, Juvenal, o artilheiro Dino – foram saindo de fininho. Então Garrincha pegou a bola e preparou-se para bater a penalidade. Só que ele não era o batedor do Botafogo, era o batedor do Pau Grande. Geninho olhou para Gentil que assentiu com a cabeça. A torcida observava aquela sandice. Então, Garrincha bateu forte, no canto, marcando seu primeiro gol como profissional. E enlouqueceu. Fez mais dois gols, deu passes para outros dois e, a cada um deles, corria para um determinado lugar da arquibancada. Depois do jogo, foi levado nos braços por aqueles para quem corria a cada gol: eram Pincel e Swing, seus melhores amigos de Pau Grande.
A vida em Pau Grande numa série de fotos para a revista O Cruzeiro
O time do Botafogo não era nada bom, tanto que acabou em sexto lugar no Carioca de 1954. Porém, em 1955 e 56, o Botafogo começou a montar o legendário time que tinha em Garrincha – e Didi e Nilton Santos – sua maior estrela. Didi, quando chegou ao Botafogo, vindo do Fluminense, ganhava 70 mil cruzeiros por mês. Sabedores do fato, Nilton Santos e Garrincha pediram reajuste. Nilton passou a ganhar 30 mil. Garricha passou de 16 para 18 mil. Com 18 mil, um casal vivia bem com seus filhos, mas ele tinha também vários irmãos agregados, assim como os tinha Nair, sua mulher. A profissão de jogador não era o que é hoje: não era regulamentada. Os jogadores não tinham direito à férias. Tratava-se de um semi-amadorismo onde os mais previdentes exerciam uma segunda profissão.
Treinamento anos 50. Com o Botafogo indo de navio para uma excursão na Europa, Zezé Moreira e seus comandados exercitam-se no convés. A seleção de 58 faria o mesmo.
Em 1957, o Botafogo foi Campeão Carioca numa final que ficou marcada a ferro e fogo a alma do torcedor do Fluminense. Didi passou a tarde dando passes para Garrincha, que sistematicamente humilhava seu marcador Altair. O zagueiro Clóvis vinha na cobertura e também era driblado. Aos 40 min do primeiro tempo, já estava 3 x 0. O jogo acabou em 6 x 2. Era impossível não convocar aquele maluco para a Seleção Brasileira. Só que ele quase não foi à Copa da Suécia em 1958. Julinho Botelho era titular absoluto da posição, mas jogava na Itália. Por carta, comunicou a CBD que não achava justo tomar o lugar de um companheiro que jogava no Brasil. Então, seu reserva Joel seria o titular e Garrincha o ponteiro direito reserva. Nos coletivos, era marcado por Nilton Santos, seu companheiro de Botafogo. Nilton detestava aquilo. Era driblado mil vezes durante os treinamentos e pedia para Garrincha não exagerar com ele.
Mané, Nilton Santos e Paulo Valentim nos 6 x 2 contra o Flu. Valentim fez cinco gols.
A grande estrela da Seleção era o atacante Mazzola, que também jogava na Itália. Porém, durante a Copa do Mundo, Vicente Feola, que tinha a fama de dormir durante os treinos de seus jogadores, observou que talvez fosse a hora de tirar Joel, Dida e Mazzola para colocar Garrincha, Vavá e Pelé contra a URSS. O efeito foi notável. Vários jornais noticiaram que os primeiros três minutos daquele jogo foi um dos mais extraordinários massacres do futebol mundial. Foi uma avalanche de bolas na trave e no travessão comandadas por Didi, Pelé e Garrincha. Lev Yashin, grande goleiro russo, disse que já suava, desesperado, quando finalmente Vavá marcou o primeiro gol brasileiro. Aos três minutos.
Uma das bolas na trave de Yashin, esta de Garrincha. Três minutos inesperados.
Foi a Copa de Pelé, que, coadjuvado por Didi e Garrincha apareceu para o mundo marcando um gol inesquecível contra o País de Gales e arrasando também contra a França e a Suécia. Com a conquista da primeira Copa do Mundo, uma parte do complexo de vira-latas do futebol brasileiro foi pelo ralo.
Enquanto bebia (muito) e fumava, o atleta Mané Garrincha seguia colecionando títulos com o Botafogo. Claro, havia problemas. Em 1959, o Botafogo empatou o triangular final contra Flamengo e Vasco e perdeu a final para Angelita Martínez. Sim, Garrincha – e João Goulart – frequentavam demais a vedete Angelita Martínez e, se ela não atrapalhou, também não ajudou muito no desempenho esportivo do “demônio das pernas tortas”. Em seus shows, Angelita cantava a marchinha “Mané Garrincha” que iniciava com os brilhantes versos “Mané, que nasceu em Pau Grande…”.
Angelita Martínez: a deusa que era visitada por Mané Garrincha e João Goulart.
Por falar no local de nascimento de Mané, é importante dizer que ele sempre ia lá após os jogos. Os motivos eram dois, talvez três. Ele ia ver dona Nair e as numerosas filhas do casal. Também jogava peladas com os amigos e bebia, bebia até cair da tradicional cachaça do interior do estado do Rio de Janeiro.
Apesar do comportamento pouco indicado a um atleta, ele estava em alta e permaneceria assim por um bom tempo. Era admiradíssimo como jogador incontrolável e como um ser humano simples, natural, bem brasileiro. A imprensa da época amava seus ditos simplórios, ele era “Mané, a Alegria do Povo”. Tudo contribuía para sua fama, até seus casos amorosos. Além das conquistas nos gramados, além do reconhecimento mundial, as revistas o vendiam como uma máquina de fazer sexo. Falava-se que tinha filho até na Suécia — fato que foi depois confirmado: havia um varão escandinavo.
Com Bellini, em estilo Panair.
E então conheceu Elza Soares, uma explosiva baixinha de 1,57m pela qual largou tudo, família, filhas e amigos. Ela tinha 31 anos e era uma sensação já famosa nacionalmente. Era a cantora de “Se acaso você chegasse”. Garrincha tinha 28 anos e um comportamento infantil fora das camas. Ele foi ao encontro dela para pedir votos no concurso “o jogador mais popular do Rio”. Viu-a e foi para sempre. O prêmio era um Simca Chambord e Garrincha – apesar de raramente buscar seus salários e prêmios por vitória na tesouraria do Botafogo – queria ganhá-lo. Com o apoio de Elza, levou o carro e uma nova mulher.
Alguns músicos da Sinfônica de Viena comemoraram quando, há 15 meses, Jasmine Nakyung Choi foi nomeada para a primeira flauta. Eles viram nisso um sinal de tolerância em uma sociedade muitas vezes discriminatória.
Mas não deu nada certo. No último sábado, seus colegas votaram contra sua permanência. Motivos musicais? Não, aparentemente nada deste gênero.
Jasmine Nakyung Choi
O informadíssimo Norman Lebrecht ouviu fortes rumores de sexismo e racismo. Nada que surpreenda, na verdade. O que surpreende é que Jasmine tocou muito bem, sendo elogiada durante toda a temporada, mesmo num péssimo ambiente.
Mesmo assim, a direção da orquestra convidou-a para permanecer mais um ano, mas ela decidiu afastar-se do grupo hostil e voltar ao mercado de trabalho.
É triste ver Viena reforçar tais estereótipos históricos.
Eu simplesmente adorei Tabu (Portugal, 2012). O filme se passa no sope do fictício Monte Tabu. Minha companhia acrescentou que é um monte e é um tabu, e eu acrescento que Tabu também é uma homenagem à obra de Murnau de 1931 e o 28 de dezembro, primeira data que aparece no filme, é o dia da fundação do próprio cinema pelos irmãos Lumière. Mas essas referências — propositais ou não — ficam opacas frente à qualidade da narrativa e do tema.
Aurora e Santa no Paraíso Perdido
Tabu é, aparentemente, uma história de amor. Um ou dois pensamentos depois já é um filme sobre as coisas que, sob a passagem do tempo, passam a existir como memória, como quase ficção. Dividido em três partes (uma curta introdução, Paraíso Perdido e Paraíso, em ordem cronológica inversa), Tabu joga informações nas duas primeiras partes e as explica na terceira, uma curiosa e longa seção onde nenhum personagem é ouvido. Há apenas o som ambiente e a narração, em off, do próprio diretor Gomes. As pessoas falam umas com as outras, mas não as ouvimos. Com este efeito simples, ele obtém uma mistura de fantasmagoria e realidade, criadas sobre ruídos e excelente música. Não, não pensem que é uma obra experimental. É um filme de sabor clássico, mas que utiliza brilhantes artifícios. Miguel Gomes explica que, na terceira parte, o Paraíso a que me refiro, atirou fora o roteiro e os atores não sabiam o que iam fazer. “Como tudo na vida, corremos o risco de nos vermos frustrados. Improvisamos muito. Como a vida, o cinema é um jogo”.
Não vou dar spoilers, tá? Pilar é vizinha de Aurora, uma anciã demenciada que vive sob os cuidados da uma empregada cabo-verdiana chamada de Santa. A filha de Aurora não quer saber da mãe e paga para ficar longe dela, enquanto a velha reclama de Santa e busca auxílio em Pilar. Então Aurora morre para que o filme receba um de seus amigos, aquele que vai narrar para Pilar a aventura de sua amiga na África de pouco antes do início da Guerra Colonial Portuguesa. E então tudo ganha sentido através de imagens.
A fotografia em preto e branco, no formato do cinema mudo, registrada em película da extinta Kodak, mostra os últimos dias de um período da história portuguesa e moçambicana. É extinção por todo lado. Como o Tabu de Murnau todos parecem assombrados por uma cultura que é incompreensível para o Ocidente, apesar de manterem-se cantando seus rocks, procurando ignorar a realidade.
Mas o mais importante de Tabu não é a nesga de painel africano que ele mostra, é a lenta reconstrução de um sonho (ou de um paraíso) para o qual não há ponte de acesso, a não ser algumas imagens na memória. Como último destaque desta resenha nada planejada, sublinho a alta qualidade poética do texto narrado em off em Paraíso.
Um Gre-Nal que influencia três jogos. Um completo absurdo.
Que jogo ruim, né, Dunga? Aliás, houve jogo? Quem melhor resumiu a partida foi o Kléber, do Grêmio. Ele disse que o Gre-Nal teve 30 minutos de bola rolando e o pior é que não exagerava muito… Toda arbitragem baseia-se num acordo tácito. Se o juiz aceita que os jogadores trunquem a partida a cada 30 segundos, cometendo faltas e simulando como atores, o destino estará traçado: será um péssimo espetáculo. É claro que jogadores deveria ter sido expulsos já no primeiro tempo, o pouco pulso deixou o jogo uma porcaria, mas isso não é culpa tua.
E, infelizmente, eu tinha razão quando falei contigo na semana passada. A preservação equivocada de D`Alessandro e Fabrício gerou um ponto em dois jogos. Se eles estivessem em campo contra o Náutico, se tu não tivesses destruído o meio-de-campo naquela partida, nós poderíamos ter chegado aos quatro pontos. Mesmo se perdêssemos para o Grêmio, teríamos os três pontos do jogo no Recife e 3 > 1. Que mancada. Quem sabe vocês me chamam para eu explicar como se joga um campeonato de pontos corridos? Posso também explicar o baixo valor de um empate, o que sempre justifica a ofensividade. Na boa, Dunga, não suporto burrice em coisas tão óbvias. Tu jogaste fora do Brasil, deverias saber.
Para piorar, o efeito Gre-Nal persistirá na próxima rodada. Tivemos Jorge Henrique e Fabrício expulsos. Ou seja, o (mau) efeito Gre-Nal envolverá três jogos, jamais vou entender.
Sobre nosso time, há pouco a dizer. O juiz não permitiu que se jogasse futebol. Mesmo assim, pudemos ver que Ednei e Ronaldo Alves não são jogadores para nós. Principalmente este Ronaldo Alves que é ruim demais. Já te disse, Jackson e Alan são superiores.
E olho na tabela, O líder Botafogo tem 70% de aproveitamento e nós caímos para 58%. E tudo começou em Recife.
Tchau, até a próxima segunda-feira.
P.S. — Muito triste aquele negócio de ouvir o narrador gritar o gol do Damião e não se ouvir a torcida colorada comemorar. 1500 ingressos é jogo de torcida única sim.
Sem dúvida, a crônica não é um gênero recomendável a quem almeja a posteridade. Afinal, os cronistas normalmente escrevem para o dia seguinte e seus produtos, como se fossem modernos palimpsestos*, são substituídos no outro dia. Certamente, as crônicas duram mais um pouco mais quando são publicadas em revistas, e sua glória absoluta é aparecerem em livro. Hoje, com a internet e os blogs, as crônicas são publicadas instantaneamente e talvez sejam ainda mais voláteis. O tempo de exposição das crônicas nas capas dos sites é variável e sua glória mais duradoura é a de continuar aparecendo nas pesquisas do Google ou, e aqui voltamos ao ponto comum, em livro.
Temos e tivemos excelentes cronistas em nosso país. Tivemos, por exemplo, Nelson Rodrigues e Stanislaw Ponte Preta, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino, Millôr Fernandes e o sobrevivente – ainda bem! – Luís Fernando Verissimo. Mas tivemos um solitário cronista que se orgulhava de ter nascido em Cachoeiro do Itapemirim e que foi o maior de todos eles: Rubem Braga.
Segundo Bandeira (e também Drummond), melhor ainda quando estava sem assunto
A maioria das crônicas de Rubem Braga cumpriram seus destinos de palimpsesto. Afinal, ele escreveu mais de 15 mil crônicas para jornais, revistas, rádio e TV e não mais do que mil foram selecionadas pelo autor para publicação em livro. Ele publicou mais de 20 livros de crônicas, o primeiro aos 22 anos. O estranho é que Rubem Braga — um jornalista que por anos redigiu notícias em redações – tinha suas melhores performances quando tratava de não-notícias. Como escreveu Manuel Bandeira, o verdadeiro material de Rubem Braga é a escassez de assunto. Quando falava de um tema absolutamente simples e cotidiano, conseguia habilmente espremê-lo de modo a extrair as gotas de uma poesia que era só dele.
Rubem Braga nasceu há 100 anos, em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro do Itapemirim (ES) e morreu no Rio de Janeiro em dezembro de 1990. Em 1929, matriculou-se na faculdade de Direito do Rio, transferindo-se depois para Belo Horizonte. Em 1932, ano em que se formou, foi trabalhar no Diário da Tarde, de BH. Logo, além de matérias, passou a escrever suas crônicas. No mesmo ano, cobriu para os Diários Associados, na frente de batalha, a Revolução Constitucionalista de 1932. Trabalhou como correspondente ou contratado em diversas cidades do país, tais como São Paulo, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Na FEB, Braga é o primeiro em pé, à esquerda
Acompanhou também a Força Expedicionária Brasileira na campanha de 1944-45, na Europa, quando era correspondente do Diário Carioca. Sempre viajou muito, escrevendo para jornais brasileiros sobre os países onde estava. Passou longas temporadas em Paris e em Santiago do Chile. Viajou do Paraguai à Índia, da Grécia à Mocambique. Em 1955, chefiou o Escritório Comercial do Brasil em Santiago durante o governo de Café Filho, mas não ficou um ano no cargo. Mandou um telegrama pedindo demissão. Em 1961, com os amigos Jânio Quadros na Presidência e Affonso Arinos no Itamaraty, tornou-se Embaixador do Brasil no Marrocos. Mas nunca se afastou do jornalismo.
Falamos que Rubem Braga trabalhou em Porto Alegre. Sim, ele passou somente alguns meses na capital gaúcha, em 1939, aos 27 anos, trabalhando no Correio do Povo. Na época, sofria perseguição política do governo de Getúlio Vargas e chegou a ser preso por algumas horas quando desembarcou.
O autorretrato do solitário Braga
Seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, foi publicado em 1936 pela José Olympio. Na crônica que dá nome ao volume está escrito: Minha vida sempre foi orientada pelo fato de eu não pretender ser conde. De fato, nunca foi conde, sempre trabalhou muito, apesar da fama de ser um ermitão de temperamento introspectivo, mas ganhou um apelido nobiliárquico: era chamado de “O Príncipe da Crônica”. Seus temas sempre foram as ruas das cidades onde viveu, suas árvores, seus pássaros – adorava descrevê-los – , as mulheres, a infância, o mar, os amigos, a saudade e a morte. Escreveu também muitas crônicas políticas, mas não as selecionava para seus livros. Era um homem de esquerda que foi ficando cada vez mais cético a respeito do discurso político. Nunca fez o habitual percurso para a direita e criticava asperamente o Golpe de 64, mesmo sem morrer de amores por João Goulart. Morreu escrevendo como um humanista cético: Nada me desgosta mais que o primarismo dos anti-comunistas que veem tudo da Russia como obra de capetas ou o tom longamente adotado pela “Imprensa Popular” divisando em tudo que é norte-americano corrupção, imperialismo, bestialidade, ignorância. Tal independência lhe renderia muitas críticas e incompreensões, tanto dos militares quanto da “Patrulha Ideológica” dos anos 70 e 80.
Apesar da fama de lírico, um crítico da ditadura de Vargas e do Golpe de 64
Por exemplo, quatro meses após o Golpe de 64, escreveu uma crônica dizendo que este fora fruto do aventureirismo frenético do Governo João Goulart. Porém, no mesmo texto, fazia a inútil advertência de que não aprovava “tolices como a cassação dos direitos políticos de Jânio Quadros, ou de homens como Celso Furtado e Anísio Teixeira”. Dois meses depois, sua postura já era bem mais decidida:
Sempre houve no Brasil quem pregasse a necessidade de um governo forte, um governo militar. Só assim poderíamos ter ordem e respeito. Um soldado que fizesse cumprir a lei. As virtudes militares de hierarquia, de disciplina, de obediência – para acabar com a clássica bagunça brasileira.
Ora, não é isso o que vemos. Há no Recife um Coronel Ibiapina que não respeita nem Superior Tribunal Militar, nem Supremo Tribunal Federal, nem general, nem marechal: quem manda é ele, quem prende e solta é ele.
(…)
Além dos violentos, dos arbitrários, dos boquirrotos, há os piores, os que torturam presos políticos. Onde está a ordem, a disciplina, onde está o respeito?
Não, fardar a bagunça não é uma solução. Tivemos mais de um presidente civil que não toleraria nem por um minuto nenhuma dessas exibições de insubordinação.
A fama e a condição de lírico não deve ser confundida com indiferença política. Rubem Braga fundou A Folha do Povo, no Recife, jornal comunista que foi fechado e seus redatores presos e espancados. Ele próprio, Rubem Braga, esteve preso no Recife antes de sê-lo em Porto Alegre. O que houve então para ele ser insistentemente identificado como apolítico? Ora, após seus 60 anos, durante o governo Médici e em plena vigência do AI-5, realmente houve um recuo do cronista em direção ao ceticismo, mas não apenas isso: o que houve foi uma escolha estética, uma substituição da crônica social e fática pelo atemporal e indireto, características aliás, adotadas por autores como Saramago e García Márquez em seus livros, apenas para citar dois autores cujas opiniões políticas jamais foram confundidas.
Por exemplo, em Ai de ti, Copacabana, há uma pequena, famosa e delicada crônica chamada O Padeiro (texto integral ao final desta matéria). Nela, Braga descreve um entregador de pães que ia de andar em andar e gritava, logo após apertar cada campainha, Não é ninguém, é o padeiro! Superficialmente, a crônica pode ser lida como a piada do homem que dizia que era ninguém, mas a crônica também permite a leitura da história do trabalhador que entregava os pães para os ricos de Copacabana, avisando-os — e talvez pensando — que era ninguém, que não valia a incomodação de abrir a porta para recebê-lo com um bom dia. A crítica que parte da esquerda fez a Rubem Braga ignorou a dimensão humana de seus relatos, que prescindia de discursos, adotando a graça, a leveza e a transcendência. Mas eram outros tempos.
Apesar da eterna carranca, um olhar carinhoso e compassivo das pessoas
E são justamente estas crônicas — as combatidas, as indiretas, as poéticas — que Braga escolheu para os muitos livros hoje disponíveis. São crônicas líricas de fundo nada ameno. São aparentadas do Drummond de A Rosa do Povo e estão longe da literatura de salão, apesar de seus amados pássaros e árvores. E também são tristes, muito tristes como a história do homem solitário que nunca conheceu A Primeira Mulher do Nunes (texto integral ao final da matéria), da qual todos diziam maravilhas e pela qual o narrador já estava apaixonado. Mas uma coisa ou outra o impediam de conhecê-la.
Na capa do livro diz: “Tônia Carrero, movida pela paixão”
Paradoxalmente, o solitário Braga mudava na presença do sexo feminino. Mulherengo, amou uma das mais belas atrizes brasileiras dos anos 40 e 50: Tônia Carrero. Conheceu-a em Paris. Rubem elogiava a sua beleza, fazia piadas — “gosto muito de seu joelho esquerdo” — e, aos poucos, conquistou-a. O marido dela proibiu que os dois se encontrassem. Tônia chorou muito, mas depois, solitária e triste, passou a sair ainda mais com Braga. Decidida a abandonar o marido, Tonia encontrava-se com Rubem num pequeno hotel. Um dia a concierge lhe deu um conselho: “Não perca nunca essa mulher. Ela é bonita demais”. Mas Tonia decidiu pelo rompimento e o escritor ameaçou matar-se debaixo das rodas dos carros de Paris. Nada. Ambos de volta ao Brasil, ele insistiu, mas Tonia o ignorou: “Então vou me jogar no mar!”, gritou Rubem.
Precisaria de uns dois meses livres só para colocar as leituras em dia. Não posso seguir escrevendo sobre cultura sem ler Escuta Só, de Alex Ross, nem Tempo Fraturados, de Eric Hobsbawm. Fico me achando um embuste. Ademais, leria Terra Mátria, sobre a família de Thomas Mann no Brasil, e releria bastante coisa de meus amados Kafka e Sophia de Mello Breyner Andresen. Ah, também voltaria a Os Irmãos Karamázovi, que li com 15 anos e nunca mais. Aí, você pergunta se eu não poderia fazer isso em menos de dois meses e eu respondo que as leituras sim, mas que gostaria também de ir à Portugal. Só Lisboa e Porto, numa viagem turístico-literária, uma viagem para Pessoa e Sophia. E levaria a mais improvável das amigas, aquela que faz parte do tempo ora respirado, para que reconheçamos o deus lisboeta que era quatro e a poetisa portuense de quatro nomes próprios. Se sobrasse algum tempo, dormiria, pois esta é a descoberta desses dias: passei anos acordando antes do que devia e tenho recuperado com minúcia cada hora roubada. E, durante este período, arremessaria de volta os sapos que me fossem lançados e explicaria que vivemos num mundo imaginário onde até mesmo a imagem de nós mesmos é uma construção imaginária, o que significa dizer que acreditarmos no que nos é dito é o mesmo que dizer que não acreditamos em nada. Ao menos eu não acredito.
Como você agora ao me ler. Mas o que você não imagina é como eu acredito no que acabo de escrever.
Maiores detalhes, aqui. As imagens são da minissérie russa homônima, baseada da obra de Bulgákov. O autor do vídeo abaixo colocou como trilha sonora Sympathy for the devil, dos Rolling Stones, canção cuja letra é baseada no livro. Ele tentou fazer uma sincronia entre letra e imagens. Muitas vezes conseguiu, claro. No show dos Stones que o Multishow recentemente apresentou, Mick Jagger adentrou o palco para cantar Sympathy… vestido como um enorme gato preto. Letra e tradução estão abaixo.
Sympathy For The Devil
Please allow me to introduce myself
I’m a man of wealth and taste
I’ve been around for a many long years
Stole many a man’s soul and faith
And I was ‘round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate
Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what’s puzzling you
Is the nature of my game
I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the czar and his ministers
Anastasia screamed in vain
I rode a tank
Held a general’s rank
When the blitzkrieg raged
And the bodies stank
Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what’s puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
(woo woo, woo woo)
I watched with glee
While your kings and queens
Fought for ten decades
For the gods they made
(woo woo, woo woo)
I shouted out,
“Who killed the Kennedys?”
When after all
It was you and me
(who who, who who)
Let me please introduce myself
I’m a man of wealth and taste
And I laid traps for troubadours
Who get killed before they reached Bombay
(woo woo, who who)
Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
(who who)
But what’s puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah, get down, baby
(who who, who who)
Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
But what’s confusing you
Is just the nature of my game
(woo woo, who who)
Just as every cop is a criminal
And all the sinners saints
As heads is tails
Just call me Lucifer
‘Cause I’m in need of some restraint
(who who, who who)
So if you meet me
Have some courtesy
Have some sympathy, and some taste
(woo woo)
Use all your well-learned politesse
Or I’ll lay your soul to waste, um yeah
(woo woo, woo woo)
Pleased to meet you
Hope you guessed my name, um yeah
(who who)
But what’s puzzling you
Is the nature of my game, um mean it, get down
(woo woo, woo woo)
Woo, who
Oh yeah, get on down
Oh yeah
Oh yeah!
(woo woo)
Tell me baby, what’s my name
Tell me honey, can ya guess my name
Tell me baby, what’s my name
I tell you one time, you’re to blame
Oh, who
woo, woo
Woo, who
Woo, woo
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
What’s my name
Tell me, baby, what’s my name
Tell me, sweetie, what’s my name
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
Woo woo
Woo woo
Dunga, meu amigo. Se tu quiseres comprovar, venha ao Sul21e pergunta pro Igor Natusch, pro Iuri Müller ou pro Nicolas Pasinato. Eu previ o fiasco de ontem. Previ no momento em que vi que D`Alessandro e Fabrício provocaram o terceiro cartão amarelo para jogarem o Gre-Nal. Burrice, Dunga, coisa de quem não sabe jogar pontos corridos. Todos os concorrentes ao título e à Libertadores vencerão o Náutico em Recife e em casa. Ademais, os três pontos contra o Grêmio valem o mesmo que os três pontos contra o Náutico, só que os últimos são muito mais fáceis. A matemática ainda não foi avisada de que essa coisa de que ganhar Gre-Nal é importante. Três são três. Sempre.
Voltando aos amarelos: Fabrício e Dale são os dois armadores do time. Como esperar a manutenção da qualidade da armação sem eles? Impossível, né? Ainda mais colocando um estreante de belo nome como Alan Patrick… Coitado do cara, né, Dunga? O time ficou todo torto e lento. Não foi falta de esforço, foi falta de entrosamento, de mecânica.
Outra coisa que deu pra notar é que o Ronaldo Alves não dá. Jackson ou Alan jogariam muito mais ali do lado direito. Para de inventar hierarquias por idade, Dunga.
Depois de ontem, se perdermos o Gre-Nal, tu arranjaste uma crise, certo? Que mancada, Dunga, pelamor.
Nem vou falar mais porque estou meio puto contigo, tá?
A celebridade do explorador irlandês Ernest Henry Shackleton, nascido em 15 de Fevereiro de 1874 e que morreu em 5 de Janeiro de 1922, é devida à incrível aventura do Endurance, mas também ao fotógrafo australiano Frank Hurley. Foram dele as fotos que imortalizaram a expedição, uma daquelas pioneiras viagens suicidas ao continente antártico, realizadas no início do século XX. Na verdade, o grande herói polar — norte e sul — não foi Shackleton e sim o norueguês Roald Amundsen, mas a documentação do Endurance é muito mais rica, graças a Hurley. Enquanto que as fotos de Amundsen são prosaicas, apresentando homens em fotografias posadas, Shackleton levou um artista entre os 27 tripulantes do barco, como os leitores do Sul21 poderão comprovar. Hurley capta a beleza das paisagens, a vida possível na Antártida e a tragédia.
A edição desta sexta-feira (4) do Guardian informa que um grupo australiano, aproveitando o aniversário de morte de Shackleton, anunciou que irá refazer a clássica viagem que vamos resumir aqui, uma das mais incríveis jornadas de sobrevivência conhecidas.
Sir Ernest Shackleton — CLIQUE PARA AMPLIAR
Assim como Amundsen, Shackleton foi tema de diversos livros que se assemelham às narrativas modernas de Amyr Klink e de alpinistas que arriscam tentativas de chegar ao topo do Everest, por exemplo. São atos aparentemente inúteis e perfeitamente humanos, como ressaltou o montanhista George Mallory (1886-1924). Numa conferência, ao ser questionado sobre o motivo pelo qual desejava tanto escalar o monte Everest, Mallory replicou a um repórter: “Quero porque ele está lá”. A Antártida também estava lá para Shackleton e ele desejava ser o primeiro a chegar ao Polo Sul. Na primeira tentativa, em novembro de 1902, numa expedição comandada por Robert Scott, alcançaram 82°16 S, o ponto mais austral alcançado pelo homem até então. Doente de escorbuto, Shackleton viu a expedição ser abortada. Motivado com a experiência, organizou sua própria expedição e, em 9 de janeiro de 1909, após muitas dificuldades, alcança o recorde de latitude, 88°23 S, porém é forçado a abandoná-la a apenas 150 km do Polo Sul. O motivo de ter virado as costas à glória foi a segurança de seus homens. Após percorrerem 3000 km na Antártica, ele regressaram à Inglaterra.
Amundsen: o maior de todos não tinha um fotógrafo à altura
Dois anos depois, em dezembro de 1911, o imbatível Amundsen, seus cães e trenós, alcançaram o Polo Sul. Naquele ano, o norueguês e Robert Falcon Scott protagonizaram uma verdadeira corrida pelos 90 graus: partiram com apenas duas semanas de diferença em outubro de 1911, ambos da plataforma de Ross. Amundsen atingiu o polo em 14 de dezembro, iniciando o retorno no início de janeiro. O grupo de Scott chegou ao mesmo local em 17 de janeiro, encontrando lá a bandeira norueguesa. No caminho de volta, Scott e seus cinco expedicionários morreram de fome e exaustão.
(Parêntese sobre Amundsen: já dissemos que este norueguês liderou a expedição à Antártida (1910-1912) que descobriu o Pólo Sul em dezembro de 1911. Também foi o líder da expedição que chegou pela primeira vez ao Polo Norte em 1926. Como se não bastasse, foi o primeiro a atravessar a Passagem do Noroeste, entre os anos de 1903 e 1906. A Passagem do Noroeste consiste em, de navio, entrar pelo oeste do Alaska, fazendo o contorno pelo norte da América, rente ao Polo Norte, até chegar à Groenlândia).
Já presos na neve, os tripulantes passeiam com os cães — CLIQUE PARA AMPLIAR
Perdida a corrida ao Polo Sul, Shackleton impôs-se um novo desafio: o de atravessar o continente a pé, passando sobre o Polo. Em agosto de 1914, partiu da Inglaterra no Endurance (palavra que significa resistência) com 27 homens. Eles viveriam uma das histórias mais complicadas da exploração polar. O resultado foi mais um fracasso. Após perderem o Endurance, foram resgatados pelo Yelcho, graças à generosidade do comandante chileno Luis Pardo Villalón. Ao voltar à Inglaterra, em 1917, Shackleton e seus homens foram recebidos como heróis.
Nesta quinta-feira, morreu aquele que era considerado maior artista plástico da Argentina, León Ferrari, cuja obra de crítica à Igreja irritou o papa Francisco, quando Jorge Mario Bergoglio ainda era cardeal. Ferrari faleceu aos 92 anos.
Ferrari precisou se exilar no Brasil por ser perseguido pela ditadura argentina (1976-1983), que sequestrou seu filho Ariel, um dos milhares de desaparecidos. Tão provocador e polêmico quanto reconhecido por seu talento nas artes, Ferrari foi o fundador do clube antirreligioso dos ímpios, hereges, apóstatas, blasfemos, ateus, pagãos, agnósticos e infiéis.
Uma exposição que apresentava uma retrospectiva da obra de Ferrari, em 2004, no Centro Cultural Recoleta (CCC), o mais importante da capital da Argentina, provocou uma forte reação de setores católicos e uma carta pastoral em que o atual papa se posicionou contra o teor das obras.
“Hoje me dirijo a vocês bastante magoado pela blasfêmia promovida no CCC nesta exposição de artes plásticas, evento realizado por um Centro Cultural que é financiado com dinheiro de cristãos e pessoas de boa vontade, através dos seus impostos”, escreveu o então cardeal de Buenos Aires.
Renascido: Abbado e músicos de Bologna | Foto: Raffaello Raimondi
A Filarmônica de Berlim é atualmente um túmulo de maestros. Claudio Abbado, 80, depois que saiu de lá, tornou-se leve e criativo, deixando de lado o ser apocalíptico (e doente) da época berlinense. Criou a Orchestra Mozart em Bologna, onde nos brinda com luz, leveza e ousadia. Ouçam as gravações das sinfonias de Mozart para conferir. Já Simon Rattle, que era um monstro em Birmingham e foi para Berlim, lá tornou-se um regente crepuscular e rotineiro. O que fez? Ora, pediu demissão. Como o contrato é longo, retira-se em 2016, salvo engano. O próximo a adentrar a caixa mortuária de Berlim deverá ser Christian Thielemann. R.I.P. e depois saia correndo, Christian.
Na verdade, o que engessa a orquestra é o compromisso com um passado conservador, já enterrado. Se não mudar, ver a Berliner vai tornar-se mera atração turística.
Me deixa triste ver feministas pedindo censura à pornografia, dizendo que é objeto de submissão feminina e direito do homem sobre o corpo da mulher. Acho nada disso, que sociedade chata que regula nudez e sexo sob paradigmas tão autoritários.
A última bobagem. Dunga, dá um carrinho por trás no Luigi? | Foto: Divulgação
Ontem foi um dia muito cheio e não pude te cumprimentar pela vitória sobre o Flamengo. Grande resultado, Dunga, parabéns. Teu time é de luta e a gente gosta disso. É importante ressaltar que o Flamengo é hoje um time de Mano Menezes e isso significa dizer que sabe marcar, contra-atacar e que irá longe, apesar de estar mal colocado no Brasileiro. Mesmo jogando em casa, nem todos os times grandes vencerão o Flamengo, que tem ons jogadores e um líder no banco.
D`Alessandro e Forlán não conseguiram jogar, tal foi a marcação. Aliás, qualquer e nenhum dos dois times poderiam marcar gols. Tivemos sorte, Dunga, e isso é importante. Também gostei da postura gelada do Juan ao não comemorar o gol feito por ele nos descontos, quando tudo contribuía para que ele corresse para a torcida entusiasmado. A gratidão é um belo sentimento, mas a gente quase trincou de expectativa pensando que o gol tivesse sido anulado. Lembro de Gamarra, Iarley, Sóbis e de outros ex-jogadores nossos que marcaram gols contra o Inter. Os dois primeiros baixaram a cabeça, o terceiro pôs as mãos na boca, como se tivesse cometido um crime involuntário. Acho bonito, repito.