Ospa: a trombonada que salva e liberta

Durante o ensaio, o trompista Israel Oliveira testa seu volume pulmonar. | Foto: Augusto Maurer
Durante os ensaios, o trompista Israel Oliveira testa sua capacidade pulmonar. | Foto: Augusto Maurer

Libertos da ditadura das cordas, derrubado o muro que separa madeiras e metais da plateia, os sopros utilizaram muito bem a liberdade de expressão que lhes foi concedida após anos de lutas. Eles deram um belíssimo concerto ontem no Salão de Atos da Ufrgs. É claro que o repertório ajudou muito. A fórmula Bernstein + Strauss + Stravinsky + o ainda desconhecido Ewazen demonstrou o quanto é saudável a expansão dos programas em direção ao ineditismo. Os aplausos após o concerto foram merecidíssimos. Afinal, foi um trabalho árduo enfrentado com brilhantismo pelo pessoal do barulho. Read More

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Chope e livros e riscos descontrolados

Após a entrevista que fiz com Ernani Ssó sobre sua tradução do Quixote, realizada sob os chopes do aprazibilíssimo Tuim, pegamos a mania de nos encontrarmos no mesmo local para falar de literatura e qualquer coisa. Não precisamos mais de pretextos, porém desta vez ele me pediu que, amanhã, eu levasse comigo meu exemplar de O mestre e Margarida, para lhe emprestar. Não há problema, costumo emprestar livros. Ou melhor, há um problema sim. É que, cada vez mais, faço anotações a caneta nos livros e não gosto que os outros as leiam, por serem feitas ao ritmo de meus imbecis pensamentos pessoais durante a leitura.

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O Último Minuto, de Marcelo Backes (I)

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Farei dois ou três comentários acerca de O Último Minuto, de Marcelo Backes, em razão de minha participação no lançamento do livro em Porto Alegre, lá no StudioClio, na próxima quinta-feira, às 19h30. Serve como anotação, certamente desorganizada. 

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A pedido do Backes, li O Último Minuto quando era ainda um arquivo do Word e tinha o nome de Morte Súbita. Demorei a me resolver a ler, demorei a responder ao Marcelo. Quando o fiz, ele disse: “Olha, já é outro livro. Certamente, tu vais comentar coisas que foram alteradas”. Tudo inútil, portanto, e tudo muito curioso, pois a releitura, feita agora já sob um novo nome e no formato de livro (Companhia das Letras, 221 páginas), é realmente desconcertante. Jamais manteria a sinopse que catalogara em minha memória no ano passado e que vou tentar recriar sem spoilers. Fico pensando na extensão das reformas empreendidas pelo Backes e que agora nem posso conferir porque tenho o hábito de deletar originais. Já imaginaram se aparecem em outro lugar? Read More

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Balzac revisava seus textos… E como!

Via Éder Silveira.

Balzac

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Chaplin e a multidão

Chaplin e a multidão

Copiado do blog português O homem que sabia demasiado.

Quando pensamos que hoje existem celebridades no mundo do espetáculo e do cinema, nem sempre nos lembramos que este não é um fenômeno recente. Desde o período do cinema mudo que grandes estrelas do cinema arrastavam multidões de fãs e seguidores.

Foi assim, por exemplo, com o gênio de Charlie Chaplin. Depois da primeira década de trabalho ter sido de pouco reconhecimento (1910), a fama chegou em força a partir do final da mesma década e no início dos anos 1920.

Esta fotografia é espantosa pela forma como se revela aos nossos olhos: nela vemos Chaplin em trajes “civis” aos ombros de um homem para que toda uma incrível multidão de pessoas o possa admirar. Foi tirada em Londres em 1921, uma cena em total apoteose popular, quase parecendo que foi encenada de tão perfeita ser.

Uma imagem como hoje não há mais (clique na imagem para ampliar).

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Porque hoje é sábado e estou de plantão, um PHES rapidinho, mas interessante

Porque hoje é sábado e estou de plantão, um PHES rapidinho, mas interessante

Fazer o quê? Às vezes não dá tempo.

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Por maior que seja a fome, …

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dizia eu: por maior que seja a fome… Read More

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Bram Stoker vive!

Publicado em 9 de dezembro de 2012 no Sul21

Por Nikelen Witter
Especial para o Sul21

Não, ele não morreu. Acima, Christopher Lee como Drácula.

O título dramático pode parecer exagerado. Afinal, Bram Stoker jamais foi conhecido como um autor genial. Nem em sua época, nem passados 100 anos de sua morte. Sua criação, porém, assentou seu pé na imortalidade. Drácula, a obra-prima de Stoker, ganhou vida própria (com o perdão da ironia) e superou em muito seu criador. Se levarmos em conta, especialmente, a primeira metade do século XX, perceberemos, inclusive, que o autor praticamente sumiu das referências feitas a seu personagem mais famoso. Resgatado no título de uma adaptação de sua obra num filme dos anos 90, assinado pelo oscarizado Francis Ford Coppola, Stoker assumiu notoriedade como um dos principais autores no estilo do romance gótico vitoriano. Read More

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Debbie, you see how boring it is

Quase dormindo, Claude Debussy com seu grande amor, Emma Bardac
Quase dormindo, Debbie diz a seu grande amor, Emma Bardac: “Acho que vou compor uma peça para piano” (clique para ampliar)

É claro que se trata de gosto pessoal. Por exemplo, jamais colocaria Debussy no mesmo ofurô de vulgaridade onde sufoca Rachmaninov. Reconheço os méritos do francês apesar de seus efeitos sobre mim, pois, se há trabalho e suor para criar aquelas coisas, elas têm igualmente o condão de me fazer viajar. Pode acontecer de eu pensar em  coisas que podem ser boas como os planos para escrever uma resenha leve, informativa e agradável sobre a Sagração da Primavera. Mas pode me ocorrer fazer uma prosaica revisão dos compromissos de amanhã. Debbie, you see, convida ao sonho, convida a divagações bem longe dele. O concerto da última terça-feira da Ospa, continha um bonito concerto de Mozart (Concerto para Flauta, Harpa e Orquestra,  K. 299), um Ravel (Le Tombeau de Couperin), porém dois dramins debussyanos: os Noturnos, para orquestra e coro feminino, e as Danças Sacra e Profana, para harpa e orquestra. Read More

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Árvores abatidas: tudo foi planejado como num crime

Enquanto as cabeças da população estavam afundadas nos travesseiros...
Enquanto as cabeças da população estavam afundadas nos travesseiros… | Foto: Ramiro Furquim / Sul21

Há dois pontos que demonstram a péssima condução que a prefeitura deu para os cortes das árvores nas proximidades do Gasômetro. O primeiro foi ocorreu em 6 de fevereiro, quando aconteceram os primeiros cortes de árvores e foram ouvidos os primeiros protestos. Estes surpreenderam tanto o prefeito Fortunati que ele soltou uma das suas mais mal ensaiadas e infelizes declarações: “As pessoas não utilizam as árvores no Gasômetro”. Outro ponto pode ser escolhido dentre as fotografias das árvores abatidas em plena noite — pois, de forma absolutamente sorrateira, escondida da população, o horário escolhido para os cortes foi as 3 da madrugada — , mas coloco-o em outra declaração, a do procurador-geral do Município, João Batista Linck Figueira (PSDB), que disse: ”A decisão pelo corte foi conjunta. Partiu da prefeitura, mas quem encaminhou o momento mais adequado e as questões de segurança é a Brigada Militar”.

Sim, meu caro, a decisão foi conjunta entre a Prefeitura e a Brigada. Ou seja, foi totalmente desconjunta. Desde o início, houve uma total desconsideração pelos movimentos sociais. Há 40 dias existia um acampamento protegendo as árvores e o prefeito jamais tentou um diálogo decente com eles. Foi lá e saiu dizendo chorosamente que “eles têm uma posição radical”. Isto é política? Com efeito, uns vão dizer que o acampamento era habitado por ecochatos radicais. Outros dirão que a prefeitura tinha planos que nunca conjeturou alterar. Logicamente, cada um dos lados ganhou força em função da existência do outro, mas não podemos esquecer que quem tomou o primeiro passo foi a prefeitura. Read More

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Decidiram! Vou para o inferno!

Tu és muito querido, mas não quero tua salvação, tá?
Tu é muito querido, mas eu vou pro inferno, tá?

Horas depois do papa anunciar aos céus que mesmo os ateus podem ir para o paraíso após suas mortes, o Vaticano divulgou um comunicado fazendo uma importante retificação: nada disso, crianças, ateus vão para o inferno. Eu aceito numa boa o veredito.

Em adendo, o Vaticano emitiu uma “nota explicativa sobre significado de salvação”, explicando melhor essa coisa falsa de Bergoglio prometer o céu àqueles que estão engajados em boas ações (meu caso), incluindo os ateus. O Rev. Rosica, porta-voz do Vaticano, deixou bem claro: todos aqueles que conhecem a Igreja Católica, mas recusam-se a entrar nela ou dela fazer parte não poderão ser salvos. Estou aliviado, garantido no inferno, em desgraça metafísica irreversível.

Todo esse papo não saiu de minha imaginação ou de textos da Idade Média, são atuais. Então, em resumo, nós, ateus, vamos para o inferno. Parece uma conversa infantil, mas há adultos discutindo essas coisas. Depois me chamam de fútil por gostar de futebol, que não salva ninguém, mas diverte.

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O Resto é Ruído, de Alex Ross

o-resto-e-ruidoEu já tinha comprado este livro, mas ainda não o tinha lido. Surpreendi-me quando, em fevereiro, cheguei a Londres e descobri que o complexo de salas de concerto do Southbank Center estava apresentando uma série de espetáculos que teria a duração de um ano (é isso mesmo) e que era inteiramente baseada no livro de Ross. Ou seja, eles tinham lido O Resto é Ruído e já estavam escutando o século XX, como diz o complemento do título do autor norte-americano. Depois de comprar alguns ingressos com os quais pude assistir a um fantástico concerto com a Sagração da Primavera e outro sobre a obsessão de Ravel pela Espanha, não apenas me senti menos infeliz ao comparar Londres a Porto Alegre como decidi que leria imediatamente o livro. Quando voltei para casa, não precisei avançar muitas páginas para saber porque o ensaio, — que é recente, de 2007 — é objeto de tantos elogios, quase objeto de culto. Read More

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Sim, orgulho: meus filhos na Marcha das Vadias

Também é uma festa, também é uma piada, mas as piadas e as brincadeiras podem envolver fatos muito sérios. Uma explicação para marcianos — pois notei, através de sites, que há muitos recém chegados daquela planeta: a Marcha das Vadias (em inglês SlutWalk) é um movimento que surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto, no Canadá, quando um delegado culpou uma mulher por ter sofrido abuso… Afinal, ela estava vestida de forma provocante… Desde então esta Marcha se internacionalizou como um protesto contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro porque “pedem” para ser estupradas com base em sua forma de vestir. Durante a marcha, algumas mulheres usam roupas cotidianas, mas a maioria vão seminuas com roupas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas sutiã. Em Porto Alegre, a Marcha teve também presença masculina. Em solidariedade a elas, eles vestiram saias ou outros itens do “provocante” vestuário feminino.

A Marcha das Vadias é um movimento indiscutível, cheio de razões de ser. Meus filhos Bárbara e Bernardo participaram da Marcha. Ele é fotógrafo, mas como aparece em duas, acho que a única de sua autoria é a da Bárbara, as outras devem ser da Natália Karam e da Bárbara Ribeiro, quando ausentes das fotos.

Bárbara já esta paramentada, o Bernardo ainda não tinha encontrado a Natália, da qual receberia a saia para participar.
Bárbara já esta paramentada, para o Bernardo só faltava desamarrar a saia que recebera da Natália.

Mais fotos:

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Gary Oldman e Marion Cotillard no clipe The Next Day, de David Bowie

Thank you, Gary; thank you, Marion; thank you, Bowie.

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Filme francês venceu a Palma de Ouro 2013

Diretor Abdellatif Kechiche, no centro, com as atrizes Lea Seydoux, à direita, e Adele Exarchopoulos, à esquerda.
Diretor Abdellatif Kechiche, no centro, com as atrizes Lea Seydoux, à direita, e Adele Exarchopoulos, à esquerda.

La Vie d`Adèle – Chapitre 1 et 2, de Abdellatif Kechiche, venceu esta tarde a 66.ª edição do Festival de Cannes.O vencedor foi anunciado por Steven Spielberg, um dos membros do júri. Ao entregar a Palma de Ouro a Kechiche, Spielberg frisou a excelência das interpretações das atrizes Adele Exarchopoulos e Lea Seydoux e incluiu-as como vencedoras do prêmio, uma vez que, segundo as regras do Festival de Cannes, um filme não pode acumular vitórias. Read More

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Porque hoje é sábado, Rosamund Pike

Quando vi Rosamund Pike no filme Orgulho e Preconceito,

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no papel de Jane, a irmã mais velha de Elizabeth Bennet,

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que era vivida por Keira Knightley, Read More

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Drogas: maior rigor e atraso

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O estúpido projeto do deputado Osmar Terra, o qual vai na contramão da tendência mundial, aumentando as penas e prevendo a possibilidade de internações involuntárias, foi em parte aprovado ontem pela Câmara dos deputados e agora vai para o Senado. Enquanto a maioria dos países ocidentais começam a pensar em regularizar as drogas, admitindo que a guerra travada por anos foi perdida, nosso país — dominado por uma classe média religiosa e ignorante — dá um passo atrás. A nova lei é puramente punitiva, não ataca o funcionamento do sistema das drogas, nem evita a entrada de ninguém na criminalidade. Apenas aumenta penas e prevê a internação compulsória para os casos mais graves.  Read More

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Ospa em Noite Transfigurada e jovem, demasiadamente jovem

Ospa em Noite Transfigurada e jovem, demasiadamente jovem
Cláudio Cruz no concerto de ontem | Foto: Antonieta Pinheiro
Cláudio Cruz no concerto de ontem | Foto: Antonieta Pinheiro (clique para ampliar)

O curioso e novidadeiro (sim, isto é muito positivo) programa de ontem da Ospa iniciou com a Sinfonia Simples, Op. 4, para orquestra de cordas, de Benjamin Britten (1913-1976). Britten escreveu-a aos 20 anos de idade, utilizando temas que compusera para o piano entre os dez e treze anos. A primeira apresentação foi em 1934, com o compositor regendo uma orquestra amadora. A Simples, em quatro movimentos, não faz jus à Britten, um sofisticado compositor do ponto de vista musical e literário. Digo literário porque a parte principal de sua produção é de música vocal baseada em estupendas obras, muitas das quais foram adaptadas por Britten e colaboradores para seu companheiro Peter Pears cantar. Britten era alguém tão cool e respeitado que nunca escondeu sua sexualidade, mantendo abertamente sua relação com Pears por mais da metade da vida. Read More

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Os impostos da cachaça

Foto: Lili Callegari
Ah, Parati | Foto: Lili Callegari

Leio surpreso que a cachaça é o produto campeão de impostos. No preço de cada garrafa comprada, 82% são impostos. Em segundo lugar vem o cigarro com 80% e em terceiro os perfumes importados, com 78%. O uísque paga 61% e o espumante 59%. A cerveja 55 e o vinho, 53.

Os impostos da cachaça artesanal são maiores do que os da industrial. É que os pequenos produtores foram retirados do Simples — regime tributário com alíquota menor voltado justamente para os micro e pequenos empresários. A cachaça é considerada  supérflua — e é mesmo –, fato que faz com que sua alíquota do ICMS seja mais alta. Mas o uísque também é supérfluo, não? E por que os alambiques pagam mais? Read More

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Holy Motors, de Leos Carax + Elena, de Petra Costa

Minha mulher tem a mania de propor sessões duplas. A gente sai de casa no final da tarde e vê dois filmes. Só que ela está viajando e, ontem, quando fui sair, descobri que já era posição minha achar decepcionante sair de casa para apenas um filme. Então, fiz um pequeno planejamento para assistir os dois filmes do título acima, um às 19h e outro às 22h, com um rápido jantar entre eles. E sim, existe felicidade cinematográfica. Dificilmente assisti de enfiada dois filmes tão diferentes e tão bons.

Holy-Motors

Conhecia Leos Carax (1960) de dois trabalhos extraordinários — Sangue Ruim (1986) e Os Amantes de Pont-Neuf (1991). Ele filma muito pouco e não creio que seus outros dois longas tenham chegado ao Brasil. Ontem, vi Holy Motors (2012) em sua atrasadíssima pré-estreia em Porto Alegre lá no Instituto NT. Além de diretor, Carax é ator, crítico e escritor. E é ele quem abre Holy Motors fazendo uma única e breve aparição. Numa cena belíssima — como quase todas as do filme — , ele acorda ao lado de uma sala de cinema onde os espectadores dormem… Certamente não estão ali para isso, mas dormem. Esta é uma das chaves para a (in)compreensão do que virá. Read More

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Porque hoje é sábado, Sofía Jaramillo ou uma colombiana para os gremistas colorados

Sofía Jaramillo é uma colombiana que adora futebol.

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E torce para um time de camisas vermelhas e calções brancos.

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Que são um pouco maiores que os análogos usados nas fotos acima. Read More

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