Clara Corleone nos 25 anos Livraria Bamboletras

Clara Corleone nos 25 anos Livraria Bamboletras

minha admiração pela bamboletras vem desde a primeira vez que eu a encontrei, quando era criança. uma tampinha amante dos livros e das livrarias, achava um lugar meio encantado, sabe? pequeno e cheio de surpresas. eu e a bambô seguimos na vida uma da outra desde então: minha prima daciara cantou na bambô quando eu era adolescente. que legal, né? cantar numa livraria! quando trabalhei como garçonete em um bar na cidade baixa, tentava ir mais cedinho pro bairro – sou moradora do bom fim – para dar um pulinho na bamboletras. comprei alguns livros do caio fernando abreu por lá que ainda conservo, com muito carinho, na minha biblioteca. ano passado, ao receber uma grana a mais, encomendei dois livros enormes do meu amor reinaldo moraes com o milton. chegaram rapidinho e foram lidos rapidinho, também. essa semana, juntinho desse aniversário tão especial, também rolou um cascalho inesperado e logo pedi ao milton para me mandar alguns livros do marçal aquino. e não posso deixar de mencionar que, honra suprema, algumas cópias do meu primeiro livro ficaram em 2019 por lá autografadas a pedido do livreiro. muito chique!

vida longa a bamboletras, ao meu querido amigo milton e a todas as livraria de porta de rua do mundo.

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Bamboletras: balança, mas não cai

Bamboletras: balança, mas não cai

Por Marcos Nunes

Eu era cliente da livraria Leonardo da Vinci, no Rio, que fechou nos antigos moldes e reabriu em novos, o que a tornou equivalente a outras do ramo, como a Livraria da Travessa, ainda que não a supermercados sem caráter como a Saraiva, a Cultura e a Fnac.

Quando mais jovem, comprava na Livraria Eldorado, na Tijuca, e andava pelos sebos do Centro (tempos bicudos).

Agora sou cliente de uma única livraria, a Bamboletras, onde nunca fui, e com 99% de probabilidades nunca irei, pois moro a quase 1.900 km dela.

Pelo que vi nas fotos do lugar, é um estabelecimento pequeno, porém bem fornido, tipo aquele boteco pequenino e bem transado que a gente ama, pois tem tudo o que gostamos e conta com donos e atendentes de uma simpatia que é quase amor.

Recebo, é claro, meus livros pelo correio, sendo eles quase todos bons muito bons, exceções de praxe não contando, é claro. Alguns me são indicados; outros, escolho depois de vaguear por sites e recomendações avulsas em redes sociais.

Contudo, jamais, jamais mesmo!, compro livros em sites do gênero Amazon. Fazendo como faço agora, ainda me sinto, nesse meu imaginário de poeta e louco que todos têm um pouco, a impressão de circular pelos apertados vãos entre prateleiras repletas de livros, sentindo os cheiros de papel e tinta, olhando para uma eventual e bela cliente, ou atendente, e até para o sorriso bobão do Milton, que suspeito ser assim, bobão, uma vez que nunca nos vimos e sequer nos falamos pelo telefone.

É, a vida virtual pegou a gente e assim são nossos sonhos no século XXI: impossíveis abraços afetuosos em amigos e amantes unidos tantas vezes por um só interesse. Neste caso específico, os livros.

E, nos dias de quarentena, há pouca coisa melhor para fazer do que ler.

Óbvio, podemos também ficar na rede, beber umas garrafas de vinho, fazer um sexo geriátrico, ver uns filmes pirateados na Internet, ou tecer comentários no Facebook, Twitter e coisa que o valha, sem esquecer dos prazeres da cozinha e do simples vagar dos olhos pela paisagem (quando se tem uma à frente que não seja composta somente de prédios, casas, muros, fiações e automóveis).

Tenho visto, claro, nesses dias de muito ócio (e por isso muito prazer) as postagens de porto-alegrenses (e demais habitantes desse estranho país que é um estado) acerca do aniversário de 25 anos do estabelecimento, há uns tempos sob a gestão do colorado e dublê de jornalista Milton Ribeiro. São sempre palavras de muito carinho, muita força e consideração pela luta que é manter um comércio de livros atuante e alerta entre lojas de lingerie e sanduíches de bosta enlatada.

Escrevo, então, minha cartinha de plena solidariedade a esses compadres que leem, escrevem, fazem contas e pagam impostos, e suprem minha sede por palavras impressas em folhas de papel, enquanto existirem árvores e uns poucos leitores como eu, que de fato leem. Para dar um pouco de alegria aos mencionados compadres de nossa república do compadrio que não chega até nós — aliás, vem se estreitando e o número se compadriados cada dia diminui; acho que estamos criando algo novo no mundo: a república minimalista, que vive somente na Praça dos Três Poderes, e o resto é só o resto.

Sigo apoiando a brincadeira de adultos que é ter uma loja repleta desses estranhos objetos que não fazem parte da vida de quase ninguém, que são como as bruxas nas quais quase ninguém acredita – mas que elas existem, existem.

O bobão do Milton Ribeiro na porta da Bamboletras (Foto: Bárbara Ribeiro)

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Santiago nos 25 anos da Livraria Bamboletras

Santiago nos 25 anos da Livraria Bamboletras

Quem não conhece e admira Neltair Abreu, o Santiago? Pois é, ele é mais um cliente da Bamboletras. Ele colaborou em diversos veículos, recebeu mil prêmios como ilustrador e chargista e aqui temos seu depoimento nos 25 anos da Bamboletras. Ah, temos quadros dele para vender em nossa loja!

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José Francisco Botelho nos 25 anos da Livraria Bamboletras

José Francisco Botelho nos 25 anos da Livraria Bamboletras

José Francisco Botelho é escritor e jornalista, autor de Cavalos de Cronos e A árvore que falava aramaico, ambos publicados pela Zouk, além de premiado tradutor de Shakespeare, Chaucer, Conan Doyle, etc.

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As gravuras noturnas de Martin Lewis, o mestre esquecido de Edward Hopper

As gravuras noturnas de Martin Lewis, o mestre esquecido de Edward Hopper

Do Cultura Inquieta

Martin Lewis teve algum sucesso no início de sua carreira, mas a Grande Depressão de 1929 o relegou a um segundo plano e ele passou as últimas três décadas de sua vida apenas ensinando a outros as técnicas de gravação.

Entre esses “outros” estava o grande Edward Hopper, que se apaixonou por seus personagens e paisagens  noturnas e solitárias. Apesar disso, Lewis morreu esquecido como artista em 1962, sendo considerado apenas um professor de arte aposentado. Estranhos caprichos do destino quiseram que a história escolhesse Hopper para ser célebre, mas o fato é que Martin foi seu mentor e Hopper provavelmente nunca tivesse sido Hopper sem Lewis.

Consciente disso, o pintor disse em sua própria biografia que foi a partir do ilustrador australiano que aprendeu o básico da gravura.

Lewis começou a mostrar seus trabalhos em 1915, usando uma prensa para fazer impressões. Suas gravuras na época eram admiradas e compradas pela elite da Costa Leste. Hopper foi a seu encontro e perguntou se poderia estudar com ele a fim de aprender as técnicas. Com Lewis, Hopper passou a também usar a noite da cidade que nunca dorme como inspiração.

No entanto, anos depois, enquanto preparava uma exposição individual em Pittsburgh, no auge de sua fama, Hopper paradoxalmente rejeitou a influência do trabalho e do aprendizado com Lewis: “Lewis é um velho amigo meu”, disse, rejeitando o valor profissional em seu trabalho. “Quando eu decidi gravar, ele ficou feliz em me dar alguns conselhos sobre processos puramente mecânicos”.

Eles obviamente não eram mais amigos na época. Tiveram problemas, pois era complicado para Lewis ser testemunha do enorme sucesso de Hopper.

Porém, quase 50 anos após sua morte, uma gravura de Lewis, “Shadow Dance”, foi vendida por preço recorde para o artista. Em 2019, um colecionador pagou US$ 50.400 num leilão em Nova York. Ou seja, agora ele começa a receber o merecido reconhecimento que infelizmente não obteve ver.

De sua parte, Hopper sempre considerou a gravura o meio que lhe permitiu explorar outras áreas como artista e muitas de suas gravuras se tornaram mais tarde algumas das pinturas que o tornaram famoso.

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXIV)

~ DIA DAS MÃES ~

A cliente entra na Livraria Bamboletras, escolhe, escolhe, escolhe e…

— Eu preciso de um presente para a minha mãe. Acho que vou levar este aqui.

E me mostra o romance Olive Kitteridge. Eu calculei a idade da compradora e concluí que sua mãe deveria ter mais de 70 anos.

— Olha, este livro é sobre uma mulher madura, aposentada, que tenta várias vezes se suicidar… Discute também melancolia, envelhecimento e depressão. Tua mãe pode se interessar pelo tema, mas não sei tu achas adequado dar este livro de presente de Dia das Mães…

— Credo! QUE HORROR! Não quero mais. Poderia me indicar outro?

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Nikelen Witter sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Nikelen Witter sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Nikelen Witter é escritora, autora de Territórios Invisíveis, Viajantes do Abismo, Dezessete Mortos e A Devoradora de Mundos. É graduada e professora de História na UFSM. Possui Mestrado em História do Brasil pela PUC-RS e é Doutora em História Social pela UFF. E é cliente da Bamboletras.

“Quem trabalha com História da Leitura, como é o meu caso, sabe da importância que tem uma livreira ou livreiro. Não se trata apenas de escolhas de acervo e venda de livros. Trata-se do fomento, da curadoria, da conexão entre quem lê e busca e as palavras escritas e seus formatos e gêneros. Livreiras e livreiros são essa ponte, essa ligação. Mesmo quando a gente olha da história do livro no Brasil, sabe que foi dos livreiros que vieram as editoras, de seu gosto e recomendações que se fizeram escritores. É claro que, quando se é uma leitora voraz – o que é o meu caso igualmente – e uma escritora – grupo no qual também me incluo -, a importância da livreira/livreiro continua sendo crucial. Não pelo comércio dos livros que consumo ou que escrevo. Mas pelo papel fundamental de formação de leitores e de extensão dessa cadeia de amantes da escrita a um nível pessoal que, por vezes, oscila entre a amizade e a terapia. É nesse lugar que a Bamboletras tem estado nos últimos 25 anos. Uma livraria livreira. Um espaço de encontro e compartilhamento. Uma porta para a dimensão maravilhosa dos livros. Longa vida, Bambô!”

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Luís Augusto Farinatti nos 25 anos da Bamboletras

Luís Augusto Farinatti nos 25 anos da Bamboletras

Farinatti é escritor — autor de Verão no Fim do Mundo –, professor do Departamento de História da UFSM e também cliente da Bamboletras. Obrigado por fazer parte dessa história!

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Enid Backes nos 25 anos da livraria Bamboletras

Enid Backes nos 25 anos da livraria Bamboletras

Enid Backes, 88 anos, é cliente da Bamboletras, socióloga e militante de movimentos sociais, tendo participado das lutas pela redemocratização do país, pela anistia, e de trabalhadoras e trabalhadores ligados a sindicatos.

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Francisco Marshall nos 25 anos da Livraria Bamboletras

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Judas, de Amós Oz

Judas, de Amós Oz

Judas é o último romance de Amós Oz (1939-2018), publicado em 2014, aos 75 anos de idade do escritor. Sem dúvida, é um belo ponto final para a grande obra de Oz. Trata-se de uma indiscutível obra prima. É um livro que nasceu clássico, mas não pense em algo acadêmico, pense em algo rebelde. Oz ousa muito em Judas. Ele reinventa a história do homem do qual se diz ter beijado e traído Jesus e questiona a criação do estado de Israel. Só isso. Sem artifícios exagerados ou grandes invenções, apenas empurrando as peças para ali adiante ou para o lado, Oz reconstrói a história do cristianismo e de seu povo. A leitura de Judas é um sereno convite para a livre reflexão. Mas sabem o que eu acho? Há duas histórias contadas paralelamente e a melhor é a outra.

A outra história, a de dentro de casa, é a do trio formado por Shmuel Asch, um jovem, reflexivo e quase desistente estudante universitário; por Guershom Wald, um velho professor inválido que é cuidado às noites por Shmuel; e por Atalia Abravanel, nora de Wald. Os três moram na mesma casa, que é de Atalia. Após desistir (temporariamente?) da universidade, Shmuel serve de interlocutor para Wald entre às 17 e às 22h, já que o velho gosta de tagarelar e tagarelar de forma inteligente e contumaz. Atalia é a nora viúva, pois seu marido, filho de Wald, morreu na guerra. É lá, em uma casa de pedra que cheira à mofo, que são discutidas algumas das grandes questões políticas e religiosas da região.

Não pensem em um livro onde as teses políticas competem com os personagens e a fabulação, pense num livro onde a situação dos personagens diz tanto sobre as teses que tudo se confunde. Alívio! Judas não tem um texto que descamba para a filosofia ou a política, tem um texto onde as situações falam tanto quanto as teses.

Shmuel, um estudante ateu de judaísmo, foi contratado por Atalia para conversar com o velho, dar-lhe alguns remédios e alimentá-lo no horário que citamos. No resto do tempo, ele pode fazer o que quiser. Então, ele dorme, passeia e pensa na tese de pós-graduação que talvez jamais escreva, pois está sem dinheiro e desanimado. Mas talvez o que mais faça é o que fizeram seus antecessores no cargo: apaixona-se pela misteriosa e bela Atalia, uma mulher amarga que não quer nada com homens — além de, eventualmente, seu instrumental.

Shmuel fala muito de Judas Iscariotes. Ele acredita que Judas, na verdade, não traiu Jesus, mas foi seu discípulo mais leal. O velho fala sobre seu sogro, um certo Shaltiel Abravanel, pai de Atalia, famoso traidor na época de sua expulsão do Executivo sionista em 1947, por se opor à criação do Estado de Israel. Abravanel acreditava que judeus e palestinos poderiam viver juntos sem fronteiras. Foi considerado também traidor. O velho e o menino conversam sobre as ideias desses dois mortos, mas acima de tudo sobre suas condições de supostos traidores. Quem decide quem é traidor e por quê? Esse é o verdadeiro tema do romance. Oz conhece bem o tema, já que também teve problemas com o nada tolerante fundamentalismo judaico.

Enquanto isso, desenvolve-se o amor sem chances do jovem Shmuel pela bela, atraente e desiludida Atalia, que tem 45 anos, o dobro da idade dele.

Judas é um romance que lida com a questão da traição. Por que Judas teria traído Jesus em troca de 30 moedas de prata? Não é verdade que Judas honrou seu mestre mais do que todos os outros discípulos e só queria provar que Jesus era todo-poderoso e poderia salvar a si mesmo da cruz? A resposta toca o cerne da relação entre judeus e cristãos e tem importância não apenas teológica, mas também política. A descrição da crucificação de Jesus da perspectiva de Judas é uma das passagens mais impressionantes do livro. Mas há mais, há o processo de introdução de Shmuel no cotidiano da casa, também lindamente descrito.

É magistral a forma como Oz consegue evocar a Jerusalém de 1959 e 1960. Na atmosfera densa e cinza, fica claro desde o início que também a história de amor que surge entre Atalia e o (ex-)estudante de Teologia está condenada ao fracasso. Nas conversas, nas perdas e nas esperanças dos três moradores da casa refletem-se todas as turbulências históricas não apenas das últimas décadas, mas dos últimos 2 mil anos.

Certo dia, um grande amigo me disse que as obras-primas literárias sempre giram sobre estes três temas — o amor, a morte e a existência (ou não) de Deus. Judas é um livro que fala de todos estes temas.

Recomendo fortemente.

Amós Oz não era antissemita, mas criticava Israel. Quem elogia sistematicamente? Os fanáticos, ora. Mas isso é outro papo.

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A Bamboletras no programa Rádio-leitura da Rádio da Ufrgs

A Bamboletras no programa Rádio-leitura da Rádio da Ufrgs

Texto do post original:

O Rádio-Leitura de hoje [apresentado pelo ótimo jornalista Pedro Palaoro] traz o livreiro Milton Ribeiro, da Bamboletras, uma das mais tradicionais livrarias de rua de Porto Alegre. Ele comenta sobre a reinvenção do comércio nesses tempos de pandemia e reflete sobre os ensinamentos que o período de isolamento social podem trazer.

O livreiro também dá dicas de leituras e compartilha conosco um trecho de uma das grandes escritoras portuguesas contemporâneas.

Ouça o podcast na íntegra:

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Fernanda Melchionna fala sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Fernanda Melchionna fala sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

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Lu Vilella escreve sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Lu Vilella escreve sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Então, 25 anos da Bamboletras. O que posso dizer, além de agradecer?

À vida, ao universo, às minhas mestras que me iniciaram, desde as primeiras letras às teorias da literatura. Agradecer aos clientes que, desde o início, lá na rua da República, acreditaram na minha crença. Partilharam comigo o mesmo amor pelos livros. Muitos, hoje são amigos do coração. E seguem parceiros da Bamboletras.

Agradecer ao Milton, que assumiu tão amorosamente a paternidade da minha cria, quando precisei me afastar, quando um chamado mais forte se fez na minha vida. E vocês não imaginam como foi difícil. Como sofri. Como chorei, e ainda choro, de saudades da minha Bambô.

Mas, vida que segue! Sejamos fortes diante das provações, como essa pandemia. Fortes e solidários.
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Então, além de agradecer, de longe, vou torcer. Pela Bamboletras, esse templo de amor ao livro, ao conhecimento, à arte, à amizade e à beleza. Esse templo de amor à Vida.
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Torcer para que nós, brasileiros, possamos atravessar em segurança essa tormenta. De longe, segue meu abraço apertado ao Milton, Eliane, Cacá e Gustavo. E a cada um de vocês, meus mais que clientes, amigos pra toda vida. Feliz aniversário, Bamboletras! Te amo de amor eterno e sinto demais a tua ausência no meu cotidiano.

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Marino Boeira fala sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

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Gustavo Melo Czekster escreve sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Gustavo Melo Czekster escreve sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Gustavo Melo Czekster é escritor. Autor de O Homem Despedaçado e de Não há amanhã. Este último livro, foi vencedor do Açorianos de melhor livros de contos e semifinalista do Jabuti.

Ainda lembro quando entrei pela primeira vez no Centro Comercial Nova Olaria. Parecia uma ilha inesperada de civilização e bom gosto em meio a uma cidade cujas manifestações culturais se espalhavam por todos os lados, ávidas, distribuindo os públicos entre atrações simultâneas, múltiplas. Por muito tempo acreditei que o local fora especialmente construído para mim: afinal, tinha três salas de cinema, tinha cafeterias charmosas, tinha locais para degustar comidas diferentes, tinha uma loja de CDs e LPs antigos, tinha obras de arte, tinha um chafariz e, no meio de tudo, como um coração impregnado de vigor, estava A Livraria. Bamboletras era o nome dela, mas, para mim, sempre foi A Livraria; assim como existe a Biblioteca de Babel, um local onde todos os livros existem à espera de seus leitores e autores, deve existir uma Livraria que concentre as curvas e as estantes de todas as livrarias do mundo, e a Bamboletras é a minha. Não foram poucas as vezes em que estive lá, em que marquei encontros no seu interior, em que levei pessoas recém-chegadas na cidade para conhecê-la, em que estive em lançamentos de livros e em bate-papos. Sempre fui regiamente recebido, tratado como um familiar da Livraria, e talvez seja mesmo, eu e todos os clientes que devem fazer o mesmo (às vezes percebo rostos estranhamente conhecidos no local, não devo ser o único que utiliza a Bamboletras como pretexto para encontrar pessoas e conversar sobre livros, somos uma legião). É possível que algum de vocês já tenha ido comigo: se não foi, em breve estaremos lá. Não foram poucas as ocasiões em que meus passos distraídos me conduziram normalmente até a Livraria: em uma delas, faltou energia elétrica no bairro e fui visitar a Bamboletras, esquecendo que não teria como olhar os livros, pois estaria no escuro. Mais do que ver ou comprar livros, o importante é estar imerso na aura do lugar. Não são poucas as histórias que nos juntam, eu e a Bamboletras. Os anos passaram, muitas lojas desapareceram, outras surgiram, e agora recebo a notícia de que a Bamboletras completa 25 anos, um quarto de século. Custei a acreditar. Parece que eu a conheço desde ontem, ou talvez ela esteja tão imersa em mim que até o tempo apagou seus vestígios. O coração ainda pulsa forte. A Livraria continua entre nós. E, desde que comecei a escrever, agora tenho o prazer de ser parte da Livraria que tanto admiro. Estou lá, cercado por amigos e amigas, acompanhado por histórias, ouvindo as conversas alheias, enxergando todos vocês. Se isso não é o mais próximo que posso chegar do Paraíso, morar na Bamboletras, não sei o que pode ser.

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXIII)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXIII)

De manhã fui na farmácia — sim, na farmácia — a fim de comprar uns Eskibon para comemorar os 25 anos da Bamboletras — sim, comemoração de câmara, modestíssima, de pandemia.

Quando atravessei a Lima e Silva, um homem gritou:

— Parabéns pelo aniversário da livraria! É a melhor!

E agora, quando fui buscar uns livros, uma jovem do outro lado da rua pulava e me acenava:

— Mais 25 anos! Mais 25 anos!

É o que estamos tentando e vamos conseguir.

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Tania Carvalho fala sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

Tania Carvalho fala sobre os 25 anos da Livraria Bamboletras

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Mais um golpe e o bom atendimento de uma loja

Mais um golpe e o bom atendimento de uma loja

Ontem, nestes dias de pandemia e de absoluto nervosismo em razão da necessidade de incrementar as vendas da Livraria Bamboletras, que hoje trabalha em regime de telentregas, acordei, liguei o celular e vi que no meu WhatsApp chegavam inúmeras mensagens do Magazine Luiza parabenizando-me por ter feito várias compras durante a madrugada.

Comprei ar condicionado, TV, geladeira, fogão e peças para todo tipo de carros. Gastei uma fortuna! E estava dormindo!

Ligo para o Luiza e fico sabendo que um fraudador usou o meu nome, o meu Whats e o meu e-mail. Mas fez a compra num cartão de outro, que deve ter sido roubado ou enganado. A entrega seria em Minas Gerais.

Hoje, como o Magazine tem parceiros, os caras passaram a me mandar Whats garantindo que sou o mais feliz dos homens. Afinal, a transportadora já estava com meus itens e eu seria informado passo a passo até o recebimento.

Então, apesar de que o cartão não era meu e não receberia nenhum dos itens comprados, comecei a ficar ainda mais nervoso. Liguei de novo para a empresa, que revisou tudo e inclusive me deletou temporariamente do sistema deles, pois sou cliente. Só elogios para o Magazine Luiza.

O golpe então é este: os caras roubam um cartão, mas quem é informado da movimentação não é o dono do mesmo e sim um dono de livraria angustiado. Mas boa pessoa, modéstia à parte, pois salvou a vida financeira de quem não conhece.

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Os mais importantes músicos alemães exigem ajuda de seu governo para artistas menos conhecidos

Os mais importantes músicos alemães exigem ajuda de seu governo para artistas menos conhecidos

Vários dos músicos alemães mais importantes de hoje assinaram uma carta dirigida ao Ministro Federal da Cultura, na qual solicitam maior segurança para artistas menos conhecidos.

Abaixo, alguns trechos da carta:

“Nós, artistas conhecidos e não tão conhecidos, lembramos da frequência com que nos últimos anos fomos solicitados a aceitar cachês mais baixos (por exemplo, após a crise financeira) e a contribuir para a diversidade da paisagem cultural.

Na maioria dos casos, temos aceitado. Em troca, é imperativo fornecer, para todos os músicos fora da cultura subsidiada, as condições adequadas para que possam seguir dando suas valiosas contribuições à cultura”.

A carta é assinada, entre outros, pelas violinistas Anne-Sophie Mutter e Lisa Batiashvili, pelos cantores Matthias Goerne e René Pape e pelos maestros Christian Thielemann e Thomas Hengelbrock.

Anne-Sophie Mutter, inclusive, contraiu o covid-19 e está em recuperação

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