Como Shakespeare utilizou sua quarentena…

Como Shakespeare utilizou sua quarentena…

O Bardo sobreviveu à praga, referenciou-a em algumas de suas peças mais famosas e tornou suas quarentenas produtivas | Ilustração fotográfica da revista Slate. | Fotos da Biblioteca de Manuscritos Raros da Universidade de Yale e Wikipedia.

William Shakespeare (1564-1616) é considerado por muitos o maior escritor de língua inglesa de todos os tempos. Autor de clássicos da dramaturgia como Romeu e Julieta, Macbeth, Rei Lear, A Tempestade e Hamlet, o “Bardo” foi um escritor prolífico, que sabia como ninguém trabalhar e interpretar os caminhos e lacunas da psicologia humana. O que pouca gente sabe, porém, é que a epidemia de Peste Bubônica na Europa teve um papel fundamental em sua vida e obra.

É realmente verdade o pouco que se sabe sobre Shakespeare? Bem, talvez. Mas, certamente, é justo dizer que, como todos os elizabetanos, a carreira do dramaturgo foi afetada pela peste bubônica de maneira quase impossível de se conceber agora, mesmo em meio a pandemia do Covid-19. Quando criança, teve a sorte de sobreviver à doença: é que Stratford-upon-Avon foi devastada por um enorme surto no verão de 1564, logo após seu nascimento, e até um quarto da população da cidade morreu. Ao crescer, Shakespeare deve ter  ouvido inúmeras histórias sobre esse evento apocalíptico e se ajoelhado na igreja em lembrança e respeito solenes aos mortos. Seu pai, John, esteve intimamente envolvido nos esforços de assistência e participou de uma reunião para ajudar os mais pobres de Stratford. Ela foi realizada ao ar livre em razão do risco.

Quando Shakespeare se tornou um ator profissional, além de dramaturgo e acionista de uma empresa de Londres, a peste representou uma ameaça tanto profissional quanto existencial, tanto econômica quanto médica. Por falar em médicos, os doutores elisabetanos não tinham ideia de que a doença era transmitida por pulgas de ratos e, no momento em que um surto explodia — muitas vezes durante os meses de primavera ou verão, estações de pico dos teatros –, as autoridades proibiam as reuniões de massa. Pior, isolavam pessoas em casas por onde os roedores passeavam com suas pulgas. Dado que as autoridades naturalmente suspeitavam da arte como um incentivo à indecência e às fantasias e Deus sabe o que mais, os teatros eram, invariavelmente, os primeiros a fechar. Além dos bordéis, claro. Como um pregador da época disse categoricamente: “A causa das pragas é o pecado, e a causa do pecado é a peça de teatro”. Entre 1603 e 1613, quando a capacidade de Shakespeare como escritor estava no auge, o Globe e outros teatros de Londres foram fechados por um total surpreendente de 78 meses…

Em tempos de isolamento social em razão do COVID-19, a revista americana Slate publicou um excerto do livro The Hot Hand: The Mistery and Science of Stakes, de Ben Cohen, que conta como isso aconteceu.

Como disse, Shakespeare já nasceu em meio a uma epidemia na pequena cidade de Stratford-upon-Avon. Foi o terceiro filho de oito, sendo o mais velho a sobreviver. De acordo com Cohen, apesar da peste ser “a força mais importante na vida dos seus contemporâneos”, ela era um tabu para Shakespeare e outros escritores. Eles não falavam dela, não era de bom tom.

Porém, ela surge num momento decisivo de sua obra. Em Romeu e Julieta, a principal reviravolta da história acontece por causa da peste. A trágica falha de comunicação entre os amantes mais famosos de todos os tempos acontece por um motivo insólito… O personagem Frei Lourenço, responsável por entregar a carta que revelaria os planos de Julieta a Romeu, não conseguiu sair de casa por causa de uma quarentena!

Foi a quarentena também a responsável por um dos períodos mais produtivos do “Bardo”. Entre os anos de 1605 e 1606, a maioria dos teatros da Inglaterra estavam fechados por medidas sanitárias, fazendo com que Shakespeare não pudesse se apresentar com sua companhia teatral. Ele se aproveitou disso para escrever. Foi nesses anos que produziu alguns dos seus maiores clássicos: Antônio e Cleópatra, Rei Lear e Macbeth.

Vamos ao texto de Cohen?

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A pestilência infecciosa reinou

Como a praga devastou o mundo de William Shakespeare e inspirou seu trabalho, de Romeu e Julieta a Macbeth

Traduzido livremente por mim da Revista Slate
Texto original de Ben Cohen

Num dia de verão em 1564, o aprendiz de um tecelão morreu em uma pequena vila no interior da Inglaterra, uma tragédia local que foi imortalizada nos registros da cidade. Ao lado do nome do aprendiz, foram escritas três palavras ameaçadoras em latim: “Hic incipit pestis” (Isso inicia pestes).

A epidemia destruiu uma porção considerável da vila. Sobreviver foi aparentemente uma questão de sorte. A praga poderia dizimar uma família e poupar a família ao lado. Em certa casa, numa rua chamada Henley Street, por exemplo, havia um jovem casal que já havia perdido dois filhos devido às ondas anteriores da peste, e seu filho recém-nascido tinha três meses quando eles trancaram as portas e janelas para tentar impedir que a praga invadisse sua casa novamente. Eles sabiam, por infelizes experiências, que os bebês eram especialmente vulneráveis ​​a essa doença. Entenderam muito bem que seria um milagre se ele sobrevivesse. Era como se eles estivessem jogando uma moeda num cara ou coroa, apostando a vida de seu rebento. Mas quando a peste foi embora naquela pequena vila no interior da Inglaterra, chamada Stratford-upon-Avon, o casal deu um suspiro de alívio por seu filho ainda estar vivo. O nome dele era William Shakespeare.

Existe a possibilidade de Shakespeare ter desenvolvido imunidade em razão de sua exposição quando criança, mas essa especulação começou apenas séculos mais tarde e somente porque a peste foi um incômodo constante para Shakespeare. “A peste foi a força mais poderosa que moldou sua vida e a de seus contemporâneos”, escreveu Jonathan Bate, um de seus biógrafos. As epidemias eram naturalmente um assunto tabu na sociedade da época. Mesmo quando as pessoas só pensavam a respeito dela, ninguém falava a respeito. E os londrinos iam aos teatros da cidade para que pudessem esquecer temporariamente do medo.

Mas a peste também era uma arma de Shakespeare. Ele não a ignorou. Ele a usou.

Um exemplo deste curioso fenômeno é Romeu e Julieta. É basicamente impossível apreciar a natureza verdadeiramente louca dessa peça quando você a lê pela primeira vez. Então vamos apontar alguns detalhes agora. Você provavelmente se lembra do básico da trama: Romeu e Julieta nascem em famílias rivais; Romeu e Julieta se apaixonam; Romeu e Julieta morrem. Mas você se lembra como isso acontece? Talvez não. E você sabia que a peste é o que acaba separando Romeu e Julieta? Aposto que não lembra.

Há outra morte no 3º Ato de Romeu e Julieta, um assassinato. Romeu mata Tybalt, primo de Julieta. Isso é um problema, porque não somente porque a família de Romeu é inimiga jurada da de Julieta, mas porque, como consequência, Romeu é banido de Verona. Julieta não sabe o que fazer. Quando ela conversa com Frei Lourenço, ele decide que há uma maneira de acabar com a rixa entre as famílias: ele casará Romeu e Julieta. E traça um plano que exige que Julieta tome uma poção que a faça dormir por tanto tempo que sua família achará que ela está morta. Ao mesmo tempo, Lourenço escreverá uma carta para Romeu explicando o esquema preparado. Frei João entregará essa carta a Romeu na cidade de Mântua, onde ele está agora. Romeu voltará furtivamente e roubará Julieta para que eles possam se casar e viver felizes para sempre.

Era um plano absolutamente maluco que funcionará pessimamente — mas não pelas razões que você poderia esperar. Julieta bebe a poção. A família dela acha que ela está morta. Romeu volta furtivamente para vê-la. Por enquanto, tudo bem. Mas a parte mais confiável desse plano ridículo não funciona: Frei João nunca chega a Mântua e, assim, a carta de Frei Lourenço nunca chega a Romeu. O que acontece a seguir é uma série de eventos altamente infelizes. Romeu acha que Julieta está morta. Ele se mata. Julieta acorda de sua falsa morte e descobre que Romeu está morto de verdade. Ela se mata.

Vamos retroceder algumas cenas e ler como Frei João explica a Frei Lourenço o motivo pelo qual ele nunca chegou a Mântua. (Eu, Milton Ribeiro, reli na tradução de José Francisco Botelho e copio aqui para vocês). A conversa deles revela como o esquema se desfez.

FREI LOURENÇO

Vens de Mântua. E Romeu, o que nos diz?

Se ele escreveu, me entregue sua carta.

FREI JOÃO

Eu fui atrás de um outro irmão descalço,

Da nossa Ordem, pra me acompanhar

Na visita aos doentes da cidade

Fui atrás e encontrei, mas a patrulha,

Foi à casa onde estávamos, nós dois,

Suspeitando que a praga ali imperasse,

Selou as portas, nos prendeu lá dentro,

E, por isso, eu não pude ir a Mântua.

FREI LOURENÇO

E quem levou a carta até Romeu?

FREI JOÃO

Eis a carta. Não pude enviá-la,

Nem buscar mensageiro que a trouxesse,

Tamanha era a suspeita de contágio.

FREI LOURENÇO

Acidente infeliz!

Por que Frei João não entregou a carta de Frei Lourenço a Romeu? Porque ele ficou preso em QUARENTENA. Deste modo, Romeu e Julieta foram indiretamente atingidos pela peste. A praga é a reviravolta que transforma a mais famosa história de amor já contada em uma tragédia.

Toda a peça desemboca e gira em torno dessa cena final. Talvez você não lembrasse de como a praga criou a tragédia final. Shakespeare foi propositadamente discreto. Ele escreveu em linguagem velada, mas o subtexto era óbvio na época. Ele não precisava explicar o assunto. Mencionar a praga era o equivalente shakespeariano de terminar um tweet com ridículo emoticon. Não havia necessidade de qualquer tipo de explicação adicional. “A peste era onipresente”, diz James Shapiro, professor da Universidade Columbia. “Todo mundo na época sabia exatamente o que essas uma ou duas linhas significavam.”

Aquele que seria o balcão de Julieta em Verona | Foto: Wikipedia

Mas como Shakespeare usaria a praga mais tarde em sua vida?

Estudiosos acreditam que Shakespeare escreveu Rei Lear, Macbeth, e Antônio e Cleópatra em poucos meses entre 1605 e 1606. O consenso era o de que Shakespeare escrevia duas peças por ano, mas isso é dito por estudiosos de literatura nada estatísticos. Eles chegaram a esse número simplesmente dividindo o número de peças que ele escreveu pelo número de anos produtivos. Deu duas por ano. Segundo estes cálculos, se Shakespeare escreveu 10 peças em cinco anos, escreveu duas peças por ano… Bobagem, isso não é nem remotamente verdade.

Acontece que “Shakespeare não era um conta-gotas teatral, ele escrevia em espasmos, em grupos”, diz Shapiro. “Foi algo que demorei um pouco para entender, simplesmente porque eu sempre acreditei nas alegações infundadas de que ele produzia duas peças por ano. Mas nunca foi o que ele fez. Shakespeare escrevia em surtos de criatividade. Suas peças não foram espalhadas de forma homogênea ao longo de sua carreira. Elas vinham agrupadas. “E quando você começa a ver essas peças realmente agrupadas, começa a perguntar: o que explica tantas peças em um período muito curto de tempo?”

Ora, a peste. A praga fechou os teatros de Londres e forçou a companhia de atores de Shakespeare, os King’s Men, a serem criativos em suas apresentações. Enquanto viajavam pelo campo inglês, parando em cidades rurais que não haviam sido atingidas pela praga, Shakespeare notou que escrever era uma melhor utilização de seu tempo. “Isso significava que seus dias eram livres pela primeira vez desde o início da década de 1590”, escreveu Shapiro em seu livro The Year of Lear: Shakespeare in 1606, o melhor relato desse momento estranho em sua vida.

Além disso, Shakespeare também se beneficiou da praga por um motivo do qual não tinha controle: ela dizimou a concorrência que permaneceu em Londres… Os King’s Men acabariam recuperando seus espaços de teatro por causa da doença que atacava mais os jovens. A praga criou a circunstância que fez explodir o talento de Shakespeare, primeiro ele escrevia durante o dia nas viagens para fugir da peste, depois voltou e viu o campo livre . E ele tinha com ele Rei Lear, Macbeth e Antônio e Cleópatra.

“Três tragédias realmente extraordinárias”, diz Shapiro. “Estou sempre interessado em como e porque essa coisa misteriosa aconteceu. Shakespeare entendeu completamente o mundo em que estava e era capaz de falar com ele e por ele!”. Muitas vezes, é tentador para os estudiosos examinar determinados momentos da carreira de Shakespeare através das lentes de sua vida pessoal. O problema com essa linha de pesquisa é que eles ainda não sabem muito da vida do Bardo. “Não temos ideia do que ele estava sentindo”, escreveu Shapiro em seu livro. “Sabemos muito mais sobre como uma visita de roedores em 1606 alterou os contornos da vida profissional de Shakespeare, transformou e revigorou sua companhia de teatro, prejudicou a concorrência e mudou a composição do público para quem ele escreveria (e, por sua vez, os tipos de peças que ele poderia escrever).

Shakespeare não era um escritor com um metrônomo na mão. Ele era participante de sua época. Estava envolvido pelo ambiente. E escrevia em surtos de criatividade. E esses surtos eram possibilitados pelo que ocorria lá fora. Eram forças além de seu controle. Foi por causa da praga que ele conseguiu transformar um período de grande convulsão social em algo completamente diferente: num arrebatador nível artístico cujo brilho dura até nossos dias.

 

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Obra-prima de Victor Moriyama

Isolamento no Edifício Copan, em São Paulo.

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Quem não tem cão, caça com (ou como) gato

Quem não tem cão, caça com (ou como) gato

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Alguns segundos antes da maior felicidade do mundo.

Alguns segundos antes da maior felicidade do mundo.

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O “jejum religioso” de Bolsonaro

O “jejum religioso” de Bolsonaro

Bolsonaro decidiu por esse “jejum religioso” depois que Marco Feliciano foi bater na sua porta. Como eu previa — e não sou nenhum gênio — os neopentecostais escolheram o lado dos criminosos. É natural. A atuação deles tem muito a ver com as atividades ilícitas. Seu modus operandi é a pura exploração da ingenuidade com a finalidade de enriquecer.

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Atrás do balcão da Bamboletras (XXI)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXI)

Ninguém está calmo, ninguém está prevendo um futuro brilhante. Eu só penso em sobreviver, eu e a Bamboletras. Estamos trabalhando em regime de tele entrega e correndo bastante. É uma novidade pra nós.

Pois hoje eu pensei que tivesse enlouquecido. Passei na frente do servidor e ele, sem ter ninguém a operá-lo, estava respondendo sozinho a um e-mail de uma editora. E respondia com lógica e educação. O cursor se mexia, fazia copiar/colar e escrevia com sintaxe perfeita sem ninguém sentado na frente do teclado e do monitor.

Estava pensando em sair correndo ou em telefonar pro Robson Pereira, pra Lucia Serrano Pereira, pro Julio Conte, pra Larissa Bacelete, pro Claudio Costa ou pra Vera Rodrigues pedindo uma hora, quando lembrei que uma de nossas funcionárias estava trabalhando em home office através do AnyDesk.

Qual é a graça de morrer de susto durante a pandemia?

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Frida e Trótski, de Gerárd de Cortanze

Frida e Trótski, de Gerárd de Cortanze

Gerárd de Cortanze é um biógrafo de Frida Kahlo. Quando este livro, cujo título original é Los amantes de Coyoacán, foi lançado, ele disse ter feito um enorme trabalho de pesquisa, tornando-se uma espécie de Sherlock Holmes da relação entre Frida Kahlo e Leon Trótski, rastreando todos os números e provas, comparando dados e informações. E completou dizendo que tudo o que “afirmo e escrevo é justo e verdadeiro. A imprensa da época, testemunhos, os diários íntimos, as memórias, usei tudo para contar essa história.”

Ele denomina a obra de romance, mas a parte romanceada serviu apenas para corrigir dúvidas que os documentos deixaram vagos e para preencher e ligar cenas.

Trótski chegou ao México após oito anos de exílio. Ele era perseguido tanto por Stálin como pelos fascistas. Foi ao país a convite do pintor Diego Rivera, na casa de quem se hospedou. Ao chegar com a esposa Natalia, foi recebido pela mulher de Rivera, Frida. Trotski jamais tivera contato com uma mulher assim — inteligente, saltitante, sorridente e, principalmente, livre. A paixão foi imediata. A bissexual Frida logo atacou, atraindo-o para sua cama na Casa Azul, onde vivia desde a infância. O marido de Frida, Diego Rivera, tinha vários casos, um deles com a cunhada, Cristina. Para se vingar, Frida passou a encontrar Trótski no apartamento da irmã. Por fim, separou-se de Diego.

O livro humaniza duas importantes figuras históricas que costumavam trocar bilhetinhos de amor dentro de livros. Frida, sempre corajosa. Leon, apaixonado, mas sem nenhuma intenção de abandonar a esposa. O casal também podia se disfarçar para fugir dos seguranças em cenas nada engrandecedoras. Trótski diz que com Frida viveu seu grande amor. Feliz, Frida produz muito naquele período de paixão. Achei muito divertidas as cenas com o ultra chato surrealista André Breton.

Bem contextualizado, o romance mostra não somente um caso amoroso, mas como o marxismo era visto e combatido na época. Quase todos os intelectuais eram comunistas cindidos entre os campos stalinista e trotskista.

O livro não é uma obra-prima, mas eu curti.

Frida Kahlo e o líder comunista americano Max Schachtman (à direita) recebem Leon Trótski e a mulher, Natalia Sedova, no porto de Tampico, México, em 8/1/1937.

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A Barata, de Ian McEwan

A Barata, de Ian McEwan

No final do ano passado, A Barata foi o livro da hora na Inglaterra. Ou foi o livro do desespero de McEwan com uma irreflexão coletiva, o Brexit. Claro que a pandemia deixou o livro na poeira. Ou não. Na cena mais inacreditável da novela (102 páginas), o primeiro-ministro inglês, a ex-barata Jim Sams, ouve sua análoga alemã (Angela Merkel?) perguntar:

— Por que o senhor está fazendo isso? Por que, com que objetivo está despedaçando sua nação? Por que está impondo essas exigências a seus melhores amigos e fingindo que são seus inimigos? Por quê?

E a resposta, meio constrangida, é:

— Porque sim.

A Barata começa como um inverso de A Metamorfose, começa com uma barata que se vê transformada em homem. Este é Jim Sams, barata que encarna no primeiro-ministro britânico. Depois de adaptar-se ao novo corpo, Jim leva a sério seu papel e sai-se muito bem na luta para implementar uma política econômica baseada em uma ideia ridícula, o “reversalismo”. Essa coisa faz com que o fluxo de dinheiro seja invertido. Por exemplo, o reversalismo faz com que as pessoas paguem para trabalhar e ganhem dinheiro ao consumir. Isso entusiasma as massas mais tolas. Jim sabe que é puro populismo e que é ruim para todos, mas trata de levar em frente a ideia, para felicidade do presidente dos EUA, um cara grosso que ama o Twitter.

O livro fala de populismo, linchamentos pela imprensa, anseios nativistas, amor a si mesmo e à terra e sangue, ignorância às mudanças climáticas, etc.

A ideia é boa e muito calcada na realidade, o que talvez torne o livro datado. Mas não o chamaria de panfletário em razão da alta qualidade da prosa de McEwan.

Bom mesmo é o posfácio, onde McEwan deixa claro seu horror e sobra pra todo mundo, até para o Brasil. É lá que está a chave para o entendimento da novela: está no parágrafo que começa assim: “O populismo, desconhecendo sua própria ignorância…”.

Que coincidência, né?

McEwan: preocupado com o Brexit

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Avenida Niévski e Notas de São Petersburgo de 1836, de Nikolai Gógol

Avenida Niévski e Notas de São Petersburgo de 1836, de Nikolai Gógol

Mais um bonito livro da finada CosacNaify. Este é de 2012 e seus dois pequenos volumes vinham enrolados numa imensa folha de um jornal de São Petersburgo de 1836. Era realmente uma obra de arte (veja foto ao final da resenha para entender como os dois pequenos volumes vinham acondicionados). Um dos volumes era o muito cronístico Notas de São Petersburgo de 1836 e o outro — um pouco maior e bonito — era Avenida Niévski.

Avenida Niévski conta o cotidiano desta que é a rua principal de São Petersburgo e aparentemente um dos grandes amores de Gógol. O que é retratado no conto é cotidiano da rua, com seus horários, características, casas comerciais, governamentais e praças, para depois focar-se em dois personagens.

O primeiro é o jovem pintor Piskarióv. Ele vê uma linda mulher caminhando pela avenida e a segue. Ele nota que ela incentiva sua aproximação e fica louco de amor. Mas ambos, em vez de chegarem a uma casa respeitável onde a donzela mora com os pais, vão dar num puteiro chique. Só que o encanto da moça não abandona Piskarióv. Sob o efeito do ópio, ele a imagina virtuosa e vai procurá-la. Paramos por aqui.

O segundo é o tenente Pirogóv, um oficial russo também fisgado pela beleza de uma moça, que descobre ser casada com um artesão alemão. Mesmo assim, ele — extremamente confiante e vaidoso — vai atrás. E, novamente, paramos por aqui.

A fim de nos dar a impressão de estarmos passeando pela Niévski, as páginas do volume são divididas pela metade, em duas partes. A de cima com as letras normais e a de baixo com letras de cabeça para baixo. Assim:

Então, lendo a parte de cima, a gente vai toda a rua por uma calçada, chegamos ao final, viramos o livro e voltamos pela outra calçada, se me entendem. Tudo isso acompanhado de desenhos da própria avenida. Como eu disse, este livro é um objeto de arte.

O outro volume, Notas de Petersburgo de 1836 é um retrato comparativo da vida cultural de Moscou e São Petersburgo da época, com grande foco no teatro. É bastante interessante. São cidades muito diferentes. Em gostos, nas ocupações, divertimento, posturas, vaidades…

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Albert Uderzo (1927-2020)

Albert Uderzo (1927-2020)

Albert Uderzo era daltônico como Van Gogh. Por isso, usava tanto amarelo e azul, nossas cores seguras. Como não desconhecia o fato, Uderzo escrevia em seus potinhos de tinta o que continham. Tudo para não se atrapalhar. Hoje, o Clube dos Daltônicos lamenta a perda de um de seus mais célebres membros.

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A vulgaridade dos fascistas

A vulgaridade dos fascistas

No Fronteiras do Pensamento 2019, o psicanalista italiano Contardo Calligaris contou que seu pai protegeu vítimas do fascismo italiano e combateu na luta armada, correndo risco de vida e fazendo o mesmo com sua família. Também escondeu pessoas em sua casa e auxiliou um monte de gente, na maioria comunistas.

Quando o adolescente Contardo, orgulhoso de seu pai, perguntou-lhe porque ele fizera isso, esperava uma resposta altamente politizada. Mas ficou decepcionado (e irritado) com a resposta:

— Sabe, é porque os fascistas são muito vulgares.

Um juízo estético?

Acho que, hoje, no Brasil, muita, mas muita gente concorda com o Sr. Calligaris pai.

Continuando, Calligaris filho mostrou, então, duas imagens que, para ele, representam a vulgaridade fascista. Numa delas, crianças com arminhas, admiradoraszinhos de Mussolini, num protótipo perfeito da vulgaridade.

E, na outra, um grupo de fascistas queimando livros. No meio do grupo, um deles ri diretamente para a câmera. “Este cara com um chapéu e que está rindo. Eu acho que está rindo porque acha isso engraçado. Não só o que tem de profundamente vulgar é que ele está achando engraçado o que acontece, mas ele está supondo que nós olhando para este quadro estejamos achando isso engraçado também. Ele está imaginando que a gente vai rir com ele. Eu acho muito interessante isso. Eu gostaria de salientar que os fascismos teriam menos chances de existir – fascismo ou totalitarismos que sejam – se nós todos tomássemos uma atitude rigorosa de não rir das piadas idiotas. Nunca. Não tem nada que atrapalhe tanto um cretino quanto o fato de que, quando ele diz uma piada, ninguém acha engraçado.”

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O Sacrifício, de Andrei Tarkovski

O Sacrifício, de Andrei Tarkovski

Eu e Elena acabamos de ver o filme que talvez melhor dialogue com a triste época que vivemos: “O Sacrifício”, de Andrei Tarkovski.

A produção foi a última filmada pelo diretor, é falado em sueco e a equipe técnica parece ser a de Bergman — Sven Nykvist é o fotografo — , além de ter Erland Josephson como ator principal.

No dia do aniversário de Alexander (Josephson) eclode a Terceira Grande Guerra Mundial. À beira do holocausto, ele planeja um sacrifício. Como em outros filmes de Tarkovski, este mereceria rodapés para ser bem entendido. Dois personagens têm caráteres que não parecem ser deste mundo: o carteiro Otto e a empregada Maria, uma bruxa no melhor sentido. O mensageiro da Bíblia e a própria Maria?

Desesperado, Alexander promete sacrificar tudo o que ama, até se afastar do menino — seu filho — se isso aquilo puder ser desfeito. Mas Otto o aconselha a fugir e deitar-se com Maria. Depois desta cena, o filme torna-se colorido, mas um sacrifício acontece. Ficamos por aqui.

Por incrível que pareça, há uma última belíssima cena cheia de esperança.

O curioso é que eu dei este DVD de aniversário para a Elena quando éramos apenas amigos, há uns 8 anos. Eu ignorava que ela o amava e que o tinha visto muitas vezes na Bielorrússia. Hoje, foi o dia de abrirmos a caixa.

O filme completo legendado:

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A cerveja de hoje

A cerveja de hoje

Vai ser difícil comemorar o aniversário de Bach enquanto Boçalnato estiver no poder. Vou tomar uma cervejinha discreta daqui a pouco. Afinal, JSB não apenas somente adorava cerveja como a produzia em grande quantidade. Parabéns, mestre, 335 anos não são nada pra ti.

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Uma Galeria de Arte da Peste

“The Triumph of Death” mural, Palazzo Abatellis, Palermo – detail

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Como os amantes de livros italianos estão lidando com o bloqueio de coronavírus

Como os amantes de livros italianos estão lidando com o bloqueio de coronavírus

Leitores de todo o país estão recomendando livros, enquanto editores, escritores, livrarias e bibliotecas tentam manter a alegria na vida das pessoas

Massimo Carlotto — no The Guardian (tradução minha)

A neve cai nos telhados. O silêncio é sinistro. Apenas alguns dias atrás, este campo montanhoso na fronteira com a Áustria estava cheio de turistas. Agora está quase deserto. Suas estações de esqui, hotéis e restaurantes estão fechados. Geralmente atravessamos a fronteira para fazer compras e encher nossos tanques com gasolina que custa menos e é de melhor qualidade, mas agora a alfândega austríaca recebeu ordem de fechar. Não é mais possível passar. Não moro neste vale, mas tenho uma casa aqui para onde fujo quando preciso de paz para me concentrar na escrita — geralmente quando estou atrasada para o prazo de um romance e meu editor está começando a se preocupar. Mas agora eu prefiro ficar aqui. Não apenas porque o contato com outras pessoas é mínimo, mas porque eu quero assistir o que está acontecendo da distância certa. O coronavírus está mudando a imaginação coletiva dos italianos e nós, escritores, devemos estar em condições de registrá-lo. Eu assisto Pádua, minha cidade, via webcam. As belas praças estão desertas. Finalmente, as pessoas estão aceitando a gravidade da situação.

O bloqueio é absolutamente necessário: o sistema nacional de saúde não consegue acomodar o grande número de pacientes em terapia intensiva. A Itália está pagando o preço por cortes. Felizmente, porém, o governo teve a coragem de tomar medidas drásticas em um país que está culturalmente acostumado a interpretar regras com certa elasticidade. Parte da população, confinada em suas casas, está exalando sua ansiedade e frustração nas mídias sociais e houve incidentes como assaltos no supermercado. Mas celebridades e estrelas do esporte se uniram em uma campanha de divulgação chamada #IStayAtHome. A mensagem deles é insistente: não saia de casa.

O establishment cultural se mobilizou contra o medo: escritores, músicos, artistas, mas também editoras, livrarias e bibliotecas públicas. Todos se empenham em tornar este lar forçado menos triste e difícil.

O fechamento das livrarias foi um golpe para o mercado editorial, que está sendo mantido pelas vendas on-line, mas os leitores tomaram a iniciativa, desenvolvendo maravilhosas listas de leitura boca a boca, destacando clássicos esquecidos e autores de pequenas editoras. Houve uma ênfase em romances que se passam em momentos difíceis da história, de A Peste, de Albert Camus, e Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago.

O bloqueio deve se tornar uma ocasião para reflexão coletiva, não apenas sobre nossos próprios medos, mas também sobre grandes temas sociais, como a solidão — um dos grandes problemas, que o vírus tornou ainda mais doloroso. Solidão não faz diferença de idade ou classe social; aqueles que sofrem com isso precisam de apoio concreto e consistente, mantido ao longo do tempo. O tempo do vírus é uma página na história da Itália; está sendo escrito por muitos, com tragédias e uma miríade de exemplos práticos de solidariedade.

Foto: Prefeitura de Veneza / Divulgação

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Parque da Redenção, ontem pela manhã, 8h30, na chuva

Parque da Redenção, ontem pela manhã, 8h30, na chuva

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Locais fechados em Porto Alegre-RS até segunda ordem

Locais fechados em Porto Alegre-RS até segunda ordem

LOJAS:

Mesbla
Lobrás
As Brasileiras
JH Santos
Casas Sloper
Wolens
Taft
Coates
Louro
Armazém Riograndense
Krahe
Masson
Disapel
Cambial
Incosul
Casa Lyra
Bromberg
Saco e Cuecão
Gang
Hermes Macedo
Guaspari
Lojas Alfred
Livraria Sulina
Magazine Alberto Bins
Disco de Ouro
Quick
Yes Discos
King’s Discos
Star Discos
Manlec
Marinha Magazine
Casa Lu
D’Grau
K&K
Lancheria Julinho
Scarpini
Lojas Alfred
Escosteguy
Livraria Kosmos
Adegas
Courolândia
Couro Esporte
Casa dos Gravadores
Gaúcha Car
Importadora Americana (Ford)
Cauduro
Vêneto Confeitaria
Banco Meridional
Banco Sul-Brasileiro
Maisonnave
Sandiz
Sulcolor
Botinha da Zona
Paulistana
Patry`s
Mobycenter
Pernambucanas

CINEMAS:

Cine Guarani
Cine Vitoria
Cine Lido
Cine Cacique
Cine Imperial
Cine Baltimore
Cine Marrocos
Cine Ritz
Bristol
ABC
Pirajá
Avenida
Astor

ESTÁDIOS:

Eucaliptos
Olímpico

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Convivendo com o Asperger de Greta

Uma de minhas experiências mais felizes no jornalismo foi a de trabalhar com um menino que sofria do mesmo Asperger da Greta. Um dos donos da empresa onde eu trabalhava me pediu para acompanhá-lo com cuidado e atenção. Leigo, nervoso e um pouco contrariado, li o que podia sobre a síndrome e o menino fez coisas incrivelmente positivas, com sua absurda capacidade de concentração. Ele só falava comigo, os outros só recebiam um oi e olhe lá. Na hora de sair, ele sempre me perguntava sobre sua produção naquele dia. Ela era sempre espantosa. Traduzia, revisava e descobria notícias com uma velocidade diferente do habitual, acompanhada de uma profunda atenção aos detalhes. Certamente devia sofrer com a dificuldade de se relacionar, era mesmo uma pessoa original que raramente olhava para mim e que vinha conversar sobre uns assuntos fora do habitual — eu me divertia com isso, mas tinha enorme respeito por ele e acho que ele gostava de passar aquelas manhãs trabalhando comigo. Sei lá onde anda hoje, espero que bem. Tenho carinho por ele.

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É isso

É isso

“Em qualquer situação incompreensível, quando tudo estiver ruim, leia os clássicos russos. Lá, tudo estará ainda pior.”

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Bom dia, Coudet (com os lances de Grêmio 0 x 0 Inter)

Bom dia, Coudet (com os lances de Grêmio 0 x 0 Inter)

O Gre-Nal estava muito bom, muito bonito, sendo jogado a morrer por dois times ofensivos. O empate era justo, mas o placar de 0 x 0 era absurdo considerando-se as chances de gol perdidas. Só o Inter colocou duas bolas na trave e Gabriel Boschilia errou um gol cara a cara com o goleiro. O Grêmio não fez menos.

Vi o jogo primeiro no celular, depois no notebook, com muitas interrupções. Estou achando uma droga esse negócio de Facebook.

Pela primeira vez em muitos anos, via-se um Inter corajoso, indo pra cima do Grêmio no Humaitá. O Inter de Coudet não tem nada em comum com o de Odair, Guto, Roth, etc. Não tem nada de apenas defender a casinha. Com jogadores que não são melhores do que aqueles utilizados pelos incompetentes citados, Coudet faz tudo diferente. Faz o time jogar e cada vez mais a hostilidade da imprensa em relação ao argentino fica mais incompreensível, talvez suspeita.

E então, aos 40 min do segundo tempo, quando o Inter seguia melhor, estourou uma briga digna de adolescentes. Uma completa burrice. Como se não bastasse a estupidez em si, sabe-se que quando a gente está melhor em campo quer mais e mais jogo e não fatos novos. Os fatos novos foram as expulsões de Cuesta, Edenílson, Moisés e Praxedes (este no banco). O Grêmio também teve quatro expulsos, mas não eram tão importantes quanto as nossas expulsões. Eles perderam 3 reservas e um lateral meia boca, nós perdemos caras importantes. E passamos a tomar um chocolate, quase perdemos o jogo nos descontos.

Para a partida contra o América de Cali — que tem que ser vencido no Beira-Rio — Moledo entra na de Cuesta e não teremos mais uma boa saída de bola. Bruno Fuchs ERRA MUITO. Melhor sair jogando com Moledão mesmo.

Moisés está fora e Uendel está machucado — não sei do prazo para seu retorno.

Praxedes entra sempre muito bem e…

Edenílson é insubstituível. Considerem também que Musto, o Rei do Cartão, estará suspenso. Deste modo, as expulsões de ontem acabaram com nossa espinha dorsal: Cuesta, Musto e Edenílson. Ah, Marcos Guilherme também está suspenso! Nossa, quanta babaquice só para demonstrar uma macheza que não é apenas tola, está também fora de moda.

Bem, o RS e o Brasil estão fora de moda, mas este é outro papo.

Vejo muitos colorados elogiando o fim do bundamolismo, mas isso não significa cair em provocações de quinta série. Essas só servem se estamos na roda. Renato colocou a culpa da confusão no Inter… Convençam-se que meu filho Bernardo tem razão: Para os gremistas educados e de bom senso, Renato é uma longa penitência.

Olha só o que Rodinei levou pro Beira-Rio ontem!

No mais, sou um otimista. Acho que Coudet está no caminho certo.

Mas sou contra as paralisações de campeonatos. Até a Filarmônica de Berlim, apresentou-se ontem sem público, só no streaming. Qual é o problema de fazer isso? Não venderam tudo pra Fox e pro Facebook? O amor nos tempos de cól… coronavírus tem que continuar aceso.

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