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Hoje é 19 de maio, uma de minhas datas mágicas. É o aniversário da Elena! Ontem, Elena, ao acordar enrodilhado contigo, naquela situação entre ter que levantar para o trabalho e de pensar em como seria bom ficar mais três horas ali, lembrei de nosso início, de como estávamos cada um num processo de separação, tudo ao mesmo tempo, sem saber um do outro. Depois de mais ou menos resolvidas as coisas, lembrei de minha insistência, algo entre a imodéstia e a loucura — pois és mais jovem, mais bonita, mais inteligente, mais talentosa e tens sobrando um monte de qualidades que nunca tive. Lembrei que tu pediste um período de seis meses de recuperação ou luto e que eu respondi “Seis meses? Está bem, eu espero”, coisa que te deixou muito surpresa. Mas não foram necessários nem três. Na manhã de ontem, também pensei na nossa ótima convivência e em como até hoje passo boa parte do dia inteiro querendo te abraçar e beijar. Mas nada de textão. Melhor te dizer no ouvido aquelas três palavras simples que somam sete letras.
Há um bando de loucos que gosta de me ouvir falar ou escrever sobre música. Bem, tem gosto para tudo. Isto foi lentamente se acentuando após o nascimento do PQP Bach, lá no longínquo ano de 2006. Pois agora, a cada duas semanas, estarei no StudioClio na série de palestras Almoço Clio Musical. Abordarei sobre obras fundamentais da música erudita, algo como “o imprescindível em música”, devidamente contextualizadas e com o apoio de vídeos que apresentarão trechos ou obras completas.
Durante cada palestra, haverá a apresentação didática de fundamentos, explicações sobre a terminologia, comentários sobre a estrutura da obra, instrumentação, gênero e estilo. A função começa dia 23 de maio, às 12h20, com os Concertos de Brandenburgo, de J. S. Bach. Acho que vou apresentar 4 dos 6 concertos, com comentários sobre o autor e os concertos, na verdade chamados originalmente de Concertos para Diversos Instrumentos.
O tom será o habitual, bem-humorado e procurando utilizar as curiosidades que cercam cada obra. Afinal minha ideologia é a de que a arte é filha da criatividade, da habilidade, do conhecimento, da inteligência e do artifício. E todos estes itens guardam parentesco maior com a alegria do que com a sisudez.
Na semana passada, fui tirar as fotos para ilustrar as chamadas. A primeira é a mais séria.
Depois o Francisco Marshall, no papel de fotógrafo, começou a dizer bobagens. Mas eu me mantive com a cara mentirosamente professoral.
Então, ele me deixou num canto da foto, se fosse necessário escrever alguma coisa à esquerda da imagem.
Mas a coisa descambou quando ele me pediu para imitar a cara séria de Bach. Não tive tempo para preparar nada melhor.
Mais competente foi o meu Beethoven, cujo mau humor é fácil de imitar.
Tentei fazer uma cara de Mozart que fosse leve e ousada como sua música, mas só fiz cara de Pollyanna.
Meu apaixonado e encantado Chopin saiu com jeitinho de débil mental.
Não soube o que fazer com Tchaikovski.
Já para fazer o gordão Brahms foi só encher as bochechas de ar.
Haydn foi o mais feliz dos homens.
A sífilis de Schubert manifestou-se erradamente através de uma tosse. Deveria ter me coçado.
E então ele deu por finalizada a sessão.

Já tenho o meu book.
Na manhã do dia 12 de janeiro, fomos ao Museu Pergamon (Pergamonmuseum), bem no centro da Ilha dos Museus. A Elena estava meio mal em razão do vinho do dia anterior, mas a visita ao Pergamon foi excelente. Este museu teve sua construção realizada entre 1910 e o final em 1930. Ele é organizado em 3 partes:
— a coleção de arte da antiguidade clássica, onde se destacam o enorme Altar de Pérgamo e as Portas do Mercado de Mileto, bem como belíssimos exemplares de escultura grega e romana;
— o Museu do Antigo Oriente Próximo, que, para além da grandiosa Porta de Ishtar, contém uma grande coleção de arte islâmica, com objetos provenientes da Antiga Babilônia e da Suméria;
— o museu de Arte Islâmica, com destaque para a Fachada de Mshatta, um palácio do século VIII descoberto (e roubado, claro) na atual Jordânia, bem como excelentes exemplares de artes decorativas islâmicas.
Por ano, o museu recebe aproximadamente 850 mil pessoas.
São bons esses assírios, né? Na falta do Porque hoje é sábado resolviam a coisa a sua maneira.
Gente, o que é isso?
O Facebook jamais aceitaria a arte assíria!
Abaixo, nossa heroína.
Mas
nada
disso
interessa.
Pois era o dia
de se despedir do Bernardo.
E almoçamos um belo almoço e caminhamos pela cidade.
Foi um daqueles momentos de saudade prévia em que a gente pode chorar a qualquer momento.
E que dá vontade de ficar abraçado para jamais esquecer do filho querido.
E há como?
A causa a que devotei boa parte da minha vida não prosperou. Eu espero que isto me tenha transformado em um historiador melhor, já que a melhor história é escrita por aqueles que perderam algo. Os vencedores pensam que a história terminou bem porque eles estavam certos, ao passo que os perdedores perguntam por que tudo foi diferente, e esta é uma questão muito mais relevante.
ERIC HOBSBAWN na contracapa do livro “Pessoas Extraordinárias”
Então, o que é um texto de qualidade? É o que sempre foi: ou seja, enfiar a cabeça no escuro, saber saltar no vazio, sabendo que a literatura é basicamente uma profissão perigosa. É correr ao longo da beira do precipício: de um lado do abismo sem fundo, de outro, os rostos que você ama, os rostos sorridentes que você quer ver, e livros, e amigos, e comida. É aceitar essa evidência, embora, por vezes, pese mais a laje que cobre os restos dos escritores mortos. A literatura, como diria um andaluz, é um perigo.
ROBERTO BOLAÑO
O futebol é a última representação sacra de nosso tempo. No fundo é um ritual, mesmo que seja um passatempo. Enquanto outras representações sacras, até a missa, estão em declínio, o futebol é a única que nos restou. O futebol é o espetáculo que substituiu o teatro.
PIER PAOLO PASOLINI
Abaixo, um “.gif” de Pasolini jogando futebol e uma foto de sua squadra:
Pasolini é o primeiro em pé, à esquerda. O time é o do Casarta, de sua cidade natal, de mesmo nome, na região Friuli.
O Inter teve uma estreia tranquila sábado à tarde na Série B. Com três volantes — o fraco Fabinho, mais Dourado e Gutiérrez — e três atacantes móveis — Dale, Nico e Cirino –, o time saiu-se bem contra um adversário bem ruim. Ah, a Série B… Creio que vamos fazer um percentual bastante alto de pontos em casa, conquistaremos 50% dos pontos fora e vamos acabar líderes da joça.

É um campeonato muito fraco e os últimos grandes que caíram voltaram facilmente. Atlético-MG, Corinthians, Botafogo e até o Vasco voltaram no ano seguinte. O Grêmio quase não voltou em 2005, mas estava mal preparado com Sandro Goiano, Nunes, Domingos, Lipatín, Marcel, Escalona e outras peças sem explicação… Não é nosso caso. Então, 2017 será um ano de muitos pontos, futebol feio e algumas goleadas como a de sábado.
Preocupa-me ainda o fato de estarmos com tantos goleiros machucados. O quarto goleiro Daniel mostrou-se estabanado e até deixou passar uma bola que fora buscar sozinho fora da área. Meu deus, o que foi aquilo? Depois correu de volta a agarrou a coisa antes que algum atacante do Londrina chegasse. Já pensaram esse jovem contra o Palmeiras? Acho que teremos que lançar mão de Danilo Fernandes e de seu pé recém operado em São Paulo.
Tu, Zago, deste finalmente uma entrevista bem posicionada. Disseste que temos que antecipar a classificação o máximo possível. Concordo. Nada de sustos ou aflitos. Aquilo é para os fracos.
O próximo jogo será na quarta, contra o Palmeiras, em São Paulo, pela Copa do Brasil. Na Série B, voltamos a atuar no sábado, contra o ABC, no Beira-Rio.
Mas saiba, Zago, não jogamos bem. A ruindade do Londrina pegou em nós durante boa parte da partida. Só que era impossível acompanhá-los 100%.
Boa sorte!
Apesar da política, Londres é a melhor cidade do mundo e a embaixada do Equador em Knightsbridge parece ser um local especialmente quente. Que bom! Um dos maiores símbolos sexuais dos anos 1990 e o mais famoso asilado político de todos os tempos apaixonaram-se na embaixada. Depois de meses de especulação, esta semana a atriz Pamela Anderson e Julian Assange, um dos fundadores do site WikiLeaks, assumiram que estão mesmo namorando. O anúncio oficial foi feito no blog de Pamela. “Meu relacionamento com Julian não é segredo”, ela escreveu. “Ele é uma das minhas pessoas favoritas no mundo e o mais famoso e politizado refugiado do nosso tempo. Julian é um ser humano extremamente empático e se importa profundamente com o mundo. E, por causa do seu trabalho, fez alguns inimigos poderosos em alguns países, nos EUA principalmente”.
Quando questionada sobre sua relação com o fundador da WikiLeaks, ela riu e disse: “Bem, ele está ‘preso’, isso dificulta um pouco as coisas”. “Vamos ver o que acontece quando estiver livre. Mas tenho passado mais tempo com ele do que qualquer outro homem, o que é muito bom e estranho”, afirmou Pamela Anderson.
Assange recebe visitas de Pamela pelo menos uma vez por mês desde outubro do ano passado. Na última visita, ela levava Get a Life: The Diaries of Vivienne Westwood para o namorado.
Este blog deseja boa sorte ao casal.
Eu ia colocar o nome de Monteiro Lobato no título desta pequena crônica, mas achei que não valia a pena. Afinal de contas, ele é um caso especial: não há dúvida sobre o racismo de nosso mais famoso autor infanto-juvenil. Como exemplos maiores, temos o final de Urupês, onde a miscigenação é condenada na apresentação do polêmico personagem Jeca Tatu — que depois tornou-se o pobre esquecido por um governo omisso — mas que antes fora apenas um caboclo inferior e inapto. Para o autor, o caboclo era um “funesto parasita da terra”, “seminômade, inadaptável à civilização”. Tá bom.
Se isso já era público, em 2011 foi divulgada uma carta do escritor enviada a Arthur Neiva em 10 de abril de 1928, e publicada na revista Bravo! em maio de 2011. Ali temos Lobato defender a Ku Klux Klan e seus ideais.
“País de mestiços, onde branco não tem força para organizar uma Ku-Klux-Klan, é país perdido para altos destinos […] Um dia se fará justiça a Ku-Klux-Klan; tivéssemos aí uma defesa desta ordem, que mantém o negro em seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca — mulatinho fazendo jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva”.
Mas hoje estava pensando no branco mais negro do Brasil, aquele que paradoxalmente se auto-denominava “Capitão do Mato Vinicius de Moraes”. Durante o império, ou melhor, durante a época da escravatura, o capitão do mato era um empregado público, uma espécie de policial encarregado de reprimir os pequenos delitos ocorridos no campo. Na sociedade escravocrata brasileira, sua principal tarefa era a de capturar os escravos fugidos.

Normalmente eles eram escravos libertos, o que fazia com que fossem superiores tanto aos escravos e como aos pobres livres, porém ainda assim ficavam na última categoria como empregado público. Por serem em maioria de origem escrava, eram odiados pelos cativos, já que um dia os capitães tinham pertencido a mesma posição social que eles.
Geralmente formavam grupos que variavam de acordo com a quantidade de escravos fugitivos, trabalhando em conjunto com as forças militares da colônia. A função deles era impedir a fuga de escravos e capturar os que conseguissem fugir, então tinha dupla função: a de amedrontar e de reprimir. Não, não tinham a menor nobreza.
Com o tempo, a expressão capitão do mato passou a incluir aquelas pessoas que não eram funcionárias públicas, mas que, para ganhar uma grana, passaram a procurar fugitivos para depois entregá-los aos seus donos mediante prêmio.
O capitão do mato gozava de nenhum prestígio social, seja entre os negros que tinham neles os seus inimigos naturais, seja na sociedade escravocrata, que suspeitava que eles sequestravam escravos apanhados ao acaso, esperando vê-los declarados em fuga para depois devolvê-los contra recompensa.
Agora, que brincadeira foi essa de Vinícius — que cantava sambas, fazia a apologia do negro e ainda seguia religião africana — ter apelidado a si mesmo de capitão do mato?
Olhem só este trecho do Samba da Bênção:
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
Se alguém souber me explicar, por favor.
Hoje pouca gente lembra — às vezes até eu tenho dificuldades de lembrar –, mas por décadas trabalhei como programador, analista de sistemas e líder de desenvolvimento de projetos na área de TI. Foi lá que descobri que há um perfil de pessoa que é muito irritante para quem quer um boa equipe: os que possuem hipersensibilidade para encontrar objeções e baixa iniciativa para propor soluções. Em um primeiro momento, é bom contar com esses chatos; afinal, eles nos auxiliam a corrigir rumos, mas depois, com o processo em andamento, tudo o que queremos são saídas para os eventuais buracos, não gente meio paralisada, reclamando. Chega sempre o momento em que apenas se resolve.
Penso nisso quando vejo a esquerda — trincheira a qual pertenço — ostentando faixas de “Nenhum direito a menos”. Todos os governos, inclusive os do PT, sempre se referiram à Previdência como uma bomba-relógio. Então tomo como premissa a obviedade que hoje alguns negam, ou seja, de que há um rombo crescente na Previdência. E aí é que entram os Reis da Simples Objeção. Esses objetantes não se dão nem ao trabalho de propor alguma alternativa, só de opor o argumento de “não quero, não aceito perder meus direitos”.
E há muita coisa que a esquerda poderia trabalhar no caso: por que não criar uma proposta alternativa que combata, por exemplo, as desigualdades que permitem que ricas entidades religiosas não paguem impostos, as castas de super-aposentados como juízes, milicos, políticos e… funcionários públicos, a falta de taxação de grandes fortunas, a moleza na recuperação de débitos de empresas com o fisco, as pensões incríveis associadas às filhas de militares (4 bilhões de reais só em 2015), etc.?
Não, nada de criar nada. Na Reforma Trabalhista, também não existe nenhuma contraproposta consolidada para, por exemplo, diminuir a desigualdade que só vai aumentar com a Reforma. Só o “Nenhum direito a menos”. Gente, o governo, ilegítimo ou não, está aí fazendo a festa de seus financiadores. Há que fazer política.
Bertrand Russell ficaria apavorado com o Brasil. Ele dizia que a política era o “conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados”. Aqui, o meio que a esquerda quer usar é o de bater o pé no chão. Acho que estamos é fodidos.
O Novo Hamburgo mereceu ganhar o campeonato, claro. Foi líder de ponta a ponta. Porém, quando Ernando marcou o gol contra, imediatamente lembrei do Luís Eduardo Gomes, colorado e excelente repórter do Sul21. Desde o início do ano ele diz que os caras que afundaram o Inter em 2016 não deveriam ser escalados nunca mais. Nunca mais. E Ernando, Paulão, Andrigo, Ferrareis e Anselmo fazem parte da lista. Hoje, o Louis teve mais razão do que nunca. O lance do gol do NH foi patético. A impressão foi a de que Ernando quis fazer aquilo, tão perturbado entrou em campo. Pareceu 2016 invadindo 2017. E a cabeçada de Ernando foi a única bola a chegar ao nosso gol durante todo o jogo…

De onde tu, Zago, tiraste a ideia de trazer Ernando justo para o jogo final? Nada contra a dignidade pessoal dos atletas da lista, só que eles não têm mais ambiente e são detestados pela torcida. Devem seguir suas carreiras em plagas distantes. Por que insistir? E havia Ceará na reserva, lateral direito acostumado a ser improvisado do lado esquerdo. Não seria uma opção mais inteligente do que improvisar um zagueiro na posição?
Ao final do campeonato ninguém mais lembra dos pênaltis surrupiados — houve mais um hoje — e dos gols perdidos. Futebol é resultado. Ninguém hoje dá bola para o fato de que o lesionado Danilo Fernandes não tocou na bola durante os 48 minutos do segundo tempo, quando o Inter teve uma escalação sem invenções. Porque não adianta, é imbecilidade falar nisso.
Ah, as invenções… Na minha opinião, o Inter perdeu a disputa no domingo passado ao entrar com três volantes em campo. Ou seja, tudo começou com a escalação de Anselmo e foi coroado pela entrada de Ernando hoje. E a Lei de Luís Eduardo Gomes permanece válida. Tu, Zago, conseguiste perder uma decisão de campeonato para um time tecnicamente inferior. Nos momentos em que pressionamos, isso ficou escancarado. O NH passava a dar chutões. Só que isso só acontecia quando estávamos atrás no placar. (Aliás, nunca estivemos na frente).
E não venha me dizer que tu mudas o jogo no intervalo. Tu apenas corriges erros evidentes.
Era a vez dos azuis, fazer o quê?, mas será que um dia tu saberás te impor e ganhar? Sei não…
Quando recebi este livro de Gustavo Melo Czekster, sorri imediatamente. Conheço o Gustavo. Ele é um cara simpático de 1,90m e tem o sorriso mais fácil do mundo. Invejo-o. Trata-se de um craque das fotos, algo que nem sempre é fácil para este que vos escreve. Porém, se eu tirasse uma foto com o autor de Não há amanhã, sei que sorriria de forma muito convincente. Inevitável. Parece um sujeito muito alegre. Mas… Ao ler os 30 contos de Não há amanhã, ficam claras as sombras de envolvem esta criatura que, de forma concomitante ao lançamento do livro, mudou sua foto de perfil no Facebook, antes sorridente, por uma muito séria (abaixo). Não vou especular.
Sempre que recebo um livro de um amigo, fico na dúvida se devo ler ou não. Porque é chato criticar pessoas que cruzam com a gente. Tenho graves problemas nesta área. Já dei palestras a respeito do tema de ser crítico em nossa província. Na palestra, contei sobre a Ospa, sobre alguns escritores que passaram a me negar cumprimento, sobre ameaçadores e-mails, sobre músicos que dizem que eu não entendo nada de nada, sobre pequenos linchamentos patrocinados por autores e músicos no Facebook que costumam dar o link de meu texto e perguntar para seus amigos: “Vocês concordam com este crápula?”. Quem está de fora, ri, enquanto eu procuro ignorar, o que é difícil às vezes.
Abri Não há amanhã, segundo livro de Gustavo — não li o primeiro — e, após o susto de ler seu prefácio histericamente laudatório — autoria de um sujeito que fala em “estonteante linha final” –, fiquei surpreso por sua alta qualidade. Estou com sorte porque, nos últimos seis meses, li três excelentes livros escritos por vizinhos: o de Nelson Rego, o de Julia Dantas, o de Iuri Müller e este. Ufa, vou passar mais um tempo sem problemas, já que desisti de escrever sobre a música de Porto Alegre.
Não há amanhã é um livro de 160 páginas e 30 contos que variam entre o curtíssimo — praticamente crônicas ficcionais — e o longo. Mas a característica principal é que, mesmo que autor transite bastante na área do fantástico, suas criações não são nada leves, ligeiras ou meramente mágicas. São histórias de impacto que não prescindem de um pós-prandial reflexivo. Eu não conseguia partir para a próximo conto sem parar para pensar sobre o que tinha lido. Algumas histórias são dignamente grandiosas, outras são irônicas, mas todas elas perturbam através de elementos representativos de fatos exteriores que amplificam o texto.
Gostei muito do insolucionável Problemas de Comunicação, do ofegante A Passionalidade dos Crimes, do curioso e igualmente ofegante Neve em Votkinsk, dos conselhos de Os que se arremessam, das multiplicações de Os problemas de ser Cláudia (que merecia perder seus 3 últimos parágrafos *), do mímico Mas não falam, das elegantes equações de A revolução como um problema matemático, da bela cena de O silêncio e do parque de Um outro sentido. Mas nada do restante é esquecível.
Os contos guardam fartas doses de unidade entre si e, repito, não são de modo algum literatura descartável, de entretenimento. Czekster consegue fabular e ser autenticamente filosófico, por todo o tempo. É literatura séria, até um pouco dura e sombria, onde o fantástico e a morte estão muito presentes.
Recomendo fortemente.
* Explico: como um devoto da ficção, não gosto quando entra certo “tom de tese”. Não estraga o conto, mas ele poderia ser perfeito, não?
Três volantes para jogar no Beira-Rio, Zago? Três volantes no Beira-Rio para depois decidir fora? Quantos colocarás em Novo Hamburgo? Quatro? Está certo que é um time da região de imigração alemã do RS, mas, veja bem, não é a Seleção da Alemanha, não nos meteria 7 x 1 mesmo se jogássemos como um time grande. Com este esquema, já tínhamos jogado mal em Caxias. E o que fizeste? Repetiste tudo, deixando D`Alessandro sozinho na armação. Viramos o primeiro tempo perdendo e o que tu fazes? Ah, tiras o volante Anselmo. E ganhamos o segundo tempo por 2 x 1.
O volante Anselmo é um problema. Achei legal ele beijar a criança que levava no colo antes dos hinos, mas foi só. Ele atrapalha os avanços de Dourado e, quando recebe a bola para passar, erra. Ao escalar Anselmo, tu esculhambas boa parte da mecânica do time. Além disso, paradoxalmente, os três volantes batem cabeça no meio de campo, deixando largos espaços ao adversário. O time parece mais seguro com dois. Anselmo pode ser um substituto do Dourado mas não jogar ao lado dele. Melhor entrar com Valdívia ou mesmo Roberson.

Dizem que a Folha de Pagamento do Inter gira em torno dos 7 milhões de reais e que a do NH bate em 150 mil. Isto indica que a qualidade técnica de nossos jogadores deve ser melhor. E é, tanto que fizemos dois gols num time melhor organizado do que o teu. O gol de Nico López foi uma pintura a que o NH não pode aspirar fazer. Só que eles são muito competentes como equipe e tu ainda não acertaste o time, além de dar mostras de medo.
Já o goleiro Keiller é um terceiro goleiro de 20 anos que está jogando em razão da lesão dos dois titulares. Ele falhou lamentavelmente no segundo gol do Noia, talvez no primeiro também. Mas não podemos responsabilizá-lo. Era uma decisão e é normal que ficasse nervoso. Espero que Lomba ou Danilo possam jogar em NH, pois o guri não merece essa fogueira.
A propósito, o Inter pode fazer a final do Gaúcho sem goleiro profissional. Como sabemos, Danilo Fernandes quebrou o pé, Keiller, o braço, e Marcelo Lomba está com uma distensão grave. Só temos 3 goleiros inscritos e o adversário, consultado pela Federação (pois é um caso não previsto no regulamento), não permitiu que o Inter inscrevesse um quarto. Diversão para o domingo que vem.
E como gostamos de cruzamentos, não, Zago? Brenner já cabeceia mal e hoje estávamos com Carlos que é tudo menos cabeceador. Parece que tudo leva à bola alta. O goleiro do NH cansou de sair tranquilamente para agarrar a bola em cruzamentos para ninguém.
Não sei se seremos campeões no próximo domingo, não vai ser mole, ainda mais se tu seguires complicando.
(Ah, Argel, que é MUITO MAIS INCOMPETENTE do que tu, acaba de ser demitido do Vitória).

E Guilherme Santos, meu colega de Sul21, o mais belo e significativo vídeo.
Conhecido como um dos maiores e mais prolíficos pintores de Arte Moderna, Picasso foi um homem de muitos talentos. Pablo Ruiz Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor espanhol, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua vida na França. É conhecido como o co-fundador do cubismo ao lado de Georges Braque, inventor da escultura construída, inventor da colagem e de uma variedade de estilos que ajudou a desenvolver e explorar. Dentre as suas obras mais famosas estão os quadros cubistas As Meninas D’Avignon (1907) e Guernica (1937), uma pintura do bombardeio alemão de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola. Além de diferentes formas de arte e materiais únicos, no entanto, Picasso também trabalhou em uma espetacular variedade de estilos. Essa abordagem estética em constante mudança é evidente em sua série de autorretratos, que ele pintou a partir dos 15 anos até 90 anos. Confira abaixo.
Aos 15 anos (1896)
Aos 18 anos (1900)
Aos 20 anos (1901)
Aos 24 anos (1906)
Aos 25 anos (1907)
Aos 35 anos (1917)
Aos 56 anos (1938)
Aos 83 anos (1965)
Aos 85 anos (1966)
Aos 89 anos (1971)
Aos 90 anos (28 de junho de 1972)
Aos 90 anos (30 de junho de 1972)
Aos 90 anos (2 de julho de 1972)
Aos 90 anos (3 de julho de 1972)
Jonathan Demme, falecido hoje, é o grande autor de O Silêncio dos Inocentes, Totalmente Selvagem, De caso com a Máfia e Filadélfia, mas nada do que fez, em minha opinião, compara-se com O Casamento de Rachel. Uma grande obra de arte.

Curiosidade: Jonathan Demme usou a frase “A luta continua” para encerrar quatro de seus filmes, entre eles os conhecidos Filadélfia, de 1993, e O Silêncio dos Inocentes, de 1991. “A luta continua” foi um grito de guerra usado pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) durante a guerra que levou à independência do país, em 1975. A primeira ocorrência da frase parece ser um discurso de Eduardo Mondlane, líder revolucionário e ideólogo da nação moçambicana, em 1967: “Não há antagonismo entre as realidades da existência de vários grupos étnicos e a Unidade Nacional. Nós lutamos juntos, e juntos reconstruímos e recriamos o nosso país, produzindo uma nova realidade – um Novo Moçambique, Unido e Livre. A luta continua!”

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A personagem Kym (Anne Hathaway) parece carregar todos os pecados do mundo em O casamento de Rachel, imenso filme do diretor Jonathan Demme. Sim, o mesmo Demme de O Silêncio dos Inocentes, o mesmo do Hannibal Lecter inaugural, passou a investir num cinema menor, de caráter autoral e finalmente acertou a mão neste pequeno e originalíssimo filme.
O filme inicia quando o pai de Kym a busca na clínica de reabilitação para drogados — onde está “limpa” há nove meses — a fim de que ela vá ao casamento de sua irmã Rachel. Quando chegam na casa da família, onde a festa será realizada, Rachel começa a sentir a pressão. O pai é extremamente solícito, solícito ao exagero. Oferece-lhe tudo, comida, carona, é todo atenção para com Kym, a filha querida que retorna à casa. Mas é óbvio que ele está apenas exercendo controle sobre ela, informando-se onde está, oferecendo carona para que ela não dirija em hipótese alguma, observando o que consome. Quando Kym encontra-se com a irmã, fica sabendo que não é mais a “madrinha principal” do casamento. Rachel a substituíra por uma amiga. Explode o primeiro desentendimento e ela consegue voltar ao posto perdido. Então Demme estabelece algumas regras.
O diretor tem personagens muito claros e bem construídos, tem o conflito montado; enfim, tem um esqueleto, e escolhe preenchê-lo por uma série de cenas improvisadas. Por exemplo, os discursos dos personagens no ensaio para a festa são realmente atrapalhados, vivos, naturais — um ator chega ao ponto de encarar a câmera –, baseados naquilo que foi definido para cada um deles. É um grande momento do filme. Outra é a esplêndida cena do ensaio dos músicos, onde os atores parecem, e estão, jogados na frente da câmera, divertindo-se a valer dentro de seus personagens. A disputa entre o genro e o sogro sobre quem consegue colocar mais pratos na lavadora de louça é outro momento brilhante de Demme, que capta a brincadeira de modo inesquecível.
O mesmo vale para as reuniões do grupo de reabilitação de drogados. Na primeira vez, Kym não fala nada; na segunda, expõe que está há nove meses sem drogas — é aplaudida — e conta sua história: o vício, o descontrole e o acidente de carro que causara, matando o irmão menor. As pessoas ficam abismadas com o relato. É neste momento que ela diz a frase que uso como título deste post. O controle que ela sofre é correto? Sim e não. Afinal, ela está limpa. Está conseguindo controlar a si mesma.
Mas a família segue pressionando. Rachel fica histérica porque o discurso de Kym no ensaio foi autocentrado e pontuado de ironias e pedidos de desculpas. O pai (Bill Irwin em atuação perfeita, sempre um passo atrás da intenção dos outros) tenta acalmar a situação, mas Rachel está em pleno acerto de contas e, em meio a ele, surpreende ao estabelecer nova vantagem sobre a irmã problemática: revela estar grávida. O pai será avô, fica enternecido; Kym fica furiosa, com razão. Todo o filme gira sobre a incapacidade de Kym atentar efetivamente ao que ocorre a seu redor, ela passa pelas coisas e não interfere, pois está inteiramente voltada para dentro de si mesma, no trabalho de Sísifo de “viver mais um dia” sem usar drogas. O que todos querem que ela consiga é, paradoxalmente, combatido pelos familiares. O papel de Kym é complicadíssimo. E Anne Hathaway é digna dele. Porém o time de atores é parelho. É impressionante a cena em que Rachel (a excelente Rosemarie DeWitt) negocia os lugares na mesa. Ela deseja ver Kym longe, em outra mesa. O rosto de Rachel, ao defender sua formação de mesa é exatamente o rosto que vi numa mulher quando falava sobre a parte monetária de sua separação: com o mesmo esgar, o mesmo sorriso cristalizado com olhos sérios, Rachel naquele momento é pura maldade e atenção. E Kym reage. Ou seja, o filme é um abrir feridas sem fim, quando tudo o que Kym deseja é fechá-las.
E é para entender o que lhe aconteceu que ela visita a mãe (Debra Winger). Ela quer fazer A Pergunta: por que foi deixada cuidando do irmão menor Ethan quando a mãe a sabia uma louca 100% drogada? Como resposta, recebe um tapa na cara de significado muito claro: “fique com sua culpa e seus problemas, não piore minha vida”.
O que impressiona no filme é que as cenas improvisadas empurram a narrativa, alterando-a e enriquecendo a realidade de forma arrebatadora. Várias vezes Anne Hathaway aparece em sua imensa solidão. Num determinado momento ela deseja dançar, mas dá a impressão que tem medo de soltar-se. Começa e para, recomeça e vai fazer outra coisa. A presença de músicos ensaiando e improvisando dá a senha e a dimensão da enorme (e perigosa) liberdade dada aos atores.
O filme é finalizado com coerência: o pai aparece com uma conviva e a apresenta a Kym, que ouve uma proposta de emprego. Ela não recusa, mas no outro dia retorna à clínica. Pois se Kym sabe que não quer um deus que possa perdoar seus atos, sabe também que ainda não é possível viver com sua família e amigos.
Demme não nega que suas maiores influências para a realização de O casamento de Rachel foram Robert Altman e o pessoal do Dogma 95. É flagrante. Eu acrescentaria que há um perfume, uma música, um ritmo de Tchékhov neste grande filme sem solução.

Ainda no dia 11 de janeiro, voltamos ao Piano Salon Christophori para a maior decepção musical da viagem. O repertório era fantástico: uma série de peças curtas para duos de violino, viola e violoncelo, cada um acompanhado por piano, finalizados com uma reunião geral no Quarteto para Piano Op. 25, de Brahms.
O problema não era o repertório, mas os executantes. A pianista era razoável. As cordas eram formadas por um violinista sem noção de estilo e algo lenhador, um violoncelista ainda pior, porém mais delicado, e uma boa violista, que faria furor em Porto Alegre tanto por sua competência como pela beleza. Deu quase tudo errado. A coisa foi fraquíssima. OK, são jovens, mas poderiam ser melhores.
Não consegui encontrar o nome dos caras ou do grupo. Sorte deles, porque vocês sabem como é o Google.
Bem, já contei como funciona o Piano Salon Christophori. Falei das peculiaridades do local e disse que a copa é livre para a plateia pegar cerveja, vinho ou água. Então, por pior que seja o recital, a gente sai de lá feliz, ainda mais quando encontra um cara como o Guilherme Conte, que estava no Christophori e que depois saiu para jantar conosco. Eu apenas o conhecia do Facebook.
O Bernardo, que já o conhecia, tinha-me dito que o Guilherme era o cara de voz mais bonita que ele conhecia. Olha, não me impressionou muito, gostei foi da companhia e da conversa do tranquilo palmeirense que estuda História em Berlim e cuja mulher é violista na Orquestra do Gewandhaus de Leipzig.
A Elena trouxera um vinho que conseguimos abrir após longa negociação com os donos do restaurante. Mentimos que era aniversário do Bernardo e que precisávamos comemorar com um vinho de sua escolha. Houve resistência, mas os caras acabaram trazendo abridor e copos. Jantamos muito bem.
O tal vinho era uma compra da Elena, que já o conhecia de outra viagem. Porém, como ela estava sem beber há meses, ele se instalou nela na forma de uma bela dor de cabeça. Não ocorreu nada de mais grave com o trio restante, nós apenas ficamos ainda mais felizes. Eu estava discretamente constrangido em razão dos bonitos e úteis presentes que ganhamos do Guilherme — legítimos grosseirões que somos, não trouxéramos nada para ele –, mas nada que empanasse o belo final de dia. O Facebook permite que conheçamos pessoas, mas não há nada como o prazer da presença.
Grande Guilherme!
Formação rochosa — ah, as formações rochosas… — no Arches National Park (EUA).
Na Capadócia, há uma outra bizarra coleção de rochas fálicas. Algumas delas têm 40 m de altura. Foram criadas por erupções vulcânicas há aproximadamente 9 milhões de anos. A erosão do vento e da água deixaram-nas assim. Os turcos falam em cones, pilares, pináculos, cogumelos e chaminés. Deixa eles.
Formação rochosa na Tailândia (conhecida como “A Vovó”).
Outra formação rochosa na Tailândia (conhecida como “O Vovô”).
Um afresco romano em Pompeia (Itália).
Templo do Amor Khajuraho (Índia).
Montanhas em Guizhou (China).
Formação rochosa nas Filipinas.
Propaganda italiana de sorvete.
Um amigo mandou isso…
Vão trabalhar!