Opus Dei: os livros proibidos pela instituição

Estes são dois fragmentos — os mais literários — de uma série publicada pelo Diário de Notícias de Portugal. O autor é o jornalista Rui Pedro Antunes.

‘Index’ proíbe 79 livros de autores portugueses

Autores e especialistas portugueses mostram-se indignados por o Opus Dei ter uma lista de livros que proíbe os seus membros de ler. José Saramago é um dos escritores mais castigados ao nível mundial, sendo um dos recordistas no número de livros proibidos. Também ‘censurada’, Lídia Jorge diz que o Opus Dei deveria ter “vergonha” de ter este tipo de listagem, igualmente arrasada pela Sociedade Portuguesa de Autores. A lista é, porém, ‘legal’.

José Saramago e Eça de Queirós são os escritores portugueses mais castigados pela “lista negra” de livros do Opus Dei. A organização da Igreja Católica tem uma listagem de livros proibidos, com diferentes níveis de gravidade (ver topo da página), na qual põe restrições a 33 573 livros. Nos três níveis mais elevados de proibição encontram-se 79 obras de escritores portugueses. Autores portugueses contactados pelo DN mostram-se indignados com o que classificam de “Index” e “livros da fogueira”.

O Opus Dei sempre teve um Guia Bibliográfico, onde incluía os livros proibidos, com uma classificação de 1 a 6 (o nível mais elevado). Há quatro anos, aquilo que era uma lista de Excel que circulava pelos membros da obra, ganhou forma na Internet (http://almudi.org) e passou a estar aberto à contribuição dos membros. Como explica o Opus Dei Portugal, passou a existir um site “tipo crowdsourcing, aberto à contribuição de interessados, moderado por dois editores: Carlos Cremades e Jorge Verdià [membros da obra]”. Mudaram-se as designações, dividiram-se os livros em duas partes (literatura e não ficção), mas mantiveram-se os níveis de proibição. E há uma novidade: uma lista de filmes “desaconselhados”.

“Deus é um filho da puta”, escreveu Saramago num dos livros proibidos (Caim). Porém, não é preciso haver um nível tão direto de confronto à Igreja para que o livro seja proibido. Só nos três mais elevados níveis de interdição, Saramago tem 12 livros. Caim, o Evangelho Segundo Jesus Cristo, o Manual de Pintura e Caligrafia e o Memorial do Convento são definidos como os mais perigosos (6; LC-3).

A presidente da Fundação Saramago e viúva do escritor, Pilar del Río, classifica em entrevista ao DN (ver página 33) este índice de “grosseiro e repugnante”, deixando várias críticas à obra: “É uma organização a que chamamos seita porque somos educados. Por acaso, eles não são.” Pilar revela ainda que Saramago nunca escreveu sobre o Opus Dei porque considerava a organização “uma formiga” e mostra-se ainda chocada pelo facto de “neste nível de pensamento cartesiano e da razão haja quem se submeta à irracionalidade das seitas”.

A escritora Lídia Jorge – que também tem dois livros no mais elevado nível de proibição (Costa dos Murmúrios e O Dia dos Prodígios) – confessou-se “chocada” quando confrontada pelo DN com a existência da lista. Lídia Jorge disse mesmo que os membros do Opus Dei deviam ter “vergonha” e classifica quem fez a listagem de “gente retrógrada e abstrusa”. “São pessoas que desprezo porque se armam em mentores, em guardas morais, quando, no fundo, revelam uma ignorância absoluta sobre o papel da literatura.” Quanto às duas obras proibidas, Lídia Jorge explica que têm “uma linguagem e uma atitude mais libertária perante a vida” e que, talvez por isso, tenham sido censuradas. O que a repugna.

Freud e Marx, os mais censurados na não ficção

Tudo o que são clássicos e grandes obras da literatura mundial passaram pelo crivo dos delegados de estudos do Opus Dei. Por isso é difícil encontrar um grande escritor que não tenha sido ‘censurado’ pela obra. Dos últimos 15 prémios Nobel da Literatura só um não tem livros proibidos. Os restantes 14 têm 72 obras ‘proibidas’. Na não ficção, que inclui obras de grande importância científica, Marx, Freud ou Nietzsche estão entre os que não escaparam ao ‘lápis azul’ da organização.

As aventuras de Leopold Bloom a fazer a sua odisseia por Dublin (em Ulisses, de James Joyce), a chegada de Cândido a Lisboa após o terramoto de 1755 (em Cândido, de Voltaire) ou as dúvidas existenciais de Zuckerman (obras de Philip Roth) são histórias que os membros do Opus Dei não podem desfrutar. Grandes nomes da literatura e das ciências sociais mundiais fazem parte da lista de 33 573 livros proibidos pela obra.

Olhando, por exemplo, para os últimos 15 prémios Nobel da Literatura, apenas um (Le Clézio) escapou à lista negra de livros do Opus Dei. Só nos três mais elevados níveis de proibição (ver infografia na página 31) existem 72 obras. O peruano Mario Vargas Llosa (Nobel em 2010) conta com 17 obras nestes níveis de proibição. É imediatamente seguido pelo português José Saramago, com 12 títulos (ver páginas 30 e 31). Mas a lista não para por aqui: Doris Lessing (nove livros), John Coetzee (oito), Günter Grass (sete) e Elfriede Jelinek (quatro) são outros dos mais castigados. Orhan Pamuk apenas foi brindado com um livro proibido e os dois últimos nóbeis (Mo Yan e Tomas Tranströmer) têm livros classificados com níveis de interdição mais baixos.

E a lista de grandes autores proibidos está longe de se esgotar nos últimos laureados pelo maior prémio da literatura. O romance Ulisses, de James Joyce – um marco do modernismo literário -, tem o mais elevado nível de proibição (6; L-C3). O mesmo acontece com livros de autores como Albert Camus, Gabriel García Márquez, Samuel Beckett, Jean-Paul Sartre (também eles Nobéis), Voltaire, Aldous Huxley, Henry Miller, Truman Capote, Philip Roth ou Vladimir Nabokov.

Também “censurados”, mas com níveis de proibição mais baixos, surgem os nomes de Ernest Hemingway, Orwell, Jorge Luis Borges, Dostoievski, Kafka ou F. Scott Fitzgerald.

O líder do Opus Dei Portugal, José Rafael Espírito Santo, explica que esta lista é “no fundo estar a procurar um conselho para defender a fé”, lembrando que “o Papa João Paulo II antes de ler um livro consultava e perguntava se era um livro adequado”. O vigário regional do Opus Dei utiliza ainda uma metáfora para justificar a lista: “Há medicamentos que só se vendem com receita médica. Por quê? Porque uma pessoa que não saiba, em vez de fazer bem à saúde, pode fazer mal. A fé não se apoia na razão. E, portanto, pode haver modos de empregar a razão que sejam nocivos para o próprio ser humano porque a verdade é só uma.”

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Os 50 maiores livros (uma antologia pessoal): XIV – O Anão, de Pär Lagerkvist

Neste momento, há três exemplares de O Anão à venda na Estante Virtual. A única edição nacional é da Civilização Brasileira, dos anos 70. Não é um livro grande, é um volume de 150 páginas. O valor mais barato praticado é de R$ 189,90; o mais caro, R$ 250,00. Não me surpreende. Tornou-se raro e é uma obra-prima daquelas que tem de ser levadas para a ilha deserta.

(Tenho certeza que meu exemplar está lá em casa. Mas agora, sabedor do que ele vale, vou dar uma conferida).

O Anão é a história de Picolino, o bobo da corte de um príncipe italiano da Renascença. Sua função é a de divertir e ele a cumpre; só que ele odeia minuciosamente a todos os seus amos e quase todos são seus amos, claro. A repugnância que sente, a repulsa que Picolino dedica a todos é descrita de forma estupenda — com um foco narrativo que tentaremos explicar à frente — pelo Nobel de 1951, assim como também a forma como passa a influenciar os assuntos políticos da corte, sempre com a única e exclusiva intenção de prejudicar a todos. É um romance originalíssimo sobre o mal, a inveja e o desprezo.

A cidade-estado renascentista onde ocorre a ação não é clara, mas há um personagem chamado Bernardo, que é sem dúvida inspirado em Leonardo da Vinci, o que nos faz pensar no final do século XV. Também há referências a igrejas que se encontram na região de Florença. Ao mesmo tempo, o anão, narrador do romance, fala em criações como A Última Ceia e a Mona Lisa, a primeira delas pintada em Milão e segunda provavelmente em Florença. Além disso, o príncipe parece ser César Bórgia, que empregou Leonardo da Vinci como arquiteto militar… Desta forma, há muitas referências históricas dançando incontrolavelmente no contexto do romance.

Como disse, o anão é o narrador e tudo é contado retrospectivamente alguns minutos, horas ou semanas após a ocorrência dos fatos e antes dos seguintes. Tal artifício faz com que todos os acontecimentos sejam quentes, contados com emoção, e que O Anão planeje no papel seus próximos passos. Ou seja, a colocação do foco narrativo é muito inteligente, fazendo com que o leitor sinta a respiração do anão-monstro arquitetando suas vinganças, incorporando o mal e curtindo seu ódio de misantropo.

Ele ama a guerra, claro, e quando lhe pedem para cometer um crime, ele o expande sob o pretexto de beneficiar o príncipe… Todos mudam durante o romance, todos mudam na cabeça do narrador, menos ele, que se mantém coerente da primeira à última página. Curiosamente, é profundamente religioso, mas sua crença inclui um Deus que nunca perdoa. Mesmo impressionado com a ciência de Bernardo, sente repulsa pela busca que este empreende para chegar à verdade e ao âmago das coisas.

Por tudo isso e muito mais, este clássico de 1944 é de leitura obrigatória, o que justifica (ou não) seu preço (abusivo).

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Detroit, 1917

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Yoani Sánchez, a nova mensageira da liberdade, é um produto bem barato

Os protestos de ontem em Feira de Santana contra a ativista Yoani Sánchez foram certamente exagerados, assim como foi antidemocrático não terem deixado o cineasta Dado Galvão — membro do Instituto Millenium — mostrar seu filme. Tais atitudes dão motivos aos comentários que nós todos já estamos lendo e não devem receber elogios de nossa trincheira. É burrice pressionar a moça desta forma. Ela deve estar se sentindo uma tremenda celebridade e uma incomodação para quaisquer regimes-que-não-respeitam-a-liberdade, isto é, as esquerdas. Acho que um pouco de reflexão sobre a marionete cubana não fará mal a ninguém.

Yoani Sánchez é um produto barato e nada camuflado. Ela não nega receber dinheiro dos EUA, do El Pais, da CNN, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e do Instituto Millenium, do Brasil, do qual é “especialista”. Do ponto de vista material, vive muito bem em Cuba. Apesar de ter tentado sair 20 vezes do país, estranhamente viveu na Suíça e voltou para onde era mais útil e lucrativa para todos os envolvidos. A moça está bem assessorada e agora que seu passe vale menos a partir das novas facilidades sair e entrar do país, promove — quem promove mesmo? — uma tournée mundial… É óbvio que a direita está amando a ideia do périplo de Yoani.

Disse que o produto é barato e é mesmo. Paga-se uma blogueira e recebe-se enorme repercussão. Estas são de todo gênero, algumas mais inteligentes, outras bem burras. O plano de construção de Yoani é velhinho e de inspiração soviética: basta pensar em Alexander Soljenítsin e Andrei Sakharov. A CIA deve ter pensado: se estes soviéticos nasceram e viveram dentro do país, recebendo toda a cobertura (e peninha) da imprensa ocidental durante a Guerra Fria, por que não criar uma dissidência controlada e paga por nós? Sim, porque nem sempre os modelos dos russos funcionaram direito. Soljenítsin, por exemplo, revelou-se foi um fiasco: imaginem que o homem foi expulso para o Ocidente e logo passou a propor um estado religioso na Rússia. Depois fez muito pior. Escreveu sobre o absoluto protagonismo dos judeus russos no Partido Comunista e na polícia secreta soviética, e acabou tachado de antissemita e desmoralizado nos EUA. Morreu no anonimato. Então, para se livrar de modelos incontroláveis, melhor pagar logo alguém que trabalha sob nossa orientação.

Agora que pode sair de Cuba, a tentativa é de que a moça se torne uma mensageira da liberdade. Talvez receba um Nobel da Paz. Ela é uma figura a favor de Cuba, não será de direita nem de esquerda — depois que o Muro caiu não fazem mais sentido a direita e a esquerda, certo? — e carregará um pensamento político perfeitamente rarefeito, sempre defendendo a democracia no estilo norte-americano.

Mas, sabem?, na verdade, Yoani não me interessa. A presença dela aqui se assemelha a uma visita do Papa. O pior é que se tornará uma autoridade. Vai opinar sobre tudo, um saco. Acho o tema e a Yoani muito chatos e apenas gostaria de saber qual terá sido o parceiro que criou sua atual tour mundial.

Pois, em vez de trazerem o David Bowie, trazem um troço desses…

Porra, um ferro de passar não faria falta a essa bandeira, hein? Acho que os amigos da Yoani esqueceram de pedir pra empregada fazer a mão.

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Dia 15: Hyde Park, Buckingham Palace, St. James`s Park, passeios e a Primark…

Hoje, tivemos nosso primeiro dia de sol em dez dias de Londres; então, optamos pelos passeios ao ar livre e depois por uma visitinha a um dos templos de consumo daqui, a famosa Primark e seus amazing prices. Comprei calças jeans por 5 libras, mais ou menos 15 reais. Sim, a roupa aqui é muito barata, mesmo fora da Primark.

Não sei bem por quê, mas tiramos poucas fotos. O Hyde Park é imenso, muito bonito, mas com poucas árvores. Os ingleses valorizam muito seus gramados e costumam tomar sol neles. Então, as árvores não são muito úteis, como diria o Fortunati. O Palácio de Buckingham é grandioso e feio, não merece fotos. O St. James`s Park é lindo com suas aves e esquilos. Vindo de Buckingham, passando por St. James`s e entrando a direita, a gente passa por Downing Street 10 e pelo Parlamento. O último é bonito demais para uma bomba, mas os outros talvez mereçam…

E é isso. Amanhã vamos à feira de Portobello Road e voltamos no domingo, não sem antes passar um meio-dia em Roma. Talvez só volte a escrever na segunda-feira à noite, tá bom?

Esse é o Albert Memorial do Hyde Park, bem na frente do Royal Albert Hall.
No início (ou no final) da Oxford Street há uma bela, enorme e curiosa cabeça de cavalo.
Ô, Fortunati, ciclovia é isso.
Essa ai é o monumento que fica na frente do Palácio de Buckingham. Não sei o nome e confesso minha falta de curiosidade.
Muitos corvos e esquilos no St. James`s Park. Aliás, o Charles Dickens tinha um pet em casa: um grande corvo.
Um cisne negro, cujos movimentos sinuosos de seu pescoço só podem ser espreitados na foto acima.
Ô Fortunati, aqui há painéis nas paradas de ônibus indicando quanto tempo falta para cada linha chegar. Um bom serviço, não? Ah, e quando a gente compra um passe anda em quantos ônibus quiser durante determinado tempo. Quantos quiser, viu?
Uma outra estátua na Piccadilly. Como a foto da Bárbara mostra, todo mundo tira foto ali.

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Nove Noites, de Bernardo Carvalho

Este livro é certamente um dos melhores romances brasileiros deste século. Romance? Pois é. Eu concordo com Bernardo Carvalho ao qualificá-lo assim, até porque falar em biografia romanceada seria reduzir a obra. Fiquemos com romance então.

Nove Noites (2002) narra os acontecimentos que redundaram no suicídio — anunciado desde a primeira página — do antropólogo norte-americano Buell Quain, em agosto de 1939, entre os índios krahô. Carvalho desconhecia a existência de Quain até maio de 2001, quando leu uma referência ao cientista num artigo. O que segue é uma busca em todas as direções pela história e motivações do suicida. A busca leva Carvalho ao interior de Tocantins e a Nova Iorque. Todas as suposições, erros e hipóteses, algumas desvairadas, criadas pelo autor, resultam num…. romance, é claro.

O livro possui luz própria, mas para caracterizá-lo talvez fosse adequado dizer que é uma mistura de Joseph Conrad com Bruce Chatwin. E não pensem que Nove Noites seja inferior aos modelos que trago, ele é, sim, obra de primeira linha, para se ler com entusiasmo. É fascinante a forma como Bernardo de Carvalho se coloca no livro: sem nenhum heroísmo, com muitos medos e de uma forma até irritante. Acho que esta esquisita obra sem gênero definido, estranha reportagem que cabe perfeitamente sob o guarda-chuva do romance, vencedora do Prêmio de Literatura da Biblioteca Nacional e do Portugal Telecom, veio para ficar. Excelente e grudento livro, para ser bebido rapidamente em sôfregos goles.

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Dia 14: London Tower, Museu Charles Dickens e Memorial to Heroic Self Sacrifice

Hoje foi um dia tão perfeito que já sei que vou sentir saudades desta viagem com minha filha, muitas saudades. Começamos o dia com o nosso tradicional English breakfast reduzido, sem algumas daquelas coisas de que não gostamos. Depois, fomos para a London Tower.

A Torre de Londres é o forte em torno qual a cidade nasceu. Está na margem norte do Tamisa, no centro da cidade. Sua construção foi iniciada em 1078 por Guilherme, o Conquistador. Ela era inicialmente uma fortificação nos limites da cidade romana rodeando a Torre Branca, primeiro edifício dos 7 hectares que completam a Torre de Londres. O estado de conservação de todos os conjuntos que fazem parte da Torre de Londres é miraculoso. Destaques? As armaduras de Henrique VIII, desde quando era magro até a obesidade; as joias da coroa; os corvos que moram lá literalmente há séculos; a Torre Branca e as caminhadas pela zona medieval. Uma aula de história com pitadas de discreto marketing.

O Museu Charles Dickens fará a alegria de Nikelen Witter quando ela vier para cá. O Museu é a casa de Dickens, com seus objetos, camas, cozinha, sala, etc. O escritor não é apenas o autor de histórias piegas, é um autor fundamental por ter introduzido as classes menos favorecidas em suas histórias, assim como denúncias sobre o trabalho infantil, a prisão por dívidas e o dia-a-dia da vida daquelas pessoas que muitas vezes não sabiam se comeriam nas próximas horas. Nunca subestimem Dickens, um homem cujas leituras públicas levaram muitos de seus contemporâneos a educarem melhor seus filhos. Os méritos pessoais e a influência de Charles Dickens ultrapassam seus romances, mesmo que tenha escrito no mínimo duas obras-primas: Pickwick Papers e Grandes Esperanças.

E, após Dickens, como não se sentir sentimental? Então, fomos aos mais original memorial que conheço, o Memorial to Heroic Self Sacrifice. Talvez você saiba do que estou falando se você viu o filme Closer. A explicação para a existência do memorial está abaixo:

Sim, são placas pintadas em azulejos que lembram pessoas que morreram tentando salvar outras. Uma ideia belíssima.

E a placa de Alice Ayres, morta aos 25 anos e que é “codinome” utilizado pela personagem de Natalie Portman é esta:

Então vamos às fotos de hoje?

Foto de dentro da Torre de Londres com detalhes da London Bridge. Não sei porque selecionei a merda desta foto…
Escolares ingleses fazendo uma pausa para se alimentar na London Tower.
Armadura para um já obeso Henrique VIII.
O homem fazia questão de mostrar-se avantajado não apenas na barriga.
Agora sim, uma foto mais decente da London Bridge.
Morto para salvar uma lunática…
O Memorial. Mais simples impossível.
Vista de dentro do Memorial.
E a vista lá da porta, quando de nossa despedida.
O prato onde Dickens se alimentava em sua sala de jantar.
A baleadíssima escrivaninha onde escrevia seus livros.
Sim, quando jovem ele fazia a barba. Depois, abandonou esta atividade inútil.
Uma das citações pelas paredes. Viste, Nikelen?
Baba, Nikelen.
A porta da casa de Dickens que hoje abriga o Museu.
Baba, Nikelen (2).
Numa curva da Strand.
Ao final da tarde, passeando ao longo do Tâmisa.
E a chegada ao Parlamento. Fim do dia.

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Dia 13: The Wallace Collection e a National Gallery

Maravilha uma cidade onde todos os museus são de graça, né? Quando fomos conhecer a Wallace Collection esperávamos a cobrança de um ingresso; afinal, não estávamos num dos grandes museus da cidade, mas ali também era tudo free, como diria o Raul Seixas.

A Wallace Collection é um pequeno museu fundado a partir da coleção particular de Sir Richard Wallace, que foi legada ao estado por sua viúva em 1897. O museu foi aberto ao público em 1900 em Manchester Square. Na coleção, estão pinturas que vêm desde o século XVI. Há vários Rembrandt e obras de outros mestres holandeses, franceses, espanhóis e ingleses, como Frans Hals com seu O Cavaleiro Risonho, vários Watteau, Van Dyck, Velázquez e o auto-retrato do citado Rembrandt. Faz parte da exposição mobiliário e objetos de arte, tais como relógios e esculturas. O ambiente é tão bom dentro da Hertford House que eu aceitaria trabalhar lá como guarda.

Quando saímos de lá, estávamos apaixonados pela Coleção de Sir Richard e fomos até a London Library, sugestão de um de meus sete leitores. Deu tudo errado, as visitas eram são só às segundas-feiras às 18h e eu deveria ter aceitado o oferecimento de meu leitor como cicerone, porque minha visita solo foi um fracasso. Por que será que ele sugeriu uma segunda-feira? OK, idiotice minha não me informar melhor.

Então fomos para a National Gallery. Sim, concordo,aquilo lá é um patrimônio da humanidade, é algo quase imbatível em termos de arte do século XIX para trás. Na Europa, talvez só perca para o Louvre e o Prado em termos de quantidade e para o Musée d’Orsay em qualidade. Mas a rápida passagem da Wallace Collection para a National foi fatal para a segunda. Foi como se tivéssemos saído da Bamboletras para a Feira do Livro, isto é, de uma seleção de primeira linha para uma oferta indiscriminada e que ficou exagerada. Quando entramos lá, queríamos o filé e fomos passando meio reto pela pesada coleção de arte religiosa da National. Mas fazer o quê? Vínhamos de um local onde o feijão já fora escolhido e não estávamos mais a fim de trabalhar.

Claro que o que estou dizendo é uma brutal injustiça para com o acervo do National, com seus Van Gogh, Manet, Monet, Velásquez, Botticelli, Metsu, Seurat, Signac e até Da Vinci… Mas o momento psicológico não era para o excesso e a procura com a separação do joio. Sim, ficamos 3 dedicadas horas na National Gallery, mas nosso coração estava em Manchester Square.

Na Gallery é proibido tirar fotos, na Wallace, não. As fotos são péssimas, o principal é a memória da visita:

Esse aí é um Watteau.
Já este é um Metsu. Uma leitura inapropriada de uma carta…
Já este lindo é um Pourbus. O nome do quadro é “Uma alegoria do verdadeiro amor”.
Este incrível é de Zampieri.
Ah, Velazquez…
Canaletto existe fora das capas dos discos de Vivaldi!
Existe mesmo, há vários lá.
Sai pra lá, coisa do demônio! Do para mim desconhecido Papety.
Cena do Inferno de Dante, de Ary Scheffer.
Em vez de aceitar a proposta de um dos meus sete leitores… Cagada, né?
Um dos mais belos chafarizes da Trafalgar Square bem na frente da National Gallery.
E a moça que o desenhava sob 1° C. Se ela caísse na água eu buscava, viu? Pura solidariedade.

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Dia 12: Greenwich, Abbey Road e Museu de Tecnologia

Depois do superdia de ontem, fomos às atrações de segundo nível. Rápidas passagens por Greenwich, pela esquina famosa de Abbey Road — capa do disco homônimo dos Beatles — e pelo Museu de Tecnologia.

Ir a Greenwich costuma ser um belo passeio quando há tempo bom. Só que previsão do tempo não nos favorece em nada e resolvemos dar uma passada pela cidade pelo que ela tem de peculiar: seu observatório e os pubs. Ganhamos de graça uma perseguição aos esquilos do belíssimo parque que circunda o observatório. Ao final, o saldo foi positivo.

A ida à Abbey Road é uma das bobagens obrigatórias de Londres. A gente vai lá ver se aquela capa existe mesmo e ainda. Como sempre, estava cheia de gente. Lembrem que ontem o primeiro LP do grupo, Please, please me completou 50 anos.

Sei lá , tinha uma lembrança melhor do Museu de Tecnologia. Acho que ele mudou para pior, loja e exposições. Foi uma decepção, mas deem um desconto por meu cansaço.

Na ida para Greenwich, a passagem pela London Bridge.
Bárbara com um pé no oeste e outro no leste.
Um esquilo que estava por lá.
Recebia comida de todos.
Onde estamos em relação à Greenwich. Na foto, a Bárbara está com um pé de cada lado do meridiano.
As paisagens lá de cima são muito bonitas.
A Bárbara sai em perseguição aos esquilos.
Mas, não consegue nada sem comida na mão, pois eles vão atrás de quem tem algo a oferecer.
O pub preferido na cidade. Fui lá duas vezes…
Foto para a Rachel Duarte (1).
Foto para a Rachel Duarte (2).
Foto para a Rachel Duarte (3).
A esquina famosa do Abbey Road Studios.
Uns caras tentando imitar a capa do disco. Isso ocorre a cada 5 minutos…
A faixa de segurança raramente vazia.
E uma das poucas coisas que achei legais no Museu de Tecnologia.

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Dia 11: British Museum e pessoas queridas

Pois hoje foi mais um dia de chuva, mas não como a de ontem. A de hoje era daquele tipo que faz poucos ingleses pegarem no guarda-chuva; era a chuvinha normal, diária. Dedicamo-nos a três coisas: uma visita atenta ao British Museum, um encontro com o casal de amigos Sabrina e Alex, além de um passeio pelo centro.

O British é o British. É sensacional e coloquei um monte de fotos abaixo. Mas acho que o melhor do dia foi com a Sabrina Bottin e o Alex Moraes da Silva. Conversa agradabilíssima no centro da cidade enquanto nos entupíamos de sorvete sob zero grau. Reclamam que trabalham muito, mas parecem muito felizes. Grande encontro.

Bom, como estou com sono, vou direto para as fotos. Por pura preguiça minha, muitas vão sem legenda, tá?

Chuva mais fraca que a ontem. Tinha alguma neve da noite.
A entrada do British Museum hoje de manhã, ali pelas 10h30.
Adoro ver as crianças fazendo seus trabalhos de aula nos museus da cidade.
Esse sujeito morreu faz bem mais de mil anos. O sol do deserto desidratou-o rapidamente. Ele está completo, tem até cabelos.
Outro ângulo.
Cenas fortes.
Como essa cadeira usada por um chefão em Moçambique.
Ah, a música, não temos ido muito a shows e concertos.
Afrodite.
Um ataque só de filósofos com Sócrates na ponta direita.

O teto central do British.
Olhando para baixo do terceiro andar.

Duas enormes salas só de relógios para o Marcos Abreu.
Aqui em Londres, só se fala em pressões ligadas à proteção dos padres pedófilos. Chamam-no de o Rottweiler de Deus. A capa diz: “Papa quits”. O jornal é o Evening Standard, segundo o Felipe Prestes, muito melhor que os jornais do Brasil e que é distribuído à tarde gratuitamente no metrô, bem na hora qua a gente está louco por notícias.

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Dia 10: chuva, frio de zero grau e ainda mais chuva em Londres

De modo nenhum reclamo do frio. Isso é para os fracos, como diz o Igor Natusch. Mas ir a Camden Town, que é uma feira ao ar livre, sob a maior chuvarada, é complicado. A sedução estava toda lá. Todos os sotaques, todas as gentes, todos os estilos, toda a gastronomia, todos os produtos, tudo estava lá. Mas havia a maldita chuva. Nossos casacos são impermeáveis, porém, a partir do meio da coxa, a água já pega, o sapato fica ensopado e a gente passa a achar a vida muito difícil e doída. Mesmo assim, demonstramos nossa bravura gaúcha ficando lá das 10 às 14h, almoçamos em pé num cantinho, vimos um monte de coisas e fugimos. Em minha pequena experiência na cidade, o tempo está nublado na maioria dos dias e cai uma garoa. Hoje não, hoje era chuva forte sem parar.

Nossa ideia era a de ir a um lugar quente, seco — como os Museus daqui costumam ser — e talvez mais vazio. Então, nos dirigimos para a Royal Academy of Arts, onde há uma exposição de Manet — a única exposição que admitiria pagar. Explico: os Museus de Londres são todos de graça. Só que o londrino não fica em casa, é um povo culto cujas exposições de arte são anunciadas no metrô e que vai de verdade a elas. A fila era enorme, tivemos que ficar meia hora da fila de entrada, mas, lá dentro, qualquer muxoxo teve que ser silenciado. O que nós vimos foi quase uma integral do mestre francês. Foi espetacular. Sempre fui um admirador do realismo de Manet e minha admiração só aumenta com os anos. A Bárbara também gostou muito. Achei legal também a educação inglesa na frente dos quadros. Havia muita gente para ver cada quadro e todos cuidavam para não cortar a visão dos estavam parados olhando e só se avançava quando a pessoa da frente se retirava. Ah, demora muito? Sim, porém é a melhor maneira de agir. Com respeito.

Se elogiei bastante os ingleses, tenho também coisas a reclamar. Pelo segundo domingo consecutivo, eles interrompem linhas e fazem a gente dar voltas e mais voltas para pegar os trens, algumas na rua. Não esqueçam que estava zero grau e chovia à cântaros — para usar uma expressão invulgar… Se fosse em Porto Alegre, todos reclamariam que, justo no dia livre da população, tudo para…

A previsão indica que a chuva só cessa terça-feira. Então, programamos para amanhã o British Museum e um encontro com amigos que moram aqui.

Foi um dia tão difícil que só tirei três fotinhos.

Um local de Camden Town: as pessoas comem sentados em Vespas. À frente delas há uma mesa. Vejam as umbrellas. Os ingleses só as usam quando precisa MESMO. Hoje precisava muito.
Sob chuva torrencial, a estátua da Praça de Piccadilly Circus: Piccadilly Circus é a famosa praça de Londres, onde se cruzam a Regent Street, a Shaftesbury Avenue, a Piccadilly (a rua que liga Piccadilly Circus a Hyde Park) e a Haymarket. É uma das zonas mais movimentadas da capital. Bonita praça.
E, agora à noite, um — na verdade dois — Fish and Chips libertadores, acompanhados de Guiness.

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Dia 9: a Bárbara come um english breakfast e quase gosta

Voltamos a Londres. A Bárbara estava meio indignada, pois passara 3 dias na cidade e não tinha visto o Tâmisa. Resolvi acabar de cara com o impasse, mas não sem antes fazer-lhe comer o famoso english breakfast, cogumelos, com seus salsichões gordurosos, feijão adocicado, enorme bacon todo torcido, tomates assassinados como Joana d`Arc, ovos e seu bom chá ou café. A surpresa é que ela gostou do feijão — “parece meio ketchup” –, já o salsichão e os cogumelos foram absolutamente detestados, mas deu para comer, tanto que a refeição seguinte foi só às 18h. O breakfast foi às 10h30.

Em seguida, fomos para Westminster, London Eye e seu contexto, o Tâmisa. Um frio de rachar, acompanhado da tradicional chuva fina, uma delícia. Procuramos a Tate Modern e seus Picassos, Mas Ernst e Turners, mas o querido guia de Londres da Artes e Ofícios nos mandou para a Tate British. Que bom, né? Joguei fora o livrinho, pegamos o metrô e chegamos à Tate Modern, onde ficamos por 4 horas. Depois, Covent Garden e hotel. Estávamos muito molhados e com frio. Amanhã, voltaremos a Camden Town.

Cor local: vir a Londres e não sofrer o English Breakfast é fugir da vida londrina
O Parlamento.
Vocês sabiam que o Big Ben é o sino e não o relógio?
Ah, o Tâmisa, finalmente!
A escultura de Rodin do outro lado do Parlamento.
Tudo visto de outro ângulo — sob chuva e mais chuva, quando voltávamos do equívoco provocado pela página 238 do livro “Londres — Bagagem de Mão” da Artes e Ofícios.
Uma gravura de Magda Cordell no Tate Modern.
Magda Cordell, gosto muito. Depois não tirei mais fotos das obras. É permitido, desde que sem flash.
Vista da sacada da Tate Modern.

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Dia 8: Despedida de Praga e retorno a Londres

O último dia em Praga foi melancólico como todas as despedidas de lugares onde fomos um pouco mais felizes. Indico a hospedagem no excelente Hotel Waldstein e também tudo o que fizemos, talvez à exceção do Museu de Artes Decorativas.

No último dia, atravessamos a Ponte Carlos vindos do lado do Castelo de Praga e fomos para a direita, onde ainda não tínhamos ido. Enfrentando o maior frio, logo demos de cara com o Edifício Dançante que, se não chega a ser lindo, é muito curioso. Caminhamos mais e mais e voltamos — como era o esperado — à Praça da Cidade Velha. Ali, a Babi comeu um crepe de Nutella e encontramos um restaurante chamado Brasileiro nas redondezas. Entramos só para olhar. Putz, um garçom empunhava um espeto com uma carne seca de mesa em mesa, a música era forró e o feijão não podia ser mais mineiro. Sincretismo total, mas tudo bem brasileiro, sem goulash. Os caras ficaram encantados por sermos do país, enquanto a gente tentava fugir de lá. A comida tinha cara de ser muito boa e bem feita, mas a gente sai do Brasil para ter outras experiências, não para mais do mesmo.

Depois, conhecemos mais dois museus. Um é o Klementinum, com sua velha universidade e observatório astronômico onde trabalharam Galileu, Tycho Brahe, Kepler e Copérnico. De lá de cima, temos a vista mais espetacular da cidade. Tinha razão a guia do Museu (no Klementinum todas as visitas são guiadas). Depois, fomos ao Museu de Arte Decorativa. Foi a única decepção de Praga. O museu é pequeno e só deixaria o amigo Marcos Abreu feliz: há uma excepcional coleção de relógios antigos.

Depois, neve e neve. Acho lindo, tão lindo que uma senhora de uma loja nos perguntou se não havia MESMO neve no Brasil. Nossa resposta fez-lhe dizer: “É, eu achava que não, mas é inacreditável mesmo assim”.

Ao cair da tarde, o fim da pequena temporada tcheca. Aeroporto e retorno a Londres, onde passaremos mais 9 dias. Chegamos não em Heathrow, mas no aeroporto de Gatwick, a 45 quilômetros ao sul de Londres — um enorme e funcional aeroporto, desses que a gente olha e fica pensando sobre o Brasil. De lá, pegamos um Gatwick Express (trem, 20 pounds para cada um) até a cidade,  na Victoria Station, mas na chegada, às 0h45, desta vez pegamos os metrôs fechados e morremos com um táxi.

A Torre da Ponte Carlos que ainda não tinha fotografado.
Um pouco mais perto.
Mais perto ainda e chega, né?
O Edifício Dançante. Legalzinho, né?
Há coisas nas esquinas de Praga que surpreendem a gente.
Tu olhas pra cima e vê um cara dependurado, por exemplo.
Ou então aparece uma pequena igreja linda no nosso caminho.
Esse crepe da Praça da Cidade Velha é bom demais. Nham.
A vista lá de cima no Observatório do Klementinum.
Olhando para outro lado.
Outro lado.
A dupla dinâmica lá em cima.
Sim, tudo tem vários lados, principalmente uma torre circular.
E ainda tem janelas…
Centenas de relógios de todos os tamanhos — micro, pequenos, grandes e imensos — no Museu de Artes Decorativas. Marcos Abreu, vai lá.
E aí começa a neve.
Mais forte.
A neve gruda nos cabelos da Bárbara.
Fica ainda mais forte.
E, quando vou fotografar novamente minha querida filha…

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7 de fevereiro: Praga III, ou o dia em que a Bárbara nos impediu de acabar em Brno

O dia de hoje foi dedicado aos judeus, começando pelo maior e mais importante deles: Franz Kafka. Iniciamos o dia fazendo aquilo que Gilberto Agostinho tinha nos desaconselhado: pegando um táxi, pois o local onde está o túmulo de Kafka resultaria numa caminhada de duas horas, achávamos nós, com razão.

Pedimos ao taxista que ele nos levasse ao novo cemitério judeu de Praga, fundado em 1890. Ele nos disse que a corrida nos custaria 200 coroas checas, algo em torno de R$ 20. Só que ele nos levou ao antigo cemitério, a umas dez quadras depois. Eu disse que não podia ser ali — a geografia de Praga é simples e no terceiro dia qualquer turista já pode apontar este tipo de erro. Mostramos-lhe o mapa e ele fez o sinal de OK, que nos levaria. Ao chegar lá, o preço já era de 450 coroas. Ensaiamos uma reclamação, mas o que fazer?

O que interessa é que o “novo” cemitério judaico é lindo e vale a visita. Já na entrada, há uma placa indicando “Dr. Franz Kafka”. Sim, porque ele era advogado, um doutor. A lápide é das mais simples do cemitério. Bem na frente, em um muro, uma pequena placa, homenagem do traidor Max Brod ao grande amigo de toda a vida. Explico o “traidor”: antes de morrer de tuberculose, aos 41 anos, Kafka pediu a Brod que destruísse todos os seus originais não publicados. A traição de Brod, ao publicar tudo o que encontrou, é que deu a exata noção da grandeza de seu melhor amigo. Se Kafka é o que é hoje, deve-se à sua genialidade e a Max Brod, grande Max Brod!

Na saída de lá, cometi um erro de observação do mapa dos bairros de Praga e, se não fosse a Bárbara, estaríamos em Brno neste momento. Para nos proteger de mim, ela escolheu um tram (bonde) que nos levou certinho de volta ao centro da cidade. Sim, táxis em Praga só para o aeroporto, diz a Primeira Lei de Gilberto Agostinho.

Já que estávamos na onde judaica, escolhemos ir atrás dos itinerários de Kafka na cidade. As referências do autor ao judaísmo não são bem aquelas que um fundamentalista citaria em suas perorações, porém Kafka viveu no gueto, no gueto judeu, onde ficam as principais sinagogas da cidade. Como morreu em 1924, não conheceu os nazistas, mas a geografia da cidade, com os judeus na curva interna do Moldávia, parece facilitar assustadoramente o uso da expressão gueto: o bairro parece ser facilmente encurralável.

Não é meu assunto, mas é notável que Kafka — assim como Machado de Assis em relação ao Rio de Janeiro — jamais tivesse saído de Praga. Pior: segundo testemunhos do próprio autor e de amigos, ele nunca teria se afastado demais de seu bairro. Mas, para quem gosta de paisagens, podemos dizer que seu itinerário era estupendo, incluindo a Praça da Cidade Velha, a Ponte Carlos e a hoje burguesíssima avenida Parizska.

Bem, vamos às sinagogas. Confesso que a religião não me toca muito e que não vi ali a beleza plástica das construções católicas de cidade. Vou um pouco mais à frente para dizer que as poucas mesquitas que conheci eram mais bonitas. Eu e a Bárbara simplesmente conversávamos sobre outros assuntos enquanto visitávamos as sinagogas. Nosso assunto principal era a neve, fato inédito em sua vida e que subitamente ocorrera logo defronte ao monumento de Kafka no bairro judeu.

Depois, voltamos à Praça da Cidade Velha para vermos os grupos de jazz — sim, na rua, sob zero grau –, o movimento do relógio astronômico e algumas exposições. Grande dia. Trago comigo um livro em espanhol sobre os itinerários e vida de Kafka na cidade. Vou ficar ainda mais insuportável.

Algumas fotos de hoje:

O túmulo de Kafka no “novo” cemitério judeu. Dentre os mais simples do local.
Em detalhe.
A tranquila beleza do cemitério onde se encontram os restos de K.
Túmulos e mais túmulos. Sim, é tudo meio bagunçado, mas bonito.
Outra vista em perspectiva, agora para o outro lado.
Algumas (muitas) lápides são bastante exóticas.
A estátua de Kafka na entrada do bairro judeu.
Ah, a neve chegando para a alegria dos brasileiros.
Mais neve!
O velho cemitério judeu, com túmulos de antes do século XIX — há lápides do século XVI — consegue ser muito mais bagunçado.
Vai lá e acha teu ancestral, ô meu!
E queriam nos cobrar para fotografar! Como somos brasileiros, não pagamos e tiramos fotos só de birra.
Jazz congelante — mas excelente — na Praça da Cidade Velha.
Euphoria e…
… as garrafas de absinto.

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6 de fevereiro: Praga II

O dia de hoje foi dividido em duas partes, uma muito longa, outra bem curta e a terceira média. A muito longa foi a do Castelo de Praga; a curta, a do Museu Kafka; a média, um Concerto no Rudolfinum.

O Castelo de Praga é, segundo o Guiness, o maior do mundo. É uma fortificação de 570 metros de extensão com largura média de 128 m. Para se ter uma ideia, ele tem mais área do que sete campos de futebol juntos. E haja perna para se chegar lá em cima! Mesmo caminhantes natos, tivemos que fazer dois pit stops nas intermináveis escadarias. Economia máxima, meus sete leitores. Carro, ônibus, o que significa isso? Mas valeu a pena.

A origem do Castelo é medieval, como se poderá notar pela masmorra e pela Basílica de São Jorge, mas ele também possui construções e reformas que foram finalizadas só em 1920. Digo tudo isto para explicar os vários estilos presentes. Logo na entrada, damos de cara com a Catedral de São Vito, construção embasbacante, verdadeiramente impressionante que é vista de toda a cidade.

O livro de Praga do Lonely Planet diz que, se quisermos ver tudo, só passando lá o dia inteiro. Acho que vimos tudo ou quase. Chegamos ao Castelo às 10h e saímos por volta das 16h. Se você cansar no primeiro dia, não há problema: curiosamente, a entrada vale por dois dias. Visitamos também o Palácio Lobkowitz, que tem ingresso à parte por ser privado. Ele pertence à família que, entre outras notáveis realizações de mecenato, disse para Beethoven: “Nós vamos te sustentar até o fim da vida, componha o que quiser”. (Ludwig van era muito jovem na época, nem tinha composto o ciclo de quartetos Op.18, e o habitual na época era encher o qualquer compositor de encomendas para cada ocasião).

Bem, o Castelo de Praga é absolutamente obrigatório. Pequeno e simpático é o Museu Kafka com seu ambiente escuro, muitos manuscritos, fotos e informação. Infelizmente, não se pode tirar fotos lá. Se você gosta de Kafka, vai porque vale a pena.

Também são proibidas fotos na Sala Dvorak do Rudolfinum. Li depois nas dicas do amigo Gilberto Agostinho que ali rolava muito boa música, talvez a melhor de Praga. Digo que li depois porque já tinha notado e comprado ingressos para o Concerto do Quarteto Zemlinsky. Começou com Beethoven — justo o citado Op. 18, Nº 1 –, depois seguiu com o excelente Quarteto Nº 3 de Martini e terminou com um Quarteto de Mendelssohn, o Op. 44, Nº 2.

Algumas fotos do dia:

A porta de entrada da Catedral de São Vito.
A foto não demonstra quão alta é Catedral.
Talvez, comprando com as pessoas, tenha-se uma ideia.
Internamente…
Um dos ângulos de Praga lá de cima.
Outro…
Novamente, a comparação com o tamanho das pessoas.
A saída — e de entrada — do Castelo de Praga.
Bem, há duas estátuas de homens mijando bem na frente do Museu Kafka.
Vejam como o púbis é móvel, permitindo ao cidadão balançar seu membro de um lado para outro.
Fiquei interessado.
Mais uma estátua da Ponte Carlos.
As pombas cagam nas cabeças dos santos.
Muita gente que passa na Ponte Carlos, passa a mão neste cachorrinho…
… e nesta mulher. Ignoro o motivo. Deve dar sorte.
E voltamos à Catedral de São Vito, que é vista de toda a cidade.
E finalizamos com a fachada do Rudolfinum, local do Concerto que assistimos hoje.

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Os 50 maiores livros (uma antologia pessoal): XIII – Breve Romance do Sonho, de Arthur Schnitzler

Pequena obra-prima do austríaco Schnitzler (1862-1931), a história de Breve Romance de Sonho (1926) é mais conhecida na versão de Stanley Kubrick, que o transformou no filme De Olhos Bem Fechados, título bastante adequado a este curioso livrinho de cem páginas. Não é uma história pânica, é a história de um pânico, de um enorme pânico. Sem revelar inteiramente a trama, vamos em frente.

O médico Fridolin e sua mulher, Albertine, são jovens, belos e bem sucedidos. Formam uma família exemplar, eles e sua querida filhinha. Então Albertina revela a seu marido uma fantasia sexual com amigo do passado, um quase-amor, e a vida de Fridolin vira pelo avesso. Ele passa a agir como num sonho, à procura de sexo e problemas. Para piorar, a mulher, no outro dia, conta-lhe um sonho sobre um bacanal em que o marido é condenado à morte. Freud era um dos admiradores de Schnitzler e deste novela absolutamente brilhante em expor o medo e a questão de até onde deve ser levada a intimidade dos casais. A partir de uma simples revelação, tudo o que sustinha a relação parece ter perdido subitamente o sentido. Paradoxalmente, o medo faz Fridolin perder qualquer receio da morte — ao contrário, ele parece procurá-la demorando-se em aventuras pelas ruas e criando fantasias de um retorno impossível à felicidade burguesa anterior.

Talvez as temáticas psicológicas propostas pelo autor vienense ainda no tempo de Freud possam estar cientificamente superadas, mas, na verdade, isso é o que menos importa. A arte de Schnitzler ao descrever as reações de Fridolin é arrebatadora, de um virtuosismo absoluto, que torna a leitura desta Traumnovelle uma das coisas mais fascinantes que conheço.

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5 de fevereiro: Praga I

Saímos do hotel ali pelas 10h30 e voltamos às 19h30. Acho que caminhamos, subimos escadas e vimos exposições por todas as nove horas, só parando para um lanche às 14 e o jantar às 19h. E Praga tem ladeiras. Chegamos há pouco meio mortos ao hotel. Antes do Castelo de Praga, uma visita fundamental na cidade juntamente com a Ponte Carlos e a Praça do Relógio Astronômico, resolvemos fazer um enorme passeio a pé, como já disse. Nenhum arrependimento.

Fomos da Ponte Carlos ao Rudolfinum, depois para a Praça da Cidade Velha com seu Relógio Astronômico, daí fomos ao Museu do Comunismo e para a Praça de São Venceslau, descesmos a rua e nos perdemos, o que parece ser bom negócio nesta cidade linda, caminhamos longamente pela beira do Moldávia sob um frio de rachar, observando cada ponte e acabanos no Museu Medieval de Instrumentos de Tortura… Vimos mais coisas que seria impossível de citar e algumas de nossas fotos estão abaixo.

Hoje, foram 100 fotos minhas e outro tanto da Babi. Sem muito tempo para escolher, selecionei as que me pareceram as melhores à primeira vista.

As fotos da Ponte Carlos, um dos lugares mais belos que já vi, são injustas. Deixo então apenas uma amostra de uma das dezenas de esculturas presentes junto de seus muros. Se Praga fosse somente a Ponte Carlos, já teria valido a pena, mas é muito mais.
Os pedintes de Praga são de grande pungência. Ajoelham-se, não mostram o rosto, ficam na posição da foto. Todos eles. Não são muitos, mas são sempre assim. São a imagem da humilhação.
O incrível Relógio Astronômico.
Foto tirada do alto da Torre do Relógio. Cidade feia, não?
Bárbara observa o porvir para o qual Lênin aponta.
Mas parece um pouco desconfiada.
Agora ninguém ganha de mim no quesito “fotos comunistas”. Tenho muitas!
Ironicamente, o Museu do Comunismo fica sobre um McDonalds e um Cassino, no primeiro andar.
Olha, aqui em Praga tocam Villa-Lobos… Será que seus herdeiros, tão cônscios na não divulgação da obra do mestre, sabem disso?
Sei lá, gostei desta esquina em frente do Teatro Rudolfinum.
Então a Babi se virou e fotografou um palhaço na escadaria do Teatro.
Este é um Museu de três andares repletos de instrumentos de tortura.
Tudo feito em nome de Deus, com fantástica imaginação. Tanto que já sei com o que vou sonhar hoje. IMPRESSIONANTE.
O aspecto de uma ruela próxima ao Museu Kafka.
Estátua ao lado de um certo Teatro de Praga. Ali, ocorreu a estreia de uma das maiores obra-primas que a humanidade possui:
Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto de Lorenzo da Ponte.
E, para finalizar, nossa volta ao hotel através da Ponte Carlos, claro.

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Dia 4: Londres e chegada em Praga

Foi um dia perfeito iniciado em Londres — para onde voltaremos sexta-feira — e finalizado em Praga. Começamos pelo Museu de História Natural que não tínhamos conseguido ver no sábado. Realmente, o número de pessoas do Museu é muito menor nas segundas-feiras e conseguimos fazer uma visita muito satisfatória, explorando coisas que eu não consegui em novembro de 2011. Então, uma dica: segundas-feiras às 10h, Charles Darwin está livre, sem grande ocupação. Digo isso porque é uma visita imperdível com seus incríveis dinossauros e animais em extinção. Duvido que qualquer criança que o visite — e por lá há hordas delas com suas professoras — saia dali pensando que o criacionismo seja algo sequer a ser considerado. Vale por mil aulas de biologia e os ingleses aproveitam, largando meninos e meninas que correm felizes pelo museu, principalmente quando veem o T. Rex se mexendo, efeito que as fazem urrar de felicidade. Lindo, lindo.

Depois voltamos para o hotel e pegamos nossas coisas para vir à Praga. Tudo certo. A easyJet foi pontualíssima. A chegada ao aeroporto de Praga vem com uma dica nossa: você pode tomar um táxi no aeroporto mesmo, eles não são muito caros. Porém, aqui em Praga, nunca tome táxis na rua (eles cobram o que querem, a cidade é famosa por isso, infelizmente). Sempre marque táxis por telefone ou pela internet (do aeroporto não é necessário, eles estão sempre lá e basta você achar um da companhia AAARadioTaxi . Meu amigo, o compositor erudito Gilberto Agostinho, que mora em Praga há vários anos, ensinou: “a AAA é ótima e te traz do aeroporto até o hotel por volta de uns 40 ou 50 reais – 10 coroas = 1 real). Vale a pena, principalmente porque éramos dois e pagaríamos a mesma coisa se comprássemos duas passagens de ônibus.

Nosso hotel, o Waldstein, revelou-se muito antigo e inteiro o suficiente para tocar nosso coração, além de ter um Wi-Fi impecável, excelente banheiro e calefação. Estamos muito bem instalados ao lado da ponte Carlos e a cidade vista do carro me pareceu espantosa. Logo após largar as bagagens, fomos ao restaurante indicado pela dona do hotel, o U Mesenase. Era uma coisinha de nada, a cinco minutos do hotel e, quando fomos para lá, erramos o caminho e, após menos de cinco minutos, entramos na sem querer na Ponte Carlos… Demos meia volta e encontramos o restaurante. Estamos muito bem localizados.

A comida era maravilhosa e a Bárbara chegou a dizer para a dona — It was REALLY good! — e tinha sido mesmo. O prato dela era algo de se comer de joelhos e o meu quase isso. O da babi era um filé com molho de espinafre muito bem temperado. O meu era uma truta. Mas os elogios não param por aí, pois hoje bebi a melhor cerveja de minha vida. Não sou um especialista para poder dizer que a cerveja de Praga é a melhor do mundo como muitos dizem, então fico por aqui: foi a melhor que já bebi e, pasme, a garrafa de água custa 110 coroas – 11 reais, um absurdo – e a de cerveja custa 90. Entenderam as possibilidades matemáticas da coisa?

O dinossauro preferido da Bárbara quando criança… O tricerátops!
O T. Rex que se mexe. As crianças ficam arregaladas, piram, é melhor olhar para elas do que para o bicho.
Como ele se mexe demais e a máquina não é boa, já viram.
Esse é um dos peixas mais sacanas que existem, o tamboril.
Na parte mais calma, minerais e minerais com bichos incrustados neles.
Uma tartaruguinha de milhões de anos…
O dinossauro da entrada do Museu, chamado carinhosamente de Dippy.
Só que o tamanho da cabeça de Dippy não nos faz pensar em muito cérebro, né?
E um estupendo final de dia no improbabilíssimo U Mesenase.

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3 de fevereiro: Londres (Camden Town)

Hoje, fomos à Feira de Camden Town. Logo de cara, a Babi saiu dizendo que “estou achando isso aqui muito a fudê”. Ficamos por umas cinco horas em Camden Town. A feira vende comidas de todas etnias, roupas para punks, roqueiros e clássicas, mas antes de tudo é um lugar muito alegre e original. (A linha está caindo e não sei se terei muito tempo para explicar). Ela comprou algumas roupas bem no seu estilo, mas o principal, acho, foi ter conferido o quanto uma cidade pode ser viva, cosmopolita e com muitas coisas acontecendo em diversos locais da cidade ao mesmo tempo.

Depois, caminhamos por Piccadilly Circus e Charing Cross Road, ou seja, pelo centrão de Londres, sempre lotado de gente, apesar de estar uns 5 graus. E me despeço antes que a linha caia.

Em Camden Town, um rapaz lê a Odisseia de Homero para o público.
Metros e metros da gastronomia de todos os lugares do mundo.
As antigas estrebarias de Camden são usadas pela feira.
Na Royal Academy of Arts, uma exposição de Manet que devemos ver.

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2 de fevereiro: Londres

O rebote do dia anterior fez-nos começar mal o dia 2. Acordamos só às 11h. Fomos direto ao Museu de História Natural, templo de Charles Darwin. Havia muita gente na entrada, mas como ele é imenso, achamos que ia dar para uma boa visita. Engano. Deu para uma caminhada curta, poucas fotos e para um lanche. Só. Era tanta gente que mal conseguíamos caminhar. No restaurante, conhecemos dois goianos que moram em Londres, o Edson e a Andréa. Estão satisfeitos na cidade, ele mais do que ela, pois tem emprego fixo num supermercado e ganha bem. Então, como o Museu estava um atrolho e era sábado, digo-lhes que este dia da semana é inviável no Museu de História Natural.

Na entrada, minha filha Bárbara, observava: “Essas pombas daqui são do bem, se aproximam numa boa. As de Porto Alegre estão formando gangues. Qualquer hora dessas, a ZH vai noticiar que há pombas assaltantes em Porto Alegre. Classe média sofre, pai”.

Adiamos a visita à Darwin e formos ao Victoria and Albert Museum, bem ao lado. Maravilha. Uma bela e necessária ida a um Museu fundamental da cidade. Como os ingleses trouxeram tudo aquilo demonstra um apetite para a pilhagem que vou lhes contar. E há o British para ver, ainda.

Depois saímos para uma caminhada, Zara e metrô até a Igreja de Saint-Martin-in-the-Fields — em frente à Trafalgar Square — , onde assistimos a um concerto perfeito que constava de uma única peça, a Pequena Missa Solene de Rossini. Executada com a instrumentação original e com cantores e coral impecáveis, saí de lá nas nuvens. A Bárbara me disse que achou bonito, reconheceu a notável qualidade acústica do local, sentiu que os caras cantavam bem demais, mas que aquilo tudo não chegava a emocioná-la. Preferia algo apenas instrumental. Já eu fiquei ao lado dos ingleses que aplaudiram muito — dentro de seu contido padrão habitual — ao grupo.

E depois terminamos o dia num pub, o primeiro da Bárbara.

(As fotos da máquina da Bárbara, a boa, estão indisponíveis. Ela esqueceu do recarregador em Porto Alegre. A qualidade das fotos vai baixar…).

Vista do The National Gallery desde a Trafalgar Square.
Fish and Chips and Guiness
O primeiro pub a gente nunca esquece…
O consumo de álcool tem efeitos conhecidos.

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