Quando eu era pequeno, gostava do Natal. Na verdade, adorava, claro, porque meus pais nos enchiam de presentes. A festa era diferente, era matinal. A gente ia dormir pensando naquilo que o Papai Noel nos deixaria durante a noite e, quando acordávamos, nossa, ele tinha adivinhado nossos mais profundos desejos! Lembro especialmente de quando ganhei um autorama, mas isso é outro papo.
Depois, meu esfriamento em relação à data chegou a grau zero. Ainda na pré-adolescência, sem ler nada e sem maior influência, tornei-me ateu, um ateu natural e a data, que originariamente é uma festa pagã, passou a me irritar em razão de seu substrato religioso. Acho que todos os meus sete leitores sabem que a origem da festa não guarda o menor ranço de cristianismo: é o Solis Invictus (Sol Invencível), o Solstício de inverno. Era uma enorme festança que acontecia na noite mais longa do hemisfério norte para comemorar o recomeço, pois dali por diante os dias seriam mais longos, pouco a pouco mais quentes, e haveria a possibilidade de novas e fartas colheitas. Uma belíssima data do hemisfério norte, uma data bem realista que nos foi tomada pela igreja. De certa forma, era mais ou menos (eu escrevi mais ou menos) o que é nossa virada de ano, com suas renovadas esperanças, resoluções e renovação.
Depois, quando vieram as crianças, cheguei a me vestir de Papai Noel. No segundo ano, o Bernardo ficou me olhando como quem diz “Mas esse aí é o meu pai” e, perguntado se não era no dia seguinte, neguei e desisti de novas tentativas. A Bárbara deve ter aproveitado menos dessas festinhas. Também pudera! Ela, com três anos de idade e já sob a influência do irmão três anos mais velho, costumava observar aos coleguinhas de maternal que nem Deus nem Papai Noel existiam, fato que a deixava extremamente popular entre seus amiguinhos e objeto de desconfiança dos outros pais. Quem seria aquela crespinha louca, de três anos, que fazia proselitismo ateu num maternal?
Terrível: Bárbara por volta da época em que fazia proselitismo ateu. Ainda faz, acho.
Hoje, nem dou bola para o Natal, mas acho que está na hora dos movimentos ateus serem menos mal humorados. A data é nossa. Simples assim. Por exemplo, o presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, da qual sou sócio), Daniel Sottomaior, comemora tranquilamente e não se incomoda com a data. Ele tem uma filha de 8 anos que adora o 25 de dezembro. Diz ele: “Nossa árvore é uma árvore de referência a Isaac Newton, que nasceu nesta data e que descobriu a Lei da Gravidade. Ela tem maçãs e luzes. Os outros simbolismos – perus, renas, presentes, árvores, Roberto Carlos – , nada disso nasceu com o Natal”. E completa: “Estamos apenas retomando uma data pagã que nos foi roubada pela igreja e que foi comemorada por sete mil anos antes do século III”.
Aqui em casa, durante o Natal, meu filho costumava — esse ano ele não fez (por quê?) — escrever no quadro de avisos da cozinha em letras garrafais: Natalis Solis Invictus, isto é, Nascimento doSol Invencível. O nascimento do Sol Invencível é o momento em que o Sol inicia a Sua ascensão triunfante, representando, neste momento, a Luz que nunca morre e vence sempre, reflexo da imortalidade. (E que acabará com a Terra, daqui a 5 bilhões de anos…). Á época, a data era uma coisa tão forte que a igreja trouxe o nascimento de Jesus justo para o 25 de dezembro… Vergonha.
Então, meu sonho de Natal é que o paganismo retome a data. E que, no hemisfério sul, a gente invente um modo bem livre e religiosamente incorreto de comemorá-lo. Eu acharia muito justo se os namorados perseguissem uns aos outros nus pelas ruas, algo assim. É sonho, e em sonhos vale tudo.
P.S. — Rodrigo Cardia que, assim como eu, odeia o verão, escreveu: O texto do Milton Ribeiro me fez lembrar do significado original da celebração: o solstício de inverno no hemisfério norte, noite mais longa do ano, depois elas começam a ficar mais curtas. E então percebo que tenho algo a celebrar: aqui no hemisfério sul as noites começam a ficar mais longas…
Mulher atira-se de uma antiga ponte de tubulação de água na região taiga siberiana em 28 de outubro de 2012. (Ilya Naymushin / Reuters) Clique para ampliar.
O estranho é que o mata-mata jogado pelo Inter em 2012 é o mesmo que o Grêmio jogará no início de 2013. São tratamentos diversos para exatamente a mesma coisa.
No dia 21 de julho de 1925 foi finalizado um dos casos mais rumorosos e filosóficos do judiciário norte-americano. Foi um julgamento que durou 11 dias e o primeiro a ser transmitido por rádio para o país inteiro. Também virou filme de sucesso — Inherit the Wind(O Vento Será sua Herança), de 1960. O chamado Julgamento do Macaco (“Monkey Trial”) foi a ação que o estado do Tennessee moveu contra o professor de biologia John Thomas Scopes, de 25 anos, acusado de ensinar a teoria da evolução em uma escola pública da minúscula cidade de Dayton.
A rua principal de Dayton em 1925 | Foto: Wikimedia Commons
Os meios de comunicação deram enorme cobertura ao caso e ganhá-lo tornou-se uma obsessão para ambas as partes. Durante o processo, o juiz John Raulston não permitiu que o advogado Clarence Darrow — militante da União Americana pelas Liberdades Civis e um dos mais famosos oradores dos EUA — chamasse cientistas “como testemunhas” em favor da teoria da evolução. Ao final, Scopes, que teve contra si outra celebridade, o advogado William Jennings Bryan, um democrata candidato por três vezes à presidência dos EUA, foi condenado a uma multa de 100 dólares. Bryan fez uma defesa apaixonada do criacionismo, mas foi punido por um enfarte e morreu seis dias após a decisão do tribunal.
O juiz Raulston utilizou-se de bom senso no julgamento de tão longínquo caso e, não obstante o fato do juri ter apontado o professor Scopes como “culpado”, impediu que o veredito fosse cumprido em razão de “erros técnicos” no processo. A pena dele fora o pagamento de 100 dólares, um montante que seria de aproximadamente R$ 2.700,00 em nossos dias.
O professor de Biologia John Scopes | Fonte: Wikimedia Comm0ns
O caso tinha contornos realmente curiosos, pois evidentemente não havia certeza de ambos os lados. Os criacionistas só concordavam que Scopes tinha de ser punido mesmo que estivessem se debatendo entre três teses distintas: alguns tinham certeza da criação recente do Universo e afirmavam que o mundo fora criado por Deus em seis dias com um de folga — Bryan pensava assim; outros achavam que tinha sido antes e falavam em Adão, Eva e na serpente; outros acreditavam num projeto à cargo de uma vaga inteligência pré-existente.
Darrow finalizou sua peroração dizendo que o réu não era culpado, mas que como o tribunal excluíra quaisquer testemunhos, desejando apenas ater-se à simples questão sobre se Scopes realmente ensinara que o homem descenderia de uma ordem animal tão inferior, ele jamais negaria que o fato ocorrera. Ele apenas esperava que o juri encontrasse um veredito que pudesse levá-los a uma tribunal ou instância superior.
Segundo o livro World’s Most Famous Court Trial, encerrou sua fala de forma enigmática: “Não consigo nem mesmo explicar-lhes que penso que os senhores deveriam retornar com o veredito de não culpado. Não vejo como poderiam decidir nos próximos minutos sobre a existência de Deus. Não lhes peço isso”.
O juri demorou apenas nove minutos para decidir e, em 21 de julho, ele foi considerado culpado e condenado a pagar a multa de 100 dólares.
O mais incrível é que Scopes (1900-1970) não depôs em seu julgamento e ele, em sua autobiografia, garantiu que não tinha absoluta certeza se havia ou não ensinado a respeito da evolução das espécies em suas aulas, mas “que era possível, claro”.
Abro espaço para uma resenha escrita por minha filha Bárbara, de 18 anos.
Por Bárbara Jardim Ribeiro
William Somerset Maugham
Filho de pais britânicos, W. Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874. Na época, quando um homem nascia em território francês, era obrigatório fazer o serviço militar anos mais tarde. Portanto, seu pai, Robert Ormond Maugham, fez com que S.M. viesse a nascer na embaixada britânica da França – território tecnicamente inglês – para que este não precisasse se envolver em futuras guerras.
Perdendo a mãe com seis anos e, logo depois, seu pai, S.M. caiu nos braços de seu tio Henry, que o mandou para um internato na Inglaterra; onde, por ser ridicularizado em razão de seu sotaque, desenvolveu uma gagueira, que o acompanhou pelo resto da vida. Foi uma criança tímida e reservada, e logo aprendeu (talvez pela sua origem inglesa) a ter um humor sarcástico. Característica que acompanha personagens de seus livros como o clássico O véu pintado (1925).
O filme de 1934
Neste livro, S.M. consegue esculpir personagens muito complexas e trazer a tona seus sentimentos mais profundos e extremos. No prefácio, o narrador – imediatamente o identificamos como o autor – diz ter se inspirado numa personagem do Purgatório de Dante: Pia, cujo marido suspeita que fora infiel e a leva para seu castelo de Maremma, onde confia que os ares insalubres irão adoentá-la e, por fim, matá-la. É um plano de vingança atribuído a fatores externos, ou seja, tiram-lhe toda a responsabilidade por sua morte. Contudo, em ambas histórias – tanto na de S.M. quanto na de Pia – a vingança perfeita não acontece.
S.M., numa linguagem simples mas concisa, narra a história de Kitty, uma bela, fútil e cobiçada jovem da alta sociedade inglesa. Tem uma irmã mais jovem, cuja beleza não chega perto da de Kitty; uma mãe que apenas se preocupa com sua aparência e em arranjar um bom partido para as filhas; e, por fim, um pai que serve apenas como renda monetária. A nossa heroína, então, passa sua juventude negando pedidos de casamento (se tornando um fardo para a família) até o dia em que sua irmã aceita uma boa proposta. Kitty, aturdida com o fato, aceita se casar com um bacteriologista que não o ama, Walter.
A capa da recente edição da Record — bem pior que a da antiga que li, da Coleção Catavento, da Editora Globo.
Walter é um homem tímido, porém de grande inteligência e ainda maior capacidade de amar – sabe que se casou com uma tola que o acha entediante, mas está satisfeito em poder amá-la. Entretanto, como o marido de Pia, também é capaz de odiar além do limite.
Após dois infelizes anos de casamento, Kitty comete adultério com Charlie, homem importante na política e detentor de um apelo sexual irresistível, fazendo com que Kitty se apaixone cegamente sem perceber o homem dissimulado que é. Num dos inúmeros encontros clandestinos, o casal de amantes acaba sendo descoberto por Walter, que, calmamente, reúne provas contra Kitty e a propõe uma solução drástica.
À medida em que a leitura avança, Kitty começa a aprender mais sobre a dicotomia das personalidades dos dois homens. Está presa a um homem que, antes, a amava incondicionalmente e, agora, vem mostrando desejar a morte dela ao querer a levar a uma situação de perigo. E apaixonada por um homem que parece gostar dela, mas gosta mais dele mesmo; pois ela dramaticamente descobre que ele não tem a menor preocupação com ela nem a intenção de ajudá-la. Mostrando-se, também, experiente em se desviar de situações como aquela.
O véu pintado é um clássico do século XX, que originou três filmes: um em 1934, por Ryszard Boleslawski; outro em 1957, por Ronald Reame; e mais um em 2006, por John Curran. É um texto fluído e rápido, entretanto – como aconteceu comigo – capaz de emocionar pela sua crueza.
O excelente filme de 2006, chamado tolamente no Brasil de “O Despertar de uma Paixão”, com Naomi Watts e Edward Norton (clique para ampliar).
O mês de dezembro nos mostra o Inter em velocidade subluígica, ou seja, ainda mais lento do que o costume. A última notícia diz que o lateral direito e o atacante de velocidade prometidos talvez venham no final do Campeonato Gaúcho. Desta forma, a montagem do time ficaria para o segundo semestre. Talvez seja bom. No ano passado, o Inter contratou 14 jogadores. Destes, só aprovaram três, todos com caras assim de reservas: Ygor, Jackson e Cassiano. Dátolo fez um belo primeiro semestre, mas afundou no segundo.
As contratações mais espetaculares fracassaram até agora: Forlán não joga desde a Copa de 2010, Juan segue acumulando lesões desde 2011 e Dagoberto adotou o mesmo estilo em 2012. Ainda bem que Ratinho e Nei saíram. Dizem que Bolívar também estaria arrumando as malas, mas só acreditarei quando ver Bolívar com outra camiseta ou de pijamas por 24h. Luigi Calvário quer dar uma saída honrosa para o ex-zagueiro. Se procura palavras, sugiro que ele veja os jogos da Libertadores de 2006, quando Bolívar jogava muito. Então, encontrará argumentos para um belo elogio. Depois, ele deve pensar nas cagadas que General têm feito para justificar o pé na bunda.
Meu consolo é que as coisas andarão mais rapidamente no vestiário com Dunga e Paixão. Mas acho melhor evitar que o Calvário arraste sua cruz até lá. Pois se for, sabemos que fica.
Eu e o Igor somos coeditores do Sul21. Temos a característica de concordar em quase tudo. Isso é maravilhoso, pois evita brigas, estresse, etc. Também moramos na Zona Sul, mais ou menos perto um do outro, e nosso ônibus vai para o centro da cidade passando pelo Beira-Rio, o qual é observado com expectativa por mim e com prazer por ele. Porque não há mais Beira-Rio e porque numa coisa discordamos — ele é gremista e eu colorado. Quando a gente passa pela Padre Cacique, o que se vê é uma casca com o anel superior completo e com algumas partes do inferior. E só. Tantas paredes foram derrubadas que a gente consegue ver da rua não apenas o outro lado do estádio, mas o rio, ou lago, através do túneis de acesso e do vazio de alguns paredões. Além disso, não há gramado.
Nos últimos dias, eu, que achava até simpático o termo Remendão inventado pelos gremistas, passei a achá-lo inadequado. Remendo é um pedaço de pano que se costura sobre uma base rota. Uma base. Aquilo que está lá nem é uma base, tanto que a cobertura terá fundações próprias. Não será um Remendão, será um estádio construído sobre as sobras do tal anel superior e as rampas. Acho que até teria sido mais produtiva uma implosão. Só que haveria a resistência dos nostálgicos, que acham que as pedras do Beira-Rio lembram de Figueroa e do gol de Tinga no São Paulo.
Ah, estou exagerando? Então vai lá e olha! Ontem, fui comprar um presente na loja do estádio. Cheguei ao Beira-Rio às 18h. Sabem o que me disseram? Que a construtura pedira que a loja fechasse às 16h para evitar o trânsito de pessoas. Voltando ao termo Remendão, aquilo que vi não é uma obra de arte que mereça o nome de Restauro, por exemplo. Merece um nome mais chinelão. Desta forma, não sei que nome sugerir, só sei que está horrível.
Hitler parece encantado com a apresentação de Ferdinand Porsche (esquerda), que lhe mostra o que os brasileiros chamariam depois de Fusca (fotos de meados dos anos 30)
Dos gigantes da literatura da virada do século XIX para o XX, talvez Henry James seja o mais desconcertante deles. Carrego na bolsa um pequeno livro chamado Os quatro encontros, edição do Clube do Livro dos anos 80. São três novelinhas que ainda não acabei de ler. O tema de fundo é a educação e as diferenças entre a vida na Europa e na América do Norte. Nada que não tenha sido esmiuçado pelo autor e por outros. Só que, com sua prosa clássica e elegante, James vai deixando tudo fora do lugar, tornando as coisas discretamente lesivas, levando-as lentamente à perversão. A criação de climas é tão bem feita que pouco a pouco vou-me sentindo cada vez mais confortável, como se estivesse na carona do gordinho James, um sujeito que me leva com tanta segurança que não consigo me dar conta de coisas menores como pneus, motor, câmbio.
Sou daqueles caras que acham que, para se conhecer a arte de Ingmar Bergman, deve-se ver primeiro seus filmes. Digo isso porque, na semana passada, discuti amigavelmente com alguns acadêmicos que ficaram longamente tergiversando, entre eles, sobre o que se deveria ler como introdução a Machado de Assis e Shakespeare. Na minha simplória avaliação, eles deveriam iniciar pelos próprios autores, mas o que sei eu, né? Bergman também é um imenso autor e o número de ensaios e entrevistas que envolvem sua obra não são comparáveis a de nenhum outro diretor de cinema.
Tudo começa pelo próprio Bergman escritor. Há seus extraordinários livros — como Imagens, A Lanterna Mágica e O cinema segundo Bergman (entrevista longa) — , há dezenas de ensaios, livros com material fotográfico, filmes que lhe fazem referência ou que tiveram participação do mestre — como a obra-prima dirigida por Liv Ullmann, Infiel — e documentários como A Ilha de Bergman e este Liv & Ingmar que estreou no final de semana em Porto Alegre.
Assim como A Ilha de Bergman, o filme Liv & Ingmar certamente irá para o acervo de principais referências bergmanianas. O diretor indiano Dheeraj Akolkar deixa Liv Ullmann monologar longamente, acompanhada por cenas e imagens de filmes, fotos pessoais e passeios pela casa de Bergman na ilha de Fårö. Liv esteve casada por 5 anos com Bergman; depois tornaram-se grandes amigos. Ao todo, foram 42 anos de parcerias do autor e de sua atriz preferida, seu Stradivarius, conforme expressão do próprio Bergman, em elogio a Liv.
O filme e o discurso de Liv são consistentes. O diretor indiano dá a ela total liberdade para falar. A voz do entrevistador nunca aparece, dando-nos a impressão de uma longa improvisação. Até aí, tudo muito bergmaniano. Ullmann demonstra involuntariamente todos os motivos que fizeram com que Bergman se apaixonasse perdidamente por ela: além de ter sido belíssima, é uma mulher inteligente, com a característica de levar seus raciocínios em linha reta, nunca recuando ante temas difíceis que fizeram parte de vida do casal, como a violência física e principalmente a psicológica.
Há trechos arrepiantes, como a descrição de uma caminhada dos amigos, já velhos, pelas ruas, a citação ao Stradivarius e as acusações de Liv de que Bergman a teria torturado durante duas filmagens, uma vez fazendo com que ela chegasse muito perto do fogo e outra quase a matando de frio, enquanto ele ficava confortavelmente com um casaco sobre outro. Necessariamente unilateral, como todas as confissões, o filme tem altíssima temperatura emocional e aí está o único erro do diretor indiano.
Em muitos momentos, ele resolve acentuar o que está quente com ornamentações orquestrais nada bergmanianas. Um grupo de violinos ardentes tentam vir inutilmente ao encontro do solo de violoncelo de Liv, em pequena bobagem expressiva. Prova de que, se Liv sabe tudo sobre Ingmar, Dheeraj fica devendo, mesmo dando exemplos de cenas em que a atriz era acompanhada apenas por uma sarabanda de uma suíte de Bach.
É um equívoco que incomoda um pouco, mas não tira os méritos do filme. Liv & Ingmar é absolutamente necessário a todo fã do cinema de Ingmar Bergman.
Minha leitura da eleição do Conselho do Inter é bem simples. A situação perdeu muitas cadeiras, a maior parte delas para uma oposição de mentirinha — a de Píffero, Lopes e de uma série de pessoas que ainda anteontem estavam ligadas à situação — e a verdadeira oposição teve um modesto incremento, passando de 32 a 48 cadeiras da metade renovada do Conselho. Vocês dirão que 50% não é um “modesto incremento”, mas, se considerarmos o ganho de cadeiras da chapa de Píffero, a Convergência perdeu uma grande oportunidade.
Píffero e seus aliados fizeram uma campanha inteligente e oportunista. Em política não é feio ser oportunista. Sem biografia ou algo em comum que unisse aquela salada de frutas de todas as estações, chamaram sua de chapa de “Diretas Sempre”, em clara referência a um escandaloso fato recém ocorrido: a negativa do Conselho em dar um segundo turno aos sócios, ou, sendo mais claro, a absurda reeleição de um presidente derrotado em campo, sem ser referendado pelos sócios.
Muitos sócios ficaram indignados com a eleição e votaram simplesmente em “diretas sempre”. Já o grupo da Convergência — ao qual pertenço — teve pudor para se utilizar desta estratégia, mas, como já dizia José Dirceu e Raskolnikov, há que se agachar e pegar o poder onde ele normalmente está, na lama. A biografia coerente do grupo o impediu de usar casuísmos. Cometeu um grave equívoco.
Por falar em sócios, que decepção. Dos quase 60 mil habilitados, votaram 11 mil. Ou seja, são pessoas que estão ou cagando para o clube ou ressentidos com a politica interna do mesmo. Bem, por isso é que há democracia e oposição. Ou só pensam no futebol de campo, como se este fosse consequência dos deuses do futebol. Acho que, se tivéssemos 30 mil votantes, Luigi sairia muito, mas muito pior da eleição de ontem.
Desta forma, o fato esportivo do fim de semana não foi a eleição do Inter, mas a transparente entrevista concedida por Fábio Koff para a Zero Hora. Ele disse coisas das quais se tinha informação — que a Arena era um péssimo negócio para o Grêmio — e outras das quais nem se desconfiava sobre a situação financeira do clube. O Conselho do Inter — essa coisa para a qual os sócios cagam — salvou o Inter de um mau negócio. O contrato com a AG foi examinado e cheirado em seus mínimos detalhes e o resultado é muito melhor. O próprio Koff disse em sua entrevista que o Inter agregou patrimônio enquanto o Grêmio o cedeu. Viva o Conselho do Internacional!
Chapa 1 – Inter Vencedor — Do Luigi: 38 conselheiros Chapa 2 – Diretas Sempre — Do Lopes e do Piffero: 64 conselheiros Chapa 3 – Convergência Colorada: 48 conselheiros Chapa 4 – O Povo do Clube: 0 Chapa 5 – Movimento Vermelho: 0 Chapa 6 – Acorda, Conselho: 0
O sócio quer votar para presidente, né? O grande derrotado foi o banana Giovanni Luigi Calvário. A Convergência estava renovando 32 cadeiras. Com suas 48, ganhou 16 cadeiras. A vencedora foi a Chapa 2, que tem uma plataforma bem simplesinha: quer mudar o estatuto para reduzir a cláusula de barreira. De resto, é formada por dissidentes da situação. Mas hoje é oposição.
Agora a oposição tem ligeira maioria. Luigi vai ter que cooptar bastante gente em jantares.
Totais aproximados:
Chapa 1 – Inter Vencedor — Do Luigi: 127 conselheiros Chapa 2 – Diretas Sempre — Do Lopes e do Piffero: 107 conselheiros Chapa 3 – Convergência Colorada: 80 conselheiros
Chegou a hora da tua participação e de fazer valer o direito de definir o destino do Internacional. De decidir se vamos viver do passado ou começar a construir uma alternativa de qualidade para o futuro do Internacional.
Vote neste sábado, das 9h às 18h, no Gigantinho! Não esqueça de levar sua carteira de sócio (com foto) ou documento de identidade.
Os resultados muito abaixo do esperado não são fruto do acaso. Foram cometidos diversos equívocos nos últimos anos, somados a uma total desestruturação e instabilidade no comando do vestiário e dos rumos do futebol. O Internacional merece mais do que viver da credibilidade dos seus ídolos do passado.
O Convergência Colorada já demonstrou ser uma oposição propositiva e atuante, fazendo as críticas e cobranças por meio do diálogo e no local certo, que é no Conselho Deliberativo – órgão que deve ser independente e fiscalizador da Diretoria. Nossa atuação é pautada em propostas claras, expostas em nosso Plano de Gestão, no qual buscamos organizar e sistematizar os projetos que idealizamos para o Clube – jamais atuando com base no mero oportunismo político.
Para avançar na profissionalização e nos direitos de participação dos associados é fundamental uma ampla reforma estatutária modernizadora da estrutura de administração do Internacional, o que só será possível com o apoio das sócias e dos sócios colorados.
Amanhã, no dia 15 de Dezembro teremos eleições para renovação de 150 das 346 cadeiras do Conselho Deliberativo, no qual os associados poderão reestabelecer o equilíbrio de forças entre seus representantes e, assim, valorizar a tradição democrática do Internacional, o clube do povo! Jamais regredindo para a formação de “impérios” que se perpetuam no poder, mesmo na ausência de resultados – desejo de todos nós, colorados.
Votando na Chapa 3, tu darás uma contribuição fundamental para o futuro do Inter e incentivando a atuação de lideranças dignas da sua confiança e credibilidade, interessadas em contribuir para que o Internacional se torne cada vez mais maduro na política, forte em sua gestão e voltado para um futebol permanentemente vitorioso.
A Democracia Colorada e o futuro do Clube dependem do teu voto!
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Saiba por que votar na Chapa 3
Conheça nossos principais projetos:
– Alteração ampla do estatuto do clube, cláusula de barreira, Conselho de Administração, eleições consulares;
– Atuar no Conselho através das comissões técnicas e temáticas, buscando estabelecer nelas agenda e metas;
– Atuação no conselho com perfil de fiscalização e proposição, sempre atendendo o que for melhor para o Inter;
– Busca constante pela profissionalização do clube;
– Profissionalização do departamento de futebol com padrão de jogo e vestiário forte;
– Compromisso de respeitar e valorizar a história e símbolos do Inter;
Importante que veja ainda:
– Nosso Plano de Gestão com propostas para a profissionalização do Clube.
– Prestação de contas de nossa atuação no Conselho em 2011 e 2012
– Nossa nominata que concorre ao Conselho.
Além disso, os componentes da nossa chapa firmaram um termo de fidelidade, no qual se o conselheiro optar pro trocar de movimento, faça após renúncia de sua cadeira, afinal ela pertence ao torcedor que vota no projeto do Convergência Colorada.
Dia 15 de dezembro vá ao Beira-Rio e vote na eleição para o Conselho Deliberativo.
Vote Chapa 3 – Convergência Colorada, oposição atuante e forte
Klimt, Retrato de Adele Bloch-Bauer (clique para ampliar)
Em 2006, o Retrato de Adele Bloch-Bauer foi vendido por 135 milhões de dólares. Tal fato – e principalmente tal preço – demonstra a força da arte de Gustav Klimt, nascido há exatos 150 anos, em 14 de julho de 1862. Acadêmico nos primeiros anos, depois simbolista e modernista, é complicado associar o austríaco a qualquer movimento estanque. Também seus temas são muito particulares, principalmente se considerarmos seu grande interesse no feminino, fato que fez parte de sua produção ser chamada de erótica no início do século passado. Enquanto o rosto de Gustav Klimt e sua túnica permanecem pouco conhecidos do grande público, seus traços lentamente passaram a fazer parte da memória comum da humanidade, aparecendo em cartazes, propagandas e posters. Por exemplo, seus dourados, linhas e a palidez de suas mulheres – características muito marcantes em seus quadros – estavam nesta sexta-feira (13) aparecendo em uma vitrine da Rua da Praia, em Porto Alegre, servindo de demonstração para a qualidade de um monitor de computador.
Klimt, Mulher sentada (clique para ampliar)
Salman Rushdie escreveu em seu ensaio The Short Story: “Comumente, o que é pornográfico para uma geração, é clássico para a geração seguinte”. A frase parece ser perfeita para boa parte da arte produzida na virada do século XIX para o XX. Se os EUA e a Grã-Bretanha consideraram pornográfico o romance Ulisses, de James Joyce; se a França e a Rússia acharam que os balés de Diaghilev eram pornográficos (e eram mesmo, não obstante o fato de serem belíssimos), o que se dizia das pinturas finais de Gustav Klimt e o que se diz hoje delas?
Primórdios
Gustav Klimt nasceu na Áustria Imperial, na pequena localidade de Baumgarten, ao sul de Viena, quase na fronteira com a Hungria. A Áustria Imperial durou somente até 1867, substituída pelo Império Austro-Húngaro, o qual foi dissolvido em 1918, ano da morte do pintor. Klimt viveu num grande e efêmero país europeu que agregava as atuais Áustria, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Croácia, Bósnia Herzegovina, além de partes da Itália, Polônia, Romênia e Ucrânia.
Em 1876, com 14 anos, Klimt ingressou na Escola de Artes e Ofícios de Viena, juntamente com um de seus irmãos. Os dois ganhavam algum dinheiro desenhando e vendendo retratos a partir de fotografias. Em 1879, Klimt, seu irmão Ernst e o amigo Franz Matsch auxiliaram seu professor de pintura de murais na decoração do átrio do Kunsthistorisches Museum (Museu de História da Arte) de Viena. Devido ao excelente trabalho realizado, no ano seguinte começam a receber encomendas, passando a realizar trabalhos de cidade em cidade: quatro alegorias para o teto do Palácio Sturany em Viena, teto do estabelecimento termal de Karlsbad na Tchecoslováquia, decoração da Villa Hermès a partir de desenhos de Hans Makart, etc. Porém, em 1886, num trabalho para o Burgtheater, o estilo de Klimt começou a diferenciar-se do de seu irmão e do de Matsch e ele iniciou o processo de afastamento do academismo aprendido na Escola de Artes.
Klimt, Namoradas, 1916-17 (clique para ampliar)
A Secessão de Viena
Em 1897, Klimt fundou e presidiu, juntamente com outros artistas, a Associação Austríaca de Artistas Figurativos. O objetivo era o de contrapor-se à Casa dos Artistas, tradicional instituição conservadora que era dona da única sala de exposições importante de Viena. Em represália, a Casa decidiu não expor ou apoiar os artistas que fossem membros da nova instituição. Foi o estopim para a fundação da Secessão Vienense (Sezession Wiener), uma iniciativa de protesto de artistas da época contra as normas tradicionais. Alguns hostis chamavam essa insurgência de “revolta edipiana”, como se fosse uma espécie de movimento de fundo apenas psicológico, que consistia numa questão de filhos que se desencaminharam de seus e pais e da tradição.
O estatuto da nova associação resumia bem seu objetivo: o fomento de um novo sentido artístico na Áustria. Seus sucesso e importância foi acachapante. O grupo presidido por Klimt apresentou propostas revolucionárias para a época, equiparando o trabalho de pintores, artesãos, arquitetos, desenhistas, ilustradores e tipógrafos. O Secessão tinha por objetivo unificar a pintura e as artes aplicadas. Rapidamente, o Secessão virou o cenário artístico de Viena de cabeça para baixo, a ponto de receber o apoio do Imperador e de boa parte da alta burguesia. Seus 40 membros trabalhavam para expor trabalhos de jovens pintores não convencionais, além de divulgarem ao público vienense a obra dos melhores artistas estrangeiros e as novas tendências artísticas por meio de uma revista própria, a “Ver Sacrum” (Primavera Sagrada). Logo fundaram seu próprio salão de exposições.
Klimt, Danaë (clique para ampliar)
O pintor
Mas nem só de política vivia Klimt. Vivendo em meio ao fervilhante cenário artístico e intelectual da Viena do início do século XX, Klimt criava uma arte subjetiva e erótica de grande intensidade. Viena fervilhava. Passando um rigoroso filtro, podemos citar Freud e sua nova ciência psicanalítica; Wittgenstein e o positivismo lógico de seu Tractatus Logico-Philosophicus; Arnold Schoenberg e a música serial. Era um bom momento para a vanguarda e Klimt fez sua parte ao introduzir o colorido simbolista no cenário artístico vienense, formando a ponte para a vanguarda expressionista.
Klimt não apenas era talentoso como combativo e irreverente. Apresentou os esboços de “Filosofia” e “Jurisprudência” para os afrescos da Universidade de Viena. O projeto causou indignação devido aos nus femininos e às cores escuras. Klimt ignorou as críticas e deu continuidade ao projeto original. Nesta etapa de sua carreira, já se disseminavam em suas obras os nus femininos, representados nas mais diversas formas. A tela Nuda Veritas apresentava uma mulher inteiramente nua e Klimt parecia ter esquecido de suprimir os pelos pubianos da figura, um grande tabu na época. Acima da imagem havia uma frase provocativa: “A cada época a sua arte; à arte, sua liberdade”.
Klimt, O Chapéu de plumas negras (clique para ampliar)
Ao deixar a Secessão, sua arte passou a conter uma perspectiva muito mais pessoal, distanciando-se na necessidade de agradar a uma clientela específica. O pintor passou a criar suas telas com total liberdade. Também demonstrou ser um sensível intérprete da mulher. O ouro e a prata, objetos de desejo num período pré-feminista, servem para disfarçar a nudez. Quando o homem aparece, é acessório. e recebe tratamento totalmente diverso. Klimt nunca casou e para que realizasse seus retratos, duas ou três modelos permaneciam a seu dispor, além, é claro de seu grande amor, Emilie Flöge. Em suas pinturas, pe evidente que ele primeiro desenhava seus modelos nus para depois recobri-los com tintas. Klimt nos torna voyeurs e cúmplices.
Porém, não nada nele de cruel ou vulgar. Ele não tinha a agressividade de seu discípulo Egon Schiele nem o cinismo calculado de Picasso. Sempre houve requinte e elegância em seus nus.
Klimt mantinha um estilo rebelde também na forma de vestir-se. Usava batas e afirmava que nunca usava roupa de baixo. Pode parecer um detalhe ocioso referir-se a isto, porém esta postura contribuiu em muito para que lhe dessem uma desejada cátedra na Academia. Embora muito bem relacionado na alta sociedade que o financiava, sempre foi uma espécie de outsider em relação aos meios oficiais. Outro detalhe curioso era o hábito de pintar várias telas ao mesmo tempo.
Duas obras fundamentais: O Beijo e Judith
O Beijo (clique para ampliar)
O Beijo (1907-1908) é uma das obras culminantes da carreira de Klimt. A obra foi aclamada desde o início, sendo imediatamente comprada pelo governo austríaco. Aqui, o esplendor decorativo chega aos extremo com belos motivos florais. As figuras enlaçadas ressaltam grande sensualidade em traços econômicos e vigorosos. O xadrez frio e retangular apontaria para os valores masculinos, enquanto os cálices das flores servem ao feminino. A beleza decorativa do quadro serve tem efeito catártico sobre o erotismo das poses. Realizada na revolucionária, mas ainda conservadora Viena, a obra provocava fascínio e estranhamento.
Judith (clique para ampliar)
Judith (1901) é uma representação plástica que fica entre a morte e a sexualidade, drama que fascinava o autor. O dourado atenua a figura da mulher no fundo. Distante e imaterial, o corpo da modelo contrasta com a sensualidade de um rosto quase fotográfico. Por algum tempo, o quadro foi denominado Salomé, a mulher sedutora que provocou a morte de João Batista, já que muitos recusavam-se terminantemente a admitir qua a retratada era a virtuosa Judith — a heroína judia que matou um general inimigo. Seus lábios entreabertos e os olhos semicerrados lhe conferem um ar intensamente erótico, mas também de sensualidade mórbida.
A propósito, sua fase dourada foi marcada pela reação altamente positiva de crítica e público. Em muitas pinturas daquele período, ele utiliza folhas de ouro, como no citado Retrato de Adele Bloch-Bauer e em O Beijo, talvez sua mais famosa tela. Klimt foi um pintor soberbo de paisagens e de arte decorativa, mas suas obras de modelos femininos – habitualmente de forte apelo sexual – são as criações mais importantes. Sua consagração em vida trazia-lhe muitos clientes, mas também tornou-o altamente seletivo. Pintava com extrema minúcia, muitas vezes obrigando seus modelos a longuíssimas sessões.
Foi apaixonadíssimo por Emilie Flöge, com quem teve um longo caso de amor. Ela foi sua musa e companheira durante muitos anos, de 1891 até sua morte, em 1918. Klimt escreveu pouco sobre sua pintura e métodos. Não deixou diários, apenas cartões-postais escritos para Emilie. Mas há um raro escrito seu com o título de “Comentário sobre o inexistente autorretrato” que diz “Estou menos interessado em mim do que em outras pessoas como tema para pinturas. Me interesso acima de tudo por mulheres. Não há nada de especial em mim. Sou um pinto que trabalha dia após dia, de manhã à noite. Quem quiser me ver deve olhar minhas fotos”.
Gustav Klimt e sua companheira Emilie Flöge (clique para ampliar)
Klimt posando sem a tradicional bataKlimt em 1906E de corpo inteiro com a bata. Sem roupa de baixo.
O dia de hoje em Viena
No Museu Leopold, serão expostas as 400 cartas e mensagens trocadas por Gustav e Emilie. Igualmente serão expostos objetos pessoais.
O Museu de Viena esporá sua coleção completa de Klimt, incluindo a máscara mortuária do artista e mais de 400 obras. Também serão expostos objetos pessoais, como uma inusitada tampa de privada decorada por ele.
Já o austero Museu de Belvedere, que possui sua obra O Beijo, organizou um “Concurso de sósias de Gustav Klimt e de Emilie Flöge”.
Por fim, a Galeria Secessão vai expor sete paineis do famoso “Friso de Beethoven”, apresentado em 1902.
O dia de hoje no Google
Mais algumas obras de Klimt
Klimt, The Beethoven Frieze II (clique para ampliar)
Klimt, A Esperança I
Klimt, Moving water (clique para ampliar)
Klimt, Nuda Veritas (clique para ampliar)
Klimt, Retrato de Frirza Riedler (clique para ampliar)
Klimt, As Três idades da mulher (clique para ampliar)
Klimt, Emilie Flöge (clique para ampliar)Retrato de Serena Lederer
E uma bela homenagem que acaba de aparecer no YouTube, por Cau Barata