Bom dia, Diego Aguirre (com os gols da epopeia de ontem)

Bom dia, Diego Aguirre (com os gols da epopeia de ontem)

Que jogo, Aguirre! Cada vez que o Atlético-MG vinha, calafrios contrafeitos percorriam minhas costas do cóccix aos primeiros pelos do pescoço. E tu reagiste valentemente aos rasantes que os mineiros nos davam repetidamente e que abalavam as estruturas do bergamotão. Imagino que, em condições normais, ninguém é sufocado sem se debater desesperadamente. E tu te retorceste, jogando pernas e braços para todos os lados a fim de fazer o Atlético parar. Primeiro, colocaste Jorge Henrique para marcar Patric, que penetrava como uma faca quente na manteiga do lado esquerdo de nossa defesa. Não deu certo. Então tiraste o baixinho, colocando o volante Nico Freitas. Melhorou pouca coisa. Depois, inverteste os laterais. Passamos a respirar. E acabamos com a sangria trocando, imaginem, D`Alessandro por Réver.

Mais tinha os outros todos. Então, gostaria de elogiar um cara do qual ninguém fala. Ele é velho, discreto e faz tudo com tamanha naturalidade que até os pênaltis que comete não são marcados. Os juízes observam, duvidam do que veem e deixam pra lá. Ontem, ele fez um desses. Aos 36 anos, Juan deixa Alan Costa e Ernando não apenas mais bonitos, mas cheios de garbo e compostura. Ele engana também os atacantes. Lento, faz-se de rápido ao usar atalhos desconhecidos para chegar nas bolas. Contra o Atlético-MG cumpriu uma partida sem falhas, sendo uma ilha de segurança em meio à balbúrdia.

Valdívia faz Victor voltar correndo para o gol.
Valdívia faz Victor voltar correndo para o gol | SC Internacional / Alexandre Lops

Fui no jogo com o Diego Dutra, zelador do prédio onde moro. Somos uma dupla invicta. Quando saímos do T5, perguntei-lhe quanto seria o jogo. No Sul21, tinham dito que seria 2 x 1, 1 x 1 ou 2 x 0, sempre com o Inter classificado, mas o Diego disse que seria 3 x 1. Acertou. Só que, certamente, não previu do tamanho do sofrimento para um placar tão dilatado. É que nosso aproveitamento foi — tem sido sempre– muito alto. E não adianta dizer que o Atlético teve mais posse de bola e muitas chances. Tu, Aguirre, gostas de dar campo ao adversário. O que Levir e os jornalistas mineiros tiveram que entender é que faz parte do “jogar bem” converter as chances em gols. E isso nós fizemos de forma e beleza alucinantes. Até no gol de Lisandro López, o mais acanhado de todos, tivemos uma conclusão sensacional, com o argentino mandando Victor para um lado, chutando no outro. Ou seja, somos um time complicado como era aquele teu Peñarol, Aguirre, que nos matou no Beira-Rio em dois contra-ataques. Até hoje fico puto quando penso naquele jogo.

victorE D`Alessandro, que fez o seu sétimo gol em Victor? E não foi qualquer gol. Ele girou sobre Thiago Ribeiro e Douglas Costa mandando um chute em curva, no ângulo, uma coisa de grandiosidade e exatidão como só os grandes algozes conseguem. Foi um golpe só, definitivo, indolor, sem piedade. Ocorreu ao final do primeiro tempo, antes que o Galo voltasse a dar as cartas no início do segundo, período de maior terror para a arquibancada colorada, quando levamos um banho de bola sem acertar contra-ataque nenhum.

No T5 da volta, a sensação geral era a de que podemos ser campeões novamente. Talvez o cruzamento com o Santa Fe não nos obrigue a parir outro bebê de 25 Kg. O Marco Weissheimer, atento e caseiro torcedor colorado, me escreveu dizendo que o ataque do Santa Fe é bom, mas a defesa é fraquinha. E terminou citando o inesperado complemento de nossa felicidade de noite de ontem. “A cereja no pudim ontem foi mesmo a eliminação do Corinthians pelo Grêmio Bagé”. Verdade.

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Em Israel, entre as oliveiras

Em Israel, entre as oliveiras
Quando visto à noite, é ainda mais bonito
Quando visto à noite, é ainda mais bonito

No início do ano 2000, minha Elena foi visitar seus familiares em Israel. Entre um passeio e outro, foi aos grandes mosteiros russos erguidos no Monte das Oliveiras. Os prédios são belíssimos. Um deles, o da foto acima, foi construído em 1886 pelos Romanov, a mandado do czar do antigo Império Russo Alexandre II, em homenagem a sua mãe, a imperatriz Maria Alexandrovna. Sim, os prédios foram pagos pelos russos de então.

Não se enganem, esta torre é enorme.
Não se enganem, esta torre é enorme.

O outro mosteiro ortodoxo, o da foto ao lado, é de 1870, é imenso e tem até uma fábrica de azeite de oliva em seus 5,4 hectares. O Monte das Oliveiras tem três picos dispostos no sentido de norte-sul. É um local sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos.

Após visitar detalhadamente os mosteiros, por interesse histórico e por ser cristã ortodoxa, a querida Elena, namorada deste ateu que vos escreve, caminhou para a região católica do Monte, entre suas árvores milenares. Foi quando deu-se conta de que estava no Jardim de Getsêmani, ao lado das famosas oliveiras sob as quais Judas deu o beijo fatal em Jesus. Para quem não sabe, um beijo foi a forma escolhida por Judas Iscariotes para identificar Jesus aos soldados que vieram prendê-lo. A combinação era de que Judas beijaria o homem que deveria ser preso. Tal traição a Jesus ocorreu exatamente no Getsêmani, debaixo das oliveiras, após a Última Ceia. E o ósculo levou Jesus à prisão pela força policial do Sinédrio (assembleia de 70 juízes que a lei judaica ordenava existir em cada cidade). Tal fato criou a expressão “Beijo de Judas”.

A azeitona hoje
A azeitona de Judas após 15 anos, sobre um livro de Dostoiévski | Foto: Elena Romanov

Elena viu uma azeitona seca no chão e levou-a como um troféu de peregrinação (ao lado, a coitada da azeitona). Neste mês, num espaço de sete dias — mais bíblico ainda –, aconteceram dois casamentos diferentes de pessoas conhecidas. Por mera coincidência, havia pessoas de igual sobrenome. Minha Elena é cheia de superstições e me veio com esta história de azeitonas, achando que era um bom sinal e “que devemos abençoar, de coração puro, estas uniões”. Estamos livres para o que der e vier.

Ela gosta de azeitonas, eu detesto.

(Há um pacto. Quando formos a Israel, ela vai sozinha a estes lugares santos — apesar de que aquela coisa toda é chamada de Terra Santa… Tô ralado).

As oliveiras do Jardim de Gersêmani
As oliveiras do Jardim de Getsêmani

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Dias tristes: fim da Ipanema, da Sala dos Clássicos e morte do Hagemann

Dias tristes: fim da Ipanema, da Sala dos Clássicos e morte do Hagemann
Charge do Latuff descomemorando o fim da Ipanema
Charge do Latuff descomemorando o fim da Ipanema

Não era um grande ouvinte da Ipanema. Ouvia mais quando tinha carro e precisava de barulho para vencer o som da rua. Era o período glorioso de Kátia Suman e Mary Mezzari. Algumas tardes da Kátia eram realmente extraordinárias. Ela conseguia enfileirar uma tal série de músicas, com um tal ritmo e entusiasmo, que parecia que quem estava fazendo música era ela. É preciso talento e conhecimento para obter aquele efeito e ela conseguia quando queria. Era, deve ser ainda, tarada pelo Led Zeppelin. Mas havia também o alemão Victor Hugo, o Mutuca e programas surpreendentes — e ótimos — como o Musica Mundi e o Arrasa Quarteirão. Acabou. E acabou para virar mais do mesmo. A péssima programação da Band AM vai tomar conta da rádio.

E, ontem à tardinha, fui procurar um CD e dei de cara com a Sala dos Clássicos Eruditos fechada. Era ali na Galeria Chaves, no primeiro andar. Em seu lugar estava uma reles agência de viagens. A loja da Margarida e da Mirta era o local que substituía o porão da King`s Discos da Cristina e do Júlio. Era um local de encontros de músicos e melômanos. A gente podia encomendar o que quisesse. Elas davam um jeito. Passei muitas e boas horas lá. Já conhecia até o banheiro, pois às vezes ficava muito tempo batendo papo…. Mas agora acabou.

LAURO-HAGEMANN-Elson-Sempé-PedrosoE, nesta madrugada, aos 84 anos, morreu Lauro Hagemann. Conheci o velho comuna no partidão. Como escreveu Franklin Cunha, Lauro dignificou a profissão de jornalista, hoje tão justamente criticada por algumas posições políticas, institucionais e empresariais. Era uma voz que se fazia muito presente em minha casa, pois meu pai sempre preferia que a locução dos noticiários viesse pelo Hagemann, que era uma pessoa ética. Lauro foi cassado pela ditadura, tendo um comportamento impecável de oposição durante o período.

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Bom dia, Diego Aguirre (com os gols de ontem)

Bom dia, Diego Aguirre (com os gols de ontem)
O indecifrável Cláudio Winck jogou como volante e lateral na derrora por 3 x 0 para o Atlético-PR
O indecifrável Cláudio Winck jogou como volante e lateral na derrota por 3 x 0 para o Atlético-PR

Aguirre, claro que a Libertadores é nosso objetivo, mas há limites para o uso de reservas. Léo, Paulão e Alan Ruschel são casos de irremediável ruindade. Réver, Anderson e Vitinho são casos de desinteresse. Os reservas Nilton (lesionado) e Nico Freitas (suspenso) não fizeram falta, mas esses seis que citei inicialmente jogaram teu time misto no chão.

Não dá para analisar taticamente aquele amontoado de jogadores, até porque algumas péssimas atuações tornaram impossível qualquer vida futebolística. Paulão passou a tarde dando chutões para a frente. Quando resolveu chutar para trás, acabou acertando nosso gol. Léo é o próprio Homem Sem Qualidades: é deficiente na defesa e no apoio. Onde está aquele Diogo que entrou com dignidade em alguns jogos do Gauchão? Alan Ruschel é a mesma coisa que Léo, só que pela esquerda, em versão charmosa.

Já Réver, Anderson e Vitinho vieram para ser titulares, perderam a posição e parecem estar “desmotivados”. Os dois primeiros podem até estar sem ritmo de jogo, mas Vitinho parece ser um caso de desistência. E o argentino Luque?

E Cláudio Winck? Podemos contar com ele? Iniciou bem e depois encolheu-se.

Bem, é claro que toda a nossa torcida e interesse está voltada para quarta-feira, mas um péssimo Brasileiro pode ter como consequência uma Libertadores nervosa. A imprensa já começou a encher o saco, dizendo que Brasileiro não é Gauchão e que tu não és tão brilhante quanto parece. Haja saco, Aguirre, haja saco.

Na quarta, vamos de Ernando pela esquerda, não? Colocar o Alex ali pode ser perigoso, considerando que o Atlético tem Luan e Marcos Rocha no setor. Já sei que JH vai jogar para aumentar nossa marcação no meio. Boa sorte pra nós!

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Eu e minha mãe, não sei em que ano

Eu e minha mãe, não sei em que ano

Um feliz Dias das Mães para quem as têm e belas e felizes lembranças para quem não tem mais.

Milton Ribeiro e Maria Luiza

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Cantadas infalíveis

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Cine Teatro Presidente: um e-mail do jornalista Geraldo Hasse

Cine Teatro Presidente: um e-mail do jornalista Geraldo Hasse

presidenteBuenas, Milton: envio uma atualização para seu inventário dos cinemas de Porto Alegre.

Leia mais:
A migração dos cinemas de Porto Alegre (Parte 1 – Centro)
A migração dos cinemas de Porto Alegre (Parte 2 – alguns bairros)
A migração dos cinemas de Porto Alegre (Final)

Fechado há dois anos, quando saiu dali uma igreja evangélica que o locava, o ex-Cine Presidente está despejando na sarjeta da Av. Benjamin Constant, 1773, as pastilhas de sua bela fachada. No imagem em anexo (abaixo), uma amostra das pecinhas de cerâmica que emolduram os murais (na verdade, paredais) do prédio dos anos 1960, cuja arquitetura foi claramente influenciada pela construção de Brasília.

Um abraço, Geraldo Hasse.

Imagem (24)

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Bom dia, Diego Aguirre (com os gols do jogo de ontem)

Bom dia, Diego Aguirre (com os gols do jogo de ontem)

Aguirre, caríssimo!

Claro que é frustrante ver o adversário empatar a partida aos 49 min do segundo tempo, mas o resultado da partida, o 2 x 2, foi excelente e nós dá boas chances de seguir no Galeanão 2015. Tu disseste antes do jogo que o empate serviria e eu respondo que um empate com gols serve mais ainda. Engraçado, o jogo iniciou e terminou com falhas defensivas. O primeiro gol do jogo — do colorado Lisandro López — nasceu de uma tremenda mancada do bom Marcos Rocha. O último, marcado pelo zagueiro Leonardo Silva, surgiu de um bate-rebate em que o também excelente Rodrigo Dourado ficou girando à procura de uma bola que estava a seus pés. Acontece.

Atlético-MG x Internacional

Não hora, não vi o gol de Lisandro, Aguirre. Foi a Elena quem disse baixinho com seu sotaque russo: “gol do Inter”. Eu estava no computador conversando com um bando de atleticanos e gremistas inteligentes que desejavam nos vencer antes do jogo, imagina… Eu gostei muito do Inter, apesar do susto de ver Valdívia e D`Alessandro no banco de reservas. A opção por Alex e Jorge Henrique acabou demonstrando ser boa, principalmente porque JH fez aquilo que sabe e que era necessário: segurou Marcos Rocha, excelente no apoio pelo lado direito atleticano. Temos grupo, isso é fundamental num calendário tão ilógico e cansativo quanto o do futebol brasileiro. No mais, bobeamos ao recuar muito no final do jogo. A bola voltava muito rapidamente, pois os nossos jogadores tentavam passes difíceis em vez de trocar bolas sem maior objetivo. Uma dose de Iarley sempre faz falta nesses momentos.

Mas não é lógico lamentar. De cada 5 times que vão ao Horto, 4 saem de lá derrotados. Importante lembrar também que, 3 dias antes, houve uma final muito intensa contra os pijamistas do Humaitá.

O Atlético-MG é um bom time, mas pior quer outras versões recentes. O trio de meias, Dátolo, Luan e Tiago Ribeiro e  mais o atacante Pratto não são tudo isso, mas não podemos dar espaços para quem que precisa marcar gols em Porto Alegre. O Inter está mais próximo da classificação e, se mantiver o bom futebol e a compostura defensiva dos últimos jogos, deve levar a vaga para as quartas-de-final.

No sonho, lá bem longe, vimos nosso rival de 2006 ganhar de 3 x 0 do Bayern. E a fantasia começa a rolar solta, Diego. Eu posso, sou torcedor.

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Direto dos Países Baixos

Direto dos Países Baixos

Gerrit Dou (1613-1675), pintor e gravador dos Países Baixos.

Velho fazendo a ponta de uma pena
Velho fazendo a ponta de uma pena

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Lutando na Espanha, de George Orwell

Lutando na Espanha, de George Orwell

Lutando-na-Espanha-George-Orwell

O bom do livro do livro de Orwell não está na descrição da política espanhola de muitas siglas e tendências na época. O bom está no retrato sem maquiagem ou heroísmo da Guerra Civil e nas traições que as linhas tortuosas da política mundial perpetraram contra o governo eleito. Uma frente popular de esquerda tinha sido eleita em 1936 e havia uma reação golpista por parte dos fascistas de Franco. A frente era uma grande aliança de partidos e organizações de esquerda, incluindo anarquistas. A situação na Catalunha era única. As igrejas estavam ocupadas, os garçons não tratavam os clientes por señor porque ninguém era subserviente a ninguém e todos usavam roupas simples para não parecerem mais do que os outros.

Por não aceitar esta reação golpista por parte dos fascistas, Orwell foi lutar na Espanha. O caos imperava e as descrições do relacionamento entre os ingleses e os espanhóis são curiosas. O inglês Orwell sabia manejar uma arma e gostava de pontualidade, enquanto seus companheiros quase se matavam cada vez que limpavam um fuzil. Seus relógios eram meros adornos. Ele esperava disciplina e estratégia, mas só via simpatia, ignorância e fome em seus companheiros. Nada funcionava direito. As armas eram velhas e imprecisas, cuspiam balas para qualquer lado. A trincheira fascista ficava longe, inalcançável a qualquer tiro. As ameaças vinham por alto-falantes.

O livro, muitíssimo bem escrito, é cheio de méritos e informação. Há um olhar de estranheza e encanto de alguém que, pela primeira vez, vê os trabalhadores no poder. Depois, o desencanto é completo.

Semanas após chegar, Orwell foi ferido por um tiro e deixou a frente de batalha, retornando à Barcelona, onde a situação catalã já mudara. A burguesia tinha voltado à tona, assim como os tratamentos de senhoria. Na complexa política da época, o POUM que os trabalhistas ingleses como Orwell apoiavam, teve seus membros perseguidos e mortos pelos comunistas. Na fantasia dos devotos de Stalin, tornaram-se simples trotskistas ou espiões dos fascistas. Orwell e sua esposa conseguiram fugir para a França.

Stalin foi um dos responsáveis pela derrota republicana. Enfraquecida econômica e politicamente — com graves perseguições políticas internas ao pessoal de 17 –, não interessava taticamente à União Soviética que a unidade popular-republicana vencesse na Espanha. Agentes stalinistas assassinaram lideranças importantes da frente popular, fortalecendo indiretamente o fascismo franquista. Franco e o fascismo venceram. No horizonte soviético, estava o pacto de não-agressão assinado com Hitler em agosto de 1939.

Orwell era um homem de esquerda que viu o stalinismo trair a classe trabalhadora. O autor foi utilizadíssimo como anticomunista pela direita. Mal lido, Orwell passou a vida atacando o stalinismo em grandes livros, ao mesmo tempo que desmentia a imprensa, que apresenta Franco e as ditaduras de direita como fossem democracias. Quanto à Espanha, Franco permaneceu como ditador até sua morte em 1975 e Orwell só ganhou seu verdadeiro tamanho de excelente escritor há poucos anos.

George-orwell-BBC

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O Google não gosta de aréolas nem de bundas. Então, sumiremos com elas

O Google não gosta de aréolas nem de bundas. Então, sumiremos com elas
Velasquez, meu menino, tape essas vergonhas...
Velasquez, meu menino, tape essas vergonhas…

Você pode fazer a apologia da pedofilia, negar o holocausto judeu, armênio e indonésio, aprovar o último estudo de gênero da FEE ou elogiar o time do Grêmio. Você pode qualquer absurdo por escrito, mas jamais mostrar a sombra de uma aréola ou a redondez de um traseiro. Assim é o mundo do Google, que aceita conviver, levar uma grana e divulgar as mais disparatadas igrejas, mas jamais ter uma propagandinha ao lado de um corpo que não esteja devidamente velado.

Não interessa se é uma estrela pornô ou a Angela Merkel durante sua juventude na praia, não interessa se é uma atriz em uma cena de Bergman; uma aréola é uma aréola, uma bunda é uma bunda. Drummond escreveu um poema chamado, A bunda, que engraçada, que começa dizendo que tal parte dos corpos masculino e feminino Está sempre sorrindo, nunca é trágica. Pois o Google não gosta, não vê graça, acha feio, nojento e não mistura seus produtos com tal gênero de sorriso.

Faço todo este destampatório para anunciar que o Sul21 fará um teste com alguns produtos do Google e, para tanto, teremos que tornar nosso blog de sete leitores bundas-free, aréolas-free. Então, nesta semana, estou retirando pouco a pouco todos os posts que contenham tais partes do corpo que o pudor deve recatar.

E eu dou razão ao Google. Noto quão nervosos ficam os espectadores durante as cenas de sexo nos cinemas. Noto o constrangimento das pessoas nos museus, locais habituais de putaria. No país do carnaval, das plásticas e dos discretos implantes em seios e bundas, onde também é comum verem-se outros lugares pudendos sem a vestimenta que a natureza lhes deu, estamos — de forma coerente — ocultando vergonhas.

Goya
Goya, seu incorreto!

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Bom dia, Diego Aguirre (com os gols e melhores lances da decisão)

Bom dia, Diego Aguirre (com os gols e melhores lances da decisão)
Campeão após instalar a meritocracia: 8 jogadores da base em campo
Campeão com 8 jogadores da base em campo: meritocracia, afinal | Foto: Alexandre Lops

Aguirre, sou sócio do Inter desde os anos 70. Pago uma migalha do orçamento do clube, uma migalha de teu salário. Assim, como torcedor, tenho o mais pleno direito para criticar a ti e ao time, mas nunca embarquei nessa de pedir tua saída. Sempre identifiquei sentido e inteligência no que tu fazias, mesmo errando eventualmente. Porém, esqueça, é demais esperar um mea culpa daquela parte da imprensa que vinha todo dia encher o saco, pedindo tua demissão. Será que agora eles pedirão a demissão de quem perdeu para ti? Olha, espero que não, deixa como está.

Ontem, entramos em campo com oito jogadores saídos da base, não obstante o fato da direção ter contratado sete jogadores no início do ano. Mais fácil listar os que não nasceram nas divisões inferiores do clube: Ernando, Aránguiz e D`Alessandro. Acabou aquela coisa injusta do Abel, que escalava sempre os mais experientes a fim de “manter o grupo na mão”. Tu escalas mais de 22 jogadores a cada dois jogos e, na final, escalaste quem estava melhor. Correto.

Historicamente, agora são 406 Gre-Nais, com 153 vitórias do Inter, 127 empates e 126 vitórias do Grêmio. Os empates são os verdadeiros rivais do Grêmio. Em Campeonatos Gaúchos são 44 a 36. A vantagem é imensa. O Grêmio não ganha um Gauchão desde 2010. O último título “de verdade” do tricolor a Copa do Brasil de 2001, de 17 de junho de 2001. O Inter ganhou mais regionais nos últimos 5 anos que o Grêmio nos últimos 15. Mas a crise sempre persegue o Inter, vá entender a imprensa chefiada por David Coimbra.

O Gre-Nal de ontem começou fácil. O Grêmio vinha e nós contra-atacávamos. Com volantes pesados — grandes sucessos no século XX –, o Grêmio não conseguia evitar que nossos atacantes dessem logo de cara com os desprotegidos zagueiros gremistas. E nós passávamos por eles em velocidade. Fizemos 2 x 0 rapidamente, mas poderíamos-deveríamos ter feito mais. O gol do Grêmio, ao final do primeiro tempo, deu aquele cagaço típico do clássico; afinal, o empate em dois gols, daria o campeonato ao Grêmio. Só que o Grêmio não construiu NENHUMA CHANCE DE GOL em todo o segundo tempo, que foi um saco. As únicas oportunidades criadas eram as bolas alçadas na área e ponto final. O futebol do Grêmio parece a dos times ingleses de trinta anos atrás. É um time duro de vencer, mas que, para ganhar, depende apenas da bola aérea.

O Gre-Nal foi bonito. A torcida mista é uma grande sacada. Todos saem do estádio juntos, azuis e vermelhos. Apenas o espaço exclusivamente gremista, tomado por organizadas, tem comportamento violento. Ontem, quebraram 166 cadeiras e as mandaram pelos ares. São uns bobos. O Inter também tem os seus e todos têm de ser identificados e impedidos de ir aos estádios.

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Gremista por um dia: sim, me aconteceu

Gremista por um dia: sim, me aconteceu
O vô Manuel
O vô Manuel

Eu era muito pequeno, tinha uns 4 anos. Meu avô faleceu quando eu tinha cinco. Eu adorava o velho Manuel que, hoje sei, não podia ser mais típico. Era chamado Manuel, dono de uma padaria chamada Lisboa, na Av. Azenha. Ele só seria mais típico se tivesse ficado no Rio de Janeiro. Chegara da região de Aveiro, fora primeiro estivador no porto, era brincalhão, tinha inesgotável paciência comigo e habitava um lugar cheio daquelas maravilhas às quais meus pais dificultavam o acesso — balas, refrigerantes, doces, sonhos e pães, os pães que amo até hoje.

Hoje sei o que significa a palavra que minha mãe dizia a respeito dele, a palavra terrível. Ele era mulherengo. Com enorme sucesso, fazia graça para as moças atrás do balcão. A mãe dizia que minha vó Maria era uma santa para aguentar tudo aquilo do marido.

Um dia cheguei com meu pai à padaria e ele pediu para que eu contasse a última novidade para meu avô.

— Vô, sou gremista!

Ele ficou imediatamente sério e tudo o que eu não queria era deixá-lo assim. Devia ter uns 4 anos de idade e era assustador decepcionar o velho. Logo pensei: toda nossa família é colorada, será que é muito errado ser gremista?

— Milton Luiz — eu era Milton Luiz e meu pai, Milton –, sinto-me no dever de fazer-te ver a verdade.

E, cada vez mais sério, seguiu:

— Ser do Inter em Porto Alegre e do Benfica em Lisboa é estar perto da verdade, do absoluto. O Grêmio é uma mentira.

— Mas meus amigos são gremistas fanáticos e o Grêmio ganha tudo!

Estávamos nos anos 60 e, realmente, a superioridade do Grêmio era o que nunca foi depois.

— Saltar do Inter para o Grêmio é como ir de Eça de Queiróz para Cardoso Filho.

Cardoso Filho era um parente nosso que era escritor no Rio de Janeiro. Escrevia uns livros melodramáticos, xaroposos mesmo. Meu pai saiu da padaria, rindo. Não entendi. Como meu avô parecesse cada vez mais contrafeito, eu estava em pânico, confuso, louco para correr atrás do pai, mas não ousava.

— Mas eu gosto…

— OLHA LÁ RAPAZINHO, TU NÃO SABES TER UMA CONVERSA SEM PÔR A PATA NA POÇA? Além do mais, associado ao nome Internacional, há coisas sagradas, coisas da vida, da política! O vermelho é o povo, o vermelho é a cor de quem está do nosso lado!

Era grave mesmo. Melhor recuar. Comecei a chorar. Onde estava o pai? Acontece que no dia anterior, a família do meu melhor amigo, João Batista, tinha me convencido a aderir ao Grêmio. Eram vencedores, triunfantes. Mas não podia viver como um proscrito, detestado pela própria família. E virei a casaca pela segunda vez em dois dias.

***

Com este tipo de pressão, acabei herdando do velho Manuel o amor pelo Inter e pelo Benfica. Alguns dias depois, ele me disse que havia uma coisa que unia os clubes de forma umbilical:

— A tendência à tragicomédia.

Como aquele assunto o deixava brabo e ele parava de brincar, achei melhor fingir que tinha entendido. Repetia para mim mesmo suas últimas expressões: “Somos radicalmente tragicômicos”.

Por favor, que não o sejamos hoje!

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No Rincão das Pombas, em busca do vazio perfeito

No Rincão das Pombas, em busca do vazio perfeito

Ontem, depois do meio-dia, fomos ao Rincão das Pombas na tentativa de tomarmos contato com o vazio perfeito. Era a promessa. Não, não se tratava de uma experiência filosófica ou religiosa, era tudo bem mais prosaico. Ou não. Vazio é a fraldinha, um corte de carne bovina que localiza-se entre a parte traseira e a costela do animal, representando aproximadamente 2,62% da carcaça. Um erro divino, pois deveria representar 5%, no mínimo. Fomos lá de carona com o Dario. Nosso encontro foi no Barra Shopping. Cheguei lá louco para fazer um xixizinho e corri ao banheiro antes que nossos amigos Claudia e Dario viessem.

O banheiro estava quase vazio, eu tinha pressa e parei ao lado de um rapaz num dos mictórios. Quando comecei a mijar, saíram-me duas barulhentas ventosidades (ou, de forma menos erudita, peidos).

O cara meio que se assustou e depois olhou enojado para o meu lado. Então eu, todo constrangido, disse a ele:

— Em condições normais, sou uma pessoa maravilhosa…

O cara teve um tal ataque de riso que interrompeu o que estava fazendo.

Mas tergiverso. O Rincão das Pombas, local do teste, é de propriedade da família Marshall. É antigo sítio à beira do Guaíba, em Itapuã, alguns metros antes da reserva. O próprio Chico Marshall pilotaria a churrasqueira. Estava maravilhoso. Como vocês, meus sete leitores, sabem que o blog é o local onde me coleciono, terão de aguentar 20 fotos de nosso sofrimento ao livre, na beira do Guaíba, finalmente aspirando ar, após semanas.

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Enquanto a Elena Romanov pensa compassivamente em algo para dizer, eu roubo sua comida.

Rincão das Pombas02

Eu e Elena olhamos admirados para o matambre. Eu já vou abrindo a boca.

Rincão das Pombas03

Astrid Müller, eu e Elena observamos o vazio.

Rincão das Pombas04

Ficamos na dúvida se é realmente o vazio perfeito, se é realmente o arqui-vazio.

Rincão das Pombas06

E voltamos a observar.

arqui-vazio

O arqui-vazio.

Rincão das Pombas05

Havia gente tão bêbada que não conseguia encontrar a máquina fotográfica. Chico Marshall indica o caminho à Leonardo Winter. Eu acabara de perguntar ao Chico a origem da expressão “ó do borogodó”. A explicação me pareceu furada, mas sugiro que vocês lhe refaçam a pergunta diretamente. Só sei que  tudo começa na Bahia, em 1798.

Rincão das Pombas07

Fim de jogo. Acho que deu num belo carreteiro hoje.

Rincão das Pombas08 (2)

Clarisse Normann e Claudia Guglieri encontram a o fotógrafo com maior facilidade.

Rincão das Pombas08

Eu e o Arthur Maurer. Ele me contou coisas inconfessáveis…

Rincão das Pombas09

Arthur no meio do Guaíba, no stand-up do Dario.

Rincão das Pombas10

Bonito, né?

Rincão das Pombas11

Dario Bestetti chama o guri de volta.

Rincão das Pombas12

Eu fumo cubanos.

Rincão das Pombas13

Ele fuma cubanos.

Rincão das Pombas14

Nós fumamos cubanos.

Rincão das Pombas15

Um cão e um gato fotogênicos.

Rincão das Pombas16

O pôr-do-sol.

Rincão das Pombas17

5 homens e um destino (Eu, Pedro Maurer, Augusto Maurer, Chico e Dario).

Rincão das Pombas18

Nossa, bem melhor. (Clarisse Normann, Claudia, Rovena Marshall, Elena e Astrid).

Rincão das Pombas19

O grande autor das fotos, Augusto Maurer.

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Luis Artime e seus erros

Luis Artime e seus erros

Este ano, Artime completará 77 anos. Dizem que este centroavante argentino, famoso nas décadas de 60 e, principalmente, no início dos anos 70, fez mais de mil gols em sua carreira. Talvez este cálculo não seja lá muito verdadeiro, pois ele marcou por volta de 400 em jogos oficiais e os outros 600 seriam em jogos amistosos… Sei lá. Mas não interessa. Seu currículo de títulos e gols importantes já deixaria a esmagadora maioria dos outros artilheiros invejosos: em 25 partidas pela seleção argentina marcou 24 gols, foi 4 vezes goleador do Campeonato Argentino, 3 vezes do Uruguaio, 1 vez da Copa América, 1 vez da Libertadores e, no Mundial de 1971, fez os três gols do Nacional de Montevideo nas duas partidas contra o Panathinaikos (empate em 1 x 1 na Grécia e vitória por 2 x 1 no Uruguai). Também é importante saber que ele atuou 16 vezes em clássicos contra o Peñarol, tendo vencido 10 jogos e empatado 6. Em 12 destas partidas deixou sua marca. Ah, e ainda é o oitavo maior goleador da Libertadores em todos os tempos.

Apresentado Artime, seguimos nossa história dizendo que ele foi do River Plate e do Independiente antes de chegar ao Palmeiras em 1968, conforme a foto abaixo.

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Esta manchete do Diário Popular de 27 de maio de 1968 contém verdades e mentiras. Sim, o nome do sujeito é Artime, apesar daquele equivocado o “z” em seu Luis; ele efetivamente marcara 48 gols em seus últimos 57 jogos pelo Independiente; porém ele não nasceu em Mendoza e, muito mais importante, apareceu aliviado de 3 anos em São Paulo. Em vez de ter nascido em 02/12/1938, rejuvenescera para 25/11/1941, ou seja, em vez de estar beirando os 30, ele chegou ao alvi-verde com 26 anos. Normalíssimo para a época (lembro que Mário Sérgio fez 31 anos umas quatro ou cinco vezes…). A estreia – contra seu ex-clube – foi um sucesso, Artime já saiu de cara guardando dois:

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No Palmeiras, Artime seguiu marcando gols em profusão, tornou-se um grande ídolo, mas ficou apenas alguns meses, pois o Nacional de Montevidéu fez algo impossível nos dias de hoje. Foi a São Paulo com uma mala cheia de dólares e comprou a peso de ouro o grande atacante. Valeu a pena.

Em três anos, ele marcou 155 gols pelo Nacional. É o maior goleador do clube nos últimos 40 anos. Foi artilheiro do Campeonato Uruguaio de 1969, com 24 gols, de 70, com 21, e de 71, com 16. Foi tricampeão do país, campeão da Libertadores da América de 1971 em três sensacionais jogos contra o Estudiantes – o jogo de desempate foi em Lima e Artime, bem, vocês já imaginam: ele deixou o seu (Espárrago, outro craque de bola, fez o outro). E, como já disse, ainda foi Campeão Interclubes contra o Panathinaikos…

Agora, que vocês já conhecem os números do cara, preciso explicar que ele não era muito alto, mas era o mais mortal dos cabeceadores; não era também muito hábil, mas se um saco de arroz passasse na sua frente acabaria dentro do gol; o que tinha de especial era uma arrancada realmente estúpida. Vi-o jogar uma vez contra o Grêmio em 1968, só que não lembro do resultado.

Quando Artime deixou o Nacional, foi jogar no Fluminense, que estava montando um supertime. Gérson descreveu o novo esquema de jogo com singeleza:

— Eu recebo a bola do Denílson, lanço o Lula e corro para abraçar o Artime.

Simples, não? O único problema é que argentino chegou muito velho ao tricolor das Laranjeiras e não repetiu os sucessos anteriores. Quando chegou ao Rio, João Saldanha foi entrevistá-lo num programa de rádio e, conversa vai, conversa vem, Artime deixou João embasbacado com uma declaração:

— Quase a metade de meus gols acontecem porque erro a conclusão.

João pensou que Artime fosse meio louco, mas ouviu a explicação:

— Por exemplo, eu tenho um método para cabecear: se o cruzamento vem da esquerda, eu enquadro o corpo de tal forma que meu ombro direito aponte para o poste esquerdo da goleira. Então, escolho um canto, mas como acho fundamental que minha testa bata em cheio na bola, com força, raramente acerto o canto escolhido. (O principal é cabecear forte, por supuesto). Só que como estou com o corpo bem enquadrado, mesmo que erre um pouco a bola acaba indo com força no gol e os goleiros não conseguem pegar.

— E os gols com o pé?

— São mais ou menos a mesma coisa. No entrevero da grande área, eu tento ser rápido e chutar forte, mas nem sempre consigo olhar para onde. Muitas vezes pego mal na bola, mas ela entra assim mesmo. É até melhor quando erro um pouquinho, porque acabo enganando os goleiros…

— E os toques na saída do goleiro?

— Como sou veloz, tento chegar logo na bola e não dou tempo para eles saírem. Então, dou uma bomba sem olhar, na direção do gol. Eles não têm tempo para reagir.

Por uma questão de gentileza, o gaúcho João Saldanha — que possuía orientação política soviética e no futebol era radicalmente carioca — não chamou o argentino de grosso, mas fez a tola pergunta-padrão:

— Você acha que vai se adaptar a um futebol requintado como o do novo Fluminense?

Sim, o brilhante João Sem Medo deve ter ficado perturbado com as respostas de Artime para fazer uma pergunta tola como essa.

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