Em livro, Koff confirma auxílio para o Grêmio sair da Série B em 1992

Em livro, Koff confirma auxílio para o Grêmio sair da Série B em 1992

fabio-koffNo livro Fábio André Koff, Memórias e Confidências — o que faltou esclarecer, depoimento do ex-presidente do Grêmio nos períodos de 1982-1983, 1993-1997 e 2013-2014, concedido a Paulo Flávio Ledur e Paulo Silvestre Ledur (Ed. Age, 2a. edição), há um trecho que põe por terra um dos mitos gremistas, o da volta “honesta” para a primeira divisão em 1992. O livro conta os bastidores das principais conquistas de Koff no clube e outros detalhes deliciosos. Sabiam, por exemplo, que Koff foi técnico de futebol?

O livro completo encontra-se neste link. Mas o que nos interessa é esclarecer um ponto que os gremistas adoram negar: que houve uma enorme colher de chá para que o clube voltasse à primeira divisão em 1992. Houve. E com a participação do ínclito Eurico Miranda. Vejam abaixo a palavra do ex-presidente do Grêmio:

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A estupidez triunfante: o ódio de Sartori e de certa direita à cultura e à ciência

A estupidez triunfante: o ódio de Sartori e de certa direita à cultura e à ciência

O Tribunal de Justiça Militar permanece. Só Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo têm tais maravilhas de notável utilidade. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já sinalizou que poderiam ser extintos para dar lugar à criação de câmaras especializadas nos Tribunais de Justiça dos estados para julgamento de processos de competência militar. O órgão gasta R$ 36 milhões ao ano, 26% de tudo o que o governo da anta Sartori pensa economizar com a extinção de fundações estaduais. Mas são milicos, não fazem pesquisa nem divulgam cultura. São gente boa.

Já a Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), a Fundação Piratini (TVE e FM Cultura), a Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps), a Fundação de Zoobotânica (FZB) e a Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (Corag) têm grande ligação com a produção científica e cultural do estado. Então devem ser extintas.

A burrice do governo olha apenas a despesa, sem buscar novas receitas. Não creio que nosso modelo federativo livre-se das isenções fiscais que somam R$ 9 bilhões por ano — pura e puta renúncia fiscal. Mas o governo recusa-se a ir atrás dos R$ 7 bilhões por ano de sonegação realizada basicamente por empresários. E quando vemos que a economia prevista com a extinção das empresas constantes no pacote de Sartori é de 137 milhões anuais — eu escrevi milhões, não bilhões –, só posso concluir que há um enorme ressentimento e ódio à ciência, à cultura e ao conhecimento.

Por outro lado, não temos uma imprensa plural. Os governos petistas nem tentaram alterar tal situação. Não houve a tão propalada democratização dos meios de comunicação, só o pagamento de alguns blogs. O monopólio da informação permanece e atrapalha qualquer reflexão crítica. A RBS, por exemplo, faz a assessoria de comunicação de todos os governos alinhados com o mercado, com a direita e com o senso comum evangélico. Servidor é vagabundo? Sim, é. Então vamos acabar com esses caras que só mamam na teta do estado.

Se as extinções ocorrerem como parece que vão, certamente haverá uma corrida de CCs vindos dos partidos aliados. Afinal, como ficar sem a FEE, por exemplo? Em substituição, vão contratar consultorias dos amigos, claro.

Eu não votei em Sartori, é claro. Não tenho grande visão política, mas o mundo me ensinou a avaliar pessoas e jamais votaria num cara flagrantemente mais ignorante, inepto e palerma do que eu. Ele está no posto para fazer um trabalho em benefício de grandes empresários. E só.

Fico deprimido de pensar que o local onde hoje está a TVE / FM Cultura talvez vire outra coisa. Fico fulo ao ver empresários e empresas sonegadoras protegidos. Fico desapontado com quem votou neste asno. Paralelamente, sorrio ironicamente com o ridículo discurso de fachada de que tais atos tirarão nosso Estado da situação de calamidade.

Sartori apontando sua falha.
Sartori apontando sua falha.

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O Céu de Lima, de Juan Gómez Bárcena

O Céu de Lima, de Juan Gómez Bárcena

o-ceu-de-lima-juan-gomez-barcenaJosé Galvéz e Carlos Rodríguez são dois jovens ricos que, com o futuro garantido, escolhem viver de maneira leve e superficial. São daquele tipo de estudantes universitários que raramente frequentam as aulas. Amam a literatura, sobretudo poesia, apreciando especialmente o poeta espanhol Juan Ramón Jiménez. Querem ler seu novo livro, mas não o encontram na provinciana Lima da primeira década do século XX. E resolvem pedir o livro diretamente ao autor. Para que dê certo, fazem com que uma mulher o faça, criando assim a personagem Georgina Hübner – uma moça apaixonada pela obra de Juan Ramón. É ela quem lhe escreve uma doce e inteligente carta solicitando o livro, preparada pela bela e feminina caligrafia de Carlos. Ambos ficam loucos de felicidade quando a edição chega, acompanhada de uma resposta. E começa uma longa correspondência que forma um romance, tanto literário quanto amoroso.

É curioso. A narrativa é inspirada em uma história real. Sim, o grande Juan Ramón Jimenez foi iludido por dois dândis limeños. A partir desta uma introdução de comédia, Bárcena constrói minuciosamente a relação entre José e Carlos, além da deles com seus aconselhadores. Mostra-nos como se envolvem cada vez mais na farsa. Também a elite de Lima e suas relações sociais com os empregados e serviçais é retratada com particular exatidão. O contexto histórico é rico e esclarecedor, auxiliando e tomando boa parte da narrativa.

O livro é dividido em quatro capítulos: I- Uma Comédia; II- Uma História de Amor; III- Uma Tragédia e IV- Um Poema. Neles, lemos algumas cartas de Georgina, que acaba se tornando cada vez mais real, além de alguns trechos das cartas que o escritor Juan Ramón Jiménez lhe envia. Há sutil e inteligente metalinguagem. Os dois farsantes acabam discordando muitas vezes. Buscam conselhos de um homem que trabalha no centro da cidade redigindo cartas de amor. Carlos não deseja aderir às sugestões. Depois, outros amigos acabem se envolvendo, o que leva a dupla a um quase rompimento. A coisa fica séria e eles apenas voltam a se encontrar quando…

O Céu de Lima é excelente e foi uma grande surpresa. Comprei-o por indicação do amigo Iuri Müller e só porque tinha algum dinheiro sobrando no bolso, coisa rara. Valeu muito a pena. Recomendo!

Livro comprado na Bamboletras.

Juan Gómez Bárcena
Juan Gómez Bárcena

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Uma aventura no ‘Tudo Fácil’ de Sartori

Uma aventura no ‘Tudo Fácil’ de Sartori

Ontem fui ao Tudo Fácil, onde fui fazer uma nova Carteira de Trabalho porque a minha está lotada de anotações. Já tinha revisado os documentos necessários e estava com tudo em dia e novinho. O atendente elogiou o estado de minha Carteira atual. “O Sr. é uma pessoa caprichosa”, disse. Então, o burocrata acordou nele e se pronunciou do modo que segue: “Mas antes o Sr. terá que fazer uma nova Carteira de Identidade porque essa foi feita sobre a sua Certidão de Nascimento e o Sr. é oficialmente divorciado”. Então, fiquei sabendo que um casamento é como nascer de novo, apesar de eu ter quase morrido no meu, aquela infelicidade toda. Depois de casar, a Certidão de Nascimento não vale mais porra nenhuma.

Já bastante puto, fui para a fila da Identidade. Mostrei todos os meus documentos e tudo ia bem até que a mocinha burocrata chamou uma colega que chamou mais uma que, por sua vez, chamou o chefe. Acontece que o sistema diagnosticava “Sorriso Detectado”, rejeitando minha foto. Sem exagero, tiraram 20 fotos minhas. “Ergue o queixo, não, não, abaixa um pouquinho”, essas coisas. Em todas eu estava sério, cada vez mais sério, mas a merda dizia que eu sorria. Olhavam para mim e diziam um pro outro, “deve ser a barba”. Já tinha umas 10 (dez) pessoas me atendendo. Então, eu falei que ia fazer cara de morto. Caprichei para imitar o olhar daqueles peixes da Semana Santa no Mercado. Deu certo. Obtive a foto mais horrorosa de todos os tempos. Parecia a Anna Kariênina depois do trem. Porém, finalmente o sistema deu OK. Agora são 15 dias para a nova Identidade e mais 15 para a Carteira de Trabalho. Entro em férias bem no meio deste período. Tudo fácil.

P.S.– Ah, e ainda tenho que pagar por estes documentos.

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Obrigado, Pessoa, por ofender, em meu lugar, todos os governantes

Obrigado, Pessoa, por ofender, em meu lugar, todos os governantes

Ultimatum
(Álvaro de Campos – 1917)

Mandado de despejo aos mandarins do mundo.

Fora tu,
reles
esnobe
plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas,
charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro

Ultimatum a todos eles
e a todos que sejam como eles,
todos.

Monte de tijolos com pretensões a casa
inútil luxo, megalomania triunfante
e tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
que nem te queria descobrir

Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular,
que confundis tudo!

Vós, anarquistas deveras sinceros
socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
para quererem deixar de trabalhar.
Sim, todos vós que representais o mundo,
homens altos,
passai por baixo do meu desprezo.
Passai aristocratas de tanga de ouro,
passai frouxos.

Passai radicais do pouco!
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
descascar batatas simbólicas

fechem-me isso tudo a chave
e deitem a chave fora.

Sufoco de ter somente isso à minha volta.
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
do que todas as janelas que há no mundo.

Nenhuma ideia grande,
nenhuma corrente política
que soe a uma ideia grão!
E o mundo quer a inteligência nova,
a sensibilidade nova.

O mundo tem sede de que se crie.
O que aí está a apodrecer a vida,
quando muito, é estrume para o futuro.

O que aí está não pode durar
porque não é nada.

Eu, da raça dos navegadores,
afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores,
desprezo o que seja menos
que descobrir um novo mundo.

Proclamo isso bem alto,
braços erguidos,
fitando o Atlântico
e saudando abstratamente o infinito.

fernando_pessoa

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Texto matemático: onde está o erro?

Texto matemático: onde está o erro?

dois-igual-a-umConsidere que “x = y”.

1) x² = xy

2) x² – y² = xy – y²

3) (x + y)(x – y) = y(x – y)

4) x + y = y

5) 2y =y

6) 2 = 1

.oOo.

Resposta nos comentários.

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Brasil fica em sexto lugar no ranking de países ‘mais ignorantes’ do mundo

Brasil fica em sexto lugar no ranking de países ‘mais ignorantes’ do mundo

Não chega a ser uma novidade. Quando vemos nossos representantes, quando vemos o crescimento dos evangélicos, o sertanejo universitário, etc., temos uma ideia clara da ignorância de nosso povo. Afinal, como dizia o Barão de Itararé, “Se há um idiota no poder, é porque os que o elegeram estão bem representados”. Mas a ideia principal da pesquisa foi a de ver o quanto cada país conhecia de si mesmo. Dos 40 países pesquisados, vencemos apenas os Estados Unidos — país-modelo de tantos brasileiros –, a África do Sul, a Taiwan de Trump, China e Índia. O levantamento ouviu 27.250 pessoas entre setembro e novembro deste ano em 40 países. Venceu a Holanda, seguida de Inglaterra, Coreia do Sul, República Tcheca e Malásia.

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Do Blog do Brasilianismo

O Brasil é o sexto colocado em um ranking que avalia o nível de ignorância da população de 40 países em relação à realidade vivida neles.

O dado é um dos resultados da pesquisa ”Os Perigos da Percepção”, realizada pelo instituto Ipsos Mori. O estudo avaliou o conhecimento geral e a interpretação que as pessoas fazem sobre o país em que vivem e comparou esta percepção com dados oficiais de cada país – quanto mais próxima a percepção da realidade, menor é considerada a ignorância do país.

O resultado indica que as pessoas em todos os países avaliados têm uma interpretação muito equivocada da realidade.

Entre os temas abordados, o levantamento mostra que a população da maioria dos países acredita que a riqueza é mais bem distribuída do que ela de fato é. Além disso, pensam que a população do lugar onde vivem é menos feliz do que elas dizem ser, acham que a proporção de muçulmanos na sociedade é bem maior do que a realidade, e creem que as pessoas são menos tolerantes em relação a homossexualidade, aborto e sexo antes do casamento do que elas de fato são.

O levantamento ouviu 27.250 pessoas entre setembro e novembro deste ano em 40 localidades usando uma combinação de métodos, incluindo pesquisas online, pelo telefone e presenciais.

A pesquisa avaliou a percepção da realidade de pessoas da Alemanha, da África do Sul, da Argentina, da Austrália, da Bélgica, do Brasil, do Canadá, do Chile, da China (e, separadamente, de Taiwan e de Hong Kong), de Cingapura, da Colômbia, da Coreia do Sul, da Dinamarca, da Espanha, , dos Estados Unidos, da França, das Filipinas, da Hungria, da Índia, da Indonésia, de Israel, da Itália, do Japão, da Malásia, do México, do Peru, da Polônia, do Reino Unido, da Rússia da Suécia, da Tailândia, da Turquia e do Vietnã.

Os dados coletados a respeito da percepção de realidade das pessoas foram comparados com informações de diferentes fontes oficiais e institutos de pesquisas respeitados internacionalmente.

A partir dos dados coletados no levantamento e da sua comparação com dados reais, a pesquisa traçou o “índice de ignorância”, listando os países em que a percepção é mais distante da realidade.

O “Índice de Ignorância” é formado a partir da média computada dos resultados no estudo. Por resultado, entende-se a diferença entre as respostas fornecidas pelos respondentes do estudo (percepções) e os dados oficiais de cada país (realidade). Quanto maior a diferença entre percepção e realidade, pior é a classificação do país.

A Índia aparece em primeiro lugar na lista, seguida pela China e por Taiwan. Na ponta oposta do índice, Holanda, Reino Unido e Coreia do Sul aparecem como países menos ignorantes.

Erros

Segundo a pesquisa, os brasileiros erram feio, por 12 pontos percentuais, na percepção do percentual da população muçulmana no país, e se equivocam mais ainda ao achar que esta religião está crescendo no país, e poderia chegar a 18% em 2050 (dados reais apontam que a proporção é de menos de 1%, e deve permanecer assim).

Questionados sobre a proporção da população que diz ser feliz, os entrevistados brasileiros disseram acreditar que era de 40%, quando dados de estudos indicam que são 92% os brasileiros que se dizem felizes.

Os brasileiros ouvidos no levantamento acham que o país é mais tolerante do que ele realmente é. Para os entrevistados, 51% dos brasileiros acham que a homossexualidade é moralmente aceitável, mas dados reais indicam que só 39% da população pensa assim.

Entrevistados disseram acreditar que 43% da população acha que o sexo antes do casamento é inaceitável, mas o dado real é de 35%; e que 61% do país acha o aborto moralmente inaceitável (dados reais indicam que 79% da população pensa assim).

O levantamento indica erro dos entrevistados também em relação à desigualdade. Para os ouvidos, os 70% menos ricos do país possuem 24% da riqueza do Brasil, quando na verdade possuem apenas 9%.

Entre as perguntas da pesquisa, o dado em que os brasileiros ouvidos mais se aproximaram da verdade foi em relação ao tamanho da população. Para os entrevistados, o país tem 200 milhões de habitantes, pouco menos do que os 207 milhões de dados atualizados do censo, diz o estudo.

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Um pequeno comentário sobre a agressão do ex-presidente Fernando Miranda

Um pequeno comentário sobre a agressão do ex-presidente Fernando Miranda
Mirabnda chega ao fim da linha.
Mirabnda chega ao fim da linha.

Nada tinha contra o ex-presidente do Inter Fernando Miranda. Até admirava sua corajosa passagem pelo Inter, nos anos 2000 e 2001, brigando e vencendo o célebre grupo conhecido como Império Otomano, que afundara o Inter nos anos 80 e 90 do século passado. Ele pagou contas, montou um time mais ou menos cumpridor e foi embora irritado com todo mundo, achando-se injustiçado, creio. Sempre me pareceu uma pessoa a ponto de explodir, mas enfim, jamais vira ele louco, totalmente descontrolado como ontem à noite.

Anos atrás, Miranda criou um blog onde explicava muitas de suas atitudes como dirigente. Eu lia tudo e aprendia muita coisa. Suas explicações eram longas, detalhadas, claras, de uma sinceridade rara no futebol. Depois, saiu de circulação. Como tenho vários amigos próximo do clube, ouvia volta e meia comentários a respeito dele. Eles diziam mais ou menos isso: o Miranda está cada vez mais louco.

Ontem, ele reapareceu na TV Ulbra, canal 21, dentro do programa Cadeira Cativa, de Luiz Carlos Reche. Deveria ter ido a outro lugar. Em determinado momento, ele e o jornalista Julio Ribeiro iniciaram um bate-boca. Acontece que Miranda fizera uma longa exposição e Julio desejava rebater alguns pontos. As vozes ficaram mais altas, Miranda chamou o jornalista de “asqueroso” e “bacaca”, este não gostou, gritou mas permaneceu sentado, e logo depois foi agredido por um soco desferido pelo ex-presidente. A cena de Miranda erguendo-se e dando uma corridinha até a cadeira onde estava Julio é especialmente ridícula. O homem estava fora de si. Dizem que é comum.

O incrível é que o pai do presidente recém-eleito Marcelo Medeiros, o qual se chamava Gilberto Medeiros, também na TV, tinha tomado uma surra do ex-presidente do otomano José Asmuz, um dos piores presidentes da história do clube, mas que nunca nos levou à segunda divisão. O caso foi muito mais grave. Asmuz deu-lhe uma série de socos na cabeça pelas costas, sem grande reação de Gilberto, que permaneceu sentado, apenas protegendo-se com os braços. Júlio Ribeiro também não reagiu, apenas tratou livrar-se do agressor, certamente sem acreditar que estivesse participando de uma baixaria daquele nível.

Quando vi, também não acreditei. Sou amigo de Júlio. Nem sempre concordamos — aliás, discordamos frequentemente — e por isso mesmo sei que se trata de um ser humano altamente civilizado. Não vi o que houve antes do momento da agressão, mas Miranda devia estar muito descontrolado para deixar Júlio respondendo em voz bem alta “Babaca é tu”.

Olha, ninguém gostou de ir para a segunda divisão e todos sabem os motivos pelos quais lá chegamos. Brigue (verbalmente, no máximo) com o Vitorio causador de tudo, brigue com Carvalho, Argel e Roth. Agora, Fernando Miranda, uma agressão física a alguém que não dirigia o clube é algo patético, coisa de torcedor marginal.

Isso diz mais sobre o Sr. do que qualquer opinião sua.


Mais completo, aqui:

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O dia seguinte de um colorado

O dia seguinte de um colorado

Desde junho, alguns poucos colorados avisaram e reavisaram, mas de nada adiantou. O Inter parece ter planejado cuidadosamente sua queda. Mandou incompreensivelmente D`Alessandro para a Argentina. Manteve Argel paralisado em uma irrepetível sequência de jogos sem vencer. Trouxe um sujeito totalmente diferente, ídolo da instituição, para 5 jogos e botou a cereja no bolo ao contratar o decadente Celso Roth sob um envelhecido e pouco criativo Fernando Carvalho. Tudo isso debaixo dos olhos do aparvalhado presidente Vitorio Piffero.

Sábado houve as eleições para presidente. Marcelo Medeiros foi eleito com 12.134 votos (94,8%) contra 666 votos (5,3%) de Pedro Affatato, que representou a gestão Vitorio Pífio no pleito. Os votos brancos foram 224 e os nulos, 960. Achei alto e significativo o número de 666. Mas ao menos foi menor que o de brancos e nulos. Livres finalmente de Pífio e Carvalho? Não sei, no Beira-Rio, eles ainda são muito amados por alguns conselheiros que não sabem nada de futebol e que só estão lá por serem figuras de destaque em nossa sociedade…

Antônio Carlos Zago deverá ser anunciado como novo técnico do Inter ainda esta semana. Não gosto dele em razão de alguns episódios de racismo, mas o fato é que não há bons nomes no mundo se não houver uma estrutura mínima para recebê-los. Provavelmente, teremos o retorno de D`Alessandro, mas não se pode jogar todas as expectativas num jogador veterano que completará 36 anos em 15 de abril de 2017. Há que montar um novo time — temos várias e bem conhecidas perebas — e uma comissão técnica que não mate nossos jogadores.

Quando falo em matar, refiro-me aos jogadores-zumbis do Inter que renascem em outros clubes. Por exemplo, Marinho, do Vitória, esteve quatro anos no Internacional — emprestado a maior parte do tempo. Não lembro de ter jogado por nós. Também houve Cleiton Xavier, do Palmeiras, que esteve seis anos no Internacional — emprestado a maior parte do tempo. Além disso, o melhor jogador do Santos é Lucas Lima, que esteve dois anos no Inter e foi emprestado. Não marcou nenhum gol aqui… Nem vou citar outros casos de jogadores, como Ricardo Goulart, que não tiveram bom ambiente ou preparo no clube e que estouraram assim que foram transferidos. É que tivemos em 2016 um caso de paroxismo de ruindade na comissão técnica.

Enquanto escrevo este texto, vejo que o Inter acaba de confirmar Zago. O mínimo que espero é uma declaração bem clara de um homem que assumirá o comando técnico de um time que tem por símbolo um saci. Não resolve, mas seria o mínimo.

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Não vou falar sobre o jogo de ontem porque não vi. Estava bem feliz num festão de aniversário de um querido amigo. Sabia que era dia dos gremistas irem para a Goethe.

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OK, vou de Uber, mas só vou se for escutando a FM Cultura

OK, vou de Uber, mas só vou se for escutando a FM Cultura

Compartilhem a ideia.

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O brilhantismo da Odebrecht na escolha dos codinomes para seus pagamentos de propina

O brilhantismo da Odebrecht na escolha dos codinomes para seus pagamentos de propina

15350719_937496386381287_2811336134892356734_nNasci dotado de uma característica muito maldosa e infeliz que hoje reprimo minuciosamente. Desde criança eu invento apelidos. Inventei alguns tão bons em meus tempos de colégio que teve gente que não queria mais ir às aulas só para não ouvir. Era a eficiente defesa de uma criança que só apanhava dos colegas. Eu era um palito, só pele e osso. Só os invento para aquelas pessoas que eu detesto. Eles já me criaram tantos problemas que aprendi a me conter. A criação de bons apelidos não é das artes mais apreciadas. O pessoal da Odebrecht também é excelente nisso. Eu me congratulo com os caras e estou aguardando que a internet crie logo um gerador automático de codinomes da Odebrecht.

Quando criança, meu apelido era Qüem. Sim, o som do pato. Tinha os pés desproporcionalmente grandes em relação ao corpo. Me divertia com aquilo. Minha turma de futebol me chamava de Raquítico.

Mas vejam só a arte dos caras. Vejam quanta maldade havia naquelas alegres trocas de dinheiro. De acordo com o ex-vice-presidente de relações institucionais da empresa, Cláudio Melo Filho, os seguintes codinomes eram usados para receber propinas da empresa:

Caju é Romero Jucá (PMDB-RR).

Justiça é Renan Calheiros (PMDB-AL). Não é genial?

Coisas do Brasil: a ministra Carnem Lúcia reza com a Justiça à esquerda.
Coisas do Brasil: a ministra Carnem Lúcia reza com a Justiça à esquerda.

Índio é Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Babel é Geddel Viera Lima (PMDB-BA). Ele não caiu por uma torre?

Bitelo é Lúcio Viera Lima (PMDB-BA).

Primo é Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Angorá é Moreira Franco (PMDB-RJ).

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Caranguejo é Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Olha, bem que tem a ver, sim.
Olha bem que tem a ver, sim.

Polo é Jacques Wagner (PT-BA).

Ferrari é Delcídio do Amaral (ex-PT-MS).

Botafogo é Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Las Vegas é Anderson Dornelles, ex-assessor de Dilma.

Campari é Gim Argello (PTB-SP).

Cerrado, Pequi e Helicóptero é Ciro Nogueira (PP-PI).

Pino ou Gripado é José Agripino Maia (DEM-RN).

Todo Feio é Inaldo Leitão (PL-PB).

Já postamos homens mais bonitos em nosso blog.
Já postamos homens mais bonitos em nosso blog.

Corredor é Duarte Nogueira (PSDB-SP).

Gremista é Marco Maia (PT-RS).

Misericórdia é Antonio Brito (PSD-BA).

Decrépito é Paes Landim (PTB-PI).

Boca Mole é Heráclito Fortes (PSB-PI).

Nem notei.
Nem notei.

Kimono é Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Missa é José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Feia é Lídice da Mata (PSB-BA).

Velhinho é Francisco Dornelles (PP-RJ).

Santo é Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

Santo e fófis.
O Santo e fófis.

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Os discursos de Fidel Castro e Thomas Bernhard

Os discursos de Fidel Castro e Thomas Bernhard

Castro

Em certa época da ditadura militar brasileira, eu era da Engenharia da Ufrgs, mas frequentava mais o pessoal, as festas e as reuniões das humanas. Zanzava pelos Diretórios Acadêmicos onde volta e meia era marcada uma sessão de cinema em que era apresentado um discurso de Fidel Castro. Quase sempre acabava assistindo. Gostava deles. Era coisa para ser apresentada no início de uma noite ou num fim de semana, pois via de regra duravam mais de quatro horas. A data e a hora das apresentações dos filmes eram secretas, mas todo mundo sabia. Assisti a vários deles, alguns divididos em dois turnos. Lembro de pouca coisa e não sei se ainda concordaria com eles, o que sei é que ele era um extraordinário orador. Era complicado até de ir ao banheiro. Tudo parecia muito importante. Um dia comecei a pensar na estrutura daqueles textos falados. A primeira conclusão a que cheguei foi a de que eles eram indissociáveis do ator. Castro era notavelmente carismático e sabia como seduzir com pausas e alterações de tom e dinâmica. E havia seu rosto, muitas vezes com expressões irônicas. Tudo o que ele dizia adquiria caráter mítico. Quando conheci Thomas Bernhard, fiquei surpreso não somente com seu discurso de ódio contra a sociedade, mas com a estrutura encadeada de sua prosa, algo parecida com a de Fidel, mas funcionando esplendidamente por escrito. Não dá para falar de avanço em espiral porque ambos voltam a pontos anteriores do discurso e uma espiral sempre avança tontamente por lugares onde não passou. Era mais uma sequência minimalista de variações que avançam de tal forma que muitas vezes a frase atual era uma variação da anterior, mas se ouvíssemos a décima oração anterior, ela já seria totalmente diferente da atual. Ou não era assim. Eram como as de um professor que avança duas casas no jogo de seu discurso e volta uma para depois avançar mais duas novamente. Não sei porque lembrei disto agora. Talvez seja saudades da juventude; de ler, estudar, estagiar e ainda ganhar uns trocos dando aula; de, apesar desta super atividade, ter a eterna impressão de não estar fazendo nada. Ou saudades daqueles ambientes esfumaçados, ultra hiper ripongas, e daquelas meninas que iam lá assistir e que ficavam mudando de posição até encostar em nós. O que eu sabia é que estávamos fazendo tudo para atrapalhar a ditadura civil-militar e que eles tinham observadores — ratos — infiltrados entre nós. Tinham receio de nós e dos discursos de Fidel, que talvez os entediassem. O que Fidel falava era liso, sem fendas. Como o texto de Bernhard, suas falas tinham caráter repetitivo e exagerado, o que lhes garantia grande impacto (e eficiência nas queixas). Bernhard desconsidera a estrutura de parágrafos e creio que alguém que transcrevesse os discursos de Fidel não deveria repetir tal estratégia, pois ele fazia longas pausas. Em ambos os casos, há um desesperado adiamento do ponto final, pois o que vale é o encadeamento de orações subordinadas, como se o narrador tivesse a necessidade compulsiva de jamais abrir mão da palavra. Com Fidel, a bunda ficava quadrada, mas eu não me incomodava com o tamanho dos discursos nem lembro de gente dormindo. Sim, nem os ratos dormiam, então acho que não se entediavam. A fala de um e a escrita do outro eram impecáveis. Perdiam-se por ladeiras e ruelas mal frequentadas que só eram compreendidas quando apareciam lá na frente na avenida. Ou talvez não seja nada disso e o que tinham em comum fosse a tentativa de aniquilação de adversários ou de si mesmo — caso de Bernhard — através de palavras. Ah, e a soberba de ambos, arma que parecia mortal na mão destes dois Quixotes em ambientes hostis. E o fato de frases ditas aqui serem complementadas apenas bem adiante. Sei lá, só sei que toda vez que lia Bernhard lembrava de Fidel e que hoje, ao rever no YouTube um discurso de Fidel, ele não me fez lembrar em nada Bernhard. Nada, nem um pouco.

thomasbernhard

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Meu pitaco sobre a tal cena da manteiga entre Maria Schneider e Marlon Brando em ‘O Último Tango em Paris’

Meu pitaco sobre a tal cena da manteiga entre Maria Schneider e Marlon Brando em ‘O Último Tango em Paris’

Em uma entrevista concedida ao Daily Mail em 2007, Maria Schneider falou do estupro que sofreu por parte de Marlon Brando em frente às câmeras de Bernardo Bertolucci para o filme O Último Tango em Paris. A cena faz parte da produção e o uso da manteiga foi decidido entre Bertolucci e Brando na manhã anterior à filmagem. Não houve consentimento por parte de Maria, uma menina de 19 anos que contracenava com um monstro do cinema e com um cineasta extremamente talentoso que já era autor de O Conformista e A Estratégia da Aranha. Quando sentiu o que Brando fazia, é óbvio que ela pensou num estupro real.

“Deveria ter chamado meu agente ou meu advogado para vir ao set porque não se pode forçar alguém a fazer algo que não está no roteiro, mas, naquela época, eu não sabia disso. Marlon me disse: ‘Maria, não se preocupe, é só um filme’, mas durante a cena, embora o que Marlon fizesse não fosse real [não houve penetração], eu chorava de verdade. Senti-me humilhada e violentada por Marlon e Bertolucci. Pelo menos foi só uma tomada”.

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Engana-se quem pensa que, se não houve penetração, não houve estupro. Vale lembrar a definição do termo: “O crime de estupro é qualquer conduta, com emprego de violência ou grave ameaça, que atente contra a dignidade e a liberdade sexual de alguém”. O elemento mais importante para caracterizar esse crime é a ausência de consentimento. A lei brasileira, por exemplo, diz que não é preciso penetração para que o crime se caracterize como estupro.

A cena é polêmica desde o surgimento do filme. É a tal “cena da manteiga” e Bertolucci quis filmar de forma realista a reação de Schneider. Lembro que comentávamos a cena durante meu segundo grau no Colégio Júlio de Castilhos. Só que é indiscutível que houve violência e sadismo. Foi uma atitude deplorável. Uma atitude de dois estupradores famosos contra uma jovem de carreira ainda obscura.

Há anos conheço essa história e sempre quis que ela fosse mentira. Não é. Bertolucci e Brando levaram a um nível repulsivo a afirmativa de Hitchcock de que atores são gado. (Lembro de Bergman pedindo desculpas e mais desculpas a Gunnar Björnstrand antes de grudar uma vela acesa sobre a careca do ator, que ria). É incrível pensar que um dos maiores momentos do cinema — o monólogo de Brando ao lado do caixão da esposa suicida — esteja acompanhado da cena da manteiga e pelo que foi feito para que ela fosse filmada de forma “realista”. O pior é que Maria Schneider sempre será lembrada por este Último Tango, apesar de sua melhor atuação ter sido no esplêndido Profissão: Repórter, de Antonioni. Depois desse absurdo, ela não fez mais cenas de nudez.

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Me irrita especialmente, repito, o fato de que Bertolucci e Brando, “o maior ator do mundo”, serem dois artistas famosos e consagrados a pegarem uma menina que até ali devia estar feliz trabalhando com eles. Nojo total. Dizem que Maria jamais se recuperou do fato.

“Fui horrível com Maria, porque não lhe disse o que iria acontecer”, declarou o diretor na entrevista de 2013, e ainda completou que a intenção era que Schneider reagisse “como uma menina, não como uma atriz”. Bem… Contudo, Bertolucci nunca pediu desculpas para a Maria Schneider e até hoje afirma que sacrifícios precisam ser feitos em nome da arte.

Mas há limites, não?

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Fotografias de Helen Levitt (1913-2009)

Fotografias de Helen Levitt (1913-2009)

Helen Levitt dedicava-se às ruas de Nova Iorque. Foi uma das grandes fotógrafas do século XX.

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Helen Levitt em 1963
Helen Levitt em 1963

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Realmente devia ser um inferno viver em Cuba sob Fidel

Realmente devia ser um inferno viver em Cuba sob Fidel

Imagens de ontem em Cuba. Como disse um comentarista abaixo, “Cuba é uma ilhota se comparada com seu todo poderoso vizinho. Mesmo assim possui índices melhores na saúde e na educação. Então, se quiserem criticar Cuba e Fidel, primeiro façam melhor”.

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Viagem ao redor do umbigo

Viagem ao redor do umbigo

Li no livro Bartleby e companhia, de Enrique Vila-Matas, a curiosa definição de Marguerite Duras sobre o ato de escrever: escrever é tentar saber o que escreveríamos se escrevêssemos. Dou-lhe inteira razão, mas há algumas pessoas, dentre as quais me incluo, que negam o que escrevem e raramente releem o que deixam escrito por aí. Nem este blog é relido por mim.

Hoje, dediquei algum tempo a reler uns posts antigos e surpreendi-me com o grande número de frases e expressões que revisaria ou cortaria. Há idiotices incríveis. Encontrava aqui uma ideia que deveria estar clara e não está; ali, uma frase horrenda; mais adiante, surpreendia-me comigo mesmo — eu escrevi isto, isto sou eu ou um personagem? Ou sou eu meu personagem? Acho que é o caso. Afinal, quando divagamos sobre nossas vidas, não estamos reescrevendo um livro com caracteres mais brilhantes ou não para depois recolocá-lo — capa dura ou brochura — em nossa memória, a fim de retirá-lo no momento seguinte com o objetivo de mais uma revisão, a mesma revisão que não faço aos duros caracteres do monitor? Escrever é tentar saber o que escreveríamos se escrevêssemos.

Sonhar, de Almada Negreiros
Sonhar, de Almada Negreiros

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Brasília

Brasília

Desenho à mão original de Nelson Moraes. Alguém usou ferramentes digitais a fim de mostrar a todos nós uma versão mais realista de Brasília. Podem roubar e distribuir à vontade. Falo da imagem.

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Um passeio poético pela Voluntários da Pátria

Um passeio poético pela Voluntários da Pátria

Fotos de Bernardo Jardim Ribeiro

Pautado para simplesmente caminhar pela cidade, o fotógrafo Bernardo Ribeiro escolheu percorrer a Voluntários da Pátria da estação rodoviária até a Ramiro Barcellos. A região pouco turística estranhou a presença do fotógrafo. Em certo momento, ele foi alvejado por uma maçã. Mesmo assim, o resultado foi excelente. São gatos em antiquários, carroceiros, mendigos, crianças e Papais Noéis…. Enfim, belas cristalizações do fugidio em Porto Alegre.

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
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Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
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Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul21

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Cobertos de razão, torcedores colorados repudiam a declaração de Fernando Carvalho

NIKE SU13Eu já tinha escrito aqui neste blog que Fernando Carvalho era uma daquelas pessoas de alguma idade que não preservaram a inteligência. Disse e repeti. Acontece. Completo agora dizendo que ele deve ir para casa cuidar do netos, se os tiver e se os filhos permitirem. O que ele cometeu no dia de hoje já foi muito bem respondido pela ComudoInter e por minha amiga Elisa Piranema. Abaixo, copio os textos de meus amigos. Chega do Inter na 1ª Divisão, chega de fiascos. Vamos varrer esta diretoria nas eleições de dezembro. E adeus, Fernando Carvalho!

Também peço o encerramento do campeonato AGORA com a queda do Inter. Temos que repensar o clube.

.oOo.

O Grupo do Facebook, ComudoInter divulgou uma carta de repúdio à declaração realizada ao Vice-presidente de futebol Fernando Carvalho, onde ele comparou o acidente com o avião da Chapecoense com o risco quase iminente de rebaixamento do Internacional.

Com diversas assinaturas, a carta dos torcedores pede o encerramento do campeonato mesmo que acarrete o rebaixamento do Internacional.

Leia na íntegra:

CARTA DE REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DE FERNANDO CARVALHO

De: Torcedores colorados
Para: Torcedores de outros times, amantes do esporte, e acima de tudo seres humanos

É com um imenso pesar que nós, torcedores do Sport Club Internacional, repudiamos as declarações dadas pelo ex-presidente Colorado – o Sr. Fernando Chagas Carvalho – à Rádio Pampa na fatídica Terça-Feira, dia 29/11/2016, após o trágico acidente com o avião que transportava a equipe da Chapecoense, além de sua comissão técnica, comissários de bordo e jornalistas esportivos.

Outrora um presidente do qual nos orgulhávamos de um dia termos tido, por sua glória máxima de obter um título mundial, hoje nos envergonhamos por sua frase “Temos a nossa tragédia particular, que é fugir do rebaixamento (…) e esse adiamento de rodadas certamente será prejudicial”, que demonstra uma absurda falta de compaixão ao desprezar que nenhuma tragédia, única e exclusivamente futebolística – como ser rebaixado a uma série inferior –, se sobrepõe à tragédia ocorrida que acarretou a perda das vidas de pessoas, pais de famílias e profissionais dedicados.

Seria leviano ignorar a comoção global com tamanha catástrofe, de tal forma que compadecer-se da dor alheia não é demagogo, e sim empático. A sua dor, torcedor de Chapecó, é também a nossa dor. E a sua decepção com a declaração infeliz, é, também, a nossa decepção. Abaixo de vestirmos vermelho e branco somos também de carne e osso, e o que, esporadicamente, nos divide, é algo infinitamente menor quanto ao que nos une permanentemente: Somos seres humanos, e como tais, prezamos pelo bem estar de nossos semelhantes.

Acima de qualquer rivalidade, acima de qualquer disputa e acima de qualquer paixão a uma entidade futebolística, deve-se sempre existir o respeito. Respeito, este, que parece ser uma virtude desconhecida ao antigo dirigente, mas que acompanha a nós, torcedores do Internacional e verdadeiros representantes deste Clube do Povo.

Isto posto, nos manifestamos favoráveis ao encerramento do Campeonato Brasileiro sem a realização de sua rodada derradeira, cientes de que os resultados atuais acarretariam o descenso de nosso clube. Não há clima para futebol no que resta deste ano.

Por fim, a quem tenha se ofendido: Nosso imenso pedido de desculpas, tal declaração não representa a dor que também estamos sentindo.

Atenciosamente,
Torcedores colorados “

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A torcedora e minha amiga Elisa Del Pino Piranema publicou o que segue em seu perfil do Facebook. Ela também me representa.

Se já não bastasse todo o sofrimento que estamos vendo com a tragédia da Chape, tenho que ouvir um dirigente vir dar uma declaração NOJENTA E REVOLTANTE que o cidadão que é vice de futebol do Inter deu, pq me nego de hj em diante citar o nome dele.

Que moral tem essa criatura de falar uma coisa dessas se toda essa situação que estamos passando é culpa e muito dele por ter trazido o MAIOR DESAFETO DA TORCIDA COLORADA para nos treinar e se não bastasse insistir com ele mesmo vendo que o barco estava afundando.

Triste é ver um dirigente que já foi tão respeitado pelo Brasil inteiro, inclusive por mim, ter um fim tão decadente e patético.

Só tenho duas coisas a dizer: ESSE CIDADÃO NÃO REPRESENTA A MAIORIA DA TORCIDA COLORADA e peço desculpas às 75 FAMÍLIAS que perderam seus entes queridos por ter que ouvir e ler uma coisa dessas.

Triste é ver que tem pessoas que diante de uma tragédia dessas, consiga ainda pensar só no seu umbigo e sua reputação, pouco se lixando para os seres humanos que partiram de uma forma tão trágica.

Desculpe o desabafo mas numa hora dessas o que menos importa é se vamos cair ou não, pq a VIDA É MAIOR QUE TUDO E QUE TODOS.

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Ontem foi o pior dos dias: nunca fomos tão rapidamente do luto à baixeza

Ontem foi o pior dos dias: nunca fomos tão rapidamente do luto à baixeza

Ontem foi o pior dos dias. Primeiro, houve a tragédia com o time da Chapecoense, vitimando jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas do excelente, simpático e organizado clube catarinense. Só se falava nisso, a comoção foi mundial. Pois enquanto todos os olhos estavam voltados para a Colômbia, enquanto a Rede Globo botava o país para chorar com edições de alta temperatura emocional, ratos de todas as espécies — deputados gaúchos, deputados federais e senadores, todos juntos, ao mesmo tempo — aproveitaram-se para deitar e rolar.

Foda-se o povo | Foto: Gisele Arthur
A brilhante foto-resumo: foda-se o povo | Foto: Gisele Arthur

Na verdade, a maioria dos políticos brasileiros está como na foto acima: lixando-se para as consequências sociais de seus atos. Eles trabalham apenas para seus patrões financiadores de campanhas e para suas igrejas. Porém, infelizmente, são os legítimos representantes do povo brasileiro, um povo sem o menor grau de informação, idiotizado pela propaganda e bovinizado pelos meios de comunicação dominantes.

A desonra do que fizeram ontem a Assembleia Legislativa do RS, o Congresso Nacional e o Senado, dificilmente será superada. Mesmo assim, a imensa maioria do povo brasileiro ainda não entendeu que os atuais donos do poder são meros estafetas de grandes empresários que ganham muito, mas muito com eles.

Tais testas-de-ferro querem reduzir um estado que não dá o mínimo de saúde, educação e segurança. A intenção é de privatizar o que der, sempre em causa própria e na de seus patrões. O que pensar do Ministro da Saúde Ricardo Barros, um engenheiro civil que teve sua campanha financiada por um dos principais operadores de planos de saúde do país? O que ele tentará fazer? Você já sabe, vai reduzir os gastos e o atendimento do SUS. Quem se rala? Os mais pobres, a maioria, justo aqueles que votaram nos deputados de propagandas mais ostensivas e nos evangélicos do Congresso.

Não tenho mais dúvidas sobre a necessidade das ruas. E elas se tornarão mais e mais violentas. Lamento, mas creio ser necessário. Temos em Brasília uma quadrilha governando para si e procurando anistiar-se de seus próprios crimes. Imaginem que a Câmara dos Deputados, também ontem, rejeitou a criação do crime de enriquecimento ilícito de servidores públicos. A noite de 29 para 30 de novembro de 2016 jamais será esquecida pelos servidores que recebem propina. Foi uma noite de liberação!

Mas ainda maior repercussão terá a PEC 55, aprovada ontem em primeiro turno no Senado e que corta investimentos sociais por 20 anos, jogando muita gente na absoluta falta de saúde e educação. Tal PEC é uma encomenda de certos empresários financiadores de campanhas. Estes são os piores inimigos do povo brasileiro. E devem ser tratados como tais.

Curiosamente, as manifestações de 2013 começaram pedindo mais investimentos em serviços públicos e no combate à corrupção. Ontem, o Congresso respondeu impondo severos limites a ambos.

Como escrevi, acho que temos que ir mais e mais para as ruas. Meus parabéns aos estudantes que ontem foram a Brasília. Estamos nas mãos de ministros corruptos, senadores corruptos, deputados corruptos, juristas corruptos. E as grandes emissoras de TV e rádio, comprometidas com o lamaçal, ainda vêm dizer que se trata de vândalos, que democracia não é baderna. Que a baderna aumente! Infelizmente, é o momento da Grande Baderna.

P.S. — Peço desculpas pelo texto (muito) irritado, inteiramente fora da linha habitual do blog.

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