Darwin, Dickens e Thomas Mann só trabalhavam quatro horas por dia

Darwin, Dickens e Thomas Mann só trabalhavam quatro horas por dia

Nota do blogueiro: É uma pena não ser criativo como esses caras. Se fosse, saberia como viver.

De Carey Dunne, traduzido resumidamente por mim. Retirado daqui.

De acordo com um crescente movimento contra a postura workaholic, a chave para uma maior produtividade poderia ser trabalhar menos horas. A obra Em descanso: Por que você produz mais quando trabalha menos, do consultor Alex Soojung-Kim Pang, defende uma jornada de trabalho de quatro horas. “Décadas de pesquisa demonstram que a correlação entre o número de horas trabalhadas e a produtividade é muito fraca”, diz Pang, um estudioso visitante da Universidade de Stanford e fundador da Restful Company.

Um estudo do Instituto de Tecnologia de Illinois, ainda na década de 1950, descobriu que os cientistas que trabalhavam 35 horas por semana eram menos produtivos do que seus colegas de 20 horas por semana, enquanto que os trabalhadores que suavam 60 horas eram os menos produtivos de todos. Pesquisas mais recentes concordam.

“Algumas empresas, incluindo a Tower Paddle Boards, bem como muitas empresas na Escandinávia, descobriram que seus negócios cresceram — e a satisfação dos funcionários aumentou — depois de cortar as horas de trabalho dos funcionários”, diz Pang.

As rotinas diárias de alguns dos pensadores mais influentes da história também apoiam a noção de que estar descansado é crucial. “Quando você examina as vidas das figuras mais criativas da história, você se confronta com um paradoxo: eles organizam suas vidas em torno de seu trabalho, mas não seus dias”, escreve Pang.

O País da Cocanha, tela de Pieter Bruegel
O País da Cocanha, tela de Pieter Bruegel

Pelos padrões de hoje, o ritmo do naturalista britânico Charles Darwin e do escritor Charles Dickens era digno de vadios ou, no mínimo, de gente preguiçosa. Eles trabalhavam apenas de quatro a cinco horas por dia. O mesmo faziam os escritores Alice Munro, Gabriel García Márquez, W. Somerset Maugham, Anthony Trollope e Peter Carey, o cientista John Lubbock, o diretor Ingmar Bergman, o artista Arthur Koestler e o matemático Henri Poincare. “As horas que esses luminares gastavam em descanso deliberado”, Pang afirma, “eram tão importantes para seu trabalho como o tempo gasto realmente trabalhando. Quando paramos e descansamos adequadamente estamos investindo em criatividade”.

Enquanto muita gente queima pestana até tarde, as rotinas diárias desses escritores, matemáticos e cientistas deveriam encorajar você a deixar o trabalho mais cedo e descansar um pouco.

Em seus 73 anos, Charles Darwin conseguiu publicar 19 livros. Seu último, A Origem das Espécies, é possivelmente o volume mais influente na história da ciência. O tempo que Darwin passou fazendo trabalho científico — teorização, escrita e experimentação — geralmente consistia em apenas três períodos de 90 minutos por dia. Depois de uma curta caminhada matutina e café da manhã, Darwin trabalhava das 8h às 9h30, momento em que ele fazia uma pausa para ler, escrever cartas e ouvir um romance sendo lido em voz alta. Às 10h30, ele retornava ao trabalho e parava ao meio-dia para uma caminhada curta por Sandwalk, um local de Down, perto de Londres. Depois do almoço, mais cartas, uma sesta de uma hora e um lanche. Ele apenas retornava ao escritório entre às 16h às 17h30. Depois, convivia com a família e jantava.

“Se Darwin quisesse assumir um cargo numa universidade atual, jamais seria aceito”, escreve Pang. “Se ele estivesse trabalhando em uma empresa, seria demitido em uma semana.”

G.H. Hardy, um dos principais matemáticos da Grã-Bretanha no início do século XX, iniciava seu dia com café e uma leitura atenta das páginas de esportes dos jornais. Depois se concentrava na matemática das 9h às 13h. Jogos de tênis e longas caminhadas enchiam suas tardes. “Quatro horas de trabalho criativo por dia são o limite para um matemático”, defendia ele, de acordo com Pang. Um colaborador próximo de Hardy, John Edensor Littlewood, concorda, dizendo que a concentração necessária para fazer um trabalho sério era de “quatro horas por dia ou no máximo cinco, com pausas a cada hora”.

Depois de uma juventude notívaga, Charles Dickens, autor de mais de uma dúzia de romances, adotou uma programação chamada por ele de “metódica e ordenada”. Das 9h às 14h, ele escrevia em absoluto silêncio, Depois, almoço, diversão e nada de escrever.

O escritor alemão e prêmio Nobel Thomas Mann, que publicou o aclamado romance Buddenbrooks aos 25 anos, fechava-se em seu escritório diariamente das 9h até às 13h para trabalhar em romances. “Escrevo duas páginas por dia, não menos, não muito mais”. Após às 13h, só leitura, correspondência e passeios”, escreveu Mann. À noite, não todos os dias, ele passava mais uma hora revisando a produção matinal.

Em uma entrevista de 1984 para a The Paris Review, a escritora irlandesa Edna O’Brien falou sobre sua rotina diária de quatro horas de escrita: “Eu me levanto pela manhã, tomo uma xícara de chá e entro nesta sala para trabalhar. Nunca saio para almoçar ao meio-dia, nunca, mas eu paro em torno das 13h e 14h. No resto da tarde, dedico-me a coisas mundanas. À noite, eu leio, vou a uma peça de teatro ou a um cinema ou visito meus filhos. Nunca trabalho à noite.

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Uma reflexão simples sobre a terceirização aprovada ontem e o futuro do trabalhador

Uma reflexão simples sobre a terceirização aprovada ontem e o futuro do trabalhador

Com nossa Câmara Federal formada basicamente por representantes de empresas e religiosos, não chega a ser surpreendente a aprovação do PL 4302/98, que cria a figura da “empresa de trabalho temporário”. Decorrente da medida, creio que o aperto econômico sobre a classe trabalhadora poderá acabar em qualquer coisa, inclusive em Bolsonaro como presidente para “limpar tudo isso aí”. Afinal, nossos eleitores não são os mais informados, como demonstra nosso Congresso. Isso não quer dizer que eu seja contra eleições, apenas que sou a favor de educação e boa informação.

A nova vida do trabalhador: segurança total
A nova vida do trabalhador: segurança total

Com este PL, torna-se possível que empresas de mão de obra forneçam trabalhadores até para as atividades-fim das empresas. Tais empresas podem fornecer trabalhadores por um período de 6 meses, prorrogáveis por mais 3. Total de 9 meses, portanto.

Deste modo, um hotel na praia ou uma escola não precisará contratar mais ninguém diretamente. Explico: se um hotel trabalha apenas nos meses quentes, entre novembro e abril, por exemplo, contrata a empresa de trabalho temporário para buscar funcionários e, passado o período, os põe no olho da rua. Também uma escola — que antes poderia contratar só serviços terceirizados de limpeza, alimentação e contabilidade — agora poderá também contratar professores terceirizados. Eles ficam para o período letivo e depois, rua. A lei diz que esse fornecimento só pode se dar em razão de circunstâncias “excepcionais”. Mas isso é uma bobagem, qualquer necessidade pode receber o título de “excepcional”, até uma nova turma de aula.

O projeto também regulamenta aspectos do trabalho temporário, aumentando de três para seis meses o tempo máximo de sua duração, com possibilidade de extensão por mais 90 dias. Os temporários terão o mesmo serviço de saúde e auxílio alimentação dos funcionários regulares, além da mesma jornada e salário.

Obviamente, a nova legislação incentivará as empresas a demitirem trabalhadores que estão sob o regime CLT para contratar terceirizados, com remuneração menor. Um levantamento realizado pelo Dieese, em 2015, mostrou que os terceirizados recebiam em média 30% a menos que os contratados diretos.

Há uma enorme sacanagem no projeto — mais uma. Foi aprovada a chamada responsabilidade subsidiária. Se a empresa que terceiriza mão de obra não paga seus funcionários ou não cumpre obrigações trabalhistas ou previdenciárias, o empregado primeiro tem de buscar reparo na Justiça acionando o seu empregador direto, a fornecedora de mão de obra. Só depois, se não tiver sucesso, pode acionar judicialmente a empresa que contratou a firma que terceiriza mão de obra. Ou seja, não há responsabilidade solidária.

As centrais sindicais parecem não ter grande comunicação, força de mobilização e, pior, representação no Congresso. Lamentável.

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Em Berlim (VII)

Em Berlim (VII)

Não lembro bem — ou nós estávamos fazendo compras ou ficamos no quarto por algum motivo. O fato é que o 9 de janeiro só tem uma foto do amanhecer e algumas bem noturnas e divertidas. Da janela de nosso quarto, no bom Hotel Prens, era esta a vista na manhã de 9 de janeiro. A temperatura média durante nossa estada ficou entre os 4 graus negativos e positivos, e a neve iria apertar nos dias subsequentes. O estranho é que, em Berlim, tais valores não sobem muito durante o dia e nem descem durante a noite. São estáveis e não é anormal a noite ser mais quente do que o dia.

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Foi nosso primeiro e único dia de jazz em Berlim, mas como valeu a pena! A vantagem de ter um filho morando na cidade é que ele conhece muitos lugares aos quais o turismo convencional não chega. Então, naquela segunda-feira à noite, eu, Elena, Bernardo e o amigo Lucas Birmann fomos ao um lugar que, creio, chama-se Every Monday —  bem, se não é este o nome, ao menos é o nome do evento, conforme foi carimbado em nossos pulsos. É um local ao qual jamais saberia voltar, tantas voltas demos até chegar.

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A gente entra e se impressiona com o aspecto da coisa. Há um palco onde uma big band de 15 pessoas se apertam. Na frente, a plateia fica sentada ou deitada em muitos sofás velhos, provavelmente refugos. Alguns ficavam em pé ou no bar. Importante saber é que, nos bares alemães, você paga a primeira cerveja com o preço da garrafa incluído. Quando vai comprar a segunda, devolve a primeira garrafa, pagando apenas o preço do líquido. Quando você devolve a última garrafa vazia, então recebe de volta o valor da garrafa.

Bem, a banda era excepcional. A Omniversal Earkestra era algo anormalmente bom. Afinadíssimos, bons improvisadores, excelente humor e muito prazer para fazer grande música há mais de sete anos todas as segundas, sem interrupções há mais de 300 segundas-feiras, OK? Se compararmos aquele tesão com o de algumas orquestras que conhecemos… Bem, não vamos comparar. Ellington, Mingus e Sun Ra foram os destaques no repertório. Conversamos sobre microfones com a violinista do grupo — sim, o grupo tinha uma. Ela achou que a Elena fosse irmã do Bernardo!

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Quadros de Van Gogh recuperados: “Só não roubei Girassóis porque não se encaixava na mochila”

Quadros de Van Gogh recuperados: “Só não roubei Girassóis porque não se encaixava na mochila”

“Eu fiz isso porque podia, estava fácil. Só não roubei Girassóis, de Van Gogh, porque não se encaixava na mochila”, disse Octave Durham, de 44 anos, o ladrão que, em 2002, roubou dois quadros no Museu Van Gogh em Amsterdam.

Em 2016, em meio a uma operação contra o grupo mafioso Camorra, a polícia da Itália recuperou duas pinturas do artista holandês Van Gogh que foram roubadas há 14 anos em Amsterdam. Ontem, elas voltaram em perfeito estado para o Museu da capital holandesa.

As pinturas, “Congregação Saindo da Igreja Reformada em Nuenen” (1884/5) e “Vista do Mar em Scheveningen” (1882), são do período inicial de Van Gogh.

Cada um deles vale cerca de 50 milhões de euros e estava com um grupo da Camorra envolvido no tráfico internacional de cocaína.

O diretor do Museu Van Gogh, Axel Rueger, escreveu em comunicado que “já não ousava mais esperar que poderíamos receber os quadros de volta após tantos anos. Foi um milagre”.

O roubo de 2002 foi simples. À noite, os ladrões usaram uma escada para subir no telhado do Museu e invadir o edifício. Depois fugiram deslizando por uma corda.

A pintura de Scheveningen é uma das duas únicas cenas marítimas pintadas por Van Gogh na Holanda, e um exemplo único do estilo de pintura inicial de Van Gogh. A pintura da congregação de Nuenen, onde o pai de Van Gogh trabalhou como ministro, foi feita para sua mãe e finalizada depois da morte de seu pai, em 1885.

Abaixo, as obras que retornaram ao Museu.

Quadro "Vista do mar em Scheveningen", de Vincent van Gogh
Quadro “Vista do mar em Scheveningen”, de Vincent van Gogh
'Congregação deixando a Igreja restaurada em Nuenen', de Van Gogh
‘Congregação deixando a Igreja restaurada em Nuenen’, de Van Gogh

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De Cornelia Hernes

De Cornelia Hernes

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Jane Austen inventou o seu próprio casamento. Duas vezes

Jane Austen inventou o seu próprio casamento. Duas vezes

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Do excelente Publico.pt

Autora britânica forjou registros na paróquia de que o pai era responsável ainda durante a adolescência. Em 2017, comemoram-se os 200 anos de sua morte.

O casamento de Elizabeth Bennet com Fitzwilliam Darcy, nas páginas de Orgulho e Preconceito (1813), não terá sido o primeiro casamento criado por Jane Austen. Dois documentos que a serem divulgados pelo Arquivo de Hampshire, o condado onde nasceu a autora britânica, mostram que, ainda adolescente, Austen forjou o seu próprio casamento — por duas vezes.

O Arquivo de Hampshire anunciou ter na sua posse os registos de casamento de 1755 a 1812 de Steventon, a localidade onde nasceu Jane Austen, no sudoeste do Reino Unido. O seu pai era padre anglicano e reitor da paróquia, motivo pelo qual a escritora – que os biógrafos acreditam que nunca casou – teve acesso ao livro de assentamentos.

Os dois registros encontrados estão escritos à mão, presumivelmente pela própria Jane Austen, sobre páginas de uma espécie de formulário de casamento previamente impresso. O primeiro desses documentos diz respeito à suposta boda entre Jane Austen e Henry Fitzwilliam de Londres. O segundo refere o casamento com Edmund Mortimer de Liverpool. Os investigadores não conseguem precisar se Fitzwilliam ou Mortimer eram, de fato, pessoas reais, ou personagens saídas da imaginação da escritora.

Os especialistas acreditam que Austen seria ainda uma adolescente no momento em que forjou estes dois registros de casamento, revelando “uma faceta surpreendente durante os seus anos de juventude”, valoriza o porta-voz para a cultura do condado de Hampshire, Andrew Gibson, citado pela agência AFP. “Este documento singular revela um outro lado do caráter de Jane Austen”, acrescenta.

Os registros agora resgatados pelo Arquivo de Hampshire vão ser expostos ao público em Maio no Winchester Discovery Center integrados na exposição A Misteriosa Menina Austen, que assinala os 200 anos da morte da autora. Os documentos sob a guarda da mesma instituição e que também serão mostrados na ocasião incluem ainda o registro de batismo de Austen, em 1775, escrito pelo seu próprio pai, e o registo do seu funeral, na Catedral de Winchester.

A autora de Orgulho e Preconceito e Razão e Sentimento, entre outras obras, morreu em 1817, aos 41 anos. O bicentenário dessa data, que se ocorrerá em 18 de julho, serão comemorados em todo o Reino Unido.

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ONU: Brasil cai e fica em 22º lugar em ranking de felicidade; a fria e ateia Noruega lidera

ONU: Brasil cai e fica em 22º lugar em ranking de felicidade; a fria e ateia Noruega lidera

Noruega

Com informações da BBC Brasil

Não tinha escapatória, né? Com os Temer e seus coxinhas indiciados no poder, o Brasil ficou ainda mais triste, agora segundo as Nações Unidas.

A liderança passou da fria Dinamarca — país com maioria ateia — para a Noruega, que é bem parecida. Uma pesquisa de 2016 revelou que 39% dos noruegueses não acreditam em Deus, contra 37% de crentes, e 23% que responderam não saber. Se Deus não os deixa mais felizes, também o sol e calor não parecem ter muita influência positiva na felicidade das pessoas. Mas isso nós, gaúchos, sabemos.

O Relatório Mundial da Felicidade de 2017 foi divulgado nesta segunda-feira (20) pela ONU. O período compreende os anos de 2014 a 2016. O Brasil caiu cinco posições e está agora no 22º lugar entre 155 países. É a segunda queda consecutiva. Na edição de 2016, referente ao período de 2013 a 2015, o país já havia caído do 16º para o 17º lugar.

O ranking de 2017 é encabeçado pela Noruega, que tirou a liderança da Dinamarca. Islândia, Suíça e Finlândia completam a lista das nações mais felizes do mundo. Portugal é o quarto país menos feliz da Europa.

Na outra ponta, as mais tristes são Ruanda, Síria, Tanzânia e Burundi. A República Centro-Africana ocupa a lanterna.

A Europa Ocidental e a América do Norte dominam o topo do ranking, com os Estados Unidos e o Reino Unido nas 14ª e 19ª posições, respectivamente.

Já países na África Subsaariana e atingidos por conflitos tiveram notas previsivelmente mais baixas. A Síria em guerra ficou no 152º lugar entre 155 países, e Iêmen e Sudão do Sul, que estão enfrentando fome iminente, estão nas 146ª e 147ª posições, respectivamente.

O Relatório Mundial da Felicidade foi divulgado para coincidir com o Dia Internacional da Felicidade da ONU.

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O levantamento é baseado em uma única pergunta simples e subjetiva feita a mais de 1 mil pessoas todos os anos em mais de 150 países: “Imagine uma escada, com degraus numerados de zero na base e dez no topo”, diz a pergunta. “O topo da escada representa a melhor vida possível para você e a base da escada representa a pior vida possível para você. Em qual degrau você acredita que está?”

O resultado médio é a nota do país – que, neste ano, variou de 7.54 (Noruega) a 2.69 (República Centro-Africana).

Mas o relatório também analisa as estatísticas para explicar por que um país é mais feliz do que o outro. Entre os dados observados, estão o desempenho da economia (medido pelo PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 1 x 0 São Paulo)

Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 1 x 0 São Paulo)
Hoje, só foto de quem jogou bem: Nico López e Uendel.
Hoje, foto de quem jogou bem: Nico López e Uendel.

É fácil detectar os erros que o time cometeu na magra vitória contra o São Paulo de Rio Grande, difícil é corrigi-los. O maior deles localiza-se na dupla de volantes Anselmo e Rodrigo Dourado.

Dourado é primeiro volante, deve jogar sempre ali. Sua dupla com Charles, que gosta e sabe sair para o ataque, tem tudo para funcionar bem, principalmente se Charles não estiver nervoso. Mas quando Charles sai, tu, em vez de colocar Fabinho — mau jogador, mas que também gosta de passear — coloca o horroroso Anselmo. Então, o time passa a ter Anselmo, que não joga nada, e Dourado fora de posição, jogando igualmente mal.

Outra coisa incompreensível é William. Ele voltou da geladeira fora de forma técnica. Hoje, Junio é melhor.

Quer mais? Retirar Uendel do meio-de-campo para colocá-lo na lateral fez com que o time perdesse um passe qualificado, causando sobrecarga para D`Alessandro, que fez uma partida abaixo do normal.

E, nossa, que festival de passes errados! E como Ernando marca mal! Levamos um baita sufoco nos últimos minutos. São Danilo Fernandes fez milagres. Para que aquilo? Achei até que o São Paulo demonstrou momentos de alto brilho técnico, tudo em razão de nossa marcação liberal e equivocada. E lembro-te que foste um bom zagueiro, Zago.

Mesmo assim, estamos só três pontos atrás do Grêmio e, mesmo com nossas atuações podres, é possível passar na frente deles. Eles são muito ruins também e, sem dúvida, este seria um bom ano para o interior levar o titulo. Até o final da fase classificatória, eles têm Novo Hamburgo e São Paulo fora e Juventude em casa. Nossos jogos são Ypiranga e São José fora e Cruzeiro no Beira-Rio, se não perdermos o mando deste último jogo.

Estamos em sétimo lugar. Classificam-se oito… Como tem um jogo atrasado, ainda podemos acabar e oitava rodada em oitavo.

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Pessoas de sorte, muita sorte

Pessoas de sorte, muita sorte

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Armas… pela vida! Homens de Bem e Bons de Mira, Uni-vos!

Armas… pela vida! Homens de Bem e Bons de Mira, Uni-vos!

armas pela vida logo

No próximo domingo, 19 de março, no Parcão, haverá um ato em prol do direito de defesa em Porto Alegre. Ele se chama Armas pela Vida…

É claro que o movimento “Armas pela Vida” — em Porto Alegre capitaneado por um grupo luminar de vereadores — está cheio de razão. Como a sociedade gaúcha e porto-alegrense está tranquila, há pleno emprego, a temperatura está amena e a psicologia de todos está 100%, nada mais adequado do que armar todo mundo. Deste modo, os pequenos entraves da vida diária — brigas de trânsito, entre vizinhos e antipatias de um modo geral — poderão ser discutidas sem a presença do estado, esta coisa pesada e comedora de impostos. Pense, por exemplo, num casal em vias de separação e no profundo ódio que os une. A presença de armas em casa resolveria o problema imediatamente, evitando um enorme investimento de angústia e longos processos.

Os homens de bem receberiam uma carteirinha e treinariam tiro. Então, em vez de chamar uma polícia que quase não existe, a coisa poderia ser resolvida rápida e certeiramente com um disparo no coração do elemento, dado por um Homem de Bem e Bom de Mira (pode ser mulher, por que não?). Tais BO`s reduziriam o número de bandidos — os presídios se esvaziariam com a morte precoce das pessoas que cometem ilícitos — e o trabalho do Judiciário. Mais: se a população fosse bem treinada nas artes de tiro, não haveria a necessidade de tantos leitos hospitalares! O limpo e digno mercado funerário ficaria tão aquecido quanto nossos revólveres. Lembram de John Lennon cantando “Happiness is a warm gun”?

É óbvio que os roubos e assassinatos diminuiriam sobremaneira com uma população armada. Os bandidos se sentiriam intimidados com a possibilidade das vítimas tornarem-se seus algozes. Os estudantes iriam às aulas portando metralhadoras, impedindo o roubo de suas mochilas e tênis de marca. Eu iria adorar caminhar pela rua vendo os bolsos de todos cheios de armamento letal.

E não deixem que os idiotas digam que não se combate a barbárie com mais barbárie! Bala neles também! Afinal, uma rodinha de violão, um livro, um churrasco ou uma sala de concerto jamais resolveram o problema da segurança. O negócio é transformar Porto Alegre no Velho Oeste.

Chega de viver como gado e morrer como frangos!

Os vereadores Valter Nagelstein, Monica Leal, Comandante Nádia, Mendes Ribeiro, Wambert Di Lorenzo e Felipe Camozzato, junto com o representante do Armas Pela Vida Pedro Meneguzzi.
Os vereadores Valter Nagelstein, Monica Leal, Comandante Nádia, Mendes Ribeiro, Wambert Di Lorenzo e Felipe Camozzato, junto com o representante do Armas Pela Vida Pedro Meneguzzi | Foto da página do Facebook do movimento
Bem...
Bem…

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O Tribunal da Quinta-feira, de Michel Laub

O Tribunal da Quinta-feira, de Michel Laub

O Tribunal da Quinta-Feira

É preciso ser muito estúpido para transformar um registro teatral e hiperbólico entre duas pessoas conversando em privado numa declaração literal e pública que revela intenções e caráter.

Michel Laub, O Tribunal de Quinta-feira

Sem spoilers, tá? O publicitário José Victor, de 43 anos, está se separando após um casamento de 4 anos com Teca. Ele sai de casa deixando o computador e, poucos dias depois, ela descobre uma série de e-mails trocados entre seu ex e Walter, um velho amigo gay de Victor. Eles têm um tratamento bastante franco, jocoso e “incorreto” nos e-mails, mas suficientemente irritante e informativo para Teca, que bota os melhores lances no maior dos ventiladores, as redes sociais. (Não pensem que os amigos tinham um caso, nada disso, Laub não se utiliza de lugares-comuns). E começa o linchamento típico da Internet, cujas consequências são tratadas por Laub. Este é um resumo que ignora boa parte da complexidade do romance, que também envolve AIDS, relações profissionais, culpa e hipocrisia.

O livro é ótimo, mas há algo que me incomodou. Laub é um narrador poderoso e, em capítulos curtos, vai montando uma complexa teia que nos traz um contexto bem real da situação. Seu ritmo é lento e inexorável. A cada capítulo, vamos sabendo mais e mais, mas não gostei das pequenas intervenções ensaísticas inseridas na narrativa e nem da aceleração final da mesma. Me pareceu que Laub, controlando magnificamente a história, decidiu deixá-la sensacional nos últimos capítulos. Ou seja, já tinha ganho a partida quando decidiu massacrar. Acabou tomando um contra-ataque que resultou num inútil gol do adversário e manchou o que estava perfeito. Tipo 7 x 1.

O tribunal do título refere-se principalmente à explicação que ele terá de dar que à pessoa que realmente feriu durante o episódio, mas tal fórum pode ser expandido para o descontrole, suscetibilidades, desinformação e distorção das redes sociais.

Excelente livro. Recomendo.

Livro comprado na Bamboletras.

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Durante o almoço de hoje

Durante o almoço de hoje

Foto tirada por minha filha Bárbara hoje no Tuim.

Milton Ribeiro

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Em ano cheio de feriadões, prepare-se para três consecutivos em abril

Em ano cheio de feriadões, prepare-se para três consecutivos em abril

Esqueçamos por ora do Carnaval, do governo Temer, do Jucá, dos Renans, Maias e Sartoris. Façamos uma pausa na discussão destas Reformas obscenas.

O fato é que este primeiro semestre traz ainda quatro datas que permitem feriadão. E que vão ocorrer logo! O mês de abril terá três finais de semana seguidos com feriados prolongados, levando-se me conta o primeiro de maio.

As folgas consecutivas começam no dia 14 de abril, sexta-feira, quando se celebra a Paixão de Cristo. Exatamente uma semana depois, no dia 21 de abril, obviamente também numa sexta-feira, o calendário traz o feriado de Tiradentes. Mas há mais: o sábado e o domingo seguintes — 29 e 30 de abril — se unem miraculosamente à segunda-feira em que se comemora o Dia do Trabalhador. Um feriado religioso; outro histórico-político e um terceiro cheio de justiça e razão.

Fechando o semestre, haverá mais um feriado chega para animar a festa. Seja lá o que for, teremos a celebração católica de Corpus Christi (sempre uma quinta-feira) em 15 de junho. É um feriado opcional, mas não queremos nem saber.

No segundo semestre, há várias quintas-feiras que serão feriados. Ou seja, haverá todo um leque de possibilidades de folga.

Feriados em 2017

Confira abaixo feriados e pontos facultativos de 2017 a partir de abril:

  • 14 de abril (SEX):
    Paixão de Cristo (feriado nacional)
  • 21 de abril (SEX):
    Tiradentes (feriado nacional)
  • 1º de maio (SEG):
    Dia Mundial do Trabalhador (feriado nacional)
  • 15 de junho (QUI):
    Corpus Christi (ponto facultativo)
  • 7 de setembro* (QUI):
    Independência do Brasil (feriado nacional)
  • 12 de outubro (QUI):
    Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional)
  • 2 de novembro (QUI):
    Finados (feriado nacional)
  • 15 de novembro (QUA):
    Proclamação da República (feriado nacional)
  • 25 de dezembro (SEG):
    Natal (feriado nacional)

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Em Berlim (VI)

Em Berlim (VI)

A Elena escreveu no dia 8 de janeiro em seu perfil do Facebook. “Prometi que vou dizer e vou dizer: Milton Ribeiro é o cara!”.

É um grande exagero. Ela estava apenas agradecida. Acontece que este foi um dia muito diferente em Berlim. Uma amiga bielorrussa da Elena — também violinista — veio do interior da Alemanha para reencontrá-la após anos e trouxe seu marido alemão, um ser altamente político e que eu deveria divertir enquanto as duas conversavam. Claro, as duas conversavam em russo, eu e Renê em inglês. E nós dois realmente as liberamos para conversar. Elena ficou feliz por eu ter feito minha parte para a liberdade das amigas.

Renê é um alemão de Lübeck. Logo vi que tratava-se de um desses consumidores de notícias geopolíticas e que eu teria que falar sobre isso se não quisesse ficar num silêncio que seria constrangedor, pois por algum motivo é horrível ficar em silêncio ao lado de desconhecidos.

Primeiramente, ele quis falar sobre os refugiados e foi maravilhoso saber que ele apoiava todo o gênero de auxílio para que estas pessoas se integrassem à vida alemã.

Depois fomos, é claro, para o Brasil. E acho que assustei a curiosidade do gajo. Ele quis saber de uma usina chamada de Belo-Alguma-Coisa e da retirada dos índios… Fui obrigado a entregar Dilma Rousseff para ser comida viva pelo alemão, falei do financiamento das campanhas políticas no Brasil e dos grandes partidos sem os quais talvez seja impossível governar. Falei sobre o quase inevitável PMDB e de como sua presença em todos os lugares era perniciosa. Minha narrativa sobra a corrupção endêmica dos partidos políticos, dos empresários sonegadores e do povo o deixou perplexo. Ele também questionou sobre a ligação dos políticos e empresários. Menino esperto, não?

E contei sobre a estratégia zumbi criada pelo Moysés Pinto Neto para explicar certa parte da atuação do PT-PMDB. Tal estratégia consistia no governo do PT (de esquerda) e de seus pequenos blogs (blogs?, ele repetiu) atacarem incessantemente o adversário pela esquerda no discurso, enquanto que o governo adotava práticas da direita, produzindo aliados à direita que nunca estão satisfeitos com as concessões e uma base de esquerda disposta a justificar qualquer coisa para defender o governo que elegeram. Desta forma, Dilma diz que Temer implementa um “programa derrotado nas urnas”, mas ela, com certo pudor verbal, já fazia isso. Porém, no governo dela, programas sociais eram mantidos e a concentração de renda até diminuía discretamente. É claro que Temer é muito pior, pois adota um programa de ultra-direita sem pudor algum. Ele tenta cortar todo programa social mantido pelo governo anterior. Afirmei que a concentração de renda já se acentuou em seus primeiros meses de governo. E tentei explicar que a dupla atuação de Dilma era quase inevitável, já que o PMDB existe e que o PT jamais tentou controlar a opinião pública alimentada pela voraz grande imprensa de direita. Muito pelo contrário, o partido adubava tal voracidade, pagando-a. Renê arregalava os olhos.

Então decidi que ele ia pirar de vez. Expliquei sobre como são incultas e atrasadas nossas elites. São assim de uma forma tão completa que qualquer argumento que considerem — mesmo intuitivamente — como mais seguro é comprado por eles. Quem vende? Ora, a imprensa. E cheguei a meu tema mais caro: a educação. Expliquei sobre duas reformas educacionais — a militar e a próxima que Temer pretende implantar. Ele ficou apavorado com a primeira… Mas com a segunda foi pior. Acabou dizendo que isso levaria o país ao caos. Imagina deixar História como matéria opcional? Bem, ele é alemão.

E discorri sobre nossos alunos. Falei sobre meu trabalho voluntário na periferia de Porto Alegre e de como alunos de 14 e 15 anos da escola pública não sabem fazer contas de multiplicação e divisão. Sim, sei disso muito bem e provo.

Mas eu o deixaria ainda mais espantado ao dizer que a cidade dele, Lübeck, de 200 mil habitantes, tinha 3 Prêmios Nobel — Thomas Mann, Gunter Grass and Willy Brandt — e o Brasil inteiro nenhum. Sim, temos 1000 vezes mais gente, somos 200 milhões. Ele ficou feliz por eu saber tanto de Lübeck. E garanti que nosso Nobel não viria tão cedo, a não ser que fosse um Nobel da Paz ou para algum gênio isolado. Só que nós somos a prova de que gênios isolados não surgem facilmente como o Guga surgiu no tênis. Há que ter um ambiente cultural mínimo, algo que nossas elites detestam, desejando que permaneçamos um país vendedor de matéria-prima.

Ainda insatisfeito com minha severidade, mandei tudo às favas contando como uma pessoa com formação musical como a Elena era tratada no país. Falei de como a encalacraram numa posição subalterna, abaixo de pessoas que deveriam, na verdade, aprender com ela e de como isso era desmotivador.

Como viver no Brasil? Protegendo-se em ilhas de bons amigos.

E completei: pouca coisa de bom surgirá de nós. Levaremos 50 anos ou mais para melhorar, e desde que comecemos a mudar agora, pois nossa marcha ré ainda está engatada a toda velocidade, pilotada por bispos neopentecostais e políticos corruptos. Paralelamente, fiz questão de informar que um juiz de direito brasileiro podia receber uns 40 salários mínimos, mais benefícios — informação que chutei, mas que não deve se afastar muito da verdade.

Bem, após todo este DESTAMPATÓRIO, estava tão irritado que não tirei fotos de ninguém. E, depois do primeiro grande silêncio, ele começou a falar sobre os erros políticos de Willy Brandt.

Conversamos por mais de seis horas, bem entendido. Isto foi apenas um resumo do papo.

Fim.

Lübeck, 200 mil habitantes e 3 Prêmios Nobel
Lübeck, 200 mil habitantes e 3 Prêmios Nobel

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The Velvet Underground & Nico: o “Álbum da Banana” faz 50 anos

The Velvet Underground & Nico: o “Álbum da Banana” faz 50 anos

Do Publico.pt (adaptado por este traidor que vos escreve sempre)

The Velvet Underground & Nico, o álbum de estreia dos Velvet Underground, completou 50 anos este domingo. Lançado a 12 de Março de 1967, tornou-se num dos álbuns mais celebrados e influentes da história do rock.

velvet banana

A capa desenhada por Andy Warhol — produtor do disco — iria se tornar icônica, levando o álbum a ser frequentemente referido como o “álbum da banana”, embrulhando canções que se tornaram marcantes na história do rock, como Sunday morning, I’m waiting for the man, ou Heroin, com letras que abordavam paranoias, heroína, sadomasoquismo, desejo, morte — o lado B dos anos 1960.

Brian Eno comentou que “poucos compraram o álbum na época do lançamento, mas quem o fez montou uma banda”.

“Nem nos importávamos com o equipamento que tínhamos. Nem sequer tínhamos fones de ouvidos”, recorda à revista Rolling Stone o músico John Cale, que está celebrando o aniversário com três concertos: em Paris, no ano passado, em Liverpool, em maio, e nos Estados Unidos, ainda este ano. “Esta combinação estranha entre quatro músicos distintos e uma relutante rainha de beleza resumiu perfeitamente o que significava The Velvet Underground”, afirmou no ano passado à New Musical Express.

Apesar de ter durado pouco tempo, de 1965 a 1970, a banda formada por Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker e Christa Päffgen (ou Nico) revolucionou o rock, ao mesmo tempo que marcou uma nova relação desta com as artes e a cultura popular em geral.

Aqui o disco completo:

A voz da cantora, atriz e manequim Nico e o seu percurso nos Velvet Underground — com os quais apenas colaborou no primeiro álbum, por sugestão de Andy Warhol –, a par de discos como o da sua estreia solo em 1967, Chelsea Girl, tornaram-na também uma referência.

The Velvet Underground & Nico foi gravado em apenas uma semana, em abril de 1966, num estúdio de Nova Iorque, e algumas das suas canções foram posteriormente registadas em Maio, em Los Angeles. As comemorações do meio século do álbum de estreia dos Velvet Underground começaram no ano passado, precisamente ao completarem-se 50 anos dessas gravações.

A aventura acabaria por terminar em 1970, quando Lou Reed anunciou que iria abandonar a banda, antes da saída do seu quarto álbum, Loaded.

Os quatro primeiros discos dos Velvet Underground passaram despercebidos na cena rock norte-americana na altura em que foram lançados — o disco da banana vendeu só 30 mil cópias –, mas o tempo haveria de lhes conferir, e ao pioneiro The Velvet Underground & Nico em particular, um lugar fundamental na história da música.

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Bom dia, Zago ( com os melhores lances de Ju 1 x 0 Inter)

Bom dia, Zago ( com os melhores lances de Ju 1 x 0 Inter)

O Inter jogou muito mal e mereceu perder. Isto precede qualquer consideração sobre a arbitragem. É muito mais importante do que os erros de Diego Real. Ele errou e feio num momento em que até jogávamos melhor, mesmo com dez homens. (Aliás, como vejo muito futebol, posso dizer o quanto são absurdas as acusações que o Inter recebe de ser beneficiado pelos juízes. Como tenho boa memória, sei do pênalti não marcado contra o NH, dos dois pênaltis claros não marcados contra o Passo Fundo — que ainda fez um gol em impedimento — e de ontem. Sim, sei, houve o pênalti de Paulão em Pedro Rocha ou Bolaños (não lembro). Outro absurdo.

Mas mais me interessa a péssima atuação do Inter. William na lateral esquerda? Temos três laterais esquerdos: o lesionado Carlinhos, mais Uendel e Iago. Se Uendel virou meio-campista, por que não escalar Iago? E se Iago não pode, por que não Seijas, que jogava pela esquerda na segunda linha de 4 homens de seu time da Colômbia? Improviso por improviso… Pois a presença de William simplesmente detonou com o bom lado esquerdo ofensivo do Inter. Ele é  lateral direito e ponto. Celso Juarez já tentou dar-lhe outra posição sem sucesso, Zago.

William: todo torto na lateral esquerda
William: todo torto na lateral esquerda

Precisamos de armadores. O time perde muito sem Dale. Os outros jogadores da posição — Ferrareis, Andrigo e Seijas — parecem ter caído em desgraça e, bem, talvez mereçam… Sasha, que também poderia jogar ali, tem longa ficha médica e está fora novamente.

Nosso desempenho no Sartorão Anticultura 2017 é risível. Em 7 jogos, 7 pontos (1 vitória, 4 empates e 2 derrotas). Míseros 33% de aproveitamento. Os maus resultados têm sido apagados pelas boas atuações na Copa do Brasil, Primeira Liga e no Gre-Nal. De resto…

Faltam quatro jogos para o final da fase classificatória e hoje estamos fora dos oito primeiros. Os jogos que poderão salvar o Inter de um novo fiasco histórico são São Paulo (C), Ypiranga (F), São José (F) e Cruzeiro (C). Isto é, nenhum dos 5 primeiros colocados. Teoricamente seria fácil, mas o Inter tem desafiado tese atrás de tese.

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Sampaio Correa 1 x 4 Inter)

Bom dia, Zago (com os melhores lances de Sampaio Correa 1 x 4 Inter)

Vi tudo, foi espetacular mesmo. Mas, se fosse torcedor do PSG, ia querer a cabeça daquele treinador burro. Quem vai para a defesa daquele jeito, multiplica o número de ataques do adversário. Que se chamava Barcelona. Parecia que Celso Juarez estava comandando os parisienses. Renato deu sua opinião:

massacre

Bem, já em São Luís, no estado do Sarneystão, o Inter enfrentou e venceu por 4 x 1 ao Sampaio Correa, também conhecido como Bolívia Querida (sim, quem torce para o Sampaio é chamado de boliviano). Não sabiam? Pois é, nosso blog diverte e ensina.

Ensinamos mais, ensinamos agora que, no momento, quem dá as tintas é Brenner. Ontem, ele voltou a jogar bem, marcando dois gols. Já soma nove em seis partidas nesta temporada, o que dá uma média de 1,5 gol por jogo. É o artilheiro da Copa do Brasil, com cinco gols, e vamos deixá-lo ainda mais feliz interrompendo nosso texto com sua vibração.

Foto: Ricardo Duarte
Foto: Ricardo Duarte

Paulão, Nico López e Brenner (2) marcaram e este que foi teu nono jogo invicto, Zago: são seis vitórias e três empates. Nada mal para quem vem de 2016.

O jogo foi fácil, mas não dá para dizer que fizemos boa partida. Apenas nos impomos, coisa que não conseguíamos ano passado. Como sempre, Anselmo foi mal e Alemão parece ter sido um equívoco da atual direção. Para completar, no gol do Inter, o boliviano bateu a bola no canto protegido por Danilo Fernandes, que não se mexeu. Na minha opinião, falha dele.

Tenho vontade de rir quando penso que nosso bom ataque — Nico López e Brenner — foi contratado pelo repugnante quinteto do rebaixamento “Piffero – Fernando Carvalho – Pellegrini – Argel – Celso Juarez Roth”. Eram tão incompetentes que não conseguiam fazer jogar seus próprios bons contratados. Medeiros deve estar rindo disso, mas não deve agradecer.

Com o resultado, o Inter pode perder por dois gols de diferença ou até mesmo por 3 x 0 que avança à próxima etapa. A partida de volta contra os bolivianos está marcada para próxima quarta-feira (15/3), às 21h45, no Beira-Rio. Nosso próximo jogo é domingo (12/3), às 16h, contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, pela sétima rodada do Costelão 2017.

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Os países que consomem mais maconha no mundo

Os países que consomem mais maconha no mundo

Traduzido (con alcuna licenza), do The Telegraph

Um novo relatório afirma que o governo do Reino Unido deve legalizar a maconha porque é “a única solução para a diminuição dos problemas de crime e vício”. O estudo, intitulado O Efeito da Maré: como o mundo está mudando seu pensamento em relação à Cannabis, foi produzido pelo Instituto Adam Smith e tem o apoio de vários deputados.

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Link para o excelente infográfico, origem da imagem acima

De acordo com o Instituto, a atual estratégia de drogas do Reino Unido “falhou em seus principais objetivos de impedir que as pessoas usem drogas, fabriquem drogas”. Também falharam “em acabar com o crime, a corrupção e a morte relacionadas com o tráfico que ocorrem em grande escala em todo o mundo”.

O relatório afirma que a legalização reduziria o crime organizado, melhoraria a qualidade (e portanto a segurança) da cannabis e seria bom para os cofres do Tesouro. Uma indústria legal de cannabis do Reino Unido, calcula, iria movimentar 6,8 bilhões de libras anualmente, com 1 bilhão indo direto para o Tesouro

Vários países tiveram um repensar a cannabis nos últimos anos. Portugal descriminalizou todas as drogas em 2001 e dentro de uma década o uso de substâncias foi reduzido pela metade. O Uruguai adotou uma abordagem semelhante — legalizou a maconha em 2013 — enquanto a Califórnia, Massachusetts e Nevada se tornaram recentemente os últimos estados dos EUA a votar pela legalização da droga. .

Embora a cannabis não seja legal na Holanda, ela pode ser amplamente consumida nos coffee shops do país. Amsterdam é estigmatizada com a cidade da maconha. No entanto, apesar da liberdade, os cidadãos holandeses não são os maiores usuários do mundo: de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), essa distinção vai para a Islândia.

Top 30 países consumidores de cannabis (percentual da população entre 15 e 64 anos)

1 Islândia – 18,3%
2 Estados Unidos – 16,2%
3 Nigéria – 14,3%
4 Canadá – 12,7%
5 Chile – 11,83%
6 França – 11,1%
7 Nova Zelândia – 11%
8 Bermuda – 10,9%
9 Austrália – 10,2%
10 Zâmbia – 9,5%
11 Uruguai – 9,3%
12 Espanha – 9,2%
13 Itália – 9,2%
14 Madagáscar – 9,1%
15 República Checa – 8,9%
16 Israel – 8,88%
17 Santa Lúcia – 8,87%
18 Belize – 8,45%
19 Barbados – 8,3%
20 Holanda – 8%
21 Groenlândia – 7,6%
22 Jamaica – 7,21%
23 Dinamarca – 6,9%
24 Suíça – 6,7%
25 Egito – 6,24%
26 Reino Unido – 6,2%
27 Irlanda – 6%
28 Estônia – 6%
29 Bahamas – 5,54%
30 Serra Leoa – 5,42%
(O Brasil tem 2,6%)

Os dados do UNODC sugerem que a cannabis é utilizada por 18,3 por cento da população da Islândia (15-64 anos). Os EUA (16,2%) e a Nigéria (14,3%) apresentaram a segunda e terceira maiores taxas de consumo; o Reino Unido ficou em 26º lugar na lista, seguido pela Irlanda. E a Holanda? Está em 20º.

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Um reconhecimento: um pequeno texto de Elena Kuschnerova sobre Martha Argerich

Elena Kuschnerova não é uma pianista qualquer. Ela é uma concertista internacional de alto nível, espécie de campeã em Scriabin. Vários compositores escreveram músicas dedicadas a ela, que mora entre Baden-Baden e Nova York. É contratada da Steinway. É também amiga da minha Elena e as duas costumam trocar figurinhas no Facebook. Um dos últimos concertos de Kuschnerova está no folheto abaixo. O Piano Salon Christophori é em Berlim e naquela cidade não é proibido fazer crítica musical. Nos dias seguintes, ela foi elogiadíssima nos jornais e sites que fazem cultura. Vejam só que programa!

E, hoje, a amiga de minha Elena foi ver Martha Argerich… Os russos sabem escrever, parece que todos sabem.

pianista elena

Tradução de Elena Romanov

Hoje eu percebi, ou melhor, eu lembrei porque as pessoas vão a concertos. Para aderir à Arte e presenciar o nascimento de um milagre.

Martha Argerich — quanto eu já ouvi sobre ela! Quantas gravações impressionantes e nem tão impressionantes… Mas nunca antes a tinha visto num palco.

Obrigada, Gidon Kremer, que em sua turnê de aniversário trouxe Martha (quem mais?). E desde sua primeira aparição no palco, eu entendi tudo. Ela entrou lentamente. Não, não com vaidade, mas como uma mulher já de idade. No entanto, era surpreendentemente bela. E ela começou a tocar com Gidon a Sonata em lá menor para Violino e Piano de Schumann. Quantas vezes eu já toquei esta sonata! Com muitos violinistas, muitas vezes, eu conheço cada nota. Mas Martha deu à luz a um verdadeiro milagre! Este é exatamente o tipo de interpretação que não pode ser descrita por palavras. A música fluiu e respirou, e apareceram lágrimas em meus olhos… E nem preciso dizer que, comparado com ela, Gidon não passava de um fundo que se esforçava ao máximo para corresponder. Que rubato! Que som! Que poesia! Era como se o próprio Schumann pairasse no salão…

Eu posso dizer com certeza que Martha é o melhor que eu já ouvi em uma sala de concerto. Talvez só se compare à Gilels.

Inesquecível!

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Ali Hassan Ayache reclama da presença estrangeira no Brasil

Ali Hassan Ayache reclama da presença estrangeira no Brasil

“Existe no Brasil uma dezena de excelentes profissionais capacitados para o cargo e a direção escolhe uma italiana”.
Ali Hassan Ayache

O potencial cômico desta matéria (e do titulo acima) pode ser resumido na seguinte frase: “Em um texto cheio de xenofobia, mas travestido de austero, Ali Hassan Ayache reclama da saída de Naomi Munakata da regência titular do Coro da OSESP para dar lugar a Valentina Peleggi”. A frase é autoexplicativa porque todos os envolvidos têm nomes não brasileiros, mostrando o óbvio: somos um país de imigrantes. Então, um Ayache faz beicinho para Munakata e Peleggi. O texto foi-me apresentado por Augusto Maurer.

Valentina Peleggi: ninguém discute sua qualidade, já a etnia...
Valentina Peleggi: ninguém discute sua qualidade, já a etnia…

Eu sou neto de portugueses, Ali Hassan veio do Líbano, Naomi é japonesa, Valentina é italiana, Augusto tem ascendência alemã. Sim, sabem que o perfil do Facebook de Ayache indica que ele nasceu em Beirute? Ora, Ali, nós matamos nossos índios, aqui quase todo mundo tem um pé fora do Brasil. Seja na África, seja na Europa, seja em lugares mais distantes. E todos, mas todos nós, saímos da África.

A matéria também reclama da presença de Marin Alsop por apenas dez semanas / ano na Osesp. Tão simples de explicar: a estadunidense Alsop é uma estrela mundial. Assisti a uma masterclass e uma entrevista dela no Southbank Center (Londres). Afirmo que aquele grau de conhecimento você não vai encontrar facilmente em nenhum lugar do mundo. Ela vale muito. Os ingleses — que não são fáceis de convencer — amam a norte-americana Alsop.

Mas o Brasil é assim. Gente de família que recém chegou acha que deve evitar os estrangeiros. Quando conheci Lisboa, vi o quanto de português havia em mim. No primeiro dia, eu já estava adaptado. Portugal já estava em mim sem eu saber. E entendi o que meus avós deviam ter sofrido no Brasil com seus sotaques, com o recomeço de meu avô como estivador no cais do porto, com as piadas de português, etc.

O texto de Ayache revela um preconceito muito comum em nosso país. Somos formados pela imigração, mas não queremos mais imigrantes por aqui, mesmo que eles venham fazer bons trabalhos ou nos ensinar. Enquanto isso, um grande homem como Jordi Savall faz isso. É que Savall conhece história. Em suas pesquisas, já encontrou a presença espanhola em todo o mundo e sabe como as trocas culturais funcionam. Te digo que certamente temos coisas a aprender com os senegaleses e haitianos que recém chegaram aqui, nem que seja sobre elegância.

Ademais, a Osesp só é a Osesp em razão dos estrangeiros. Aqueles violinos… Onde havia algo semelhante na América do Sul à época em que foram trazidos?

Tenho exemplos de xenofobia bem aqui a meu lado. Dentro de casa inclusive. Afinal, minha querida Elena é uma bielorrussa naturalizada brasileira e tem histórias muito interessantes e comprovadas para contar e mostrar. Se ela sofre de xenofobia? Nossa, e como! Não nos provoquem… Sou ótimo contando histórias.

E, falemos sério, Peleggi é uma deusa regendo. É muito competente e deveria ser um orgulho — jamais um problema! — para São Paulo recebê-la. Se não quiserem, mandem para Porto Alegre. Não temos ninguém como ela aqui na cidade. NEM DE LONGE!

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