Como se dividir em dois (ou quatro): mitose ou meiose?
Há dias em que parece que todos se combinam para marcar eventos juntos. Vejam o que acontecerá nesta noite:
2) Às 19h30: Fronteiras do Pensamento com o economista Amartya Sen, Nobel de Economia e um dos idealizadores do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, elaborado pela ONU para avaliar as condições de vida da população nos diversos países.
3) Às 19h: Lançamento do Projeto Simões Lopes Neto, no Centro Cultural Palacinho (Av. Cristóvão Colombo, 300), homenageando o centenário dos Contos Gauchescos.
4) Às 22h: Internacional x Fluminense pela Libertadores da América.
E 1) O compositor e pianista Dimitri Cervo, acompanhado de quarteto de cordas, apresenta-se às 19h, no Música na UFCSPA (acho que a sigla é esta, trata-se da ex-Faculdade Católica de Medicina ali da Sarmento Leite). O quarteto é formado por Elena Romanov e Ariel Polycarpo no violino, por Cosmas Griessen na viola e Philip Mayer ao violoncelo. A entrada é gratuita. Música brasileira e minimalista compõem o programa.
Dimitri Cervo começou a destacar-se nacionalmente em 1995, quando sua Abertura e Toccata recebeu o primeiro prêmio no Concurso de Obras Orquestrais do XV Festival de Londrina e foi executada por cinco orquestras brasileiras. Em 2006, lançou seu CD Toronubá, que recebeu o Açorianos de melhor CD erudito.
Suas obras já foram apresentadas em todos os estados brasileiros, e em países como Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Portugal, França, Alemanha, Bulgária, Grécia, Suíça, Noruega, Israel e Sérvia.
O Música na UFCSPA é realizado no Salão Nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, na Av. Sarmento Leite, 245, Centro.
Programa:
— Improviso Sobre temas da Abertura Brasil 2012, (para piano solo)
— Série Brasil 2000 n. 2 – Papaji (para violoncelo e piano)
— Série Brasil 2000 n. 6 – Aiamguabê (para piano e quarteto de cordas)
— Série Brasil 2000 n. 8 – Uguabê (para piano e quarteto de cordas)
— Minimalizei-te Baiãozinho! (para quarteto de cordas)
— Série Brasil 2010 n. 4 (para piano e quarteto de cordas)
Na última sexta-feira, publiquei um post bastante curto, quase uma anotação, onde reclamava da programação da OSPA para 2012. Quem acompanha este blog sabe que meus reparos ao repertório vêm de anos e que vou aos concertos da OSPA por amor à música — mesmo que repetida ad nauseaum — e à própria orquestra, a qual assisto desde a memorável noite em que, acompanhado de meu pai, ouvi o maestro Komlós reger a Sétima Sinfonia de Beethoven. Tinha por volta de sete anos de idade e pensei que não poderia haver música mais bela do que aquele segundo movimento. Lembro de ter ficado tão excitado que não conseguia parar quieto nos dançáveis terceiro e quarto movimentos. Naquela noite, algum circuito de meu cérebro foi ligado e eu me tornei um melômano, sim, um melômano fanático capaz de ouvir mais de oito horas de música por dia, de administrar um blog que tem mais de 3000 CDs comentados de forma sucinta, de entrevistar o Secretário de Cultura em seus primeiros dias a fim de lembrá-lo de seu passado como ex-ospista numa tentativa patética de auxiliar com meus pobres argumentos a construção da sede da orquestra e de dar palpites sobre muita coisa, sobretudo a respeito de andamentos de sinfonias…
Meu pequeno texto, se pode ser assim chamado, era uma crítica ao repertório, jamais aos músicos, apesar de que vários deles o tomaram como uma crítica pessoal. Crasso engano. Conheço quase tudo a respeito da orquestra e sei que eles são heróis ensaiando nas piores condições. Visitei a sala de ensaios e torturas da orquestra. Fui apresentado aos anteparos de acrílico que separam os músicos da surdez. Mesmo assim, mesmo sob tais condições e mesmo com o local de concertos estando longe do ideal, o resultado artístico insiste em ser consistente e bom, prova de que as falhas devem ser procuradas em outros fatores.
Dizer que o repertório é monótono é espelhar a realidade. É muita música do período clássico e principalmente dos ROMÂNTICOS do século XIX. Há fixações irritantes e incompreensíveis sobre determinados compositores. Mahler é raro, Bruckner nem se fala, o século XX participa mui discretamente em seus anos iniciais. Este ano, a Ospa mais parece um museu dedicado aos russos da metade do século XX e a Rachmaninov, que viveu depois mas que parece ser de 80 anos antes. Sim, há exceções, mas estas são poucas, muito poucas. Como se não bastassem não há grande disposição em divulgar compositores vivos ou a música brasileira. O desconhecimento e desrespeito à música nacional é tanto que, no dia 17 de novembro de 2009, quando se comemorava (ou se lamentava) o cinquentenário de morte de Villa-Lobos, o programa da OSPA foi:
Novembro, 17, 2009 — 20:30 — 15º Concerto Série Oficial Festival Mendelssohn – 200 anos de nascimento Obras: Trumpet Ouverture em Dó Maior op.101 Concerto nº 2,em ré menor,op.40,para Violino e Cordas Sinfonia nº3, op. 56, em lá menor _ “Escocesa”
Solista:Marcio Cecconello Regente: Karl Martin Local:Salão de Atos da UFRGS
Detalhe: Mendelssohn nasceu em 3 de fevereiro de 1809, não em 17 de novembro, data de Villa-Lobos. Este gênero de descuido ocorreu em 2009, mas poderia repetir-se hoje, tal é o equívoco de orientação de uma orquestra cuja curadoria parece estar sob descuido da restrita Fundação Cultural Pablo Komlós. A orquestra parece não dar importância a seu publico. Vejamos, por exemplo, a OSESP: ela conta não apenas com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura, e de patrocinadores privados — até aqui está tudo igual à OSPA — , mas também de um público fiel de 11.353 assinantes para sustentar um projeto que engloba orquestra (109 músicos), coro (60 cantores), coros juvenil e infantil, uma editora de partituras de autores brasileiros, projetos educativos (que atenderam 77 mil crianças e adolescentes em 2010), mediateca (aberta para consulta pública), ciclos de aulas e palestras, e website com podcasts gratuitos, sem falar em mais de 30 CDs lançados. Eles estão em São Paulo, um centro muito maior, porém que deveria nos servir como exemplo. Ah, tenho certeza de que os assinantes são ouvidos. Daqui, eles foram corridos.
A caixa-preta da Ospa merece ser aberta. A direção artística deve CONSIDERAR o público cada vez mais diminuto em vez de ficar apenas ouvindo e desconsiderando sugestões. Sei que há músicos na orquestra que desconsideram o público como leigo, pensando que apenas músicos possam opinar, mas eu, por exemplo, um mero melômano, tenho sugestões até para os concertos populares.
E muito, muito mais para os chamados “Oficiais”. Vocês, músicos, nem imaginam quanta coisa eu e o público conhecemos. Agora, vamos à conversa que tive hoje à tarde no Facebook. Vejam a vontade que algumas pessoas demonstram de discutir todas as questões de forma civilizada. Elena Romanov, violinista da Ospa, iniciou a conversa sem maiores intenções e a coisa explodiu..
Elena Romanov ao meu amigo Milton Ribeiro.
Estou tentando fantasiar que um jornalista criticou, por exemplo, um filme em seu blog e veio uma longa discussão virtual entre ele e o elenco com desculpas, explicações, ameaças e xingamentos. Ou que criticou um livro e o escritor veio para brigar e “se defender ”online”. Que falta de classe! Gente, isso é simplesmente surreal… cada um tem o direito de criticar as coisas e ter uma opinião. Relaxem!
Claudia De Ávila Antonini Cara Elena Romanov, é que no Brasil não existe crítica, este é que é o problema. Não sei se ainda é um reflexo da ditadura, mas o costume é só elogiar ou ficar quieto, discordar jamais.
Elena Romanov Pior que já percebi isso. Continuo não entendendo porque no caso da programação da orquestra sinfônica não pode haver crítica e no caso do livro/filme pode.
Claudia De Ávila Antonini Mas Elena, na minha opinião há pouquíssima crítica também a livros/filmes. A maioria das críticas que temos, na verdade, fala só do que já está demonstrado ser inevitável criticar, ou seja, algo que já está muito exposto e comentado pela opinião coletiva e que o “não criticar” seria em si uma “omissão vergonhosa” para o crítico.
Francisco Marshall Quem quiser brigar tem que apanhar pra aprender a se comportar! Ora…
Claudia De Ávila Antonini O que temos com isso é a ausência de um pensamento crítico em geral. Todos os que escrevem, atuam, tocam são elogiados. Não vês que há sempre aplausos de pé no final dos concertos? Eu adoro a orquestra, sou a maior fã mas esta unanimidade me soa muito mal. Não seria esta uma atitude reservada para os dias “especiais”?
Claudia De Ávila Antonini Mas meu caro Francisco Marshall, o Milton adora a possibilidade de discutir o assunto, não está nem um pouco triste com os ânimos quentes.
Ricardo Branco Nos falta um pouco a Kritik , no sentido alemão do termo. Emitimos a opinião pessoal e ela pode ser questionada mas não discutida. Neste caso, criticar é uma adesão e não um desabono ao autor.
Elena Romanov Eu, assim como Augusto Maurer, achei as observações do Milton bastante amigáveis, não sei se é porque tenho outra mentalidade…
Claudia De Ávila Antonini É óbvio que foram amigáveis! Ele ama a OSPA, e eu também.
Claudia De Ávila Antonini Aliás, completando, a gente se preocupa, discute, se informa. Até quando das audiências públicas para a sede no Shopping Total estavamos em todas.
Milton Ribeiro Vi só agora teu post Elena Romanov. É verdade. Eu ia responder hoje ao Tiago Flores e a outras pessoas, mas vieram outros assuntos. É claro que nada tenho contra a instituição, critico apenas o repertório repetitivo e conservador. Agora, eu falo disto aqui e recebo um contra-ataque lá longe, em outro assunto. Isto me coloca numa falsa posição de ataque à OSPA. Ridículo.
Philip Gastal Mayer Opiniões são opiniões, não há o certo e o errado, há a minha impressão e a sua impressão. A coisa começa a ficar perigosa quando a impressão de uma maioria toma ares de “certo”. Sempre defenderei a crítica, ela é a “oposição” necessária para polir e tornar o objeto ainda mais virtuoso.
Francisco Marshall Não podemos viver sem a OSPA, nem ela sem nós, o público, especialmente o público apreciador e culto. Muitos músicos e dirigentes acham, equivocadamente, que a OSPA existe para eles. Errado. Ela existe para a música, para a história da música (passado, presente e futuro) e para as comunidades de profissionais e de ouvintes que podem e querem preservar e se nutrir do patrimônio musical, viciados em arte como nós dessa lista.
Francisco Marshall Os músicos que amam a música, como Elena Romanov e Augusto Maurer, leem as opiniões com o merecido desprendimento não porque são nossos amigos, mas porque amam a música como nós, ou mais.
Francisco Marshall Acho que o Tiago Flores respondeu educadamente, e tentou esclarecer.
Milton Ribeiro Sem dúvida. Mas os músicos me mandam cópias de e-mails trocados e tem gente que me encara como um hooligan.
Francisco Marshall Mas lembro que deixei de pagar o carnê de sócio da OSPA, com pesar, cansado das numerosas repetições de Sherezade, que é uma linda música, mas conservadora pra caramba. Aliás, ainda existe carnê da OSPA?
Francisco Marshall Há que se buscar um equilíbrio entre tradição e vanguarda, o universal e o local. Se tudo for feito com altíssima qualidade, o valor será indisputável sempre.
Milton Ribeiro Como disse alguém, é uma orquestra sem amigos… E que conversa pouco com seu público.
Elena Romanov Francisco Marshall, a minha lógica é a seguinte: o Milton tem muitos seguidores. Talvez alguns deles consideram que a música clássica foi para extinção antes dos dinossauros. “Mas este cara é legal, valoriza as coisas bonitas, tem um humor brilhante… quem sabe, se ele GOSTOU de alguns programas, eu vou também?”
Eu pagaria por uma propaganda dessas =)
Francisco Marshall Eu e Marcos Abreu sempre deploramos esta perda do sentido comunitário da OSPA, que foi um erro de gestão catastróffco.
Philip Gastal Mayer Perfeito Elena Romanov!
Francisco Marshall Eu acho que os seguidores do Milton Ribeiro, eu incluso. acreditamos apenas que os dinossauros foram extintos, talvez até mesmo por não terem música clássica!
Marcos Abreu Acho que o Francisco Marshall se refere aos “amigos”. Sempre falo e volto a repetir, acho que a OSPA precisa de uma Associação de amigos reais, participantes, atuantes, contribuintes. Todas as orquestras são assim. Afinal, fidelização de clientes é o “trend” do momento. Vejamos que ela tem 1418 curtindo a página, mais 5000 no perfil, 6418 pessoas que curtiram, marcaram, sei lá qual a idéia, mas aposto que menos de 5% sabem do que se trata ou frequentam os concertos. Além do que, nada contribuem além de um click no facebook.
Augusto Maurer Fico feliz por ter ateado fogo a esta auspiciosa e bem frequentada discussão. A parte sobre a burrice de toda unanimidade logo me fez lembrar de
Augusto Maurer Milton Ribeiro: o que esperas para promover isto a post? (o face ainda acarretará a extinção dos blogs) / Francisco Marshall: onde posso ler os esclarecimentos prestados pelo Tiago.
Claudia De Ávila Antonini Apoio totalmente o Marcos Abreu, me deu até vontade de criar uma página “Eu quero ser amiga(a) da OSPA” para reunir interessados e peticionar ao governador, secretário de cultura, presidente e direitores da OSPA para que volte a haver este instrumento democrático de participação do público.
Francisco Marshall Lembro que no debate sobre o horrendo projeto arquitetônico da nova sala, no Caderno de Cultura ZH, respondendo a Maturino Luz, o presidente da FOSPA, Ivo Nesralla, afirmou, entre outras coisas, que a FOSPA é uma autarquia que não devia satisfações à opinião pública. Sintoma claro do que aqui comentamos. Quando e como foi sucateada a Associação de Amigos da OSPA?
Milton Ribeiro Penso que a OSPA mereça melhores cuidados de seus gestores. A criação de uma Associação de Amigos é fundamental por dois motivos: (1) a fidelização e (2) o feedback. Não entendo uma instituição que não dialogue e sei que a OSPA tem entre seus membros verdadeiros apologistas do não-diálogo. Conheço muita gente que teria contribuições a dar. E, sobre o mau repertório, estou cada vez mais tranquilo. Tenho recebido vários e-mails de músicos da OSPA me apoiando. Recebi inclusive um pequeno estudo de repetições de programação, inclusive lembrando o grande dia em que Villa-Lobos completava uma data redonda e foi programado um Festival Mendelssohn. O problema é que eles não querem se identificar. Vá entender!
Francisco Marshall Hehehehe, está em um texto postado em um link do Milton Ribeiro que conta com o teu “curtir”, caro Augusto Maurer:
Francisco Marshall Quantas vezes a OSPA executou a linda fantasia coral de Beethoven com Ney Fialkow?
Francisco Marshall Augusto Maurer, isso foi o que defendi naquele artigo, lembras?
Milton Ribeiro Outra coisa que todas a maioria das orquestras do mundo fazem é música de câmara, normalmente programadas para logo após o intervalo com, obviamente, um efetivo menor de músicos. No caso da OSPA, haveria um ganho secundário: aliviaria um pouco os os músicos dos ensurdecedores ensaios no cais do porto, além de abrir caminho para um repertório imenso e de qualidade. E nem vou falar na valorização dos músicos envolvidos.
Francisco Marshall Eu ofereci o StudioClio ao Dr. Nesralla para agendas de música de câmara, ele gostou da ideia, mas nunca fomos em frente. Independentemente disso, músicos da OSPA formam a elite concertante na agenda de música de câmara do StudioClio. Nós poderíamos realizar também notas de concerto, previamente, ampliando a divulgação, a compreensão e a mobilização para cada concerto. Uma AAOSPA cuidaria disso com uma mão nas costas.
Milton Ribeiro Augusto Maurer, mostra esses argumentos todos para o Tiago Flores. Até para tirar meu estigma de INIMIGO DA INSTITUIÇÃO.
Francisco Marshall Não há esse estigma, Milton Ribeiro, tenho certeza. Aliás, no teu post no Sul21 foi só uma musicista que se manifestou exasperada, estatisticamente irrelevante.
Francisco Marshall Bueno, fratres, com tudo isso, acho que a revolução se aproxima! Tomada pelas letras e ideias!
Milton Ribeiro Vou transformar em post hoje à noite, se tiver tempo. Não vou querer perder esta discussão
Augusto Maurer Ansioso por compartilhar, Milton Ribeiro, com a ressalva de que NÃO FUI EU ! Pois adoro riscar fósforos em tanques de gasolina.
Ontem, minha cara-metade me chamou para assistir uma matéria espantosa na RAI. Era o mais inusitado dos fatos. O capitão do Genoa recolhia as camisetas de seus companheiros, uma a uma, a pedido da torcida. Só que havia alguns detalhes a entender. O jogo estava no início do segundo tempo e a atitude apoiava-se num pedido da torcida, que, indignada, dizia que aqueles jogadores eram indignos de vestir a camisa do clube e pediam que eles entregassem as camisetas, uma por uma.
Tudo isso aconteceu em Gênova, no Estádio Luigi Ferraris. A manifestação das arquibancadas começou aos 8 do segundo tempo, quando o Genoa era goleado por 4 a 0 pelo Siena e o técnico Alberto Malesani, do Genoa, tinha cometido colocar o zagueiro Kaladze no lugar do atacante Sculli, certamente para não tomar ainda mais gols. Os “ultras” começaram a atirar fogos de artifício e rojões no gramado, causando a interrupção do jogo em razão da fumaça no gramado e do medo de alguns jogadores do Genoa de serem atingidos. O impasse durou 40 minutos. O capitão Rossi recolheu as camisas, mas o atacante Sculli subiu corajosamente as arquibancadas para dizer que não retiraria a sua e que o time deveria seguir jogando. Com medo, os outros jogadores entregaram suas camisas a Rossi, enquanto a torcida ameaçava invadir o campo.
Apesar da manifestação ter ocorrido bem acima da porta do visitante e do árbitro, os torcedores não incomodaram os jogadores do Siena, nem a arbitragem. Os torcedores estavam (devem estar ainda) nervosos e irritados com a ameaça de rebaixamento no Campeonato Italiano. Com os ânimos mais ou menos acalmados, o árbitro retomou a partida normalmente. O Genoa conseguiu fazer um golzinho no final, descontar para 4 x 1.
O gol, contudo, não mudou a situação perigosa do time na tabela. O Genoa soma apenas 36 pontos, um a mais que o Lecce, o primeiro na zona de rebaixamento, faltando apenas cinco rodadas para o fim do campeonato.
Acho que deveríamos fazer o mesmo para pedir a saída do técnico DoRival e de Bolívar, para começar.
Obs.: À noite, logo após a partida, o Genoa demitiu o técnico Alberto Malesani. O clube contratou Luigi De Canio para as últimas cinco rodadas no Campeonato Italiano.
Estive na França durante o ano passado. Foi apena uma semana, uma maravilhosa semana em novembro, mas vocês sabem, viajar a um outro país é estar com a sensibilidade à flor da pele. Recém saído da tranquila Inglaterra, a situação na França me pareceu tão pesada quanto a medonha Igreja de la Madeleine. Havia visível tensão social. Imigrantes eram procurados nos metrôs e mesmo o pessoal da esquerda reclamava da presença de árabes e africanos por todo lado. Muitos franceses diziam que “os negros não gostam de nós e os árabes são muito diferentes”. Quando aparecia alguém estuprando e matando — fatos que ainda causam surpresa na França — , os franceses conjeturavam se o culpado seria um negro indignado ou árabe fundamentalista. Era um ambiente propício à direita, obviamente, e, quando diziam que Mélenchon subia nas pesquisas encostando em Le Pen, eu pensava que tudo tinha mudado rapidamente em poucas semanas. Só que não tinha mudado.
O socialista Holande ganhou por 1,4%, aproximadamente. Sarkozy saiu-se melhor do é com 27,18%. Mélenchon sumiu com seus 11,1%. E Marine Le Pen, da extrema-direita, obteve 17,9% dos votos. Pois é. Aí está o fato principal destas eleições. Quando a extrema-direita xenófoba consegue mobilizar quase vinte por cento do eleitorado de um país como a França, algo vai mal. De 2007 e 2012, Le Pen quase duplicou a votação. A abstenção foi de 19%, superior à de 2007.
Se, no segundo turno, em 6 de Maio, Hollande acrescentar a seu percentual todos os votos da esquerda e extrema-esquerda (Mélenchon, Joly, Poutou e Arthaud), obterá 43,76% dos votos. Por seu turno, se os votos de Le Pen forem todos para Sarkozy, o atual presidente ficará com 45,08%.
Portanto, quem vai decidir a eleição é o eleitorado da centro-direita de François Bayrou (9,13%) e dos nanicos Dupont-Aignan (gaulista, 1,79%) e Cheminade (um católico que obteve 0,25%). Estes três candidatos somam 11,17%. O desfecho dependerá da percentagem que se deslocar para Hollande ou Sarkozy. Segundo pesquisa do instituto Ifop, 83% dos eleitores de Mélenchon votarão em Hollande, os de Bayrou iriam 38% para Hollande e 32% para Sarkozy e os de Le Pen, 48% para Sarkozy, 31 para Hollande e 21 não votariam ou votariam em branco.
Ou seja, tudo está em aberto e mesmo Sarkozy pode seguir no cargo. Afinal, Hollande é um baita chato e tudo conta numa final apertada.
De Dráuzio Varela, o qual não conhecia, mas com o qual concordo de cabo a rabo no artigo abaixo
O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso
SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.
A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.
Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.
Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.
Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.
Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.
Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?
Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?
Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?
O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.
Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.
Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.
O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.
Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.
Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.
As fotos tinham sumido do blog. Este post é de 1º de março de 2008. Pelo texto meio maluco, acho que estava bêbado.
.oOo.
Marilyn Monroe surpreendeu-se ao saber que nunca tinha participado do Porque Hoje é Sábado.
Então, pela primeira vez, pensou em suícidio, mas a janela era muito baixa e ela no máximo quebraria algumas rosas do jardim logo abaixo.
Falou com os irmãos Kennedy que lhe asseveraram não ser tão fácil intervir num blog. “Não é como em Cuba”, disse John.
Então, deprimida, ela tomou muitos remédios para dormir.
E dormiu…
Dormiu muito… (aqui, de tão mal que estava, só conseguiu vestir uma gota de Chanel N° 5)
Muito mesmo…
Pensou novamente em atirar-se para a morte, desta vez de uma altura de resultados.
Mas acabou escolhendo procurar o autor do blog. Começou pelo bas-fonds.
Depois usou outras armas de sedução, perguntando “Do you know where blogger Milton lives?”, com vozinha de “Happy Birthday to you”.
Seduziu muitos homens… Mulheres também.
Andou por vários locais até encontrar o autor do blog numa…
… biblioteca. Concluiu que deveria então fazer um filme desses bem bons, de cinemateca, a fim de fazer aquele rato de livros vê-la.
Fez “Os Desajustados”, de John Huston com roteiro do maridão Arthur Miller.
E deu certo!
Marilyn Monroe morreu em 1962. O relatório da autópsia foi perdido. Toda a documentação do FBI sobre sua morte foi suprimida e os amigos de Marilyn que tentaram investigar o que acontecera receberam ameaças de morte.
A humanidade perdeu uma história muito interessante, certamente.
Update: a contribuição do amigo Sergio Bomfim (Serbão) A maior bandeira da história!
Fiquei estarrecido ao ler atentamente a programação da OSPA até o mês de setembro. Nenhum Mahler, nenhum Shostakovich, nada de Bartók, só para dar alguns exemplos, poucos autores estreantes e brasileiros e raros programas com obras realmente diferentes. Ignoro quem faz a programação, mas sei que é alguém muito conservador, quem sabe um chato.
Os programas dos quais gostei são quatro. No dia 29 de abril, um domingo, às 11h, há um Concerto para Juventude que achei interessante:
Elgar: Concerto para Cello, Op. 85 Ney Rosauro: Concerto para vibrafone e orquestra Rimsky-Korsakov: A Grande Páscoa Russa
Ouço bastante as coisas do Rosauro e tenho uma estranha tara pela Grande Páscoa Russa. Depois, lá em 5 de junho, às 20h30, há a Missa Solene de Beethoven. O único problema é que será lá na Igreja da Ressurreição, onde os fiéis, em seu desespero pela salvação, aceitam sentar em cruéis bancos de madeira. Como meu Para encarar, almofada é o mínimo.
Ludwig van Beethoven: Missa Solene, Op. 123 em Ré Maior
Uma semana depois (12/6), voltamos ao Auditório da Reitoria da UFRGS para um bom programa:
Aaron Copland: El Salon Mexico Richard Strauss: Quatro Últimas Canções (Vier Letzte Lieder) <— Sergei Prokofiev: Sinfonia nº 1 (Clássica), Op. 25 Igor Gandarias (Guatemala): Desde la Infancia César Guerra-Peixe: Museu da Inconfidencia
E, no fim do mês, no dia 26/6, novamente na UFRGS, mais um dos bons:
Maurice Ravel: Alborada Del Gracioso Jaques Ibert: Concerto para Flauta Claude Debussy: Prelude a L´après Midi dun Faune Claude Debussy: La Mer
Em 3 de julho, há outro quase só francês e bem legal
Maurice Ravel: Tzigane – Rapsódia para Violino e Orquestra Camile Saint-Saëns: Introduction et Rondeau Capriccioso, Op. 28 Mussorgski (Ravel): Quadros de uma Exposição
Depois, até setembro, nada me seduziu. Há uma verdadeira epidemia de Tchaikovskis e Rachmaninoffs, compositor que parece estar recebendo uma bisonha homenagem este ano. Mas não é seu centenário nem nada. Já imaginaram se fosse?
P.S.– Vitor Necchi entra em campo para dizer que há um Mahler (a Sinfonia Nº 7) em novembro. Erro nosso.
Sempre ao lado das minorias e buscando vencer a barreira do conservadorismo da sociedade brasileira, este blog tem defendido sem tréguas o indígena do Brasil. Devemos sempre lembrar que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde aquela data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas ainda estão perdendo suas terras. Desta forma, deixamos duas imagens cuja pujança e emotividade conquistará os visitantes deste pequeno órgão.
Baita cocar de uma mulher Seioux.Feliz Dia do Índio!
* A segunda imagem foi roubada de José Luiz Rosa Filho, no Facebook. A primeira veio de nosso banco de imagens particular.
Quando li Alucinações Musicais, do neurologista Oliver Sacks, fiquei impressionado com algumas reações que as pessoas têm à música, mas muito mais com a amusia — da qual decididamente não sofro — e com as pessoas que procuram ouvir músicas complexas em sua cabeça, meu caso, chegando a contar o “tempo de execução” para conferir se não faltou nada… Eu fazia isso com sinfonias de Bruckner, em primeiro lugar por serem longuíssimas e, em segundo lugar, por terem temas muito diferentes, o que para mim representava uma dificuldade a mais. Se não posso apresentar autocomprovações de ter executado a 7ª Sinfonia de Bruckner mais ou menos no mesmo tempo que Haitink faz com o Concertgebouw de Amsterdam, Sacks consegue demonstrar o efeito da música sobre o homem abaixo, um apaixonado por Cab Calloway. Eu adoraria ver também aquele pianista cujo Parkinson cessava assim que conseguisse tocar algo correto no piano. Vejam o filme abaixo que me foi apresentado por meu filho Bernardo (atenção para os olhos dele antes e depois):
MILF é uma sigla criada sabe-se lá onde que significa “Mom I’d Like To Fuck” (“Mãe que eu gostaria de foder”), e refere-se, obviamente, ao sexo com mulheres de idade suficiente para serem mães de seus parceiros. O pessoal aqui na redação é jovem e tem certa admiração pela viúva e presidente argentina Cristina Kirchner, 59. Principalmente pela viúva.
Hoje pela manhã, vi a jornalista Miriam Leitão, non-MILF, se rasgando de ódio pela nacionalização da petrolífera YPF. Era engraçado, muito engraçado e eu ri, pois até parecia que ela tinha alguma participação societária no Clarín, tal o ódio e ironia que destilava. Alguns jornalistas are overacting — desculpem, não me ocorreu nada melhor — seus patrões. Era por demais engraçado e agora, quando fui tomar café, lembrei da jornalista se rasgando. A forma escolhida por Miriam foi a de desqualificar Cris K dizendo que ela era dominada por seu filho “preferido” Maximo, 34, que trouxe para o governo uma equipe de economistas ligada ao vice-ministro da economia, Axel Kicillof, 40. Seriam um bando de malucos perigosos, ladrões e estatizantes, reunidos sob o nome de “La Campora”.
Olha, estou neste mundo há 54 anos e passei boa parte deles estudando as mulheres com relativo insucesso. Acho que posso dizer, assim de longe, que Cris é uma mulher que ouve, mas faz o que acha melhor, sem deixar-se dominar por ninguém, nem pelos os rapazes da redação, que são homenageados a seguir:
Em resposta a este post, porque às vezes é bom comunicar-se consigo mesmo…
Não pude vir aqui com tranquilidade para dizer que os sábados podem ser perfeitos. Este último foi. À tarde, por insistência de minha cara-metade, fomos ao cinema ver O dia em que eu não nasci, de Florian Micoud Cossen, filme alemão que trata dos desaparecidos na Argentina. Um belíssimo filme com atuação perfeita da para mim desconhecida Jessica Schwarz. (OK, sem grandes spoilers. Ficarei bem longe do fim do filme, tá?). Não esperava nada e me encantei pela história, apesar do início meio forçado. Que grande filme. O súbito e denunciador aparecimento do pai em Buenos Aires nas cenas iniciais e o encontro de Maria com a família argentina elevam a temperatura emocional de forma surpreendente até a elegante cena que finaliza a narrativa. O nome do filme em alemão é BEM melhor, para variar: Das Lied in mir significa A Canção em Mim. Ah, os tradutores dos títulos nacionais só pioram as coisas!
À noite, fomos ver o show do grupo Trissonâncias no StudioClio. O gismontiano trio formado por Pedro Tagliani (violão e guitarra), Michel Dorfman (piano e só — digo assim porque havia um ameaçador teclado que não foi tocado) e Fernando do Ó (percussão) é simplesmente ótimo. As músicas são quase todas de Tagliani (ex-Raiz de Pedra) que volta ao Brasil após 19 anos na Alemanha. Foi um espetáculo excelente de música instrumental brasileira. Melhor ainda quando se vê e ouve o show acompanhado de cervejas compradas no bar do Clio e que se leva educada e silenciosamente para a plateia. A Colorado Appia é boa demais, nossa!
E, no final, ainda ganhamos uma garrafa da cerveja Baca, do StudioClio. Grande dia.
O título se justifica por todos os manifestos sem repercussão que li até hoje. Mas, podem ficar tranquilos, meu tom não será o de um manifesto. Até porque não cabe ser veemente, acho este período do ano bastante produtivo. Eu, que gosto de futebol e não somente de disputas quaisquer, só assisto futebol no meio da semana (Libertadores) e um pouco do futebol europeu dos finais de semana, ficando com muito mais tempo para outras coisas. Não fico tão infeliz, apesar de que futebol me faça falta como fez neste sábado e domingo, quando o Inter enfrentou os zumbis do Cerâmica, vencendo por 3 x 0, e o Grêmio o enterrado e rebaixado Ypiranga, vencendo por 4 x 0, sem forçar. São jogos-piada, totalmente previsíveis. As únicas notícias que a imprensa tira deles são as lesões, quando há… Estes jogos valiam (?) pelas quartas-de-final do assim chamado Gauchão. Sim, não há engano, o Ypiranga jogava as quartas-de-final já rebaixado, o que só não se confirmaria se vencesse o Grêmio, o Inter, apressasse o Judiciário, prendesse o Curió, instalasse a Comissão da Verdade, moralizasse a Veja e obtivesse a confissão Carlinhos Cachoeira de que a Delta Construções não tinha capacidade técnica para vencer licitações. Algo assim.
Nem vou falar que as federações estaduais só servem para manter o presidente da CBF e que cresceram servindo (bem) a ditadura militar. Seria óbvio demais.
Vou é dizer que penso que não há nenhuma lógica nos argumentos dos que defendem os regionais.
Uns dizem que eles são bacanas. Não posso achar bacana o Gauchão. Nas últimas 8 rodadas, o Inter venceu 7 jogos com muitas goleadas e empatou uma partida jogando com seu time reserva, enquanto que o Grêmio venceu o mesmo número de jogos e perdeu uma para o Pelotas apenas porque trata-se do Grêmio. Não me parece muito bacana ver a dupla Gre-Nal só usando os titulares quando os regionais não estão atrapalhando a Libertadores ou a Copa do Brasil. O mesmo fazem Santos e Corinthians em São Paulo. Ou seja, há os grandes e um bando de times muito ruins. Aqui no sul, a grande maioria destes times são formados em dezembro, durando até sua eliminação em abril, quando os jogadores tomam outro rumo. Seus times são tão efêmeros que… Mas isto já é o item seguinte.
Outros dizem que o interior merece os Regionais. Dizem que as sócios de Inter e Grêmio merecem ver os grandes desfilando pelas cidades do interior, até para seguir pagando as mensalidades. Olha, não procede. Poucos jogos e poucas cidades são “brindadas” com a porcaria. Ademais, o Gauchão tem uma média de público semelhante a do Campeonato Albanês (ver esclarecedora tabela abaixo). Não vou entrar em detalhes sobre o relevo, a população, os estádios e a área da Albânia, país cujo interior era considerado inacessível até poucos anos — seria bater muito forte em gente sensível e passadista. Na verdade, o argumento de que o interior merece apoia-se no fato de que eles passam imensas dificuldades. Nada mais falso. O dinheiro que a federação lhes paga é suficiente para aqueles meses de salário e, francamente, qual seria a vinculação que as populações locais terá com times efêmeros que não mantêm jogadores, comissão técnica e que permanecem inativos por 8 meses ao ano? Só os times de ano inteiro deveriam participar do emasculado Gauchão.
Outros dizem que a TV paga bem. É o melhor argumento, quiçá seja o único. Conselheiros do Inter me disseram que o Gauchão paga melhor por jogo do que o Brasileiro. É inacreditável, pois a dupla não tem nenhum prurido em desconsiderar o campeonato em favor de outros e a TV, se paga tanto assim, deveria obrigar os times a utilizarem sua força máxima, o que não melhoria a qualidade do campeonato. Deste modo, não sei o que seria pior.
Os argumentos contrários. A extinção dos Estaduais permitiria, por exemplo, que todos os times participassem da Copa do Brasil, não apenas aqueles que não tivessem obtido vaga para a Libertadores. Permitiria que o Brasileiro não fosse aquela insana correia de jogos uns em cima dos outros; poderíamos ter um campeonato como os europeus, jogado o ano todo. Permitiria que as datas da Fifa fossem respeitadas, evitando desfalques de última hora em razão de convocações. Há mais vantagens, mas nem vou perder tempo. Fico irritado escrevendo tantas obviedades.
Agora vamos brincar um pouco. A tabela abaixo feita pelo iG. Eles retiraram todos os campeonatos interessantes, basta ver pelo primeiro colocado. Legal é ver que em Goiás e Pernambuco os estaduais ainda merecem uma modesta presença do público. Porém, os campeonatos paulista e carioca — tão cheirando a brilho e a cobre — têm médias de público menores do que a 3ª divisão inglesa. O Gauchão? O Bombachão, coitado perde fácil para o Cipriota e regula com o Albanesão e Belarussão. Nosso Estadual tem média de aproximadamente 2400 pessoas por jogo. Se fosse uma empresa, fecharia. Apenas o consórcio CBF-Federações-Globo-e-Afiliadas pode explicar.
PÚBLICO MÉDIO POR JOGO
1) Campeonato Inglês – 2ª divisão 17.386
2) Campeonato Alemão – 2ª divisão 16.656 3) Campeonato Goiano cerca de 9,8 mil
4) Campeonato Espanhol – 2ª divisão 8.550
5) Campeonato Norueguês 8.117 6) Campeonato Pernambucano cerca de 8 mil
7) Campeonato Inglês – 3ª divisão 7.519
8. Campeonato Francês – 2ª divisão 6.841
9) Campeonato Sueco 6.547 10) Campeonato Paulista cerca de 5,6 mil
11) Campeonato Italiano – 2ª divisão 5.241
12) Campeonato Israelense 4.522
13) Campeonato Alemão – 3ª divisão 4.461
14) Campeonato Russo – 2ª divisão 4.423
15) Campeonato Inglês – 3ª divisão 4.175
16) Campeonato Cazaque 4.137
17) Campeonato Holandês – 2ª divisão 3.796 18) Campeonato Catarinense cerca de 3,3 mil
19) Campeonato Cipriota 3.215 20) Campeonato Carioca cerca de 3,2 mil 21) Campeonato Cearense cerca de 3 mil
22) Campeonato Sueco – 2ª divisão 2.572
23) Campeonato Húngaro 2.568
24) Campeonato Escocês – 2ª divisão 2.516 25) Campeonato Mineiro cerca de 2,5 mil
26) Campeonato Italiano – 3ª divisão 2.404 27) Campeonato Gaúcho cerca de 2,4 mil
28) Campeonato Albanês 2.349
29) Campeonato Belaruso 2.301 30) Campeonato Baiano cerca de 2,3 mil
31) Campeonato Azerbaijanês 2.299
32) Campeonato Eslovaco 2.251
33) Campeonato Finlandês 2.225 34) Campeonato Paranaense cerca de 2,2 mil
35) Campeonato Francês – 3ª divisão 2.187
Stravinsky, imenso compositor russo de 1,60 m, era um danadinho. Abaixo, a Sagração da Primavara.
Sempre na busca da verdade documental e indiscutível, Milton Ribeiro abriu e digitalizou a página 69 e as seguintes do livro Igor and Vera Stravinsky – a photograph album (presente de um amigo músico que sabe de minha admiração pela MÚSICA de Igor).
Tudo isso para mostrar o homem, o macho alfa que era Igor Stravinsky, mesmo de fraldinhas.
Mas vocês viram o tamanho… o tamanho… o tamanho da vaidade do bofe?
Haja vaidade e neoclassicismo neste minúsculo e — ui! — musculoso pássaro de fogo.
Eu não entendo, por exemplo, quem ouve e conhece a música popular dos anos 80 por apenas para criticá-la, por achá-la ruim. Nem quem se diverte com a breguice dos outros. Muitas vezes, o brega é cômico e serve como diversão passageira, mas minha opinião é a de que, quem está sempre procurando novas ruindades para ridicularizá-las, na verdade gosta mesmo é daquilo. O erro da insistência em achar (ou ver) graça no ruim é a imensa quantidade do que há de bom e interessante. Não há vida que abarque todos os excelentes livros, músicas e filmes que há para serem lidos, ouvidos, vistos e divulgados. Então, fico meio desesperado quando vejo alguém vibrar com a ruindade alheia, conhecendo-a a fundo. Será que encarar o que é bom dá trabalho? Talvez.
Indo numa via paralela, digo que tenho para mim que a pior pessoa é aquela que só vê objeções, sem conseguir construir nada. Em minhas relações, pouco a pouco tendo a me irritar e automaticamente deixo de considerar as opiniões daqueles que apenas têm coisas a criticar e nada a sugerir. E sempre penso que estes são parentes daqueles, os das coisas bregas. A gente não está aqui só para ter contato com merda. Nós merecemos um pouco mais de dignidade para efetivamente poder parar em pé. Quem me conhece um pouquinho mais, sabe que eu, de minha modesta plataforma, tento polinizar alguma coisa por aí.
E mais não devo dizer. A não ser que estou irritado com as exposições de conhecimento brega que andei tendo por aí. Não sou nada perfeito, mas fico feliz por nunca ter ouvido Michel Teló — só conheço aquele estribilho por ouvir pessoas cantando — e de ter descoberto há pouco que Sandy Junior não era uma pessoa só, mas um casal chamado Sandy & Junior. Estou louco para continuar mais um pouco, mas acho que não devo.
A cadela pitbull Artemis foi morta a tiros e boa parte da sociedade gaúcha, principalmente aquela que costuma frequentar minha trincheira, ficou escandalizada, defendendo o animal. Sou um cachorreiro de carteirinha — sempre tive cães, até em apartamentos; dou banhos pessoalmente nos meus porque gosto de interagir com eles; cuido das vacinas; acompanho os adestradores em todas as “aulas”; me preocupo; enfim, trato-os muito bem. E gostaria de dar alguns pitacos a respeito.
Artemis foi morta a tiros por um vigilante de uma empresa de segurança que estava no Campus da UFRGS, local cheio de cães que são mantidos pelos universitários. Aconteceu num feriado e o vigilante disse que ela o teria atacado. Olha, duvido muito. Em primeiro lugar porque o bicho estava acostumado à convivência com pessoas e, em segundo lugar, porque haveria uma enorme chance de ela atacar alguém desarmado em vez dele. Ele foi lá encher o saco dela, claro, e talvez ela nem o tenha atacado, mas tenha vindo brincar. Creio que posso afirmar com grande chance de acerto que ela foi atraída por um cara armado que morre de medo da raça, o que acho perfeitamente compreensível e louco.
Uma vez, por motivo extra cinófilo, estava na casa de uma pessoa que têm cães pitbull. Ela se orgulha deles e até fiz carinho nos filhotes de uma ninhada de 4 meses. Tinha vendido alguns e sobraram dois machos e uma fêmea. Passada meia hora, ouviu-se repentinamente um choro altíssimo e rosnares alucinados dos filhotes. Estavam brigando no pátio. Quando olhei pela janela, vi os dois machos matando a irmã. Um puxava de um lado e outro do outro, enquanto se formava uma poça de sangue. A explicação não foi uma explicação: “Ah, da vez passada também fizeram isso, são pitbulls mesmo!!!”, exclamou para meu pasmo, entre assustada e encantada.
Olha, entendo perfeitamente aqueles que desejam a extinção da raça. Na Inglaterra e na França a criação de pitbulls e assemelhados foi proibida por lei. Esterilizaram todos e em quinze anos não havia mais nenhum. E os ingleses e franceses amam os cães.
Um site de amor aos pitbulls diz: Esses cães possuem facilidade para aprenderem a serem ferozes e agressivos, porém, se o dono não ensinar tal coisa e criá-lo com muito amor, carinho, dedicação e respeito, o pitbull jamais irá agir de outra forma que não seja a que aprendeu. Ele será um cão carinhoso e super companheiro, basta você ser assim com ele também. Depois o site sugere que os pitbulls estranham os estranhos… OK.
Na boa, fico com os meus pastores alemães e vira-latas. Além do mais, noto que alguns donos de cães pibtull que vejo na rua se parecem com seus mascotes, dando a letra de que têm também certo desvio de comportamento instalado… Eu fora!
Günter Grass pode ser há anos um ótimo escritor decadente, mas suas opiniões são muito ouvidas num país onde os autores são discutidos na TV e ainda têm certa influência. Grass volta a ser comentadíssimo aos 84 anos em razão do poema que fez publicar na semana passada e que reproduzo abaixo. Acho que a Europa está muito atrasada na terapia da enorme culpa em relação ao Holocausto ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. O tratamento não visa negar o que houve — foi uma tragédia real que envergonha a humanidade –, mas elaborar alguma coisa, pois convenhamos: já deveríamos ter enchido o saco e virado a página, ainda mais quando vemos Israel até hoje exibir-se como vítima no Ocidente, com seu governo sentindo-se justificado para fazer o que bem entende com os palestinos, além de distribuir ameaças aos vizinhos. E, claro, tudo isso serve para acirrar a simplicidade fundamentalista de ambos os lados.
A obviedade bem escrita por Grass foi a seguinte: ele sugeriu que o país era tão perigoso quanto o Irã, jogando indesejável luz sobre o programa nuclear de Israel. Aproveitou para criticar a hipocrisia do Ocidente e classificou o Estado judeu como uma ameaça para a “já frágil paz mundial” em meio a postura beligerante do país contra o Irã. O texto virou motivo de polêmica tanto em Tel Aviv, quanto em Berlim.
Claro, o poema toca num ponto sensível. Afinal o Prêmio Nobel ousou fazer a comparação proibida. Comparou moralmente o impecável estado de Israel ao horrível Irã. As respostas foram as de praxe: (1) primeiro Israel declarou Grass como persona non grata, etc. e (2) tentou tirar-lhe qualquer autoridade moral. Afinal, ele — em louvável acesso de fraqueza — admitiu em sua autobiografia de 2006 que fora convocado aos 17 anos (1945), nos meses finais da Segunda Guerra Mundial, para a organização paramilitar nazista Waffen-SS. Foi logo ferido e libertado no final da Guerra. O restante da biografia do autor de O Tambor e Anestesia Local, desde 1945 até hoje, parece que pode ser esquecido. Ah, houve uma terceira resposta: no domingo, o ministro do Interior israelense, Eli Yishai, anunciou que Grass seria impedido de entrar em Israel, citando uma lei israelense que permite evitar a entrada de ex-nazistas… Porém Yishai deixou claro que a decisão era relacionada mais com o poema do que com as possíveis ações do Grass adolescente de 70 anos atrás.
O poema foi publicado nos jornais “Süddeutsche Zeitung”, “La Repubblica” e “El País”. Em O que deve ser dito”, Grass pede que a Alemanha suspenda a venda de submarinos ao governo israelense e alerta para o perigo de um ataque contra o Irã. “Por que eu só digo agora que o poder nuclear de Israel ameaça a paz mundial? Porque isto deve ser dito já que amanhã pode ser tarde demais e também porque nós — suficientemente incriminados como alemães — podemos ser agora cúmplices de um crime sem precedentes”, acrescentou Grass, afirmando que o Holocausto não deve ser usado como desculpa para se calar diante da capacidade nuclear de Israel, aparentemente o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares — suspeita que o governo nem confirma nem nega.
Angela Merkel minimizou a polêmica dizendo que, na Alemanha, os artistas têm liberdade de expressão.
.oOo.
O que Deve Ser Dito*, de Günter Grass
*Tradução livre feita pela Folha de São Paulo da versão em espanhol do poema publicado no El País. Escrito originalmente em alemão e publicado pelo diário “Süddeutsche Zeitung”.
Porque me calo há tanto tempo
Sobre o que é evidente e se empregava
Em jogos de guerra em que no fim, sobreviventes,
terminamos como notas de pé de página.
É o suposto direito a um ataque preventivo
Que poderia exterminar o povo iraniano,
Subjugado e levado a um júbilo orquestrado por um fanfarrão,
Porque em sua jurisdição suspeita-se da fabricação de uma bomba atômica.
Mas, por que me proíbo de dizer o nome
desse outro país em que há anos ainda que secretamente
Dispõe-se de um crescente potencial nuclear
Fora de controle, já que é inacessível a toda inspeção?
O silêncio generalizado sobre esse fato,
Ao qual o meu próprio silêncio se submeteu,
Me soa como uma grave mentira
e uma coação que ameaça castigar quando não se respeita;
“antissemitismo” é o nome da condenação.
Agora, no entanto, porque o meu país foi
Atingido e chamado às falas uma e outra vez
Por crimes muito particulares
Incomparáveis
rotineiramente,
Mesmo que depois qualificada como reparação,
Vai entregar a Israel outro submarino cuja especialidade
É dirigir ogivas aniquiladoras
Em direção aonde não se comprovou a existência de uma única bomba,
Embora se queira apresentar como prova o medo
Digo o que deve ser dito
Por que me calei até agora?
Porque achava que minha origem,
Marcada por um estigma indelével, me proibia de atribuir esse fato, como é evidente,
Ao país chamado Israel, ao qual estou unido e quero continuar estando.
Por que só agora digo, envelhecido e com minha última tinta: Israel, potência nuclear, coloca em perigo uma paz mundial já por si mesma alquebrada?
Porque é preciso dizer o que amanhã poderia ser tarde demais,
E porque incriminados o bastante por ser alemães poderíamos ser cúmplices
De um crime que é previsível,
tornando nossa parcela de culpa impossível de ser extinta com as desculpas de sempre
Admito: não continuo calado
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente;
cabe esperar ainda que muitos se liberem do silêncio,
exijam ao causador desse perigo visível que renuncie ao uso da força e insistam também em que os governos de ambos países
Permitam o controle permanente e sem barreiras por uma instância internacional do potencial nuclear israelense e das instalações nucleares iranianas.
Só assim poderemos ajudar a todos israelenses e palestinos e sobretudo a todos os seres humanos que nessa região tomada pela demência vivem como inimigos lado a lado, odiando-se mutuamente, e, definitivamente, ajudar-nos também.