Devemos melhorar com as presenças de Saravia e Patrick, além de Galhardo jogando desde o início. Mas o número de desfalques é impressionante. Temos dois ataques inteiros lesionados, considerando-se que Pottker seja jogador de futebol.
Time para hoje:
Lomba;
Saravia, Zé Gabriel, Moledo e Uendel (Jussa);
Johnny (Lindoso);
Boschilia, Nonato (Lindoso) e Patrick;
Galhardo e Hernández (Dale).
Suspensos: Cuesta, Moisés, Musto, Edenílson, Praxedes e Marcos Guilherme.
Lesionados: Guerrero, Peglow, Yuri e Pottker.
O Colorado lidera a chave com os mesmos quatro pontos do vice-líder Grêmio, mas leva vantagem no saldo de gols.
Trabalhei por oito ótimos anos num veículo progressista. Aprendi muito. Adorava trabalhar lá, as pessoas foram sempre muito éticas e eu me orgulho de minha vasta produção naqueles anos, apesar de achar que o jornal pecava pela falta de ousadia. Bem, tenho histórias que, penso, devem se repetir na maioria das hoje combalidas trincheiras da esquerda.
Sou um cara mais para o intuitivo do que para o analítico, então recebo e reajo a flashes. Ou, melhor dizendo, um dia tiro uma foto, outro dia outra, e assim vou formando meu mosaico de impressões.
Vamos a três fotos que me ocorreram hoje.
(1) Um colega diz que não devemos publicar uma reportagem sobre um novo método de produção de carne porque deixaríamos irritados os veganos e eles, parte de nosso público, poderiam nos linchar. Então fiquei sabendo que não podíamos falar de carne.
(2) Uma reportagem que coloquei para provocar foi encarada como se eu fosse um ET. Ela dizia que o gaúcho fazia menos exames de toque retal do que os homens de outras unidades da federação porque não a coisa não seria lá algo muito masculino. Era uma pesquisa de boa fonte, séria e médica. Como temos uma editoria de Geral, não vi problema, mas houve gente dizendo que aquilo não era pra nós. OK, não devemos rir ou explicitar nossos lados mais ridículos, mesmo que sejam verdadeiros.
(3) Fui advertidíssimo e me senti ameaçado por expor NO MEU BLOG uma opinião independente. Ela teria o condão de chamar as feministas contra o jornal. Sim, muitas delas disseram que iam abandonar o jornal por minha causa. Alguém acredita nisso? Em resposta, devo dizer que Porto Alegre é um ovo e que fui algumas vezes cumprimentado na rua por feministas em razão do mesmo texto. Ou seja, a rejeição não era consensual.
Fiquei puto ao notar novamente um respeito sem sentido pela militância, sem interessar quão tola seja.
Critico uma versão específica da política identitária que é performática em suas demonstrações de consciência social. Não gosto particularmente porque é um grupo muito inclinado a censurar, a atacar em bloco indivíduos. Odeio isso. Ao calar seus inimigos políticos, eles calam também o dissenso dentro da própria esquerda e é este dissenso que sempre fez a esquerda ser vibrante intelectualmente. São os questionadores que evitam que a ideologia se fossilize porque nos obrigam a repensar. Mas suas vozes foram caladas.
Angela Nagle
É impressionante como essa mentalidade censora se espalhou. O pior é que as pessoas nem se dão conta dela e de como a censura e o constrangimento causado pelos “erros” de gente bem intencionada — e, fundamentalmente, de mesma ideologia — resultaram na colocação da esquerda em um gueto no qual esta passou apenas a falar para si mesma e não com a sociedade. Pior, com uma linguagem toda própria, muitas vezes incompreensível não somente para a população, mas para quem estivesse desinformado. Ah, as vanguardas… Nós contribuímos demais para a ascensão da direita, que deve permanecer por décadas com boa parte do poder.
Enquanto isso, estávamos preocupados com a apropriação cultural, com o lugar de fala, com as bolhas e não com as coisas que estavam realmente no imaginário popular. Nós adubávamos a segmentação para satisfazer certos grupos, gastávamos energia com as polêmicas do dia e com as malditas audiências públicas sobre porra nenhuma e não com avanço dos evangélicos nas periferias, com o recuo da mentalidade científica, com o próprio papel das redes e com aquilo tudo que acabou viabilizando o inferno bolsonarista.
Fico triste com minha falta de força. Sinto-me em parte responsável por nossa tragédia, apesar de ter passado anos dizendo que o maior perigo desse país estava no fundamentalismo religioso e na desgraça que é nossa educação. Mas fui vencido de todas as formas.
O resultado de ontem foi não apenas um vexame como um balde de água fria para quem estava entusiasmado com teu time. Perder para o último colocado do campeonato, com este jogando com dez jogadores desde o primeiro minuto de jogo, diz muito mal do Inter, Coudet.
Quando falo em vexame, estou sendo delicado. Atuações como a Abel Hernández e Edenílson são inaceitáveis. E Moisés e Rodinei já comprovaram uma ruindade como a de Pottker.
Abel Hernández: atuação comprometedora | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional
D`Alessandro também não tem mais condições de iniciar uma partida. Sua presença só se justifica quando estamos ganhando o jogo e queremos a bola. Ele não é mais aquele jogador que supera a marcação e abre retrancas. Passou o jogo desejando ser derrubado e batendo faltas, sem nenhum resultado.
Já Cuesta tem que tomar um choque e Musto deveria ter saído de campo assim que o Goiás ficou com dez. Parece que o volante argentino deixa o time mais moroso ainda na saída de bola. Contra uma retranca, sua presença é prejudicial.
Os salários estão em dia mesmo. Às vezes parece que há desídia, desleixo.
O Inter pega o América de Cali na próxima quarta-feira (16), às 19h15. Se apresentar algo parecido com o que vimos ontem… Sei lá. Para este jogo, o Inter não poderá contar com:
— Cuesta (tem jogado muito mal)
— Moisés (horroroso)
— Edenílson (apático)
— Praxedes (ontem só deu passes para os lados)
— Marcos Guilherme (outro que tem jogado muito mal)
— Musto (sua ausência não fará falta)
— Guerrero (que pena)
— Yuri (o qual pouco vimos)
— Pottker (pelamor)
— Peglow (a ver)
Ou seja, não são ausências espetaculares, até porque são jogadores que estão em péssima fase, à exceção, é claro, do grande Guerrero. Descobrir que esses dez não farão muita falta dá uma mensagem bastante estranha sobre nosso elenco.
Pelo Covidão 2020. retornamos a campo no sábado que vem (19), às 19h, contra o Fortaleza fora de casa, quando provavelmente perderemos o liderança.
Boa sorte, Coudet.
P.S. — Impressão minha ou todos ou quase todos envolvidos na Libertadores patinaram na rodada do fim de semana?
Hoje, com toda aquela chuva, a Feira da Vasco estava lotada. Lotadaça, uma coisa inacreditável. Guarda-chuvas se batiam ou eles caiam sobre frutas e legumes enquanto as pessoas guardavam suas moedas e carteiras. Um mascarado molhava o outro, a maior barafunda.
Mas os sábados são também os dias em que vou ao supermercado. E, aqui, a maior surpresa: o Zaffari da Fernandes estava absolutamente vazio. Peguei as coisas da semana e fui para um dos vários caixas que me esperavam sem fila.
Mas, sabem? Antes, quando fui pegar alho na Feira, o cara da banca me disse para levar um saquinho roxo com vários alhos empilhados. Um gracinha de produto, mas eu disse pra ele:
— Não. Prefiro escolher um por um porque minha mulher gosta bem durinho.
OK, foi uma frase infeliz, impensada e o cara gritou para toda a banca e fregueses:
— Ô, pessoal, a mulher deste cidadão gosta bem durinho!
Foi uma risada só. Todo mundo me olhou. Uma mulher da banca disse que também gostava assim e que não via problema.
OK, fiquei sem jeito, preferia uma piada mais classuda. Ele não perde por esperar.
Porto Alegre tem coisas que só Porto Alegre mesmo.
Venho aqui deixar essa mensagem, pois nas semanas passadas joguei no google PQPBACH e fiquei triste de perceber que o site com o domínio anterior havia sumido. Passei alguns dias tentando novamente e já esperava pelo pior. Para mostrar minha admiração, vou colar abaixo o texto que escrevi quando tinha me convencido que o blog havia acabado. Um abração a todos os envolvidos.
Algumas semanas atrás fui visitar o melhor blog (sim, isso ainda existe) sobre música clássica do Brasil e descobri que ele havia sumido. Depois de muito vasculhar, não encontrei qualquer explicação sobre o ocorrido, então decidi aguardar alguns dias, visto que isso já havia se passado antes. Porém após tanto tempo creio que dessa vez o fim seja definitivo. Estou falando, é claro, do P.Q.P.Bach.
Sim, o nome pode causar estranhamento, mas o conteúdo era sem dúvida inigualável, e o melhor sobre o assunto entre todos os sites que visitei.
Me tornei frequentador assíduo em 2007 e, através dele, tomei conhecimento de muitas das grandes músicas e compositores que admiro até hoje. Luciano Berio, Mahler, Prokofiev e Shostakovich são apenas alguns exemplos que me foram apresentados por lá, coisa pela qual serei eternamente grato por toda a vida.
Mesmo com o acesso às plataformas de streaming — o blog oferecia links para downloads gratuitos, muitos deles raríssimos —, o PQP seguia como um norte, sempre trazendo indicações certeiras, através de uma pesquisa acurada e muito bem contextualizada, mas sempre carregada de bom humor, que a ajudava a desmistificar o estigma que envolve o ouvinte e a própria música clássica como algo elitista — no pior sentido da palavra — e ou chato. Com a quantidade gigantesca de música para se conhecer e apenas uma vida para se viver, o papel que eles tiveram para mim — e para tantos outros — é digno de total respeito e admiração. Obrigado pessoal, a eternidade agradece.
Assinado: João Herberth leitor-ouvinte-admirador do PQP Bach.
Tivemos um terrível primeiro tempo e uma segunda etapa tranquila. Teu time, Coudet, parece ser assim mesmo, de radicais variações de ritmo durante os jogos, o que não é bom. Iniciamos mal, acabamos bem, vencemos, mas poderia ter sido bem mais complicado se o Ceará tivesse marcado naquela primeira etapa. Mas quem tem Galhardo marca antes, né? Sorte nossa, tem sido assim.
Thiago Galhardo, o homem não para de fazer gols | Foto: Ricardo Duarte – SC Internacional
Em todos os jogos ocorre um longo período em que ficamos desligados. Quando os adversários são fracos e não aproveitam, OK mas quando pegarmos adversários mais fortes, tipo o Flamengo, de modo nenhum podemos nos dar o luxo de estarmos um longo tempo fora do jogo, sob pena de acontecer um massacre. Ontem, ficamos desligados nos 30 primeiros minutos. E vide o final do último Gre-Nal.
Agora são 9 rodadas do Covidão 2020. Temos 20 pontos, com aproveitamento de 74,1% e saldo +10. A próxima partida será domingo, às 18h, contra o Goiás em Goiânia. Trata-se do último colocado do campeonato com uma vitória em sete jogos. Jogo fácil, mas há Libertadores na próxima quarta-feira — com 6 suspensos e 3 lesionados — e talvez ainda poupemos vários jogadores. Projeção de time? Isso o próprio Chacho responde:
— Penso o dia a dia. Preciso ver como estão os jogadores. Amanhã terei um parâmetro. No sábado, terei as 48 horas após o jogo e aí verei os melhores para domingo (contra o Goiás, em Goiânia). Não posso projetar muito.
Não somos um time para ser campeão, mas espero que sigamos próximos da ponta até o fim.
Ontem, sem jogar, o Inter voltou a ser líder por aproveitamento. É importante vencer hoje não somente para ampliar a vantagem, que é mínima, mas para ficarmos duas rodadas afastados de perder a liderança.
Se vencermos, ficamos a três pontos dos perseguidores Flamengo — franco-favorito para levar a taça novamente –, São Paulo e Vasco (se este ganhar seu jogo de hoje). Disse duas rodadas de distância porque, mesmo que eles encostem em nós, temos saldo de gols maior.
Então, hoje é dia de não fazer bobagem. Chega de tomar gols nos acréscimos. Nos últimos dois jogos, foram 4 pontos perdidos naqueles minutinhos finais em falhas incríveis de Moisés e Rodinei. Sei que a taça da burrice anda borbulhando e transbordando em todos os lugares, só que a esperança do torcedor aqui é que a nossa pare de vazar.
Chega de bobagens, né, Moisés? | Foto: Ricardo Duarte
Credo, que vergonha! Vou te contar, hein, PCdoB! Podem esquecer o meu voto. Afinal, ainda lembro do tempo em que a esquerda era de esquerda.
O PSol (e o Novo) foram unânimes na reprovação do perdão à dívida e quase todo o PT também. O resultado foi que o Congresso perdoou R$ 1 bilhão de dívidas… Ah, também quero! Vou parar de pagar impostos. O Estado é laico, não tem que perdoar dívida de quaisquer Igrejas.
Eu vou dizer pra vocês uma coisa muito séria. A culpa de 2020 estar sendo esta coisa que está sendo é de Beethoven. Sim, do cara das beterrabas e da Nona.
O cara faz 250 anos de nascimento este ano e todo mundo ia comemorar o ano de forma muy contenta. Estava tudo programado e alinhavado, mas estavam fazendo festa para festejar a existência de um músico surdo que seguiu compondo, que escreveu seu maior quarteto após quase morrer de um mal que não entrarei em detalhes devido à fedentina, que era alcoolista mas gostava de um vinho húngaro que vinha com mercúrio e que talvez o tenha matado, que era feio de doer, que era revolucionário e todos sabem o destino desses caras… Ô, desglória!
Bem, pensando melhor, era pra comemorar mesmo. Vem, vacina russa. Chega logo, porra, o ano tá acabando e o níver dele é dia 17 de dezembro!
Ah, a literatura russa do século XIX… Quando jovem, eu achava que ela era um fenômeno que se limitava a indivíduos como Dostoiévski, Púchkin, Gógol, Tolstói, Tchékhov, Turguêniev — e já eram muitos para um país semifeudal, pobre e lotado de analfabetos e escravos! — mas depois fui adiante com Oblómov e este O herói do nosso tempo (Martins Fontes, 221 páginas). E, olha, que livros, que literatura!
(Bem, os argentinos também têm uma penca de escritores fantásticos vá saber por quê).
Liérmontov foi um dezembrista. Ocorrida na Rússia em 1825, a Revolta Dezembrista desejava a supressão do regime servil, o fim do feudalismo, a implantação de uma democracia representativa na Rússia czarista, programas de incentivo às artes e às ciências e aproximação do país à Europa. O czar Nicolai I respondeu às reivindicações com repressão implacável, censura, tortura e o fim das atividades científicas. E, desta forma bolsonarista, venceu, sufocando a revolta. Tal tragédia foi respondida por um clima de indiferença a todo o sentido de dever, justiça e verdade, além de um desdém cínico pelo pensamento e pela dignidade do homem. É claro que isto foi impulsionado pela novidade do romantismo, que estava em seu início.
Por que iniciei minha resenha assim? Ora, porque tudo isso está incrustrado no personagem principal do livro, Pietchórin. O Herói do Nosso Tempo é não somente o retrato desse herói entediado, mas também desse tempo em que as dissidências foram esmagadas e só resta o imobilismo geral ou a exibição cínica do desinteresse. É claro que os czaristas achavam o livro desprezível.
A obra-prima de Mikhail Liérmontov é um dos mais influentes e importantes romances russos. Ele é composto por cinco seções, todas girando em torno de Pietchórin. Ele é um dos personagens mais ambíguos da literatura mundial: mente, engana e manipula os outros para obter o que deseja – e quando consegue já não sabe mais se quer aquilo.
O Herói do Nosso Tempo não é o habitual calhamaço russo. Tem pouco mais de 200 páginas e vem com um pequeno elenco de personagens. Como disse, o livro é dividido em cinco partes, sempre com o mesmo personagem principal, o citado Pietchórin. Com ele, Liérmontov talvez tenha criado o primeiro anti-herói da literatura. Num primeiro momento, Liérmontov faz com que o cínico e sem raízes Pietchórin aproxime-se de nós por meio das reminiscências de um veterano capitão que servia no Cáucaso. Em seguida, o conhecemos rápida e diretamente e, finalmente, por meio de seus próprios diários, que acabam abruptamente, como se o autor tivesse simplesmente largado a caneta.
Ou levado um tiro. A vida de Liérmontov não ficou muito distante da de seu personagem: afinal, o autor também serviu como oficial no Cáucaso, entrou em encrencas românticas e perdeu a vida em um duelo. Aliás, provavelmente, este duelo tenha sido provocado por ordem de Nicolau I. No momento do tiro, Liérmontov ergueu a arma e atirou para o alto, porém, seu “desafeto” cumpriu a ordem do czar e o autor morreu aos 27 anos com um tiro à queima-roupa, tendo deixado este estranho e belo romance e uma importante obra poética que todo russo conhece.
Pietchórin é certamente uma versão endurecida de Liérmontov. Era alguém que poderia manipular os corações das mulheres aparentemente à vontade, ou que poderia alegremente ir a um duelo fraudulento. “E daí? Se eu morrer, morrerei! A perda para o mundo não será grande. Sim, já estou bastante entediado comigo mesmo. Sou como um homem que está bocejando em um baile”.
Pietchórin é uma grande criação. Ele é por demais atraente e envolvente. Pode ter características lamentáveis e é uma ameaça a si mesmo e àqueles ao seu redor. É desagradável muitas vezes. “Talvez alguns leitores queiram saber minha opinião sobre o caráter de Pietchórin. Minha resposta é o título deste livro. ‘É, eis uma ironia ferina!’, — dirão. Não sei”. Essas duas últimas palavras resumem lindamente a ambiguidade do livro. O próprio prefácio de Liérmontov diz que o livro é “um retrato composto das falhas de toda a nossa geração em seu desenvolvimento completo” e também usa a palavra “desagradável” para descrever Pietchórin.
O Herói do Nosso Tempo é narrado em primeira pessoa por três personagens diferentes, sendo que o último é o próprio Pietchórin escrevendo um diário. Tudo é digno de interesse, e gostei muito da sensação estética de ver o que vai se revelando para compor o personagem à medida que os capítulos vão passando. O livro é de arrebatador. Não preciso nem dizer que, como os russos de sua época, Liérmontov foi um mestre.
Hoje, eles estão mais dos lados do que sobre a cabeça, mas já tive muito.
Às vezes não parece, mas saibam que sou uma natureza fiel. Gosto de repetir o mesmo restaurante, a mesma mesa, os mesmos rituais e gosto de cumprir agendas como um cão. Aliás, amo os cães.
Também gosto de repetir o mesmo cabeleireiro ou o mesmo barbeiro. Tanto que fui cliente do Nei por mais de 35 anos. Comecei com ele no atual Shopping João Pessoa, lá por 1969. Permaneci com ele quando ele atravessou a rua e foi parar à frente e ao lado de meu ex-colégio, o Júlio de Castilhos.
Durante o longo período em que cortei cabelo no Nei, surgiu o Trianon e todos os jogadores de futebol passaram a deixar suas madeixas com ele. Não obstante minha presença, ele ficou famoso.
Uma vez, o Nei estava trabalhando na minha cabeça, enquanto Falcão tinha sua careca lavada ao lado. O Nei me perguntou:
— Há quantos anos tu vens aqui?
— Há uns 20.
E Falcão se meteu no papo:
— E como é que tu ainda tem cabelo?
Pois é, na época eu ainda tinha bastante.
Com o tempo, começaram a aparecer bolas de futebol desenhadas nas paredes do Nei. Todos os jogadores que iam ali deixavam seus autógrafos em tinta preta ou branca. No começo, eram só colorados e gremistas, mas logo apareceram nomes como Sócrates, Zico, Reinaldo… Em poucos anos, as paredes foram totalmente preenchidas pelos craques.
Depois, o Nei — que era colorado, claro — se aposentou e eu passei a cortar o cabelo por R$ 5,00 ali na Azenha. O cara vinha e apenas metia a máquina na altura 3. Era rápido e eu achava que, de acordo com o cheiro dele, ele pegava aquela pouca grana e comprava tudo de cachaça barata.
Então foi a vez do Reinaldo. Ele perguntava se eu queria ler durante o corte e me mostrava as últimas playboys. Se eu parasse no rosto, nos peitos ou na bunda de uma mulher, ele dizia, gentil:
— O senhor tem muito bom gosto.
Não fiquei muito tempo com ele. Hoje, eu corto no Régis, aqui ao lado de casa, na BarberShop Independencia. Só que, após 5 anos de fidelidade, a pandemia me impede de visitá-lo. Acho que nossas respirações ficariam muito próximas. A última que o visitei foi em fevereiro. Uma pena. Gosto muito dele.
A Elena cortou meu cabelo lá por maio, fez bom trabalho, mas depois a coisa ficou selvagem. Tenho cabelos sobre as orelhas. Tento fazer rabo de cavalo, mas ainda não dá. Lembro de quando jogava futebol no colégio. Eram os anos 70. Havia um monte de colegas lindas. Meus momentos mais eróticos eram quando eu pedia para uma delas — sempre a mesma — fazer um rabo de cavalo em mim para que meus cabelos não atrapalhassem meu modesto desempenho futebolístico. Ela puxava meus cabelos com as mãos rastreando o pescoço. Era algo arrepiante e eu passava uns dois dias pensando naquilo.
O problema agora é saber quem vencerá. Ganhei de aniversário uma máquina de cortar cabelo. Será que ela chegará antes da Elena fazer um rabo de cavalo em mim?
Coudet, tu deste 4 belas entrevistas na semana passada. Mas estavas também treinando o time. Podemos não chegar a título nenhum, mas dá gosto ver o Inter jogando sem medo e com inteligência tática. Há quanto tempo eu não via isso? Há mais de dez anos, certamente.
Este é um dos melhores começos de campeonato brasileiro da história colorada. Só em 1978 (6 vitórias), 1975 e 1979 (5 vitórias e um empate) começamos melhor. E em 1974 e 1976 tivemos o mesmo começo (5 vitórias e uma derrota).
Ademais, os acertos são incríveis. A colocação de Thiago Galhardo como centroavante e a sequência de boas atuações do Zé Gabriel na zaga são coisas sensacionais.
Mesmo com a inacreditável sequência de lesões e covids, o time demonstra perfeito conhecimento do esquema adotado, sempre de agressividade e postura propositiva. Afinal, temos 4 atacantes fora: Guerrero, Peglow (covid), Yuri e Pottker, considerando que o último seja jogador de futebol e atacante. Sobram apenas Galhardo, Marcos Guilherme e Dale, que se faz de atacante às vezes. Mas os caras entram e fazem o que se espera deles.
Dentre as indicações de Coudet, Saravia é um monstro — resolveu o problema secular da lateral direita que vem mal desde Edson Madureira (hoje com 76 anos), Cláudio Duarte (hoje com 69) e Edevaldo (hoje com 62), com um tímido voto de louvor a William (hoje no Wolfsburg). E não há exagero no que digo.
Bem, aos poucos vamos voltando aos nossos “Bom dia”. Este foi apenas um aquecimento.
Só a calça cai com Coudet | Ricardo Duarte / SC Internacional
Arthur Rubinstein achava que um músico deveria praticar por 4 horas e depois passar outras 4 lendo, informando-se ou em contato com outro gênero artístico a fim de ter o que expressar quando voltasse à tocar.
Uma musicista como a Elena ouve um violinista e diz que ele deve ser muito culto para poder tocar daquele jeito. Eu pesquiso e o cara tem mil interesses. Os muito especialistas que me perdoem, mas cultura é fundamental.
(Para citar 3 supercraques, quando Pollini ou Brendel ou Ehnes chegam perto de seus instrumentos, eles trazem todo um mundo com eles, crianças).
Vamos com uma que quase todo mundo tem dificuldade:
POR QUE/ PORQUE / POR QUÊ/ PORQUÊ – DOMINE A ORTOGRAFIA DE UMA VEZ POR TODAS! 👇
1) Use “por que” (separado, s/ acento) em perguntas: “Por que a Michele recebeu R$ 89 mil do Queiroz?”
2) Use “porque” (junto, s/ acento) em respostas: “Porque eu precisava dar um jeito de receber o $ das rachadinhas”.
3) Use “por quê” (separado, c/acento) quando estiver no final de perguntas, próximo ao ponto de interrogação. “Mas todo mundo sabia que esse traste não valia nada, votaram nele por quê?”
4) Use “porquê” (junto, com acento) quando estiver substantivado. Se não souber o que isso significa, use quando a palavra puder ser substituída por “a razão”. “O combate à corrupção nunca foi o porquê de a elite ter votado nele”.